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quinta-feira, 30 de junho de 2016

PSV/Capítulo 39

PSV



Claude saiu do quarto de Alex e foi até  o de Rosa novamente  antes  de voltar a sala e andar de um lado a outro. Chegava a parar por alguns segundos sentindo-se  perdido.  Era quando levava as mãos à cabeça e  depois as descia pelo rosto,  cobria a  boca e parava  sobre o queixo. Então dava  alguns passos e as descia até a cintura, apoiando-as no cós  de sua  calça.
- Alexandra é minha  filha! Ela é minha  filha! – Quantas vezes havia  repetido isso até  agora, se perguntava.
Deixou-se cair sentado no sofá e sorriu.  E o sorriso  transformou-se em desespero e agonia.
- Mon Dieu, o  que fiz a Rosa? Eu a amo e mesmo assim julguei-a impiedosamente pela lente  de outra  pessoa! Acusei-a de ser interesseira,  amante de outro homem e a obriguei   a se portar como minha amante. Eu não mereço perdão. – Afirmou sentindo na  boca o gosto salgado das lágrimas.
O toque de despertar do celular o fez enxugar o rosto. Duas da manhã. Estava na hora do remédio dela.








Colocou água  até a metade do copo e separou as  duas  drágeas do medicamento receitado por Erci.  Sentou-se na  beira da cama e chamou-a:
- Rosa... Rosa, acorde! Está na hora  do seu remédio, hã?
Mas  tudo que ela  fez foi se encolher e  resmungar  que estava  com frio.
Claude inclinou-se um pouco mais e acariciou-a na face com a ponta  dos dedos. Reparou que estavam rosadas então deslocou a mão até a testa de Rosa.
Preocupado, apanhou o termômetro e conferiu  a temperatura apesar dos protestos dela.  Quase  trinta e nove, observou. Não era um bom sinal
- Rosa! – Exclamou puxando-a gentilmente – Rosa, acorde por um momento, chèrie... Precisa  tomar  o remédio.
Debilmente, ela abriu os olhos.
- Hummm...
- Rosa, você está com febre e precisa tomar esses comprimidos.
- Preciso? – Perguntou deixando que ele os colocasse entre seus lábios e em seguida sentiu a água invadindo sua  boca, fazendo-os deslizar em sua garganta.
Segurou a mão  de Claude quando ele afastou o copo e bebeu a água  restante.
- Por que  invade  meus sonhos, Claude?
- Não está sonhando, Rosa...
- Estou sim...  – Disse soltando a mão dele enfim. -  Estou na  parte em que  você me despreza e deixa  sozinha.  E  eu continuo a te amar mesmo assim...
- Eu não a desprezo... E nunca  mais  vou deixa-la sozinha, nunca!
Rosa suspirou profundamente e cerrou os olhos.
- Viu  só como é um sonho? Você jamais  diria isso
Claude colocou o copo sobre o criado mudo e voltou-se para ela. Rosa voltava a se encolher sobre as cobertas, o corpo trêmulo e quente.
- Ainda está aqui? - Ouviu-a resmungar ao abrir os olhos novamente.  - Devia  deixar-me  em paz!
- É isso mesmo que deseja? Quer que eu...  Vá embora dos seus  sonhos?
- Não...  Quero  que me deixe  sonhar  em paz com você. Que  deixe-me sonhar com nós  dois como éramos antes,  quando você me amava. – E tossiu várias vezes. -  Será que  pode  fechar  a janela quando sair? Estou com tanto  frio!
Claude  pressionou os lábios e sorriu embora  seus  olhos  estivessem úmidos.
- Eu já fechei a janela, chèrie! – Exclamou baixinho, e tirando os sapatos enfiou-se debaixo das  cobertas ao lado dela – Vou aquecê-la para sempre, d’àccord? Eu amo você, Rosa! Você e  nossa filha!
Então a puxou gentilmente para  si e a acomodou lateralmente a seu  corpo. Rosa realmente tremia  de frio. Mas  a medida que o seu  corpo aceitava o calor  de Claude, foi relaxando. 
- Esse é o melhor  sonho que eu já  tive... –  A voz dela era  fraca e  rouca.
E depois de algum tempo dormia calmamente segura e protegida entre os braços  dele. Claude por sua vez estava longe de dormir.  De querer, de poder e de conseguir.
Esperaria  o tempo mínimo para monitorar a febre de Rosa. Enquanto isso tentaria  colocar  seus  sentimentos  em ordem.  E suas expectativas.
Rosa  mexeu-se ajeitando a cabeça em seu ombro e Claude a amparou com seu braço ates de   inclinar de leve a sua  cabeça  beijá-la na testa.

Ela respirou profundamente antes de deslizar a mão por seu  peito parado exatamente  sobre  seu coração. Envolveu-a pela cintura sobre a camisola fria e sedosa. 





- Mon Dieu, será que vai me perdoar, chèrie? – Perguntou baixinho enfiando seus dedos  pelos  cabelos dela carinhosamente e fechou os olhos. 
Não, não  quero fechar meus olhos. – Pensou, abrindo-os  -   Não devo dormir... Preciso ficar acordado e ouvir você respirar enquanto dorme. Enquanto está longe e sonhando com  nosso amor. Porque  quando você acordar eu posso perder tudo isso outra vez. Então preciso continuar perdido nesse momento, nessa sua doce rendição ao mundo dos sonhos.
Eu só quero ficar com você aqui e te abraçar forte, com seu coração batendo assim encostado ao meu.
É assim que eu quero  ficar  depois também, sem perder um só sorriso de cada uma de  vocês duas... Porque eu não quero ser apenas seu sonho Rosa. Isso não vai ser suficiente.
Por favor mon Dieu, dê uma chance hã?  De consertar todas as coisas erradas que fiz a partir  desse momento para todo o resto dos tempos.
Então voltou a  beija-la, sobre os olhos dessa vez, e agradeceu a Deus por estarem juntos. Agradeceu por  Alexandra e as palavras  escaparam para  fora de seu pensamento:
- Por que Rosa...  Por que nunca me contou sobre ela? - E fazendo um movimento com o braço tocou na  boneca  de Alex. Sorriu  e pegou-a, abraçando-a como se abraçasse a  filha.




PSV




Uma vistoria de última hora na aeronave que  detectou  problemas elétricos inesperados e a necessidade da troca de pneus, além de desculpas pelo imprevisto, foi a explicação que todos os passageiros ouviram do porta-voz da companhia área, a Airfrance.   O voo com destino ao Brasil sofreria atraso. 
Porém após duas horas, alegando a necessidade do   cancelamento do voo, os passageiros foram novamente reunidos e informados que seriam  realocados em um próximo voo com o mesmo  destino, numa aeronave maior, com conexão em Recife, no Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto Freyre.  A bagagem já estava sendo transferida. Apesar da explicação, circularam rumores  de uma  suposta ameaça por  parte de terroristas islâmicos.  Se houve uma ação policial, ela  havia  sido bem treinada,  pois o aeroporto não  foi evacuado tampouco notou-se a presença  de qualquer esquadrão antiterrorismo.




PSV




- Vai viajar assim de repente... O que  fez, Roberta?
- Nada, papai. Nada que eu  vá me arrepender. Mas  vou sair  do país por uns  dias, talvez  semanas para não ser incomodada por ninguém.
- Filha, o  que fez? Se precisa  de um  lugar sabe que  pode  ficar comigo. Eu nunca pedi que saísse desta  casa.
- Eu sei papai. E agradeço, mas se ficar ai com você Louise me  encontrará facilmente e não quero envolvê-lo nessa história. Então quando eu chegar  lá, onde quer  que eu  vá, eu o aviso.
- Está  brincando com fogo, querida.  Por que não ouviu meus conselhos e se afastou de Louise Geraldy?
- Agora é tarde para pensar  nisso, papai.  Em algumas  horas a França saberá quem é Louise e do que ela é  capaz para  chegar ao poder. Vai ser “o” escândalo.
- Roberta...
- Sem  mimimi, papai! O que  fiz está  feito e pronto.
- Pensa realmente  que  vai desacreditá-la?
- Talvez, por que não? Mesmo que ela  consiga se safar,  ficarei... Satisfeita por  tê-la atrapalhado. Sempre haverá quem a olhe  daqui para frente com desconfiança.
- Onde foi que errei contigo, Roberta?
- Quanto drama papai! Você não errou.  Fez de mim uma pessoa decidida e destemida.
- E sem escrúpulos. Louise  vai persegui-la o resto de sua  vida.
- Ela  nunca  vai  provar que eu entreguei as imagens dela  com Bernard, papai.  Se quer  saber, há pessoas com informações  piores. Eu entro em contato  com você, d’àccord? Au revoir!
- Roberta, ainda  dá tempo de desistir dessa  loucura... Roberta!  Desligou! Isso não  vai terminar  bem...



PSV



Claude abriu os olhos e procurou seu  celular para  desativar o alarme. Seis horas! Havia duas mensagens: uma de Nara, avisando sobre o atraso do voo e  outra de Dadi, querendo  notícias de Rosa. Ela ainda dormia aconchegada a seu  corpo, disputando espaço com a boneca.
Passou a mão  pelo rosto dela. A temperatura parecia  normal e a respiração era  calma e  regular, bem  diferente da noite passada.
Saiu vagarosamente  da cama, deixou a boneca em seu lugar e  foi ao banheiro. Passou pelo quarto de Alex. Ela dormia tranquilamente. Foi  para a sala e  telefonou para Dadi,  tranquilizando-a e avisando que ainda se demoraria por ali.
Recolocou o  blazer, pois  estava  frio. Procurou a cozinha e fez  café.
Quando  voltou ao quarto, Rosa havia se mexido tanto que estava descoberta. Mediu a temperatura. Estava normal, menos de  trinta e sete graus.  Ótimo, pensou já que a próxima  dose seria em três  horas. Arrumava o  edredom sobre ela, quando Rosa  abriu os olhos.
- Claude?! – Exclamou tentando se afastar dele - Oh, meu Deus... Então não foi só um sonho! – Disse apertando o edredom contra  si.
-   Não.  – Murmurou Claude  -  Não foi sonho, Rosa... Mas  temos que  conversar para que não se transforme em pesadelo, hã?
- Conversar sobre o que? – Perguntou  tossindo algumas  vezes.
- Sobre nós, sobre Alexan...
 - Bom dia, mamãe! – Exclamou Alex entrando no quarto – Ué, por que  você ainda  tá  aqui? – Perguntou a Claude,  esfregando os olhos  e  bocejando.
- Porque eu não quis deixa-las  sozinhas.
- Ah! Você já  “saro”  mamãe? – Perguntou subindo na cama – Eu deixei a  Serafina aqui pra ela  “toma”  conta  de você, você  viu?
- Vi sim, querida!  - Respondeu Rosa sem deixar de olhar  para  Claude. – Ela  cuidou direitinho da mamãe. Obrigada.
- Eu tô morrendo de fome, você não tá?
- Estou sim, Alex...
- Voilà! – Disse Claude sorrindo – Creio que  todos estamos, hã?  Alex o que acha de  me ajudar com o café  da manhã e então trazemos algo para  sua mamãe?
- Eu posso ir  pra  cozinha e fazer o café da manhã! -  Protestou Rosa, tossindo em seguida.
- Pode, não é?  – Concordou Claude levantando-se - Mas não deve.  É melhor se resguardar, Rosa. Pelo menos  por hoje.  d`áccord?
- Ok, ok... Mas  banho está liberado não está?
- Ouí.  – Responde sorrindo -  Vamos lá, pequena?  - Falou em seguida estendendo a mão para Alex.
Rosa os observou saírem do quarto com a impressão que  sonhava um sonho. E que a qualquer  momento acordaria...
Quando apareceu na porta da cozinha minutos  depois, Alex  comia  bolo.
- Ah mamãe, eu ia levar  bolo pra  você lá  no quarto...
- Bem, agora já estou aqui, hum? – E deu um passo a frente.
Mas precisou se  apoiar  no batente  da porta, sentindo-se  zonza e quando percebeu, Claude a segurava.
- Pensei que  tivesse mais juízo, hã?  Devia ter  voltado para a cama!
Queria  contesta-lo mas sentia-se fraca  demais e não discutiria com ele na frente de Alex.
- Tem razão... Poderia me ajudar a voltar pra lá? – Perguntou levantando o olhar para ele.
No instante seguinte estava sendo carregada por ele.  Ouviu o riso alegre de Alex, seguindo-os.
- Posso saber do que está  rindo? – Perguntou Claude, intrigado, entrando no quarto.
- Aham... – Disse engolindo o último pedaço de bolo -  É que o “príncepe” sempre carrega a princesa assim e depois eles “vive” felizes para  sempre!
- D`áccord... Por que não  vai  buscar  o bolo da mamãe enquanto o príncipe aqui a coloca na cama?
Alex deu outra  gostosa risada e girando o corpo  correu para a cozinha.
E alguma  coisa na  maneira como ele  pronunciou a palavra mamãe fez  o coração de Rosa disparar.
- Talvez não seja  o melhor momento... – Sussurrou Claude sentando-se e olhando-a -  Mas eu preciso saber.  Por que escondeu que Alexandra é minha  filha?
- Quem... Como descobriu? – Perguntou tentando controlar a respiração, mordendo o lábio inferior.
- Da forma mais incontestável que há... Ela tem a mesma marca de nascença que eu...
- Deve estar me odiando, não é?
- Não. Magoado talvez. Mas sei que deve haver uma razão para  ter  feito isso...
- Sim... Eu tive medo e...
- Eu  demorei porque vim devagarinho pra não “derrubá” nada, mamãe... – Falou Alex entrando no quarto, equilibrando  um prato plástico com alguns pedaços de bolo. – E coloquei mais  bolo pra  gente  “come” com você.
Estendeu os braços assim que chegou perto  da cama e Rosa segurou o  prato. Alex  subiu na cama e ajeitou-se entre os dois.
- “Vamo come”? – Disse então pegando um pedaço.
Rosa pegou um pedaço e aguardou alguns instantes, mas  Claude não se serviu.
- Não vai  comer? – Perguntou a ele.
- Eu acho que não cabe mais   bolo na barriguinha dele não, mamãe. Ele  comeu três “pedaço” na hora que  você “tava” tomando banho.
- Alex! -  Exclama Rosa, em tom de suave mas firme reprimenda.
- Voilà,  não precisa se zangar  com ela, Rosa. Eu realmente  comi os três pedaços  e não pedi segredo, hã?
- Mesmo assim. – Afirmou olhando para a menina – Nós não devemos  contar quantas  coisas alguém comeu. É muita falta de educação e respeito. Deve pedir desculpas ao Claude,  ok?
- Desculpa. – Diz Alex
- D’àccord, d’àccord! Está desculpada, pequena.  Não  vamos  fazer disso uma tempestade. O que quer  beber? Encontrei suco e leite  em sua  geladeira.
- Suco  ou leite? Eu gostaria mesmo era  de um café...
-  Que sorte. Eu passei um café agora  a pouco, e isso era  um segredo.  Espero que não se  importe por eu ter invadido sua  cozinha.
- Claro que não...
- Eu volto num minuto. – Disse saindo do quarto.
Instantes  depois quando voltava cruzou com Alex no corredor.
- A mamãe deixou eu “assisti” um pouco de desenho antes de “i” pra escola! -  Ouviu-a dizer alegremente enquanto corria para a sala.
- Só um pedaço  de bolo? – Perguntou ele observando o prato sobre  o criado mudo, entregando a xícara  de café a ela.
- Um e meio. – Respondeu Rosa – Eu comi a metade que Alex não quis. - E levando a xícara aos lábios  tomou o café. – Seu café  continua delicioso!
- Merci.  – Disse ele sério, voltando a sentar-se na cama. -  Seu bolo também, hã? Mas será que pode me contar  porque teve medo de revelar  sobre Alex?
 - Acha mesmo que devemos  falar sobre isso agora?
- Ouí. A não ser que esteja  muito indisposta...
Rosa esticou o  braço, colocando a xícara ao lado do prato.  Foi em menos  de um  minuto, mas  foi tempo suficiente para concluir que Claude  estava certo. Melhor esclarece tudo. Não era isso que estava disposta a fazer antes  de ficar  doente?
- Ok. Eu queria contar desde que  chegou aqui. Mas então você me acusou de ter um  amante e ele ser o pai de Alex.
-  John Smith. – Murmura Claude.
- Por muitas  vezes  me  convenci que seria fácil  provar que você  é o pai dela.  Pela mesma maneira que  você descobriu. Só não falei  porque tive  medo que usasse esse argumento, de ser amante de alguém, para  tirá-la de mim...
- Pensa que eu seria  capaz  de separá-las?
- Eu não sei! – Exclamou Rosa tossindo -  Você estava tão diferente do Claude que eu conheci... – E seus olhos lacrimejaram - Frio, arrogante, irônico...
- D’áccord...  – Concordou ele – Eu sinto muito tudo isso que  fiz, hã? Mas diga-me, também teve medo de  me contar que estava grávida antes de me abandonar?
-Eu não o abandonei.  - Diz  Rosa, balançando a cabeça e franzindo a testa  - Você pediu que eu saísse da  sua  vida! E nem  teve  coragem de  falar pessoalmente, incumbiu sua mãe de  informar  sobre a sua decisão naquele dia em que  levou Nara de  volta ao internato.
- Não, você a incumbiu de dizer que  a vida ao meu lado estava monótona e  por isso voltava  para  cá!
- Meu Deus, Claude, eu nunca disse isso! Lembra-se bem daquele dia?  Eu fiquei porque não me sentia bem, então você adiou a  conversa que queria ter  comigo para quando  voltasse. Disse que era algo importante, que  mudaria nossas  vidas...
- Claro que lembro.  Havíamos  combinado uma parada na volta, porque  cada um tinha  algo importante para  dizer  ao outro...
- Eu iria  contar que estava  grávida.  Era uma informação que  você leria nos agradecimentos da minha tese...  Porém,  pouco depois que  vocês  saíram  sua mãe me fez ir até a biblioteca e disse que  você havia decidido concorrer a um cargo público e não sabia como me  pedir, não tinha  coragem de  pedir que eu  fosse embora, porque não estava “à altura  de suas pretensões” políticas por ser uma estrangeira sem “linhagem nobre e sem dinheiro”.  Que estava arrependido de ter se deixado levar por uma simples atração física. Expliquei que estava grávida  e ela ofereceu uma  boa  quantia,  em euros, para que eu... Que eu desistisse do bebê. Eu recusei, é obvio. Pediu que eu  o compreendesse e não fizesse cenas ou escândalos para não prejudica-lo. Então Roberta  mostrou as alianças que selariam seu compromisso com ela. Para mim foi  algo importante, que mudaria  mesmo nossas  vidas.  O que mais eu poderia fazer?
- Mon Dieu... As alianças eram para o nosso noivado, chèrie! Pedi a Louise que as  guardasse até eu  voltar, não queria que as encontrasse antes!  E quando eu cheguei já era  noite, fui direto ao nosso quarto e tudo que encontrei foram algumas  roupas suas sobre a cama. Então Louise apareceu perguntando o que eu faria com as alianças  já que  você havia  feito as malas às  pressas e simplesmente avisado que estava indo embora, a procura de outra  aventura que terminasse em sexo mais intenso e quem sabe mais compensador  financeiramente do que apenas morar em uma mansão  ao sul de Paris.
- É claro que  fiz as malas às pressas! Louise conseguiu uma passagem num voo direto que saia em três horas... Foi Roberta quem me ajudou com elas e quem me levou até  o aeroporto.  Poucos  dias  depois  de chegar,  ouvi a notícia de sua adesão  à politica, ocupando a função que havia  sido de seu pai no partido.
- Eu entrei para o partido  justamente para te esquecer! Queria ocupar  todo o meu tempo  em algo que não me  fizesse lembrar você! Abandonei todos os meus projetos artísticos principalmente  o livro que escrevíamos  juntos.
- E teve mais  sucesso que eu... Só saiu dela depois que sua esposa morreu!
-  Minha esposa?
- Você  disse que  ela  havia  morrido quando me  pressionou a ser sua amante.
- Dieu! E você entendeu que eu falava  de Roberta?
- E não era? Não  foi com ela que se casou?
- Não... – Fez uma pausa -  Eu só casei uma vez na  vida e  foi com você, Rosa!
- Então... Isso quer dizer que...
- Que eu tentei mata-la dentro  de mim. Mas nunca  a esqueci e bem deixei de amar. Também tenho consciência de que não mereço seu perdão. Acho que posso viver com isso agora que sei a verdade mas  por favor, não  me afaste de nossa filha!
- Você me ama?!
- Muito mais que antes. Por isso, tenho  que fazer  o certo para você mesmo que signifique me machucar ainda mais. Fui fraco,  me  comportei como um canalha contigo e...
- Certo é quando um homem se atreve a confessar suas fraquezas.  Ele se torna o mais forte. E sabe?  Se quer  mesmo fazer  o certo para mim, para nós três, saiba que deve escolher  o caminho do amor. Eu quero tentar  outra  vez,  não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu tive ou   terei que encarar. Eu amo você, Claude Geraldy...
- Não deveria me amar depois  de tudo que  fiz você  fazer...
- Quando vai entender que fiz “tudo que me fez fazer” justamente porque te amo?
Claude abraçou o  rosto de Rosa  com as mãos,  deslizando os polegares  suavemente, enquanto mergulhavam  um no olhar  do outro, no mais profundo silêncio. Foi Rosa quem o quebrou.
- Claude,  – Murmurou  ela – Agora é a hora  em que  o príncipe  beija a princesa...
Claude sorriu e inclinou a cabeça lentamente.
- E depois eles vivem felizes para sempre -  Sussurrou com os lábios  encostados aos dela.
E foi um beijo terno, de amor, de reconciliação. Sem exigências. Um beijo tipicamente romântico, de um  príncipe  em uma princesa.






Então Claude  afastou-se o  suficiente  para  falar.
-  Precisamos  todos  ser  felizes. Vamos contar  a Alex...
-  Assim, sem prepara-la? Não, eu tenho medo que ela  se zangue e...
- Ela não  vai se zangar, chèrie...  Talvez  não compreenda  tão rápido, mas...
- Ela acredita que  o pai, quero dizer  que  você está  cuidando de  sua mãe doente. Não sei porquê criou essa história, eu nunca disse isso!
- Alexandra é uma garota esperta e fez isso  inconscientemente para se proteger.   Mas  encontraremos  um jeito de falar sem causar maiores traumas  a ela. Vem!
Ajudou Rosa  a levantar-se da cama e entraram na sala de mãos dadas.  Alex assistia a TV com atenção.
- Filha, - Disse Rosa   -  A mamãe e o p... E o Claude; nós precisamos  falar  com você.
- Ah, já tá na hora  de “tomá” banho pra escola? – Perguntou  parecendo decepcionada. – “Mais” não “acabô” o desenho  da  rainha do gelo ainda! – Argumentou segura, ficando em pé  sobre o sofá.
- Não,  não é  isso.  – Explicou Rosa abaixando  o  som da TV e sentando-se ao lado da  filha. – É sobre o seu  papai. O  Claude... - Tentou  falar, mas a  voz embargada a impediu.
Alex olhou fixamente para Rosa  por  alguns  segundos.  E voltou a atenção para Claude, quando ele  começou a falar:
- Pequena, ontem  a noite você  disse que  gostaria que  eu  fosse  o seu papai, não disse?  - Falou Claude sério, ajoelhando-se  de frente  a ela sob o olhar  atônito de Rosa.
- Aham... – Concordou e em seguida inclinou-se e perguntou  bem baixinho – A mamãe vai ficar brava  comigo?
Claude  trocou um rápido olhar  com Rosa  antes  de continuar.
 – Não. Ela quer  contar que eu sou mesmo o seu papai, mas está  com medo que  você  se zangue com ela e  comigo.
- Você é  o  meu papai de verdade?
- Sou. – Confirmou segurando seu olhar  ao dela
Alex piscou várias vezes e afundou-se no encosto do sofá.
- E porque  você  demorou tanto  tempo pra “vim fica coa” gente?
- Porque eu estava... Preso muito longe daqui sem saber  de você.
Alex abriu os olhos entre assustada e surpresa e questionou:
- A  bruxa malvada prendeu  você numa torre?
Só então Claude percebeu que usara a  palavra errada. Mas nada que não pudesse  contornar.
- Como é que  você  adivinhou, hã?  Ela era minha madrasta e se transformou  numa  bruxa muito má separando sua mamãe  de mim e eu de vocês.
-  E por que ela  virou bruxa?
- Porque ela é muito egoísta, sabe o que quer  dizer?
Alex  balançou a cabeça,  negativamente.
 - É não querer  dividir nada  com os outros  - Explicou Claude -  Mas eu consegui  fugir e encontrar vocês duas.
- Eu pensei que você tava demorando por causa que  sua mamãe tava doente e que  você  tava  cuidando dela...
- Não, a minha mamãe morreu  faz  tempo. De quem eu preciso e queri cuidar agora é de você e de  sua mamãe. 
Alex pareceu  desconfiada e afastou-se lateralmente  no sofá antes de perguntar:
-“Mais” você gosta mesmo de mim?
- Eu amo você, pequena. É muito mais que gostar.
- E a mamãe, você ama ela também?
- Ouí. – Responde Claude entrelaçando seus  dedos aos de Rosa, beijando-os.
Alex seguia cada  movimento de Claude.
- E você mamãe, você ama o meu papai?
- Sim meu anjo, eu amo o seu  papai do  fundo do meu coração.
Alexandra ficou em silêncio, como se estivesse refletindo sobre  o assunto para  tomar  sua  decisão. E inesperadamente saltou do sofá  e  correu em direção ao seu  quarto.
- Alex! – Exclamou Rosa agitada, levantando-se. – Está  vendo? Era  disso que eu tinha medo. Ela não vai me perdoar... – E procurou consolo o abraço de Claude.
- Ei... Acalme-se, chèrie! Não subestime a capacidade de amar  de nossa  filha, hã?
Então Alexandra voltou resmungando:
- Ai, eu não acho onde tá “os sapatinho”! – Ah, olha eles aqui! – Exclama passando por  Claude e Rosa.
E segurando os  tamancos  de madeira contra  o peito se aproxima  dos  dois e  diz:
- Já que  você é o meu papai dá pra  você  “coloca  esses sapatinho  nos pé”  da minha mamãe “ingual” o “príncepe”  fez “coa” Cinderela?
- D’àccord. -  Respondeu Claude fazendo uma reverência  real, antes de pedir a Rosa que sentasse.
 Alex subiu outra vez  no sofá ao lado de Rosa. Enquanto Claude  ajoelhava-se e calçava  os  tamancos em Rosa, Alex alisava os  cabelos da mãe.
- Esses  sapatos  estão na medida perfeita para a minha princesa. – Afirmou Claude –  Eu gostaria de  pedir a Vossa Alteza  Real, Lady Alexandra, permissão para me casar  com ela.
- “Mais”  você nem beijou a princesa  ainda! – Respondeu Alex – Tem que fazer que nem na historinha.
- Voilà... – Disse Claude levantando-se, e levando consigo Rosa  a beijou rapidamente sobre os lábios.
- Ehhhhh! – Exclamou Alex batendo palmas
- Agora sim? – Questionou-a Rosa
- Aham... – Disse Alex descendo do sofá. -  Eu preciso  contar pra Serafina que  você é o meu papai! – Gritou eufórica,  sumindo pelo corredor.
- Relaxa, hã? – Pediu Claude a Rosa, sentindo a mão dela trêmula entre as  suas.
 – Foi mais  simples do que pensei – Respondeu Rosa, descansando a cabeça  no ombro de Claude.
 - Ela  vai processar  tudo isso sem problemas. – Disse ele, envolvendo-a com os braços.
- Hummm... É tão bom me sentir assim novamente, protegida dentro do seu abr..
Rosa parou de falar abruptamente, ao escutar o choro de Alex. Desprendeu- se de Claude e girou o corpo. Alex estava parada na entrada  da sala segurando  Serafina com uma das mãos e com a outra  lutava  contra as lágrimas.
- Alex... – Murmurou Rosa aproximando-se, seguida  de Claude – O que  foi meu amor, por que está chorando?
- Porque o... Claudenão... podesero... meupapai! – Afirmou com a  voz magoada entre os  soluços que tentava  evitar.
- Por que não? - Perguntaram Claude  e Rosa  ao mesmo  tempo.
- Porque você... falou que.... o meu papai... chama Antônio... – Explicou-se em tom de acusação.
Claude imediatamente a pegou no colo.
- Mon Dieu, tranquilize-se Alexandra. Sua mãe não mentiu, eu   sou  seu pai. Antônio é meu segundo nome, d’àccord? Claude Antoine,  ou  Claudio Antônio...
Alex respirou rápido, suspirando e soluçando. Procurou a confirmação no olhar de Rosa.
As lágrimas também  impediram Rosa de falar imediatamente. Então com a mão sobre a boca, Rosa  apenas chacoalhou a cabeça, num sim.
Então Alex passou um de seus braço em  volta  do pescoço da mãe mantendo  o outro em torno de Claude, e deixando a  boneca  cair.
- Você não conseguia falar Claude, querida – Conseguiu explicar-se Rosa finalmente.
Claude abraçou as  duas, beijando Alex e Rosa na testa. Ficaram assim, até que Alex parou de chorar e disse:
- Papai, você  pode “pega” a  Serafina pra mim? Eu tenho que “pedi” desculpa pra ela...
Com a boneca nas mãos, Alex escorregou para  o chão e pedindo desculpas a ela, avisou que ia  para  seu quarto colocar Serafina para dormir.
Rosa sorriu mordendo o lábio para segurar a  risada. Então a tosse reapareceu. Tossiu várias e várias vezes. E quanto mais se esforçava para evita-la, mais  tossia.
Quando a crise passou, escutou a voz de Claude:
- De  volta para a cama, hã? Passou emoções demais  por hoje.
- Não, eu estou  bem... – E espirrou três vezes.
- Estou vendo. – Afirmou ele, carregando-a para  o quarto -  Já está na  hora do seu remédio  e  vai descansar por algumas  horas.
- Horas?  Alex tem escola e a galeria...
- A galeria a vai sobreviver sem nós por um dia, Rosa. Quanto  a Alex  eu poderia leva-la à escola. Mas não seria melhor  ela  ficar em casa hoje depois de toda essa  agitação?
- Tem razão... Eu  vou ligar para a coordenadora e explicar... – Falou pegando  os  comprimidos da mão de Claude.
- Mamãe  eu tô com fome de novo! – Exclamou Alex entrando no quarto.
- Por que não vai assistir outro desenho e eu levo alguma  coisa  para  você  comer, hã? –  Sugeriu Claude sob  o olhar admirado de Rosa.
 - Ta  bom!  - Respondeu  Alex desaparecendo.
- O que  foi,  por que  está me olhando assim? - Disse Claude  enquanto Rosa engolia o  remédio.
- Só admirando sua atitude...  Sabe me dizer por que ela está com o pijama ao avesso e de trás pra frente?
- Oh, isso é uma longa história, chèrie!
- Eu tenho todo o tempo do mundo para  ouvi-la...
-  D’àccord... Ontem a noite você estava muito mal e Alex teve a ideia de chamar a doutora Erci para  examinar você, hã? Ao sair ela sugeriu que Alex  tomasse um  banho preventivo antes  de dormir. Mas   Alex não me deixou ajuda-la porque eu não


PSV


                                                         Continua
 na  próxima semana



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