Pages

domingo, 27 de novembro de 2016

PSV Capítulo/48

PSV



Os ruídos vindos  do porão  e o trânsito  dos pedreiros pela lateral não impediam o trabalho interno  da galeria. Com a mudança  da parte administrativa para  o andar de  cima, era preciso aumentar  o quadro  de funcionários e Nara candidatara-se ao  cargo  de recepcionista, e  com a ajuda  de Sergio, a cada  dia dominava  mais sobre o acervo da galeria e ampliava seu conhecimento de Arte em geral.  O sotaque francês que imaginou fosse lhe atrapalhar foi  seu maior aliado. Clientes  e visitantes prolongavam o atendimento só para - diziam,  ouvirem um pouco mais o sotaque da língua do amor.
Elizabete a assessorava, explicando que preferia  ficar com essa parte  mais prática, do contato social. Conversar  lhe fazia  bem, e assim esquecia de  seu tratamento. Mas  no momento, estava  com Claude  e Rosa, na sala de reuniões.
- Essa placa não existe. – dizia Rodrigo – Provavelmente alteraram  os números  com fita isolante. Se quiser coloco um dos meus homens para  segui-lo.
- É o mais coerente a se fazer. – comentou Claude  depositando as  fotos  sobre  a mesa.
- Eu já havia reparado  nesse carro, mas  como nunca  observei  alguma  criança entrando ou saindo  dele imaginei que  fosse de alguém da  escola.
- Foi a primeira  atitude que  tomei com  a  situação Rosa. Com certeza é um carro roubado que  será  descartado rapidamente.
- Prossiga  com suas investigações, hã? A segurança  de Alexandra é prioridade  nesse  momento, apesar  de Roberta não ter acenado em nada.
- Tem  feito a  ela aquelas orientações básicas?
- Sim, ela  sabe que não  deve  conversar ou aceitar a ajuda  de  nenhum  estranho. – confirmou Rosa.
- Não podemos denuncia-la ou fazer uma queixa junto a  polícia? – pergunta Liz, preocupada.
- Podemos, temos o nome e endereço dela, e o  Artigo 147  diz que ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave culmina em  pena de detenção de um a seis meses, ou multa. Porém,  o crime de ameaça, só se concretiza quando causa temor na vítima. Caso contrário, a conduta é atípica. E precisaremos de  testemunhas.
- Mas  estamos  com medo, Rodrigo! É a vida  da nossa  filha  que está em jogo e Beto pode ser  a testemunha, ou não? – Argumenta Rosa.
- Sim, ele é a testemunha, mas pode ser acusado por ela de cúmplice, pois a está ajudando...
Um toque na porta e Beto entra.
- Com licença e boa   tarde a todos.  Eu não sei se a notícia é  boa  ou ruim, - Diz  colocando um envelope fechado sobre a mesa - mas  Roberta  acaba de me dispensar.
- E neste envelope?
- É o meu “pagamento”. Mil  euros.
- Em espécie?
- Ouí.
- Ótimo, já é uma prova.
- Well, se  Roberta o dispensou,  podemos partir  pra  um  boletim de ocorrência, não? -  Questiona John.
- Sim, com mais  segurança. Se quiser, Claude, posso coloca-los em contato  com um delegado amigo meu. Ele saberá orienta-los adequadamente.
- D’àccord.  O mais  rápido possível.
- Quem sabe, agora mesmo – afirma Rodrigo tirando o  celular  do  bolso.
Meia  hora  depois, saia  com Claude e Rosa com destino a delegacia.



PSV



Milton seguiu por  várias  quadras  da   avenida que  cortava aquele bairro até  contornar o canteiro central e  estacionar o carro do outro  lado.
- Mas que lugarzinho deplorável! – exclamou Roberta acendendo um cigarro.
- Pessoas  que  fazem este  tipo de serviço não moram em mansões ou condomínios  de luxo, querida. – argumentou Milton descendo  do carro –
- É claro que não! – retrucou  ela imitando-o – Pessoas  como nós os mantém aqui, não é mesmo?
-  Não se deixe levar  pelas aparências e cuidado com o que diz.  Zequias pode não ser culto, mas não é  burro. E apague esse cigarro. Ele  abandonou o vício e não suporta quem o faça perto dele.
O portão enferrujado e o muro pichado e mal  cuidado contrastavam  com a casa elegante, de  portas de madeira maciça e  janelas de alto padrão.
- Está surpresa? Eu disse que ele não é  burro.
Um sujeito alto e forte, parecendo desconfiado aproximou-se. Ombros para trás, coluna reta e cabeça levantada, desconfiado.  Apesar do elegante terno negro, da barba feita e o cabelo bem cortado, a arma na cintura impunha temor.
O ar  de mau humor desapareceu assim que saíram da escuridão para o luz da lanterna que ele empunhava.  Roberta baixou os olhos fugindo daquela luminosidade.
 Ao mesmo tempo em  que o segurança reconhecia Milton, colocava o dedo sobre o ouvido, atento à orientação que recebia. Acenou com a cabeça e fez um gesto para que o acompanhassem. 
Ao passar  pela  porta que tanto admirara, Roberta  notou a câmera de  vigilância. Estavam sendo monitorados desde que entraram pelo portão.
O interior  da casa, ao menos  da sala onde foram recebidos, ostentava  uma decoração  extravagante que surpreendia pelos detalhes e pela profusão de cores vivas, misturando estilos e períodos da história  da Arte, como colunas gregas e vitrais  romanos.  Móveis retrô, tapetes persas, vasos chineses e cristais Swarovski em meio a flores artificiais.



- Gosta do que vê, dona?
Roberta sobressaltou-se e girou o corpo para o lado de onde  vinha aquela voz. E descobriu que o dono dela lhe era tão desagradável quanto: um homem de estatura média e  corpulento vestindo calça jeans,  camiseta e uma  sandália estilo pescador.
O  cabelo grisalho, comprido demais,  acentuava o ar  de descuido e o bigode espesso e farto com fios mal aparados chegava a ser repugnante e repulsivo.
Deu um passo atrás e aumentou a pressão com que segurava o braço de Milton, tensa.
O homem pareceu  não se importar  com sua falta de resposta, pois dando-lhe as costas, perguntou:
- Então, em que posso ajuda-o dessa vez, Milton?
- Que  falta de cavalheirismos Zequias. - respondeu entre  divertido e  cínico. -   Poderia ao menos  desejar  uma  boa noite à dama que me acompanha.
Zequias lança um olhar de indiferença a Roberta e em seguida para Milton balançando negativamente a cabeça.
- Eu já o aconselhei  muitas  vezes que  misturar  vida amorosa com  negócios não é uma  boa  transação.
Milton soltou uma  sonora  risada.
- Então  eu devo estar absorvendo seu conselho. Roberta e eu não temos uma vida amorosa, apenas uma boa transação mesmo. E é ela quem precisa de ajuda.
- Eu não costumo aceitar esse  tipo de pagamento, moça. – disse Zequias encarando Roberta.
- Eu costumo pagar em euros.  – retrucou ela sem se intimidar mais, acentuando o sotaque  francês.
- Euros... - sussurrou Zequias estreitando os olhos e  torcendo o bigode entre os dedos. Deixou um sorriso frouxo nos lábios  ao aprecia-la mais  interessadamente. – Porque não disse isso desde o começo? Vamos  nos  conhecer melhor “cherri”... Diga-me, porque veio da Europa  até aqui e em que  posso ajuda-la...
Então chamou uma das empregadas e ordenou que fosse servido bebidas e alguns petiscos. Uma hora e meia depois, acordo fechado, Milton e Roberta  deixavam o local



PSV



Rosa abraçou Sílvia confortando-a e acompanhou-a até o carro de Júlio, de braços  dados mas em silêncio. Não há muito o que dizer a alguém que perde um ente  querido.  Não há palavra que cessem a dor, Rosa bem sabia  disso.
Despediu-se  com  outro forte abraço e deixou que ela entrasse no carro.
- Esse é um dos piores  momentos  de nossa  vida. – escutou enquanto sentia as  mãos  de Claude em seus ombros, e o carro se afastava.
- É sim.  – murmurou lembrando-se  do enterro dos próprios pais. – Mas a vida  continua... Vamos para  casa?
- Para  casa? Pensei que  quisesse  voltar à  Athena e ver o resultado  dos  espelhos  no porão...
- Queria sim, mas estou um pouco enjoada,   com uma leve  dor  de cabeça  e um tempo deitada ajudaria.
- Não seria melhor  voltar em sua médica? – perguntou franzindo a testa e abrindo a porta  do carro para  ela.
- Não é preciso.  Esses sintomas são   normais. –respondeu  sorrindo – Está tudo bem, hum?
- D’accord,– responde entrando também  no carro - Se  você diz...
- Digo sim. – afirma Rosa acariciando-o na face – Bem vindo ao mundo dos bebês! – Murmurou amorosamente.
Claude  segurou a mão dela e beijou-a na palma.
- Precisamos contar à Alex, chèrrie. E a nossos amigos!
- Primeiro  à nossa filha, assim que fizermos a ultrassonografia. Eu vi um vídeo na Internet e acho que podemos  usar  a ideia. Um pai mandou o vídeo da ultrasson pelo WhatsAp ao seu  filho mais velho e...



PSV



- Dadi quanto tempo leva pro pedido da  velinha “acontece”? – pediu Alex entre os  goles  do suco que  tomava.
- Eu acho que se o pedido depender só de você, ele acontece logo, menina.
- Ah... Então vai “demora”!
- O que vai demorar, pequena? -  A  voz de Claude invadiu a cozinha.
- Eba, vocês  já chegaram! – vibrou Alex abraçando-o  e ganhando  colo  – O meu pedido pra  velinha, papai!
- E o que  foi que pediu, querida? – pergunta  Rosa servindo-se  de um copo de suco.
- Ah, mamãe  eu não posso “fala” senão não acontece, esqueceu?
- Esqueci mesmo Alex... Humm,  meu Deus, que cheiro é esse  Dadi? – perguntou devolvendo o copo à mesa, tapando a  boca e as narinas  com uma  das mãos, afastando-se.
- Carne refogada para  o estrogonofe, Rosa.
- Oh, eu preciso ir ao banheiro, com  licença!
Dadi sorriu desconfiada e olhou para Claude.
-  É o que estou pensando?
- O que a mamãe tem, ela tá doente? – pergunta Alex quase ao mesmo tempo.
- Não, filha. Ela está apenas indisposta, hã? Fique aqui com Dadi, eu vou ajuda-la, d’accord?
- “Da cor”, papai!
- E Dadi, sim,  é o que  você  pensou! -  Afirmou sorrindo para  ela antes de ir ao encontro de Rosa.
- O que você  tá pensando Dadi?
- Que está na hora  de você  tomar  banho para  o jantar! E que seu desejo foi atendido -  completa em pensamento.



PSV



Nara voltou à sala com um envelope nas mãos.
- Adivinhe o que eu tenho aqui! – exclamou  sentando-se novamente ao lado de Sergio no sofá.
 - Ingressos para algum show? – arriscou ele.
-  Errou! É meu visto de permanência  no Brasil, não é o máximo? – e tira os documentos mostrando-os a ele.  - Agora  posso andar e trabalhar  sem medo.
- Isso merece um brinde!  - diz depois de olhar tudo com atenção - Tem algo  aqui?
- Depois que o Frazão praticamente  se  mudou para a casa da Janete, talvez reste um vinho branco na geladeira.
- Voilà! -  diz Sérgio bem humorado. -  Coloque o filme. Eu pego o vinho. Ou o que  tiver...



PSV



- Amor, seu celular  está  tocando!  - gritou Janete do  quarto, para Frazão no banheiro.
- Vê quem é, ouí?
-  Gurgel – responde ela  identificando a chamada
- Traz pra mim, Jane, por favor! Merci, minha rainha – Agradece  prendendo a toalha em torno de si, pela  cintura, e pegando o celular.
- Great Gurgel, auquel je dois l'honneur de votre appel? [Grande Gurgel, a que devo a honra de sua ligação?] (...)Precisa da minha presença aí...– repete em português trocando um olhar  com Janete que se afasta, voltando ao quarto.
De onde estava Janete ouvia  algumas  palavras de Frazão  e tentava  entend-las: 
Quand était-ce? (...) Bien sûr, je sais que Roger Avril (...) Mon Dieu (...) ne pouvait pas parler à Claude sait aussi ... (...) Partager tous les liens possibles, mon ami. Je vais à la maison de Claude en ce moment. (...) Oui, être prêt, il pourrait vouloir vous parler ... Au revoir
[Quando foi isso? (...) Claro que  conheço Roger Avril (...) Mon Dieu (...)  Não conseguiu falar com Claude ainda, sei... (...)  Mande  todos os links possíveis, mon ami. Estou indo  à casa de Claude  agora  mesmo. (...) Ouí,  fique de prontidão, ele pode querer  falar  contigo...  Au revoir]
- O que houve, por que querem sua presença lá?
- Louise foi manchete de  jornal outra uma vez.  – respondeu ele tirando a toalha  da cintura e vestindo-se.
-  Sei... As fotos com o amante agora são em algum resort particular e querem que você...
- Não são fotos,  querida. Agora são denuncias de  corrupção dentro e fora  do partido. Eu preciso falar com o Claude. Vem comigo?
- Claro, só preciso trocar  de roupa.



PSV



Após ser  flagrada em encontros (in)discretos com o suposto pretendente da  filha, Louise Geraldy está sendo agora acusada de liderar um cartel e  pagar propina a agentes políticos.  
Foi o que circulou no  La Voix de Paris, um  jornal  a serviço da burguesia nacional, comandado por Roger Avril, simpatizante do partido da Frente Nacional,  oposição ao Partido Socialista, comandado por  Louise.
Em edição extraordinária,  o jornal dedicou página dupla às  denúncias sobre financiamento com fundos ilegais de multinacionais francesas, em sua campanha para o vice-prefeito Bernard Chermont, seu noivo e candidato à prefeitura de Paris e  futuramente à presidência do país.
O La Voix de Paris afirma ter provas que  Louise Geraldy e pessoas de seu círculo criaram ao longo dos anos uma rede de informações para facilitar a transmissão de dados sobre  processos judiciais do alto escalão da Corte francesa, numa violação do sigilo da investigação, caracterizando-o como tráfico de influência - a prática ilegal de obter favores, valendo-se  de  uma  posição privilegiada, em troca de favores ou pagamento -   um dos crimes praticados contra a administração pública em geral.
Parlamentares  da  oposição já articulam uma investigação oficial pela justiça parisiense.  Vale lembrar que pela lei francesa o tráfico de influência pode ser punido com até cinco anos de prisão e multa de quinhentos  mil euros.
Roger Avril ainda deixa claro que essa é apenas a ponta do iceberg. Apesar de procurada pela nossa reportagem, Louise Geraldy não se pronunciou até o fechamento dessa edição.
Novas informações a qualquer momento.
A exibição  do vídeo chegou ao fim. Claude apoiou o rosto entre as  mãos e respirou fundo, o olhar  fixo na tela  do notebook.
Foi ao reparar o movimento de  Rosa para fechá-lo que  reagiu.
- Mon Dieu... Quem  está  por trás dessa  denúncia, Frazão?
- Ninguém sabe. Gurgel entrou em contato com Roger, mas ele foi irredutível e não quis revelar  suas  fontes.
- Fontes? Então já mais de uma pessoa  por  trás  disso. Vou precisar  de  você por lá mon ami.
- Eu já desconfiava. Vou providenciar minha  passagem  de  volta amanhã, no primeiro voo disponível.
- Eu sinto muito Janete, sei que estão construindo um relacionamento, mas não posso deixar que isso interfira nas empresas que meu pai ergueu durante  sua  vida.
- Eu entendo Claude. Além do mais, Frazão já estava planejando voltar mesmo...
- E é  bom que saibam também já a convidei para ir  comigo.
- Frazão, eu ainda não falei com eles! – diz Janete repreendendo-o.
- Jane! Por que não nos contou? Você aceitou, não é? – pergunta Rosa sorrindo.
- Eu ia  contar mas  com a  reforma e essa ameaça pairando sobre  Alexandra eu achei melhor  esperar. E por falar nela, cadê?
- Ela  foi passar  o domingo com   Liz e John. Dadi a levou. – explica  Rosa.
- Janete ficamos imensamente gratos por  sua  consideração conosco, mas não  deve  nos colocar  acima de sua  felicidade. – diz Claude – As portas  da Athena estarão sempre  abertas para  você, hã?
- Eu falei que o francês tem o coração mole, não falei? -  brinca  Frazão.
Antes que alguém mais  falasse algo o  celular  de Claude toca.
- É ele. – diz atendendo a chamada – Alô, Gurgel...
- Eu vou fazer um café,  ok  – diz  Rosa.
- Eu vou  com você. – afirma Janete, e as  duas  vão  para  a cozinha.
- Um momento,  Gurgel,  Frazão está aqui, vou colocar no viva voz...



PSV


Enquanto Dadi preparava  café e Liz o chá  Joanna colocava o  bolo e  o suco sobre a mesa,  sob o olhar atento  de Alex. 
- Eu queria  ajudar... – pediu ela.
- Ótimo! -  exclama Joana – Coloque os  guardanapos, um para  cada pratinho.
- Onde tá eles?
- Ali em cima  do balcão Alex.
Assim que os localizou, Alexandra coto quantas  pessoas  tinham para  o café e separando os guardanapos, colocou-os ao lado dos pratos. E ficou olhando fixamente  para  o bolo ate  dizer.
- Madrinha,  você não tem uma  velinha pra  colocar  no bolo antes da gente  comer ele?
- Velinha?
- É igual aquela que  tinha no meu aniversário...
- Oh, darling, eu acredito quem não temos, não é  Joana?
- Realmente não temos... Por que  você  queria isso?
- Pra “mim fazê” o pedido de novo, tá  demorando muito...
- E o que  foi pediu? – Liz quer saber.
- Ah, madrinha a gente  só pode  falar pra uma pessoa e eu  já  falei pra  Dadi...
- E é algo muito importante?
- É sim... – responde melancólica.
- Well, nesse  caso você pode usar  o  jeitinho americano e pedir enquanto cortamos  o primeiro pedaço de  bolo, que tal?
- Yes! – reagiu sorrindo.
- Entao vá  chamar o padrinho para que  o pedido seja mais  forte...
- Tá! – exclamou e  saiu saltitante em  busca  de John.
- Então você  sabe  do pedido de nossa pequena Dadi...
- Ela  contou sem querer, dona  Liz – explica-se  Dadi, toda sem graça.
- E qual é esse  pedido cheio de segredos?
Dadi já ia  abrir  a boca  quando Alex  retorna  com John.
- Well, wel, well, tem alguém  aqui com muita  pressa em cortar  um bolo para  fazer um pedido!
Então enquanto Joana cortava   o bolo, Alex fechava  os olhos e refazia  seu pedido.
Serviram-se todos e  momentos  depois Alex  quis mais  bolo e Liz serviu outro  pedaço  à Alexandra, ignorando o descontentamento de Dadi.
- A senhora  não devia  dar   mais  bolo a ela, Dona Elisabeth!
- Sou a madrinha dessa menina, Dadi. Minha  função é mima-la mesmo!
 - Ela  não  vai  querer jantar e Rosa vai  ralhar  comigo.
- Rosa ralhar com você? – diz Joana sorrindo... – Essa eu quero  ver!
- Ah Dadi, o jantar é só de noitão e eu  tô com fome agora! – reclama Alex
- E ainda  é cedo, nem cinco horas! Pode  comer, darling!
Alex olhou mais uma  vez para Dadi,  lembrando-se da  regra “obedecer Dadi”, dos pais.
- Está bem, você venceu, menina! Pode  comer.
- Yes! – respondeu alegre, pegando o pedaço de bolo com a mão e mordendo-o. – “Vamo lá termina”  o quebra-cabeça padrinho?
- E então, Dadi... Qual é  o desejo de nossa menina?
- Dona Liz eu não devo contar...
- Oras Dadi! Sabemos que é um segredo dela, mas somos todas  adultas, ninguém vai sair  falando por aí que  sabe! – diz Joana.
. Vamos, Dadi, estamos  curiosas e talvez  seja algo que uma de nós possa  fazer.
- Não, nós não podemos mas Claude e Rosa sim. E ao que tudo indica, sem saber já  atenderam o pedido de Alex, mas ela ainda não sabe.
Liz e Joana demoraram alguns instantes  para  entender a mensagem implícita na fala de Dadi. Olharam uma para  a outra e Liz falou primeiro:
- Rosa está grávida?
- Sim.  Mas  só vão  contar após a ultrassonografia. Eu descobri por acaso. Rosa   teve um enjoo e não deu pra disfarçar...
- Que maravilha! Um bebê por  perto novamente! – Diz  Joana.
- Vocês  duas  vão  fingir  que não sabem de nada. – pede  Dadi.
- Sobre o que? – diz  Liz  sorrindo – Joana você  está sabendo de  alguma coisa?
- A única  coisa  que  sei, é que vou  lavar  essa louça.
Então Alex entrou na  cozinha, chamando  todas  para ver o quebra  cabeça  montado.



PSV



Contrariando as previsões  de Dadi,  Alex não só comeu como passou todo o jantar relatando suas aventuras  com os padrinhos.
Mas recusou a sobremesa e pediu consentimento para ir ao quarto, “falar” com Serafina.  Momentos  depois, quando Rosa entrou no quarto a encontrou dormindo.
Por sorte já tomou banho por lá, pensou Rosa, acomodando-a melhor.
Ao voltar  para  a sala, Claude  colocava  Dadi a par  da nova  situação de Louise.
- Você gostaria de ir até lá Claude?
 - Não, chèrrie.  Por isso pedi a Frazão que  retorne.
- Tem certeza?
- Ouí. França só para  nossas férias, d’accord?
- D’accord.  – concordou com um sorriso antes  de  darem  boa  noite a Dadi e se recolherem.



PSV



Nara pausou o vídeo e abaixou a tela  do notebook.
Que  “boa” notícia  para a segunda-feira, depois  de uma  noite  tão maravilhosa! – pensou levantando-se, inquieta.
- Incrível como ela  consegue nos perturbar a tantas  milhas  de distância!
- Não se  deixe  perturbar, Nara. – diz Claude aproximando-se e abraçando-a -  Os erros  são de Louise, não nossos.
- O que  vai acontecer com ela, Claude? -  pergunta com a voz embargada.
- Ela pode ser  acusada formalmente e indiciada pelas  autoridades francesas. Então caberá a ela  provar que é inocente.
- Mas  ela não é inocente, não é? Você percebeu e  por isso abandonou a  vida  politica  que tinha...
Ouí,  foi por isso mesmo;  pelas  incoerências, pelo método não convencional de Louise.
- Eu não queria sentir nada. Sei que ela agiu mal, inclusive  com você e Rosa... Mas ela é minha mãe e eu não  gostaria  de vê-la atrás  das grades! – exclamou afastando-se até a janela.
- Acalme-se petit.  Essa história envolve muita  gente poderosa  e talvez  nada  do que eu disse aconteça hã?
- Acha que  devo ir  com Frazão? – pergunto sem  se  voltar.
- Embora eu creia que não, a decisão é  sua. Mas lembre-se, a imprensa não dará trégua a você se a encontrar, Nara.
- Você  está  certo. – afirmou ela  depois de  alguns  minutos -  É melhor eu  ficar e ajuda-los  com a galeria.
- Merci, Nara. É bom se preparar, pois vai  ficar  no lugar  de Janete, hã?
- Voilà, então finalmente ela  aceitou o pedido de Frazão!
- Você  sabia  e não os  falou nada?
- Ela  pediu segredo, d’accord? – diz  esforçando-se  para  sorrir e esquecer Louise.
Então Rosa entra, com um  envelope pequeno nas mãos.
- Adivinhem o que eu tenho aqui?
- Uma intimação por  causa de nossa denúncia sobre  Roberta.
- Não. A propósito o delegado com quem falamos  saiu de férias e o substituto disse a Rodrigo que  irá investigar  o caso assim que  possível, pois  está  com falta de agentes.
- Mas era só o que faltava!  - reclama Claude. – Bien, então o que tem aí?
-  É um convite  de casamento e não é da Janete, hum?
- Mon Dieu, não faço ideia chèrrie...
- Eu menos! – Comenta Nara.
- Estamos  convidados para ser  padrinhos de Freitas e Erci, Claude!
- Olalá! Acho que fui quase um Cupido, hã? Quando será?
- Em trinta  dias, uma cerimônia civil apenas e uma  pequena recepção depois.
- Se o jardim estivesse inteiramente remodelado poderiam se casar  como nós  casamos, hã? – comenta  Claude puxando-a pela cintura, colando seus  lábios  aos de Rosa.
Nara  sai discretamente da sala.
- Se ficar me beijando perderemos o horário da consulta... – murmura Rosa.
- Temos...  dois  minutos antes  de sairmos. – afirma olhando seu relógio de pulso por cima  dos  ombros  dela. – Tempo suficiente para mais de um beijo mon amour...



PSV



Com a ida  de Frazão e Janete à França,  Silvia  deixou de ser a babá  de Alexandra e passou a integrar  o grupo Athena, dividindo com Nara a recepção e o secretariado da galeria.
A princípio Alex  ficou triste, mas  logo  foi consolada  com a notícia de  suas  férias na  escola e a possibilidade  de passar algumas  tardes  no ateliê.
Estava ansiosa pois  seria outra  vez a  noivinha  de um casamento, dessa  vez  de sua médica, a  doutora  Erci. Desde que entrara  na escola, fora  aos poucos deixando de chamar  as pessoas  de “tia” e “tio” e, quando não sabia  como chama-las, recorria aos pais primeiro. Em toda sua ansiedade, Alex há  vários  dias  esquecera de falar e cobrar  seu pedido à  velinha.
Da França não chegavam  boas  notícias. As  denúncias contra Louise só aumentavam. Além do  La Voix de Paris, outros  jornais bombardeavam diariamente a  vida  política e pessoal de Louise, trazendo à  tona suspeitas  do passado,  lançando a dúvida se  ela  não  seria mesmo  a responsável pela morte do marido François Geraldy (acusado de fraude, superfaturamento e corrupção),  quando tentou interceder a seu  favor e ao que parece, à  época   envolveu-se intimamente com os dois promotores que decidiriam o futuro de François.
A mídia televisiva mais marrom e sensacionalista  pegava  carona e chegava  ao ponto de  levantar  a hipótese de Louise  ser a responsável pelo atentado que vitimara a primeira  esposa  de Francois, Simone  Geraldy.
A opinião pública já começava  a pressionar seus  líderes nas  câmaras, para que Louise  fosse afastada e investigada. Louise perdia aos poucos o apoio de seu partido, de parceiros, de amigo e simpatizantes, evitando aparecer em público, principalmente  depois da última  palestra em que  saíra  vaiada  do auditório de uma  faculdade.
Frazão e Gurgel tentavam impedir que a  situação abalasse o prestigio das  empresas e, embora as ações houvessem perdido valor  na  bolsa  de Paris, nenhum funcionário havia sido demitido, nem havia  previsão de acontecer. E isso era o que  contava, como ouvira  de Claude.
Janete  sempre  acompanhava  Frazão e o ajudava como conseguia, já que não  dominava o francês fluentemente.  Sentia  falta e saudades  dos amigos  brasileiros, mas esforçava-se  a cada  dia para  se adaptar à rotina  francesa.



PSV



Estavam numa  sexta feira, a  quinze  dias do casamento de Erci e Freitas.  Claude  acabara de pegar Rosa e Alex no ateliê  de  costura para  a prova  do vestido que ela  usaria na cerimônia.
Embora não fosse uma cerimônia religiosa, Erci fizera  questão que  sua  dama de honra estivesse caracterizada  como tal.
Alex  passou boa  parte  do caminho tentando explicar  ao pai  como era  seu vestido, sem êxito.
- É um vestidinho branco e comprido até o seu pé, acertei?
- Ah, mon Dieu papai... Não! Ele é  cheio de coisinhas pra  enfeitar  ele,  assim ó... – e fazia gestos  com os dedos. -  Por que  você  chegou só depois que eu tirei o vestido? – perguntou colocando as mãos  na  cintura, mesmo sentada na  cadeirinha.
- Pardon mademoiselle Alexandra! – exclamou com um sorriso no canto  da  boca – Mas  eu tinha  um assunto  urgente  para  resolver, hã?
- Humm... – resmingou  fazendo  bico – Mas no outro  dia você  vem né? Vai  ser a... a.... Como é mesmo que  fala mamãe?
- Vai  ser a prova  final, querida. – explicou Rosa.
- Eu prometo que irei com você, pequena. – respondeu Claude olhando-a  pelo retrovisor.
- O assunto foi resolvido papai? – perguntou Rosa quase  num sussurro.
- D’accord. Podemos fazer  a revelação hoje  mesmo... – respondeu no mesmo tom.
- Voilà! – murmurou Rosa sorrindo e levando as mãos ao seu abdômen.
- Ah, por que  vocês  tão cochichando? Quando eu  falo isso vocês  “fica”  bravo comigo...
Claude e Rosa se olharam e riram.
- Tem  toda  razão meu amor. Não  vamos mais  cochichar, ok?
Mais tarde, já em casa, todos  na  cozinha, Alex brincava  de mandar  mensagens para Claude enquanto Rosa e Dadi preparavam o  jantar.
- Chega de figurinhas, pequena. O papai vai  te mandar  um vídeo, d’accord?
- Yes! É da Elsa e do Frozen? – pergunta  Alex, curiosa.
- Não. É algo muito melhor que isso, hã? Pronto. Já pode  ver o que é.



Alex esperou que o  vídeo carregasse e olhou atenta as imagens, enquanto Rosa  se aproximava  dos  dois.
- O que que é isso... Ah já  sei! É aquele  filminho que o médico  faz  “dos bebe”... “Eles é” tão pequenininho né, papai?
- Tem que ser, hã?
- Ih, mas  tá  cheio de coisa  escrita, você lê pra mim?
- D’accord. Vamos  reiniciar o vídeo...
 “Oi pessoal, olha eu aqui (...) Estou com doze semanas (...) Minha mamãe e meu papai estão  cuidado muito de mim (...) Estou com quase  sete centímetros (...) Perceberam  como sou serelepe? (...) Meu coração é  muito forte e já está  cheio de amor (...) Agora eu  vou contar  um segredo eu sou sua irmãzinha, Alexandra,  e não vejo a hora  de estar  com você (...)
Alex olhou espantada para  Claude, depois para Rosa. Então   cobriu a  boca  com as mãos, antes de olhar  para  Dadi e exclamar
- A velinha ouviu o meu pedido!
Depois... Bem, depois foi só festa, abraços e beijos...



                                     PSV


                                                    Continua...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

PSV/Capítulo 47

PSV


- Depois de analisar o local ficou óbvio  que  essa área toda,  não necessária à circulação ou serviços,  pode  e deve  ser usada em função das necessidades da galeria.
- Creio que  você  tem razão Carlos. – Diz John acompanhando o raciocínio do arquiteto ao olhar  o projeto sobre  a mesa – Se  fizermos essas  alterações teremos  mais espaço na área  de exposição.
- A  Athena já tem  ambiente agradável com muito senso estético.  E  com essas  alterações vai oferecer maior conforto a  seus  clientes, como os  banheiros que  sugeri.
- Seu projeto  todo é maravilhoso! – exclamou Liz – Passar  toda a administração e a sala de reuniões para  cima, adaptar  o porão  para sala para workshops, leilões estoque e armazenamento, irão facilitar a  nossa  vida.
- Para o bom desenvolvimento de um projeto todos os detalhes são relevantes John, e eu,  bem, devo  confessar que não  fiz  nada  sozinho. – e  sorriu. -  Claude e Rosa já  tinham muita   coisa  em mente quando me  procuraram. Eles querem que a Athena seja uma mais que uma opção de galeria para os artistas colocarem suas obras à venda.  A ideia da  “Caféleria” foi muito interessante.
 -  E foi uma  feliz  coincidência  de desejos. – interveio John -Voltamos  da Europa com essa sugestão  em mente. Uma cafeteria   atrai pessoas que  podem se  tornar um público cativo e multiplicador de  cultura.
- Pelo que entendi Claude  quer  mais que isso.  Ele quer fazer  parcerias com galerias internacionais, numa  espécie de intercâmbio de artistas.
- Yes! -  afirma  John – Sediar a exposição italiana abriu novas  oportunidades Temos duas  parcerias  a  vista, uma  espanhola e outra holandesa, por isso precisamos  da Athena remodelada, pronta para esses eventos.
- No que  depender  de mim e  da minha  equipe fiquem tranquilos. O  cronograma será  cumprido a risca! Deixaremos a Athena em um contexto estético espacial contemporâneo e equilibrado exaltando artistas e obras.
- Eu estou ansiosa para ver  o resultado final da iluminação projetada, e esses  vitrais insufilmados que filtrarão a luz solar, a grande  vilã para quadros e fotografias.
- Não podemos  deixar  de  falar  da   ventilação e  da solução que  você encontrou, preservando a estrutura do  casarão, tão caro à  Rosa.
-  Nada pode escapar aos designes, John!  Preservação é um dos objetivos maiores. O meu  pelo menos.  Preservar a nossa história, nossa cultura, nossas ideias e ideais, sem  deixar  de acompanhar a  evolução e...



PSV



Claude deixou a  sala da Imigração da  Policia Federal satisfeito,  feliz e  com  um novo protocolo.  Desta  vez  para requerer o visto permanente por união familiar, conforme orientação de Freitas, já que seu casamento  com Rosa  o tornava apto a isso.  

Com esses papéis e os  documentos  de Rosa e Alex em mãos, dirigiu-se  ao Consulado Francês na Torre Norte, Avenida Paulista. Elas teriam o mesmo  benefício na  França.





Foi ao  tomar  o elevador para  deixar  o prédio que o encontro aconteceu. Era o único ocupante  do elevador rumo ao  térreo, quando ele parou no sétimo andar.
- Olalá! Mas que deliciosa surpresa, encontra-lo sozinho. Como vai Claude?
- Ainda  no Brasil Roberta?  - perguntou Claude de  forma quase  rude. – Pensei que ao me  ver  feliz  com Rosa desistisse do seu sonho  de  ficar  comigo.
- Já devia  saber que não  sou de desistir dos meus  sonhos, querido. Tenho trinta dias de permanência ainda por aqui, e acabo de  prorroga-los  por  mais  noventa...
- Eu não a quis em dez anos, porquê acredita que  isso  vai mudar  em cento e vinte  dias?
- Porque eu  sou otimista. – responde  cinicamente - Muita coisa  pode acontecer nesse  tempo...
- Tem razão. – concordou Claude segurando a vontade de dizer que  sabia  das  intenções  dela. -  Podia aproveitá-lo melhor na França, quem sabe fazendo novos  planos  com Louise.
- Louise? Ela bem gostaria que eu o convencesse  a voltar. Era o sonho dela.  Mas Louise nem imagina que estou aqui. – diz ajeitando sem necessidade a  gola da  camisa e a gravata  dele - Talvez  gostasse de saber e fizesse  de  tudo para  me ajudar  a leva-lo de volta. Porém, eu não  sigo mais os  conselhos de sua  mãe.  – E descansa os braços  nos  ombros dele.
- Louise não é minha mãe. – Afirma Claude tirando os  braços  dela de si enquanto o elevador parava. –  Mas  você  faz muito bem em não seguir os  conselhos dela. No entanto, siga o meu, antes que se arrependa de fazer algo que não a leve a lugar  nenhum: Volte para a Europa e esqueça que eu, Rosa e minha  filha  existimos.
E abrindo   a porta do elevador saiu,   deixando-a a chama-lo insistentemente.



PSV





Um local  de aparência rústica, mas sofisticada dava um charme especial e acolhedor ao resort.  A beleza do lugar certamente era a  integração e o contraste da construção humana com a natureza.



Cercado de  vegetação exuberante e muito bem cuidada. De um lado a Mata Atlântica, de outro o Oceano Atlântico e  sua  praia, com um lindo deck de frente ao rio.
 - Acho que eu vou voltar mais vezes – disse  Frazão apertando carinhosamente a mão de Janete, que mantinha entrelaçada a sua,  antes  de leva-la até os lábios.
- Não precisa mentir pra  tentar  me consolar. Eu sei que  estava aqui no Brasil apenas de passagem e teria que  voltar  a França  um dia.
-  Então devia saber que não estou mentindo. – retrucou Frazão parando de  caminhar e encostando-se na cerca que beirava a trilha  que  faziam. – Além do mais já pedi que  volte  comigo.




- Desculpe, não quis  dizer que é mentiroso...
 Frazão a puxou junto a si, abraçando-a.
-  Eu sei que não... Mas  precisa se decidir, Janete. Eu quero muito que venha  comigo.
- Eu também queria muito ir, mas  tem meu emprego na galeria...
- Embora  não seja minha área, tenho contatos  em pelo menos  dez galerias em Paris...
-  Tem a Rosa, Liz e John que tanto me ensinaram...
- Aprecio sua gratidão e lealdade meu bem, mas está na hora  de pensar  em você e em “nós”! Liz e John são felizes há anos, Rosa  reencontrou Claude e se acertaram. Não acha que podemos  ser  felizes  também?
- Acho que  já somos felizes.
- Voilà! Pois eu quero que seja mais feliz em Paris! Tenho certeza que Rosa e  todos  da galeria ficarão felizes por nós também.
- Você  tem razão. – diz Janete  erguendo a cabeça,  olhando-o nos olhos. - Assim que  voltarmos a São Paulo falarei  com todos que  decidi ser  feliz  contigo em Paris! - e o beijou.
- Isso, se conseguir me pegar, ok? – exclamou deixando-o e correndo pela  trilha por  alguns  minutos, até sentir os braços e mãos de Frazão enlaçando-a pela  cintura...



PSV



Rosa  deu um tempo na  digitação das páginas que  Claude já  revisara e levantou-se, alongando os braços.
- Cansada? – perguntou Claude levantando os olhos  do papel que lia, mostrando que estava atento a ela.
- Não, só preciso me esticar  um pouco - justificou-se com um sorriso.
- D’àccord... – murmurou ele  de volta levantando-se e abraçando-a – Boa  tentativa de me enganar, hã? Vamos  concluir  esse  capítulo e encerramos  por hoje. Até porque temos mais  uma  semana de  folga!
- E depois muito trabalho à  vista para reorganizar as  coisas quando a reforma interior da  galeria terminar.
- Vai valer a pena, chèrie!
- Vai sim. – concordou ela – Eu  vou dar uma olhadinha na nossa  pequena, ouí?
- Ouí. E eu  vou espera-la com uma xícara  de café.
Rosa foi até o quarto da  filha. Antes  de chegar a  porta, escutou a música tema de Frozen, que ela  ouvia. Alex  estava tão concentrada em  seu livro de colorir que não a notou  na  porta. Achou melhor não a interromper e  voltou.
Saboreou o café ao lado  de Claude. Trocaram algumas ideias e voltaram a revisão  do livro.
Alexandra deixou o livro de lado e passou a jogar com o celular. Minutos depois desistiu do jogo e  abandonou  o celular. Olhou para  Serafina, sozinha  em  sua  cama. E do outro lado, o enorme canguru que  ganhara  do pai com seu filhote.  Pegou a boneca e  abraçou-a.
- Você tá  muito sozinha aí, Serafina. – afirmou andando até o canguru – Melhor ficar aqui com o Antônio, na  bolsinha dele.  – Eu “vô i” lá com a minha mamãe e o meu papai, tá?
Deixou o quarto e foi saltitando até  a sala que Claude e  Rosa usavam  como escritório.
- Mamãe eu  tô cansada  de  “fica”  em casa de férias, eu  queria “i brinca” lá  no parquinho! Quando a  Silvia  volta pra “i” comigo?
- Você não está de férias, querida! A escola  parou por  uns  dias para replanejar  suas  atividades – explicou  Rosa parando o  que  fazia,  olhando para Alex. -  E quanto a Silvia, ela ainda  está  cuidando do papai dela.
-  E por que eu não posso “i” sozinha  no parquinho? – questionou aproximando-se  da mãe.
- Porque  é perigoso. – responde Claude dessa vez.
- Mas eu não  “vô fala”  com nenhum estranho, só vou “brinca!”
– Pequena, é bom saber que não vai  falar  com estranhos. – elogiou-a. – Mas você ainda é pequena mesmo, hã? Pode cair, se machucar e não queremos isso, não  é chèrie?
-  Com certeza que não! Eu quero  você inteirinha pra encher  de beijinhos e muita “cosquinha”! – concordou Rosa, fazendo o que  falava.
- Ai, ai, ai... não, assim eu não aguento! – exclamava Alex,  rindo sem parar. – Socorro papai, salva  eu!
- Eu  vou salva-la, filha. – disse Claude roubando-a de Rosa e continuando  com as  cócegas e beijos.
- Ah, não, “moDiê”! Assim não vale, papai! – Falava Alex  entre as  risadas e tentativas inúteis de escapar.
- D’àccord... Por que não  vai  se preparar para ir ao parquinho comigo e  com sua  mãe? – Perguntou Claude encerrando a sessão tortura de  carinhos.
- Oba!!!!! – gritou Alex saltitando e batendo palmas. – Eu  vou no banheiro fazer  o número um...
- Não queria concluir esse capítulo hoje ainda? – Questionou Rosa quando Alex  já estava  distante.
- Já o adiantamos  bastante, hã? Precisamos recarregar  nossa bateria e nada melhor  que umas  horinhas brincando com ela.
Ficaram  com Alex  no play ground do prédio até o sol desaparecer completamente. Quando  voltaram, Rosa ajudou Dadi, pois  Nara e Sérgio viriam o jantar.
Enquanto isso Claude ajudava Alex no banho, mesmo tendo que  ficar  de costas  para  ela o tempo todo.



PSV



Beto separou as fotografias por bairros e Cleide envelopou todas, subscrevendo-os, até chegar  ao último monte e  parar,  indecisa.
- Não tem medo de ser  considerado cúmplice, caso a garota seja  mesmo sequestrada?
- Claro que não! No que depender  do meu trabalho, isso não  vai acontecer.
- E essa  sua... amiga  francesa não desconfia de nada?
- Roberta não é  minha amiga, Cleide. Ela foi minha  cliente, num trabalho do qual me arrependo muito.
- Se refere as  tais  fotos daquela mulher que ela vendeu para o jornal...
- Principalmente. Sabe, devo  ter interferido na  vida  de muitas  pessoas, mesmo que indiretamente.
- Era o seu trabalho, era  contratado para  descobrir e  comprovar  fatos.
- Não era um trabalho decente. Acho que  por isso me empenho tanto em ajudar  a protegê-la – afirmou segurando uma  das  fotos  de Alex saindo  da escola.
Eram fotos de  vários  dias seguidos, nos mesmos horários e um carro em especial chamou sua atenção.  Não era o carro de Rodrigo. Sabia  da existência do segurança e nunca o enquadrava em suas  fotos. 
Tampouco parecia  ser de alguém a espera  do filho, já que nenhuma criança  se aproximava  dele. Espalhou todas as  fotos do monte sobre a mesa e algumas  outras descartadas.
- Por que está fazendo isso? – perguntou Cleide surpresa.
- Tem alguma  coisa  errada  aqui. – observou Beto – Está  vendo esse carro? Está em quase todas  as fotos, sempre  com os vidros fechados e nenhuma  criança  se aproxima dele... Com certeza é  do “sócio”  de Roberta!
- Não consegue ver  a placa?
- Do ângulo em que  está não... Serei mais atento na próxima  semana. Passarei a informação à Rodrigo e ele saberá  o que  fazer. – resolveu juntando as  fotos e envelopando-as.  – E chega de trabalho por hoje!
- Sabe que estou adorando ser  sua assistente neste  projeto? Nunca pensei que  fotografar fosse  tão prazeroso.
- Eu sou  grato pela  sua  dedicação... Em tão pouco tempo aprendeu a  focar corretamente a iluminação. Acho que  vou contratá-la definitivamente. – argumentou evolvendo-a  pela  cintura.
Cleide  sorriu em passou seus  braços  pelos ombros dele antes de  falar.
- Tem certeza que não se arrepende por  não  ter  seguido com a exposição dos  italianos?
- Humhum. – murmurou Beto aproximando-se lentamente dos lábios  dela -  Eu prefiro ficar aqui e me expor para uma só italiana...



PSV






Na França a  Ècole Nationale d’Administration tem educado sua elite política e econômica desde 1945. Foi criada por Charles de Gaulle depois da II Guerra Mundial para reconstruir a Administração francesa.
Louise estava lá. Foi apresentada aos alunos que ocupavam  o anfiteatro e logo se acomodou  sozinha à mesa situada no palco para  a palestra. Assim que a campainha tocou sinalizando o início da palestra, um silêncio atencioso foi tomando  conta  do ambiente.
- Senhoras e senhores alunos da  turma Ensemble, a trigésima sexta da ENA, boa  tarde! Estou extremamente lisonjeada com o convite e sinto-me honrada em poder  dividir algum conhecimento com vocês. E feliz por ver que quase  metade da  turma é  composta  por  mulheres. Ainda não é o ideal. O ideal e justo seria se houvesse exatamente a metade.  Na minha turma éramos  em apenas três e somente eu  fui até o fim.  Mas  não estou aqui para falar  de mim e sim  sobre a situação mundial e como ela afeta a comunidade  europeia, mais  precisamente o nosso país, que enfrenta  essas  graves ameaças e atentados terroristas e  como vocês  podem se preparar para uma função pública. Não é preciso passar pela ENA para alcançar a cúpula do poder, mas o diploma adquirido após esses dois anos tornará isso muito mais fácil. A  ENA não é uma escola do poder, mas se parece muito com uma e tem orgulho de sua missão: democratizar o acesso à administração e nutrir a meritocracia e a  proximidade com as instituições, os funcionários de alto escalão e os políticos, dissolvendo o nepotismo. Portanto, cada um de vocês deve ficar  orgulhoso também por ter obtido um lugar nesse curso. Aproveitem ao máximo o plano de estudos e os estágios oferecidos pelas instituições francesas. Quando esses  dois anos  acabarem, os melhores qualificados certamente serão os primeiros a definir seu destino. O custo disso? Comprometer-se a trabalhar para a administração francesa por um período mínimo de dez anos. Foi o que eu fiz e não me arrependo... (...) Para encerrar meu discurso, quero deixar  uma questão para que reflitam. O que querem ser para nosso pais, políticos ou politiqueiros? Sim,  porque quando o que se fala não serve para engrandecer um debate e/ou não nos mostra uma solução para crises e problemas, quando o que se fala serve exclusivamente para denigrir, atacar ou tirar proveito pessoal, não se está fazendo política e sim politicagem. Política, com “P” maiúsculo é a  arte e a ciência de saber e conseguir organizar, dirigir e administrar uma nação interna e externamente. É exercer o poder de poder defender  direitos de cidadania para o bem comum. Já a politicagem é inescrupulosa. Ela  visa  benefício próprio e não da coletividade.  Vive e sobrevive de politiqueiros que se servem do pretexto político para picuinhas e desentendimentos partidários A politicagem abraça  interesses pessoais, às custas do povo e da troca de favores. Muitas  vezes somos sabotados na política,  pela politicagem, porque é tênue o  limite entre uma e outra. Como podemos identificar quem é o politiqueiro e não o político? Pela falta de... comprometimento, para não dizer caráter dos  primeiros. Muito obrigada pela atenção!
Foi aplaudida de pé e na meia  hora  seguinte respondeu a algumas perguntas. Não faltou a curiosidade sobre o escândalo de seu envolvimento com o suposto  noivo  da filha. Respondeu argumentando que políticos, de qualquer gênero e condição são pessoas e tem vida  pessoal, íntima e social.
Findado o tempo combinado, reuniu-se  com a direção da Escola para um café.  Horas mais  tarde, estava  com Bernard.
- Tínhamos  combinado que iria a ENA, Bernard! Como  ex-aluno e meu noivo era  seu dever comparecer!
- Eu sinto muito, Louise.
- Sente muito? É isso que tem a me dizer  como desculpa por  ter falhado em um compromisso de máxima  importância?
- Esqueceu que me  pediu  para  procurar Roger? – retrucou servindo-se  de uma  bebida - Não posso estar  em  dois lugares ao mesmo tempo!
Louise controlou o nervosismo e perguntou:
- O que  foi que ele disse?
- Ele não compareceu no local  combinado. E não atendeu as minhas ligações.
- E  Olivier o que  conseguiu?
- Nada  também. Ficou a tarde  toda  em frente ao escritório e Roger   não apareceu por lá ou em outra  de suas  empresas, segundo  nosso contatos.
- Ele quer fazer terrorismo comigo. Por que não publica  logo o que diz ter em vez de  soltar  pequenas  notas  ameaçadoras?
- Talvez não tenha... – observou Bernard – Talvez  esteja  jogando com vários ao mesmo tempo e queira apenas extorquir você ou outro politico.
 - Talvez, talvez, talvez! Seja mais coerente! Roger não precisa, mas se quisesse apenas o dinheiro teria sinalizado na  visita  de Olivier. Não, ele sabe alguma  coisa! Resta saber o que e até que  ponto.
- Por que não contratamos um detetive?
- Preciso lembrar ao  futuro prefeito desta  cidade o que aconteceu na última vez que usamos esse  recurso? – Questionou erguendo uma das mãos.
- Não. – Respondeu deixando que  seu olhar caísse  sobre o anel no dedo anular  de Louise,  mudando completamente  de expressão.
- Pois então use  esse seu cérebro e pense em algo que não  nos traga mais problemas.
- Sabe o que eu penso? Que  “velhos” métodos podem ser muito eficazes se aplicados  corretamente.   Uma de suas “contratadas” poderia seduzi-lo e obter informações e isso  não  nos  traria problemas.
- Uma  boa  ideia se não demandasse tempo, algo que não temos. Sua  campanha está pronta, custou milhares  de euros e eu não  gosto jogar  dinheiro fora. Nem o meu  nem o do partido. Seja mais  competente que isso.
- D’àccord! – exclamou perdendo a paciência. – Encontre um bom terrorista que ataque o jornal dele e ele será um arquivo morto.
- O que andou usado, além  da  droga  dessa  bebida?
Bernard apertou o copo com força, tentando se  conter. Respirou fundo e terminou a bebida que  tinha  no copo. Em seguida  levantou-se com a chave  do carro na mão.
- Uma droga chamada Louise. – respondeu acidamente. - Oh,  se tentou me atacar perdeu  seu tempo, querido. Essa droga é uma das mais refinadas. 
-  Até amanhã, Louise. – Diz secamente.
- Pensei que fosse passar  a noite  comigo...
Um sorriso cínico e imperceptível aflorou nos lábios  dele antes que respondesse:
- Com todos os elogios  que me fez, eu não teria  competência para satisfazê-la, se é eu me entende. Vou procurar Olivier e pressiona-lo. Roger é  responsabilidade dele. É para isso que ele é pago.



PSV



Paris, como toda  capital da atualidade tem uma imensa periferia. Algumas lindas e agradáveis, outras difíceis e violentas, tomadas por aqueles  que  foram expulsos  do centro.
São nesses  espaços que acontecem encontros entre pessoas supostamente idôneas, que escondem o que não deve ser  visto.
Não que seja perigos.  Escolhem esses endereços porque são afastados dos centros turísticos e  da possibilidade de serem reconhecidos.
Se hospedam por algumas  horas,  para  resolver  pequenos problemas sexuais ou pendengas coorporativas. Foi num desses  hotéis de periferia que Bernard entrou, preferindo subir três lances  de escada a  tomar  o elevador.
Bateu os  nós  dos dedos contra a porta de número vinte e três, com dois toques, três vezes seguidas como o combinado.
- Finalmente! – Disse Olivier abrindo a porta. – Já estávamos pensando que ela o seguraria a  noite  toda  por lá.
- Ela  bem que tentou, mas  a  fiz  provar  do próprio veneno.
- Não cometeu nenhum deslize, deixando-a desconfiada, espero. – Observou Roger desviando o olhar  da  TV para Bernard.
- Claro que não.  Sugeri até que  você  fosse eliminado, meu caro. – Respondeu  sorrindo.
- Deixou o carro  longe, como combinamos? Não podemos  ser  vistos  juntos por  enquanto.
- Não se preocupem. O bom de Paris é que não importa em que bairro esteja, você vai sempre estar a poucos metros de uma estação de metrô.
- Ninguém o reconheceu?
- A linha estava praticamente  vazia.
- Ótimo. – Disse Roger desligando a  TV e ligando um notebook. – Em três  dias começaremos  as publicações, seguindo nossos planos.
- Será um dos piores  escândalos políticos  da  historia  de Paris. - diz Bernard
- Louise  ficará  desacreditada e falida  politicamente.. – Comenta Olivier.
- Que  tom triste foi esse Olivier? – pergunta Roger acessando uma página específica na Internet. -  Não é exatamente o que queremos?
- Não está  pensando em pular  fora  do barco, está? – indaga Bernard.
- É claro que não. Fizemos um pacto e  vou cumprir  minha  palavra, como um bom cavalheiro.
- Estamos mais para mosqueteiros. -  Diz Bernard – Mosqueteiros que irão trair  sua  rainha. – Completa sarcasticamente.
- E em troca  ganharemos todo o reino! – Afirma Roger.  – Agora chega  de  conversa e sentem-se ao meu lado. A videoconferência com nossos apoiadores vai   começar.



PSV




- Eu queria muitão “falá” pra  você, mas eu ainda  não posso “conta” Serafina! A Dadi  “falo” que se a gente  conta, o desejo não acontece. Então eu ainda não posso “conta” nem pra  você, nem pro Antônio, nem pra  ninguém! – Falou Alex baixinho, olhando para a  boneca a seu lado. – Boa  noite, tá? – Completou virando as  costas.
- “Vo alá, vo alá”, você  não  vai me  dá  sossego né? Vai “sê” bom pra mim, pro papai, pra  mamãe, pra  “toooodo” mundo! – Pausa- Pra você  também, né? Agora “vamo dormi”?
Segundos  depois...
- Ahm  “mondie”, você  não  vai  me “dá”  sossego mesmo né? Eu “vo dormi” lá  no quarto  da mamãe! – Exclamou  saindo de  baixo  das  cobertas e pulando  fora  da cama.
Calçou o chinelo e andou até  a porta. Então olhou pra  trás e voltou. Cobriu Serafina e lhe deu um beijo .
- Dorme bem, até amanhã!
E correu em direção ao quarto dos pais e bateu  a porta.
- Leia  o último parágrafo que escrevemos por favor,  chèrie.
- Cabe a nós profissionais da Arte,  invalidar a impressão de que para fazer arte se requer um dom divino. Quando encontramos os meios necessários a inspiração nos mantem  presos a uma concepção e passamos a ser sensíveis, capazes de  produzir e criar arte.   Deve prevalecer portanto, a ideia de que  Arte é  plural, é uma utopia libertadora, e não uma  representação meramente  figurativa e  formal  do  mundo.  A arte contemporânea por exemplo,  vai confrontar   com a realidade  do nosso tempo e não julgar a  capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações ou sentimentos, sem dissociar o artista  de  sua arte... – Ouviu isso?
- Isso o...
- Mamãe, papai! Eu posso “entrá”?
- Olalá, parece que temos  visita! – exclamou Claude saindo da cama.- Pode querida, papai já  vai abrir a porta!
- Não está encostada na porta, está?
- Não...
- D’àccord... – disse Claude abrindo-a. - Entre pequena.
- O que foi, filha? Por que não está  dormindo? – Pergunta  Rosa deixando as folhas  escritas de lado.
- Porque a Serafina não  deixa... Posso "dormi" aqui com vocês?
- A Serafina não deixa? -  pergunta  Claude cruzando os braços.
- Não, ela  fica  querendo “sabe” o meu pedido  da  velinha e eu não posso “conta” senão ele não acontece! – explica-se ela bocejando.
- Voilà! – exclama Claude pegando-a nos  braços – Vejamos, você  tomou banho?
- Tomei...
- Deixe-me conferir – diz cheirando-a exageradamente, arrancando uma risada da  filha – Ouí, está  cheirosinha. Fez o  número um?
- Aham... – responde  sonolenta.
- Então se não vamos  ter  xixi na cama, você  pode  ficar esta noite. – Afirma Claude acomodando-se  com ela na  cama.
- Eu não  faço mais xixi na  cama, eu não  “so” mais bebezinho! – argumenta Alex.
- É nós  sabemos que não é, querida! – diz  Rosa ajeitando-a entre os  dois.
- Você ia  “gosta” de  “te” outro bebê, mamãe? – perguntou já fechando os olhos.
Rosa trocou um rápido olhar com Claude antes  de responder.
- Ia sim, Alex. E você gostaria que tivéssemos um bebê? – respondeu olhando-a, mas Alex  já dormia, aconchegada ao calor dos  dois.




PSV




Quando Rosa abriu os olhos eram pouco mais de cinco horas  da manhã.  Levantou-se o mais  cuidadosamente que conseguiu, mas de alguma  forma Alex percebeu e também acordou.
- Mamãe... – resmungou ela.
- Feche os olhos  e durma Alex, ainda é  madrugada!
- Eu quero “fazê” xixi! – pediu esfregando os olhos.
- Ok, vamos lá! – cochichou Rosa abrindo os braços  para ela e  caminhando para  o banheiro  do quarto em seguida.
Quando voltou e  foi coloca-la de  volta  na cama, Alex segurou-se mais firme.
- Não, eu quero “i” na  minha  cama  com a  Serafina...
- Ok, segure-se firme então e lá  vamos nós!
Levou-a e assim que a colocou na cama, Alex abraçou Serafina e  voltou a dormir. Ao voltar para  o quarto Claude ergueu a cabeça e perguntou:
- Algo errado com Alex?
- Não, ela  quis voltar  pra  cama dela.
- Voilà! E o que está esperando pra  deitar aqui comigo, hã? – questionou ajeitando o corpo lateralmente, batendo a mão  sobre o espaço vazio da  cama.
- Já, já amor! Eu preciso ir ao banheiro...
- D’àccord... Estarei  aqui te esperando, ouí?
- Ouí! –respondeu ela  sorrindo.
- Quase  quinze  minutos  depois,  quando voltou, Claude dormia novamente.
As  costas totalmente  apoiadas no colchão  e um dos  braços lançado acima  da  cabeça, displicentemente.
Rosa  mordeu o lábio inferior e como uma  gata subiu na cama, deslizando suavemente sobre o marido até alcançar seu ouvido e sussurrar:
- Acorda papai, a mamãe  quer  contar  sobre mim pra  você...





 PSV

                                             Continua...