PSV
Beto interrompeu a sua refeição e a contra gosto atendeu a ligação de Roberta. Ao encerrar a chamada, sorriu. Em seguida ligou para
Claude.
- Ouí, você entendeu perfeitamente. Ela já tem alguém, mas aceitou
a minha ajuda. (...) Não, ele
prefere manter-se anônimo. (...) Ao contrário Claude,
isso nos dá uma pista. Na verdade duas (...) Porque Roberta disse ter
“um sócio”, portanto é um homem.
E ela deixou escapar que ele não
gosta de você. (...) D’accord, se não se lembrar
eu vou descobrir quem é tenha
certeza. (...) Boa noite, Claude.
Beto ainda ficou a mesa por
alguns momentos, parecendo indeciso. Então deixou a cozinha e foi até o quarto do flat, abrindo a gaveta do criado mudo. Pegou um estojo e o abriu. Segurou um pen drive entre os
dedos, pensativo.
- Você
não vai
fazer mau a essa garotinha,
Roberta. Eu vou dar um jeito de mandar você
de volta à Europa – Resmungou guardando-o, antes de relaxar o corpo com um banho e dormir.
PSV
Claude abriu os olhos e levou alguns instantes para
localizar seu celular
pelo som. Sobre a cômoda!
Levantou da cama
e o alcançou. Alex ligando.
- Mon Dieu, nem sete horas da manhã de um domingo... – resmungou pensando que
Rosa estava certa ao critica-lo por ter dado
o celular à filha.
- Bonjour papai! – escutou ao atender a ligação.
- Bonjour pequena! Cedo demais para estar
com o celular, hã? – Falou baixinho para
não acordar Rosa.
- É que eu queria “entrá” aí eu bati
na porta e ninguém respondeu aí
eu liguei pra você. Posso “entra”?
- Ouí, filha, o papai já
está abrindo a por... Mon Dieu
Alex! – exclamou ele vendo-a cair sentada, pois Alex estava encostada a porta quando Claude a abriu.
Pensou que ela
fosse chorar, mas tudo que escutou foi um: “Ai meu bumbum” antes de uma
gargalhada infantil.
Claude também
acabou rindo da reação de Alex.
- O que foi que
aconteceu? – Perguntou Rosa acordando com as
risadas.
E logo estavam os
três na cama, fazendo muita bagunça e planos para o domingo.
PSV
Roberta procurou
outro maço de cigarros desesperadamente até se convencer que
tinham acabado.
Precisava sair e
comprar. Não suportaria passar a
noite sem fumar.
Abriu a gaveta e pegou lá do
fundo um embrulho coberto por
uma toalha. Tirou alguns reais de lá e
sorriu. Sentia-se mais tranquila
agora que trocara seus
euros por reais. Voilà, não
fora da forma mais
correta, mas quem se
importava com isso agora?
Tivera muita sorte em conhecer Milton. Ele não tinha escrúpulos. Tinha um caixa dois e um caixa três abastecidos por negociações intermediadas por
sua galeria. Era perfeito.
Realmente investir em
Arte tem suas vantagens, pensou saindo para a rua.
Mas o que mais a agradava em Milton era o fato
de que ele queria Rosa. E ela
ficaria tão agradecida quando ele
libertasse a pirralha bastarda que não
hesitaria em ficar com ele.
Então Claude precisaria
de consolo por ser trocado. E quem melhor que ela para
consola-lo?
Andou ainda
várias quadras até encontrar uma
padaria aberta e seu cigarro. Ao voltar,
Milton a esperava na porta do hotel
PSV
Rosa despediu-se dos amigos e
votando a cozinha agradeceu mais
uma vez a Dadi pela ajuda no jantar. Desejou-lhe uma boa noite e foi juntar-se
a Claude e Alex, no quarto da
filha.
- Tem lugar pra mim
aqui? – perguntou entrando.
- Aham, vem aqui desse
ladinho ó! – pediu Alex mostrando o espaço ao seu lado.- O papai vai “conta” a “historinha” agora.
- Agora? Você já
devia estar dormindo. – afirmou Rosa deitando-se, deixando Alex entre Claude
e ela.
- Alex quer pedir algo para nós, chèrie. - disse Claude.
- E o que é?
- Ela ainda não pediu,
disse que queria falar só quando
estivéssemos juntos.
- Bem, se quer pedir
para levar o celular
na escola a resposta é não...
- Não, não é isso!
- O que quer pedir então?
- Você promete que não
vai ficar brava?
- Está bem, prometo. –
disse olhando para Claude que deu de
ombros - Mas por que só eu tenho que
prometer?
- Não, o papai também
tem que prometer. Você promete papai?
- Ouí, eu prometo não ficar
bravo. O que foi?
- A gente faz
aniversário no mesmo dia né? – falou
Alex olhando sério para o pai - Ai, eu “tava” pensando se vocês não “podia
casá” na hora da minha festinha... Ia
“se” muito legal!
- Oh, me casar com a mãe
da princesa no dia do seu aniversário... – fala Claude – Eu acho uma excelente ideia! E
você, chèrie?
- Eu... Eu... Por que
pensou que ficaria brava com
você, Alex?
- Porque você já disse que isso é assunto de adultos...
- E é! Mas eu adorei a
ideia! – diz Rosa abraçando a filha.
PSV
Louise escutou atentamente tudo que o homem sentado a
sua frente lhe disse. E quando ele silenciou, ela o olhou fixamente e esboçou um sorriso cínico.
Roger Avril era o dono
de um dos mais importantes jornais da
França. E fora um dos melhores amigos de François. E um de seus
primeiros amantes.
- Você acha que pode
vir até meu gabinete sem hora marcada, e oferecer a
mim a oportunidade de evitar que
seu jornal publique esses
inverdades, contanto que eu lhe pague por
isso? Com que tipo de politico pensa que está lidando?
- Com o tipo mais
comum, o corrupto. – respondeu Roger. – No seu caso, corrupta. E essa
quantia é apenas para cobrir as
vendas eu deixarei de fazer.
- Eu não admito que
fale assim comigo! – exclama
Louise, deixado o cinismo de lado.
- Ora vamos! – exclamou Roger de maneira sarcástica - Você sempre admitiu escutar coisas mais
duvidosas e sacanas na cama. Mate a
minha curiosidade: François satisfazia esse seu fetiche também?
– Você é nojento!
- Não era essa
sua opinião quando deixava
François naquele leito de hospital
para se
divertir comigo.
- Naquela época eu não
pensava em qualidade.
- Nem eu, querida. E já que não quer um acordo, au revoir.
Lide com as consequências do que vai
ser divulgado.
- Suas especulações
não irão dar em nada! Se François fosse vivo teria vergonha
de ter você como amigo.
- Se François
fosse vivo teria vergonha
de você, Louise. Do poço de
egoísmo e ganância que se tornou. E da natureza
sexual de suas amizades.
- Que sorte a nossa
que ele morreu, não é mesmo? Vai sair ou terei que chamar os seguranças?
- É claro que vou
sair. É melhor poupar seus seguranças
para o futuro. Vai precisar deles,
querida. Só não sei se ainda irão querer
defende-la. – afirmou Roger
caminhando em direção a porta.
E antes de sair voltou-se para Louise:
- Você não vale nada. Nunca valeu!
Assim que Roger saiu Louise pegou seu celular
e fez uma ligação.
- Mas que m... – resmungou quando escutou a mensagem de caixa
postal. – Quero você imediatamente em meu gabinete Olivier!
PSV
Claude agradeceu e encerrou a ligação com Freitas. Seu visto acabara
de ser liberado e receberia um e-mail na manhã seguinte. Levantou-se e saiu da sala de
reuniões dirigindo-se à copa, onde
todos já estavam após a reunião quinzenal.
Com exceção às intenções
de Roberta, tudo fluía muito bem.
A exposição italiana estava em seus
últimos dias e breve seguiria para outra
capital brasileira. O alvará de
reforma já estava em mãos e ficaria
sob os cuidados de John. Algumas peças
já haviam sido leiloadas
virtualmente e o valor arrecadado seria
totalmente investido nessa reforma que
deveria acontecer em no máximo seis meses, para que pudessem cumprir as
próximas agendas de exposições e vernissages, incluindo a de Sergio.
Quando alcançou a porta da
copa, escutou as últimas
palavras de Rosa e o riso alegre
de todos:
-...E então ela pediu para que nos casássemos no dia do seu aniversário.
- Que é no mesmo dia
do meu, hã? – Disse entrando e abraçando Rosa pela cintura. – Quer se casar comigo nesse dia chèrie?
- É claro que sim! – exclamou Rosa.
- Que bom, porque eu
já pedi ao Freitas que dê entrada dos papéis no cartório.
- Isso merece uma
comemoração! – diz Liz sorridente.
- Eu acho que ainda temos duas garrafas de champanhe que sobraram da abertura da exposição! – fala Janete abrindo a
porta do freezer. – Eu não disse?
PSV
- Se
você recusou a oferta dele como pensa que posso ajuda-la? – pergunta Olivier mexendo-se
na cadeira, incomodado.
- Eu pago
você para resolver essas questões. E é isso que exijo que faça.
- Eu não
posso fazer o impossível, Louise!
- Ele deve ter algum segredo guardado, algum casinho extraconjugal
com que
você possa chantageá-lo. Descubra
e aja, Olivier!
- Roger já foi acusado
de lavagem de dinheiro a tráfico, foi manchete nacional e até internacional. Já
o associaram à máfia italiana, às
causas rebeldes da américa do sul,
e até mesmo a colaborar com o terrorismo. Acha mesmo que ele se
importaria com uma ameaça sobre um caso extraconjugal?
- Pois então vá até ele e diga que voltei atrás. Que em
troca da não publicação lhe darei uma
entrevista exclusiva e algumas informações
“confidenciais”.
- Por que você mesma
não vai? – pergunta Olivier um tanto irritado.
- Porque você é meu
secretário e...
- Sou bem pago para isso, já
sei. Farei o que ordena, mas não
espere por milagres. – respondeu Olivier
levantando-se e saindo.
Ao entrar no carro
bateu a porta com força, como se isso
fizesse toda raiva que sentia sair. Momentos
depois estacionava o carro em frente ao escritório central das empresas
de Roger Avril.
PSV
- Então já estão prontas?–
perguntou Claude entrando no quarto de Alexandra. - Mon Dieu, vocês estão lindas, hã?
- Obrigada querido! – agradeceu Rosa. – Alex?
- Obrigada papai! – agradeceu também Alex, entendo a mãe - Foi a madrinha que deu esse vestidinho de presente pra mim! – exclamou rodopiando. – A gente já
vai?
- D’àccord. – afirmou Claude. – Temos que ir, ou chegaremos
atrasados ao casamento.
- Precisamos de mais cinco minutos, hum? – falou Rosa –
Mocinhas precisam ir ao banheiro
antes de sair.
- Voilà, vou espera-las na sala.
Dez minutos depois, quando apareceram na sala, Claude andava de um lado para outro.
- Chèrie, você disse
cinco minutos e já se passaram
dez!
- Cinco para cada
mocinha, hum? E acalme-se, querido! Vai ser muito engraçado chegarmos
atrasados o nosso próprio casamento!
- Sorte nossa que é
feriado, não teremos trânsito.
- afirmou Claude abrindo a porta,
deixando que as duas passassem primeiro.
- Quando é que eu vou ver
o meu presente, papai? – perguntou Alex pelo caminho.
- Assim que chegarmos
a galeria, pequena.
Alex atravessou
apressadamente o interior da galeria
para alcançar o jardim. E parou de repente, levando as mãos à boca
antes de descer pela pequena rampa ao pulos e abraçar o
seu presente..
PSV
Roger o cumprimentou e
sem rodeios foi direto ao assunto.
- Eu já o esperava, Olivier. – afirmou Roger contornando a
mesa e voltando a sentar. - Só não
entendo porque sendo uma pessoa incrivelmente
capaz ainda se submete a ela. – questionou encarando
Olivier.
- Acredite, eu também
não. – respondeu Olivier - Talvez tenha me acomodado com os poucos privilégios que conquistei.
Concluiu abaixando os olhos.
- Sempre é tempo de mudar, meu caro. Sente-se. – replicou Roger em
tom de conselho, indicando-lhe a cadeira. - Qual
é a oferta de Louise dessa vez?
- A mesma de tantas
outras. Em troca da sua não
publicação lhe dará uma entrevista
exclusiva e informações confidenciais.
- Diga a Louise que revelar o nome da amante de um político deixou de ser
informação confidencial e já não garante a venda expressiva de jornais
impressos.
- Em outras palavras, você não quer um acordo...
- Cansei de Louise e desse jogo de regras unilaterais.
Infelizmente para ela, o prazo para acordos expirou. Vou publicar o material
que recebi e com certeza haverá
investigações. Oriente Louise a contratar um bom advogado. Ela vai precisar.
- Isso vai acabar com
uma amizade de longo tempo. – argumentou
Olivier.
- Louise não tem amigos ou amizades, Olivier. Você mais do
que ninguém já devia ter entendido
“isso”. Aliás, você deve ter
“presenciado” muitas das
falcatruas dela. Presumo que tenha digamos
um back up de segurança, não é? E me refiro a sua segurança, d’àccord?
Olivier permaneceu em
silêncio, lembrando-se de todos as
cópias de documentos que matinha
em um cofre no banco.
- Seu silêncio é significativo, Olivier Estarei declarando guerra a Louise assim que
publicar as denúncias. Se quiser
juntar-se a mim, será muito bem vindo. Se me permite eu tenho outros assuntos a
tratar...
- É claro. – respondeu Olivier levantando-se. – Boa tarde
e obrigado por me receber mais uma vez sem hora marcada.
- Eu aprecio sua pessoa Olivier. Pense sobre minha oferta e
me procure novamente. – adiantou-se
Roger, acompanhando Olivier até a porta. – Boa tarde.
- Eu vou pensar seriamente em sua proposta. – afirmou Olivier
retirando-se.
Roger o observou até que saísse. Então voltou-se para sua
secretária:
- Eu não estou para
mais ninguém, Michelle.
Trancou-se em sua sala
e tirou da gaveta um celular de número
estritamente reservado. Selecionou o
contato e enviou uma mensagem: “Peão
adversário captura peão”.
Esperou a mensagem ser visualizada e recebeu apenas duas
palavras em resposta: “En passant”.
Esboçou um sorriso satisfeito. Olivier voltaria. Estava
certo disso.
Três horas mais tarde,
depois de ouvir inúmeras vezes o quanto era incompetente, incapaz, ineficiente e péssimo articulador,
Olivier deixou a sede do partido
discretamente.
Bernard e Michel estão certos. Roger também, pensou saindo do
estacionamento para a movimentada Rue
Bonaparte.
Um líder político, considerou
consigo mesmo ao bater os olhos
sobre a placa que a indicava.
Ele era um verdadeiro líder Louise. Diferente de você que gosta de
manipular pessoas e fazê-las peças
do seu jogo particular.
Com suas regras,
determinando o movimento e o equipamento a ser usado, controlando o tempo e a
conduta dos “seus jogadores”.
Registrando cada lance como numa notação de xadrez! Se dando
o poder de aplicar penalidades se algo
lhe parecer bom.
- Você pensa que a vida é uma partida de xadrez, não é
Louise? Pois o jogo vai virar. Seu tempo
de rainha está chegando ao fim, querida. E adivinha só quem vai dar o cheque-mate?
Na manhã seguinte, Olivier era recebido novamente sem hora
marcada por Roger Avril.
PSV
Foi uma cerimônia rápida.
Cerca de quinze minutos entre a travessia de Rosa e Claude, sob a
melodia de um violino, até um canto no jardim da galeria reservado e decorado
para a cerimônia do casamento.
Alexandra olhava ora para os pais, ora para a juíza que celebrava a cerimônia e fazia um breve discurso sobre o valor do casamento.
- O casamento civil, é
mais que um ato solene submetido à
formalidades e imposições da lei. Vocês
possuem sua individualidade e uma história,
como indivíduos e como casal. Este será mais um dos importantes instantes da
vida de vocês dois. Ou melhor, de vocês três – acrescentou olhando e sorrindo para
Alex. - Então, busquem superar expectativas e a transformem em
realidades. Acreditem, o segredo está na
sabedoria e na compreensão, na combinação equilibrada dos dois em um, na
reciprocidade do contato físico,
mental, emocional e sentimental. Em ver
e enxergar a felicidade a cada instante,
em cada momento de conquistas. E ver e
enxergar ainda mais profundamente com compreensão e carinho quando algo falhar ou deixar de
acontecer.
A juíza fez uma rápida pausa observando o efeito de suas
palavras antes de continuar.
- Claude Antoine Geraldy é de sua livre e espontânea vontade
receber Serafina Rosa por sua esposa?
- Sim.
- Serafina Rosa
Petroni, é de sua livre e espontânea vontade receber
Claude Antoine por seu esposo?
- Sim.
A juíza fez um sinal combinado com Alexandra, chamando-a para
que entregasse as alianças. Ela
permaneceu entre os dois, até
depois da troca, quando a juíza concluiu a cerimônia.
- Tendo os nubentes afirmado
perante mim a intenção de se receberem por marido e mulher, eu, estando
de acordo com a vontade de ambos, em nome da lei os declaro casados.
Em seguida, indicou
livro de registros onde ambos
assinaram antes dos padrinhos, ou
testemunhas: Frazão e Janete, Liz e John.
- Podem se beijar. –
Disse finalmente.
Mas aconteceu o
que ninguém esperava. Claude e Rosa sorriram um para o outro,
como num código. Então Claude abaixou-se e pegou
Alex em seus braços, a ergueu entre os dois e juntos a beijaram, um de cada lado.
Foram dez minutos de
cumprimentos e desejos de
felicidade ao casal antes que passassem à
comemoração do aniversário de Alexandra.
Por sua escolha, enfeites de cangurus e personagens de Frozen. No bolo haviam várias velinhas,
as suas e as de Claude, ideia dela.
Antes de apagarem as
velinhas, Claude a lembrou de fazer um pedido, desejar algo. Alex
fechou os olhos com força por um
instante.
- Pronto, já pedi, a gente
já pode “soprá”, papai! –
exclamou sorrindo ao abri-los.
Então sopraram juntos,
e claro a “ajuda” de Claude fez com
que todas as velinhas fossem apagadas.
Já anoitecia quando os últimos convidados deixaram a festa. E já era noite quando Claude e Rosa
subiram de elevador com os presentes de Alex.
Já estavam deitados, prontos
para dormir quando Rosa percebeu
que algo atormentava Claude. Acendeu o abajur do seu
lado e virou-se de frente para ele.
- Amor? O que foi, ainda aquele pensamento?
- Ouí. –
confirmou ele puxando-a sobre seu
braço - É injusto contigo não leva-la
numa viagem de lua de mel.
- Você já me levou em
lua de mel a Paris, depois
que nos
casamos em Amsterdã, esqueceu? – argumentou ela sorrindo e jogando suas pernas sobre as dele.
- Eu nunca vou
esquecer de Amsterdã, hã? Foi onde encontrei o amor da minha
vida.
- E eu nunca vou
esquecer Paris. Foi onde brotou a coisa
mais importante do nosso amor!
- Eu acho que preciso
dizer mais vezes que amo
você, pta merecer o seu amor.
- Humm... Por que não começa agora mesmo?
- Amo você! – sussurrou ele acariciando-a. – Amo você, amo
você...
Rosa retribuiu o
carinho pelo peito desnudo do marido.
- Devia colocar a camisa
do seu pijama, a noite está
esfriando pode se resfriar...
- Não, isso não vai
acontecer. Não está vendo, mas estou vestido e aquecido... Sabe com o quê?
- Não... – resmungou
Rosa entre os carinhos que recebia. – O que?
- Com o sorriso que
você me deu... - explicou-se
Claude antes de deslizar seus lábios até os dela e se perderem de amor.
PSV
- Quantas vezes vai olhar
essas fotos? – perguntou Roberta
a Milton, parecendo irritada.
- Esse seu amigo fotógrafo é
bom mesmo. – afirmou ele como se não tivesse ouvido a pergunta. – Rosa
ficou muito bem em todas as fotos!
- Com certeza ele usou algum programa para maquia-las. – comentou
Roberta com desdém.
- Você deve entender
disso não é? - disse ele provocando-a
com um indiscreto sorriso sarcástico nos lábios.
- Você é um idiota! Quantas
horas vai ficar aí olhando para as imagens desse casamento sem glamour e essa
festinha ridícula de aniversário?
- O seu desdém é por
inveja ou por falta de maturidade? – questiona ele.
- Não seja estúpido! Não há razão para que eu tenha inveja
dessa...
- É claro que há. É o que temos em comum: você a odeia porque
o francês a ama; e eu odeio o francês, porque ela o ama.
- Dispenso essa sua psicologia de almanaque e continuo
achando que olhar essas fotos não vai
nos ajudar em nada!
- Você é mesmo uma amadora, não!? Sabe porque me envolvi com
a Arte? Porque sempre fui observador. Quando apreciamos um quadro podemos imaginar
a época, avaliar suas características gerais e individuais, os objetos,
paisagens, pessoas, animais, alimentos, etc. É assim que identificamos os
elementos ali presentes, se estão vivos ou mortos, se estão estáticos ou se
movem... Podemos até mesmo imaginar o
que as pessoas retratadas conversavam...
Roberta faz uma careta de
tédio e acendendo um cigarro senta-se
ao lado dele na cama.
- Essas imagens, querida, trazem muitas e valiosas
informações. Está vendo os convidados? – E vai mudando as imagens – Apenas o
círculo íntimo de amigos. Conheço todos,
com exceção dessas pessoas com crianças. – e apontou um local da foto -
Não vejo seguranças... Isso é um ponto a
nosso favor.
- Se você diz...
- fala Roberta apagando o cigarro e tentando parecer desinteressada.
- Digo e garanto. A
partir dessas observações posso elaborar
uma estratégia para o que você precisa, ou melhor, para o que você
quer. Farei uma
apreciação mais intensiva amanhã, para identificar
alguma falha nessa relação tão... harmoniosa! – fala irônico, olhando para
a foto
onde apagavam as velas do bolo.
- Aprecie isso... – desafia ela, acariciando-o de maneira íntima e nada discreta. - Sabe o que eu quero agora?
- Quer que eu te f*... – e não completa a frase, reparando em
algo na foto, enquanto Roberta
intensificava sua carícia - Princesa
do gelo e cangurus. – comenta sem entender o tema, ou
porquê isso chamara sua atenção. - Essa
garotinha tem personalidade!
Então Roberta tirou o celular
de suas mãos e depravadamente exigiu dele uma apreciação mais privada e
despudorada do próprio corpo, em
busca do prazer.
PSV
Continua








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aguardo continuação
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