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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

PSV/Capítulo 49

Capítulo 49

PSV

- Pelo  amor  de Deus Roberta desligue  essa  televisão! -  pediu Milton irritado. – Faz  vinte  dias que você  não sai da frente  dela!
- Nem pensar! Eu preciso  saber de todas  as notícias sobre ela. – responde  procurando por  mais um noticiário. – O que  foi, por  que esta me olhando assim?
- Tem certeza que não tem nada  a ver  com essas  denúncias?
- É claro que tenho! – foi a vez  dela  responder irritada. –  Se eu  tivesse  esses tipos de provas  contra ela meu querido, não estaria  no Brasil tentando sequestrar a neta  bastarda dela.  – e levanta-se,  andando pela sala.
- Mas  você   disse que a denunciou...
- Non, non, non... Eu apenas  divulguei o lado promíscuo de Louise. E apesar  de saber que ela não é  nenhum modelo de honestidade, nunca imaginei que  houvesse tanta  sujeira  debaixo do tapete  dela.
- Bem, alguém sabia.  – Diz Milton sentando-se  no  sofá - E na minha  opinião,  tem que  ser  alguém muito próximo a ela. Alguém em quem  ela  estupidamente confiou e  que nunca  levantaria suspeitas.
-  Olivier... – murmura Roberta colocando-se  atrás  do sofá e começando uma massagem sobre os  ombros  de Milton.– Claro! Ele ambicionava ser muito  mais que um secretário e amante nas horas  de  folga. Ela  jamais  desconfiaria dele!
- É por isso que não saio mais  com secretárias. – comenta Milton.
- Você estava tendo  um caso com sua  secretária?
- Só até antes  de  você  aparecer, querida.  – afirma com  um sorriso irônico.
Roberta intensifica  o toque, apertando a pele dele entre seus  dedos.
- Ai! Mas que violência, chèrrie! – exclama divertido, segurando as mãos  dela e puxando-a sobre  si. – Vem cá  vem... Não é  bem aí que eu quero uma massagem! -  resmunga.
Então,  dominou Roberta  com carícias ousadas e  segurando uma de  suas mãos, forçou-a  a arrasta-la  sobre  seu peito, deslizando-a até  chegar em  sua masculinidade e  exigir o que  queria...



PSV



Rosa desligou o celular  e  voltou à  copa  da  galeria, onde  acontecia uma pequena  comemoração à noticia  de sua  gravidez.
- Janete manda beijo a todos. Está  morrendo  de saudade daqui, mas encantada  com Paris. 
- Eu posso “continua”  chamando a tia  Janete de  tia, mamãe?
- Eu imagino que  sim, querida. Mas  perguntaremos a ela, quando  voltar, ok?
- Ok. – concordou  sorrindo Alex – Você falou pra  ela da Alessia?
- Sim, meu bem. E ela  adorou o nome  da sua irmãzinha.
- Yes! – vibra  Alex, pois  fora um de  seus  palpites na lista   de  nomes  o escolhido. – Mamãe dá tempo de “deu brinca” um pouquinho  com a Sílvia  no jardim?
- Alex, Sílvia não é mais  sua  babá...
- Na verdade  fui eu que tive  a ideia, Rosa. – explica Sílvia. – Podemos?
- Bem, sim!
- Apenas no jardim interno, d’accord? – avisa Claude.
E enquanto as  duas  saiam, Nara se dirigia à porta de entrada. Pela câmera  de segurança vira Beto e Cleide.
Claude e Rosa  receberam os  cumprimentos  e logo o assunto girava  sobre Louise e Roberta.
- Louise finalmente quebrou o silêncio sobre o escândalo, John. – respondeu Claude  a uma  pergunta dele – Em uma entrevista exclusiva  a uma das TVs que ainda a apoia, disse que as acusações contra ela são  grotescas e    criticou o tratamento recebido do resto da imprensa francesa, considerando-o parcial e tendencioso.
- Bem,  não é preciso morar na  França para  saber que ela passa por uma crise no regime político e econômico que não é de agora.  Qual a opinião de Frazão sobre esse  momento, Claude?
- John, a última eleição presidencial  demonstrou  contradições crescentes e  Frazão acredita que o  crescimento da extrema-direita francesa representa  perigo dentro dos partidos tradicionais. Segundo alguns  cientistas políticos, Louise será apenas a primeira de uma onda de escândalos envolvendo figuras políticas, empresariais e até policiais.
-  Como  todos  sabem, - diz  Beto - eu fiz  vários tipos de investigações, e   era frequente encontrar  pessoas ligadas às empresas  “parceiras” ocuparem postos de destaque nos governos e vice-versa.
- A eterna  “troca de favores” -  comenta  Liz. 
- Essas suspeitas sobre Louise, -  continua  Claude -   de crimes do colarinho branco vai ser realmente o estopim de  escândalos.
- Por que diz isso com tanta  certeza, Claude?
- Louise é  responsável  por um esquema fraudulento de concessão de vistos a empresários estrangeiros, Nara.
- Mon Dieu...  Isso pode  afetar as empresas do papai?
- Teoricamente não, pois Louise não é vinculada juridicamente a nenhuma delas. Porém,  não sairemos  ilesos  de comentários. – afirma Claude  tomado  o último  gole  da bebida  em seu  copo.
- Beto, você tem alguma  notícia de Roberta?
- Nenhuma  Rosa. Eu até  mandei mensagem que estava à  disposição para  novos trabalhos, mas ela não retornou.
- Eu  não  gosto  desse  silêncio dela. – afirma Rosa.  – É perturbador...
- Por que não abre o presente que  trouxemos? – diz Cleide tentando mudar  o clima  pesado do silêncio que  se  seguiu.
- Oh, mas é claro! Que indelicadeza a minha! – diz Rosa abrindo o pacote e sorrindo. – Claude, um par  de sapatinhos  vermelhos! – exclama alegremente. – Não são lindos?
- D’accord! Merci, Cleide.
- E são os primeiros, sabe o quem isso significa?
- Non...
- Eu  vou  te explicar então! Presentear com  sapatinhos vermelhos é um antigo costume cigano que simboliza proteção e o desejo de boa sorte, saúde e felicidade para o bebê pelo resto da vida. 
- Voilà então é apenas uma lenda? – diz Claude hesitante.
- Oras, você pode acreditar ou não em lendas, em costumes e em simpatias, ok?  A verdade é que mal não faz, hum?
- D’accord. Sabemos  muito  sobre  cores  e suas possíveis funções  não é? Os índios por exemplo empregavam o vermelho para proteção contra negatividade, noivas orientais usam vermelho para garantir vida longa aos casamentos.  É a cor da liderança, da prosperidade, da felicidade e da iluminação... Faz sentido, hã?
Então Alexandra  volta  com Silvia e se encanta   com o  tamanho  dos sapatinhos.



PSV



Louise chegou ao  fim da página e levantado os  olhos fixou-os em Olivier.
-  Que  brincadeira é essa?
- Não é  brincadeira, Louise. A partir  desse  momento  não  sou mais  seu  secretário.
- Vai me abandonar, me deixar  sozinha nesta hora?
- Você  sabe que eu não estou satisfeito há um bom tempo.
- E escolheu “cair fora” justamente agora, quando estou sendo  bombardeada por  todos  os lados? Essa é a sua gratidão por  tudo que  fiz  por  você?
- O que  fez  por  mim, Louise?
- Eu vou lembra-lo...
- Por  favor, poupe-se. – aconselha ele -  Você  nunca  fez nada  por  mim. Há quantos  anos eu trabalho para você? Quinze anos, Louise! E tudo que  tenho é um carro.
- A clínica onde  sua  mãe  ficou nos  últimos anos  de vida,  não  conta?
- Se  soubesse  como me arrependo de tê-la deixado lá!
- Você e seu  sentimentalismo! Ela teve os   melhores  médicos, enfermeira vinte e quatro horas, remédios, terapias... Foi muito bem tratada!
- Esqueça,  você  não entenderia  nunca mesmo. Rubrique esse documento,  ouí? Eu quero ir embora.
-  E as  viagens, a  volta ao mundo que  patrocinei a você?
-  Viagens? Sua memória  deve estar  falhando, minha  cara.   Simplesmente   fui seu acompanhante. Não tive nenhum retorno material, não tenho propriedades, casas ou qualquer  coisa  do  gênero que me garanta  uma  velhice  confortável.
- Você  nunca  se  importou  com coisas materiais, Olivier.
- Pois eu devia  ter me preocupado. Estaria  uma  posição bem mais  compensatória.
- O que  você  quer  para  ficar?
- Eu não quero nada!
- Quanto então? “Quanto” você  quer?
- Já  não pode me dar  nada, Louise. E eu  não  vou perder  o respeito e o prestígio que consegui junto a algumas  pessoas por  sua  causa,  ou por estar  ligado a você.
- Isso que está  fazendo tem nome, Olivier! Chama-se covardia e traição.
- Eu chamo isso de atitude de coragem, mas você pode chamar como quiser. Até por quê, você  julga usando a si mesma  como medida...
- Você é a  minha melhor  medida, Olivier!- contesta Louise irônica -  Quem era  você antes de mim? Não era  ninguém. Eu o  construí politicamente, deve  tudo que  sabe a mim!
- Tem razão, devo tudo que sei  a  você. E exatamente por  admitir isso  é  que  quero minha  liberdade. Mas  não se preocupe, não usarei nada  que  sei  contra  você.
- Você é um grande  covarde. – replicou inabalável. – Não vou implorar por seu apoio ou companhia. – E assinou a  folha -  Mas lembrarei de  sua deserção quando estiver com todo poder a que  tenho  direito.
- Acredita  mesmo que  vai chegar lá com todas  essas  denúncias?
- Estamos  falando  do mesmo assunto, política? Eu devo  ter sido uma péssima professora para  você. Do  contrário não estaria me perguntando isso...
- Mil desculpas... Esqueci o quanto  você  gosta  de  acordos políticos. É claro que  vai  se sair  bem mais  uma vez.
- Como eu lhe  ensinei, a  política é  um jogo. Ganha quem sabe  marcar  suas  cartas. Você  era uma de minhas cartas favoritas,  - e estendeu o braço entregando o papel. - mas agora está  fora  do meu baralho. Adeus, Olivier.
Olivier recebeu o papel e dobrou-o,  colocando no   bolso interno  do casaco.
- Não  vai verificar o que estou  levando?
- Não. – Respondeu Louise sem levantar  a cabeça. Seja  o que  for,  faça  bom  proveito.
Mas  quando  a porta  se  fechou e os passos  dele se  perderam pelo  corredor,  o  celular  de  Louise  já  completava  uma  chamada.
- Siga-o, Armand. 



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Claude seguiu os  movimentos  de  Alex. Ela andava vagarosamente pelo tapete vermelho do ateliê “ensaiando” seus passos para o casamento de Erci. Então de repente ela  girou e ao parar precisou de alguns  segundos para  se equilibrar  e não cair.
Foi aí que   levantou a cabeça e sorriu. E a foto   ficou tão espontânea quanto ela.

- Ficou perfeita, pequena!  - Disse, sentindo-se orgulhoso da  filha.




- Merci papai! – Respondeu sorrindo. – Pena que a tia E... Que a  doutora  Erci não veio junto “cá gente” hoje!

- Voilà! Podemos  mandar a  foto a ela, hã?
- Legal! Você  manda pra  mim também?
- Oui...
- Muito bem, agora  vamos  tirar o vestido, filha. Vem! – pede Rosa.
- Eu posso “i embora”  com meu cabelo assim mamãe?
- Pode sim, querida.
Minutos  depois o  vestido está  de  volta ao cabide, no ateliê. Seria entregue em  dois  dias, dissera a atendente  ao se  despedirem.
- A  doutora Erci já  viu sua  foto. – comenta  Claude -   Disse que você  está  muito linda, parecendo uma  princesinha e que ela está  feliz por    tê-la  como   noivinha.
- Yes! – vibra Alex – Como é que  fala muito linda em francês, papai?
- Se diz “très  jolie”, Alex.
- “Trejoli? – repete  fazendo uma careta – Então  a tia  Erci disse que eu tô trejoli? - pergunta  enquanto caminhavam para o  carro.
- D’accord... – concordou Claude dando-se  conta que não era  a primeira  vez que Alex perguntava  como se  falava  algo em francês.
Mas antes que  fizesse alguma  observação, Alex lança  outra  questão.
- Ela  vai  ser a médica  da minha irmãzinha “tamém”?
- Vai sim, meu amor! – responde Rosa. – Ela  também vai ser a médica da  sua irmã.
Então Alex solta  a mão de Claude e abraça Rosa pela barriga.
- Você não precisa  ficar  com medo dela, tá Alessia? – diz beijando a barriga  da mãe  por  cima  da  roupa.  Mamãe a gente pode tirar  uma  foto da minha irmãzinha  dentro  da   sua  barriguinha, igual você  tirou de mim?
- Claro que podemos meu amor! – Concordou Rosa, surpresa  por Alex lembrar  das suas fotos, grávida dela. 
- Legal, eu quero aparecer “tamém”... – Murmurou saltitante pelo estacionamento, até  chegar ao carro.
Claude acomodou-a na cadeirinha e antes  que Rosa entrasse, segurou-a  gentilmente  e murmurou parecendo magoado:
- Então você  tem  fotos da  gravidez de Alex...
- Sim, não são muitas e...
- E  você não ia  me  mostrar...
-  É que  tudo  foi  tão inesperado... Estão naquelas  caixas  que  tirei da  galeria.  Sabe, eu  tinha a intenção de enviá-las a  você, mas eu sempre  perdia a  coragem quando lembrava de Louise e Roberta... – Desculpou- se abaixando a cabeça.
Claude a abraçou.
- Ei, não se condene... Você  fez bem, hã? Eu acho que  elas  não chegariam até mim. Mas  agora que eu cheguei até elas, quero  ver todas, d’accord?
- D’accord... – sussurrou sorrindo antes  de receber o leve  toque dos lábios  dele sobre os  seus.
- E como é “bejar” em francês, papai? – a  voz  de  Alex interrompeu o carinho.
Eles  se afastam e Claude se abaixa até encontrar o olhar  da filha.
- Baiser...
- Hum.... – resmungou batendo os  dedinhos  no queixo,  parecendo pensar -  Quando você “beisê” a mamãe eu acho “trejoli”, papai!



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- Você  já  foi um dos nosso, não  foi? - escutou Rodrigo depois de pedir informações  ao  delegado.
- Sim e  por não  concordar   com tanta  burocracia foi que  deixei de ser.
- Então devia  lembrar-se que compete ao Delegado de Policia a instauração e presidência de inquéritos policial.
- É  claro que  sei  disso!  Como também sei não  haver  ilegalidade  na intimação de uma pessoa para que venha prestar esclarecimentos. O tempo está  passando e o senhor não tomou nenhuma atitude. A suspeita é de nacionalidade  francesa e pode  deixar  o país a qualquer momento!
- Está querendo ensinar  o meu trabalho,  rapaz?
- O que  estou querendo é um pouco mais  de  vontade de  sua  parte! Agilize a instauração do  inquérito e intime Roberta Vermont!
- Está  vendo essas pilhas de pastas em cima  da mesa? São todos de casos efetivamente acontecidos: roubos, latrocínios, furtos, tráficos, assassinatos. E  você quer que eu dê andamento em alguma  coisa que não aconteceu ainda?
- É isso que  devo  dizer ao meu cliente? – pergunta Rodrigo levantando-se impaciente. -  Que  o senhor vai esperar  o sequestro ou coisa  pior acontecer à  filha dele e então  tomará as medidas cabíveis?
- Tudo que trouxeram aqui são suposições. – replica o delegado sem emoção alguma. -  Não há nada que  prove  que a tal  francesa  queira praticar um crime  contra a menor.  Não houve  tentativa alguma e eu  não  vou disponibilizar meus  agentes para  investigar  suas suspeitas.
- Seus  agentes?
- Sim, meus agentes! Estão  sob minhas  ordens por enquanto!
- Paulo seria mais flexível e prudente...
- O delegado Paulo está de férias. E eu não  costumo fazer favores.
- O delegado Paulo também não. Ele simplesmente  cumpre  com  seu dever.
- Então espere  ele voltar  das   férias e da sua licença. 
- É uma pena que não haja no Brasil nenhum dispositivo legal que tipifique a obstrução da justiça como crime. Eu o processaria  por isso. Passar bem!concluiu Rodrigo,  retirando-se.




PSV




Roberta mudou o celular  de mão e procurou nervosamente pelo maço  de  cigarros  dentro da  bolsa.
- Você  só pode  estar  brincando, Beto...
- Eu não  costumo brincar, Roberta. Você  sabe disso.
- Deposite o cheque que eu te  dei e  ficamos  quites.
- Roberta,   o valor  desse cheque é  tão... irrisório. Eu preciso de mais  dinheiro!
- Eu não posso  fazer  nada! Se  você  precisa  de mais  dinheiro, exija do Claude,  é ele quem está devendo à  você.
- É  claro que pode  fazer  algo, querida! Eu quero participar dos  seu planos. Da “Operação Boneca Francesa.” É um bom codinome, não acha?   Posso articular e favorecer esse acontecimento. Eu disse ao Claude  que aceito esperar o fim  da  turnê e tanto ele quanto Rosa confiam em mim.
- O Claude confia  em qualquer um. -  diz tirando um cigarro  do maço e acendendo-o. - Eu não. -  completa  depois de uma tragada.
- Eu penso que  você  faz muito bem em não confiar  em qualquer um. – repete Beto, beirando a ironia. – Mas eu seria  melhor  como seu aliado. Além  de  poder, digamos  sabotar suas  intenções, eu posso  complicar  sua  vida com algumas  informações que obtive, quando fazia  servicinhos  sujos para  você, lembra-se?
- Você não pode   fazer isso, combinamos que...
- Não está em pauta  o que  combinamos  no passado.. Estou dizendo que  vou fazer se não me  colocar na jogada. O Claude é  rico e adora a filha que  você  ajudou a separar dele.  Ele vai pagar  o quanto  você  exigir. Eu  fico com quarenta, não,  com cinquenta   por cento do valor.
- Cinquenta  por cento? Você  está indo longe  demais em  sua  brincadeira, querido.
- D’accord.  Acompanhe os noticiários franceses amanhã, Roberta. E bonne nuit!
- Não, espere! – gritou Roberta apertando nervosamente o cigarro contra  o cinzeiro. – Eu vou falar  com meu sócio, mas não posso prometer  nada. Ele já tem tudo preparado e... Ele chegou, eu te ligo depois. Não  faça nada até  falar  comigo  de novo!
- Droga! – exclamou Roberta jogando o  celular  sobre  a mesa  com mais  força  que deveria.
- Mon Dieu! – brincou Milton – Por que toda essa  violência?
- O imbecil do Beto exige participar  do plano...
- E quem ele pensa que é  pra  exigir alguma  coisa  de  nós?
- Alguém que tem informações a meu respeito, que não  devem vir  à  tona.
- Oras, podemos providenciar  um acidente ou um assalto onde ele fatalmente perderia a vida.
- Não! Ele já deve ter  se precavido... Se Claude  souber tudo mais que  fiz, nem salvando a  bastarda ele vai querer ficar  comigo.
- Uau.  O que fez para que seu passado a condena tanto assim?
- Não é  da  sua  conta, querido. Negócios, negócios, amor à parte, d’accord?
- D’accord. Vamos  encarar  pelo lado bom. O fotografozinho é chegado à  família. Pode ser  nosso bode expiatório. Salvamos a menina, livramos  o pessoal do Zequias e ele fica  como  grande culpado! Que tal?
- Não sei... Eu acho arriscado.
- Não há  risco algum, meu bem.  Pode  dar  a  boa  notícia a ele e seremos todos  felizes.
- Há outro problema: ele quer cinquenta  pro cento  do resgate.
- Acho justo. – afirma Milton friamente – Afinal nós não estamos  fazendo isso pelo dinheiro, não é mesmo “mon amour”? E ele... Ele vai precisar para  contratar um bom advogado!


PSV



- D’accord, Rodrigo. Eu compreendo e agradeço  seu empenho. (...) Não, ela  não se manifestou nem nos  procurou mais. (...) Ah, ouí, são ótimas ideia,  mon ami. (...) Se  tiver alguma novidade me retorne a qualquer   hora...  Au revoir.
Claude  saiu de perto  da janela e  voltou à  cama, onde estavam Rosa e uma  caixa cheia  de papéis  e fotografias que Alex espalhava pelo cháo.
- E então? – perguntou Rosa querendo  saber sobre a conversa.
- Sem novidades, chèrie. – respondeu acomodando-se entre elas – O delegado substituto é um senhor mais... tradicional, não aberto ao diálogo, hã? Sua  última palavra  foi que não irá  investigar  algo que não aconteceu ainda.
- O quê? Ele prefere...
- Achei! Achei!– exclamou Alex  ficando  em pé e interrompendo a fala da mãe.
Estendeu o braço    e passou a foto para o pai.





- Olha eu aí papai! “Que dize” você  não  vai me ver né! Mas  eu tava ai dentro!
- Mon Dieu...
- A mamãe  disse que  é a última  foto comigo  dentro  da  barriguinha  dela. Quando é que  sua  barriga  vai  ficar grande, mamãe?
- Vai  demorar   alguns meses ainda, filha. – Responde  acomodando-se melhor sobre a cama.
- Vai ser muito bom acompanhar isso, hã? – comenta Claude apreciando outras  fotos.
- Eu posso tirar  uma  foto do meu celular da  sua barriga  “piquinininha”?
- Claro que pode, Alex.
- Eba! Eu  vou “buscá” ele não  vai sair  daqui tá? – E vai  correndo  para o seu quarto.
Quando volta, pede a Claude  que  beije a barriga de Rosa para  tirar  a foto. Depois é  sua  vez  de beijar e ser fotografada.
- Você já tá morando dentro do meu cor... Como é mesmo que  fala coração em francês, papai?
- Couer,  pequena. “Mon couer
- Ah é! – exclama voltando-se para Rosa – Alessia você já  mora  dentro do meu “monquér”, tá? Agora eu “vo i” lá mostrar   pra  Dadi! – E sai do quarto.
- Claude, está tudo bem? pergunta Rosa, pois ele  acariciava distraidamente uma foto.
- Ouí! – Murmura ele largando a foto,  aproximando-se  dela. – É que eu ainda não agradeci o suficiente a você, chèrie...
- Agradecer o que?
- Por não ter  desistido de Alex...
- Eu nunca  faria isso Claude!
- Sabe, a ideia de ser pai  estava tão distante de mim e agora eu tenho duas  filhas! – Afirma colocando  a mão sobre o ventre de Rosa puxando-a  suavemente à  sua  frente. - Sua barriga nem está proeminente ainda e eu já estou pensando em pegar Alessia nos  braços...
Rosa  sorri e passa  sua mão pelos cabelos dele.
- Se já pudesse pega-la, ela caberia na palma da sua mão...
- E isso  seria maravilhoso, hã? – Diz erguendo a cabeça até encontrar o olhar de Rosa.
- Maravilhoso    será quando sentirmos juntos ela se   mexer pela primeira vez, amor... – Murmura ela antes de  inclinar a cabeça e beija-lo.
-Gente, a Dadi disse que a minha  foto “fico trejoli”... Ih, tão se “beisendo dinovo”? – Reclama Alex antes de dar um sorriso e um  click no momento.




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Joana  voltou com o café no momento em que Beto guardava o celular  no bolso. Serviu a  todos e acompanhou a conversa.
- Feito. – Disse voltando-se para John, Liz e Rodrigo.
-  A lembrança  desse cheque chegou em boa  hora Beto. – comenta Rodrigo. – Uma pena  não termos provas  de  que era  pelas  fotos  de Claude... Eu iria esfrega-la  na cara  desse delegado!
-  Voilà! Ao menos serviu para Roberta morder  a isca e nos dar algumas informações.
-  E quais são? – pergunta Liz
- Ela realmente  tem ajuda  de alguém, o tal sócio, que já está  com tudo armado.
- E ela  aceitou sua participação? – quis  saber John.
- Ela não tem saída, John. Vai me ligar e dizer  sim.
- Irão colocar  a culpa  em você Beto. Acredite, eu sei  como esse  tipo de gente  pensa.  – afirma Rodrigo.
- Não se os impedirmos, d’accord? É para isso que estou me infiltrando.
- Bem, assim que  tiver acesso ao plano deles me comunique. Meu pessoal começou a  monitora-la, mas ela não saiu do hotel nas ultimas horas.
-  Com Alex em férias, fica mais difícil para  eles, não? – questiona John.
- Sim. Mas seja lá quem forem os aliados dela, não podemos subestima-los. -  afirma Rodrigo.
- Beto? Quer dizer mais alguma coisa?
- Sim! – diz olhando para  todos, enfiando a mão no bolso. – Eu quero que isso fique com vocês, John e Liz, no caso de algo sair errado... – e entregou o cheque  e um pendrive.
- Se algo acontecer comigo, ou com Alexandra, sigam as instruções contidas nele. É tudo que precisam saber.
- Ok. Eu vou guarda-los no cofre. – Afirmou John sem questionar.
- D’accord. Eu preciso ir, Cleide  está  me esperando. – Seu  café estava divino, Joana, obrigado!
- Eu acompanho  você nas  duas  coisas,  Beto. – diz Rodrigo – Joana, John e Liz, tenham uma excelente  noite.  
- Vocês também, meus  caros! E obrigado por tudo que estão fazendo por  nossos amigos.




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Louise saiu pelos fundos  da delegacia, após mais de cinco horas depondo sobre as acusações. Tentava escapar dos flashies e  das  perguntas dos  jornalistas  de plantão.
Apesar de acompanhada  do advogado, manteve-se  calada até chegar a mansão.
Não esperou que Elise abrisse a porta e assim que adentraram a sala tirou o casaco e jogou-o sobre o cabideiro.
- Aguarde a minha volta, eu preciso de um banho. Sirva-se  do que  quiser ou  chame por Elise.– foi  tudo que  disse antes  de sumir escada acima.
Morris colocou sua  pasta  sobre a mesa  de centro e acomodou-se no sofá, dando uma  rápida  espiada em seu relógio de pulso. Não estava a fim de beber e acabar a noite  na cama com Louise.
Instantes  depois, com o  celular a mão, acessou a internet  e buscou por notícias sobre  ela.  Ataques, críticas e pedidos de investigação.
Seu trabalho era  defender políticos, corruptos ou  não,  e convencer jurados e juízes de  suas inocências, e absolvê-los.
Mas no  caso de Louise, as coisas  pareciam mais complicadas, talvez  mais  pelos momento conturbado que o país  todo enfrentava que por suas falcatruas. Não que elas  não  fossem desprezíveis e maléficas. O caso era  que  sua  opinião não estava em jogo.  A  sua  conta  bancária  sim.
- Demorei muito?
- Não. – respondeu sabendo o que ia  encontrar  quando levantasse os olhos.
E não se enganou. Lá estava a inabalável Louise  Geraldy de sempre. A camisola elegante e  nada  discreta coberta pela transparência de um robe de tecido fino, que acentuava seus movimentos.
- O que vai acontecer  comigo, Morris?
- Provavelmente será indiciada formalmente por crimes de corrupção ativa, tráfico de influência e encobrimento da violação de sigilo profissional.
- Maldito Roger Avril! – Resmungou servindo-se  de  wiscky
- Voilà! Você não é a primeira política detida numa investigação criminal. A Procuradoria ainda não anunciou sua  decisão, portanto...
- Números, Morris, eu quero números! Quais as  minhas  chances  de escapar  dessa situação?
- Com todas essas denúncias, muito poucas, Louise. Talvez dez por cento...
- Você  precisa  descobrir o que corre pelos    bastidores da Procuradoria.  Prometa  favores, use  suas  cartas,  suas  amiguinhas, mas descubra que juiz  será  nomeado.
- Isso eu já  sei e será  outro  golpe para  você.  Valentine Monrenoir.
- Isso só pode  ser  um pesadelo! Como  podem  escolher alguém  que tem a obsessão política de destruir a pessoa que será  julgada?
- A    extrema-direita demagogicamente quer confusão.  Há anos  querem a sua  cabeça  e  ao indicar Valentine,  se interseccionam  com a população oprimida francesa.
- Eles querem confundir os setores da classe trabalhadora! A  população sempre se opõe à extrema-direita  repudiando a reforma trabalhista e a  mudança radical do regime.
- D’accord.  Tudo de acordo com os interesses das classes. Como se vê  nada  mudou desde aqueles  anos  atrás, hã?
- Quando irão anunciar o nome dela? – Pergunta levando o copo aos lábios.
- Assim que a  procuradoria anunciar a abertura  das investigações.
- Eles tem a intenção de humilhar-me publicamente... – Diz abaixando o copo -  Mas se eu  for, levarei  muita  gente  comigo! – Afirma levando o copo  novamente à  boca, engolindo a bebida num só gole.




PSV




Alexandra  caminhou  atenta e confiante pelo tapete azul, anunciando a  entrada de Erci e Freitas, enquanto Beto fazia as  fotos.  Colocou-se na posição indicada  por uma estrelinha e sorriu assim que encontrou  o olhar  do pais.
- Chèrie?  O que  foi? – perguntou Claude ao sentir a mão de Rosa apertar   a   sua, mais que o normal.
- Eu não sei... – sussurrou.
-   Vai  correr  tudo bem, acalme-se.
- Eu não  consigo. – murmurou sorrindo de  volta  para  Alex.  – Você  viu quem está  entre os  convidados? – e  mudou   seu olhar  para os  bancos à  sua  direita.
- Ele é  amigo de Freitas, chèrie. E fez  o mínimo, que  foi pedir  pardon a  você. Vamos esquecê-lo.
- Tem certeza  que  o  plano é  bom? – perguntou  incomodada.
- Ouí.  Rodrigo está a postos  com sua  equipe e  tem apoio do delegado seu amigo.
- É... Ele  foi muito atencioso em participar  disso estando de férias.
Rosa  tentou então se concentrar nas  palavras  do juíz. Mas  como? Se  o plano falhasse Alex... Não! Isso não   vai  acontecer, afirmou a  si mesma  em pensamento repassando o plano de  dias  atrás....
Estavam na galeria quando Beto apareceu com a noticia. Roberta o incluíra no plano. Qual era  o plano? Sequestrar Alex, salva-la  e ficar  com Claude.  Estava  tudo programado para   sequestrarem-na durante   um passeio da  família, mas  com a entrada  de Beto,  apressariam as  coisas.
A  função  de Beto seria  fotografa-la o mas  distante  de  todos e o mais  próximo da entrada  do evento do casamento. Os  capangas então a pegariam, mas  seriam detidos  pela  equipe  de segurança. Havia  seguranças entre os  convidados e no entorno do quarteirão. Todos  com comunicadores, além de  celulares, conectados  em um  grupo  de rede  social.
Olhou de novo para Alex e em seguida  correu os olhos pelos  convidados certificando-se  de que  os  seguranças realmente  estivessem ali...




PSV




Roberta apertou o que restava  do cigarro contra o cinzeiro e  voltou a andar  de um lado a outro. Aquilo tinha que  dar  certo! Claude a agradeceria  por  se arriscar  e salvar a bastardinha. Alex, Roberta. Corrija-se e acostume-se a chama-la assim.
Então, o convenceria que seria melhor  mãe que Rosa e os  três  ficariam juntos. Até convencer  Claude a colocar “Alex” em um colégio interno. Só precisaria aguenta-la  nas  férias  de verão, depois disso.
Mas e se não desse certo? Claro que  vai dar certo, Roberta, não seja negativa...
- Preciso me acalmar! – exclamou ligando a televisão e sentando-se  no  sofá.
Reconheceu o local que o canal exibia de imediato: Nice, ao sul da França.  Só percebeu que algo não estava  bem, quando a imagem foi novamente  exibida e explicada  pela repórter.
Turistas e franceses se reuniam à beira-mar na cidade litorânea de Nice, na França, para assistir a uma queima de fogos de artifício, quando ao fim do show de fogos um caminhão  invadiu a área em que estava o público.
O clima foi de pânico. Não se  sabia se era um acidente ou se o motorista atingia as pessoas deliberadamente. De acordo com um site francês, foram confirmados, 77 mortes e 47 feridos, 16 em estado grave. O motorista só parou ao ser morto a tiros por policiais.
O presidente francês, François Hollande, disse que o atentado tem caráter terrorista e que vai estender por três meses o estado de emergência no país e ampliar...”
- Mon Dieu... – sussurrou antes  de escutar  o toque  do celular.
Atendeu na  certeza que era  Milton e assustou-se  com a  voz feminina que escutou.
- Mademoiselle Vermont?
- Ouí...
- Je suis infirmière en chef de l'hôpital Concordia.
- Ce nombre est probante, comment pourrait?
- Son père. Il était l'une des victimes de l'attaque, nécessitant des soins spéciaux. Je sais que ce n'est pas en France, mais sa présence est fondamentale.
- Comment est-il?
- Dans le temps sous sédation. Il est tout que je peux dire.
- D’accord. Je vais dans le premier vol. Merci beaucoup.

Roberta olhou novamente para a imagem  congelada da TV antes  de ir para  seu quarto e jogar algumas   roupas dentro  da mala.
- Droga, isso não estava nos meus planos... Mas  não posso ficar! Droga, droga, droga!
- Calma  Roberta, você tem apenas  que adiar por uns  dias o sequestro, apenas  isso...
Desceu até  a portaria e avisou que  ficaria  fora  alguns  dias. De dentro  do táxi buscou um aplicativo e conseguiu uma passagem para dali a  duas  horas.
Respirou  fundo e enviou mensagem  para Milton e Beto.
“Abortar Operação Boneca  Francesa.  Meu pai gravemente  ferido em um atentado. Estou a caminho da França. Não  façam nada  sem minha presença. Entro em contato assim que  chegar lá.”



PSV



Beto parou de  fotografar por  um instante para  ler a mensagem. Roberta  voltando à França? – pensou preocupado. Imediatamente  repassou a mensagem para Claude e Rodrigo, que em seguida trocaram olhares.
Aproximou-se de Claude e batendo algumas  fotos  disse:
-  Não sei o que  está acontecendo, mas  foi isso que ela mandou.
- Vou confirmar  com Frazão. – respondeu Claude. – Chèrie, não saia com Alex desse  grupo, d’accord? -  aconselhou ele, referindo-se  à John, Liz,  Joana, Dadi, Silvia e Júlio, Nara e Sérgio e afastou-se.
Beto continuou com as  fotos, passando entre os  grupos que  agora  cumprimentavam o casal.  
Milton  conversava animadamente em  um desses grupo. Mãos  nos  bolsos, sorriso galanteador para a garota  a  sua  esquerda, a secretária da  noiva.  Quando viu Beto erguer a câmera, tirou o celular  do  bolso discretamente virou de costas, pedindo  desculpas a ela. Foi  só  então que  reparou na mensagem. Abriu-a e apertou os lábios ao lê-la.
Deu alguns passos a frente e  ligou para Roberta. Caixa postal.
Ignorando o horário no celular,  bateu os  olhos nos  ponteiro do seu relógio.  Pelo combinado, falavam três  minutos para Beto levar a garota para fora. Mas ele permanecia  fotografando os outros  convidados. É claro,  ele recebeu a mensagem  também e não  vai leva-la para  fora!
 - Mas que   merda, Roberta! – Murmurou  digitando o mais  rápido que conseguia.
- Algum problema? – perguntou  a secretária com quem ele conversava antes.
- Ah, não... Nada  que eu  não possa  resolver.  Um momento apenas, ok?
Afastou-se ainda mais para concluir  sua mensagem.
“Que  brincadeira é essa, Roberta? Mas que  droga, eu não quero esperar  mais “por ela”! Não aguento mais  ver a cara  de  felicidade do  seu amigo francês! Sabe quanto  custará abortar  tudo agora? Acha que eles trabalham de graça?”
Para  sua  surpresa, a mensagem  foi visualizada e respondida.
“Não posso  deixar  meu pai  morrer. Volto em alguns  dias. Pague o que pedirem e adie o evento. Decolando, tenho que  desligar  o  celular.”
Milton balançou a cabeça negativamente. Aquilo não estava acontecendo...Mandou uma mensagem para que os comparsas permanecessem ali e guardou o celular. 
Passou a mão pelo rosto e olhou para  frente.  Erci jogara o  buquê e sua secretária  estava  com ele nas mãos, olhando em  sua direção. Era  só o que  faltava! – pensou forçando um sorriso e sacudindo os ombros.



PSV



Rosa sentiu-se  aliviada depois  de saber da mensagem. Conseguia até  sorrir mais naturalmente, como agora, quando  agradeciam a Erci e Freitas pela  discrição e  comunicavam o  cancelamento do suposto sequestro.
Rodrigo repassara a mensagem e depois de um tempo de espera, o delegado Paulo e seus  colegas se  retiraram da campana. Apenas um carro da equipe  de Rodrigo permanecia a postos, nas  imediações.
Alexandra pedira o colo do pai há alguns instantes atrás e agora  dormia com a cabeça no ombro dele.
-  Graças a Deus que nada  aconteceu com a nossa menina! -  afirmou Erci estendendo o braço e ajeitando uma  mecha de cabelo de Alex,  que escapava do penteado. -  Ela está capotadinha, Claude!
- Não resistiu, hã?
- E eu sei que vai compreender por nos retirarmos antes  de acabar  sua recepção, Erci. – afirmou Rosa gentilmente.
E se olhar  foi atraído para  além de Erci.   Incomodou-se com o jeito como Milton a encarava. Seu coração pareceu apertar dentro do peito e acelerou em seguida.
Fechou rapidamente os olhos e respirou o mais  profundo que  conseguiu. Então a voz  de Erci a trouxe de  volta.
- É claro que sim, querida! Você  também precisa  descansar, depois de  todas  essas emoções. Gratidão eterna por  deixar  Alex ser  minha daminha, Rosa!
- Nós  é que estamos lisonjeados! Alex  adorou! – respondeu desviando  o olhar. Mas Milton não estava mais ali.
- Divirtam-se  em lua de mel, ok? Eu desejo que  sejam tão  felizes  quanto Claude e eu  somos!
- Obrigada, Rosa. É  tudo que queremos: ser felizes!
- Boa viagem, Freitas! Não  vá  perder a noiva, há?
Freitas deu uma  boa  risada antes  de responder:
- Mas não mesmo! Se quer  saber  vamos  sair à francesa, logo  atrás   de vocês...
Beto aproximou-se, tirou mais algumas  fotos  e encerrou seu  trabalho.




PSV




Milton puxou o cinto de segurança, o ajustou e travou, blasfemando. Estava com o celular  na mão, para  finalmente  dispensar os capangas  de Zequias, já  que Roberta não havia feito outro  contato. Selecionou o contato e foi então que  viu Claude e Rosa assarem em frente seu  carro, conversando animadamente. Acompanhou-os  com o olhar inflamado de  ira.
Viu Claude entrar na parte  de trás desajeitadamente e  colocar Alex na cadeirinha. Quando saiu,  riram de alguma coisa. Então Claude enlaçou Rosa pela  cintura e beijou-a  com paixão, antes  de  abrir a porta  para  que entrasse no carro.
E enquanto o carro percorria  o caminho até  a saída  do estacionamento, tomou uma decisão.
- Dane-se, Roberta! – Murmurou tocando na tela do celular.
- Mudança de planos. Sigam o carro dele e simulem um assalto. Levem o carro e a garotinha.  E não esqueçam das máscaras!

PSV

                                           Continua em 2017...