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domingo, 17 de julho de 2016

PSV/Capítulo 41

PSV



Rosa deu uma leve batida na porta e entrou a frente  de Claude. John e  Liz pararam a  conversa imediatamente e levantando do sofá em que estavam foram ao  encontro dos dois.
Rosa  notou o olhar  de Liz na mão que Claude  mantinha em sua  cintura. Deu um passo a frente e os abraçou.
- Liz, eu senti tanto não poder recepciona-los em sua  volta!
- Não se  culpe, querida! – Disse John – Janete nos  contou sobre  seu mal estar. – Claude! – Falou cumprimentando-o também, depois de Liz.
- É um prazer  tê-los de volta, hã? E quanto a Rosa, não foi apenas um mal estar, foi uma crise alérgica aguda, mas  ela  se nega a ir em um especialista.
- Oras, já estou melhor com os medicamentos  que Erci receitou, não estou?
- Erci a  pediatra de Alex? – Questiona Liz.
- Ouí, ela mesmo Liz.
- Rosa, quando vai deixar  de ser teimosa  em relação a sua  saúde?
- Mas eu já estou quase cem por cento de novo, ok? – E não segura algumas  tossidas.
E é salva pela entrada  de Janete com a água.
- Com licença, a água  que  pediu, Rosa.
- Obrigada, Jane... – Responde antes que ela  deixasse a sala.
Claude gentilmente serve um copo à Rosa. John e Liz recusam
- Bem, Liz... John, imagino que devem ter algo importante  a dizer a respeito da galeria, até porque  voltaram antes do previsto, hã?  Mas temos algo mais em comum e muito mais importante: Rosa e Alex. - Diz Claude segurando a mão de Rosa e entrelaçando seus  dedos aos dela -  E eu gostaria de lhes  contar uma história, mas antes sentem-se, d’àccord? Chèrie... – E espera que Rosa se acomode em umas  das  cadeiras.
- Claude, talvez  seja melhor eu me explicar...
- Não, Rosa. Quem deve explicações  sou eu.
- Se quer assim, está bem. Comece então.
- Merci.  Bien,   essa história  começa há cerca de seis anos  atrás. Era o último dia de minha agenda no workshop em uma Universidade da Holanda, em Amsterdã. Eu palestrava e mediava uma discussão com temas específicos entre os doutorandos do grupo e  Rosa era um deles...


  PSV





Trens são a forma mais conveniente de se chegar a qualquer cidade ou vilarejo na Europa. Todas as principais cidades possuem uma estação de trem. Algumas mais de duas estações, geralmente localizadas no centro das cidades.
Algumas estações ferroviárias de Paris são equipadas com guarda volumes, como a que fica no Terminal Dois  do aeroporto Charles de Gaulle, perto da estação do RER/TGV, no nível quatro em frente do Hotel Sheraton. Era nessa estação que estava Roberta.
- Essa é a vantagem das estações de trem:  ficam  dentro da cidade. – Falou a si mesma enquanto conferia as portas até encontrar a sua.
O ticket para o qual ela  olhava havia  sido deixado na recepção do hotel  poucos  minutos antes, exatamente  como o combinado.





- Ah! Aqui está  você 483! – Murmurou  tirando a chave do bolso.
Abriu o guarda  volumes e retirou uma  pequena mochila preta de lá. Correu alguns centímetros do zíper, o suficiente  para  certificar-se que havia dinheiro ali. Em seguida seguindo as instruções encostou a porta e virou a chave, deixando-a ali.
Voltou ao quarto do hotel e conferiu o valor.
- Perfeito! – Exclamou ao checar  a última nota e guardar tudo dentro de sua mala. –  E isso é  só o começo, Louise...
Horas depois seguia em um trem com destino à Espanha. Estações  ferroviárias  não vistoriam bagagens.



  PSV



- ...E só então esclarecemos tudo. – Concluiu Claude, sentando-se  ao lado de Rosa.
- Well - Liz  foi a primeira a se  pronunciar – Sua mãe parece  ser convincente no que  diz.
- Oh, sim ela é. - Disse Rosa.
- Sim, minha mã... Minha madrasta o é. Mas não  vou me isentar de tudo. Deixei que o orgulho tapasse meus  sentimentos. Eu devia tê-la procurado, Rosa. – Concluiu colocando sua mão  sobre a dela.
- Nesse  caso eu também  tenho  culpa! – Falou Rosa olhando-o -  Devia tê-lo esperado voltar, mas achei que  seria humilhação demais escutar  de você que não me  queria  mais...
- Louise armou muito bem, hã? – Consolou-a -  Soube  exatamente onde nos  ferir...
John que até então   calado  manifestou-se:
- Presumo que irão  continuar de onde pararam, estou certo?
- Ouí/Sim. – Disseram Claude e Rosa  ao mesmo tempo.
- E Alex, como ela  reagiu a isso tudo?
- Oh, muito bem, John! – Apressou-se Rosa a  dizer – Pode parecer absurdo o que  vou dizer, mas  acredito que inconscientemente ela  já  sabia que Claude era seu pai.
- Só podemos desejar que sejam felizes daqui para frente! – Exclamou Liz.
- Seremos Liz. – Disse Claude – Mas antes  preciso pedir desculpas, ou melhor, perdão a todos  vocês juntos...
- Claude não, não precisa... – Murmurou  Rosa.
- Preciso sim, Rosa. Para  ficar  em paz  comigo mesmo, para que saiba que meu amor é verdadeiro, preciso pedir que me perdoem.
- Já falamos  sobre isso e já nos perdoamos. – Disse docemente.
D’áccord. – E ficou em pé, dirigindo-se  a Liz e John - Mas sabendo o quanto vocês  dois  representam para Rosa e para minha  filha,  o quanto cuidaram delas, eu peço que me perdoem por ter pensado o que pensei.
- De nossa parte não  há o que perdoar, Claude. O que importa é que  vocês já se perdoaram. – Diz Liz.
- Sabe Claude – Fala John por  sua  vez -  Eu sempre  tive a impressão que  você se incomodava ao me ver perto de Rosa. Quando Liz desconfiou que  você fosse o pai de Alex, lembrando-se de seu nome na tese dela, eu compreendi tudo. Pensamos em voltar, mas chegamos a conclusão que nossa ausência  poderia reaproxima-los.
- Se isso não acontecesse, entraríamos em ação. Foi por isso que marquei o nosso café Claude. – Interferiu Liz.
- Então não era sobre a galeria...
- Não. – Confirmou John.  – Eu pedi a Liz que o chamasse, confiando em  sua  excelente educação. Você não  recusaria um convite partindo dela e a conversa é claro,  giraria em torno de vocês  dois, porque agora  tínhamos provas sobre  vocês.
- Provas?  - Pergunta Rosa.
- Yes, darling.   Estivemos de passagem pela Holanda, numa Feira de Arte e conhecemos um velho amigo de vocês dois: Erjan Van der Helstien. Muito criativo a ideia do painel  de fotos dos  visitantes  de  sua  loja hoje praticamente uma galeria de  arte.
- Erjan! – Exclamaram juntos Claude e Rosa.                                      
- Mas, como? – Perguntou Rosa.
-  Eu acho  - Começou Liz ficando  em pé, segurando na mão de Claude e Rosa -  Que  Cupido estava disposto a consertar  essa história e atirou flechas para  todos os lados, provocando o Destino.  Fez  você vir para o Brasil  - E apertou um pouco mais a mão de Claude - E   enviou John e eu até Amsterdã na esperança que uma delas  funcionasse.
Então Rosa tossiu e se afastou um pouco de todos.
- Eu acho que uma delas me atingiu e funcionou. Só que estava contaminada! – Conseguiu dizer Rosa controlando-se e fazendo  todos  rirem.



  PSV



- Humm Dadi! – Disse Nara abraçando-a – Eu estava  com tanta saudade de você!
- Também senti  sua  falta, menina! Agora acomode-se que vou servir o almoço.
- Servir? – Disse Nara em tom de dúvida – É  claro que não. Vai sentar-se  conosco, como faz  com o Claude, e nos  contar tudo que  sabe sobre ele e Rosa.
- Mas eu não sei de nada, querida.
- Pra  cima de  nós, Dadi? Você sempre  sabe das  coisas... – Observa Frazão.
-  Mas  dessa vez sei tanto quanto  vocês. Além do mais, se acertaram há  dois  dias  apenas. E você quando pretende  voltar  para  a França?
- Eu acho que não  vou voltar, Dadi. Não tenho... Estômago para suportar o que Louise fez e  continua  fazendo.
- Louise? Não a chama  mais  de   mãe?
- Não creio  que  ela  vá  se importar...
- Olha, eu não  sei  vocês  duas, mas eu  estou morrendo de fome! – Exclama Frazão -  Portanto, se quiserem continuar  só conversando, fiquem à  vontade, ouí?



PSV



Bernard colocou o  fone  no gancho com certa  violência. Isso era  o que  queria  fazer  a outra  pessoa.  “Marquei uma  coletiva para  domingo com toda a  imprensa. Não esqueça de  parecer feliz ao meu lado”.
- Mas que  droga, as  coisas  estão  saindo  fora   do meu  controle! – Resmungou. -  Tenho que  achar uma saída e evitar este casamento... Mas como? Se dissesse não, Louise o tiraria  da  corrida parlamentar sem ao menos  piscar um dos olhos. Não, não  tinha  muito tempo, a convenção para  escolha  dos  candidatos já estava marcada.
- Tenha  calma e seja  prudente, Bernard. É melhor levar essa ideia adiante  e garantir seu espaço. Enquanto isso, vamos  procurar a agulha  no palheiro de Louise. Provas. Você tem que  conseguir provas das falcatruas que ela já  fez dentro do partido, só assim poderá enfraquecer e derrota-la.
Sorriu, imaginando-se o novo líder  do partido.
- Ah, Louise, eu sinto muito. Você é uma  ótima parceira de cama  mas   vou jogar  com as   mesmas  cartas suas. Não devia ter ensinado tudo  que sabe, “mon amour”!



PSV


Rosa olhou  aflita para o painel do elevador e foi contando mentalmente enquanto  acompanhava os  números desaparecerem em ordem crescente. Não percebeu mas apertou  a mão de Claude com força.
- O que  foi Rosa, algum problema?
- Não gosto dessa  brincadeira. Não me agrada  a ideia de deixa-la sozinha dentro de um elevador.
- Chèrie, não passa de uma brincadeira  de criança mesmo, hã?  Uma aventura. Além do mais,  Frazão e Nara a embarcaram no térreo e nós aqui estamos para recebê-la.
- Eu sei mas é que... Chegou! – Exclamou vendo e elevador parar.
Claude abriu a porta e Alex literalmente pulou para  fora  dele.
- Eba! – Gritou correndo para a já  conhecida porta do apartamento – “Vamo”, eu tô morrendo de saudade  do padrinho e da madrinha!
- Está vendo,  ela  não desapareceu numa “máquina do tempo”! – Brincou Claude.
- Não teve graça, Claude! Você já assistiu...
Mas a porta  do segundo elevador  abriu e Frazão saiu procurando por  Alex:
- Ei, baixinha! – Disse localizando-a  no fim do corredor – Você prometeu esperar! -  Falou indo na direção dela. Alex ria e tentava alcançar a campainha.
Nara  apareceu em seguida e segurou no braço livre de Claude, enquanto Frazão erguia Alex ao alcance  da campainha.
Foi Dadi quem abriu a porta.
- Até que enfim chegaram já estávamos preocupados.
- Oi Dadi, cadê a minha madrinha? – Perguntou Alex entrando primeiro.
- Está  na sala de jantar.
- Legal eu  vou lá! – Disse a menina correndo naquela  direção.
- Vamos! Entrem, ou o  jantar  esfria!
- A culpa  foi minha Dadi. – Assume Claude  - Eu quis ir ao shopping  comprar uma cadeirinha  para Alex, mas  agora ela tem que usar o assento de elevação e instalar isso no carro não foi tarefa fácil. – Explicou-se ainda.
- Não mesmo, Dadi! Não fosse  a ajuda do especialista aqui, ainda estaríamos em casa!
- Eu nem vou mencionar  que o fato de  você ter sentado nele foi o que nos atrasou, ok?  - Falou Rosa bem humorada provocando a risada  de todos na roda.
Ajeitou sua mão no braço de Claude e seguiram Dadi.
- Vamos senhor especialista? – Argumentou Nara.
- Mulheres! - Exclamou Frazão sorrindo -  Não conseguem guardar um segredo! - Então ofereceu  o braço a Nara  e seguiu os amigos.
Liz e John apareceram com Alex e Rosa apresentou Frazão e Nara a todos de  maneira informal. Logo estavam dispostos  à mesa para o jantar que haviam combinado no  final da   sexta-feira.
O licor foi servido na sala de visitas e de repente estavam  todos  espalhados.
Claude pediu licença a Liz e Nara, com quem conversava e foi ao encontro de Frazão que conversava  com John. Conversaram alguns instantes até que o relógio de John  avisou-o do remédio de Liz .
Assim que  John se afastou, Claude  disse:
- Vai ficar só olhando, mon ami?
- Não sei do que está  falando, Claude. – Respondeu Frazão desviando o olhar  de Janete para o pequeno cálice de cristal em suas  mãos.
- Voilà! – Exclamou Claude  com  um sorriso  discreto - Ela  é  inteligente, competente, bonita e solteira, hã?
 - Mas está acompanhada.
- Sérgio e Janete são apenas  amigos. E nossos  grandes  parceiros na galeria.
Nara aproximou-se  dos  dois a tempo de ouvir o último comentário de Claude. E sorriu.
Do outro lado da sala Sérgio acompanhava o movimento de Nara, ao lado de Janete.
- Sérgio quer parar  de olhar  assim para a irmã do Claude? Ele pode não  gostar!  - Observou Janete.
- Contanto que ela goste...
- Olha aí, não disse? Agora ele está olhando para  mim!
- Não, Janete, não é o Claude quem está olhando para  você é o amigo dele. E eu diria que ele a olha como um felino olharia para sua presa...



PSV



Rosa abriu a porta e Claude entrou com Alex nos braços e seguiu Rosa até o quarto da  filha.
- Vem com a mamãe,  querida!
- Hummm... Eu quero a minha  caminha, mamãe...
- Eu sei, mas antes  tem que ir ao banheiro e escovar os dentes.
- Mas eu tô muito cansadinha...- Resmunga sem levantar a cabeça  do ombro do pai.
- Pois eu acho que  você deve fazer um esforço e obedecer  sua mãe, como um bom filhote  de canguru faria, hã?
- A mamãe  canguru faz ele “escova” o dente  também? – Perguntou ela  levantando a cabeça;
- D’àccord. Porque assim ele vai ter  dentes   bonitos  e saudáveis.
- Então eu  vou “tamém”, me põe no chão papai!
Rosa sorriu e moveu os lábios  num “obrigada” para Claude e  meia hora depois estava  procurando por ele pela  casa. Encontrou-o na cozinha.
- Ela realmente fez um esforço e tanto. Quase  dormiu escovando os dentes! Obrigada!
- Não tem que agradecer. Foi gratificante fazer parte do processo... Chá ou café? A água  está no ponto.
- Chá. – Respondeu abrindo a porta  do armário e tirando a caixa de chá de dentro dele.
- Continua só tomando mate... – Observou Claude colocando duas  xícaras  sobre a mesa.
- É o  meu preferido, apenas isso.  – Respondeu Rosa colocando  uma sachê em cada  xícara. – Açúcar?
- Não. Alguém com toda razão   ensinou-me que o açúcar mascara  o sabor das  bebidas.  – Comentou colocando a água  quente  nas  xícaras.
Sentaram quase ao mesmo tempo e apreciaram o chá em silêncio. Claude  terminou primeiro.
- Bem,  é melhor  eu ir embora e deixar  você descansar. – Falou levantando-se.
- Mas já é tão tarde! – Exclamou Rosa – Por que não passa a noite aqui? – Falou tomando seu último gole de chá, ficando em pé, frente a ele.
- Por que se eu ficar não  vou querer  dormir  no seu  sofá. – Afirmou colocando uma  mecha teimosa de cabelo dela para atrás.
- Pode dormir na minha cama,  coubemos lá não  foi?
 - Rosa, depois de tudo que  conversamos e desses dias  todos... Se eu ficar vou fazer amor  contigo e não podemos, hã?
- Não podemos...? Por que não, eu  não estou mais  tossindo ou espirrando... – Argumentou Rosa abraçando-o pela  cintura. E descansou  sua  cabeça no ombro dele, como Alex havia feito.
Claude sorriu e também a prendeu pela cintura antes de responder.
- Porque combinamos que isso nunca aconteceria na  sua  casa.
- Ah, que acordo mais... Inconveniente e desnecessário não acha? -  Falou Rosa erguendo a cabeça e  ficando a milímetros dos  lábios dele.
- Se eu concordar em ficar vai pensar que sou fácil demais? – Brincou Claude  roçando seus  lábios  aos dela.
- Não! – Murmurou de volta -   E se me der  cinco minutos eu posso desfazer esse mal entendido... – Completou afastando-se rapidamente para o quarto. 
Três minutos  depois Rosa saia do banheiro  apenas  com a lingerie e o colar  de pérolas, que  havia se dado de  presente  há  dois anos. Procurava pela caixinha de joias e  por  sua  camisola.
Mas encontrou Claude. Ele havia  tirado o blazer e desabotoava a camisa.
- Está adiantado, eu ainda  tinha  dois minutos. – Argumentou enquanto ele continuava a se  despir.
-  Que  sorte  a minha. – Respondeu ele  admirando-a antes de abraça-la  e dar  alguns passos fazendo-os cair  sobre a  cama.








- Adorei a combinação lingerie e  perolas... – Disse ele roçando sua barba sobre o colo dela, subindo devagar até os lábios. – Promete nunca mais    fugir de mim? – Pediu perguntando, os olhos  fixos  nos  dela.
- Sim...  - Sussurrou Rosa passando o colar sobre  ele prendendo-o a si. - Nunca mais eu prometo!







E deslizou suas mãos, escorregando-as  lentamente pelas  costas dele. Claude flexionou os braços diminuindo a distância entre os dois.  Beijaram-se suavemente, sem pressa; na lentidão de quem deseja viver o romance e não  a paixão. 
- Como é possível  sentir meu coração bater mais rápido e mais lento ao mesmo tempo quando estou com você? – Perguntou Rosa.
- Eu faço isso contigo é? – Murmurou ele arrastando os lábios até chegar  sobre o coração dela.
- Humhum... Percebeu?
- D’àccord...  – Diz tirando o colar que os prendia. - Sabe por que seu coração fica  assim?  - Disse Claude baixinho
- Porque quando chegamos na cama nosso sexo é bom?
- Nosso sexo não começa na cama, chérie.  Ela não resolve nada.
- Ah, não?
- Não. Ele é bom porque começa antes da cama, quando  tomamos um chá por exemplo.
- Quando nosso corpo deseja a mesma  coisa...
- Não só  o corpo.  A mente e o coração tem que  estar na mesma  sincronia,  senão a intimidade não existe...
Então Claude parou de falar e segurou o colar entre os dentes, arrastando-o  vagarosamente sobre o vale que se formava entre os seios dela, descendo até alcançar o abdômen. Demorou-se ali  por alguns  segundos, e deslizou o corpo para  baixo. As mãos iam a frente e contornaram o quadril,  avançando sobre as  cochas, apertando-as numa massagem sensual.
Seu queixo, resvalou no elástico da lingerie,   fazendo com que algumas  perolas por ali se enroscassem e o colar escapou-lhe. Um sorriso maroto marcou a linha  dos seus lábios antes que ele fizesse o caminho inverso, calculando a força exata e necessária para provoca-la ao passar de volta pela parte  triangular do tecido que a cobria ali.
Rosa tentou segurar a onda avassaladora que fazia seu corpo estremecer de prazer. Fechou os dedos apertando um pedaço do lençol entre eles. A respiração descontrolada fazia seu  abdômen subir e descer rápido demais, a ponto de perder o fôlego e mesmo parecendo loucura, isso fazia  todo sentido. A felicidade era  feita  desses  momentos.
Mordeu o lábio inferior tentando inutilmente  segurar um gemido ao sentir a boca de Claude beirar  sua intimidade antes de resgatar as esferas e puxar o colar de volta e para cima.
Claude girou o  corpo levando-a consigo e foi a vez dele prendê-la  com o colar e escorregar as mãos pelas  costas dela, até encontrar e abrir o fecho da lingerie puxando-a suavemente para  fora  do corpo de Rosa.
O movimento que Rosa  fez  para colaborar permitiu que o colar também escapasse e aterrissasse graciosamente sobre os lábios dele.
Segura de si, Rosa  o imitou e com as perolas entre os dentes   puxou-a para cima libertando também a cabeça de Claude. Na  volta, roçou seu  rosto contra o dele até que  sua  boca estivesse  à  altura dos lábios dele.
- Seu coração está  igual ao meu agora... E você tem razão nosso sexo não é  só sexo. É amor.
- Sempre foi. – Afirmou Claude – Mesmo quando eu te obriguei a...
- Chhhhhhhhi... – Fez Rosa colocando o indicador sobre os lábios dele – Rápido ou lento, é amor e é o que importa, d’àccord? -  Disse libertando-lhe os lábios, contornando-os  com a língua. 
E depois os  beijou, antes de descer pelo queixo até o peito. Percebeu o coração dele tão alterado quanto o seu e foi pressionando os lábios entre os pelos  ásperos, arrastando seu  corpo sobre o dele, cada  vez mais  para   baixo.
Então sentiu os braços de Claude em sua cintura e de repente  eram os lábios dele sobre o seu peito, mergulhando em cada um dos  seus seios enquanto seus sexos se encaixavam.
Não demorou muito para que  ficassem completamente  nus e se completassem em meio  as carícias que  trocavam. Quando finamente explodiram de prazer suas pernas e braços se enroscaram num balé esquisito, feito apenas para amantes que se amam.
Seus olhos se encontraram no infinito deleite daquele  gozo indescritível.
- Sabia que a nossa pupila dilata quando olhamos para quem amamos? - Sussurrou Rosa.
- Igual a sua  está  agora? – Retrucou Claude sorrindo e deixando-a.
Seu corpo recaiu lateralmente sobre a cama e  de imediato usou seus  braços  para trazê-la junto a si. Sentiu as  costas de Rosa colidirem suavemente contra seu peito e uma  de suas  pernas  se intrometeu entre as delas enquanto puxava  o lençol sobre eles.
- Eu espero que sim, que ela  esteja  do  tamanho  nosso amor. – Falou Rosa erguendo a cabeça  ligeiramente  para  trás.   
- Eu acho que não existe nada maior que  o nosso amor, chérie. -
Argumentou beijando-a de leve sobre a nuca
- Acho que a  coisa mais importante que existe é encontrar  o amor. – Afirmou Rosa ajeitando o rosto no travesseiro antes de continuar. - Encontrar  o verdadeiro amor, com a pessoa certa,  e passar o resto  da vida com ela...
 - Voilà, está enganada, hã? – Argumentou Claude acariciando-a  no braço com a ponta  dos  dedos. -   Não somos  nós que encontramos o amor, é ele  que nos encontra.
- Então que  bom que ele nos encontrou de novo...
- Pra nunca  mais nos perdermos, mon amour... – Murmurou pousando sua  cabeça no mesmo travesseiro que ela.
E correu seus  dedos pelos  dois  braços dela, segurando-os gentilmente, mas  de maneira  firme.
Rosa era seu amor. Rosa e Alex.  E nunca mais nada nem ninguém os  separaria outra vez, pensou antes que seu sono acompanhasse o de Rosa.






PSV

                                              Continua 

1 comentários:

Débora disse...

Quero maiss.... Pode postar! Em diaaaa...kkk

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