Pages

domingo, 16 de outubro de 2016

PSV/Capítulo 46

PSV





Beto interrompeu a sua  refeição e  a  contra  gosto atendeu a ligação de Roberta. Ao encerrar a chamada,  sorriu. Em seguida ligou para Claude.
- Ouí, você entendeu perfeitamente. Ela já tem alguém, mas aceitou a minha ajuda. (...) Não,    ele prefere   manter-se anônimo. (...) Ao contrário Claude, isso nos  dá uma pista. Na verdade  duas (...) Porque Roberta  disse ter  “um sócio”, portanto é  um homem. E ela deixou escapar que ele não  gosta  de  você. (...) D’accord, se não se lembrar eu  vou descobrir  quem é tenha  certeza.  (...) Boa noite, Claude.
Beto ainda ficou a mesa   por  alguns momentos, parecendo indeciso. Então deixou a cozinha e  foi até o quarto do flat,  abrindo a gaveta do criado mudo.  Pegou um estojo e o  abriu.   Segurou um pen drive  entre os  dedos, pensativo.
- Você não  vai  fazer mau a essa  garotinha, Roberta. Eu vou dar um jeito de mandar você  de  volta  à Europa – Resmungou guardando-o, antes  de relaxar o corpo com um banho e  dormir.



PSV



Claude abriu os olhos e levou alguns instantes para localizar  seu  celular  pelo  som. Sobre a cômoda!
Levantou da  cama e  o alcançou. Alex ligando.
- Mon Dieu, nem sete horas da manhã  de um domingo... – resmungou pensando que Rosa  estava certa ao  critica-lo por   ter dado  o celular  à  filha.
- Bonjour  papai! – escutou ao atender a ligação.
- Bonjour pequena! Cedo demais para  estar  com o celular, hã? – Falou baixinho para  não acordar  Rosa.
- É que eu queria “entrá”  aí eu bati  na porta e  ninguém respondeu aí eu liguei pra  você. Posso “entra”?
- Ouí, filha, o papai já  está  abrindo a por... Mon Dieu Alex! – exclamou ele vendo-a cair sentada, pois Alex  estava encostada  a porta quando Claude a abriu.
Pensou que ela  fosse  chorar, mas  tudo que escutou   foi um: “Ai meu bumbum” antes  de uma  gargalhada infantil.
Claude  também acabou  rindo da  reação de Alex.
 - O que foi que aconteceu? – Perguntou Rosa acordando com as  risadas.
E logo estavam os  três  na cama, fazendo muita  bagunça e planos para o domingo.



PSV



Roberta  procurou outro  maço  de cigarros desesperadamente até se  convencer que  tinham acabado.
Precisava sair e  comprar. Não suportaria passar a  noite  sem  fumar.  Abriu a gaveta e pegou lá  do fundo  um embrulho coberto  por  uma toalha. Tirou alguns reais de lá e  sorriu. Sentia-se mais  tranquila agora que  trocara  seus  euros por  reais.  Voilà, não  fora  da  forma mais  correta, mas quem se  importava  com isso agora?
Tivera  muita  sorte em conhecer Milton.  Ele não tinha escrúpulos. Tinha um caixa  dois e um caixa três abastecidos por  negociações intermediadas  por  sua  galeria. Era perfeito. 
Realmente  investir em Arte tem  suas  vantagens, pensou saindo para a rua.
Mas o que mais a agradava em Milton era  o fato  de que ele queria  Rosa.  E ela  ficaria  tão agradecida quando ele libertasse a pirralha bastarda que não  hesitaria em ficar  com ele.
Então  Claude  precisaria  de consolo por  ser  trocado. E quem melhor que ela para consola-lo?
Andou ainda  várias  quadras até encontrar uma padaria aberta e seu  cigarro. Ao voltar, Milton a esperava na  porta  do hotel


 

PSV



Rosa despediu-se dos amigos e  votando a cozinha agradeceu  mais uma vez a Dadi pela ajuda  no jantar.  Desejou-lhe uma  boa noite e  foi juntar-se  a Claude e Alex, no quarto da  filha.
- Tem lugar  pra mim aqui? – perguntou entrando.
- Aham,  vem aqui desse ladinho ó! – pediu Alex mostrando o espaço ao seu lado.- O papai vai  “conta” a “historinha” agora.
- Agora?  Você  já  devia  estar dormindo. – afirmou  Rosa deitando-se, deixando Alex entre Claude e ela.
- Alex  quer  pedir algo para nós, chèrie. -   disse Claude.
- E o que é?
- Ela ainda  não pediu, disse que  queria falar só quando estivéssemos juntos.
- Bem, se  quer  pedir  para  levar   o celular  na escola a resposta é não...
- Não, não é isso!
-  O que  quer    pedir então?
- Você promete que não  vai  ficar  brava?
- Está bem, prometo.  – disse  olhando para Claude que  deu  de ombros - Mas por que  só eu  tenho que  prometer?
- Não,  o papai também tem que prometer. Você promete papai?
- Ouí, eu prometo  não  ficar  bravo. O que  foi?
- A gente  faz aniversário no mesmo  dia né? – falou Alex olhando sério  para o pai -  Ai, eu “tava” pensando se vocês não “podia casá” na hora da minha  festinha... Ia “se” muito legal! 
- Oh, me  casar  com a mãe  da princesa no  dia  do seu aniversário...  – fala Claude – Eu acho uma excelente  ideia! E  você, chèrie?
- Eu... Eu... Por que  pensou que  ficaria  brava com  você, Alex?
- Porque você  já  disse que isso é assunto de  adultos...
- E é! Mas eu adorei  a ideia! – diz Rosa  abraçando a filha.



PSV



Louise escutou atentamente tudo que o homem sentado  a  sua  frente   lhe disse. E quando ele silenciou, ela o olhou  fixamente e esboçou um sorriso cínico.
Roger Avril era o  dono de um dos mais importantes  jornais da França. E  fora um dos  melhores amigos de François. E um de seus primeiros amantes.
-  Você acha que pode vir até meu gabinete sem hora  marcada,  e oferecer a  mim a oportunidade de evitar que  seu  jornal publique esses inverdades,   contanto que eu lhe  pague por  isso? Com que tipo de politico pensa que está lidando?
- Com o tipo mais  comum, o corrupto. – respondeu Roger. – No seu  caso, corrupta.  E essa  quantia é apenas  para  cobrir as  vendas eu  deixarei de fazer.
- Eu não admito que  fale assim comigo! – exclama  Louise, deixado o cinismo de lado.
- Ora vamos! – exclamou Roger de maneira sarcástica -  Você sempre admitiu escutar coisas mais duvidosas e sacanas na  cama. Mate a minha curiosidade: François satisfazia esse seu fetiche também?
– Você é nojento!
- Não era essa  sua  opinião quando deixava François naquele  leito de hospital para  se  divertir comigo.
- Naquela época eu não  pensava em qualidade.
- Nem eu, querida. E já que não quer um acordo, au revoir. Lide com as  consequências do que  vai  ser divulgado.
- Suas  especulações não irão  dar em nada! Se François  fosse vivo teria  vergonha  de ter você  como amigo.
- Se François  fosse  vivo teria  vergonha  de você, Louise. Do  poço de egoísmo e ganância que  se tornou. E da natureza sexual de suas amizades.
- Que  sorte a nossa que ele morreu, não é mesmo? Vai sair ou terei que chamar os seguranças?


- É claro que  vou sair. É melhor  poupar seus seguranças para o futuro.  Vai precisar deles, querida. Só não sei se ainda irão querer  defende-la.  – afirmou Roger caminhando em direção a porta.
E antes de  sair  voltou-se para Louise:
-  Você não  vale nada. Nunca  valeu!
Assim que  Roger  saiu Louise pegou seu  celular  e fez uma ligação.
- Mas que m... – resmungou quando escutou a mensagem  de caixa  postal. – Quero você imediatamente em meu gabinete Olivier!




PSV



Claude agradeceu e encerrou a ligação com Freitas. Seu  visto acabara  de ser liberado e receberia um e-mail na manhã  seguinte. Levantou-se e saiu da sala de reuniões dirigindo-se à  copa,  onde  todos já estavam após a reunião  quinzenal.
Com exceção às intenções  de Roberta, tudo fluía muito  bem. A exposição italiana estava em seus  últimos dias e breve seguiria para outra  capital brasileira. O alvará de  reforma já estava em mãos e ficaria  sob os  cuidados  de John. Algumas  peças  já  haviam sido leiloadas virtualmente e o valor  arrecadado seria totalmente investido nessa  reforma que deveria acontecer em no máximo seis meses, para que pudessem cumprir as próximas agendas de exposições e vernissages, incluindo a de Sergio.
Quando alcançou a porta da  copa, escutou as últimas  palavras  de Rosa e o riso alegre de todos:
-...E então ela pediu para que nos  casássemos no dia  do seu aniversário.
- Que é no mesmo dia  do meu, hã? – Disse entrando e abraçando Rosa pela cintura. – Quer se casar  comigo nesse dia chèrie?
- É claro que sim! – exclamou Rosa.
- Que bom, porque  eu já pedi ao Freitas que dê entrada dos papéis no cartório.
- Isso merece uma  comemoração! – diz Liz sorridente.
- Eu acho que ainda temos duas  garrafas de champanhe que  sobraram da abertura  da exposição! – fala Janete abrindo a porta  do freezer. – Eu não disse?


PSV



- Se você  recusou a oferta dele   como pensa que  posso ajuda-la? – pergunta Olivier mexendo-se na cadeira, incomodado.
- Eu pago você para resolver essas questões. E é isso que exijo que  faça.
- Eu não posso fazer  o impossível, Louise!
- Ele deve ter algum segredo guardado, algum casinho extraconjugal com  que  você  possa chantageá-lo. Descubra e aja, Olivier!
- Roger já  foi acusado de lavagem de dinheiro a tráfico, foi manchete nacional e até internacional. Já o associaram à máfia italiana, às  causas  rebeldes da américa  do sul,  e até mesmo a colaborar com o terrorismo. Acha mesmo que ele se importaria com uma ameaça sobre um caso extraconjugal?



- Pois então vá até ele e diga que voltei atrás. Que em troca  da não publicação lhe darei uma entrevista  exclusiva e algumas  informações  “confidenciais”.
- Por que você mesma  não vai? – pergunta Olivier um tanto irritado.
- Porque você  é meu secretário e...

- Sou bem pago para isso, já  sei.  Farei o que ordena, mas não espere por milagres. – respondeu  Olivier levantando-se e saindo.
Ao entrar  no carro bateu a porta  com força, como se isso fizesse toda raiva que sentia sair. Momentos  depois estacionava o carro em frente ao escritório central das empresas de Roger Avril.



PSV



- Então já estão prontas?–  perguntou Claude entrando no quarto de Alexandra. -  Mon Dieu, vocês estão lindas, hã?
- Obrigada querido! – agradeceu  Rosa. – Alex?
- Obrigada papai! – agradeceu também Alex,  entendo a mãe -  Foi a madrinha que  deu esse vestidinho de presente pra  mim! – exclamou rodopiando. – A gente  já  vai?
- D’àccord. – afirmou Claude. – Temos que ir, ou chegaremos atrasados ao casamento.
- Precisamos de mais cinco minutos, hum? – falou Rosa – Mocinhas  precisam ir ao banheiro antes  de sair.
- Voilà, vou espera-las na sala.
Dez minutos depois, quando apareceram  na sala, Claude andava de um lado  para outro.
- Chèrie, você disse  cinco minutos e já se  passaram dez!
- Cinco para cada  mocinha, hum? E acalme-se, querido! Vai ser muito engraçado chegarmos atrasados o nosso próprio casamento!
- Sorte nossa que é  feriado, não teremos  trânsito. -  afirmou Claude abrindo a  porta,   deixando que as duas passassem primeiro.
- Quando é que eu vou ver  o meu presente, papai? – perguntou Alex pelo caminho.
- Assim que  chegarmos a  galeria, pequena.

Alex  atravessou apressadamente o interior da  galeria para alcançar o jardim. E parou de repente, levando as mãos à  boca  antes  de  descer pela pequena  rampa ao pulos e  abraçar o  seu presente..




PSV



Roger o cumprimentou e  sem rodeios foi direto ao assunto.
- Eu já o esperava, Olivier. – afirmou Roger contornando a mesa e voltando a sentar. - Só  não entendo porque sendo uma pessoa incrivelmente  capaz ainda  se  submete a ela. – questionou encarando Olivier.
- Acredite,  eu também não. – respondeu Olivier - Talvez tenha me acomodado com os poucos  privilégios que  conquistei.  Concluiu abaixando os olhos.
- Sempre é tempo de mudar, meu caro.  Sente-se.  – replicou Roger em tom de conselho, indicando-lhe a cadeira.  -  Qual é a oferta de Louise dessa vez?
- A mesma de tantas  outras. Em troca  da sua não publicação lhe dará uma entrevista  exclusiva e  informações  confidenciais.
- Diga a Louise que revelar o nome  da amante de um político deixou de ser informação confidencial e já não garante a venda expressiva de jornais impressos.
- Em outras palavras, você não quer um acordo...
- Cansei de Louise e desse jogo de regras unilaterais. Infelizmente para ela, o prazo  para  acordos expirou. Vou publicar o material que  recebi e com certeza haverá investigações. Oriente Louise a contratar um bom advogado.  Ela vai precisar.
- Isso vai acabar  com uma amizade  de longo tempo. – argumentou Olivier.
- Louise não tem amigos ou amizades, Olivier. Você mais do que ninguém já  devia ter entendido “isso”. Aliás, você deve ter  “presenciado”  muitas das falcatruas dela.  Presumo que tenha digamos um back up  de segurança, não é? E me refiro a sua  segurança, d’àccord?
Olivier permaneceu  em silêncio, lembrando-se de todos as  cópias de  documentos que matinha em um cofre no banco.
- Seu silêncio é significativo, Olivier  Estarei declarando guerra a Louise assim que publicar as  denúncias. Se quiser juntar-se a mim, será muito bem vindo.  Se me permite eu tenho outros assuntos a tratar...
- É claro. – respondeu Olivier levantando-se. – Boa tarde e  obrigado por me receber mais uma  vez sem hora marcada.
- Eu aprecio sua pessoa Olivier. Pense sobre minha oferta e me procure novamente. – adiantou-se  Roger, acompanhando Olivier até a porta. – Boa  tarde.
- Eu vou pensar seriamente em sua proposta. – afirmou Olivier retirando-se.
Roger o observou até que saísse. Então voltou-se para sua secretária:
- Eu não estou para  mais ninguém, Michelle.
Trancou-se em sua  sala e tirou da  gaveta um celular de número estritamente  reservado. Selecionou o contato  e enviou uma mensagem: “Peão adversário captura  peão”.
Esperou a mensagem ser visualizada e recebeu apenas duas palavras em resposta: “En passant”.
Esboçou um sorriso satisfeito. Olivier voltaria. Estava certo  disso.
Três horas  mais tarde, depois de ouvir inúmeras vezes o quanto era incompetente, incapaz, ineficiente e péssimo articulador, Olivier deixou a sede  do partido discretamente.
Bernard e Michel estão certos. Roger também, pensou saindo do estacionamento para a movimentada Rue Bonaparte.
Um líder político, considerou  consigo mesmo ao bater os olhos  sobre a placa que a indicava.
Ele era um verdadeiro líder  Louise. Diferente de você que gosta de manipular  pessoas e fazê-las  peças  do seu jogo particular.
Com suas  regras, determinando o movimento e o equipamento a ser usado, controlando o tempo e a conduta dos “seus jogadores”.
Registrando cada lance como numa notação de xadrez! Se dando o poder  de aplicar penalidades se algo lhe parecer bom.
- Você pensa que a vida é uma partida de xadrez, não é Louise? Pois  o jogo vai virar. Seu tempo de rainha está chegando ao fim, querida. E adivinha só quem vai  dar o cheque-mate?
Na manhã seguinte, Olivier era recebido novamente  sem hora  marcada por  Roger Avril.



PSV






Foi uma  cerimônia rápida. Cerca  de quinze minutos   entre a travessia de Rosa e Claude, sob a melodia de um violino, até um canto no jardim da galeria reservado e decorado para a cerimônia  do casamento.    
Alexandra olhava ora para os pais, ora para a juíza  que celebrava a cerimônia  e fazia um breve  discurso sobre o valor  do casamento.
- O casamento civil,   é mais que  um ato solene submetido à formalidades  e imposições da lei. Vocês possuem  sua individualidade e uma história, como  indivíduos e como casal.  Este será mais um dos importantes instantes da vida de vocês dois. Ou melhor, de vocês três – acrescentou olhando e sorrindo para Alex. -  Então, busquem superar  expectativas e a transformem em realidades.     Acreditem,  o segredo está na sabedoria e na compreensão, na combinação equilibrada dos dois em um, na reciprocidade  do contato físico, mental,  emocional e sentimental. Em ver e enxergar a  felicidade a cada instante, em cada momento de  conquistas. E ver e enxergar ainda mais profundamente com compreensão e carinho quando algo falhar ou deixar de acontecer. 
A juíza fez uma rápida pausa observando o efeito de  suas  palavras antes de continuar.
 - Claude Antoine  Geraldy é de sua livre e espontânea vontade receber Serafina Rosa por sua esposa?
- Sim.
- Serafina Rosa Petroni, é de sua livre e espontânea vontade   receber Claude Antoine por seu esposo?
- Sim.
A juíza fez um sinal combinado com Alexandra, chamando-a para que entregasse as alianças. Ela  permaneceu entre os dois, até  depois  da  troca, quando a juíza concluiu a cerimônia.
- Tendo os nubentes   afirmado perante mim a intenção de se receberem por marido e mulher,  eu,  estando de acordo com a vontade de ambos, em nome da lei os declaro casados.
Em seguida, indicou  livro de registros onde ambos  assinaram antes dos  padrinhos, ou testemunhas: Frazão e Janete, Liz e John.  
- Podem  se beijar. – Disse finalmente.
Mas aconteceu  o que  ninguém esperava.  Claude e Rosa sorriram um para o outro, como    num código. Então Claude abaixou-se e pegou Alex em seus  braços,  a ergueu entre os  dois e juntos a beijaram, um de cada lado.
Foram dez minutos de  cumprimentos e desejos  de felicidade ao casal antes que passassem à  comemoração do aniversário de Alexandra.
Por  sua  escolha,  enfeites de cangurus e personagens de Frozen. No bolo haviam várias velinhas, as  suas e as de Claude, ideia dela.
Antes  de apagarem as velinhas,  Claude a lembrou  de fazer um pedido, desejar  algo. Alex  fechou os olhos  com força por um instante.
- Pronto, já pedi, a gente  já pode   “soprá”, papai! – exclamou sorrindo ao abri-los.
Então  sopraram juntos, e claro a “ajuda” de Claude fez  com que  todas as velinhas fossem apagadas.
Já anoitecia quando os últimos  convidados deixaram a festa.  E já era noite quando Claude e Rosa subiram  de elevador com os  presentes de Alex.
Já estavam deitados, prontos  para  dormir quando Rosa percebeu que algo  atormentava  Claude. Acendeu o abajur  do  seu lado e virou-se de frente para ele.
- Amor? O que  foi,  ainda aquele pensamento?
- Ouí.  – confirmou  ele puxando-a sobre  seu  braço - É injusto contigo não leva-la  numa viagem de lua de  mel.
 - Você já me levou em lua de mel a Paris, depois que  nos  casamos em Amsterdã, esqueceu? – argumentou ela  sorrindo e jogando suas  pernas sobre as dele.
- Eu nunca  vou esquecer de Amsterdã, hã? Foi onde encontrei o amor  da minha  vida.
- E eu nunca  vou esquecer Paris. Foi onde brotou a  coisa mais importante do nosso amor!
- Eu acho que  preciso dizer mais  vezes  que amo  você, pta merecer o seu amor.
- Humm... Por que não começa agora mesmo?
- Amo você! – sussurrou ele acariciando-a. – Amo você, amo você...
Rosa  retribuiu o carinho pelo peito desnudo do marido.
- Devia colocar a camisa  do seu pijama,  a noite está esfriando  pode se resfriar...
- Não, isso não  vai acontecer. Não está vendo, mas estou vestido e aquecido...  Sabe com o quê?
- Não...  – resmungou Rosa entre os carinhos  que  recebia. – O que?
- Com o sorriso que  você me deu... -  explicou-se Claude antes de deslizar seus lábios até os dela e se perderem  de amor.





PSV


- Quantas vezes vai olhar  essas  fotos? – perguntou Roberta a Milton, parecendo  irritada.
- Esse seu amigo fotógrafo é  bom mesmo. – afirmou ele como se não tivesse ouvido a pergunta. – Rosa ficou muito bem em todas as  fotos!
- Com certeza ele usou algum programa para maquia-las. – comentou Roberta  com  desdém.
- Você  deve entender disso não é? -  disse ele provocando-a com um indiscreto sorriso sarcástico nos lábios.
- Você é um idiota! Quantas  horas vai ficar aí olhando para as imagens  desse casamento sem glamour  e essa  festinha ridícula de aniversário?
- O seu desdém  é por inveja ou por falta de maturidade? – questiona ele.
- Não seja estúpido! Não há razão para que eu tenha inveja dessa...
- É claro que há. É o que temos em comum: você a odeia porque o francês a ama; e eu odeio o francês, porque ela o ama.
- Dispenso essa sua psicologia de almanaque e continuo achando que olhar essas  fotos não vai nos ajudar  em nada!
- Você é mesmo uma amadora, não!? Sabe porque me envolvi com a Arte? Porque  sempre  fui observador.  Quando apreciamos um quadro podemos imaginar a época, avaliar suas características gerais e individuais, os objetos, paisagens, pessoas, animais, alimentos, etc. É assim que identificamos os elementos ali presentes, se estão vivos ou mortos, se estão estáticos ou se movem...  Podemos até mesmo imaginar o que as pessoas retratadas conversavam...
Roberta faz uma careta de  tédio e acendendo um cigarro senta-se  ao lado dele na cama.
- Essas imagens, querida, trazem muitas e valiosas informações. Está vendo os convidados? – E vai mudando as imagens – Apenas o círculo íntimo  de amigos. Conheço todos, com exceção dessas pessoas com crianças. – e apontou um local da  foto  - Não vejo seguranças... Isso é  um ponto a nosso favor.
- Se  você diz... -  fala Roberta apagando o cigarro e  tentando parecer desinteressada.

 - Digo e garanto. A partir dessas  observações posso elaborar uma estratégia para o que você precisa, ou melhor, para o que  você  quer. Farei uma apreciação mais intensiva amanhã,  para identificar alguma falha nessa relação tão... harmoniosa! – fala irônico, olhando para a  foto  onde apagavam as velas  do bolo.
- Aprecie isso... – desafia ela,  acariciando-o de maneira íntima e nada  discreta. - Sabe o que eu quero agora?
- Quer que eu te f*... – e não completa a frase, reparando em algo na  foto, enquanto Roberta intensificava sua  carícia -  Princesa  do  gelo e  cangurus. – comenta sem entender o tema, ou porquê isso chamara  sua atenção. - Essa garotinha tem personalidade!
Então Roberta tirou o celular  de suas mãos e depravadamente exigiu dele uma apreciação mais privada e despudorada do próprio corpo, em  busca  do prazer.


PSV
                                     Continua