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domingo, 31 de julho de 2016

PSV/Capítulo 43

PSV






Roberta  parou o garçom e trocou a  taça vazia por  outra cheia de champanhe enquanto acompanhava Antônio pela galeria, e os  movimentos  de Claude e Rosa.
Amaldiçoou mais uma vez o universo, por   tê-los reaproximado.  Conspirar a favor da desqualificada era  conspirar  contra  sua pessoa.  
Sorriu concordando com Antônio por algo que ele dizia sobre a escultura a  frente, mas a atenção continuava em Claude e Rosa.
Observou Alex aproximando-se dos pais de mãos  dadas com uma garota que devia ser  a babá e seu acompanhante.  Claude  olhou para  o relógio e disse algo que fez a menina  balançar a cabeça afirmativamente e abraça-los um de cada vez antes de acompanhar a moça e o rapaz  para  fora  da galeria,  balançando a mão em sinal de tchau.
Conduzida por Antônio, Roberta andou alguns passos, parando em frente a um quadro.  Girou o corpo sutilmente a tempo de ver Claude sussurrar algo no ouvido de Rosa, o que a fez sorrir e dar um  leve beijo em seus  lábios. 
Incomodada com a cena,  tomou todo o conteúdo da taça, apertando os lábios em seguida e parecendo aliviada quando  eles se separavam. Sorriu com  pouco caso e  voltou sua  atenção para Antônio.
Rosa passava por alguns grupos, trocando algumas  palavras, agradecendo a presença ou   simplesmente respondendo a alguma curiosidade dos  convidados.
Percebeu alguém parado à porta, indeciso se entrava ou  não. Logo reconheceu Milton. Estranhou sua presença,  pois não  lembrava de tê-lo convidado para a  abertura  da  mostra. Com um leve aceno de cabeça devolveu o cumprimento que ele fizera.
Então Erci a chamou.
- Rosa, que maravilha de exposição! Vocês se superam a cada vez!
- Que  bom que está  gostando! Estou muito feliz  com a sua presença.
- Feliz estou eu! Foi muita  gentileza sua me enviar um convite especial!
- Olha quem fala em gentilezas!  A pessoa que está sempre me  socorrendo e nunca sai para  se  divertir como deveria, hum?
- Você tem razão, querida. Em parte. Eu me divirto muito com as minhas pacientes.
- Estou falando em outro  tipo de diversão,  ok? – Brinca  Rosa piscando o olho.
- Sei, do tipo que você voltou a ter...  – Começa a falar, mas  cala-se quando Milton toca o braço de Rosa.
- Com licença. – Diz ele – Será que eu poderia  falar  com você Rosa?
- Claro, quer alguma  informação a mais...? – Pergunta educadamente apontando para o catálogo que ele tinha em mãos.
- Não, eu quero apenas  falar  com você.  – Responde ele.
- Vá atendê-lo, Rosa! Continuamos  nossa  conversa uma outra  hora! – Diz Erci afastando-se até uma das  obras  expostas.

Claude deixou o grupo onde John e Liz  conversavam  com Carlos, Pepa,  Egídio e Catarina e  parou  ao lado de outro grupo.
- Claude. – Disse Nara, Você  se  importaria se nós quatro saíssemos para encerrar a noite em uma balada? – E apontou para Janete,  Sérgio e Frazão.
- Claro que não. Já  fizeram o dever de casa aqui e estamos quase na hora de fechar, hã? Vão e divirtam-se.
- Não quer nos encontrar  depois, você e  Rosa? – Pergunta  Frazão.
- Fica para outra noite, mon ami. Prometi a Alex ler sua  história favorita antes de dormir.
- Não chegaremos tarde, eu  prometo! – Fala Janete  Afinal, trabalhamos amanhã.
- D’àccord.  Atrasos não serão perdoados! – Exclama bem humorado enquanto eles se afastam e  Freitas  se aproxima.
- Não me diga que já está indo embora, Freitas!
- Para ser sincero, estava, Claude. Mas eu preciso saber antes quem é ela... – E aponta discretamente em direção a Erci que apreciava um quadro, na parede oposta.
- É a pediatra de Alexandra.  Vamos lá,  vou  apresenta-la a você. – Diz sorrindo discretamente.
- Este retrato é perfeito, hã? – Fala Claude.
- Claude! – Responde Erci sorrindo.  - É fantástico! Estou aprendendo tanto nessa mostra! É uma pena que está acabando por hoje.
-  Concordo. – Fala Freitas olhando diretamente para Erci.
- Mon Dieu, que  indelicadeza a minha! Erci, este é Freitas, Freitas, essa é Erci. A pediatra de Alex. – Repete Claude.
- É um prazer conhece-la, Erci.
- A recíproca é verdadeira... – Responde ela fazendo uma rápida análise do que  via  em pensamento – Alto, bonito, simpático... – Você também é francês? – Pergunta curiosa.
- Não, sou bem brasileiro, Erci! – Respondeu Freitas sorrindo. – Claude é meu cliente em questões advocatícias.
- Oh, você é advogado e gosta de Arte. – Falou sem conseguir desviar  o olhar  do sorriso dele –  Quem precisa de um francês nesta hora? – Pensou e sorriu de  volta.




Beto passou por eles e o flash incomodou os olhos de Claude,  que os protegeu abaixando a cabeça. Esfregou-os com as mãos por  alguns  segundos e ao ergue-la  viu Milton  ao lado de Rosa,  entre as paredes de  um dos  nichos montados.  E pela expressão de Rosa o que ele dizia  não devia  ser agradável. Pediu desculpas  aos dois e caminhou até lá.


Rosa deu um pequeno passo para trás, fugindo de um contato com Milton.
-  ... Eu  não sabia que a Eros era sua. Se soubesse teria enviado o convite em seu nome Milton.
- Poucas pessoas sabem. Eu estou programando a vernissage de um artista maranhense que está despontando por lá para divulgar essa noticia ao nosso mundo.
- Eu desejo sorte e sucesso, ok? Agora, se me der licença eu...
- Espera, eu  quero  falar com você  sobre outro assunto.
- Não temos outro assunto a  falar MIton!
-  Claro que temos, Rosa. A Eros tem um excelente rendimento, eu poderia proporcionar uma  vida  confortável e sofisticada a você e sua  filha.
- O quê? Do que está falando?!
- Não se faça  de desentendida! O coroa americano a tem  deixado de lado para  cuidar da esposa doentinha. Comigo você não teria esse  problema, querida.
- Meu Deus, você está  doente Milton...
- Estou. – Afirmou  ele -  Sempre fui louco por você... O que tem a  perder por me  dar uma chance? – Insiste colocando  a mão no braço de Rosa.
- Não me toque! – Diz ela irritada, afastando-se.
- Algum problema, chèrie? – Pergunta Claude colocando as mãos sobre os ombros dela, amparando-a.
- Não, ele já estava de saída. Não é  Milton? – Esclarece Rosa querendo evitar  confusão.
- Chèrie?! – Exclama espantado -  É claro, chèrie! Mas que idiota eu sou! – Fala Milton irônico batendo com a mão na própria testa. – Você prefere os gringos, como não percebi isso antes?
- O que exatamente está querendo dizer  com isso? – Questiona  Claude colocando-se a frente  de Rosa.
- Claude, deixa isso pra lá...
- É Claude. Deixa pra lá. – Milton a imita,  provocativo. -  Deixa pra lá e aproveita cara, porque o americano já era, e daqui uns dias ela pode trocar  um francês por um, quem sabe espanhol. – Termina olhando casualmente na direção de Antônio. 
E retorna  o olhar para  Rosa, sentindo-se vitorioso. E foi só por um segundo, porque no seguinte estava caído no chão.
- Levante-se e saia da nossa galeria. -  Ordena Claude – E  nunca mais ouse levantar qualquer dúvida  sobre o caráter de minha esposa.
Milton levantou rapidamente.
- Esposa? Desde quando ela é sua esposa?
- Desde sempre. – Diz Claude. – Não,  nem tente revidar o soco. – Avisa ao  ver a relutância de Milton.
- Isso não  vai  ficar assim, francês! - Diz  Milton irritado antes de sair esfregando o maxilar  com a mão.
Ninguém na  galeria pareceu notar a cena, encoberta pelas paredes de gesso dos nichos. A não ser Roberta. Não sabia o que, mas alguma coisa acontecera naqueles minutos. Seguiu Milton com  o olhar e depois deu um jeito de conseguir informações sobre ele com um dos  seguranças que  checava a identidade dos convidados.



PSV



- Só estou dizendo que isso  poderia  ter  arruinado a  noite, Claude.
- Mas não arruinou. Não me arrependo e faria  de novo só  que com muito mais  força, d’àccord?
- D’àccord, Claude. – Concorda ela tirando o robe e sentando-se na cama. – Eu sei que  o fez para  defender a minha honra. Obrigada. 
- Não tem que me agradecer. É minha obrigação. Deveria  ter feito isso   duas  oportunidades   atrás, hã?
Rosa preferiu não discutir mais sobre o ocorrido. Haviam feito isso boa  parte  do caminho para casa. Esqueceram o assunto nos poucos  minutos que  passaram com Alex e agora, quando se deitavam para  dormir, votavam a ele.  Afofou o travesseiro e  girando o corpo, deitou-se.
Foi só então que reparou no livro que Claude lia.
- Trouxe o livro de contos de Alex para ler?
- Ouí. Preciso me  atualizar, chèrie.  O Gato de Botas, A lebre e a tartaruga, Soldadinho de chumbo e outras que não me  lembrava mais...
- Ela prefere os  contos  de princesas.
- Voilà! Amanhã iremos de “A princesa e o grão de ervilha” então. – E curva o corpo para colocar o livro no chão.
Ao voltar recebeu um beijo de Rosa e a acolheu  em seus  braços e peito depois. E ficam em silêncio por um tempo.


- Claude. – Murmura Rosa. - Ainda  está  acordado?
- Ouí, o que foi?
- É sobre Roberta...
- Mon Dieu, não está  com ciúmes dela, pensando que...
- Não, eu só  não quero que ela  venha mais  em nossa  casa. Mesmo se dizendo arrependida.
- Eu também não,  mon amour. Espero que agora que nos viu juntos e felizes se  convença que  nunca houve nem haverá nada  entre ela e eu.
- Quanto tempo será que ela  vai  ficar por aqui?
- Como turista ela pode  ficar até três meses, hã? Mas  vou torcer para que  volte à Europa com Antônio.
- Falando nele, vai aceitar a proposta e terminar o livro não vai?
- Fiquei de marcar uma  conversa  com ele. Mas só assinarei se  ainda tiver ajuda da minha coautora.
- Hum, sendo assim, pode marcar e assinar.  Ainda tenho as anotações. – Fala correndo a mão pelo peito dele.
 - Organizada como sempre... – Murmura Claude. – Isso foi uma das  coisas que me cativaram em você, sabia?
- Não, pensei que  tinha se apaixonado por mim à primeira  vista!
- E foi. O modo como anotava minhas considerações era muito sensual.
 - Era?– Exclama levantando a  cabeça. - Não é mais? -  Questiona.
- Vamos fazer um teste. – Diz Claude girando o corpo. –  Seu corpo vai me mostrar se ainda  consegue ser sensual e anotar o que  faço contigo, d’àccord?



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Alguns  dias  depois.
- Sinto muito Roberta, mas não faço  mais esse tipo de serviço sujo. – Disse Beto checando sua máquina e guardando-a na mochila.
- Serviço  sujo? Qual é Beto? Se  o problema é  dinheiro, eu pago o dobro. – Falou Roberta  acendendo um cigarro.
- Não se trata de dinheiro. – Responde sentando-se.
- Então o quê? – E senta-se também. - Está se penitenciando por  seus antigos pecados? – E tragou mais uma vez,  profundamente.
- Não tenho mais interesse em fotografar pessoas cometendo delitos pessoais, Roberta. Isso não é Arte.
- Mas lhe redeu uma  boa  grana.
- Você realmente não entende. Eu percebi que  grana não é  tudo na vida. Essa exposição me deu  a chance de  voltar  ao mundo da  Arte, de fotografar momentos que merecem ser gravados, e é isso que quero fazer.
- É o que estou  pedindo. Que  você  registre alguns momentos  da bastardinha, que merecem ser gravados.
- Não  vou captar informações da garota para  você. – E ofereceu o cinzeiro a ela. - Nem de Claude ou Rosa. Seja lá  o que estiver planejando não conte  comigo.
Roberta apagou o que restava do cigarro sem pressa.
. Três mil euros em espécie, à vista. – Insistiu entreabrindo a bolsa e mostrando a quantia.
Beto deu um sorriso e levantou-se. Roberta entendeu que ele concordava e terminou de abrir  o zíper da  bolsa. Já estava com o dinheiro na mão e ela tremeu quando o ouviu dizer:
- É melhor você guardar isso e sair.
E ao erguer a cabeça o viu parado junto a porta aberta.
- Você não fala sério, Beto. São três mil euros!
- Danem-se você e os  seus euros, Roberta. Quer por favor sair deste quarto?
- Louise tem razão quanto à Arte: ela torna pessoas  como você e  Claude inúteis idealistas.  – Afirma ela, guardando o dinheiro e fechando o zíper com  raiva.  – É isso que  faz o mundo girar – Diz apontando para a bolsa – E não a Arte!
- Passar bem Roberta. – Desejou  enquanto ela passava pela porta.
- Você não é o único fotografo do planeta, Beto. Era apenas o único em quem  eu confiava. – Diz Roberta segurando  a porta. -  O euro aqui está bem cotado. Eu vou  encontrar alguém que faça o serviço sujo!
- Cuidado Roberta. Confiança demais em si mesmo já derrubou muita gente.



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Bernard  equilibrou uma porção de comida  em seu garfo e  o levou a boca, enquanto ouvia Michel responder a sua  questão.
- Eu não sei como pretende fazer isso. Louise tem uma posição bem definida dentro do partido. Não só posição, ela tem voz, liderança e muito apoio.
Bernard engoliu a comida e limpou a boca antes de levar o copo a ela e tomar um gole de vinho. Quando devolveu o copo à mesa, apertou os olhos e sorriu.
- Apoio. – Afirmou pensativo - É essa a estratégia que devo usar. Preciso descobrir quem dentro do partido não a apoia totalmente.
- É um jogo complicado, Bernard. Estará colocando em risco toda sua carreira política.
- Eu não vou ser comandado por uma mulher!
- Um pouco tarde para  dizer isso. Está sendo manipulado por ela desde que aceitou concorrer a essa vaga. 
- Se eu tiver  o poder, quero ele todo para mim, Michel.
- Impossível, meu caro! Todo político eleito segue ordens dos seus partidos, independente se elas  vem de uma mulher  ou de um homem.
- Não é a questão do gênero. Para mim, o partido é apenas um meio de se chegar ao poder. E lá chegando ele é seu de mais ninguém.
- Devia ter seguido meu conselho Bernard e não se deixado ficar nas mãos dela.
- Não estaria se  Roberta tivesse entendido meus propósitos. Mas ela quis se vingar e veja onde chegamos.
- Não conseguiu falar  com ela mesmo  depois de toda essa repercussão  ?
- Não.  Mandei várias mensagens, ela visualizou e só.  Mas vou insistir, só estou  dando uns dias. – E faz uma pausa -  E então, vai me ajudar  com as informações que preciso?
- A única pessoa que pode ajuda-lo é Olivier,  o secretário particular de Louise.
- Olivier, claro!
- Embora todo homem tenha seu preço,  não sei se ele está a venda mon ami.
- Talvez não seja questão de preço,  mas de isca. Para todo homem  existe uma isca que ele não consegue deixar de morder.
- Já dizia  Friedrich Nietzsche! – Afirmou Michel, concordando e  enchendo os  copos de vinho. – Brindemos a ele!




PSV



Roberta pagou o táxi e entrou no hotel subindo direto para seu  quarto. Aquela conversa  com Beto  lhe tirara  o apetite.
Na verdade estava sem apetite havia dias. Desde que a porta daquele apartamento se abriu, pensava acendendo um cigarro. E em sua mente enxergava a cena.
Esperava encontrar Claude sozinho. No máximo com sua insuportável e fiel escudeira Dadi. Então lhe contaria uma versão quase verdadeira sobre a fuga de sua amada Rosa, colocando a culpa  toda em Louise. Lamentaria ter participado de tudo e cedido à pressão e  chantagem emocional que Louise soubera impor.
Faria certo drama, choraria e diria que sua consciência a perseguia dia e noite desde aquele dia, pois se deixou convencer que silenciar sobre a gravidez de Rosa era o melhor para  todos.
Sim, diria, ela estava grávida e   por isso eu vim atrás  de você. Quero ajuda-lo a encontrar essa criança, quero que me perdoe, preciso que me perdoe. Eu... Eu estava corroída pelo ciúmes e acreditei que fazia o melhor pelo nosso amor, porque eu continuo te amando Claude. E estou disposta a aceita-la como nossa, como devia  ter feito anos atrás...
Mas não! - E Piscou e tragou nervosamente o  cigarro antes de continuar  com seus pensamentos. - O universo tinha que  conspirar a favor da desqualificada e da bastardinha! Será que ele não entende que mudar o roteiro em cima  da hora não é fácil?
Contudo, até que me sai bem fingindo toda aquela felicidade ao vê-los juntos, demonstrando o quanto estava arrependida e pedindo perdão aos  dois.
E como eles estão do lado da bondade, vão me dar o benefício da dúvida e acreditar. Vão me conceder a segunda chance. E eu vou aproveita-la, Claude. De uma forma ou de outra...
Abandonou o cigarro inacabado em um cinzeiro e pouco mais de uma hora depois o  motorista de um confortável carro preto executivo, solicitado pelo serviço Uber de São Paulo, lhe perguntava o destino.
- Galeria Eros, por favor.  – Respondeu sorrindo amavelmente.



PSV
                                                        Continua

domingo, 17 de julho de 2016

PSV/Capítulo 42

PSV



-  ...E  realmente foi uma  bobagem de nossa parte, já que nos amamos e vamos casar em breve. – Concluiu Louise sorrindo diante dos inúmeros  flashes disparados e de microfones  espalhados na bancada à  sua frente.
- Não seria mais correto a presença de sua  filha, apoiando-os publicamente então? – Sugeriu a repórter  que fizera a pergunta.
- Como mãe  achei mais correto preservar a imagem de minha  filha. Nara está fora  da França nesse momento, longe de comentários maliciosos. Aliás ela não quer seguir  com a tradição da família na  vida  política, o que me deixa  triste, mas ela é ainda jovem e inexperiente e esse amor pela carreira  politica pode acontecer a qualquer momento. Eu tenho esperanças. Próxima pergunta, por favor, nosso tempo está  esgotando senhores.
- Olívia Chatrier, da TV5 Monde – Adiantou-se uma das  reporteres presentes – Minha pergunta é para você Bernard. Acredita  que  suas  pretensões políticas possam ser abaladas ou desacreditadas perante o eleitorado francês diante desses  fatos e fotos?
- Sinceramente eu espero que não. Seria uma pena constatar que a França não é o país que eu penso ser, onde uma mulher não possa se casar por amor com  um homem, por ele ser mais novo. Eu tive a sorte der ter crescido entre mulheres fortes que me inspiraram e me ensinaram a não ter preconceitos tolos como esse e tantos outros. E, na minha  plataforma de  governo   a luta pelo direito   das  ditas “minorias”, ou seja, dos   grupos marginalizados dentro da nossa sociedade devido aos seus aspectos econômicos, sociais, culturais, físicos ou religiosos  já é pauta consolidada.  Apoiar essas  causas intervindo no sentido de sensibilizar, divulgar e denunciar as questões pertinentes às comunidade LGBT e  imigrantes por exemplo, e essencial.   Não podemos mais conviver com essas teorias separatistas em pleno século vinte  e um.
Fez-se uma  pausa e outro repórter se apresentou
- Jules Mirabeau, Le Monde. O jornal que publicou as imagens não menciona a fonte da informação. Vocês suspeitam de alguém e seria esse alguém próximo a vocês  dois? Irão processa-la?
Foi Louise quem respondeu:
- Preservar a identidade  da  fonte é um direito do  jornal. É claro que temos  nossas  suspeitas,  Que também serão preservadas, pois não temos  provas.  Quanto a processar, sinceramente nesse caso eu creio que seria uma injustiça.  Essa  pessoa  favoreceu-nos. A nós porque nos libertou de um preconceito tolo e ao jornal, se é que o podemos  classificar como tal,  porque deve ter faturado em poucos  dias o que  fatura  em  um ano, eu diria...
Nara levantou-se visivelmente contrariada dizendo
- Por favor, podemos mudar  de canal?
- Podemos  fazer melhor que isso, Nara. – Falou Rosa desligando a TV.
Eram pouco mais de  vinte e uma horas  da noite  de  domingo.
- Chèrie!
- Está bem, continue assistindo eu posso pegar  um táxi! Alex! – Chamou a filha que  estava junto a Dadi -  Venha querida, vamos para  casa. – Falou andando em direção a porta. – Boa noite, Nara e Frazão; boa noite Dadi!
- Mon Dieu, é  claro que  você não  vai pegar um táxi, hã? – Respondeu ele levantando-se. -  Mas  podiam dormir aqui essa noite. O que você acha, pequena?
- Oba! – Exclamou Alex pulando e batendo palmas.
- Outro dia talvez, ok?
- Ah, mamãe...
- Amanhã é  dia de escola, mocinha. Ficaria  muito corrido.
- Tá  bom... – Disse tentando se  conformar, saindo para o corredor enquanto Claude  fechava a  porta.
- Está sendo muito má. Não seria  tão corrido assim, ela  só tem escola na parte da tarde.
- Eu não tenho  roupa para  dormir aqui. – Falou Rosa justificando-se.
Alex estava na ponta  dos pés, apertando o botão do elevador.
- Voilà, ontem a noite você dormiu sem  roupa  alguma não  foi? – Murmurou ele.
- Claude! – Exclamou laçando um olhar  para Alex. E ganhou um beijo suave.



PSV



Dentro do apartamento, Nara conversava  com Frazão enquanto  tomavam um café.
- Eu não acredito que ela teve a capacidade de dizer que se preocupava  com a minha imagem!
- Acalme-se Nara.  Louise é a politica em pessoa. Vai  fazer  de tudo para se  tornar a vítima  da situação.
- Alguma noticia sobre Roberta? – Perguntou servindo-se pela  segunda  vez.
- Nenhuma. Mas ela vai aparecer. Se não pessoalmente por meio de outra notícia dessa categoria.
Dadi que até então ouvia em silêncio  se manifestou.
- Eu espero que ela não  resolva se manifestar pessoalmente aqui. Seu irmão já  sofreu o bastante com a ajuda  dela.
- Tem razão Dadi. – Disse Frazão. – Tudo que ele não precisa  agora é Roberta por perto.
- Então  vamos  torcer para que ela se  concentre em  sua  vingança contra Bernard e Louise. Eu vou ler um pouco e dormir, boa noite. – Disse Nara retirando-se.
- Não tem mesmo nenhuma notícia de Roberta? – Perguntou Dadi quando Nara sumiu de vista.
- Ah, Dadi, Dadi... Nunca  vamos  conseguir esconder  nada de você, não é? A única  coisa que  descobrimos é que ela  saiu da França num trem com destino à Espanha.




PSV




Claude colocou  o livro na  bancada  de  cabeceira da cama de Alex. Em seguida ajeitou o edredon sobre ela e dando um leve beijo em sua  bochecha se despediu.
- Boa  noite pequena!
Saiu deixando a  porta apenas encostada e  encontrou Rosa na sala.
- Ela fez  você ler uma história, não fez?
- Cinderela, três vezes. – Respondeu Claude sentando-se ao lado dela  - Na quarta ela dormiu. Mas eu  gostei da experiência. - Concluiu sorrindo. 
- Eu o privei de muitas delas, não foi? - Comentou Rosa abaixando a cabeça.
- Ei,  - Disse Claude  fazendo-a gentilmente erguer a cabeça. – O que passou, passou, hã?  Além do mais, ainda  pode me fazer passar por elas. É só darmos um irmãozinho a Alex!
- Está falando sério?
- Ouí.  Mas  só depois que você aceitar  casar comigo. Oficialmente, eu digo.
- Eu aceito! -  Exclamou passando os braços pelo pescoço dele – Vai ficar essa noite também?
- Seria ótimo. Mas amanhã é  dia  de galeria e ficaria corrido para mim, hã?
- Oras, seu... Seu...
Mas os lábios dele impediram qualquer palavra ou pensamento.
- Pardon, eu não resisti, hã? – Explicou-se Claude ficando em pé.   - Mas essa é uma situação que precisamos resolver. Eu quero nós  três na mesma  casa e  antes de nos casarmos, d’àccord?
Foi até a poltrona onde estava seu casaco e o colocou.
- Vem comigo até a porta?
- Não ficaria nem se eu oferecesse um chá?
Claude sorriu antes de responder:
- Tenho certeza que terminaria de  modo muito prazeroso,  mas preciso resolver alguns  assuntos bem menos prazerosos com Frazão. – Afirma abrindo a porta
- Sobre Louise?
- Ouí.
- Ok, então não vou insistir. – Diz Rosa resignada. - Até amanhã!
- Até amanhã, chèrie. – Diz com um selinho. – Bonne nuit.




PSV



Roberta desligou a TV, acendeu um cigarro e foi até a sacada do hotel.  
Então você declarou que eu te  fiz um favor, Louise. Não é exatamente o que diz a mensagem que me mandou. – Pensa tragando o cigarro e sentando-se em uma das elegantes  cadeiras que ali estavam.
Como não era exatamente assim que imaginou as consequências  do que havia  feito.  Esperava que Louise  rompesse, inclusive politicamente,  com Bernard. Então o convenceria a migrar  de partido e ganhar a eleição sobre  Louise. Essa seria  sua  vitória total.
Mas  você decidiu ficar  com ela e isso o torna meu inimigo também.  E segue com o olhar a  fumaça que acabava de expelir.
O que é uma pena.  Vai  ter que ter “muito amor” entre  vocês para superarem juntos  todas as denuncias que  vou fazer. – E aperta  com força o que  restava do  cigarro contra o  cinzeiro – Eu gostava de você mais do  que de Claude.
Ah, Claude! Eu devia  ter  feito as  coisas  do meu jeito e não obedecido Louise. Aquela casa hoje seria minha. Pouco me importava que você quisesse ser escritor  ou artista plástico... Com a fortuna que você herdou de seu pai,  nem precisaria  trabalhar mesmo!
Eu devia ter  contado a você que aquela desqualificada estava grávida quando te deixou. Ou seja, quando a obrigamos a te deixar.
Meu plano era perfeito. Faria isso e daria um jeito de fazê-la entregar a criança. Então nó a criaríamos como nossa  filha.  Em um colégio interno, é  claro.
Mas Louise não o achou tão bom assim, porque a bastardinha mancharia a linhagem dos Geraldy com seu sangue latino.
Além do  que a tal brasileirinha era do tipo orgulhoso, não a entregaria  tão facilmente assim, sem um motivo extremamente necessário.
Naquela época  eu estava disposta até a sequestrar a pobre criança e... – Parou de pensar por um instante e fez um leve movimento com as  sobrancelhas.
- Olalá! -  Exclamou com um sorriso sombrio -  Claude acho que preciso visita-lo antes do eu pensava. O problema será embarcar  com  toda essa grana!



PSV



Dez dias  depois  da chegada de Egídio e Catarina Paranhos, e de muitas  reuniões para discutir os  detalhes  da instalação italiana sobre o Renascimento, estava tudo pronto e brilhantemente  registrado no trabalho fotográfico de making off de Beto.
A abertura da mostra, na próxima segunda-feira, contaria  com  a presença de críticos  de arte e convidados, permanecendo na galeria por trinta  dias, aberta ao público de quarta a domingo das 10h às 17h. Estavam previstas visitas coletivas de ONGs assistenciais que já mantinham parceria com a galeria, de outros  eventos.    Escolas também estavam na lista, a começar pela  escola onde estudava Alex. Estagiários e estudantes atuariam como monitores, explicando o período renascentista da Arte.  Após os trinta  dias a mostra seguiria para Buenos Aires e passaria por  toda a América Latina e México.
- Claude, está sendo um prazer imenso trabalhar  com você  e sua equipe. Porque você  não parece  ter funcionários e sim parceiros. – Comenta Beto.
- Concordo contigo. Formamos uma grande família. E por falar em família, vão nos  dar licença mas está na hora de pegarmos nossa pequena na escola. Vamos,  chèrie?
- Vamos sim.  Boa noite a todos. – Diz Rosa deixando a sala com Claude.
- Foi uma grata surpresa a história deles. – Comentou Egídio.
- A vida é uma imensa caixa se surpresas, não e mesmo? – Emenda Liz sorrindo.
- O importante é que se reencontraram e estão felizes.  E o amor,  venceu mais uma vez.
- Ainda precisam de minha ajuda ou de Sérgio? – Pergunta Janete
- Não, querida. Podem ir para com a lição feita e com louvor. – Responde Liz.
-  Acho até que podemos todos ir senhoras e senhores. – Diz John, levantando-se da mesa de reuniões e sendo imitado por todos.
- Porque não  encerramos a sexta-feira  com um happy hour? – Sugere Beto.
- Porque não? – Concorda Liz - Tem um restaurante a  poucas quadras daqui que oferece esse serviço também e...




PSV




Cheia de história e cultura, Barcelona onde Roberta estava  desempenha um papel importante no cenário europeu e pelas ruas isso torna- se evidente e visível em vários exemplos góticos e modernistas estampados em prédios e monumentos.  
A obra mais famosa e simbólica da cidade é de autoria de Antoni Gaudí:  A Igreja Sagrada Família iniciada em 1883, a mais importante do movimento modernista na Catalunha.

O local está em obras até hoje e fala-se em 2026 como ano de conclusão, mas ninguém garante. Mesmo inacabada, é surpreendente! 







O Museu Pablo Picasso, localizado no núcleo histórico, expõe mais de 3.600 obras de arte, correspondentes à época de formação e juventude do pintor.





Já a Fundació Joan Miró – primeiro museu de arte contemporânea da cidade de Barcelona expõe uma coleção com mais de catorze mil obras,  entre pinturas, esculturas, cerâmicas, desenhos, além de mostras itinerantes.






A Espanha é  assim. Um país onde todo turista vai embora pensando em voltar.
- Mas  você não é uma turista, Roberta! – Falou jogando a revista  sobre a mesa que sustentava o guarda-sol e deixando  a piscina do hotel.
Enquanto tomava banho  refletia. Precisava encontrar uma jeito de ir ao Brasil levando o  dinheiro. Mas  como passar pelo raio X, se ser detectada? Toda essa quantia levantaria  suspeitas...
Mas que droga, não podia nem queria depositar em sua  conta. Como explicaria a origem dele?
Já arrumada desceu na intenção de almoçar no próprio hotel. No elevador conferiu suas mensagens.  Cinco dias e nenhuma resposta das agências de viagem. Claro que  poderia  comprar  sozinha pela internet, mas isso deixaria rastros já que teria  que  usar  o cartão de crédito.
Irritada, fez uma chamada para  a unidade de Barcelona da agência que mais  usava. Já suspeitava até que Louise estivesse por  trás dessa demora  toda em arranjarem um lugar em algum voo para o Brasil.
O elevador chegou ao térreo e ela soltou uma exclamação desaforada ao sair dele.
- Mas que m...! Será que ninguém trabalha nessa cidade? 






Então ao baixar o braço com o celular notou seu brinco caindo. Abaixou-se para pega-lo e ao   erguer-se colidiu frontalmente  com alguém.
- Algum  problema, señorita? – Ouviu uma  voz  grave lhe perguntar.
- Oh, me desculpe...  – Falou ao recompor-se, tendo uma grata surpresa.
- Roberta?! Dios, há quanto tempo não nos  víamos! O que em Barcelona a fez exaltar-se assim?
- Antônio! – Exclamou correspondendo ao cumprimento dele. – Oh, que vergonha, ignore a minha grosseria de  instantes atrás. É que estou tentando falar  com uma agência de viagens há quase uma hora e ninguém atende.
Antônio puxou a manga do casaco  conferindo a hora e Roberta não deixou de observar a marca e o modelo do relógio de luxo que ele usava.
- Querida mía, são duas da tarde e você está na Espanha.
 - E...? – Perguntou sem entender.
- E é hora da famosa siesta espanhola. A maioria dos estabelecimentos comerciais faz uma pausa para o almoço, com uns minutinhos a mais de descanso.
- Mas que cabeça a minha, esqueci completamente desse costume  de  vocês! Está  hospedado aqui?
- Sim. Cheguei a pouco de Madri.  Tenho um encontro comercial mais tarde. Já almoçou?
- Não, estava justamente me dirigindo ao restaurante.
- Ótimo. Aceita companhia?
- Claro que  sim.
Fizeram os pedidos e Antônio pediu uma garrafa de El Pison, um dos  melhores  vinhos  espanhóis. Conversaram sobre vários assuntos,  menos  sobre  suas  vidas particulares. Já estavam no café quando Antônio a questionou:
- Mas então, qual o seu problema  com   aquela agência de viagens?
- Oh, acredita que há  cinco dias tento efetuar  a reserva de uma passagem ao Brasil e não consigo retorno?
-  Não me diga que está indo para abertura da mostra de arte  renascentista na galeria  que Claude adquiriu...
- Exatamente isso! – Concordou tentado não  demonstrar surpresa diante do  que escutara.
 - Mas que coincidência Meus pais e eu estaremos indo para lá em dois  dias. Eles querem retribuir a visita de amigos que por sinal eram os  donos dessa galeria. Eles  continuam como conselheiros e gentilmente nos  convidaram.  Poderia nos acompanhar.
- Bem, Claude não me convidou exatamente. Mas estou indo dar o meu apoio a ele, já que Louise não o fará. –– Afirmou Roberta rapidamente -  Se me passar  o  número do voo e  eu conseguir que a agência me atenda, será um prazer. 
- Não vai precisar de agências Roberta. Minha família dispõe de um  jatinho particular por conta das inúmeras viagens a negócios. 
- E eles não ficariam chateados por  você me dar essa carona?
- Claro que não. – Responde Antônio seguro. -   Ele tem capacidade para  levar seis pessoas e funciona  como um confortável escritório entre os voos que fazem pelo mundo da Arte afora.  Vai se sentir em casa!
Roberta terminou seu café sentindo-se imensamente grata ao universo. Seu dinheiro continuaria a salvo.



PSV



Claude abriu a porta e Alex entrou correndo direto para o banheiro com um  livrinho na mão,  ao mesmo tempo em que  pedia:
- Me espera que eu quero “ajudá” no bolo, mamãe!
- Então lave direito suas mãos, hã? – Retrucou Claude -  As duas! – Recomendou em seguida.
E ajudou Rosa  com as sacolas do supermercado, levando-as até a cozinha.
- Ainda bem que existem mercados abertos vinte e quatro horas. -   Comentou Rosa tirando os produtos  das  sacolas.
- Devia ter pedido ajuda a Dadi, chèrie.
- Seria  injusto pedir a ela que desmarcasse sua  saída  com Joana. Além do mais  compramos  tudo pronto. Só o bolo que eu mesma quero  fazer.
- D’àccord.  O  chá é as cinco? – Pergunta Claude
- Humhum às cinco. – Responde Rosa.
- Pensei  que esse  horário fosse  só para ingleses...
- É dos italianos também. Eu perguntei a eles para não dar bola fora, hum?
Era domingo e haviam marcado um lanche da tarde com Egídio e Catarina, o que se transformou em uma quase recepção vespertina, pois todos  faziam questão de participar.
- Você nunca  dá  bola fora, hã? – Afirma Claude guardando um produto no armário. - Viu como foi bom fazermos essa troca? – Questiona em seguida. -  Não precisamos mais andar de uma casa para outra...
- Mas muita coisa ainda ficou no meu apartamento.
- Agora  o apartamento é de Nara, hã?
- Pobre Nara, saiu perdendo. Seu apartamento é muito mais confortável que o meu.
- Tenho  certeza que nem ela, nem Frazão estão ligando para isso. – Argumentou Claude enlaçando-a pela cintura e girando meia volta em torno de si mesmo.
- Humhum, estão mais preocupados com Sergio e Janete... – Conseguiu falar Rosa entre os carinhos que ele fazia com os lábios dele nos seus.
- E a preocupação parece recíproca, chèrie... – Continuou Claude deslizando seus lábios para a lateral do pescoço de Rosa.
- Você tem algo contra?
- Não, porque teria? – E insistiu nas carícias, alcançando o ouvido dela, sentindo-a estremecer em seus braços.
- Claude...
- Mamãe eu preciso de ajuda! – Escutaram então.
- Estou indo meu bem! – Respondeu Rosa tentando se  soltar.
- Por que ela não demorou mais  cinco minutos, hã? – Resmungou Claude soltando-a.
- Será muito pior se tivermos um bebê, ok?
- Non, você non vai me fazer desistir dizendo isso, chèrie!
- Mamãe!
- Estou a caminho, filha! – Respondeu sorrindo para Claude – Separa os ingredientes do bolo, amor?
Minutos depois, Janete chegava com Sérgio, para ajudar nos preparativos. Traziam um vinho nacional  e alguns petiscos tipicamente  paulistas.
Frazão e Nara chegaram quando o bolo estava sendo  coberto com o chocolate.
Faltavam quinze minutos para as cinco e a mesa já estava posta. Foi quando  John e Liz chegaram com Egídio e Catarina.  O lanche  foi sendo saboreado em clima descontraído e  volta e meia Alex  se  tornava o centro das atenções  com suas observações espontâneas  principalmente ao explicar à Catarina como se fazia o bolo de cenoura. E foi elogiada por seu  comportamento tão maduro para uma  garotinha de quatro anos.  E resolveu explicar porque já era uma mocinha.
- É porque eu  vou “fazê” aniversário de cinco “ano” logo, logo, no mesmo dia do meu papai! Só que ele, ele não vai “fazê cinco ano”  não. “Quantosano” você  vai  “fazê” papai? – E olha para Claude.
Mas o som da campainha faz Alex mudar o interesse momentâneo.
- Deve ser a Dadi! – Exclama descendo da cadeira -  Eu “vô abri” a porta pra ela!
Mesmo sabendo que Dadi tinha a chave  do apartamento, Claude deixou que Alex  fosse. Talvez Dadi   tivesse esquecido  a chave, pois não esperavam visitas. Rosa, porém, foi atrás  da  filha.
Alex abriu a porta em menos  da metade falando:
- Ainda bem que  você “chego”! O bolo tá  quase acabando... – Mas  calou-se ao deparar com uma  pessoa estranha a sua frente.
- Mon Dieu, será que  este não é o apartamento do Claude...
- É sim, ele é o meu papai! – Explica inocentemente Alex. – Papai tem uma moça chamando você! – Fala mais alto dando um passo atrás esbarrando nas pernas  de Rosa.
- Quem está ai, filha? – Pergunta ela abrindo a porta um pouco mais.
- Você? – Exclama sentindo um calafrio profundo na alma.
- Quem está me procurando Alex...? Pergunta Claude atraído pela fala de Alex, abrindo a  porta  por inteiro. - Roberta... O que faz aqui?




PSV


                                            Continua