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sexta-feira, 10 de março de 2017

PSV/Capítulo 50

PSV




- Sai, sai, sai! Perdeu playboy! Desce  do carro!
- Não reage que é melhor pra  todo mundo!
- Já era, madame!
– Alex...  Não! – gritou Rosa abrindo os olhos.
Imediatamente  sentiu os lábios  de Claude em sua  testa e seus braços   acolherem-na.
- Chhhhhhh... Calma, chérie! Vai  ficar  tudo bem ela  vai  voltar  pra  nós...
Fechou os olhos  e chorou novamente, tentando abafar  os  soluços. Lembrou-se de  ter  tomado um relaxante por insistência  de Erci...
- Quanto tempo eu  dormi?
-  Quase  três horas.
- Erci  e Freitas... Eles perderam o voo?
- Não.  Já estão na sala de embarque, relaxe.
Rosa  suspirou e deixou que as palavras saíssem, carregadas  de medo.
- Alguém ligou pedindo resgate?
- Ainda não,  chèrie...
- Foi ela, não foi?   Continuou falando,  apertando as mãos. -  Roberta, ela sequestrou  nossa filha! – Afirmou enfim.
- Não sabemos  ao certo, hã? Mas  estão  todos  trabalhando nisso.
- Como pode  ficar  tão calmo...
- Com licença! – Diz  Dadi  batendo levemente na  porta  semiaberta. -  Dois policiais querem  falar  com vocês...
- D’accord, Dadi...
- Nara e Sérgio acabaram de sair. Foram trocar  de  roupa e  voltam mais tarde.
- Merci Dadi.
-  Os policiais vieram  instalar o  rastreador, - explicou Claude - você  não precisa ir, hã?
- Mas quero ir, quero  acompanhar  tudo  de perto. Só preciso lavar  o rosto.
- D’accord. Eu espero e vamos  juntos.
Claude a acompanhou  com o olhar a sair da cama  e  caminhar para  o banheiro. Massageou a nuca e em seguida as  têmporas. Calma era algo que não sentia, mas prometera a si mesmo se  controlar para  poder amparar a esposa.
Rosa entrou no banheiro e   parou  em frente ao espelho. Escovou o cabelo e as  lembranças  vieram rápidas, vívidas e doloridas...
Haviam percorrido três quadras sem  nenhum outro  veículo na rua devido ao horário.  E de repente um os  fechou. Dentro dele,   quatro pessoas, todas com máscaras de animais. Os  dois de trás desceram empunhando pistolas  automáticas e ordenaram que descessem.
Não gritavam;  falavam com frieza, fazendo sinais e mandando que abrissem as  portas. Escutou Claude  dizer  que  podiam  levar  o carro, mas  que havia uma  criança  no banco de trás dormindo e precisava  tira-la de lá...
Entretanto,  o bandido logo ocupou o lugar  de Claude e o outro a puxou fortemente  para  o lado, ignorando seus apelos  por  Alex...
Minha garotinha deve ter  acordado assustada em seguida,  quando arrancaram  com  o carro, cantando os pneus...
Viu-se gritando e tentando  correr atrás do carro, até ser alcançada  por  Claude e alguns  carros  pararem ao lado dos  dois.
Milton foi o primeiro.  Depois Beto, Freitas e Erci e Rodrigo que ainda  tentou  seguir os  assaltantes, sem êxito.
- Rosa? – escutou a voz  de Claude a chama-la.
- Estou indo! 
Inclinou o rosto  e lavou-o com água fria várias  vezes. Mas  ao erguê-lo, as  gotas que escorriam por ele eram quentes e salgadas.
- Mon Dieu, chèrie... – murmurou Claude aproximando-se e abraçando-a. -  É melhor  você repousar  mais  um pouco, hã?
- Não... Eu  quero saber  de tudo junto  com você!
- D’accord... -  respondeu  pegando  uma  toalha.
E passou-a  suavemente pelo  rosto  dela, secando-o. Em seguida  entrelaçou seus  dedos aos  de Rosa firmemente.
- Nós  vamos  encontra-la, ouí?
- Ouí... – sussurrou de  volta.
Quando entraram na sala que  servia  de escritório aos  dois os aparelhos  já e estavam  conectados.
- Alguma novidade? – pergunta  Claude
- O delegado aumentou o número de efetivos na  busca, doutor Claude.
- Apenas Claude, por  favor...
- Já conseguiram alguma pista do carro? – indaga Rosa, ansiosa.
- Infelizmente não. Mas  já  trabalhamos  no recolhimento  de imagens  das  câmeras  de segurança  do  local e com certeza  teremos  novas pistas. – explica  um dos  agentes.
- O delegado certamente  vai  vir  até aqui pela manhã, para  falar  com vocês  outa vez.
- Se ele tivesse nos escutado, talvez nada  disso teria  acontecido! – exclama Rosa.
- Senhora, eu nem devia  falar sobre isso, mas  tenha  certeza que o empenho dele será proporcional ao arrependimento. Ele é um delegado cabeça-dura, mas  fará  de tudo para trazer  sua  filha  sã e salva como em  outros  casos que trabalhou.
O telefone  toca e  Claude  atende.
- Alô! – diz agoniado – (...) Ah, é você Rodrigo... (...) É claro que  podem vir,   quem sabe juntos  lembramos  de algum detalhe... (...) Até já.
- Claude... – a  voz  de Rosa  é apreensiva -  E  se  não foi um sequestro? E se eles queriam só o carro e abandonaram Alex por ai, num lugar  qualquer... Numa  favela?
- Já divulgamos fotos  dela chèrie... Nas redes  sociais e em alguns canais  de TV. Nós não vamos  perdê-la, d’accord? – Conclui abraçando-a mais  uma vez.




PSV




Roberta saiu direto do Aeroporto Charles de Gaulle  para o Hospital Concordia, em Paris. Identificou-se e logo estava com seu pai, em um leito do CTI.
Outras pessoas, acompanhantes de vítimas  a cumprimentaram com um aceno de cabeça e umas duas   se atreveram a narrar os fatos acontecidos.
Fez um grande esforço para  escuta-los e  agradeceu silenciosamente quando o médico de plantão a procurou para passar  as informações: seu pai fora  trazido ao hospital com suspeita  de traumatismo craneano e fraturas de várias  vértebras, além de escoriações pelo corpo.
Estivera sedado e em observação nas  últimas  horas. A última ressonância descartava o traumatismo   e só esperavam pelo laudo oficial do médico traumatologista para  transferi-lo a um quarto particular.
Demoraria algumas   horas ainda para o efeito da sedação passar, e uma outra  avaliação diagnóstica seria feita, para  descartar eventuais sequelas,  portanto  ela poderia ir para  casa e  voltar  mais tarde, caso desejasse.
Agradeceu e permaneceu ainda alguns minutos ao lado de seu pai e então resolveu ir para  casa. Tomaria um banho, descansaria por uma hora e voltaria.
Foi ao sair  do setor que colidiu com  uma enfermeira.
- Pardon, mademoiselle! – escutou dela.
No crachá,  constava Ayme Fisher, enfermeira-chefe.
Depois de uma rápida conversa, confirmou ser ela mesma a pessoa que a informara sobre  seu   pai. Ayme  explicou que esse  tipo de informação só acontecia  pelos  funcionários da administração, mas que mediante a tragédia, algumas  famílias  foram avisadas por enfermeiros, médicos e  até mesmo  voluntários.
Roberta  deixou o hospital sentindo-se estranha. Que  diabos  de sentimentalismo era esse, dentro  dela? Compadecida por  seu pai e pelas outra  vítimas!
Havia até mesmo agradecido à enfermeira em vez de repreendê-la por  não olhar onde  passava...  Não, decididamente não estava em seu estado normal!



PSV



Claude estava sentado ao lado de Rosa, na cozinha,  praticamente forçando-a  a comer o lanche natural que Dadi havia  feito, quando Rodrigo chegou acompanhado de Beto e   o casal Smith.
Todo que Rosa  conseguiu  comer  foi pouco mais da metade e alguns  goles  do suco de maracujá e insistiu em ir para  a sala com as visitas.
John e Liz a abraçaram, consolando-a e afirmando que Alex  voltaria  sã e salva.
Beto havia  feito contato  com amigos franceses e realmente o pai de Roberta era uma das vítimas da  tragédia, felizmente retirado  com vida do local. 
Roberta deixara  o aeroporto direto  para o hospital  e depois de algum tempo fora  para  sua  casa e de lá não saíra até  o momento. Um  movimento dela e ele seria  notificado.
- Se ao menos eu  soubesse quem é  o cara, o “sócio” dela... – comenta Beto desolado.
- Você não tem culpa, mon ami. – Confortou-o  Claude.
- Sabem, eu quis  vir até aqui, primeiro para  apoia-los e também  porque consegui tirar  algumas  fotos  do... Do acontecido. Eu já olhei varias  vezes tentando encontrar uma  nova  pista mas  sem sucesso. Quem sabe  se olharmos  todos, alguém consiga... 
- D’accord, o que  você  precisa?
- Um notebook é suficiente, Claude.
Passaram um longo tempo tentando encontrar  algum mínimo detalhe que  fizesse a diferença. Mas as fotos que Beto tirou no impulso,   no momento da abordagem,  foram  de longe e ao tentar aproximar com o editor  de imagens elas perdiam a nitidez.  Nas poucas que conseguiu acionar o zoon, nada  de relevante.
Analisaram até as  fotos do casamento, mas não perceberam ninguém com atitude  suspeita.
Já era alta madrugada quando Liz conseguiu com que Rosa  repousasse e adormecesse enquanto  conversavam.
Os quatro se retiraram, prometendo  voltar  na manhã seguinte. Sob muita insistência dos agentes de plantão, Claude  juntou-se a Rosa quando o dia já amanhecia. O cansaço o venceu e  conseguiu cochilar  por algum tempo.




PSV




Alex acordou  e procurou Serafina. Ela  devia estar  ao seu lado...  Esfregou os  olhos e bocejou sentando-se. Só aí percebeu eu não estava  no seu quarto. E que ainda  estava com o vestido  de noivinha. Sua mãe  não ia  gostar  nada  disso quando viesse  busca-la.
- E eu  “vo fala”  pra ela  que não  gostei nadinha dessa  brincadeira  de  pique-esconde... – exclama bocejando de novo e espreguiçando-se.
- Com quem você tá falando, garota? – pergunta uma mulher abrido a porta  do quarto num movimento brusco e olhando geral.
Alex olhou para  a mulher  e sorriu.
- Por que você  ainda  tá usado essa máscara  da Elsa? A gente  ainda  tá  brincando?
Havia  acordado e se assustado quando o carro disparou e  fez aquele barulho esquisito com os  pneus,  com aqueles  dois homens estranhos dirigindo e usando máscaras do Olaf e do Pabbie...
O da máscara  do Pabbie era o que dirigia o carro.
Perguntou chorosa onde estavam seus pais e eles  responderam  que estavam numa  brincadeira de pique-esconde da  festa  de casamento e que seus pais  viriam logo atrás  para encontra-la. Mas só depois que se esconderem  em lugar secreto.
O que  vestia  o Olaf disse que estavam sendo seguidos e Pabbie respondeu que isso não  podia acontecer e virou numa  rua correndo muito.
O carro balançou e Alex chorou, soluçando.  Então  Olaf virou pra ela e disse que estava  tudo bem, que o carro não ia  bater e que logo estariam escondidos, prontos  para  serem encontrados.
Quando chegaram, colocaram um pano nos  seus olhos, que era  pra  ela não saber também onde estavam.  Só a descobriram quando já estava nesse quarto, com aquela  moça  de  Elsa, que lhe deu água e  contou uma história até ela  dormir.
- É isso ai, garota. Não tá  com fome agora?
- To sim,  mas eu preciso ir no banheiro antes...
- É nessa  porta aí. – respondeu mostrado a porta do banheiro, da  suíte. – Sabe se  virar sozinha?
- Aham... – respondeu Alex.
A saia longa e godê do vestido foi um desafio à parte, mas Alex sai-se bem. Lavou as mãos e o rosto e  voltou ao quarto.
Em cima da cama a moça  havia  colocado uma bandeja com leite achocolatado,  pão e bolachas.
Alex  comeu as  bolachas  e tomou o leite.
- Quando  meu  papai e minha mamãe  vão me achar?
- Eu não sei de nada, garota. Só estou aqui pra cuidar  de você e não deixar você fug... Sair daqui.
- Por que eu não posso sair daqui?
- Porque  seus pais que tem que te encontrar.
-  E o que eu  vou “fica” fazendo enquanto  isso? Posso “ve” televisão?
- Aqui não tem televisão.
- Que chato... Eu não  “vo te” nada pra  fazer?
- Você  gosta de desenhar e pintar?
- Aham! Adoro!
- Vou ser  se consigo  papel e lápis de cor pra você. – afirmou  a moça  deixando o resto  das  bolachas e levando  a bandeja.




PSV




Quando Roberta retornou ao hospital, seu pai  já  estava instalado  em um quarto particular.  Sentou-se ao lado dele e acariciou-o no rosto. Em seguida  encaixou a mão livre  dele entre as suas. O médico a orientara a conversar  com ele, mesmo estando aparentemente  dormindo.
- Fique bem logo, papai! Você  consegue, eu sei que  consegue! Lembra-se de quando eu era pequena e você ia  comigo ao parque? Eu subia em tantas árvores, no  entanto foi caindo de bicicleta que quebrei  o braço! Aquela tarde foi muito... tensa pra nós  dois, não é? No entanto você  ficou o tempo todo ao meu lado, me acalmando enquanto colocavam o gesso... Eu ainda lembro os desenhos que  você e a mamãe  fizeram nele! O que eu mais  gostava era...
-  O gatinho cor de  rosa...
- Papai! – exclamou erguendo a cabeça – Que bom que acordou! E ainda  se lembra  dele!
Ele esboçou um sorriso e respondeu lentamente:
- E lembro também o quanto  você chorou quando ele quebrou ao tirar o gesso. O que eu não lembro é como vim  parar numa  cama de  hospital... O que  faz aqui,  o que  aconteceu  comigo, Roberta?
- Você sofreu um acidente dias  atrás e eu vim ficar  contigo.  Teve algumas vértebras fraturadas e suspeita  de traumatismo craniano, mas isso já  foi descartado. Eles disseram que  foi apenas uma concussão cerebral.
- Apenas?
- Diante  do que aconteceu, isso não  foi quase nada... Não se  recorda do atent.. do acidente?  Você  estava numa  comemoração em Nice...
- Mon Dieu, tem razão! – exclamou ele - Os fogos  de artifício e em seguida um caminhão invadiu o local e... Ai! – murmurou levando a mão até testa, esfregando-a.
- O que foi, papai? – pergunta  preocupada.
- Minha cabeça... Dói um pouco...
- Eu  vou  chamar a enfermeira. Já  devia  ter  feito isso!
Minutos  depois, além da enfermeira um médico também o avaliava.  Auscultou os batimentos  cardíacos e após examinar as pupilas, sorriu, confiante.
- É bom tê-lo de volta senhor! Sua  recuperação é excelente. Se  continuar  nesse ritmo em breve poderá ir  para  casa.
- Mas e essa  dor de cabeça? – pergunta  Roberta.
- Sentir  dor de cabeça e  apresentar problemas de memória depois do trauma é sintoma natural e esperado, senhorita. – explicou o  médico. – É uma síndrome pós-concussão. Ela passa  com o tempo, na maioria  dos  casos.
- Quanto tempo?
- Depende  do organismo de cada paciente. Mas se ele já  conseguiu se lembrar  de alguma  coisa, não há  razão para  temer, senhorita.
- D’accord, doutor.
- Eu sei  que  gostariam de conversar mais, mas ele precisa  de repouso. Vamos aplicar um sedativo leve, contra  as dores  e provavelmente ele vai dormir.
- Eu entendo.
Foram vinte minutos  de resistência e finalmente  ele dormiu. Dormiria por alguma horas, segundo a enfermeira. Resolveu voltar para casa e dormir  também. Ainda não  havia  descansado o suficiente.
Antes, passo pela revista na qual tinha  uma  coluna semanal. Depois que suas férias terminaram, passara a enviar os artigos  por e-mail. Confirmou que  continuaria nesse sistema  por algum tempo mais ao editor chefe  da revista. Conversaram ainda  sobre os escândalos políticos  de Louise e os atentados no país. Só então foi para  sua casa.




PSV




- Eu quero essas imagens avaliadas até o fim do dia no mais tardar, estão ouvindo? – afirmou o  delegado a um dos investigadores.
- Sim senhor! Assim que chegarem...
- Investiguem  o  hotel onde a  tal  francesa ficou hospedada. Conversem até  com o cachorro, se lá  tiver um. Quero um relatório sobre tudo isso em cima  da minha mesa,  pra ontem.
- QSP doutor Tobias!
- Qualquer novidade, estarei em casa,  o tempo de  tomar  um banho, trocar  de roupa e  comer  alguma coisa antes de ir à casa dos Geraldy.
O delegado desceu a rampa  da delegacia em passos largos. A noite  de plantão não havia sido nada  calma: assaltos, traficantes e usuários,  assédios  e para coroar o sequestro da menina.
Como esquecer o olhar de acusação que a mãe lhe lançara? Registrou o depoimento do casal e de algumas testemunhas e comandou a  diligência ao local,  percorrendo todo o entorno do bairro.
A francesa, principal suspeita, mandara uma mensagem de “abortar operação” e estava em pleno voo na hora  do ocorrido. Isso não  a descartava da autoria  do crime, mas  colocava o tal sócio dela  como responsável.
Tem que ter alguma pista que nos leve a esse cara!  Estou deixando alguma  coisa escapar... Pense, pense!  Que peça não está  encaixando nessa história?



PSV



Olivier saiu pela porta do bistrô, vizinho a seu prédio com um copo de café numa embalagem para viagem.   Sorriu ao olhar em frente. Lá estava Armand ainda, no carro que ele já usara em muitas ocasiões. Coberto com um grosso casaco, cabeça erguida, encostada ao banco, provavelmente dormindo. Atravessou a rua e circulou o carro até  alcançar a porta do passageiro.
Teve sorte ao tentar abri-la: não estava travada. Sentou-se pesadamente ao mesmo tempo  em que emitia um sonoro “Bonjour Armand!”
Armand sobressaltou-se e deu um pequeno pulo para frente, batendo a cabeça no  retrovisor.
- Mon Dieu, você quer que eu sofra  um enfarto? – exclamou levado a mão ao local da pancada.
- O que é isso, Armand... Você apenas bateu a cabeça e  nós  dois  sabemos que não sofre de problemas do coração. – respondeu com deboche, entregando o café a ele.
Em seguida  ficou sério.
-  Escuta,  não se cansa de  me seguir e vigiar?
- Estou só cumprindo ordens, d‘accord? – respondeu meio sem graça sem olhar para Olivier. 
- D’accord. Então eu   vou facilitar e encurtar o seu trabalho. Diga a Lou... à sua patroa  que  eu agora  sou secretário particular  de Roger Avril. É,  diga a  ela que eu finalmente  aceitei  a oferta, excelente   por  sinal. – E abre a porta  para sair  do carro.
Chega o colocar o pé  na calçada e girar o corpo, mas  volta-se e diz:
- Ah, e diga também que não me procure, não me aborreça ou me ameace,  porque agora  eu estou ao lado da mídia  ou melhor, dentro dela.  E posso “sugerir” algumas publicações.  Au revoir!
Saltou do carro e atravessou a rua de volta a seu prédio aconchegando-se ao seu casaco, afinal  fazia dois graus abaixo de zero naquela manhã.

Minutos  depois, na mansão, Louise amaldiçoava Olivier e prometia  vingança.





O delegado Tobias diminuiu a velocidade e trocou a marcha do carro ao entrar na alameda que dava acesso a casa do casal Geraldy.   Estacionou o carro junto a sarjeta, ao final dela, sem saída,  e antes de descer observou o prédio de  classe média alta.








- É,  esse francês não é só mais um turista que  fixou residência  por aqui como eu pensei! – exclamou baixinho, saindo do carro.
Identificou-se na  portaria e foi liberado. Em  poucos instantes  estava tocando  a campainha do apartamento.
Dadi o recebeu e o acompanhou até  o escritório.
- Bom  dia a todos. – disse parecendo constrangido ao receber apensa acenos  de cabeça. – São do primeiro turno ainda? – perguntou diretamente aos dois policiais.
- Sim senhor.
- Senhor e senhora Geraldy, será que podemos  conversar por alguns minutos?
- D’accord. – respondeu Claude. – Vamos até a sala onde poderemos  todos sentar.
Rosa deixou-se ficar  atrás e assim que adetraram a sala, a campainha  voltou a tocar e ela mesma atendeu.
- Rosa! – disse Silvia abraçando-a – Eu não consigo acreditar...
- Nem eu... – respondeu.
E ao erguer a cabeça, estremeceu ligeiramente.
Atrás de Júlio estava Milton.
- Ele não veio conosco...  – balbuciou Silvia percebendo a reação de Rosa.
- Tudo bem... – sussurrou – Entrem! – pediu fazendo um sinal com a mão.
Notou que Claude também não apreciava a  presença de Milton, plea maneira como ele apertou os lábios ao vê-lo.
Caude os apresentou ao delegado. Silvia  foi cumprimentar Dadi e Julio a acompanhou.
Milton observava a estrutura  do apartamento e sua decoração enquanto tentava ser gentil. O delegado afastou-se, indo conversar  com os investigadores.
- Eu vim prestar minha solidariedade a vocês e me colocar a disposição para ajuda-los a encontrar  sua garotinha. Alguém já ligou pedido resgate ou algo parecido? Eu posso ajuda-los com  o dinheiro, caso precisem.
- Rosa e eu agradecemos  sua oferta, mas já estamos com  o apoio e   investigação da  polícia.  E qualquer atitude a ser tomada partirá deles. – afirmou Claude.
  - É claro, eu compreendo. Não tomaria nenhuma atitude sem consutar a vocês ou a  polícia...
- Rosa, - diz Silvia voltando –  Nós só passamos porque eu queria  te dar um abraço e dizer que pode  contar  comigo para  o que precisar.
Julio aproximou-se de Claude e Milton, trocado alguma ideias com eles.
- Obrigada, querida! – murmurou Rosa tentando segurar novas lágrimas.
- Vai ficar tudo bem, você  vai ver! Logo estaremos brincando  com nossa menininha de novo... – afirmou  tentado anima-la – E agora eu vou pra galeria, antes que meus patrões  se zanguem com meu atraso – tentou  brincar.
Rosa esboçou um leve sorriso.
- Obrigada mesmo!
- Se precisar de qualquer coisa me  ligue, ok?  Vamos Julio?
- Vamos  sim. Contem  comigo também. – afirmou seguindo Silvia  até a porta. – Você não desce conosco, Milton?
- Não eu vou ficar  alguns minutos mais, quero ouvir o que o delegado pensa a respeito desse caso...



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                                          Continua em breve