PSV
- Sai, sai,
sai! Perdeu playboy! Desce do carro!
- Não reage
que é melhor pra todo mundo!
- Já era,
madame!
–
Alex... Não! – gritou Rosa abrindo os
olhos.
Imediatamente sentiu
os lábios de Claude em sua testa e seus braços acolherem-na.
- Chhhhhhh... Calma, chérie! Vai ficar
tudo bem ela vai voltar
pra nós...
Fechou os olhos e
chorou novamente, tentando abafar
os soluços. Lembrou-se de ter
tomado um relaxante por insistência
de Erci...
- Quanto tempo eu
dormi?
- Quase três horas.
- Erci e Freitas...
Eles perderam o voo?
- Não. Já estão na
sala de embarque, relaxe.
Rosa suspirou e deixou
que as palavras saíssem, carregadas de
medo.
- Alguém ligou pedindo resgate?
- Ainda não, chèrie...
- Foi ela, não foi? Continuou falando, apertando as mãos. - Roberta, ela sequestrou nossa filha! – Afirmou enfim.
- Não sabemos ao
certo, hã? Mas estão todos
trabalhando nisso.
- Como pode ficar tão calmo...
- Com licença! – Diz
Dadi batendo levemente na porta
semiaberta. - Dois policiais
querem falar com vocês...
- D’accord, Dadi...
- Nara e Sérgio acabaram de sair. Foram trocar de
roupa e voltam mais tarde.
- Merci Dadi.
- Os policiais vieram instalar o
rastreador, - explicou Claude - você
não precisa ir, hã?
- Mas quero ir, quero
acompanhar tudo de perto. Só preciso lavar o rosto.
- D’accord. Eu espero e vamos
juntos.
Claude a acompanhou com
o olhar a sair da cama e caminhar para
o banheiro. Massageou a nuca e em seguida as têmporas. Calma era algo que não sentia, mas
prometera a si mesmo se controlar
para poder amparar a esposa.
Rosa entrou no banheiro e
parou em frente ao espelho. Escovou
o cabelo e as lembranças vieram rápidas, vívidas e doloridas...
Haviam percorrido três quadras sem nenhum outro
veículo na rua devido ao horário. E de repente um os fechou. Dentro dele, quatro pessoas, todas com máscaras de
animais. Os dois de trás desceram
empunhando pistolas automáticas e
ordenaram que descessem.
Não gritavam; falavam
com frieza, fazendo sinais e mandando que abrissem as portas. Escutou Claude dizer
que podiam levar
o carro, mas que havia uma criança
no banco de trás dormindo e precisava
tira-la de lá...
Entretanto, o bandido
logo ocupou o lugar de Claude e o outro
a puxou fortemente para o lado, ignorando seus apelos por
Alex...
Minha garotinha deve ter
acordado assustada em seguida,
quando arrancaram com o carro, cantando os pneus...
Viu-se gritando e tentando
correr atrás do carro, até ser alcançada
por Claude e alguns carros
pararem ao lado dos dois.
Milton foi o primeiro.
Depois Beto, Freitas e Erci e Rodrigo que ainda tentou
seguir os assaltantes, sem êxito.
- Rosa? – escutou a voz
de Claude a chama-la.
- Estou indo!
Inclinou o rosto e
lavou-o com água fria várias vezes.
Mas ao erguê-lo, as gotas que escorriam por ele eram quentes e
salgadas.
- Mon Dieu, chèrie... – murmurou Claude aproximando-se e
abraçando-a. - É melhor você repousar
mais um pouco, hã?
- Não... Eu quero
saber de tudo junto com você!
- D’accord... -
respondeu pegando uma
toalha.
E passou-a suavemente
pelo rosto dela, secando-o. Em seguida entrelaçou seus dedos aos
de Rosa firmemente.
- Nós vamos encontra-la, ouí?
- Ouí... – sussurrou de
volta.
Quando entraram na sala que
servia de escritório aos dois os aparelhos já e estavam
conectados.
- Alguma novidade? – pergunta
Claude
- O delegado aumentou o número de efetivos na busca, doutor Claude.
- Apenas Claude, por
favor...
- Já conseguiram alguma pista do carro? – indaga Rosa,
ansiosa.
- Infelizmente não. Mas
já trabalhamos no recolhimento de imagens
das câmeras de segurança
do local e com certeza teremos
novas pistas. – explica um
dos agentes.
- O delegado certamente
vai vir até aqui pela manhã, para falar
com vocês outa vez.
- Se ele tivesse nos escutado, talvez nada disso teria
acontecido! – exclama Rosa.
- Senhora, eu nem devia
falar sobre isso, mas tenha certeza que o empenho dele será proporcional
ao arrependimento. Ele é um delegado cabeça-dura, mas fará
de tudo para trazer sua filha
sã e salva como em outros casos que trabalhou.
O telefone toca e Claude
atende.
- Alô! – diz agoniado – (...) Ah, é você Rodrigo... (...) É
claro que podem vir, quem
sabe juntos lembramos de algum detalhe... (...) Até já.
- Claude... – a
voz de Rosa é apreensiva - E
se não foi um sequestro? E se
eles queriam só o carro e abandonaram Alex por ai, num lugar qualquer... Numa favela?
- Já divulgamos fotos
dela chèrie... Nas redes sociais
e em alguns canais de TV. Nós não
vamos perdê-la, d’accord? – Conclui
abraçando-a mais uma vez.
PSV
Roberta saiu direto do Aeroporto Charles de Gaulle para o Hospital Concordia, em Paris.
Identificou-se e logo estava com seu pai, em um leito do CTI.
Outras pessoas, acompanhantes de vítimas a cumprimentaram com um aceno de cabeça e
umas duas se atreveram a narrar os
fatos acontecidos.
Fez um grande esforço para
escuta-los e agradeceu
silenciosamente quando o médico de plantão a procurou para passar as informações: seu pai fora trazido ao hospital com suspeita de traumatismo craneano e fraturas de
várias vértebras, além de escoriações
pelo corpo.
Estivera sedado e em observação nas últimas
horas. A última ressonância descartava o traumatismo e só esperavam pelo laudo oficial do médico
traumatologista para transferi-lo a um
quarto particular.
Demoraria algumas
horas ainda para o efeito da sedação passar, e uma outra avaliação diagnóstica seria feita, para descartar eventuais sequelas, portanto
ela poderia ir para casa e voltar
mais tarde, caso desejasse.
Agradeceu e permaneceu ainda alguns minutos ao lado de seu
pai e então resolveu ir para casa.
Tomaria um banho, descansaria por uma hora e voltaria.
Foi ao sair do setor
que colidiu com uma enfermeira.
- Pardon, mademoiselle! – escutou dela.
No crachá, constava
Ayme Fisher, enfermeira-chefe.
Depois de uma rápida conversa, confirmou ser ela mesma a
pessoa que a informara sobre seu pai. Ayme
explicou que esse tipo de
informação só acontecia pelos funcionários da administração, mas que
mediante a tragédia, algumas
famílias foram avisadas por
enfermeiros, médicos e até mesmo voluntários.
Roberta deixou o
hospital sentindo-se estranha. Que
diabos de sentimentalismo era
esse, dentro dela? Compadecida por seu pai e pelas outra vítimas!
Havia até mesmo agradecido à enfermeira em vez de
repreendê-la por não olhar onde passava...
Não, decididamente não estava em seu estado normal!
PSV
Claude estava sentado ao lado de Rosa, na cozinha, praticamente forçando-a a comer o lanche natural que Dadi havia feito, quando Rodrigo chegou acompanhado de
Beto e o casal Smith.
Todo que Rosa
conseguiu comer foi pouco mais da metade e alguns goles
do suco de maracujá e insistiu em ir para a sala com as visitas.
John e Liz a abraçaram, consolando-a e afirmando que
Alex voltaria sã e salva.
Beto havia feito
contato com amigos franceses e realmente
o pai de Roberta era uma das vítimas da
tragédia, felizmente retirado com
vida do local.
Roberta deixara o
aeroporto direto para o hospital e depois de algum tempo fora para sua
casa e de lá não saíra até o
momento. Um movimento dela e ele seria notificado.
- Se ao menos eu
soubesse quem é o cara, o “sócio”
dela... – comenta Beto desolado.
- Você não tem culpa, mon ami. – Confortou-o Claude.
- Sabem, eu quis vir
até aqui, primeiro para apoia-los e
também porque consegui tirar algumas
fotos do... Do acontecido. Eu já
olhei varias vezes tentando encontrar
uma nova
pista mas sem sucesso. Quem
sabe se olharmos todos, alguém consiga...
- D’accord, o que
você precisa?
- Um notebook é suficiente, Claude.
Passaram um longo tempo tentando encontrar algum mínimo detalhe que fizesse a diferença. Mas as fotos que Beto
tirou no impulso, no momento da
abordagem, foram de longe e ao tentar aproximar com o
editor de imagens elas perdiam a
nitidez. Nas poucas que conseguiu
acionar o zoon, nada de relevante.
Analisaram até as
fotos do casamento, mas não perceberam ninguém com atitude suspeita.
Já era alta madrugada quando Liz conseguiu com que Rosa repousasse e adormecesse enquanto conversavam.
Os quatro se retiraram, prometendo voltar
na manhã seguinte. Sob muita insistência dos agentes de plantão,
Claude juntou-se a Rosa quando o dia já
amanhecia. O cansaço o venceu e
conseguiu cochilar por algum
tempo.
PSV
Alex acordou e
procurou Serafina. Ela devia estar ao seu lado... Esfregou os
olhos e bocejou sentando-se. Só aí percebeu eu não estava no seu quarto. E que ainda estava com o vestido de noivinha. Sua mãe não ia
gostar nada disso quando viesse busca-la.
- E eu “vo fala” pra ela
que não gostei nadinha dessa brincadeira
de pique-esconde... – exclama
bocejando de novo e espreguiçando-se.
- Com quem você tá falando, garota? – pergunta uma mulher
abrido a porta do quarto num movimento
brusco e olhando geral.
Alex olhou para a
mulher e sorriu.
- Por que você
ainda tá usado essa máscara da Elsa? A gente ainda
tá brincando?
Havia acordado e se
assustado quando o carro disparou e fez
aquele barulho esquisito com os pneus, com aqueles
dois homens estranhos dirigindo e usando máscaras do Olaf e do Pabbie...
O da máscara do Pabbie
era o que dirigia o carro.
Perguntou chorosa onde estavam seus pais e eles responderam
que estavam numa brincadeira de
pique-esconde da festa de casamento e que seus pais viriam logo atrás para encontra-la. Mas só depois que se
esconderem em lugar secreto.
O que vestia o Olaf disse que estavam sendo seguidos e
Pabbie respondeu que isso não podia
acontecer e virou numa rua correndo
muito.
O carro balançou e Alex chorou, soluçando. Então
Olaf virou pra ela e disse que estava
tudo bem, que o carro não ia
bater e que logo estariam escondidos, prontos para
serem encontrados.
Quando chegaram, colocaram um pano nos seus olhos, que era pra ela não saber também onde estavam. Só a descobriram quando já estava nesse
quarto, com aquela moça de
Elsa, que lhe deu água e contou
uma história até ela dormir.
- É isso ai, garota. Não tá
com fome agora?
- To sim, mas eu
preciso ir no banheiro antes...
- É nessa porta aí. –
respondeu mostrado a porta do banheiro, da
suíte. – Sabe se virar sozinha?
- Aham... – respondeu Alex.
A saia longa e godê do vestido foi um desafio à parte, mas
Alex sai-se bem. Lavou as mãos e o rosto e
voltou ao quarto.
Em cima da cama a moça
havia colocado uma bandeja com
leite achocolatado, pão e bolachas.
Alex comeu as bolachas
e tomou o leite.
- Quando meu papai e minha mamãe vão me achar?
- Eu não sei de nada, garota. Só estou aqui pra cuidar de você e não deixar você fug... Sair daqui.
- Por que eu não posso sair daqui?
- Porque seus pais que
tem que te encontrar.
- E o que eu vou “fica” fazendo enquanto isso? Posso “ve” televisão?
- Aqui não tem televisão.
- Que chato... Eu não
“vo te” nada pra fazer?
- Você gosta de
desenhar e pintar?
- Aham! Adoro!
- Vou ser se
consigo papel e lápis de cor pra você. –
afirmou a moça deixando o resto das
bolachas e levando a bandeja.
PSV
Quando Roberta retornou ao hospital, seu pai já estava
instalado em um quarto particular. Sentou-se ao lado dele e acariciou-o no
rosto. Em seguida encaixou a mão
livre dele entre as suas. O médico a
orientara a conversar com ele, mesmo
estando aparentemente dormindo.
- Fique bem logo, papai! Você
consegue, eu sei que consegue!
Lembra-se de quando eu era pequena e você ia
comigo ao parque? Eu subia em tantas árvores, no entanto foi caindo de bicicleta que
quebrei o braço! Aquela tarde foi
muito... tensa pra nós dois, não é? No
entanto você ficou o tempo todo ao meu
lado, me acalmando enquanto colocavam o gesso... Eu ainda lembro os desenhos
que você e a mamãe fizeram nele! O que eu mais gostava era...
- O gatinho cor
de rosa...
- Papai! – exclamou erguendo a cabeça – Que bom que acordou!
E ainda se lembra dele!
Ele esboçou um sorriso e respondeu lentamente:
- E lembro também o quanto
você chorou quando ele quebrou ao tirar o gesso. O que eu não lembro é
como vim parar numa cama de
hospital... O que faz aqui, o que aconteceu comigo, Roberta?
- Você sofreu um acidente dias atrás e eu vim ficar contigo. Teve algumas vértebras fraturadas e
suspeita de traumatismo craniano, mas
isso já foi descartado. Eles disseram
que foi apenas uma concussão cerebral.
- Apenas?
- Diante do que aconteceu,
isso não foi quase nada... Não se recorda do atent.. do acidente? Você
estava numa comemoração em
Nice...
- Mon Dieu, tem razão! – exclamou ele - Os fogos de artifício e em seguida um caminhão invadiu
o local e... Ai! – murmurou levando a mão até testa, esfregando-a.
- O que foi, papai? – pergunta preocupada.
- Minha cabeça... Dói um pouco...
- Eu vou chamar a enfermeira. Já devia
ter feito isso!
Minutos depois, além
da enfermeira um médico também o avaliava.
Auscultou os batimentos cardíacos
e após examinar as pupilas, sorriu, confiante.
- É bom tê-lo de volta senhor! Sua recuperação é excelente. Se continuar
nesse ritmo em breve poderá ir
para casa.
- Mas e essa dor de
cabeça? – pergunta Roberta.
- Sentir dor de cabeça
e apresentar problemas de memória depois
do trauma é sintoma natural e esperado, senhorita. – explicou o médico. – É uma síndrome pós-concussão. Ela
passa com o tempo, na maioria dos
casos.
- Quanto tempo?
- Depende do organismo
de cada paciente. Mas se ele já
conseguiu se lembrar de
alguma coisa, não há razão para
temer, senhorita.
- D’accord, doutor.
- Eu sei que gostariam de conversar mais, mas ele
precisa de repouso. Vamos aplicar um
sedativo leve, contra as dores e provavelmente ele vai dormir.
- Eu entendo.
Foram vinte minutos de
resistência e finalmente ele dormiu.
Dormiria por alguma horas, segundo a enfermeira. Resolveu voltar para casa e
dormir também. Ainda não havia
descansado o suficiente.
Antes, passo pela revista na qual tinha uma
coluna semanal. Depois que suas férias terminaram, passara a enviar os
artigos por e-mail. Confirmou que continuaria nesse sistema por algum tempo mais ao editor chefe da revista. Conversaram ainda sobre os escândalos políticos de Louise e os atentados no país. Só então
foi para sua casa.
PSV
- Eu quero essas imagens avaliadas até o fim do dia no mais
tardar, estão ouvindo? – afirmou o
delegado a um dos investigadores.
- Sim senhor! Assim que chegarem...
- Investiguem o hotel onde a
tal francesa ficou hospedada.
Conversem até com o cachorro, se lá tiver um. Quero um relatório sobre tudo isso
em cima da minha mesa, pra ontem.
- QSP doutor Tobias!
- Qualquer novidade, estarei em casa, o tempo de
tomar um banho, trocar de roupa e
comer alguma coisa antes de ir à
casa dos Geraldy.
O delegado desceu a rampa
da delegacia em passos largos. A noite
de plantão não havia sido nada
calma: assaltos, traficantes e usuários,
assédios e para coroar o
sequestro da menina.
Como esquecer o olhar de acusação que a mãe lhe lançara?
Registrou o depoimento do casal e de algumas testemunhas e comandou a diligência ao local, percorrendo todo o entorno do bairro.
A francesa, principal suspeita, mandara uma mensagem de “abortar operação” e estava
em pleno voo na hora do ocorrido. Isso
não a descartava da autoria do crime, mas
colocava o tal sócio dela como
responsável.
Tem que ter alguma pista que nos leve a esse cara! Estou deixando alguma coisa escapar... Pense, pense! Que peça não está encaixando nessa história?
PSV
Olivier saiu pela porta do bistrô, vizinho a seu prédio com
um copo de café numa embalagem para viagem.
Sorriu ao olhar em frente. Lá estava Armand ainda, no carro que ele já
usara em muitas ocasiões. Coberto com um grosso casaco, cabeça erguida,
encostada ao banco, provavelmente dormindo. Atravessou a rua e circulou o carro
até alcançar a porta do passageiro.
Teve sorte ao tentar abri-la: não estava travada. Sentou-se
pesadamente ao mesmo tempo em que emitia
um sonoro “Bonjour Armand!”
Armand sobressaltou-se e deu um pequeno pulo para frente,
batendo a cabeça no retrovisor.
- Mon Dieu, você
quer que eu sofra um enfarto? – exclamou
levado a mão ao local da pancada.
- O que é isso, Armand... Você apenas bateu a cabeça e nós
dois sabemos que não sofre de problemas
do coração. – respondeu com deboche, entregando o café a ele.
Em seguida ficou sério.
- Escuta, não se cansa de me seguir e vigiar?
- Estou só cumprindo ordens, d‘accord? – respondeu meio sem graça sem olhar para Olivier.
- D’accord. Então
eu vou facilitar e encurtar o seu
trabalho. Diga a Lou... à sua patroa
que eu agora sou secretário particular de Roger Avril. É, diga a
ela que eu finalmente aceitei a oferta, excelente por
sinal. – E abre a porta para
sair do carro.
Chega o colocar o pé
na calçada e girar o corpo, mas
volta-se e diz:
- Ah, e diga também que não me procure, não me aborreça ou me
ameace, porque agora eu estou ao lado da mídia ou melhor, dentro dela. E posso “sugerir” algumas publicações. Au
revoir!
Saltou do carro e atravessou a rua de volta a seu prédio aconchegando-se
ao seu casaco, afinal fazia dois graus
abaixo de zero naquela manhã.
Minutos depois, na
mansão, Louise amaldiçoava Olivier e prometia
vingança.
O delegado Tobias diminuiu a velocidade e trocou a marcha do
carro ao entrar na alameda que dava acesso a casa do casal Geraldy. Estacionou o carro junto a sarjeta, ao final
dela, sem saída, e antes de descer
observou o prédio de classe média alta.
- É, esse francês não
é só mais um turista que fixou
residência por aqui como eu pensei! –
exclamou baixinho, saindo do carro.
Identificou-se na
portaria e foi liberado. Em
poucos instantes estava tocando a campainha do apartamento.
Dadi o recebeu e o acompanhou até o escritório.
- Bom dia a todos. –
disse parecendo constrangido ao receber apensa acenos de cabeça. – São do primeiro turno ainda? –
perguntou diretamente aos dois policiais.
- Sim senhor.
- Senhor e senhora Geraldy, será que podemos conversar por alguns minutos?
- D’accord. – respondeu Claude. – Vamos até a sala onde
poderemos todos sentar.
Rosa deixou-se ficar
atrás e assim que adetraram a sala, a campainha voltou a tocar e ela mesma atendeu.
- Rosa! – disse Silvia abraçando-a – Eu não consigo
acreditar...
- Nem eu... – respondeu.
E ao erguer a cabeça, estremeceu ligeiramente.
Atrás de Júlio estava Milton.
- Ele não veio conosco...
– balbuciou Silvia percebendo a reação de Rosa.
- Tudo bem... – sussurrou – Entrem! – pediu fazendo um sinal
com a mão.
Notou que Claude também não apreciava a presença de Milton, plea maneira como ele
apertou os lábios ao vê-lo.
Caude os apresentou ao delegado. Silvia foi cumprimentar Dadi e Julio a acompanhou.
Milton observava a estrutura
do apartamento e sua decoração enquanto tentava ser gentil. O delegado
afastou-se, indo conversar com os
investigadores.
- Eu vim prestar minha solidariedade a vocês e me colocar a
disposição para ajuda-los a encontrar
sua garotinha. Alguém já ligou pedido resgate ou algo parecido? Eu posso
ajuda-los com o dinheiro, caso precisem.
- Rosa e eu agradecemos
sua oferta, mas já estamos com o
apoio e investigação da polícia.
E qualquer atitude a ser tomada partirá deles. – afirmou Claude.
- É claro, eu
compreendo. Não tomaria nenhuma atitude sem consutar a vocês ou a polícia...
- Rosa, - diz Silvia voltando – Nós só passamos porque eu queria te dar um abraço e dizer que pode contar
comigo para o que precisar.
Julio aproximou-se de Claude e Milton, trocado alguma ideias
com eles.
- Obrigada, querida! – murmurou Rosa tentando segurar novas
lágrimas.
- Vai ficar tudo bem, você
vai ver! Logo estaremos brincando
com nossa menininha de novo... – afirmou
tentado anima-la – E agora eu vou pra galeria, antes que meus
patrões se zanguem com meu atraso –
tentou brincar.
Rosa esboçou um leve sorriso.
- Obrigada mesmo!
- Se precisar de qualquer coisa me ligue, ok?
Vamos Julio?
- Vamos sim.
Contem comigo também. – afirmou seguindo
Silvia até a porta. – Você não desce
conosco, Milton?
- Não eu vou ficar
alguns minutos mais, quero ouvir o que o delegado pensa a respeito desse
caso...
PSV
Continua em breve





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