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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

PSV/Capítulo 51

Capítulo 51


PSV



Quem, quem poderia  ser? – pensava Roberta cobrindo a cabeça  com o travesseiro tentando ignorar o som da campainha, pois só o hospital e a revista sabiam de  sua  presença  na França.
- D’accord, d’accord! Eu já estou indo! – exclamou saindo da cama e vestindo o robe.
Apertou-o  em torno da cintura e abriu  a porta.
E viu Louise entrar sem esperar  convite.
- Bonjour pra  você também, Louise! – disse então, fechando  a porta. – Não quer entrar?
- Oras, querida! Não precisamos  de cerimônias entre nós não é mesmo? Onde está ele?
- Ele quem? Quem você quer? Bernard? Eu não o vi nem pretendo.
- Quem está  falando desse imbecil? Claude, eu quero saber onde ele está!
-  Como soube que eu estava aqui?  Pergunta ignorando a fala de Louise.
- Você ainda não é invisível, chèrie! Meus... olheiros costumam ser bem atentos. Eles  sabem dar  valor a uma  boa  gorjeta.
- Seja lá o que estiver querendo, a resposta é não.  E por favor, bata a porta  quando sair.
E deu alguns  passos à frente, na intenção de voltar  ao quarto. Mas Louise a segurou  pelo antebraço.
- Não tão rápido, meu bem. Você me deve  uma explicação! Já está ciente da avalanche de denúncias que caíram sobre mim?
- O mundo todo está sabendo.
- Exato. Só o que não sabem, é que você começou tudo isso.
-  Eu? Você está  louca!
- Mon Dieu, como eu me arrependo de tê-la ensinado tão bem!
- Não é  mérito seu, querida. É meu. Eu sou uma excelente aprendiz e superei você. Se não  gosta, morre que passa.
- Que palavreado mais vulgar... O Claude aprova  esse seu novo vocabulário?
- Ah, Claude... Ele não está aqui, nem  comigo. Ele ficou no Brasil e sabe por quê? Porque ele reencontrou a suburbana e a bastardinha e eles fizeram as pazes!
- Você está mentindo!
- Estou? Pague uma  boa  gorjeta aos seus olheiros e comprove. Eles até se casaram... Oh, foi uma cerimonia tão emocionante! A  sua neta foi quem entregou as alianças.
- Essa menina não é nada  minha!
- Moralmente é sim. Ops, esqueci,  - diz  ironicamente - você não tem  moral alguma...
- Então empatamos não é querida? – responde com frieza.
- Vá embora Louise. Eu tenho que ir ao hospital, ficar  com meu pai.
- Ora, ora...  Atuando no papel da  filha pródiga. Quem diria!
- Ah sim, ele está muito bem, apesar dos ferimentos. Obrigada por se preocupar, você é sempre  tão gentil e delicada... – diz suavemente antes de  mudar o tom. – Agora saia da minha casa!
- Com todo prazer! – afirma caminhando até a porta. -  E não se esqueça:   matenha  distância de Bernard! – completa antes de deixar o apartamento.



PSV



Bernard  deixou o gabinete  da  prefeitura depois  de uma reunião à portas  fechadas com líderes políticos de partidos aliados. Todos, sem exceção, o aconselhavam a  “discutir sua  relaçao”  com  Louise e termina-la, caso ainda  tivesse interesse em permanecer no cenário e na intenção dos eleitores para as próximas eleições.
Pesquisas indicavam um alto grau de rejeição em relação a ela, agora que suas imprudências vieram a tono. O próprio partido estava estruturando uma maneira  de destituí-la do cargo que ocupava,  afastandoa-a  de qualquer participação ativa.
Roger Avril continuava  com suas publicações. Quando não eram novas  denúncias saídas  das mãos de  Olivier,  eram crônicas ou artigos analisando e expondo opiniões  de especialisas, cientistas políticos, economistas  e tantos outros profissionais, até mesmo do exterior.
Estava abrindo a  porta  do carro quando percebeu a aproximação da repórter.
- Merda... – praguejou baixinho
Já perdera a conta  de quantas  vezes  tivera que fugir  ou se esconder de jornalistas e repórteres.
- Monseiur Brissot! Monseiur Bernard Brissot, excuze-moi!
- Pois não mademoiselle...
- Alainy Duprè, do Canal 5.
- Seja rápida, ouí? Estou atrasado para uma reunião.
- É o que todos dizem, monsieur. – exclamou a repórter, sorrindo.
- O que quer  saber, senhorita Alainy?
- O senhor vai manter esse relacionamento de aparências  com Louise Geraldy até quando?
- Esse relacionamento não é de aparências, senhorita...
- Não acha que está prejudicado toda  sua promissora  carreira  de bom poítico, ficando ao lado de uma pessoa corrupta e tão sem escrúpulos  como ela?
- Veja bem, senhorita.   Denúncias  foram feitas e certamente  serão investigadas, processadas e julgadas.  Louise apresentará  sua defesa e veremos a veracidade dessas... divulgações midiáticas.
- Não tem medo de ser incrimindo com ela?
- Eu sinto muito, não posso mais atendê-la. – respondeu entrando rapidamente no carro e saindo em seguida.



PSV



Milton fez várias perguntas ao delegado, tentando parecer interesssado em ajudar. Rosa manteve-se  distante dele e quando percebeu que não ia  obter exatamente as respostas que queria, tratou de  ir embora.
Enquanto descia pelo elevador, administrava  suas ideias.
Ah, Rosa, eu sinto muito que tenha  que ser assim, mas  você  vai me agradecer quando eu trouxer  sua  filha  sã e salva até  você! – pensou sorrindo, como se  fosse um herói.
As  respostas  do delegado  foram  vagas. O que me faz crer que ele não tem informações  consistentes ainda... Não sabem por onde  começar a procurar pela menina e aguardam um contato.
- Oras,  por quê não? – pergunta em  voz alta, parando o elevador.
Saiu dele e procurou pela escada ao mesmo tempo que pegava o celular  comprado exclusivamente para  aquele fim. Confirmou e não havia ninguém por ali, a não ser havia  sinal de rede  que precisava. Sorriu sarcasticamente.
- Ótimo. Você  vai  ter seu primeiro contato, francês... – murmurou selecionado  o número do fixo.



PSV



Alex passou   a manhã  brincando de ser  princesa, alheia ao que acontecia  fora  do quarto.  “Elsa” lhe  trouxera um lanche e Alex  reclamou que já  estava cansada  de  ficar  com o vestido e queria trocar  de  roupa.
- Não temos roupas sua aqui.
- Poxa... Eu não aguento mais usar esse  vestido. – reafirmou Alex triste. - Ah!  O carro do meu papai “tamém” tá escondido aqui?
- Tá sim.
- “Vualá”! Na minha mochila tem roupinha  minha. A minha mamãe sempre leva quando a gente  sai. Eu posso “pega ela”?
- Você não. Eu  vou  conversar com os  rapazes que estão... olhando o carro do seu papai e as trago junto  com o almoço.
- Uhu! Merci, Elsinha! – era  como Alex a chamava -  É obrigado em francês; você sabia que o  meu papai é francês? Ele nem me  conhecia mas ele veio lá da França e...
Alex demorou  poucos minutos para  contar sua história  à Elsa.




PSV



- Lar, doce lar! – exclamou Bernard girando o corpo e fechando a porta.
Quando se voltou, paralisou  o movimento que fazia para tirar a gravata.
- O que  foi, parece que  viu um fantasma querido. Esperava encotrar outra pessoa aqui?
- Na verdade eu esperava não encontrar ninguém aqui Louise.
- Não mesmo? – pergutou aproximando-se,   terminando de desfazer o nó  da gravata. -  Nem mesmo Roberta?
-  Que  conversa é esssa,  ela está no Brasil...
- Estava. Chegou a algumas horas, para  ficar  com o papai que  foi vítima do atentado!
- Você às vezes é desumana, Louise.
- Não sou desumana, sou realista e prática. – diz pegando dois  copos  com bebida, entregando um a ele. – me acompanha?
Bernard tomou um pequeno gole e pousou o copo sobre a mesinha de centro.
- O que veio realmente fazer aqui?
- Passar alguma horas  com meu noivo. Eu ainda não estou morta!
- Escolheu a noite errada. Estou extremamente cansado e tudo que quero e preciso é um banho e cama.
- Voilà! É exatamente onde  quero  estar com você. – falou desabotoando a camisa dele.
- Não  essa noite. – disse livrando-se das mãos de Louise - Quero dormir e sozinho.
- Sozinho ou com Roberta?  Marcou com ela  por aqui?
- Não seja ridícula, Louise.  Ciúmes não combina  com você
- Você  está  sendo ridículo ao sugerir isso, Bernard. Encontre-se  com quem quiser, mas  faça isso em algum lugar  bem reservado, longe de mim e dos  repórteres que estão de plantão na  porta  do seu prédio. Não precisamos de mais notoriedade.
- Morris  teve algum sucesso? – pergunta mudando o rumo da  conversa.
- Não.  Os juízes da procuradoria estão mais exigentes e menos corruptíveis. – respondeu pegando sua  bolsa.  –  O que não significa que não tenham preço. – completou confiante.
- Vai procurar  consolo com ele?
- Oh, eu pensei que  sentir  ciúmes  fosse  ridículo...
-  E é. Spo quero ter o mesmo... Provilégio. Pode dormir com quem quiser, desde que me deixe  fazer  o mesmo.
Louise ajeitou a echarpe e colocou o casaco. Em seguida,  as luvas e caminhou até a porta. Então  voltou-se para Bernard.
- Você pode. – diz finalmente, como se o liberasse de uma regra. -   Com qualquer uma, menos Roberta.
Quase duas  horas  depois, deitado em sua cama Bernard refletia. O partido  tem razão. Está na hora  de  por  um fim em nossa  relação, Louise.  E talvez Roberta  seja a solução...



PSV



A porta  do elevador se abriu e Roberta esperou algmas  pessoas  descerem antes de sair. Deu alguns passos em direção a porta giratória cosultando algo em seu celular e pensando na visita desagradável de Louise.
Então esbarrou em alguém e ergueu a cabeça para  se desculpar. 
- Mon Dieu,  definitivamente hoje não é meu  dia  de sorte! – exclamou  girando o corpo para  se desviar e alcançar a porta, mas  foi segura  pelo braço mais uma vez.
- Quer me soltar?
- Não. Precisamos conversar  sobre Alexandra. Quem a ajudou a sequestra-la? – pergunta Frazão sem solta-la.
- Eu não sei do que está falando!  - Responde tentando se  soltar.
- É claro que sabe. Você vai comigo e  vai me explicar seu  plano.
- Não vou a lugar algum com você!  Eu preciso ir até o hospital, meu pai está me esperando.
- Perfeito. Eu a levo até lá e no caminho vamos  conversadno.
Instantes depois, Roberta  está  o banco de trás  do carro  de Frazão.
- Esta é Janete, a melhor  amiga  da Rosa e agora minha  esposa. – Diz explicado a presença de Janete  no carro. – Agora comece.
- Eu não tenho nada a dizer, Frazão!
- Roberta, o fato de estar aqui na França não a faz menos  culpada. Já havia uma denuncia, uma queixa-crime contra você. Quis bancar a esperta e aceitou a ajuda do Beto, mas ele estava do nosso lado. Planejou sequestrar Alex para ficar  com Claude. Acha mesmo que ele ficaria com você?
- Eu já  disse que não sei de nada!
- “Abortar operação Boneca Francesa”. Foram essas  suas palavras, enviadas para Beto e para  o seu cúmplice. Só que ele não abortou. Alex foi levada junto com o carro do Claude. Em algum momento a  policia francesa vai entrar  no caso, se é que já não entrou, Roberta. Simplifique as  coisas e me diga quem é ele. Só  queremos Alexandra de  volta.
- Eu não tenho nada a dizer, Frazão.
- Como pode ser tão cruel usando  uma garotinha para se  vingar?
- Está bem eu confesso. Eu quis me vingar, mas não me vinguei. Estou na França e não estou com a menina aqui, estou?
- O nome dele, Roberta. – insiste Frazão parando o carro em frente  ao hospital.
- Esse detalhe eu só falo na  presença  do meu advogado, e para a policia. Danem-se  vocês todos! – afirma enfurecida, descendo  do carro e entrado rapidamente no hospital.
Frazão faz menção de segui-la, mas é impedido por  Janete.
- Não, amor! Aqui não é lugar de continuarmos  com isso.
- Tem razão, Janete.  Mas eu não  vou desistir de fazê-la falar!
- Ela não vai  falar a não ser que seja  detida...
- Pois então vamos detê-la! – Diz pegando o celular – E torcer para que a policia brasileira e francesa ajam rapidamente... Claude? Sim, eu consegui falar  com ela, mas Roberta se nega a...



PSV



Roberta caminhou rapidamente para  dentro  do hospital com passos fortes e firmes, fazendo com que o salto do  sapato marcasse  cada um deles. Percebeu os  olhares das pessoas em si e sentiu-se ainda mais acusada. De que? Não tinha  feito nada, nada!
O que aquele idiota do Milton fez?  Perguntou-se seguindo pelo corredor que a levaria ao quarto  do pai. Agora  não poderemos culpar  Beto!
Eu sabia, sabia que não devia  ter  confiado nele. Ainda  bem que não o informei sobre Milton! Por  outro lado, se tivesse  falado, a policia  agora  estaria  atrás  dele e não de mim... Mas que m*!
Parou em frente  a porta e tirou o celular  da  bolsa, disposta a discutir  com Milton, mas parou o movimento  na metade. Se falasse  com ele  agora, do seu celular,  estaria mais encrencada ainda.  Poderia  ser acusada  de planejar, mas não de sequestrar a menina. Dane-se Miton! Eu pedi para não  fazer nada.  Um  bom advogado a tiraria  dessa enrascada.  Alegaria que Miton a obrigara a participar dessa maluquice  toda,  depois de  ficar com  todo seu dinheiro. É isso, vou dizer que ele me enganou dizendo que ia  investir em Arte e  além de não me devolver, ainda  obrigou-me a participar usando meu amor  por Claude.
Ele planejou tudo! Ele separaria os  dois, pois  queria Rosa de qualquer maneira. Quanto a Beto... Oras  não foi mesmo  dele a ideia de cupa-lo por  tudo? Milton era o cabeça do plano. Ele contratou  os  profissionais para esse  serviço e eu, eu ansiosa  por  reaver a pessoa que amo, sucumbi. E não descarto a possibilidade de ter sido drogada por ele para  poder  obedecê-lo! Viu-se  até dizendo isso em frente a um  júri, com lágrimas os olhos.
Respirou fundo e controlou-se. Ligaria para ele na Galeria e  de outro lugar. Talvez do escritório de Bernard,  por que não? Controlada deu uma  pequena batida na porta e entrou.
- Papai? Eu tive  uma  grande ideia. Assim que você  estiver com alta,  iremos  viajar, que tal? Podemos  tirar  aquelas  férias juntos, como  você sempre quis.
- Roberta,  o que foi que  fez  dessa vez?  Perguntou Henri desconfiado.
- Papai! Por que está  sempre esperando o pior  de mim?




PSV




Milton ativou o aplicativo de  mudança de  voz e fez a ligação, para o  telefone  fixo.  Com o celular comprado exclusivamente para  isso,  e para dificultar o rastreamento chamaria como número invisível.
Fizera uma rápida  pesquisa pela Internet e descobrira que  a liberação do número para a polícia era praticamente instantânea, por parte das operadoras.
Porém, teriam que triangular o sinal para determinar de que área vinha a chamada.  Um cruzamento entre as antenas de transmissão da operadora, para  saber dentro de uma área relativamente grande, de onde a chamada era feita.
Teria três minutos para  falar sem ser encontrado...
- Alô! – era a voz de Claude. Exatamente  quem ele queria.
- Bom dia, francês! Ansioso por  notícias  de sua  garotinha?
- Quanto  você quer?
- Mon Dieu, tão  direto ao ponto! Não quer  saber quem sou?
- Você é um covarde que se esconde atrás  de um programinha de  mudança  de voz!
Milton ri alto.
“Claude me deixa  falar com ele! Eu quero  falar  com Alex! – escuta  Milton.
- Diz pra  sua “esposa” que eu não estou com sua  filha  agora. Ela está  um lugar  seguro, muito bem  cuidada. É tudo que  vou dizer.
Os policiais pediam para Claude e Rosa  se alcamarem, mantendo-o na linha.
- Escuta, seja  você quem for, - escuta  Rosa  ao telefone – eu só quero minha  filha  de  volta! Diga  o quer, nós lhe  daremos e deixaremos  a policia  fora  disso!
- Querida, eu não  sou trouxa! Sei muito bem que já  estão sendo auxiliados  por ela.
- Mas podemos negociar sem eles...
- Nosso tempo acabou. Por enquanto. Na próxima ligação talvez  você  fale  com sua garotinha...
- Não! Espere, diga  o que  você quer! O que  você e  Roberta querem!
- Seus três  minutos se esgotaram! Adieu! –diz Milton finalizando a ligação.
Sorriu satisfeito e  guardou o celular  no  bolso interno do blazer, saindo para o saguão  do edifício.
Mais  fácil que tirar  doce  de criança, pensou.
Entrou em seu carro e deu a partida no exato omento e que Beto e Rodrigo chegavam. Beto parou por um momento, olhando fixamente para o logotipo estampado na  porta  daquele carro.  O carro era comum, como tantos  outros. Mas aquele desenho lhe era familiar...
- O que  foi Beto?
- Não sei. O logotipo estampado nesse carro... Eu já o vi antes!
- É da Galeria Eros, o dono é conhecido de Rosa e Claude.
- Pode ser que eu  o conheça  de lá então...



PSV



Quando Dadi abriu a porta  para Beto e Rodrigo, ainda se  ouvia a voz de Rosa.
- Meus Deus, quem será  esse  sócio  de  Roberta? Ela não tem amigos  brasileiros, tem? – pergunta  olhando para Claude.
 - Não,  Roberta nunca  se  interessou pelo Brasil.
- Não é por ai que  devemos pensar  então. – afirma  o policial que  ficara no apartamento.  – Essa pessoa parece  conhecer e muito bem vocês dois.  Ele ligou a menos  de trezentos  metros. Isso foi um recado.
- Entraram em contato então... – diz  Rodrigo – Posso ouvir  a gravação?
- Claro.  Quem sabe você percebe algo que  deixamos  escapar...
- Claude e Rosa eu vou levar  a minha camêra, preciso prearar o álbum da Erci. Vou  aproveitar e revisar  tudo mais uma vez...
- Claro Beto, é o seu trabalho! Não devia  ocupar  ainda mais  o seu  tempo  conosco, já nos ajudou muito e   só temos que agradecê-lo.
- Estarei  com vocês  até  o fim, d’accord? – respondeu Beto segurando as mãos  de Rosa  afetuosamente.
- Não há  nenhum som externo ou por  trás da fala dele – diz Rodrigo tirando os fones  de ouvido. – Se pudéssemos corrigir essa  distorção na  voz  dele, talvez a reconhecêssemos!
- Isso é possível? – pergunta Rosa.
- Vou perguntar isso ao nosso departamento científico agora mesmo! – observa o policial.
-  Sabe, o Paulo tem um palpite. Ele acredita que  quem fez isso esteve na  festa,  entre os convidados do casamento. Por  isso vou começar a investigar  a lista  de  convidados, enquanto o delegado do  caso examina as imagens  de segurança. Eu imagino que a secretária  da Erci ou do Freitas  tenham essa informação.
- Certamente que  sim. -  afirma Claude. – Faça o que  puder Rodrigo.   -  pede em seguida com os  olhos profundamente  tristes.
- Vamos  encontra-la! – afirma antes de  sair  com Beto.



PSV



Já era noite quando Milton finalmente chegou ao cativeiro onde Alex  estava. O apartamento  de número trinta e dois, em  um prédio residencial, num  bairro tranquilo e de classe média, herança dos pais,  onde ele mesmo  morara.  Os  vizinhos  não suspeitariam de nada, eram em  sua  maioria  idosos e caso alguém o interpelasse, diria que era sua ex-mulher e sua  filha que estavam ali, por alguns  dias.
Alex já dormia. Tirou a máscara e guardou-a. Certificou-se que não faltava alimentação para ela. A menina tnha que retornar para Rosa tao bem quanto viera. Deu algumas instruções para “Elsa” e avisou que  voltaria  na manhã  seguinte.
Voltou para  casa  pensando no que  fazer  dali para  frente.  Tinha que ser esperto e usar a  seu favor as informações que conseguisse.
Faria  o papel de amigo preocupado pelo bem estar da  família. Mostraria seu “arrependimento” pelas  atitudes passadas. Por eles,  ou pelos amigos  em comum, saberia  das  coisas...
Mudou de faixa aumentando a velocidade do carro e de seus pensamentos. 
Zequias havia providenciado outro local, mas o cancelamento da ação, na última  hora, o fizera  rever  seus planos. Agora estava sozinho na jogada. A moça que vigiava Alex era irmã de um dois dos capangas que o ajudaram. Se revezavam por ali, para que Zequias não percebesse.
Já havia  também recebido uma ligação dele, nada  amigável. Como em qualquer negócio, Zequias  exigia uma quantia significativa pelos  serviços contratados e cancelados. Além do combinado queria uma indenização por “prejuízo e danos morais”.
Isso  não seria problema desde que esperasse.  Poderia  usar  parte de resagate para isso... Não fora fácil covencê-lo, mas conseguira.
Quanto a Roberta, melhor tirá-la da  jogada de uma vez.  Não... Tenho uma ideia melhor! Vou criar  uma situação que a  torne  culpada de  tudo, já que  agora o fotografozinho não poderá mais ser culpado!
Afinal, nem ele nem ninguém sabe que eu estava  com ela nessa.  Sinto muito chèrie, mas amigos, amigos; negócios a parte!
- Milton, você é um gênio! – exclamou abrindo um largo sorriso, antes de pegar  a entrada para o codominio onde morava.



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 Rosa despertou a tempo de ouvir Claude praguejar ao devolver algo para  cima  da cômoda.
- Pardon, hã?  - desculpou-se  por  tê-la acordado. – Não! –exclamou ao vê-la sair  da cama - Tente  dormir um pouco mais, chèrie.
 - Eu sei o que  está  tentando fazer, Claude. -  afirmou Rosa, aproximando-se dele -  E agradeço imensamente, mas  não  tem que ser  forte o tempo todo, ok? – conseguiu murmurar antes de falsear a  voz.
Então abraçaram-se, amparando  um o corpo do outro, trêmulos de emoção.
- Nós não vamos perde-la, não é?
- Não, chèrie, não vamos perdê-la e em a nós mesmos, ouí?
- Nunca mais Claude! Eu... Nós precisamos  dela aqui conosco...
- Eu decidi oferecer uma recompensa por qualquer informação que nos leve a ela...
- Ótima ideia, alguém tem que ter  visto alguma  coisa! – concordou deixando algumas  lágriams escaparem.
- Agora – afirmou Claude limpando-as -  Você  vai  tomar  um bom café da manhã, em minha  companhia e  depois  vamos esperar  pelo contato dele, d’accord.?
- D’accord... – assentiu Rosa  com um sorriso tímido – Eu acho que  tem alguém com fome mesmo! – disse tentado  animar a Claude e a si mesma.



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Alex saiu do banheiro e Elsa a esperava  com o café  da manhã.
- Você tem certeza, Elsa que eu não preciso “toma”  banho? A minha  mamãe faz eu “toma” todo dia quando eu acordo...
- Você quer  tomar?
- Humhum... – responde sacudindo a cabeça.
- Então não precisa  tomar! Mas o café sim! Eu volto daqui a pouco pra  pegar  a bandeja.
Alex tomou o leite e comeu um pedaço de  bolo. Estava decidindo se pegava biscoito ou não, quando Elsa voltou.
- Você tem visitas!
- Eba, meu papai me achou?

- Não... -  sussurra Elsa.
- Ah, finalmente  conheço a garotinha que  gosta  de cangurus! – exclama Milton tentando ser simpático por  detrás da máscara.
- Quem é  você?
- Eu sou um amigo da  sua mamãe e do seu papai. E pra eles te acharem, eu vou ligar e você  vai falar só um pouquinho com com eles, entendeu?
Alex olhava  desconfiada para Milton.
- E porque eles não “veio” me  buscar?
- Porque eles  se perderam no caminho...
- E por que  você  não me leva pra  casa?
 - Talvez eu leve. Mas não agora.
- Quando?
- Se eles  não te acharem eu levo, combinado?
- Por que  todo mundo tá  de máscara e eu não?
- Você  faz perguntas  demais, garota. Vamos  falar  com sua mãe. – Disse com o celular  na mão.
Quando o telefone tocou, todos correram para  perto do notebook.
- É ele. – disse o policial,  observando  a legenda “número invisível”.
Como já haviam combinado, Rosa atendeu.
- Alô! – exclamou com a respiração tensa, sentindo as mãos de Claude  em seus ombros.
- Bom dia, Rosa! –  Falou Miton com a mesma  voz do adia anterior.
- Minha filha,   me deixa  falar com ela!
- Calma, você  vai falar.  Mas não muito, seja breve!
- Mamãe?
- Filha! Você  está bem?
- Aham... Mas eu não gostei nadinha dessa brincadeira  de  pique-esconde! Eu quero que  você e o papai vem me achar logo!
- Brincadeira?
- É vocês  tem que me achar,  ele que  disse...
- Ele quem, Alex?
- O moço com...
- Muito bem,  já ouviu que ela está bem... – Outra vez a voz  de Milton – Agora é  comigo...
- Não, espera! Eu...
- Sinto muito, seu tempo tem que acabar antes do meu. – Afirma Milton,  fora  do quarto, tirando a máscara.
- Quanto você quer? – Pergunta Rosa
- Esse assunto eu trato  com  seu marido.  Mais tarde. – E desliga.
- Mas que droga, ele desligou! – exclama Rosa.
- Calma, chèrie...
- Senhora,  esse é o jogo de  todo sequestrador: desestabilizar o emocional da família e agir no fervor do momento. Ele  vai ligar  várias  vezes ainda e se  conseguir demonstrar  frieza, inverteremos o jogo, vai ver!
- Meu Deus... E que história é essa de  pique-esconde?
- Essa pessoa com certeza os conhece, e criou uma  fantasia para não assustar  sua  filha.



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Roberta ajeitou a coberta  sobre seu pai e apesar dele dormir, desejou--lhe boa noite  foi para  seu quarto.  Despiu-se e tomou um banho demorado e quente para  combater os quinze  graus negativos do inverno francês que  deixara para trás...
Antes  de  se deitar,  aconchegada em um sobretudo grosso, recorreu ao seu maço de cigarros e acendeu um, aproximando-se  da janela.
Uma bela vista, pensou soltando a fumaça pelas narinas, em direção ao vidro da janela, que embaçou-se  momentaneamente. E pensar que já  poucas horas  atrás ainda estava na França...
A Grecia tinha paisagens deslumbrantes, e lugares  restritos como esse,  que lhe serviriam de consolo por um bom tempo, já que ela desistira  de  voltar ao Brasil.
Milton que arcasse sozinho  com sua atitude preciptada e egoísta.
Ficaria nessa casa, proprieade de um  amigo de Bernard, até que  seu  pai  estivesse  totalmente recuperado. Pedira um afastamento indeterminado na revista. Seu paradeiro só era  conhecido por Bernard. E pelo seu amigo, claro, que  diga-se  de passagem, era  muito atraente e... Disponível.
E muito mais  rico e poderoso que Claude ou Louise.
- Ah,  Louise! – exclamou sorrindo, satisfeita  por dentro, saboreado o que sentia  ser  doce  em  sua pequena vingança. - Que  fase, querida! Azar no amor e no jogo da  política...
A essa altura,  as imagens já deviam ter sido exibidas. Apagou o cigarro e enfiou-se debaixo dos  cobertores.
- Bonna chance, Louise. Et à bientôt! – disse antes  de fechar os olhos.




PSV




Já era tarde  da noite  quando os  Smith,  Silvia e  Julio,  Nara e Sérgio  deixaram  o  apartamento. O delegado Tobias estivera ali também. As investigações  continuavam. Haviam pedido à Justiça, a quebra  de sigilo das ligações de Roberta, um mandato de busca e apreensão em seu quarto  de hotel, uma vez que sua  reserva ainda estava ativa.
Os carros utilizados na ação eram “frios” e a identificação  dos  participantes estava sendo feita através das imagens das camêras  de seguranças. Um trabalho que leva tempo, segundo Tobias.
A ideia da recompensa era um forte aliado.  Receber “grana” em troca  de informação sempre  surtia  efeito entre  membros de  gangues e facções criminosas. É um território onde o mais esperto   sempre  se  dá melhor, argumentou ele e antes de ir embora, reafirmando seu proósito de  resgatar Alex com toda  segurança. 
Claude e Rosa já estavam indo para o quarto,  sem esperanças  de um novo contato naquela  noite, quando o telefone tocou.
- É ele! – disse  o policial. – Que bom que decidi ficar. Atenda, Claude.
- Alô!                                    
- Bonne nuit, francês! Um pouco tarde para uma ligação, mas eu creio que está a fim de saber quanto quero pela sua preciosa filha, não?
- É claro que sim... Quanto quer?
- Eu não sei... Quanto você credita  em favor  dela?
- O que você quiser, já que para  mim ela não tem preço... O que quer? Todo meu capital?
- Não, companheiro... Todo não, só uma parte dele. – responde  Milton, pensado mais em Rosa que no dinheiro.
- Então diga logo! Quanto?
- Digamos... Um milhão. Um  milhão de euros, claro!
- D’accord. Eu preciso de algumas horas para conseguir isso e lhe darei assim que  tiver  minha  filha sobre minha visão.
- Não, não tão rápido assim. A entrega da  garota e a  transação desse dinheiro,  feita de modo  eletrônico, vai ser  sem participação da polícia, num esquema de conta que nunca  será rastreada...
- D’accord. Daremos um jeito de deixar a polícia  fora  disso...
-Claude! – exclama Rosa e ele faz um gesto de calma para  ela.
- É claro que daremos. – concorda Milton, num  tom cínico e provocativo -  Faltam dez segundos... Até a próxima.


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