Capítulo
51
PSV
Quem, quem poderia
ser? – pensava Roberta cobrindo a cabeça
com o travesseiro tentando ignorar o som da campainha, pois só o
hospital e a revista sabiam de sua presença
na França.
- D’accord, d’accord!
Eu já estou indo! – exclamou saindo da cama e vestindo o robe.
Apertou-o em torno da
cintura e abriu a porta.
E viu Louise entrar sem esperar convite.
- Bonjour pra você também, Louise! – disse então,
fechando a porta. – Não quer entrar?
- Oras, querida! Não precisamos de cerimônias entre nós não é mesmo? Onde
está ele?
- Ele quem? Quem você quer? Bernard? Eu não o vi nem
pretendo.
- Quem está falando
desse imbecil? Claude, eu quero saber onde ele está!
- Como soube que eu
estava aqui? Pergunta ignorando a fala
de Louise.
- Você ainda não é invisível, chèrie! Meus... olheiros costumam ser bem atentos. Eles sabem dar
valor a uma boa gorjeta.
- Seja lá o que estiver querendo, a resposta é não. E por favor, bata a porta quando sair.
E deu alguns passos à
frente, na intenção de voltar ao quarto.
Mas Louise a segurou pelo antebraço.
- Não tão rápido, meu bem. Você me deve uma explicação! Já está ciente da avalanche
de denúncias que caíram sobre mim?
- O mundo todo está sabendo.
- Exato. Só o que não sabem, é que você começou tudo isso.
- Eu? Você está louca!
- Mon Dieu, como eu
me arrependo de tê-la ensinado tão bem!
- Não é mérito seu,
querida. É meu. Eu sou uma excelente aprendiz e superei você. Se não gosta, morre que passa.
- Que palavreado mais vulgar... O Claude aprova esse seu novo vocabulário?
- Ah, Claude... Ele não está aqui, nem comigo. Ele ficou no Brasil e sabe por quê?
Porque ele reencontrou a suburbana e a bastardinha e eles fizeram as pazes!
- Você está mentindo!
- Estou? Pague uma
boa gorjeta aos seus olheiros e
comprove. Eles até se casaram... Oh, foi uma cerimonia tão emocionante! A sua neta foi quem entregou as alianças.
- Essa menina não é nada
minha!
- Moralmente é sim. Ops, esqueci, - diz
ironicamente - você não tem moral
alguma...
- Então empatamos não é querida? – responde com frieza.
- Vá embora Louise. Eu tenho que ir ao hospital, ficar com meu pai.
- Ora, ora... Atuando
no papel da filha pródiga. Quem diria!
- Ah sim, ele está muito bem, apesar dos ferimentos. Obrigada
por se preocupar, você é sempre tão
gentil e delicada... – diz suavemente antes de
mudar o tom. – Agora saia da minha casa!
- Com todo prazer! – afirma caminhando até a porta. - E não se esqueça: matenha
distância de Bernard! – completa antes de deixar o apartamento.
PSV
Bernard deixou o
gabinete da prefeitura depois de uma reunião à portas fechadas com líderes políticos de partidos
aliados. Todos, sem exceção, o aconselhavam a
“discutir sua relaçao” com
Louise e termina-la, caso ainda
tivesse interesse em permanecer no cenário e na intenção dos eleitores
para as próximas eleições.
Pesquisas indicavam um alto grau de rejeição em relação a
ela, agora que suas imprudências vieram a tono. O próprio partido estava
estruturando uma maneira de destituí-la
do cargo que ocupava, afastandoa-a de qualquer participação ativa.
Roger Avril continuava
com suas publicações. Quando não eram novas denúncias saídas das mãos de
Olivier, eram crônicas ou artigos
analisando e expondo opiniões de
especialisas, cientistas políticos, economistas
e tantos outros profissionais, até mesmo do exterior.
Estava abrindo a
porta do carro quando percebeu a
aproximação da repórter.
- Merda... – praguejou baixinho
Já perdera a conta de
quantas vezes tivera que fugir ou se esconder de jornalistas e repórteres.
- Monseiur Brissot!
Monseiur Bernard Brissot, excuze-moi!
- Pois não mademoiselle...
- Alainy Duprè, do Canal 5.
- Seja rápida, ouí?
Estou atrasado para uma reunião.
- É o que todos dizem, monsieur. – exclamou a repórter,
sorrindo.
- O que quer saber,
senhorita Alainy?
- O senhor vai manter esse relacionamento de aparências com Louise Geraldy até quando?
- Esse relacionamento não é de aparências, senhorita...
- Não acha que está prejudicado toda sua promissora carreira
de bom poítico, ficando ao lado de uma pessoa corrupta e tão sem
escrúpulos como ela?
- Veja bem, senhorita.
Denúncias foram feitas e
certamente serão investigadas,
processadas e julgadas. Louise
apresentará sua defesa e veremos a
veracidade dessas... divulgações midiáticas.
- Não tem medo de ser incrimindo com ela?
- Eu sinto muito, não posso mais atendê-la. – respondeu
entrando rapidamente no carro e saindo em seguida.
PSV
Milton fez várias perguntas ao delegado, tentando parecer
interesssado em ajudar. Rosa manteve-se
distante dele e quando percebeu que não ia obter exatamente as respostas que queria,
tratou de ir embora.
Enquanto descia pelo elevador, administrava suas ideias.
Ah, Rosa, eu sinto muito que tenha que ser assim, mas você
vai me agradecer quando eu trouxer
sua filha sã e salva até você! – pensou sorrindo, como se fosse um herói.
As respostas do delegado
foram vagas. O que me faz crer
que ele não tem informações consistentes
ainda... Não sabem por onde começar a
procurar pela menina e aguardam um contato.
- Oras, por quê não? –
pergunta em voz alta, parando o
elevador.
Saiu dele e procurou pela escada ao mesmo tempo que pegava o
celular comprado exclusivamente
para aquele fim. Confirmou e não havia
ninguém por ali, a não ser havia sinal
de rede que precisava. Sorriu
sarcasticamente.
- Ótimo. Você vai ter seu primeiro contato, francês... –
murmurou selecionado o número do fixo.
PSV
Alex passou a
manhã brincando de ser princesa, alheia ao que acontecia fora
do quarto. “Elsa” lhe trouxera um lanche e Alex reclamou que já estava cansada de
ficar com o vestido e queria
trocar de roupa.
- Não temos roupas sua aqui.
- Poxa... Eu não aguento mais usar esse vestido. – reafirmou Alex triste. - Ah! O carro do meu papai “tamém” tá escondido
aqui?
- Tá sim.
- “Vualá”! Na minha mochila tem roupinha minha. A minha mamãe sempre leva quando a
gente sai. Eu posso “pega ela”?
- Você não. Eu
vou conversar com os rapazes que estão... olhando o carro do seu
papai e as trago junto com o almoço.
- Uhu! Merci,
Elsinha! – era como Alex a chamava
- É obrigado em francês; você sabia que
o meu papai é francês? Ele nem me conhecia mas ele veio lá da França e...
Alex demorou poucos
minutos para contar sua história à Elsa.
PSV
- Lar, doce lar! – exclamou Bernard girando o corpo e
fechando a porta.
Quando se voltou, paralisou
o movimento que fazia para tirar a gravata.
- O que foi, parece
que viu um fantasma querido. Esperava
encotrar outra pessoa aqui?
- Na verdade eu esperava não encontrar ninguém aqui Louise.
- Não mesmo? – pergutou aproximando-se, terminando de desfazer o nó da gravata. -
Nem mesmo Roberta?
- Que conversa é esssa, ela está no Brasil...
- Estava. Chegou a algumas horas, para ficar
com o papai que foi vítima do
atentado!
- Você às vezes é desumana, Louise.
- Não sou desumana, sou realista e prática. – diz pegando
dois copos com bebida, entregando um a ele. – me
acompanha?
Bernard tomou um pequeno gole e pousou o copo sobre a mesinha
de centro.
- O que veio realmente fazer aqui?
- Passar alguma horas
com meu noivo. Eu ainda não estou morta!
- Escolheu a noite errada. Estou extremamente cansado e tudo
que quero e preciso é um banho e cama.
- Voilà! É
exatamente onde quero estar com você. – falou desabotoando a camisa
dele.
- Não essa noite. –
disse livrando-se das mãos de Louise - Quero dormir e sozinho.
- Sozinho ou com Roberta?
Marcou com ela por aqui?
- Não seja ridícula, Louise.
Ciúmes não combina com você
- Você está sendo ridículo ao sugerir isso, Bernard. Encontre-se com quem quiser, mas faça isso em algum lugar bem reservado, longe de mim e dos repórteres que estão de plantão na porta
do seu prédio. Não precisamos de mais notoriedade.
- Morris teve algum
sucesso? – pergunta mudando o rumo da
conversa.
- Não. Os juízes da
procuradoria estão mais exigentes e menos corruptíveis. – respondeu pegando
sua bolsa. – O que
não significa que não tenham preço. – completou confiante.
- Vai procurar consolo
com ele?
- Oh, eu pensei que
sentir ciúmes fosse
ridículo...
- E é. Spo quero ter o
mesmo... Provilégio. Pode dormir com quem quiser, desde que me deixe fazer
o mesmo.
Louise ajeitou a echarpe e colocou o casaco. Em seguida, as luvas e caminhou até a porta. Então voltou-se para Bernard.
- Você pode. – diz finalmente, como se o liberasse de uma
regra. - Com qualquer uma, menos
Roberta.
Quase duas horas depois, deitado em sua cama Bernard refletia.
O partido tem razão. Está na hora de
por um fim em nossa relação, Louise. E talvez Roberta seja a solução...
PSV
A porta do elevador se
abriu e Roberta esperou algmas
pessoas descerem antes de sair.
Deu alguns passos em direção a porta giratória cosultando algo em seu celular e
pensando na visita desagradável de Louise.
Então esbarrou em alguém e ergueu a cabeça para se desculpar.
- Mon Dieu, definitivamente hoje não é meu dia de
sorte! – exclamou girando o corpo para se desviar e alcançar a porta, mas foi segura
pelo braço mais uma vez.
- Quer me soltar?
- Não. Precisamos conversar
sobre Alexandra. Quem a ajudou a sequestra-la? – pergunta Frazão sem
solta-la.
- Eu não sei do que está falando! - Responde tentando se soltar.
- É claro que sabe. Você vai comigo e vai me explicar seu plano.
- Não vou a lugar algum com você! Eu preciso ir até o hospital, meu pai está me
esperando.
- Perfeito. Eu a levo até lá e no caminho vamos conversadno.
Instantes depois, Roberta
está o banco de trás do carro
de Frazão.
- Esta é Janete, a melhor
amiga da Rosa e agora minha esposa. – Diz explicado a presença de
Janete no carro. – Agora comece.
- Eu não tenho nada a dizer, Frazão!
- Roberta, o fato de estar aqui na França não a faz
menos culpada. Já havia uma denuncia,
uma queixa-crime contra você. Quis bancar a esperta e aceitou a ajuda do Beto,
mas ele estava do nosso lado. Planejou sequestrar Alex para ficar com Claude. Acha mesmo que ele ficaria com
você?
- Eu já disse que não
sei de nada!
- “Abortar operação Boneca Francesa”. Foram essas suas palavras, enviadas para Beto e para o seu cúmplice. Só que ele não abortou. Alex
foi levada junto com o carro do Claude. Em algum momento a policia francesa vai entrar no caso, se é que já não entrou, Roberta. Simplifique
as coisas e me diga quem é ele. Só queremos Alexandra de volta.
- Eu não tenho nada a dizer, Frazão.
- Como pode ser tão cruel usando uma garotinha para se vingar?
- Está bem eu confesso. Eu quis me vingar, mas não me
vinguei. Estou na França e não estou com a menina aqui, estou?
- O nome dele, Roberta. – insiste Frazão parando o carro em
frente ao hospital.
- Esse detalhe eu só falo na
presença do meu advogado, e para
a policia. Danem-se vocês todos! –
afirma enfurecida, descendo do carro e entrado
rapidamente no hospital.
Frazão faz menção de segui-la, mas é impedido por Janete.
- Não, amor! Aqui não é lugar de continuarmos com isso.
- Tem razão, Janete. Mas
eu não vou desistir de fazê-la falar!
- Ela não vai falar a
não ser que seja detida...
- Pois então vamos detê-la! – Diz pegando o celular – E
torcer para que a policia brasileira e francesa ajam rapidamente... Claude?
Sim, eu consegui falar com ela, mas Roberta
se nega a...
PSV
Roberta caminhou rapidamente para dentro do hospital com passos fortes e firmes,
fazendo com que o salto do sapato
marcasse cada um deles. Percebeu os olhares das pessoas em si e sentiu-se ainda
mais acusada. De que? Não tinha feito
nada, nada!
O que aquele idiota do Milton fez? Perguntou-se seguindo pelo corredor que a levaria
ao quarto do pai. Agora não poderemos culpar Beto!
Eu sabia, sabia que não devia
ter confiado nele. Ainda bem que não o informei sobre Milton! Por outro lado, se tivesse falado, a policia agora
estaria atrás dele e não de mim... Mas que m*!
Parou em frente a
porta e tirou o celular da bolsa, disposta a discutir com Milton, mas parou o movimento na metade. Se falasse com ele
agora, do seu celular, estaria
mais encrencada ainda. Poderia ser acusada
de planejar, mas não de sequestrar a menina. Dane-se Miton! Eu pedi para
não fazer nada. Um bom
advogado a tiraria dessa enrascada. Alegaria que Miton a obrigara a participar
dessa maluquice toda, depois de
ficar com todo seu dinheiro. É
isso, vou dizer que ele me enganou dizendo que ia investir em Arte e além de não me devolver, ainda obrigou-me a participar usando meu amor por Claude.
Ele planejou tudo! Ele separaria os dois, pois
queria Rosa de qualquer maneira. Quanto a Beto... Oras não foi mesmo
dele a ideia de cupa-lo por tudo?
Milton era o cabeça do plano. Ele contratou
os profissionais para esse serviço e eu, eu ansiosa por
reaver a pessoa que amo, sucumbi. E não descarto a possibilidade de ter
sido drogada por ele para poder obedecê-lo! Viu-se até dizendo isso em frente a um júri, com lágrimas os olhos.
Respirou fundo e controlou-se. Ligaria para ele na Galeria
e de outro lugar. Talvez do escritório
de Bernard, por que não? Controlada deu
uma pequena batida na porta e entrou.
- Papai? Eu tive
uma grande ideia. Assim que
você estiver com alta, iremos
viajar, que tal? Podemos tirar aquelas
férias juntos, como você sempre
quis.
- Roberta, o que foi
que fez
dessa vez? Perguntou Henri
desconfiado.
- Papai! Por que está
sempre esperando o pior de mim?
PSV
Milton ativou o aplicativo de
mudança de voz e fez a ligação,
para o telefone fixo. Com
o celular comprado exclusivamente para
isso, e para dificultar o
rastreamento chamaria como número invisível.
Fizera uma rápida
pesquisa pela Internet e descobrira que a liberação do número para a polícia era praticamente instantânea, por
parte das operadoras.
Porém, teriam que triangular o sinal para determinar de que
área vinha a chamada. Um cruzamento
entre as antenas de transmissão da operadora, para saber dentro de uma área relativamente
grande, de onde a chamada era feita.
Teria três minutos para
falar sem ser encontrado...
- Alô! – era a voz de Claude. Exatamente quem ele queria.
- Bom dia, francês! Ansioso por notícias
de sua garotinha?
- Quanto você quer?
- Mon Dieu,
tão direto ao ponto! Não quer saber quem sou?
- Você é um covarde que se esconde atrás de um programinha de mudança
de voz!
Milton ri alto.
“Claude me deixa falar
com ele! Eu quero falar com Alex! – escuta Milton.
- Diz pra sua “esposa”
que eu não estou com sua filha agora. Ela está um lugar
seguro, muito bem cuidada. É tudo
que vou dizer.
Os policiais pediam para Claude e Rosa se alcamarem, mantendo-o na linha.
- Escuta, seja você
quem for, - escuta Rosa ao telefone – eu só quero minha filha
de volta! Diga o quer, nós lhe daremos e deixaremos a policia
fora disso!
- Querida, eu não sou
trouxa! Sei muito bem que já estão sendo
auxiliados por ela.
- Mas podemos negociar sem eles...
- Nosso tempo acabou. Por enquanto. Na próxima ligação
talvez você fale
com sua garotinha...
- Não! Espere, diga o
que você quer! O que você e
Roberta querem!
- Seus três minutos se
esgotaram! Adieu! –diz Milton finalizando a ligação.
Sorriu satisfeito e
guardou o celular no bolso interno do blazer, saindo para o
saguão do edifício.
Mais fácil que
tirar doce de criança, pensou.
Entrou em seu carro e deu a partida no exato omento e que
Beto e Rodrigo chegavam. Beto parou por um momento, olhando fixamente para o
logotipo estampado na porta daquele carro. O carro era comum, como tantos outros. Mas aquele desenho lhe era
familiar...
- O que foi Beto?
- Não sei. O logotipo estampado nesse carro... Eu já o vi
antes!
- É da Galeria Eros, o dono é conhecido de Rosa e Claude.
- Pode ser que eu o
conheça de lá então...
PSV
Quando Dadi abriu a porta
para Beto e Rodrigo, ainda se
ouvia a voz de Rosa.
- Meus Deus, quem será
esse sócio de
Roberta? Ela não tem amigos brasileiros,
tem? – pergunta olhando para Claude.
- Não, Roberta nunca
se interessou pelo Brasil.
- Não é por ai que
devemos pensar então. – afirma o policial que ficara no apartamento. – Essa pessoa parece conhecer e muito bem vocês dois. Ele ligou a menos de trezentos
metros. Isso foi um recado.
- Entraram em contato então... – diz Rodrigo – Posso ouvir a gravação?
- Claro. Quem sabe
você percebe algo que deixamos escapar...
- Claude e Rosa eu vou levar
a minha camêra, preciso prearar o álbum da Erci. Vou aproveitar e revisar tudo mais uma vez...
- Claro Beto, é o seu trabalho! Não devia ocupar
ainda mais o seu tempo
conosco, já nos ajudou muito e
só temos que agradecê-lo.
- Estarei com
vocês até o fim, d’accord?
– respondeu Beto segurando as mãos de
Rosa afetuosamente.
- Não há nenhum som
externo ou por trás da fala dele – diz
Rodrigo tirando os fones de ouvido. – Se
pudéssemos corrigir essa distorção
na voz
dele, talvez a reconhecêssemos!
- Isso é possível? – pergunta Rosa.
- Vou perguntar isso ao nosso departamento científico agora
mesmo! – observa o policial.
- Sabe, o Paulo tem um
palpite. Ele acredita que quem fez isso
esteve na festa, entre os convidados do casamento. Por isso vou começar a investigar a lista
de convidados, enquanto o
delegado do caso examina as imagens de segurança. Eu imagino que a
secretária da Erci ou do Freitas tenham essa informação.
- Certamente que sim.
- afirma Claude. – Faça o que puder Rodrigo. -
pede em seguida com os olhos
profundamente tristes.
- Vamos encontra-la! –
afirma antes de sair com Beto.
PSV
Já era noite quando Milton finalmente chegou ao cativeiro
onde Alex estava. O apartamento de número trinta e dois, em um prédio residencial, num bairro tranquilo e de classe média, herança
dos pais, onde ele mesmo morara.
Os vizinhos não suspeitariam de nada, eram em sua
maioria idosos e caso alguém o
interpelasse, diria que era sua ex-mulher e sua
filha que estavam ali, por alguns
dias.
Alex já dormia. Tirou a máscara e guardou-a. Certificou-se
que não faltava alimentação para ela. A menina tnha que retornar para Rosa tao
bem quanto viera. Deu algumas instruções para “Elsa” e avisou que voltaria
na manhã seguinte.
Voltou para casa pensando no que fazer
dali para frente. Tinha que ser esperto e usar a seu favor as informações que conseguisse.
Faria o papel de amigo
preocupado pelo bem estar da família.
Mostraria seu “arrependimento” pelas
atitudes passadas. Por eles, ou
pelos amigos em comum, saberia das
coisas...
Mudou de faixa aumentando a velocidade do carro e de seus pensamentos.
Zequias havia providenciado outro local, mas o cancelamento
da ação, na última hora, o fizera rever
seus planos. Agora estava sozinho na jogada. A moça que vigiava Alex era
irmã de um dois dos capangas que o ajudaram. Se revezavam por ali, para que
Zequias não percebesse.
Já havia também
recebido uma ligação dele, nada
amigável. Como em qualquer negócio, Zequias exigia uma quantia significativa pelos serviços contratados e cancelados. Além do
combinado queria uma indenização por “prejuízo e danos morais”.
Isso não seria
problema desde que esperasse.
Poderia usar parte de resagate para isso... Não fora fácil
covencê-lo, mas conseguira.
Quanto a Roberta, melhor tirá-la da jogada de uma vez. Não... Tenho uma ideia melhor! Vou criar uma situação que a torne
culpada de tudo, já que agora o fotografozinho não poderá mais ser
culpado!
Afinal, nem ele nem ninguém sabe que eu estava com ela nessa. Sinto muito chèrie, mas amigos, amigos;
negócios a parte!
- Milton, você é um gênio! – exclamou abrindo um largo
sorriso, antes de pegar a entrada para o
codominio onde morava.
PSV
Rosa despertou a tempo
de ouvir Claude praguejar ao devolver algo para cima da
cômoda.
- Pardon, hã? -
desculpou-se por tê-la acordado. – Não! –exclamou ao vê-la
sair da cama - Tente dormir um pouco mais, chèrie.
- Eu sei o que está
tentando fazer, Claude. - afirmou
Rosa, aproximando-se dele - E agradeço
imensamente, mas não tem que ser
forte o tempo todo, ok? – conseguiu murmurar antes de falsear a voz.
Então abraçaram-se, amparando
um o corpo do outro, trêmulos de emoção.
- Nós não vamos perde-la, não é?
- Não, chèrie, não vamos perdê-la e em a nós mesmos, ouí?
- Nunca mais Claude! Eu... Nós precisamos dela aqui conosco...
- Eu decidi oferecer uma recompensa por qualquer informação
que nos leve a ela...
- Ótima ideia, alguém tem que ter visto alguma
coisa! – concordou deixando algumas
lágriams escaparem.
- Agora – afirmou Claude limpando-as - Você
vai tomar um bom café da manhã, em minha companhia e
depois vamos esperar pelo contato dele, d’accord.?
- D’accord... – assentiu Rosa
com um sorriso tímido – Eu acho que
tem alguém com fome mesmo! – disse tentado animar a Claude e a si mesma.
PSV
Alex saiu do banheiro e Elsa a esperava com o café
da manhã.
- Você tem certeza, Elsa que eu não preciso “toma” banho? A minha mamãe faz eu “toma” todo dia quando eu
acordo...
- Você quer tomar?
- Humhum... – responde sacudindo a cabeça.
- Então não precisa
tomar! Mas o café sim! Eu volto daqui a pouco pra pegar
a bandeja.
Alex tomou o leite e comeu um pedaço de bolo. Estava decidindo se pegava biscoito ou
não, quando Elsa voltou.
- Você tem visitas!
- Eba, meu papai me achou?
- Não... - sussurra
Elsa.
- Ah, finalmente
conheço a garotinha que
gosta de cangurus! – exclama
Milton tentando ser simpático por detrás
da máscara.
- Quem é você?
- Eu sou um amigo da
sua mamãe e do seu papai. E pra eles te acharem, eu vou ligar e
você vai falar só um pouquinho com com
eles, entendeu?
Alex olhava
desconfiada para Milton.
- E porque eles não “veio” me
buscar?
- Porque eles se
perderam no caminho...
- E por que você não me leva pra casa?
- Talvez eu leve. Mas
não agora.
- Quando?
- Se eles não te
acharem eu levo, combinado?
- Por que todo mundo
tá de máscara e eu não?
- Você faz
perguntas demais, garota. Vamos falar
com sua mãe. – Disse com o celular
na mão.
Quando o telefone tocou, todos correram para perto do notebook.
- É ele. – disse o policial,
observando a legenda “número
invisível”.
Como já haviam combinado, Rosa atendeu.
- Alô! – exclamou com a respiração tensa, sentindo as mãos de
Claude em seus ombros.
- Bom dia, Rosa! –
Falou Miton com a mesma voz do
adia anterior.
- Minha filha, me
deixa falar com ela!
- Calma, você vai
falar. Mas não muito, seja breve!
- Mamãe?
- Filha! Você está
bem?
- Aham... Mas eu não gostei nadinha dessa brincadeira de
pique-esconde! Eu quero que você
e o papai vem me achar logo!
- Brincadeira?
- É vocês tem que me
achar, ele que disse...
- Ele quem, Alex?
- O moço com...
- Muito bem, já ouviu
que ela está bem... – Outra vez a voz de
Milton – Agora é comigo...
- Não, espera! Eu...
- Sinto muito, seu tempo tem que acabar antes do meu. –
Afirma Milton, fora do quarto, tirando a máscara.
- Quanto você quer? – Pergunta Rosa
- Esse assunto eu trato
com seu marido. Mais tarde. – E desliga.
- Mas que droga, ele desligou! – exclama Rosa.
- Calma, chèrie...
- Senhora, esse é o
jogo de todo sequestrador:
desestabilizar o emocional da família e agir no fervor do momento. Ele vai ligar
várias vezes ainda e se conseguir demonstrar frieza, inverteremos o jogo, vai ver!
- Meu Deus... E que história é essa de pique-esconde?
- Essa pessoa com certeza os conhece, e criou uma fantasia para não assustar sua
filha.
PSV
Roberta ajeitou a coberta
sobre seu pai e apesar dele dormir, desejou--lhe boa noite foi para
seu quarto. Despiu-se e tomou um
banho demorado e quente para combater os
quinze graus negativos do inverno
francês que deixara para trás...
Antes de se deitar,
aconchegada em um sobretudo grosso, recorreu ao seu maço de cigarros e
acendeu um, aproximando-se da janela.
Uma bela vista, pensou soltando a fumaça pelas narinas, em
direção ao vidro da janela, que embaçou-se
momentaneamente. E pensar que já
poucas horas atrás ainda estava
na França...
A Grecia tinha paisagens deslumbrantes, e lugares restritos como esse, que lhe serviriam de consolo por um bom tempo,
já que ela desistira de voltar ao Brasil.
Milton que arcasse sozinho
com sua atitude preciptada e egoísta.
Ficaria nessa casa, proprieade de um amigo de Bernard, até que seu
pai estivesse totalmente recuperado. Pedira um afastamento
indeterminado na revista. Seu paradeiro só era
conhecido por Bernard. E pelo seu amigo, claro, que diga-se
de passagem, era muito atraente
e... Disponível.
E muito mais rico e
poderoso que Claude ou Louise.
- Ah, Louise! –
exclamou sorrindo, satisfeita por
dentro, saboreado o que sentia ser doce
em sua pequena vingança. - Que fase, querida! Azar no amor e no jogo da política...
A essa altura, as
imagens já deviam ter sido exibidas. Apagou o cigarro e enfiou-se debaixo
dos cobertores.
- Bonna chance, Louise.
Et à bientôt! – disse antes de
fechar os olhos.
PSV
Já era tarde da
noite quando os Smith,
Silvia e Julio, Nara e Sérgio
deixaram o apartamento. O delegado Tobias estivera ali
também. As investigações continuavam.
Haviam pedido à Justiça, a quebra de
sigilo das ligações de Roberta, um mandato de busca e apreensão em seu
quarto de hotel, uma vez que sua reserva ainda estava ativa.
Os carros utilizados na ação eram “frios” e a
identificação dos participantes estava sendo feita através das imagens das camêras de seguranças. Um trabalho que leva tempo,
segundo Tobias.
A ideia da recompensa era um forte aliado. Receber “grana” em troca de informação sempre surtia
efeito entre membros de gangues e facções criminosas. É um território
onde o mais esperto sempre se dá
melhor, argumentou ele e antes de ir embora, reafirmando seu proósito de resgatar Alex com toda segurança.
Claude e Rosa já estavam indo para o quarto, sem esperanças de um novo contato naquela noite, quando o telefone tocou.
- É ele! – disse o
policial. – Que bom que decidi ficar. Atenda, Claude.
- Alô!
- Bonne nuit, francês! Um pouco tarde para uma ligação, mas
eu creio que está a fim de saber quanto quero pela sua preciosa filha, não?
- É claro que sim... Quanto quer?
- Eu não sei... Quanto você credita em favor
dela?
- O que você quiser, já que para mim ela não tem preço... O que quer? Todo meu
capital?
- Não, companheiro... Todo não, só uma parte dele. – responde Milton, pensado mais em Rosa que no dinheiro.
- Então diga logo! Quanto?
- Digamos... Um milhão. Um milhão de euros,
claro!
- D’accord. Eu preciso de algumas horas para conseguir isso e
lhe darei assim que tiver minha
filha sobre minha visão.
- Não, não tão rápido assim. A entrega da garota e a
transação desse dinheiro, feita
de modo eletrônico, vai ser sem participação da polícia, num esquema de
conta que nunca será rastreada...
- D’accord. Daremos
um jeito de deixar a polícia fora disso...
-Claude! – exclama Rosa e ele faz um gesto de calma para ela.
- É claro que daremos. – concorda Milton, num tom cínico e provocativo - Faltam dez segundos... Até a próxima.
PSV

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