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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

PSV/ Capítulo 52

Capítulo 52

PSV


Louise desistiu de esperar que  Bernard atendesse  sua ligação e  deixou seu gabinete tentando controlar  sua  fúria interior. Ao abrir a  porta  escutou a risada  da secretária, e em seguida a de Armand.
Aproximou-se  e os  dois  rapidamente se recompuseram, guardando  os celulares impondo ao corpo uma  postura séria e ao rosto uma  expressão fria e  distante.
- Algum problema? – perguntou Armand.
- Muitos. – respondeu com um  olhar  de  desaprovação.
- Podemos ajuda-la em alguma  coisa?
- Sim, você  pode Armand. Vá até Bernard e traga-o aqui. – disse  virando-se de volta  a sua sala.
-  E onde ele está?
- Se eu  soubesse, não teria mandado você. – foi a resposta seca que  ela  deu, antes  de fechar  a porta.
- Ela anda não sabe... – murmurou a secretária.
- Não mesmo... – respondeu pensando que a última pessoa que queria encontrar era Bernard.
- Não seria melhor  avisarmos a ela?
- Não. Bernard que se  explique...



PSV



Minutos  após a saída  de Armand, Morris atravessou o  hall do gabinete, perguntando por  Louise, e sem esperar  resposta da secretária, praticamente invadiu a sala  dela.
- Mas o que  é isso, Morris?
- Não temos  tempo pra  essa  bobagem de me anunciar, Louise.  Pelo que  vejo, você ainda não está  sabendo...
- O que eu deveria  saber?
- Em que planeta  você passou a noite, Louise? Ou deveria  dizer, cama?
- Que liberdade é essa que não lhe dei Morris?
- Tem razão. Talvez eu também não a consiga para  você.  Não depois  do que o seu adorável noivo fez.. – revidou, acessando  o site da TV5 Monde, abrindo um link.
Nele,  Bernard aparecia  ao lado de Roberta, numa  entrevista exclusiva à jornalista   Alainy Dupre. Entrevista  feita  a pedido do próprio Bernard, como ele mesmo  deixava  claro.
Durante a entevista, que mais parecia um pronunciamento, Bernard afirmava que diante  de fatos e  provas  a ele apresentadas, sobre as acusações  feitas a Louise, não havia  outra  atitude a ser  tomanda senão o rompimento de todo e qualquer compromisso assumido anteriormente com “essa senhora” que me  usou, como queria  usar  a filha. 
Não compactuaria com a sujeira na qual ela, Louise, havia  se  envolvido, para  alcançar o poder.  Não era esse seu ideal político ou pessoal.
“Louise  traiu a confiança de todos. A minha e a dos  cidadãos de Paris.   Não há  amor capaz  de superar uma traição dessas.” -  foram  as últimas  palavras dele à repórter.
- Maldito! – exclamou Louise  fechando os punhos com  força. – A que horas   foi isso?
- Foi ao ar no início da madrugada. Me  espanta  que a imprensa não esteja  de plantão ai na  porta...
- Senhora, com licença...   disse a secretária, entrando apreensiva. - Os seguranças  estão  com problemas. Aqui e na sua  casa...



PSV



 - Elsa por que não pode abrir a janela? – Pergunta Alex, pulando sobre a cama.
- Porque estamos no quinto andar e  você  poderia  cair.
- Ah, e tem elevador aqui?
- Tem sim.
- Eu adoro brincar  de   elevador, você  já  brincou?
- Brincar de elevador?
- É. Eu desço com a minha mamãe ou o meu papai e subo sozinha! A Dadi sempre tá  me esperando na porta. Antes era a Silvia que me esperava mas ela não é mais a minha babá, ela trabalha na galeira  agora.
- Puxa, meu papai ta  demorando  muito pra me achar! – exclama pulando uma  última  vez  e caindo sentada. – O moço canguru não vai mais me ajudar?
- Vai sim.
- Ele vem hoje?
- Hoje eu acho que não. Já está  tarde e você  até deveria estar  dormindo. Vamos, deite-se  para  dormir.
- Ah , mas  você  não pode  abrir a janela só um poquinho pra  eu ver as  estrelinhas lá  no céu?
- Está bem, vou abrir  mas  não fale  pra  ninguém que eu  fiz  isso,  está bem?
- Eu prometo, Elsa, ninguém  vai  saber...
“Elsa” abriu a janela e Alex ficou alguns minutos olhando para  as estrelas. Tentava mater os olhos  abertos, mas  a sonolência começava  a tomar  conta da  sua  vontade.
Bocejou e sorriu, desviando o olhar  para  a moça.
- Quando o meu papai me  achar, eu  vou pedir pra ele pegar um montão de estrela pra  “mim dá”  elas pra  Alessia...
- Quem é Alessia? – pergutou “Elsa”, mas Alex  já dormia.
“Elsa” então fechou a  janela e recolocou o  cadeado.




PSV




O celular tocou e Rosa ergueu o corpo de  sobre o de  Claude apreensiva. Naquele  dia  não  houvera  nenhum contato. Quem sabe era  ele agora...
- Frazão, chérie. – Avisou-a – (...) Mon Dieu,  não  vimos  nada sobre  isso, passamos  o dia  esperando um contato  que não  houve. (...) D’accord, Frazão... Faça o  que  for  necessário. (...) Não,   não precisa oferecer  ajuda mas se ela  pedir,  coloque nossos advogados a disposição. (...) Oui, eu já esperava  por  tudo isso mon ami. (...) Na verdade não me importo com nenhuma  das  duas, tudo que quero é  minha  filha  de  volta... (...) Talvez eu faça isso... Talvez, quando Alex voltar e tudo estiver  resolvido eu vá até ai com Rosa e ela. (...) Merci, Frazão... (...) Claro que  pode – diz estendendo o celular   para  Rosa. -  Janete  quer  falar contigo.
- Oi, Jane... (...) Obrigada, querida! Iremos  sim, quando  tudo passar... (...) Claro que  confio, vai  terminar tudo  bem... (...) Tchau! E obrigada novamente...
Rosa  encerrou a ligação e  devolveu o celular ao criado mudo.
- Ele está  nos  torturando...
- Oui, ele deseja  nos desequilibrar emocionalmente.
- Isso é  loucura! – Diz ajeitando-se a ele novamente.- - Sua mãe está  com  sérios problemas por lá, não é?
- Oui. Problemas que ela mesma criou e...
- O que  foi, por que  parou de  falar?
- Uma ideia absurda  que passou pela  minha cabeça, mas  de  tão absurda  pode ser... E se Louise for o “sócio” de Roberta?
- Louise? Por que ela  faria isso?
- Para nos atingir, mon amour..
- Não,  eu acredito que ela não está envolvida  nisso. Beto saberia... Roberta  foi clara ao se referir a “um” sócio.
- Tem razão, chèrie. Amanhã  faremos  a lista de  suspeitos que Rodrigo sugeriu, d’accord? Agora, tente dormir...
- Como posso dormir  sem  saber  se Alex está bem?
- Ela está bem. Dieu não a  deixaria sofrer...




PSV




“Elsa” saiu da padaria e entrou em uma loja  de artigos escolares. Os papeis que levara   para  a menina  já haviam acabado e não  via mal em  levar um caderno para  ela  desenhar. E uma  caixa  de lápis  de cor.  Já estava no caixa, quando reparou um pacote  de lantejoulas  em  forma  de   pequenas estrelas coloridas. Lembrou-se  do desejo de Alex em dar estrelas  para  algpem chamado Alessia. Acrescentou o pacote a compra, e um tubo  de cola. O dinheiro que Milton deixara  era  mais que  suficiente  para  isso e a garota  teria  algo a mais  para  se  distrair.
Deu uma nota  de  cem  reais para  pagar  a  compra e esperava pelo troco quando escutou:
-  Esse dinheiro todo daria pra ampliar  a loja ou reformar  minha casa..
- Como? – pergutou quase  sorrindo.
O senhor apontou para  a pequena televisão antes  de  falar.
- O resgate  da menina sequestrada. – explicou então.
“O empresário francês Claude Geraldy aumentou para duzentos  mil reais o valor  da  recompensa a quem  der  alguma informação que leve ao paradeiro de  sua filha, Alexandra  de  cinco anos. A menina  foi levada por... “
- É uma  boa  grana! – exclamou comparando com os mil e quinhentos reais que  ganharia, guardando o troco.



PSV



- Eu agradeço sua consideração em me avisar delegado Tobias  - disse Claude olhando para Rodrigo e Paulo. -  Não, não  guardo ressentimento,  o senhor  fazia  seu  trabalho. (...)  D’accord, eu agradeço seu empenho, hã? (...) Merci!



Claude guardou o celular.

- Queria  avisar  que não está mais no caso. – explicou-se. – E que  o mandato  de  busca e apreensão já está liberado.
- Essa  sua  licença  negada não poderia  ter  vindo em melhor hora, Paulo! – disse Rodrigo. – Libera  minha participação na  busca?
- É claro que sim, desde que...
- Já sei, já sei! Desde que eu obedeça às leis etc., etc. Mas quando foi que eu as desobedeci? Está  bem não responda! – comentou diante  do olhar  do amigo.
- Bem, eu vou reassumir formalemente meu  posto e  volto mais tarde. – disse Paulo. – Nós vamos encontra-la, Rosa.- afirma.
- Eu quero acreditar muito nisso!
- Bem,  continuaremos  a fazer a lista de suspeitos... Estamos  revendo desde fornecedores a artistas que  tiveram sua produção rejeitada  pela galeria...
- Isso é ótimo Claude. Voltaremos.



 PSV



Alex parou de balançar as pernas e pulou da cama, enfadada. Elsa estava demorando e ela  estava  com fome. Andou pelo quarto, tentou abrir a  porta mas nada. De repente lembrou-se que não escovava  os dentes desde que  essa  brincadeira  começara.
Correu até o banheiro e abriu sua mochila. Era a mochila  da escola e como tinha que levar  escova  de dente então ela devia  estar lá, embrulhada na  toalhinha, no compartimento interno.
Abriu o zíper e  lá estava a toalhinha, dobrada bem no fundo. Enfiou  a mão e puxou a toalha, estranhando a dureza. Então tirou-a mais  rápido lembrando-se que escondera o celular  ali.
Ligou-o e procurou o aplicativo de mensagens. Subiu na cama e  deitou-se  de  bruços.
- Oi mamae – (enviar)
- Oi papai – (enviar)
- Voltei Alex! – Exclamou  Elsa entrando.
- Ah, que  bom Elsinha! Como é que  escreve “vem mebusca  euto escondidaquino prédio” ?
- Por que você quer  saber isso men... Meu Deus, de onde  você tirou esse  celular?
- Da minha mochila. Eu  tinha até esquecido que ele tava  lá!
- Céus  garota!– Diz pegando o  celular,   – Melhor  você comer agora, está  bem?
- Depois  você me  ajuda a  escrever?
- Mais tarde...  Sem visualização... – murmurou confirmando o que  Alex  já  havia  enviado. Se o  Canguru ver você  com esse  celular  vai  ficar  muito bravo.
- Por que?
- Porque sim. Olha, come logo. Eu  trouxe uma  surpresa  pra  você!
Alex viu Elsa tirar da sacola o pacote cheio de estrelinhas brilhantes e coloridas e estalou os olhos.
- Você queria dar  estrelas  para alguém chamada Alessia, não queria?
- Aham. – confirmou mordendo o misto frio.
- Quem é Alessia?
- É a minha irmãzinha. “Qué vê” ela?” – perguntou deixando o sanduiche  de lado,  procurando o vídeo  da ultrassom. – Ela ainda é desse “tamaninho”,  ó! – e colocou  o celular  na mão de Elsa, voltando a comer.
Quando o vídeo chegou ao fim, Alex  mostrou a foto que  havia  tirado, beijando a barriga  de Rosa.
- Então sua mamãe está  grávida...
- Humhum... Mas a barriga   dela ainda  tá pequena...
- Olha é  melhor  guardar esse  celular.  Se o “Canguru” souber, ele  vai  ficar  muito bravo. Acho que  vou guarda-lo  comigo.
- Ah Elsa, deixa ele comigo eu prometo que escondo ele e só uso assim um pouquinho de nada... Só   pra  brincar!
- Está  bem, mas agora  desligue e  coloque  de  volta em  sua  mochila, como antes. Se não acaba a bateria e você  fica  sem.
- É mesmo! – concorda Alex guardando-o. -  Eu vou “faze” um desenho cheio de estrelinha então...



PSV



- São apenas denúncias que  deverão ser investigadas pelos órgãos  competentes, já  que  foram  aceitas  pelo poder judiciário. – Morris completou a  fala anterior de Louise.
- Se  foram aceitas não  significam que a senhora é  culpada  de alguma delas?
- Essas acusações são uma brincadeira de mau gosto, com o objetivo de fazer meu partido cair, e para isso vale tudo! -  ironizou Louise.  
- Bernard Brissot,entre  outras  acusações, afirma  que  recebeu cerca  de quinhentos mil euros para atuar como seu assistente parlamentar no partido, um falso emprego.  E que a senhora cogitou um casamento entre ele e  Nara, sua  filha.  O que tem a  dizer  em sua defesa?
- Bernard conseguiu seus  quinze  minutos  de fama sacrificando o  partido, semeando  confusão e dificultando qualquer programa de política da nossa frente parlamentar. E ele só fez isso porque eu ameacei desfazer nosso  compromisso.  Como podem ver, eu não preciso mais cumpri-la.  -  esclareceu Louise encerrando a  coletiva no auditório da prefeitura.



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Quando Paulo chegou ao hotel com o mandato  de  busca e apreensão foi informado pelo gerente  que Roberta  havia  havia  pago adiantado sua permanência. Mas que enviara um e-mail comunicando sua  desistência na  reserva  do quarto, algumas  horas  atrás.
Diante do documento,  entregou todos os pertences  de Roberta, que  foram levados  para a delegacia, como indícios.  Fizeram uma vistoria  pelo quarto, mas nada mais foi encontrado.



PSV



- Nada, nada! – exclama Rosa  aflita.- Ela  não atende!
- Calma, Rosa! – aconselha  John. – O celular pode estar sem bateria ou  desligado.
- Ou “ele”  o tomou dela e... Meu Deus, o que  ele pode ter  feito a Alex?
-  Esse  canalha que não se atreva a  machuca-la! – diz  Claude de maneira  enérgica.
- Acalmem-se os dois – pede Paulo. – Seu amigo tem razão. Se ele   soubesse que Alex tem um celular, já teria  feito contato.
- Não podemos localiza-la através dessa mensagem?
- Em tese, não.  – adianta-se  Rodrigo, explicando - Não é possível localizar alguém com o aplicativo, do WhatSapp, a  menos que essa pessoa tenha ativado  o serviço de  geolocalização  e enviado aos contatos.
- Rosa, vá descansar um pouco, eu e Dadi  insistiremos na ligação, darling. Claude, vá  com  ela! – sugere Liz.
- Mas...
- Sem mas, chèrie... Liz  tem razão, você  não dormiu nada essa  noite.
-- Se  sabe que eu não  dormi é porque não  dormiu também.
- Por isso precisamos os dois descansar, hã? – concorda  ele estendendo a mão a ela.
- Está bem.  Mas  só por alguns  minutos...
- D’accord.
- E se Alex atender vocês nos chamam imediatamente, ok?
Assim que eles saem, John pergunta ao delegado:
- E entre os pertences de Roberta, nenhuma pista?
- Algumas  roupas e papeis, nada explicito. A perícia está tentando encontrar alguma digital que não seja  dela, ou outros indícios.
- Conseguiram a digital de Roberta? – admira-se John.
-  Frazão nos mandou cópias de  documentos, - explica Rodrigo. então será  possível estabelecer esse parâmetro.
- E por falar nisso – diz  Paulo olhando para o relógio – Temos que ir, Beto vai ajudar na identificação de alguns papeis em francês...




 PSV



Rosa  remexeu-se na cama e  sua mão esbarrou em Claude.  Acordou  assustada e encontrou o olhar  do marido, desviado momentaneamente  dos papeis que segurava.
- Que papeis são esse?
- Estou revendo nossa lista de  suspeitos, mas não vejo razão  por nenhum deles...



- Nem eu, são artistas dispensados em uma ou outra ocasião, mas  que  tiveram  suas  segundas  chances... Não conseguiram contato  com ela, não é? – pergunta vendo seu celular  sobre o criado mudo.

- Não, mon amour. E John e Liz já    foram.
- Ok. Eu  vou tomar  banho e já volto... – Diz  com a voz  abafada e os olhos umedecidos.
- Não vai chorar  escondida, vai?
- Não. – responde com um sorriso triste. – Se  for para  chorar prefiro chorar  abraçada  a você! – replica antes  de beija-lo levemente sobre os lábios e sair  da cama.
Estava  saindo do box quando escutou seu celular  tocar e em seguida a figura de Claude  entrando, ansioso.
- Rosa,  é  Alex! Pelo WhatsApp!


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- Pessoal algum progresso nesse material? – peegunta  Paulo entrando na  sala de investigação científica.
- Bem,  encontramos fios  de  cabelos curtos e  negros, mas  não  somos  o CSI, Paulo. Nosso departamento perdeu  verbas  e isso compromete  as investigações. Temos alguns ticketes fiscais de  bares e restaurantes,  panfletos, alguns recortes  de jornais, além  das  fotografias da menina.
- Verbas é algo que  só existe  para quem está  com o poder. Vamos  fazer o  que nos  for possível.   Esse é  o Beto. Ele é francês, amigo dos Geraldy,  fotografo,  e conhece  Roberta.  E se ofereceu para nos ajudar, vocês  concordam?
- Antes  que recusem eu    fui detetive  particular até ontem, como vocês  dizem  no Brasil...
- Bem,  há uma  caixa  com papéis em francês. – diz  um dos  agentes indicando-a. -  Se  você  puder  traduzir ganharemos  tempo...
- D’accord. Je les vais   traduire  pour  vous! – responde Beto, sorrindo. Em seguida colocou sua mochila sobre uma cadeira e passou a ocupar-se  dos papeis.



PSV




- Está realmente falando sério? -  questionou Alainy Dupre,  duvidando das  palavras  de Bernard.
- É claro que  sim.
- Mas lançar-se  a candidato sem partido... Dieu, que estratégia é essa?
- Isso é o mais curioso. Não é estratégia. Fui desfiliado do partido de Louise,  o que  já era  esperado e não há  tempo hábil  para   filiação em  outros  partidos e mesmo que  houvesse,  já  estão todos  com seus  candidatos  definidos.  A ideia foi de Roger, ele  vai me apoiar e eu não tenho  nada  a perder. Então, aceita  ser  minha acessora?
- Ideia  de Roger também?
- Não. – disse  de maneira  firme, segurando o olhar  dela no seu. – Essa ideia é cem por cento  minha.
Alayni ponderou,  a proposta era tentadora... O furo jornalístico que  dera com Bernard elevara os  índices  de audiência do horário, mas  por pressão de alguns  executivos do canal, a  equipe  estava sendo desfeita. Seu diretor  só não  fora  demitido porque concordou em ser transferido para  uma  filial  em uma  pequena  cidade do interior. Ela  seria  a próxima  da lista, tinha  certeza  disso. E  do dedo  de Louise  na história.
- D’accord, eu aceito! – exclamou erguendo a  taça  de  vinho.
Bernard sorriu e acompanhou o gesto, brindando a decisão. Então a  sobremesa chegou e eles  concluiram o jantar...



PSV



Rosa venceu a  pequena distancia  que a separava  de Claude e do celular em poucos  segundos, mas  o percurso lhe  pareceu demorar  horas.
- Alex! – exclamou esticando o braço para  alcança-lo.
- Está no viva  voz, chèrie!
- Oi mamãe! – a voz  de Alex nunca  lhe pareceu  tão  doce.
- Oi filha! Como você está? – perguntou tentando não chorar.
- Eu to morrendo de saudade de  você e do papai e  de todo mundo! Eu quero que  vocês  vem me achar  logo!
- Filha  o papai está quase  encontrando esse  lugar  onde  esconderam  você, d’accord?
- Tá, mas  vem logo!
-  Tem alguém ai  com você querida?
- Agora não. Eu to aqui no quarto e a  Elsa foi buscar  o meu jantar, mas  eu não posso sair  do quarto porque a  porta  ta  sempre  fechada...
Não  foi  difícil para os  dois entenderem que Elsa era mais um dos sequestradores, no caso uma mulher  usando máscara.
-  Quem mais está  cuidando do você? – pergunta  Rosa.
- A Elsinha  fica  aqui comigo  o dia  todo até eu  dormir e lá na sala tem os dois irmãozinho dela, o Olaf e o Pabbie... E de vez em quando o moço canguru vem me ver... Ih eu tenho que  desligar porque a janelinha  verde  tá bem piquinininha e a Elsa  ta  voltando... Fala pra Alessia que  eu fiz  um  desenho especial pra  ela e vem  logo me  buscar, tá?
- Alex! – exclamou Rosa, mas  ela  já  tinha  encerrado a chamada...
Abraçaram-se e Claude gentilmente a beijou sobre os cabelos.
- Ela está  bem chérie, e isso é  o que importa.
- Sim... Vamos  contar  aos  nossos amigos?
- É melhor   informarmos   Paulo primeiro, Rosa. Pode não  ser prudente que isso se espalhe...



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Ales saiu do aplicativo e desligava o celular quando Elsa  abriu a porta. Com medo de ser repreendida escondeu-o rapidamente embaixo  do travesseiro.
- Hum...  – resmungou Elsa – Carinha de anjo  que aprontou alguma  arte!
- Eu tava pulando na cama e quase  fiz  xixi na  calça, Elsinha!
- Mas não fez, não é?
- Não, deu tempo de  chegar  no banheiro... Eu  to  morrendo de fome.
- Lavou as mãos?
- Humhum... -  responde Alex olhando para  as próprias  mãos e pensando que  teria que  pedir  desculpas  a mãe  pela mentira  do xixi...
- Ótimo! Eu fiz  batata frita pra  você e...



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Rosa estava deitada  no sofá e ajeitou melhor  a cabeça  sobre  as pernas  de Claude.
 - Sua  filha  é  muito  esperta, Claude. Eu imagino a ansiedade que estão  para  falarem  com ela  novamente, mas aconselho  a esperar que ela  ligue. Não sabemos  o que  poder acontecer se  o tal  “moço canguru” estiver por perto  quando da tentativa.
- E essas  mensagens, as  que ele nos envia, não podem  ser hackeadas?
- Bem,  agora  sabemos que  todas as mensagens do WhatsApp ficam salvas nos próprios servidores do aplicativo. Pedimos a quebra de sigilo, mas  é  como pedir um milagre...
- Tanta  tecnologia, deve haver  uma maneira  de  identificar  a  origem dessas  chamadas e mensagens! -  questiona Claude.
- Há uma sub-pasta, a “WhatsApp Call“. É nela que o WhatsApp guarda todas as chamadas feitas através do aplicativo. Estamos tentando, Rosa, mas não é  fácil, por causa  da  criptografia.  
-  Algum sucesso com os pertences de Roberta?
- Até agora  nada.  Beto não achou nenhuma  pista nos papeis com a escrita  dela. Mas ele não desistiu e nem nós. Vamos encontrar sua pequena!
- Obrigado pelo  esforço, Paulo.
- Faz parte  do meu dever, Claude.  Até! -  despediu-se  o  delegado, encerrando a ligação.
- Apenas  alguns  dias  e parecem  anos  sem  ela... Outra mensagem dele? – pergunta  Rosa ao toque do aplicativo.
- Rodrigo, chérie. Está seguindo uma pista, alguém viu o carro...
- Tomara que ele consiga algo! Eu só  quero que isso acabe  logo. Logo e bem para  todos  nós! – diz acariciando a barriga, ainda  pouco perceptível.
-  E assim vai  ser meu amor! – Afirmou Claude fazendo o mesmo.
A campainha tocou e logo Dadi apareceu com  Erci e Freitas.



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“De acordo com as normas da assessoria de imprensa da  Suprema Corte Francesa, o conteúdo das delações continuará sob segredo de Justiça e só deverá ser derrubado após a abertura de investigação sobre os fatos informados pelos delatores.”
Louise terminou de ler a notícia estampada no principal jornal de Paris e não pareceu  surpresa.  
Afinal, todos aqueles euros transferidos para a Suíça não seriam em vão.
Com essa  decisão da Corte,  conseguiria  um tempo maior para organizar  sua  defesa.  Precisava  de alguém mais  experiente e  com maior influência que  Morris. Quem sabe  aquele juiz  que a avisou sobre François anos  atrás...


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- Eu sinto muito não termos  encontrado o carro, Rosa. – disse Rodrigo, aceitando a  xícara  de café que Dadi oferecia. – Mas voltaremos lá, a pista  é muito  boa.
- Eu não vou mais esperar, Rodrigo.  Frazão já transferiu o valor necessário para  minha conta.
- Mas Claude,  o que  vou falar  vai parecer  cruel, me perdoem... Que garantias vocês  terão?
- Eu não sei! Mas se é dinheiro que ele quer, ele o terá!
-  Estão escondendo alguma informação?
- É claro que não! – exclama Rosa.  – Ele parou com as ligações,  só nos  envia mensagens e alguns áudios...  O covarde não fica no cativeiro pelo que Alex nos  falou...
- Foi muita  sorte ela estar  com o celular...
- Não foi sorte, Rodrigo. Foi desobediência. – explica Rosa – E eu nem  vou poder ralhar com ela dessa vez! – conclui suspirando e apertando os lábios  num sorriso triste.
- Não façam nada sem avisar o Paulo. Ele pode ajudar de forma não oficial, dando suporte a vocês,  mesmo dentro dos critérios estabelecidos pelo suspeito.
- Bem, eu não imagino que critério ele vai  usar para nos entregar Alex... Uma transação eletrônica resolve  o problema dele,  mas  ela só será feita se resolver  também  o nosso.



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 - Esse jantar de hoje, foi ideia da Dadi. Ela melhor que ninguém  sabe o quanto eles precisam se distrair por algum tempo, mas eu queria tanto poder ajuda-los mais! – exclamou Silvia na saída  da  galeria.
- O que de melhor  podemos  fazer, é continuar a apoia-los com a nossa presença e carinho. – observou Liz
- Mas não devemos nos  impor o  tempo todo, darling. 
- Claude jamais pensaria isso de vocês. – afirmou Nara enquanto caminhavam para o estacionamento.
- Well, teremos  muitos  assuntos para  distrai-los, como a proposta  de Erjan, por exemplo.
- Rosa  vai adorar a ideia, tenho certeza. -  Diz Sérgio, abraçando Nara.
- Tomara que tenham boas  noticias  sobre Alex também... Não sei o que pode acontecer se...
- Não vai acontecer nada, Liz. A não ser  o resgate  da nossa afilhada. Bem, nos vemos em minutos, pessoal.
E em minutos  estavam todos a caminho do apartamento de Rosa e Claude.



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