Capítulo
52
PSV
Louise desistiu de esperar que Bernard atendesse sua ligação e
deixou seu gabinete tentando controlar
sua fúria interior. Ao abrir
a porta
escutou a risada da secretária, e
em seguida a de Armand.
Aproximou-se e os dois
rapidamente se recompuseram, guardando
os celulares impondo ao corpo uma
postura séria e ao rosto uma
expressão fria e distante.
- Algum problema? – perguntou Armand.
- Muitos. – respondeu com um
olhar de desaprovação.
- Podemos ajuda-la em alguma
coisa?
- Sim, você pode
Armand. Vá até Bernard e traga-o aqui. – disse
virando-se de volta a sua sala.
- E onde ele está?
- Se eu soubesse, não
teria mandado você. – foi a resposta seca que
ela deu, antes de fechar
a porta.
- Ela anda não sabe... – murmurou a secretária.
- Não mesmo... – respondeu pensando que a última pessoa que queria
encontrar era Bernard.
- Não seria melhor avisarmos
a ela?
- Não. Bernard que se
explique...
PSV
Minutos após a
saída de Armand, Morris atravessou
o hall do gabinete, perguntando por Louise, e sem esperar resposta da secretária, praticamente invadiu
a sala dela.
- Mas o que é isso,
Morris?
- Não temos tempo
pra essa
bobagem de me anunciar, Louise.
Pelo que vejo, você ainda não está sabendo...
- O que eu deveria
saber?
- Em que planeta você
passou a noite, Louise? Ou deveria dizer, cama?
- Que liberdade é essa que não lhe dei Morris?
- Tem razão. Talvez eu também não a consiga para você. Não
depois do que o seu adorável noivo fez..
– revidou, acessando o site da TV5 Monde, abrindo um link.
Nele, Bernard
aparecia ao lado de Roberta, numa entrevista exclusiva à jornalista Alainy Dupre. Entrevista feita
a pedido do próprio Bernard, como ele mesmo deixava
claro.
Durante a entevista, que mais parecia um pronunciamento,
Bernard afirmava que diante de fatos
e provas
a ele apresentadas, sobre as acusações
feitas a Louise, não havia
outra atitude a ser tomanda senão o rompimento de todo e qualquer
compromisso assumido anteriormente com “essa senhora” que me usou, como queria usar a
filha.
Não compactuaria com a sujeira na qual ela, Louise,
havia se
envolvido, para alcançar o
poder. Não era esse seu ideal político
ou pessoal.
“Louise traiu a
confiança de todos. A minha e a dos
cidadãos de Paris. Não há amor capaz
de superar uma traição dessas.” -
foram as últimas palavras dele à repórter.
- Maldito! – exclamou Louise
fechando os punhos com força. – A
que horas foi isso?
- Foi ao ar no início da madrugada. Me espanta
que a imprensa não esteja de
plantão ai na porta...
- Senhora, com licença... disse a secretária, entrando apreensiva. - Os
seguranças estão com problemas. Aqui e na sua casa...
PSV
- Elsa por que não
pode abrir a janela? – Pergunta Alex, pulando sobre a cama.
- Porque estamos no quinto andar e você
poderia cair.
- Ah, e tem elevador aqui?
- Tem sim.
- Eu adoro brincar
de elevador, você já
brincou?
- Brincar de elevador?
- É. Eu desço com a minha mamãe ou o meu papai e subo
sozinha! A Dadi sempre tá me esperando
na porta. Antes era a Silvia que me esperava mas ela não é mais a minha babá,
ela trabalha na galeira agora.
- Puxa, meu papai ta
demorando muito pra me achar! –
exclama pulando uma última vez e
caindo sentada. – O moço canguru não vai mais me ajudar?
- Vai sim.
- Ele vem hoje?
- Hoje eu acho que não. Já está tarde e você
até deveria estar dormindo.
Vamos, deite-se para dormir.
- Ah , mas você não pode
abrir a janela só um poquinho pra
eu ver as estrelinhas lá no céu?
- Está bem, vou abrir
mas não fale pra
ninguém que eu fiz isso,
está bem?
- Eu prometo, Elsa, ninguém
vai saber...
“Elsa” abriu a janela e Alex ficou alguns minutos olhando
para as estrelas. Tentava mater os
olhos abertos, mas a sonolência começava a tomar
conta da sua vontade.
Bocejou e sorriu, desviando o olhar para a
moça.
- Quando o meu papai me
achar, eu vou pedir pra ele pegar
um montão de estrela pra “mim dá” elas pra
Alessia...
- Quem é Alessia? – pergutou “Elsa”, mas Alex já dormia.
“Elsa” então fechou a
janela e recolocou o cadeado.
PSV
O celular tocou e Rosa ergueu o corpo de sobre o de
Claude apreensiva. Naquele
dia não houvera
nenhum contato. Quem sabe era ele
agora...
- Frazão, chérie. –
Avisou-a – (...) Mon Dieu, não vimos nada sobre
isso, passamos o dia esperando um contato que não
houve. (...) D’accord,
Frazão... Faça o que for
necessário. (...) Não, não precisa oferecer ajuda mas se ela pedir,
coloque nossos advogados a disposição. (...) Oui, eu já esperava por tudo isso mon
ami. (...) Na verdade não me importo com nenhuma das
duas, tudo que quero é minha filha
de volta... (...) Talvez eu faça
isso... Talvez, quando Alex voltar e tudo estiver resolvido eu vá até ai com Rosa e ela. (...)
Merci, Frazão... (...) Claro que pode –
diz estendendo o celular para Rosa. - Janete
quer falar contigo.
- Oi, Jane... (...) Obrigada, querida! Iremos sim, quando
tudo passar... (...) Claro que
confio, vai terminar tudo bem... (...) Tchau! E obrigada novamente...
Rosa encerrou a
ligação e devolveu o celular ao criado
mudo.
- Ele está nos torturando...
- Oui, ele deseja nos
desequilibrar emocionalmente.
- Isso é loucura! –
Diz ajeitando-se a ele novamente.- - Sua mãe está com
sérios problemas por lá, não é?
- Oui. Problemas que ela mesma criou e...
- O que foi, por
que parou de falar?
- Uma ideia absurda
que passou pela minha cabeça,
mas de
tão absurda pode ser... E se
Louise for o “sócio” de Roberta?
- Louise? Por que ela
faria isso?
- Para nos atingir, mon amour..
- Não, eu acredito que
ela não está envolvida nisso. Beto
saberia... Roberta foi clara ao se
referir a “um” sócio.
- Tem razão, chèrie. Amanhã
faremos a lista de suspeitos que Rodrigo sugeriu, d’accord?
Agora, tente dormir...
- Como posso dormir
sem saber se Alex está bem?
- Ela está bem. Dieu não a
deixaria sofrer...
PSV
“Elsa” saiu da padaria e entrou em uma loja de artigos escolares. Os papeis que
levara para a menina
já haviam acabado e não via mal
em levar um caderno para ela
desenhar. E uma caixa de lápis
de cor. Já estava no caixa, quando
reparou um pacote de lantejoulas em
forma de pequenas estrelas coloridas. Lembrou-se do desejo de Alex em dar estrelas para
algpem chamado Alessia. Acrescentou o pacote a compra, e um tubo de cola. O dinheiro que Milton deixara era
mais que suficiente para
isso e a garota teria algo a mais
para se distrair.
Deu uma nota de cem
reais para pagar a
compra e esperava pelo troco quando escutou:
- Esse dinheiro todo
daria pra ampliar a loja ou
reformar minha casa..
- Como? – pergutou quase
sorrindo.
O senhor apontou para
a pequena televisão antes de falar.
- O resgate da menina
sequestrada. – explicou então.
“O empresário francês Claude Geraldy aumentou para
duzentos mil reais o valor da
recompensa a
quem der
alguma informação que leve ao paradeiro de sua filha, Alexandra de
cinco anos. A menina foi levada
por... “
- É uma boa grana! – exclamou comparando com os mil e
quinhentos reais que ganharia, guardando
o troco.
PSV
- Eu agradeço sua consideração em me avisar delegado
Tobias - disse Claude olhando para
Rodrigo e Paulo. - Não, não guardo ressentimento, o senhor
fazia seu trabalho. (...) D’accord,
eu agradeço seu empenho, hã? (...) Merci!
Claude guardou o celular.
- Queria avisar que não está mais no caso. – explicou-se. – E
que o mandato de
busca e apreensão já está liberado.
- Essa sua licença
negada não poderia ter vindo em melhor hora, Paulo! – disse Rodrigo.
– Libera minha participação na busca?
- É claro que sim, desde que...
- Já sei, já sei! Desde que eu obedeça às leis etc., etc. Mas
quando foi que eu as desobedeci? Está
bem não responda! – comentou diante
do olhar do amigo.
- Bem, eu vou reassumir formalemente meu posto e
volto mais tarde. – disse Paulo. – Nós vamos encontra-la, Rosa.- afirma.
- Eu quero acreditar muito nisso!
- Bem,
continuaremos a fazer a lista de
suspeitos... Estamos revendo desde
fornecedores a artistas que tiveram sua
produção rejeitada pela galeria...
- Isso é ótimo Claude. Voltaremos.
PSV
Alex parou de balançar as pernas e pulou da cama, enfadada.
Elsa estava demorando e ela estava com fome. Andou pelo quarto, tentou abrir
a porta mas nada. De repente lembrou-se
que não escovava os dentes desde
que essa
brincadeira começara.
Correu até o banheiro e abriu sua mochila. Era a mochila da escola e como tinha que levar escova
de dente então ela devia estar
lá, embrulhada na toalhinha, no
compartimento interno.
Abriu o zíper e lá
estava a toalhinha, dobrada bem no fundo. Enfiou a mão e puxou a toalha, estranhando a dureza.
Então tirou-a mais rápido lembrando-se
que escondera o celular ali.
Ligou-o e procurou o aplicativo de mensagens. Subiu na cama
e deitou-se de
bruços.
- Oi mamae – (enviar)
- Oi papai – (enviar)
- Voltei Alex! – Exclamou
Elsa entrando.
- Ah, que bom Elsinha!
Como é que escreve “vem mebusca euto escondidaquino prédio” ?
- Por que você quer
saber isso men... Meu Deus, de onde
você tirou esse celular?
- Da minha mochila. Eu
tinha até esquecido que ele tava
lá!
- Céus garota!– Diz
pegando o celular, – Melhor
você comer agora, está bem?
- Depois você me ajuda a
escrever?
- Mais tarde... Sem
visualização... – murmurou confirmando o que
Alex já havia
enviado. Se
o Canguru ver você com esse
celular vai ficar
muito bravo.
- Por que?
- Porque sim. Olha, come logo. Eu trouxe uma
surpresa pra você!
Alex viu Elsa tirar da sacola o pacote cheio de estrelinhas brilhantes
e coloridas e estalou os olhos.
- Você queria dar estrelas para alguém chamada Alessia, não queria?
- Aham. – confirmou mordendo o misto frio.
- Quem é Alessia?
- É a minha irmãzinha. “Qué vê” ela?” – perguntou deixando o
sanduiche de lado, procurando o vídeo da ultrassom. – Ela ainda é desse “tamaninho”, ó! – e colocou o celular
na mão de Elsa, voltando a comer.
Quando o vídeo chegou ao fim, Alex mostrou a foto que havia
tirado, beijando a barriga de
Rosa.
- Então sua mamãe está
grávida...
- Humhum... Mas a barriga
dela ainda tá pequena...
- Olha é melhor guardar esse
celular. Se o “Canguru” souber,
ele vai
ficar muito bravo. Acho que vou guarda-lo
comigo.
- Ah Elsa, deixa ele comigo eu prometo que escondo ele e só
uso assim um pouquinho de nada... Só
pra brincar!
- Está bem, mas agora desligue e
coloque de volta em
sua mochila, como antes. Se não
acaba a bateria e você fica sem.
- É mesmo! – concorda Alex guardando-o. - Eu vou “faze” um desenho cheio de estrelinha
então...
PSV
- São apenas denúncias que
deverão ser investigadas pelos órgãos
competentes, já que foram
aceitas pelo poder judiciário. –
Morris completou a fala anterior de
Louise.
- Se foram aceitas
não significam que a senhora é culpada
de alguma delas?
- Essas acusações são uma brincadeira de mau gosto, com o
objetivo de fazer meu partido cair, e para isso vale tudo! - ironizou Louise.
- Bernard Brissot,entre
outras acusações, afirma que recebeu cerca
de quinhentos mil euros para atuar como seu assistente parlamentar no
partido, um falso emprego.
E que a senhora cogitou um casamento
entre ele e Nara, sua filha.
O que tem a dizer em sua defesa?
- Bernard conseguiu seus
quinze minutos de fama sacrificando o partido, semeando confusão e dificultando qualquer programa de
política da nossa frente parlamentar. E ele só fez isso porque eu ameacei
desfazer nosso compromisso. Como podem ver, eu não preciso mais
cumpri-la. - esclareceu Louise encerrando a coletiva no auditório da prefeitura.
PSV
Quando Paulo chegou ao hotel com o mandato de
busca e apreensão foi informado pelo gerente que Roberta
havia havia pago adiantado sua permanência. Mas que
enviara um e-mail comunicando sua
desistência na reserva do quarto, algumas horas
atrás.
Diante do documento,
entregou todos os pertences de
Roberta, que foram levados para a delegacia, como indícios. Fizeram uma vistoria pelo quarto, mas nada mais foi encontrado.
PSV
- Nada, nada! – exclama Rosa
aflita.- Ela não atende!
- Calma, Rosa! – aconselha
John. – O celular pode estar sem bateria ou desligado.
- Ou “ele” o tomou
dela e... Meu Deus, o que ele pode
ter feito a Alex?
- Esse canalha que não se atreva a machuca-la! – diz Claude de maneira enérgica.
- Acalmem-se os dois – pede Paulo. – Seu amigo tem razão. Se
ele soubesse que Alex tem um celular,
já teria feito contato.
- Não podemos localiza-la através dessa mensagem?
- Em tese, não. –
adianta-se Rodrigo, explicando - Não é
possível localizar alguém com o aplicativo, do WhatSapp, a menos que essa
pessoa tenha ativado o serviço de geolocalização e enviado aos contatos.
- Rosa, vá descansar um pouco, eu e Dadi insistiremos na ligação, darling. Claude, vá com ela! – sugere Liz.
- Mas...
- Sem mas, chèrie... Liz
tem razão, você não dormiu nada
essa noite.
-- Se sabe que eu
não dormi é porque não dormiu também.
- Por isso precisamos os dois descansar, hã? – concorda ele estendendo a mão a ela.
- Está bem. Mas só por alguns
minutos...
- D’accord.
- E se Alex atender vocês nos chamam imediatamente, ok?
Assim que eles saem, John pergunta ao delegado:
- E entre os pertences de Roberta, nenhuma pista?
- Algumas roupas e
papeis, nada explicito. A perícia está tentando encontrar alguma digital que
não seja dela, ou outros indícios.
- Conseguiram a digital de Roberta? – admira-se John.
- Frazão nos mandou
cópias de documentos, - explica Rodrigo.
então será possível estabelecer esse
parâmetro.
- E por falar nisso – diz
Paulo olhando para o relógio – Temos que ir, Beto vai ajudar na
identificação de alguns papeis em francês...
PSV
Rosa remexeu-se na
cama e sua mão esbarrou em Claude. Acordou assustada e encontrou o olhar do marido, desviado momentaneamente dos papeis que segurava.
- Que papeis são esse?
- Estou revendo nossa lista de suspeitos, mas não vejo razão por nenhum deles...
- Nem eu, são artistas dispensados em uma ou outra ocasião,
mas que tiveram
suas segundas chances... Não conseguiram contato com ela, não é? – pergunta vendo seu
celular sobre o criado mudo.
- Não, mon amour. E John e Liz já foram.
- Ok. Eu vou
tomar banho e já volto... – Diz com a voz
abafada e os olhos umedecidos.
- Não vai chorar
escondida, vai?
- Não. – responde com um sorriso triste. – Se for para
chorar prefiro chorar
abraçada a você! – replica
antes de beija-lo levemente sobre os
lábios e sair da cama.
Estava saindo do box
quando escutou seu celular tocar e em
seguida a figura de Claude entrando,
ansioso.
- Rosa, é Alex! Pelo WhatsApp!
PSV
- Pessoal algum progresso nesse material? – peegunta Paulo entrando na sala de investigação científica.
- Bem, encontramos
fios de
cabelos curtos e negros, mas não
somos o CSI, Paulo. Nosso
departamento perdeu verbas e isso compromete as investigações. Temos alguns ticketes fiscais
de bares e restaurantes, panfletos, alguns recortes de jornais, além das
fotografias da menina.
- Verbas é algo que só
existe para quem está com o poder. Vamos fazer o
que nos for possível. Esse
é o Beto. Ele é francês, amigo dos Geraldy,
fotografo, e conhece
Roberta. E se ofereceu para nos
ajudar, vocês concordam?
- Antes que recusem
eu fui detetive particular até ontem, como vocês dizem
no Brasil...
- Bem, há uma caixa
com papéis em francês. – diz um
dos agentes indicando-a. - Se
você puder traduzir ganharemos tempo...
- D’accord. Je les
vais traduire pour
vous! – responde Beto, sorrindo. Em seguida colocou sua mochila sobre
uma cadeira e passou a ocupar-se dos
papeis.
PSV
- Está realmente falando sério? - questionou Alainy Dupre, duvidando das
palavras de Bernard.
- É claro que sim.
- Mas lançar-se a
candidato sem partido... Dieu, que estratégia é essa?
- Isso é o mais curioso. Não é estratégia. Fui desfiliado do
partido de Louise, o que já era
esperado e não há tempo
hábil para filiação em
outros partidos e mesmo que houvesse,
já estão todos com seus
candidatos definidos. A ideia foi de Roger, ele vai me apoiar e eu não tenho nada a
perder. Então, aceita ser minha acessora?
- Ideia de Roger
também?
- Não. – disse de
maneira firme, segurando o olhar dela no seu. – Essa ideia é cem por
cento minha.
Alayni ponderou, a
proposta era tentadora... O furo jornalístico que dera com Bernard elevara os índices
de audiência do horário, mas por
pressão de alguns executivos do canal,
a equipe
estava sendo desfeita. Seu diretor
só não fora demitido porque concordou em ser transferido
para uma
filial em uma pequena
cidade do interior. Ela
seria a próxima da lista, tinha certeza
disso. E do dedo de Louise
na história.
- D’accord, eu
aceito! – exclamou erguendo a taça de
vinho.
Bernard sorriu e acompanhou o gesto, brindando a decisão.
Então a sobremesa chegou e eles concluiram o jantar...
PSV
Rosa venceu a pequena distancia que a separava de Claude e do celular em poucos segundos, mas
o percurso lhe pareceu demorar horas.
- Alex! – exclamou esticando o braço para alcança-lo.
- Está no viva voz,
chèrie!
- Oi mamãe! – a voz de
Alex nunca lhe pareceu tão doce.
- Oi filha! Como você está? – perguntou tentando não chorar.
- Eu to morrendo de saudade de você e do papai e de todo mundo! Eu quero que vocês
vem me achar logo!
- Filha o papai está
quase encontrando esse lugar
onde esconderam você, d’accord?
- Tá, mas vem logo!
- Tem alguém ai com você querida?
- Agora não. Eu to aqui no quarto e a Elsa foi buscar o meu jantar, mas eu não posso sair do quarto porque a porta
ta sempre fechada...
Não foi difícil para os dois entenderem que Elsa era mais um dos sequestradores,
no caso uma mulher usando máscara.
- Quem mais está cuidando do você? – pergunta Rosa.
- A Elsinha fica aqui comigo o dia
todo até eu dormir e lá na sala
tem os dois irmãozinho dela, o Olaf e o Pabbie... E de vez em quando o moço
canguru vem me ver... Ih eu tenho que
desligar porque a janelinha
verde tá bem piquinininha e a
Elsa ta
voltando... Fala pra Alessia que
eu fiz um desenho especial pra ela e vem
logo me buscar, tá?
- Alex! – exclamou Rosa, mas
ela já tinha
encerrado a chamada...
Abraçaram-se e Claude gentilmente a beijou sobre os cabelos.
- Ela está bem chérie,
e isso é o que importa.
- Sim... Vamos
contar aos nossos amigos?
- É melhor
informarmos Paulo primeiro,
Rosa. Pode não ser prudente que isso se
espalhe...
PSV
Ales saiu do aplicativo e desligava o celular quando
Elsa abriu a porta. Com medo de ser
repreendida escondeu-o rapidamente embaixo
do travesseiro.
- Hum... – resmungou
Elsa – Carinha de anjo que aprontou
alguma arte!
- Eu tava pulando na cama e quase fiz
xixi na calça, Elsinha!
- Mas não fez, não é?
- Não, deu tempo de
chegar no banheiro... Eu to
morrendo de fome.
- Lavou as mãos?
- Humhum... - responde
Alex olhando para as próprias mãos e pensando que teria que
pedir desculpas a mãe
pela mentira do xixi...
- Ótimo! Eu fiz batata
frita pra você e...
PSV
Rosa estava deitada no
sofá e ajeitou melhor a cabeça sobre
as pernas de Claude.
- Sua filha
é muito esperta, Claude. Eu imagino a ansiedade que
estão para falarem
com ela novamente, mas
aconselho a esperar que ela ligue. Não sabemos o que
poder acontecer se o tal “moço canguru” estiver por perto quando da tentativa.
- E essas mensagens,
as que ele nos envia, não podem ser hackeadas?
- Bem, agora sabemos que
todas as mensagens do WhatsApp
ficam salvas nos próprios servidores do aplicativo. Pedimos a quebra de sigilo,
mas é
como pedir um milagre...
- Tanta tecnologia,
deve haver uma maneira de
identificar a origem dessas
chamadas e mensagens! - questiona
Claude.
- Há uma sub-pasta, a “WhatsApp
Call“. É nela que o WhatsApp guarda todas as chamadas feitas
através do aplicativo. Estamos tentando, Rosa, mas não é fácil, por causa da
criptografia.
- Algum sucesso com os
pertences de Roberta?
- Até agora nada. Beto não achou nenhuma pista nos papeis com a escrita dela. Mas ele não desistiu e nem nós. Vamos
encontrar sua pequena!
- Obrigado pelo
esforço, Paulo.
- Faz parte do meu
dever, Claude. Até! - despediu-se
o delegado, encerrando a ligação.
- Apenas alguns dias e
parecem anos sem
ela... Outra mensagem dele? – pergunta
Rosa ao toque do aplicativo.
- Rodrigo, chérie. Está seguindo uma pista, alguém viu o
carro...
- Tomara que ele consiga algo! Eu só quero que isso acabe logo. Logo e bem para todos
nós! – diz acariciando a barriga, ainda
pouco perceptível.
- E assim vai ser meu amor! – Afirmou Claude fazendo o
mesmo.
A campainha tocou e logo Dadi apareceu com Erci e Freitas.
PSV
“De acordo com as
normas da assessoria de imprensa da Suprema
Corte Francesa, o conteúdo das delações continuará sob segredo de Justiça e só
deverá ser derrubado após a abertura de investigação sobre os fatos informados
pelos delatores.”
Louise terminou de ler a notícia estampada no principal
jornal de Paris e não pareceu surpresa.
Afinal, todos aqueles euros transferidos para a Suíça não seriam em vão.
Com essa decisão da
Corte, conseguiria um tempo maior para organizar sua
defesa. Precisava de alguém mais experiente e
com maior influência que Morris.
Quem sabe aquele juiz que a avisou sobre François anos atrás...
PSV
- Eu sinto muito não termos
encontrado o carro, Rosa. – disse Rodrigo, aceitando a xícara
de café que Dadi oferecia. – Mas voltaremos lá, a pista é muito
boa.
- Eu não vou mais esperar, Rodrigo. Frazão já transferiu o valor necessário
para minha conta.
- Mas Claude, o
que vou falar vai parecer
cruel, me perdoem... Que garantias vocês
terão?
- Eu não sei! Mas se é dinheiro que ele quer, ele o terá!
- Estão escondendo
alguma informação?
- É claro que não! – exclama Rosa. – Ele parou com as ligações, só nos
envia mensagens e alguns áudios... O covarde não fica no cativeiro pelo que Alex
nos falou...
- Foi muita sorte ela
estar com o celular...
- Não foi sorte, Rodrigo. Foi desobediência. – explica Rosa –
E eu nem vou poder ralhar com ela dessa
vez! – conclui suspirando e apertando os lábios
num sorriso triste.
- Não façam nada sem avisar o Paulo. Ele pode ajudar de forma
não oficial, dando suporte a vocês,
mesmo dentro dos critérios estabelecidos pelo suspeito.
- Bem, eu não imagino que critério ele vai usar para nos entregar Alex... Uma transação
eletrônica resolve o problema dele, mas
ela só será feita se resolver
também o nosso.
PSV
- Esse jantar de hoje, foi ideia da Dadi. Ela melhor que
ninguém sabe o quanto eles precisam se
distrair por algum tempo, mas eu queria tanto poder ajuda-los mais! – exclamou
Silvia na saída da galeria.
- O que de melhor
podemos fazer, é continuar a
apoia-los com a nossa presença e carinho. – observou Liz
- Mas não devemos nos
impor o tempo todo, darling.
- Claude jamais pensaria isso de vocês. – afirmou Nara
enquanto caminhavam para o estacionamento.
- Well, teremos
muitos assuntos para distrai-los, como a proposta de Erjan, por exemplo.
- Rosa vai adorar a
ideia, tenho certeza. - Diz Sérgio,
abraçando Nara.
- Tomara que tenham boas
noticias sobre Alex também... Não
sei o que pode acontecer se...
- Não vai acontecer nada, Liz. A não ser o resgate
da nossa afilhada. Bem, nos vemos em minutos, pessoal.
E em minutos estavam
todos a caminho do apartamento de Rosa e Claude.
PSV





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