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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

PSV/ Capítulo 54

PSV

Capítulo 54


Quando Milton deixou o apartamento de Claude e Rosa naquela manhã,  sentia-se mais seguro e vitorioso que nunca. Sabia que se arriscara, mas agora  estava convicto que não seria descoberto. Não havia novidade, nem  suspeitos.
A investigação continuaria, a policia  iria  atrás  de  várias  pistas,   mas  com certeza seria ele a encontrar a garota e ganhar  pontos  com Rosa.
E a recompensa, que  o idiota  do francês estava aumentando para quinhentos mil reais.
Com a saída  de Roberta, seus planos tiveram que ser  alterados.  Iria infiltrar-se na vida  do  casal, tornar-se  o melhor amigo e aos poucos conquistar  Rosa. Não seria  difícil, pois ela já estaria agradecida pelo resgate da filha e o admiraria pela coragem de enfrentar os criminosos...
Foi com esses pensamentos que tomou a direção  do  bairro onde estava Alex.  Iria  fazer contato com o pobre  casal e negociar a transferência do resgate.
Seria  fácil “lavar” esse dinheiro, investindo ainda mais na galeria, adaptando-a ao gosto de Rosa.  Ela não teria  do que se queixar.


PSV



-  Eu não gosto da presença  dele em nossa casa, Rosa. – disse Claude terminando de se vestir.
- Eu também não, Claude. Mas o que eu deveria  ter feito? Expulsa-lo? – Argumentou escovando os cabelos.
-  Não seria má ideia, cherie...
-  Ele só queria  reiterar seu apoio e se  havia  alguma novidade...
- Não disse nada  a ele sobre o WhatSapp, disse?
- Não, eu pensei em comentar, mas  desisti  nem sei porque e  expliquei que estávamos de saída para a galeira. Então  o  celular  dele tocou e ele foi embora.
- Merci Dieu!  Vamos  manter isso em segredo por mais  um tempo.  Pronta?
- Sim. Vai ser bom passar algumas  horas na  galeria...
- D’accord. A proposta de Erjan é muito tentadora, não acha? – perguntou enquanto saiam do quarto.
- Sim, mas  é de muita responsabilidade também... Será que a Athena tem estrutura para  um evento desse porte?
- Se não estiver, a gente inventa ele, hã? – respondeu sorrindo.
- Preparo o almoço? – pergunta  Dadi na  sala.
- Não, Dadi.  Almoçaremos no  restaurante da Cleide.


PSV



Claude e  Rosa deram  uma rápida revisada nos relatórios e rubricaram a  ata.
Silvia estava inconformada  com a  visita de Milton a casa deles.
- Ele foi outra  vez a sua  casa? Mas que atrevido, eu disse que não fosse!
- Você disse a ele para não ir? – estranha Rosa – Quando?
- Eu digo isso a ele todos os dias, pois ele  liga toda manhã  perguntando como estão as coisas e tal... Eu não entendo esse interesse todo dele.
- Eu também não, Silvia. – concorda Claude  olhando para Rosa significativamente.
- Bem, ele deve estar querendo se retratar daqueles  comentários e tenta ser gentil...
- Eu penso como Claude – diz Liz -   Ele é um mau caráter, darling.  Não devia mais recebe-lo...
Então o celular  de  Claude  vibra. Era Milton.
Com  o carro estacionado a mais de cinco quilômetros de  distância da Atena,  duas  quadras atrás  do prédio que  servia de  cativeiro.
- Bonjour, francês! – Falou Milton, com a voz alterada e levemente debochada. – Eu sei está em sua galeria e imagino que não tenha  ai  um sitema de escuta, portanto  podemos  conversar mais... demoradamente.
- Vamos acabar  logo com isso, hã? Já decidiu onde e como quer o dinheiro?
Milton ri antes de continuar.
- Pra que  toda essa pressa?
- Muito bem, se não está   com pressa,  deixe-me  falar  com minha filha.  - respondeu Claude friamente. – pedindo num gesto,  o silêncio  de  todos.
- Eu não estou  com ela  nesse  momento. Que pena, não? Justo hoje que temos o tempo que quisermos e sem  a policia na frequência para descobrir quem sou.
- Você não passa de um cafajeste mercenário. Mas é uma - questão de tempo para  ser pego. Agora ou depois...
- Realmente a premissa é verdadeira. Vocês   franceses são muito mal humorados.  Vamos  fechar o negócio. Já tem a grana?
- Oui.  Me diga o local e hora  para entrega. Como já  disse  a policia fica  fora  disso. -  afirma Claude sob  o olhar de reprovação de Rosa.
- Entrega não, transferência. Banco Morgan Stanley.  Eu passo  a  conta  por mensagem, para não ter erros.
- Não posso transferir sem ver minha  filha bem...
- Voilà... Você  vai  vê-la em frente a agência. Assim que eu confirmar a transferência sua  garotinha entra e as câmeras de segurança poderão registar esse lindo momento. Agora aguardem, em alguns minutos poderão  falar com ela e amanhã receberão as instruções necessárias.
Encerrou a ligação e saiu do carro, Caminhou alguns metros  e dobrou a esquina rumo ao prédio com a sensação de que alguma  coisa lhe faltava.
Então parou de repente e fez uma careta. É claro que  faltava, pensou voltando ao carro em busca  da máscara  de canguru.



PSV



- E eu quero muito que ela “tem” a  estrelinha também... – falou Alex reiniciando o vídeo da ultrassonografia, contrariando Elsa.
- Só mais uma vez, Elsinha!
- Ah, menina, isso é muito perigoso.  Se ele nos pega  com o seu celular, vai  se zangar  muito!
- Então eu posso falar com minha mamãe?
- Não! – diz Elsa abruptamente – Quero dizer, seria pior,  você está escondida, lembra-se?  - e confere a hora antes  de continuar.
- Eu acho que  dá  tempo de ver, antes  do Canguru chegar... – diz querendo agradar Alex.
-  Eu ia gostar mais  de falar  com a  minha mamãe... Tem um palitinho  só, tá vendo? – observa Alex, referindo-se a bateria do celular e abrindo o vídeo.
- É melhor ver o vídeo... Droga, eu preciso ir ao banheiro! – exclama Elsa dirigindo-se a ele.
Alex fechou  o vídeo e abriu o aplicativo fazendo a chamada  para Rosa.
- Oi mamãe! – falou quando Rosa  atendeu... –  Fala pro papai  “vim” buscar  eu logo? Quero ir  pra  casa...
- Meu amor, o papai  está aqui do meu lado e ele disse que você  vai  voltar logo, logo...  – respondeu Rosa sob  o olhar atento de Claude. – Está sozinha?
- Não, a Elsinha  tá  no banheiro...
Milton  abriu  a porta  do apartamento e por um instante até sentiu falta  dos dois  capangas, mas, eles agora não lhe  seriam mais úteis, por isso os   dispensara,  ao contrário de “Elsa”. Ela  seria muito, muito útil!
Colocou a máscara e aproximou-se  do quarto.  Estava  com  a mão  sobre  a maçaneta quando  ouviu a risada de Alex, entrecortada por palavras  como papai,  mamãe, ver mais uma vez...
Abriu a porta, certo que encontraria Elsa brincando com a menina e  disposto a contar que ela é quem iria ao encontro  do pai.
Entrou no quarto ao mesmo tempo em que Elsa saia do banheiro, mas  seu olhar recaiu sobre Alex, sentanda no meio da  cama com um celular nas  mãos...
Deu alguns passos, aproximando-se  da  cama e num movimento brusco tirou-o de Alex.
- Mas que merda é essa? – Exclamou olhando para  a tela e em seguida para Elsa. – A garota está  falando com eles? – perguntou encostando o  aparelho ao ouvido, mas  o alerta da bateria descarregada o impediu de  confirmar suas  suspeitas, embora tivesse  visto a  foto de Rosa na tela.
Elsa olhou apreensiva  para  Alex  e andou  em  direção  a cama, mas Milton a  segurou pelo cabelo.
- Sua idiota! Como foi deixar o celular  ao alcance dela? –  indagou  furioso, forçando a cabeça de Elsa para tras, deixando o celular  cair.
- Me solta, seu estúpido! Ai! – exclamava ela, tentando se livrar  das  mãos  dele - Eu fui ao banheiro, não vi! – tentou se justificar, pois não podia deixar que ele machucasse Alex...
- Não viu! – diz  ironicamente -  Pensa que eu sou  retardado? – e soltando os cabelos, segurou-a pelos  braços – Quantas  vezes  ela usou seu celular? Diga, sua infeliz! – insistiu aumentando a força e chacoalhando-a rudemente.



PSV



- Alex! Alex, filha, fala com a mamãe! - insistiu Rosa, o corpo tremendo de ansiedade e medo - Meu Deus Claude, ele a pegou  com o celular! Você  ouviu a voz  dele também não  ouviu? – falava desesperada.
- Ouvi alguma  coisa, chérie, mas  pode ser um dos que a estão vigiando, há? – falou abraçando-a, tentando convencer mais a si mesmo disso do que a ela.
- Não, não.... Era  ele!  O ”Canguru”, eu tenho certeza, alguma  coisa  me diz que é ele!
- Calma, calma! – diz segurando gentilmente o rosto  de Rosa -  Se for ele mesmo, entrará  em contato conosco, para nos repreender!
- E se ele fizer algum mal a nossa filha?
- Ele não fará nada! Ficará furioso com as pessoas que lá estão, conosco, mas não fará nada a Alex, chèrie!
- Como pode  ter  certeza?
- Eu não gosto do que  vou dizer, hã? Mas  Alex é a moeda  de troca  dele... Ele precisa  dela!
- Meu Deus, meu Deus... – sussurra Rosa olhando para o  celular, mas as lágrimas a impediam de enxergar nitidamente, então  procurou forças  nos olhos de   Claude.
Ele a puxou para  si, abraçando-a forte e não saberia  dizer se seu corpo sacudia pelos soluços dela ou  o dela pelos  seus...



PSV




- E foi isso o que aconteceu – disse Roberta tomando um grande  gole de ouzo - bebida típica grega fábricada com alcóol puro e ervas diversas, principalmente o anis.  - Não fosse esse atentado, eu teria me tornado uma criminosa...
- Na esperança que Claude a quisesse de  volta...
Roberta  sorriu  tristemente e olhou para o mar, antes  de continuar
- Sabe papai, esse tempo cuidando  de você e essa estadia aqui na Grecia me fizeram ver as  coisas  sob outro ângulo. Claude não poderia  me querer  de volta, porque nunca fomos um casal. Isso só acontecia na minha  cabeça e nas intenções  sujas de Louise. Além do mais, ele ama mesmo aquela... brasileira.
Henri sorriu para a filha.
- Fico feliz que essa tragédia tenha um lado bom, pelo menos  para  nós. Mas a menina  foi sequestrada, não  foi?
- Foi  sim papai. Aquele  louco do Milton a sequestrou sozinho. Era  por isso que  Frazão estava atrás  de mim.
- Devia  informar o Claude, querida.  Isso o faria mudar  de  opinião a seu respeito.
- Acredita que eu já  cheguei a iniciar a  chamada mas desisti?
- Devia ir até  o fim!
- Theodorus tem essa mesma opinião.
- Está sentindo algo por ele, não está?
- Sempre descobrindo meus  segredos, não é papai?
- Roberta, Theodorus é uma  boa  pessoa e parece estar sinceramente interessado em você. Nunca me intrometi em  sua  vida  particular, mas creio que deveria  dar  uma chance a você mesma. E a ele. Mas antes de  começar  algo,  seja sincera.
- Eu já  fui. E sabe o que ele me disse? “Assuma sua responsabilidade sobre  o que  deu errado e faça algo para  viver  novamente”.
- E vai  fazer algo?
- Vou. Vou entrar  em  contato com Claude.



PSV



- Existe  todo um esquema de venda de pacotes para abertura de contas secretas, sediadas no exterior para constituir offshores. – comenta Freitas, enquanto Erci checa a pressão de Rosa.
- D’accord. Elas garantem o anonimato permitindo a ocultação dos valores, bancos fantasmas que tentam conquistar clientes ingênuos para aplicar golpes.
- Mas esse individuo não tem nada  de ingênuo. Ele parece  conhecer  bem o esquema dos bancos:  de um paraíso fiscal do Caribe para outro paraíso fiscal no Oceano Pacífico, só para picaretas e lavadores de dinheiro...
- Oui, não encontramos nenhuma filial ou banco autorizado com esse nome, mas localizamos um site, hospedado nas ilhas Bahamas,  cujo domínio estava registrado em nome de um suíço.
- Sua pressão está ótima, Rosa. Mas arrisco um palpite de que não está se alimentando como deveria. – diz Erci encerrando o procedimento
- Estou  sim! Tenho certeza que isso é  “intriga” de Claude e Dadi.  – defende-se Rosa, olhando acusadoramente para o marido.
- D’accord, eu confesso. Pedi a Erci que viesse,  chérie...
- Não devia, eles  estão em lua de mel.
- Sabe muito bem que minha lua de mel duraria dois dias, Rosa. E eu estava ansiosa por vê-los. – diz dirigindo-se a Claude. – Vamos, arregace a manga...
- O quê?
- Não acha que só Rosa pode  ter alterações, acha?
- Voilá! Voilá! – Resmunga ele, notando um leve sorriso no  rosto de Rosa.



PSV



Alex sentiu-se amendrontada ao ver  Milton gritar e  agredir  Elsa. Não entendia  porquê não podia  ter  falado  com os pais pelo celular, mas entendeu que  o Canguru pensava que o celular  era de Elsa e por isso brigava com ela.
Ao seu modo, percebeu que Elsa a protegia... Então,  tinha que ajuda-la, afinal Elsa  era  sua amiga!
- Solta ela! Solta solta ela!  - pediu com toda sua  força, descendo  da cama corajosamente.
Mas Milton mal prestava a atenção em Alex. Continuava a sacudir  Elsa, exigindo saber detalhes  sobre  as conversas,  pois tinha certeza que essa não havia  sido a primeira.
- Ela não tem culpa! –exclamou chegando perto dos  dois – O celular é meu eu ganhei do meu papai e ele tava escondido na minha  mochila porque eu ia levar  ele na escola!
Mas Milton continuava a ignora-la. Alex então enfiou-se entre os  dois e tentou empurrar Milton.
- Não, Alex! Saia, ele pode  te machucar! – pediu Elsa,  nervosa.
- Eu queria  “pode” congelar ele! – exclamou Alex – Seu Canguru malvado, solta  ela! – gritou pisando nos pés e chutando as canelas  dele.
O golpe de Alex não foi  exatamente  forte mas  fez Milton  rir, e isso  foi suficiente para ele diminuir a pressão e Elsa conseguiu se afastar, levando Alex consigo.
- Garotinha  corajosa... – murmurou esfregando as  canelas e pegando o celular do  chão.
- A Elsinha não tem culpa de nada, eu só queria  ver de novo o vídeo da minha irmãzinha que  vai nascer! – explicou-se Alex mais uma vez.
-    Como é que é? – pergunta Milton – Sua mãe está...
- A minha mamãe vai ter um bebê, a  Alessia, a minha irmãzinha!
Rancor, ira, ódio, indignação e frustação incendiaram o corpo e a alma de Milton. Rosa ia  ter  outro  filho do francês!  Não, isso  não podia  ser, não estava em seus planos assumir outro bastardo.
- Não foi isso que eu planejei! – afirmou guardando o celular  no bolso antes  de sair do quarto e do apartamento.
Isso não podia  ser verdade. O destino não podia  zombar dele pela  segunda vez!



PSV



Rosa quase derrubou a xícara  de chá em si mesma ao ouvir o toque  do telefone. Correu até a mesa e fez como o policial os  havia orientado,  acionando a  gravação  do áudio assim que  tirou o fone  do gancho.
- Alô! – disse com a respiração pesada e apreensiva.
Nem mesmo as mãos seguras  de  Claude em sua  cintura a deixava  menos  tensa.
- Alô, diga alguma  coisa pelo amor  de Deus! – implorou Rosa diante  do silêncio – Minha filha... Deixe-me  falar  com ela...
- Não devia  ter me enganado e iludido de novo, senhora  Geraldy!
- Eu não o enganei nem iludi.  Faria  tudo  de novo para  escutar  a voz  da minha filha e saber que ela estava bem!
- Eu sei que faria... Infelizmente para  você,  o celular agora está  em meu poder. Avise ao seu... “Marido” que o acordo está  suspenso por hora.
- Suspenso, como assim?
- Bem, agora que vocês terão outro bebê,  eu posso ficar  com a mais velha. É talvez eu queira ficar com ela  e não com o dinheiro.
- Que brincadeira  sem graça é essa? Não se divertiu o  bastante sequestrando  minha filha? – exclama Rosa aflita.
Claude tira o fone das mãos  dela.
- Escute aqui, nem  pense nessa  possibilidade! O que houve? Quer mais dinheiro? Diga quanto quer!
- Escuta, dinheiro não é   problema para  mim. Mas  ter  filhos  sim. Sua garotinha  é  corajosa, como  a mãe dela. Você mesmo disse que ela não tem preço, não foi?
- Alex é minha  filha. Minha e de Rosa e vai continuar  sendo... Droga ele desligou! – exclama Claude atordoado.
Rosa o abraça e seu celular  toca. Sem se  soltar  da  esposa  olha para a tela. Sem identificação de chamada. Chegou a atender, mas a ligação não  se  completou. Guardou o celular no bolso confortando  Rosa antes de contatar o delegado Paulo.



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- Droga de telefonia celular! – exclamou Roberta suspirando profundamente. – Não completou a chamada – explica-se a Theodorus.
- Continue  tentando. Se não conseguir  hoje,  amanhã iremos  ao continente, lá o sinal é  certo. -  afirma  Theodorus. 



PSV



- Alô!
- Alô, diga alguma  coisa pelo amor  de Deus! Minha filha... Deixe-me  falar  com ela...
- Não devia  ter me enganado e iludido de novo, senhora  Geraldy!
- Eu não o enganei nem iludi.  Faria  tudo  de novo para  escutar  a voz  da minha filha e saber que ela estava bem!
- Eu sei que faria... Infelizmente para  você,  o celular agora está  em meu poder. Avise ao seu... “Marido” que o acordo está  suspenso por hora.
- Suspenso, como assim?
- Bem, agora que vocês terão outro bebê,  eu posso ficar  com a mais velha. É talvez eu queira ficar com ela  e não com o dinheiro.
- Que brincadeira  sem graça é essa? Não se divertiu o  bastante sequestrando  minha filha?
- Escute aqui, nem  pense nessa  possibilidade! O que houve? Quer mais dinheiro? Diga quanto quer!
- Escuta, dinheiro não é   problema para  mim. Mas  ter  filhos  sim. Sua garotinha  é  corajosa, como  a mãe dela. Você mesmo disse que ela não tem preço, não foi?
- Alex é minha  filha. Minha e de Rosa e vai continuar  sendo... Droga ele desligou!

Paulo desativou o som depois de  escutar  por várias  vezes e  voltou-se para Claude e Rosa.
- Não temos  mais  dúvidas, é alguém do seu círculo de conhecimento, Rosa. Alguém do seu passado talvez.
- Eu não tenho ninguém no meu passado, Paulo, a não ser o Claude.
- Isso não é necessariamente do  seu passado amoroso, mas  pode ser  do dele. Quando ele diz que dinheiro não lhe interessa, que  você  o enganou, iludiu e que talvez preferisse ficar com Alex, fica  evidente a passionalidade do crime.
-  Isso não faz sentido para  mim... Não tive nenhum relacionamento tão sério assim.
- Pode não ter  sido sério para  você. Pessoas passionais podem levar  anos  arquitetando algum tipo de vingança – observa Rodrigo.
- Está bem, vou revisar a lista mais uma vez. E o álbum da  faculdade, quem sabe eu recorde  de algum fato...
- E eu  vou voltar a caixa  de pertences de Roberta e as  fotos  de seu casamento. – diz Beto – Quem sabe não nos deparamos  com um denominador em comum...
- Eu vou com você – observa Rodrigo.
- Eu também vou. Essa  gravação  vai  comigo, vamos  isolar a voz e  quem sabe conseguimos algum  outro som e uma  nova  pista. – Diz Paulo,  e     todos seguem em direção a porta.
- Paulo, eu  vou oferecer o mesmo  valor  do resgate para quem  nos levar até onde  ela está... – Afirma Claude, de súbito.
- Não é arriscado? – pergunta Rosa olhando de Claude para o delegado. – Para Alex?
Paulo exitou um instante, como se estivesse avaliando as  consequências disso.
- Ao contrário, Rosa. Esse valor vai atrair a  cobiça  dos que o ajudaram e ele vai querer negociar rapidamente a libertação dela.
- Deus te ouça,  Paulo. -  murmura Rosa, despedindo-se.



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- Estão me expulsando, é isso? – perguntou Louise a todos da mesa.
- Ninguém aqui falou em expulsão. Queremos apenas que você se afaste do partido por tempo indeterminado, Louise. – explicou-se um dos membros.
- Encare isso como férias de verão, querida. – Diz outro.
- O partido é soberano a você. Não podemos deixar que  ele  perca o prestígio  e a credibilidade junto as nossos eleitores. – comenta um terceiro membro.
-  Muito menos  o poder de influência junto à presidência...
- Sabemos  de seu  empenho em todos esses  anos,para o  crescimento do partido, o quanto trabalhou para que  chegasse onde chegou.  Creia, somos todos gratos e o que estamos  pedidnod agora é um último sacríficio...
- Para  o bem  do partido! – completa a frase Louise. – Eu que me f...
- Voilà! Não deixaremos que nada  aconteça a você. Acompanharemos seu processo com toda assessoria jurídica necessária.
- D’accord! Já entendi que nenhum argumento a meu favor vai mudar a opinião ou a decisão  desse competente Conselho.
- Não temos alternativa, Louise.
-– É claro que têm! -  afirma levantando-se -  Mas eu acatarei  essa sentença. Podem publicar ou anunciar oficialmente  meu afastamento, desfiliação ou seja  lá o que acharem melhor para  o Partido! – fala irônicamente,  afastando-se até a porta.
– Mas preparem-se para quando eu  voltar! – Diz em tom  de desafio antes  de deixar  a sala.



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- O canguru não vem aqui hoje?
- Eu acho que não -  responde  Elsa a Alex.
- Então a gente  podia brincar de elevador... – pede Alex – Só uma vez, Elsinha, a gente  desce lá no primeiro andar  e sobe rapidinho...  Vamos vai...
- Talvez, Alex, talvez! – Diz observando-a comer, pensando na conversa que ouvira entre duas  pessoas ao comprar a  comida da menina.
“Você  viu, aquele francês ofereceu o mesmo valor  do resgate pra  quem tiver alguma informação que leve a  polícia até a filha dele...”
-  Um milhão de euros... – murmura Elsa devolvendo o sorriso que Alex lhe  dava...


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- Graças a Deus  você chegou! Pensei que ia passar mais um dia sem aparecer por aqui... – Diz Raquel saindo de tras de  sua mesa e seguindo Milton até  sua  sala.
- Eu pago muito bem a  você para  resolver  eventuais problemas. – fala ele friamente.
- E eu os resolvo sempre que possível.  – retruca  sem se intimidar - Mas alguns dependem da  sua assinatura e outros do seu contato pessoal. – Diz colocando rudemente  uma pasta sobre a mesa, em frente  a ele. - É so observar a lista de telefonemas que deve  retornar...
Milton assinou todos os papéis sem ler e os  devolveu a  Raquel, visivelmente ansiosa.
- Se quer pedir algo, peça logo Raquel. Não fique ai parada  como um manequim...
- Bem, eu...  Aquela  sua amiga francesa já  voltou pra França?
- Sim, ela  voltou. Mas isso não significa que eu  vou voltar  a  sair  com você.
- Como  você é grosso! Pra  sua informação eu já estou com outra  pessoa...
- Ótimo. Agora que já me informou, pode sair e voltar  com um café  para mim.  O que foi,  que mais quer  saber? – pergunta quando Raquel não se move.
- Nada importante... É só que...  Aquele seu outro amigo francês, o dono da Athena, ele deve ter muito  dinheiro não é?
- Sim, ele tem... Por quê? Está interessada nele? Lamento mas ele já tem esposa.
- Claro que não estou interessada nele! Só  comentei porque alguém que oferece recompensa de um milhão de euros por uma informação deve ter bem mais que  isso...
-  Como é que é? Ele oferceu a mesma... Ele ofereceu um milhão de euros de recompensa?
- Onde esteve o dia  todo? Dormindo?  Está em todos os noticiários da  TV e Redes Sociais... – explicou Raquel   deixando-o  sozinho.
Imediatamente ele  procurou a notícia pela Internet. Leu a mesma  coisa em quatro sites diferentes, para  se convencer do que  lia.
Deixou a página aberta e recostou-se  em sua cadeira.
Filho da p*! Oferecer a mesma  quantia do resgate foi uma  ótima  jogada, francês... Eu tenho que admitir isso! Mas  por outro lado, você me deu a saída  perfeita! Eu  posso ser o informante e ficar  com esse milhão  de euros, já que  uma Rosa grávida não me interessa. Não nesse momento. Com essa  grana eu posso  arrumar  um lugar longe daqui, com todo conforto que  você merece meu amor. E depois que  você estiver livre, é lá que  vamos  morar. Só você  e eu!  O quê? Você  não  vai  sem  as  crianças? Ok, ok... Elas  podem ir! Vai ser ótimo ver esse francês derrotado e sozinho. Ah, nós  vamos  ser  felizes  finalmente, Rosa! Eu preciso de um plano, um bom plano que  me faça ser  o informante... Mas agora eu preciso garantir que aqueles  capangas idiotas que o  Zequias me  arrumou não façam isso antes de mim...
Levantou-se rapidamente e foi até  seu  cofre particular. Tirou um revolver de lá e o colocou sob o cós  traseiro, encobrindo-o com o paletó.
Ao abrir a  porta quase esbarra em Raquel.
- Miton, seu  café! – exclama ela
- Fica pra  depois. Tenho um problema urgente  para  resolver! Talvez eu  precise passar  uns  dias fora. Tome  conta  da  galeria.
Raquel deu de ombros e girou o corpo entrando na sala de Milton.
- É claro, eu  vou tomar  conta  de tudo isso, não se preocupe!
Colocou a badeja  sobre a mesa  e sentou-se na cadeira  dele, ajustando-a  a  sua altura.
Mudou alguns objetos de lugar anrtes de finalmente pegar a xícara e leva-la aos lábios, provando o café.
- Perfeito! – exclamou tomando utro gole – Como tudo que eu faço – e devolveu a xícara ao pires.
- Ah meu caro Milton... Seus problemas  mal começaram... -  Então recostou-se à cadeira e cruzou as pernas. – Nunca assine nada  sem ler...



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Claude conectou-se  à Internet e procurou o site de notícias que Nara  acabara de  lhe  passar. Não foi preciso perder  tempo procurando a reportagem sobre Louise. Ela era o destaque  do canal.
“Louise Geraldy,  candidata a candidata à Presidência francesa e figura importante de seu partido decidiu se afastar temporariamente da vida pública. Ela anunciou sua decisão ao Partido na quinta-feira e  dará os detalhes em uma carta a ser publicada oportunamente pela imprensa local. 
Com essa decisão, Louise,  um dos dois nomes mais  fortes, dentro da Frente Nacional Francesa  abre mão de se candidatar pouco antes das eleições.
Segundo informações preliminares, ela argumenta que se afastará por algum um tempo da vida política e pública para   dedicar mais tempo às  empresas Geraldy e à família, o que pareceu  deboche e ironia para  a maioria do colegiado,   uma vez que seus  dois  filhos, Claude Geraldy -  que  desligou-se  definitivamente  da  politica,  e Nara Geraldy -  a ex-futura noiva  do ex-futuro marido de Louise saíram do pais.
A ex-segunda esposa de François Geraldy, um dos fundadores  do partido garante que jamais renunciaria definitivamente à vida política.
Em um dos  trechos  da carta, a qual tivemos acesso, ela argumenta que, abre aspas “nunca ficará indiferente ao sofrimento dos seus compatriotas” -  fecha aspas.
Conselheiros e filiados políticos do partido que viam nela alguém capaz de  atrair o eleitorado da direita tradicional para o partido de extrema-direita acreditam que  isso abalará a estrutura do próprio partido.
Mas, todos sabem  a decepção que Louise causou ao ser apontada como protagonista de um dos epsódios mais corruptos da política. Talvez essa seja uma estratégia e com esta  postura Louise que  foi muito criticada no  partido,  por correligionários e apoiadores, esteja colocando  sua legitimidade em xeque, na esperança de convencer os mais de dez milhões de militantes do partido de extrema-direita de que é inocente.”
Rosa saiu do closet e colocou a  caixa que segurava em cima da cama,  pousando delicadamente suas mãos  sobre os ombros  do marido.
- Eu sinto muito...- murmurou.
-  Eu também, mas não devíamos... Ela foi advertida muitas vezes, inclusive  por mim.
- Mesmo assim...
- Mesmo assim, não vamos  dourar a pílula, cherie! – afirmou  desligando o notebook – Louise é uma pessoa má e  só  está colhendo o que plantou, hã? Encontrou o álbum? – pergunta  mudando de assunto.
- Sim e  o Paulo já chegou, está nos esperando na sala.
Mal haviam saído do quarto e o celular  de Claude tocou.
- Frazão. – disse à  Rosa antes de atendê-lo a caminho da  sala.




PSV




Na delegacia, Rodrigo e Beto revisavam todo o material que pertencera a Roberta, sob a supervisão de um dos  investigadores.
Beto foi tirando tudo de dentro  da  caixa e checando. De repente seus olhos localizam uma pasta.
- Essa pasta, por que não estava aqui antes? – Pergunta admirando o logotipo estampado, antes  de abri-la, atraindo a atenção de Rodrigo.
- Foi parar em outro  arquivo, por engano. – explica o investigador. –  Mas  só tem  as fotos  da menina.
- São as  fotos  que  você mesmo tirou de Alexandra, na festa de aniversário dela e de Claude, fazia parte  do plano, não?
- Oui, mas eu as entreguei dentro de um envelope marrom... Esse desenho... – murmura voltando ao logotipo. – Eu já o vi mais de uma vez, e a primeira  foi com Roberta... Onde mais eu vi...  – pergunta-se abrindo a pasta  novamente.
Então notou uma pequena e rasa marca  d’água,  na  contra capa  da pasta.
- Eros Galeria. – exclamou, Beto. – Sabem onde  fica, de quem é?
- Não. – responderam Rodrigo e o investigador quase ao mesmo tempo.
- Mas nós conhecemos quem sabe. -  diz  olhando para  Rodrigo. -  Posso leva-la  comigo?
- Bem, não deveria, mas  o delgado Paulo disse  para  colocar  tudo  a sua  disposição, então...
- Eu me responsabilizo. – afirma  Rodrigo. – além do mais, onde  vamos, encontraremos  com  ele...
Minutos depois, enquanto estavam a caminho da  casa de Claude e Rosa:
- Segundo o Google,  A Galeria Eros pertence a Milton Alvarez e fica num bairro nobre, não muito longe  da Athena... – Diz Rodrigo mostrando a imagem  de  Milton a  Beto.
- Eu já o vi na  Athena e saindo da  casa do Claude...  Pra quem está ligando?
- Pra um contato.  Em pouco tempo teremos  a ficha completa  desse Milton...



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Milton parou o carro algumas  casas antes. Esperou as  poucas pessoas que passavam por ali desaparecerem  para  dentro de suas  casas e então desceu  do carro. Manteve o rosto  baixo.  pois sempre pode haver uma     câmera de segurança  por perto...
Abriu o portão e entrou sem chamar por ninguém. A surpresa é sempre o melhor  ataque. Observou  as janelas abertas e continuou até a porta principal. Chamou discretamente pelos  capangas, mas  o silêncio  foi a  única resposta.
Bateu à porta com os nós  dos dedos e viu-a ceder abrindo alguns  centímetros. Entrou pisando o mais leve que  conseguia. Alguma  coisa não estava certa  por ali, lhe dizia sua intuição...
Ouviu um ruído vindo da  cozinha e dirigiu-se para lá.  Mas não estava preparado para o que viu...
Os  dois capangas estavam sentados à mesa, olhos abertos, sem  vida. Um filete de sangue escorria da perfuração a bala, feita na testa de cada um deles.  Em outra cadeira, Zequias.
Sem demonstar nenhum tipo de emoção, ele abriu uma garrafa de cerveja e fez um sinal para que se juntasse a ele.
- Eu sabia que  você viria.  – Falou sem demonstrar arrependimento - Então me adiantei um pouco...
Milton levou a mão para detras de si e a voltou empunhando a arma.
- Eu não faria isso se  fosse  você. – Ouviu o conselho.
- É mesmo? Me dê  uma razão para  não aproveitar a chance de acabar  com você. – Disse mirando Zequias
- Foi exatamente isso que eles  tentaram fazer, filho... Além de se  recusarem a beber  uma cerveja comigo, é claro...




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Claude despediu-se  de Frazão e encerrou a ligação.
- Roberta entrou  em contato com Frazão querendo notícias sobre o sequestro... – explicou-se  ele.
- Mas é muita cara  de pau! O que ela quer? A parte  dela do resgate? – pergunta Rosa  irritada.
- Non, cherie! Ela quer  falar  comigo, tem tentando sem sucesso. Isso  explica  essas  ligações restritas que nunca  se  completam, hã?
- E o que ela ainda  quer  falar com  você?
- Frazão não conseguiu tirar  nada  dela...
- Vindo de Roberta, não pode  ser  nada  de bom!
- Desulpem a minha intromissão, - diz Paulo -  Talvez  agora  que está longe ela  revele a pessoa que estamos  procurando...
- E talvez queira  fazer  isso em troca  de alguma vantagem... – comenta Rosa.
- Paulo tem  razão. E não perderemos nada se eu falar  com ela, cherie...
- Bem, -  fala Rosa mudando de assunto -  Esta é a foto de  toda a turma. – diz voltando ao   álbum. – A maioria retornou para  sua  cidade natal.
- Ainda se lembra do nome de todos eles? – interpela  Paulo
- Talvez... – responde voltando a olhar mais atentamente para  a foto. -  Denize,  a Janete, Luciana, Jonata...
- Esse aqui, atras da Janete é o Milton? – pergunta Claude
- Sim, é ele...
- Um momento, Rosa! – pede Paulo afastando-se e atendendo o celular.
Quando  volta...
- Boas notícias! Sua  atitude já está dando resultados, Claude! Recebemos várias ligações, a maioria descartável. Mas uma nos deu indicação exata de onde estaria  seu carro e alguns homens  já saíram a campo...
A campainha  toca e Dadi logo aparece  no escritório com Rodrigo e Beto.
- Bom dia a  todos!  - diz Rodrigo.
- Paulo, eu sei que não é certo tirar evidências dos arquivos  policiais, mas  tinha que trazer  essa  até aqui... Essa pasta havia  sido colocada em outro arquivo, mas estava entre os pertences  de Roberta.  Me  digam onde ou com quem  foi que eu já  vi esse logotipo? – pergunta  Beto mostrando a pasta.
- Milton... – murmura Rosa empalidecendo drasticamentre. – Não pode ser... – continua compreendendo o significado daquilo, voltando  o olhar  para a foto.
Em seguida procurou o olhar de Claude. Isso foi antes que a escuridão a envolvesse e seus sentidos falhassem.



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- E essa  foi a última vez, Alex! – exclamou Elsa depois que a menina apertara o número cinco pela terceira vez,  para que o elevador  voltasse ao quinto andar. – O Canguru pode aparecer e imagina o que ele faria se nos pegasse...
- É eu sei, Elsinha... Ele ia bater em você  de novo...
- Esqueça aquilo, garota! Olha, o que  você  acha da gente fugir daqui e eu te levar pra  sua  casa?
- Eba!!! Meu papai e minha mamãe tão demorando pra me achar mesmo!
- Então nós  vamos  fugir... Mas não podemos  deixar  o Canguru ns pegar, temos que ser discretas.
- O que é isso?
- É saber  guardar um segredo, é saber  não chamar a atenção... Entendeu?
- Acho que sim. A gente  vai ter que  disfarçar e ser bem “bozinha”  com ele, né?
- É isso mesmo Alex. E nós  vamos fugir amanhã,  bem cedinho!
- Yes! Eu adoro você Elsinha! – exclama Alex abraçando-a.



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Milton recolocou o fone  no gancho do orelhão e olhou em  volta, confirmando se ainda  era a única pessoa na  rua e se afastou sorrindo cinicamente.
Caminhou até a esquina, virou à esquerda e andou mais  duas  quadras antes de entrar  em seu  carro.
Deu a partida e apertou o play do som.  Imediatamente o som de uma sinfonia invadiram o interior do carro.
Milton ficou imóvel por  alguns instantes. Parecia profundamente atento aos acordes harmoniosos que  ouvia. Quem o visse,  poderia  dizer que  tentava identifica-la e a seu compositor, tamanha a  atenção que  dispensava a ela, movendo sua  mão direita em  gestos diametralmente opostos, do suave e terno ao brusco e ameaçador.
Sem abandonar totalmente os  trejeitos  de maestro deu partida  no carro. Olhou pelo retrovisor e seus olhos refletiram,  nublados e distantes.
Sua mente dividiu-se em  três consciências. Ao memso  tempo que ouvia  a música, dirigia pelas  ruas  mal iluminadas, remoendo o que  tinha  feito.
- Se acha muito esperto não é, Zequias? – começou a falar olhando para o lado,  como se  ele estivesse no banco  do passageiro – Eu espero que  sua esperteza seja  suficiente para  explicar o que o carro do  francês  está  fazendo em  sua  garagem privada.
Voltou momentaneamente sua atenção para o trânsito, procurando a saída certa para retornar à cidade antes de continuar.
- Isso mesmo que está pensando! Eu liguei, anonimamente é  claro, mas eu, eu liguei e entreguei você! Você será acusado de sequestrar a menina, de ser o “sócio” da francesa. E eu serei o herói... Meu próximo passo será falar  com Rosa, informando que descobri o suposto cativeiro. Como consegui? Bem, eu segui as mesmas pistas  da polícia depois paguei por informações mais precisas e cheguei até a moça que a vigiava... Uma oferta generosa e voila! A  convenci   a aparecer e  entregar a menina... O quê? Como assim, ela pode não aceitar  minha prosposta? É claro que a “Elsa” vai aceitar. Até porque ela não vai querer que eu faça  com ela o mesmo que você fez aos primos dela! E eu não darei avisos, amanhã de manhã ela  fará o que eu mandar!
Então aumentou o volume  do som e a velocidade  do carro...


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