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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

PSV/ Capítulo 56



PSV


Capítulo 56










- ...Então João e Maria contaram  como  derrotaram a  bruxa  má e mostraram todas a joias que traziam nos bolsos.   Nunca mais  passaram  fome e foram felizes para sempre. – leu  Claude fechando o livro.
Suspirou, aliviado. Ela  dormira  mais  fácil do que esperava.
- Boa  noite, filha! – murmurou beijando-a. E antes  de deixar  o quarto ajeitou a coberta  sobre Alex.
Ficou  um instante parado  na porta,  observando-a e depois  voltou a sala.
- Aí está ele! -  exclamou Liz levantando-se  –  Joana, chega  de  trocar  receitas  com a Dadi, nós  já  vamos! – fala  virando em  direção  à  sala de jantar -  Só estávamos  esperando-o para nos  despedir. – explica voltando-se para Claude.
- Mas ainda é cedo! - argumentou ele. – Um último vinho?
- Não, não, Claude! – intervem Erci -  Rosa já  teve  sua  cota  de pizzas  e vinho  por hoje -  diz Erci sorrindo – E nós também. Está realmente  na hora  de irmos e deixa-los descansar.
- Mas... – replica Rosa.
- Erci está  certa, darling – continua  John – Foram  dias  de tensão e agora  precisam se  recuperar.
- Só viemos porque era desejo de Alex e ela merecia esse mimo! – diz Silvia.
- Mas ainda não acabou, Sérgio e eu vamos  fazer  uma festa surpresa  para  ela. – afirma Nara tomando a iniciativa  de caminhar  para  a  porta, e é  seguida  por  todos.
- Bem,  nós  só podemos ser gratos a  todos  vocês pelo apoio que nos deram todo esse tempo, não é  chérie? – diz  Claude e por estar  mais  próximo da  porta a abre.
Menos  de  dez  minuitos  depois a campainha  toca. Frazão e Janete chegavam da  França com mais  de  vinte e quatro  horas  de atraso.
Depois  dos  cumprimentos...
- Após  o ultimo atentado em Londres, a Interpol interceptou uma mensagem  atribuída ao Estado Islâmico e a  considerou uma ameaça.  Aeroportos e estações  de trem  foram fechados Tivemos que descer  do avião e  esperar  pela inspeção e aparentemente nada  foi encontrado.
- Ou anunciado. – diz Janete. – Isso causaria  pânico e desespero entre a  população, entre os passageiros e uma  considerável perda  de lucos  para as  grandes  empresas de transporte e  uma  crise política à  porta  das  eleições.
- D’accord, você tem razão Janete.
- Mas e minha afilhada, como ela está?
- Segundo o médico perfeita! Só devemos  ficar  atentos  para  qualquer mudança de  atitude ou emocional...   - responde Rosa – Mas, não estão  com fome?  Tivemos  pizza no jantar. Se  tivessem chegado um pouco mais  cedo pegariam  todos aqui...
- Não queremos  dar  trabalho a  vocês ou a Dadi...
- Não vai  ser  trabalho nenhum. – diz Dadi – Eu  vou aquecer as pizzas.
Enquanto comem,  Frazão e Janete ficam sabendo  em detalhes como   tudo acontecera.
- Humm  essas pizzas... São do restaurante  da Cleide, não  são? – pergunta  Janete.
- São sim. Ela  fez questão  de  nos presentear com elas, embora  não pudessem estar  aqui, ela  e Beto.
- Eu sabia! É a melhor  pizza do mundo! Muito melhor  que aqueles bichinhos encaracolados que  você  me obrigou a  comer! -  fala fazendo careta para  Frazão -  E o Milton já está na cadeia, não é?
- Quem nos dera. Esperavamos que ele pegasse a  via  expressa, mas ele abandonou o carro no meio da avenida Augusta engarrafando ainda  mais o trânsito e desapareceu no meio da população. – explica  Rosa.
- Não por muito tempo. A casa e a galeria dele estão cercadas, ele não tem  para onde ir nem para  ondo voltar... Frazão, como estão  as  coisas para  Louise? – pergunta Claude  mudando  de assunto.
- Nada bem, mon ami. Louise foi colocada em regime “garde à vue”, ou seja,  prisão preventiva. Ela será mantida à disposição dos agentes,  com direito a assistência jurídica e deverá ser interrogada.  O conteúdo das delações continua sob segredo de Justiça e o  sigilo só será derrubado após a abertura de investigação.
- A desfiliação dela  não serviu de nada, não é?
- Foi uma tentativa  de não manchar  o partido.  Aparentemente deu certo.  Mas novas  acusações de que ela recebeu ilegalmente informações sigilosas da Justiça sobre a evolução do processo. E por isso também foi indiciado seu advogado, o  Morris Gilbert, que  claro, alega inocência.
- Há evidências conclusivas?
- Conversas telefônicas entre Morris e alguns ministros apontam que ele recebeu informação de conselheiros do Tribunal Supremo e as repassou a Louise, que teria feito promessas em troca dessas informações.
- A mesma tática de antes... Isso vai liquidar  a vida  política dela.
- Acredita  nisso mesmo, Claude?  Louise tem cartas  na manga. Ela concordou  fácil demais  em deixar  o partido, está se submetendo a esse processo sem atacar...  Eu creio que ela   retorne à política francesa mais  cedo do que pensamos.



PSV



Milton atravessou a  rua  depois   de ficar  mais de  duas  horas na espreita. Não que estivesse cem por cento seguro, mas não  podia  mais esperar.  Diferente  do prédio do  seu apartamento,  ali não havia  sinal  de monitoramento, as câmeras de segurança não estavam mais ali, o que não fazia  sentido...
- Ou talvez  faça! – murmurou ao  ver  e ler  um novo layout estampado na porta. – O que essa  vaca fez na minha ausência... – se perguntou  tentando abrir a  porta, sem  sucesso. – Além de mudar  a fachada e a fechadura? – exclamou irritado.
- Até parece que isso vai me impedir  de entrar, querida... – resmungou  sorrindo e jogando  a chave.
Então  pegou o   cartão do bolso do  agasalho e deslizou-o através de uma pequena fenda do lado da porta, tendo o cuidado de coloca-lo em um ângulo perpendicular à porta.
Mexeu até que o cartão  ficasse lá dentro e  inclinou um pouco mais para que ele tocasse a maçaneta.
- Perfeito! -  exclamou ao senti-lo deslizar ainda mais.
Quando conseguiu  encaixa-lo totalmente na porta, empurrou-o para dentro. Demorou um pouco até ouvir um "clique" antes que porta se abrisse, magicamente.
- É,  alguns  fazem defesa pessoal. Eu fiz  outros  tipos  de  curso,  sua idiota!
Foi até  sua  sala  e  notou que as  coisas  sobre  sua  mesa, não estavam exatamente como deixara. 
Cartório de Registros. Abriu o envelope e não precisou ler  até  o fim para entender o que acontecia. Bastou ver sua assinatura no documento de cessação de propriedade da galeria em favor de Raquel Lins.
- Pilantra,  maldita, vagabunda! Seu nome  acaba de engrossar  a minha lista
Devolveu de qualquer maneira  o papel sobre a mesa e abriu o painel de madeira, na parede contraria a janela.
- O segredo continua sendo a alma do negócio. – murmurou abrindo o cofre – Isso você  não  vai ter! - e  tirando todo  o dinheiro que  tinha ali, além de alguns  rolos.
- Valeu a pena  contrabandear  vocês... – e  colocou tudo numa  mochila.  
Não  era um milhão de euros,  mas  era  o suficiente  para desaparecer por  uns  tempos.
Por último abriu todas as gavetas até  encontrar  o passaporte.



PSV



“Segundo a  policia, em seu depoimento a ex secretaria e agora proprietária da  Eros  Galeria diz estar surpresa  em saber que seu ex patrão Milton Valadares era  o sequestrador da menor A.P.G.,  filha do  empresário francês com uma brasileira, donos  da Galeria  Athena, sua  concorrente. Ela afirma que ele nunca  deu margem para  suspeitas, mas  que isso pode  explicar a insistência e rapidez  com que  passou a Eros  para sua administração oficial dias  atrás.  Portanto, Milton  Valadares é agora procurado pela polícia por  dois  crimes o de sequestro e agora roubo,  além de  formação  de quadrilha, cárcere  privado e outros agravantes. Sua  prisão era  considerada  certa no dia  de ontem, quando   foi feita  uma  operação tática especial, que  por  motivos  externos não teve  o final planejado. O delegado responsável pelo caso acredita que a prisão é uma questão de horas. Ele resolveu divulgar o retrato e as imagens e pede a colaboração da população. Portanto, se  alguém o avistar, entre  em contato  com o disk-denúncia, no 181. Seu nome será  mantido no anonimato e...”
- Puxa, como eu queria que esse monstro  aparecesse  na minha frente  pra  denuncia-lo! O senhor não concorda? – perguntou a senhora  que estava atrás  de Milton, na  fila do  caixa  da padaria.
Milton apertou as  notas do troco que recebia e ignorou as  moedas, saindo de  cabeça ainda mais baixa e sem responder.
- Esses jovens estão  cada  vez  mais  sem educação! -  reclamou a senhora, fazendo o seu pagamento.
Milton esgueirou-se e  voltou ao seu esconderijo. Um prédio antigo, que outrora  fora  um hotel de  alto pasdrão.  Abandonado, era agora um albergue  de nenhuma  categoria, no centro  de  São Paulo.
Era muito arriscado por em prática  seus  planos a luz  do dia. Sairia ao anoitecer, onde  todos os  gatos  são pardos...



PSV



-...Aí, tia  Janete,  a Elsinha  comprou um montão de “estrelinha” e eu colei nesse desenho que eu fiz pra Alessia.
- Um desenho muito lindo, Alex. Tenho certeza que Alessia vai adorar.
Alex  ficou olhando para  o desenho por um instante, antes  de fazer um pedido.
- Mamãe, você  guarda  bem guardadinho esse desenho? Por que  vai  demorar  um tempão pra Alessia ver ele, né?
- Guardo sim, vamos pensar  num lugar  bem seguro pra ele... Que tal  o seu  álbum de fotos?
- Yes! Aí quando a  Alessia  tiver o dela, a gente pode “guarda”  lá, né? Vamos lá  guardar então?
- Boa ideia, querida. Mas, vamos  fazer assim, primeiro você toma  banho, a Dadi já está  te esperando com a banheira cheinha de água, só pra  você, hum. Que tal?
- Você deixou? Eba!!! Dadi, eu to indo! – exclama Alex  correndo para  o quarto dos pais.
- Ela estava um pouco resistente a ideia  de  tomar  banho, parece que não  tomava  todos os  dias... –  explica   Rosa, dirigindo-se a Janete.
- E esses  desenhos, não é pior ela ficar  lembrando dos  fatos?
- Bem, não há  como impedir que ela lembre. Na noite do resgate ela  demorou a dormir e  quando dormiu  teve pesadelos. Claude  e eu nos desdobramos para  conforta-la e mostrar que estava na segurança  da  nossa  casa.  A psicóloga  nos aconselhou  a deixa-la  falar  livremente para voltar a viver o seu presente...
- Por que não passar  uns  dias em Paris? Com certeza  seria  uma terapia e tanto para  todos  vocês.
- É uma boa ideia, Jane. Vou falar  com o Claude ass...
- O que  vai  falar  comigo, cherie? – peregunta Claude, interrompendo-a.
- Janete nos  convidou para Paris...
- Voilá! E por que não?
- Porque “ele” ainda está  solto por ai... Como foi na delegacia?
-  Melhor do que pensei. Apesar da  falta de condições  mais  favoráveis estão todos trabalhando com  afinco. Os  dois policiais que  prejudicaram a operação pediram autorização e se ofereceram  como reforço Para eles, agora  é  questão de honra   captura-lo ou ajudar nisso.  O batalhão em que trabalham disponibilizou pessoal técnico. Rodrigo também está empenhado. Colocaram aeroporto e rodoviária  de sobreaviso e isso inclui os seguranças.
- A foto dele está na lista de procurados, na TV, nas  redes sociais. É claro que vão  conseguir localiza-lo. – diz Frazão, que  havia acompanhado  Claude.
- E tem o Zequias. – completa Claude – A policia acredita que ele possa ajudar...
Esse assunto continuou por mais  de  trinta  minutos entre Claude e Frazão, enquanto Rosa  e Janete acertavam os úlinos  detalhes do jantar,  até que Alex retornar.
- Pronto, já  tomei banho mamãe! – fala Alex correndo até  onde  Rosa  estava  – Eu posso  convidar a tia  Janete pra brincar  de  boneca   comigo? – fala baixinho, puxando a mãe  para  baixo
- Alex, é quase hora  do jantar...
- Ah, mamãe  só um “poquinho”...
- Humm eu ouvi alguém falar  em brincar de  bonecas? – pergunta  Janete.
- Eu, eu, eu tia Janete! – exclama Alex  pulando sem sair  do lugar – Você  pode  brincar  comigo?
- Mas filha...
- Rosa, sabe  quanto  tempo faz que eu não  brinco de  boneca com  minha   afilhada?  Onde vamos  brincar, querida?
- Eba!!! No meu quarto, tia Janete, vem! – falou  puxando-a pela mão, sem  deixar  de  falar-  Você acredita que  o meu papai nunca tinha  brincado de boneca antes de me conh...



  PSV



Raquel olhou-se no espelho e gostou do que  viu.
- Querida, você nunca esteve tão bem! – falou para  seu reflexo, sorrindo.
Corrigiu o batom e ajeitou o cabelo antes  de pegar a  bolsa e o casaco. Apesar de ser  verão São Paulo tem seus  contastes climáticos e  o tempo poderia mudar até a madrugada, quando pretendia  voltar  para  casa.
Um jantar  a dois e depois uma  balada, era esse  seu programa para a noite. Sua  companhia, o atraente e distinto Raul,  gerente  da conta bancaria  da galeria.
Nada  como unir  o agradável ao útil, pensava  enquanto o elevador a  levava  até a garagem  do prédio.
Ao sair,  um calafrio percorreu-lhe o corpo. Olhou em  volta, mas  não notou nada  de estranho. Aquele lugar estava  tão deserto como sempre estivera àquele horário, mas  nunca lhe parecera  tão sombrio como neste momento.
Relache Raquel e deixe  de assistir filmes  de  terror, aconselhou-se dando  de ombros e  caminhou para   seu  carro.  Seu carro... Bem, agora  ele era  seu, já que era a  dona  da  galeria. O rosto  de Milton formou-se em seu pensamento e desejpu que ele  estivesse longe  do Brasil, já que não tinha  sido  preso.
Balançou a cabeça, como que espantando a imagem e absorveu o som do eco das  batidfas  do salto do sapato. Chegou a  contar até  sete antes de entrar  no carro.
Jogou displicentemente  a bolsa  no banco do passageiro, conferiu o retrovisor externo e  só então colocou a chave  na ignição.
Foi ao cambiar marcha à ré e olhar  pelo retrovisor interno que  congelou.
- Como conseguiu entrar no carro?
- Pergunta a vadia que me roubou... -  diz Milton irônico,  segurando-a pelo cabelo, sem responder a pergunta. – Quando foi que assinei papéis  sem  ler? – questiona aumentando a força sobre  ela.
- Quando estava preocupado em  se  safar de ser  o bandido sequestrador e passar  a ser o mocinho salvador, aquele que  resgataria a garota e em troca receberia a mesma quantia  do resgate, posando de herói para todos. Que pena que sua  trapaça não tenha dado tão certo como a minha, não é?
- Ohhh... – murmura ele  num  trom de  falsa  surpresa -  Admito que você venceu essa baby. Por outro lado, me satisfaz saber que aprendeu a fazer  algo mais  produtivo e útil que aquele  seu  sexo sem graça. – diz  soltando-a bruscamente. -  Quase gozei, querida!
- Seu nojento, cretino e cafajeste! -  exclama tentanto se virar  para  encara-lo.
- Hum-hum... – resmunga Milton levantando a outra  mão, mostrando um revolver.  – Quietinha e  virada para a frente. É pena que eu não tenha  tempo de  convencê-la a me devolver a galeria – diz gentilmente, deslizando o revolver que segurava pelo rosto  dela. -  Não por agora... É mais urgente que me faça um outro favor...
- Se quer dinheiro, errou o alvo.  Quase zerou o saldo bancário da galeria, ainda estou tentando atrair novos investidores...
- Boa  sorte, querida, mas não, não é  dinheiro que quero nesse momento.  Preciso de um helicóptero para  sair daqui e  você vai  solicitar  esse  serviço, agora. Vai ligar do  seu  celular, agendar um voo de emergência e me levar  até o heliporto.
- Só isso?
- Não. Talvez eu queira  companhia durante o voo...
- Você está  louco! Não  vou fugir  com  você!
- Quer um incentivo, não é? – diz cinicamente. - Vai fazer o que  for preciso para que eu saia  ileso do pais. – afirma ele, apertando a  boca  do cano da arma na  face  dela.
Sem alternativa melhor, Raquel liga e  consegue  agendar um voo de urgência.
- Pronto, está  feito. Mas  eu não  tenho caixa para  pagar por  esse  serviço....
- Não  vamos  precisar pagar nada, querida.  Esse  brinquedinho aqui resolve  muitas  paradas... Agora  vamos,  me leve até  o heliporto do táxi aéreo e não tente  nenhum truque sujo ao sair da garagem.



PSV



Rosa pediu um tempo e deixou a sala. Foi  caminhando pensativa para  o interior  do apartamento, até o  quarto  da  filha.
Abriu a porta lentamente e aproximou-se da cama. Conferir se Alex  dormia de  forma calma e profunda entrara  em sua  rotina noturna nas  últimas noites.
Mas ali estava  ela,  serena e com as  faces  rosadas, agarrada à Serafina. Do outro lado  encostado à   cama, Antônio, o canguru.
Antônio era um canguru do bem,  de  coração  bom e que  gostava  das  crianças. Era isso que Alex explicara  ao insistir  em deixa-lo assim, tão perto  da  cama. Ele a  defenderia  do Canguru malvado da máscara, se ele aparecesse pro ali...
Ajeitou o lençol sobre Alex e lembrou da vibração dela ao abrir o presente de Janete e Frazão. Um jogo completo de cama e  banho  estampado com os personagens  do filme Frozen.
Saiu tão despercebida  quanto entrou e  voltou para  a sala e  para  os amigos. Claude se  despedia  de alguém e guardava  o celular.
- Era  o Freitas, cherie. Paulo quer tomar   o depoimento  de Elsa, ou seja, da Tereza.
- É tão estranho ainda chama-la de Tereza, embora seja seu  verdadeiro nome... Mas por que falava  com Freitas?
- Eu pedi a ele que  indicasse algum advogado para  acompanha-la e assiti-la no processo e ele se  ofereceu sem direito a recusas.
- Sei que não é  da minha  conta – diz  Janete – Mas não estão exagerando na ajuda  a essa menina? Ela  é uma criminosa, ajudou um sequestrador!
- Bem, com o você  disse, ela é uma menina, não completou  dezoito anos ainda e entrou  nessa  acreditando que  livraria os pais, o  irmão e os primos das  garras  do Zequias, o  mentor  do crimes  organizado da  favela onde morava. Agora  os pais estão  desaparecidos, o irmão  e os primos mortos, infelizmente...
- Oh, Deus... Ela é mais uma  vítima nessa  historia  toda... Me desculpem, acho que me excedi um pouco...
- Um pouco? – diz Frazão – Já estava me perguntando se essa era  a mesma Janete pela qual me apaixonei...
-  Amor!? Claude  e Rosa, me perdoem por esse  comentário infeliz! Cai na armadilha  de medi-la  com a mesma  régua  que sempre medi Milton.
- Acalme-se Janete. –  diz Claude – Nós só não fizemos o mesmo porque o que ela nos contou, depois  de recobrar  a consciência, batia  com as investigações.
- Então Claude e eu conversamos e chegamos a conclusão que se ela  for presa, ai  sim  corre  o riso de  se  tornar  criminosa. Todos sabemos  das  condições  carcerárias no Brasil... Além disso, ela  salvou  a vida  de  Alex. Devemos isso a ela.
- Vocês  estão  certos, precisamos  ajuda-la.  Contem conosco, não é  Frazão?
- Ah, agora  sim a reconheço! É claro que podem  contar  com a nossa  ajuda, mas  agora, que tal  terminarmos nossa partida  de pôquer?



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Raquel estava  com medo. Já havia  dirigido por  vários  quilômetros e começava a se afastar    da  cidade. Seu celular  tocou mais uma vez. Raul.
-  Você  devia  me deixar atender. Eu preciso explicar  meu atraso ao Raul...
-  Raul, o gerente geral do banco?
- Ele mesmo. Eu tinha  um jantar  marcado com ele. Um jantar  de negócios, eu  disse que estou atrás  de investimentos, não disse?
- Sei bem  o tipo de investimento que  você  faz. Todos a  médio e longo prazo, não é? Você não  deve ter  um cérebro dentro  da cabeça, deve ter  um rastreador de pessoas suscetíveis  a golpes!
Rastreador!   A palavra soou como música aos  ouvidos  de Raquel. Como não  me lembrei disso? – perguntou-se segurando um sorriso  de satisfação com uma  mordida  de lábio. O carro tinha rastreador, estava dentro  do pacote  de segurança, que ela  mesma contratara, antes  de Milton assumir a galeria... E não se lembrava de  ter  dito isso a ele... Tinha  que arriscar!
Bastaria  uma ligação, mais  o código numérico e o alerta  seria  enviado para  a vigilância,  captado automaticamente por meio de  um software... Ah, bendita tecnologia! Mas ainda assim, precisaria  usar  o celular.
- Então, vai me deixar  ligar?
- Está bem, afinal não queremos a  pol[cia atrás  de nós  não é?
- Diga isso por você! – exclamou Raquel sem se  conter e imediatamente  se preparou para uma reprimenda violenta  de Milton.
No entanto, ele soltou uma gargalhada e afundou o corpo no encosto do banco traseiro,  o que a relaxou.
-  Vamos lá, ligue para o seu amante  e  diga  que não  vai lhe dar o prazer de passar esta  noite na cama dele...
- Voce é nojento... – diz ela,  pegando o celular e acionando a  seguradora, derrubando propositalmente o celular  em seguida, fazendo  o carro ziguezaguear.
- Mas que merda,  quer  matar a nos  dois?
- Droga, o celular  caiu, não consigo fazer  isso enquanto dirijo, preciso parar por  um instante... -  pediu, como havia planejado.
- Dois minutos, nem um segundo a mais.  E tenha  cuidado daqui pra frente. Lembre-se que eu não preciso necessariamente  de você...
- Ok... Eu  vou ser rápida. – prometeu ela ligando para  Raul.



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- Por que isso sempre  acontece  na melhor  parte  dos  filmes? – resmungou Rodrigo pausando o filme que assistia  e procurando seu  celular.
Identificou a chamada e atendeu.
- É minha noite  de folga, espero que seja realmente importante e urgente...
- E é. Sabe o veículo da tal galaria que  você pediu monitoramento diário? Acabamos  de ser acionados para rastreamento e  busca desse automóvel,  código roubo/sequestro...
- Bingo, pegamos ele! Eu sabia que era questão de tempo... Liga pro pessoal e coloque-os  de sobreaviso. Eu vou informar  o Paulo  e nos encontramos ai...



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Claude entrou no quarto a tempo de ver  Rosa vestir uma de suas  regatas e se deitar com os pés virados para a cabeceira  da cama.
As quase dezenove  semanas  de gravidez começavam a ficar aparentes aumentando o contorno do  corpo dela, e essa era a razão de preferir  suas  regatas ao baby dool ou às  camisolas. Eram mais  confortáveis, dizia ela.
Deslizou o olhar pelo corpo dela, passeando prazerosamente sobre ele. Essa transformação não diminuía em nada o seu desejo por ela...
Apreciou a maneira  como ela empilhava três travesseiros e  tentava equilibrar  as pernas  sobre eles,  resmungando algo antes  de deixar apenas dois e finalmente  relaxar e acabou supirando ao mesmo tempo que ela.
O som do suspiro atraiu a atenção  de Rosa que ergueu  ligeiramente a cabeça para trás e sorriu.
- Sabe,  o melhor em se falar com os olhos é que nunca há erros gramaticais.  – disse ela  divertida.
- D’accord... Os olhares cheios  de amor costumam formar frases perfeitas, hã? – completou ele aproximando-se e acariciando-a primeiro na  face,  depois no ventre, antes  de beija-la meigamente.
- Humm -  resmungou ela manhosa – Mas o  amor também é feito de palavras  que nos acariciam por dentro, onde as mãos não chegam e onde os beijos não alcançam... – argumentou    deslizando  sua mão pelo peito  dele.
- Ah, o  amor é mágico, nos  faz  enxergar  borboletas mesmo quando não há flores no jardim...  Vocês  são  o meu jardim, cherie...
- Hummm... Achei romântico,  poético e lindo  o que  você  disse, mas com tudo que passamos  há  um bom tempo não vemos  essas borboletas não acha? – retrucou  com a voz  rouca e sensual.
-  Voilá! Podemos resolver isso agora mesmo  mon amour...



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Paulo  chegou poucos  minutos  depois  de Rodrigo.
- Então, acredita  que é ele mesmo?
- Não tenho  dúvidas, Paulo! Além do carro estar  se afastando  da  cidade, identificamos o celular que mandou o camando de alerta. Pertence a Raquel, a  nova  dona  da galeria e adivinha? Antes disso ela  fez  contato  com um táxi aéreo e depois com alguém chamado Raul Andrade.
- Como conseguiu rastrear essas  chamadas tão  rápido?
- Hackeando o sistema da operadora.
- Você invadiu o sitema de uma empresa sem autorização outra  vez?
- Meu trabalho é  manter  as  pessoas  seguras. – argumenta Rodrigo dando de ombros -  Você  sabe quanto tempo eu teria que esperar  pra  ter um mandado ou liminar que me permitisse  fazer isso “legalmente”.
- Bem, depois  discutimos  sobre algumas  de  suas técnicas... Vamos entrar  em contato  com esses...
- Já  fizemos isso. Ela  agendou um voo de emergência com o táxi aéreo e desmarcou um jantar  com o tal Raul. De acordo  com ele Raquel parecia nervosa e assustada...
- Vocês não poderiam simplesmente desligar  o carro?
- Se  fosse  um carro eletrônico  sim,  mas  esse  veículo é  convencional, só  podemos  rastrea-lo via GPS.
- Entendo. É claro que ele vai usa-la  como refém se precisar... Então, vou mobilizar meu pessoal e montar uma    tocaia. Dessa  vez  ele não escapa!
- Minha equipe está  a disposição. Qual é o seu plano?
- Bem, ele está    a nossa frente... Vou  contatar  meus  colegas  das  delegacias  mais próximas de lá e  bloquear a estrada  com uma  blitz noturna e tentar atrasa-lo  o mais  possível. Enquanto isso nós  voaremos para lá  de  helicóptero.
- E o que quer  que  façamos?
- Sua equipe  será  mais  útil daqui, nos informando qualquer  mudança  de  rota  dele. Espero que me entenda, não  gostaria de  colocar civis em perigo.
- Ok.  Vou  dispensar a equipe  que está  de sobreaviso e ficarei aqui ajudando no que  for  preciso.
Paulo então,    comunicou-se com seus  colegas combinando o procedimento e  solicitou o uso  de helicóptero, ordenando a alguns homens que o encontrassem no  hangar no Aeroporto Campo de Marte, onde  ficam alguns helicópteros  da   polícia.
-  Acha prudente avisar  Claude e Rosa?
- Não, de imediato não. – responde Paulo conferindo  a hora -   Eles  não merecem outra  noite de ansiedade. Melhor avisa-los  da  prisão do cafajeste, porque  nós  vamos  prendê-lo, Rodrigo! – é a última  fala de  Paulo, antes  de sair, apressado.
Rodrigo conferiu o monitoramento que  seu assistente  fazia. Nenhuma  mudança  de  rota, ele  continuava sentido Marginal Pinheiros, sede do hangar contactado. Isso era ótimo. Foi até a cozinha e preparou um café forte e menos  doce  que o habitual. A  noite  seria  longa.



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- Por que diminuiu a velocidade?
- As pessoas  em sentido contrário estão  dando  sinal  de luz,  então  imagino que tenha algum acidente pela frente...
- Era  só o que  faltava... – diz Milton  pulando para o banco dianteiro.
Ficou em silêncio por alguns quilômetros até avistar um movimentação maior.
- Merda, não é acidente  é uma blitz noturna! Passa direto, não para, vai em frente! – ordena diante  do aceno  do policial.
- Você está louco,  vão nos perseguir e atirar em nós, eu não quero  morrer!  -  diz  tirando o pé  do acelerador de  vez.
- Sua  idiota! – grita  Milton esticando a perna tentando  pisar no acelerador enquanto Raquel ao mesmo  tempo  brecava com o pé e puxava  o  breque  de mão.
Desgovernado o  carro perdeu velocidade.  Raquel soltou o cinto e abrindo a porta  pulou do carro, antes que ele    rodopiasse e  ficasse atravessado  na  pista.
Ouviu os  xingamentos de Miton e rezou para  que ele não atirasse nela enquanto rolava  sobre o  asfalto. Ergueu a cabeça  a tempo de vê-lo sair  com o carro, cantando os pneus.
O cheiro da borracha  queimada a fez tossir  várias  vezes antes  de perceber dois  fachos de luz branca vindos  em  sua  direção e passarem direto. Colocou as mãos sobre  os olhos  tentando protegê-los contra a ardência  que  isso provocou e só então  sentiu  sua pele queimando em algumas  partes  da  perna e  do braço. Deixou-se cair num misto de alívio e  dor.
Um terceiro facho de luz  a atingiu e parou a poucos centímetros.
- Moça, você me ouve? Pode se levantar?
- Posso sim, - respondeu aceitando  ajuda.
Foi colocada numa  viatura e levada a um hospital.



PSV




- ...Entendido, câmbio e desligo -  disse Paulo saindo da frequência policial do rádio comunicador.
Então torceu o  pescoço ligeiramente  para a esquerda.
- Ele passou direto pelo primeiro bloqueio, mas a refém conseguiu sair  do carro, o que nos  dá uma liberdade  maior. Vamos  pega-lo no segundo. Estão preparados?
- Sim, senhor.
- Liga  a luz externa e vamos alcança-lo! – pidiu ao piloto – Consegue voar mais rápido que isso?
- Com certeza! – respondeu arrementedo  o helicóptero para a ligeiramente para a esquerda.
O trânsito era mais intenso  no sentido contrario  da  pista, de quem entrava  na cidade. Isso daria mais liberdade de agirem na captura.
As faixas   intersectadas da estrada  começaram  a passar tão rapidamente que em segundos  pareciam contínuas.  Não  demorou muito  e o carro com Milton, seguido por  duas  motos, logo ficou   totalmente iluminado.
- Droga, ele não vai parar! – exclamou Paulo vendo que Milton não diminuía a velocidade ao se aproximar  da segunda blitz.  – Precisamos  de um  plano de emergência!
- Uau! Eu estou bem cotado, tem até polícia aérea em meu encalço! -  falou em  voz  alta, olhando pelo vidro  do parabrisa, vendo  o helicóptero passar  por  ele e se afastar até desaparecer.
- O que? Já  desistiram? Seus  frouxos! Danem-se, eu não  vou perder, não  agora!
Afundou o pedal  do acelerador e investiu contra os policiais, que o aguardavam com as  viaturas emparelhadas, no meio da pista.
Os policiais conseguiram correr e chegar ao acostamento antes que ele forçasse a passagem e abrisse caminho, colidindo  lateralmente com elas. A força do impacto, sorrateiramente havia feito capô do  carro  destravar.
- Seus babacas!  Uhu! – gritou Milton  ao passar, gargalhando.
- Agora  só  falta  me livrar dessas  motos... – diz olhando pelo retrovisor, vendo-as se aproximar. -   Pensa  Milton, pensa e faz!
Seu  olhar caiu sobre a arma quer deslizava  pelo painel. Pelas suas  contas  ainda  tinha doze balas disponíveis. Era   uma   possibilidade, mas poderia  precisar  dela para embarcar  no táxi aéreo. Só mais dois ou três quilômetros pela frente e alcançaria a alça  de acesso ao hangar...
O brilho dos  faróis no espelho era o aviso que estavam cada  vez  mais perto. 
- E eles  me querem vivo, prova  disso é que não dispararam uma  só vez... – Quer saber? – e soltou a  mão direita da direção agarrando a arma  -  Azar o de vocês, eu  não vou ser preso, se alguém tem que perder  que sejam vocês!
Apertou com força a mão esquerda no volante e esticou o braço direito para  fora e mirando desajeitadamente  apertou o gatilho dividindo sua atenção entre manter o  controle do carro e acertar o tiro. Se tivesse  sorte acertaria ao menos  um dos  dois.
Mas  tudo que  vislumbrou foram faíscas  pelo asfalto e as  motos  em zigue-zague.
Praguejou irritado e repetiu a ação. Dessa  vez  sorriu,  perversamente satisfeito ao  ver  uma  das  motos derrapar e a  outra  parar para  socorrê-lo.
Apoiou o carro à  direita para  entrar na  via  de acesso ao hangar e notou algo errado. 
-  O que é que há  belezinha, obedece ao papai! – exclamou acelerarando ainda mais.
Então, ao mudar  a marcha o carro trepidou, causando um solavanco brusco que  fez  o capô se erguer.
- Mas  que merda! – xingou exasperado, vendo o capô voltar, mas  não teve  tempo de sentir  aliviado.
– Droga, mas o que  é isso? – exclamou assustado com uma intensa claridade  a  sua  frente.
- Merda! Merda, é aquele helicóptero! Ele... ele está  pousado na pista? Droga, droga! Saia daí - gritou pisando no freio várias  vezes. – Vai, vai, o que é que está  acontecendo com você ? - perguntou ao  veículo,  notando que a velocidade  não caia por  mais que  freasse.
Seu olhar caiu sobre  o marcador  de combustível: estava sem gasolina!
- Não, não  você  não pode  fazer  isso comigo! -  resmungou furioso.
Tentou mudar  de marcha e  tudo que  conseguiu foi ouvir  um som seco, estridente e rápido. O motor estava travado, não conseguiria  desviar  daqueles policiais imbecis!
- Que bom, nós  vamos  morrer  juntos! -  resmungou sarcástico.
Esterçou totalmente o volante para  a esquerda  e preparou-se para  o impacto e a explosão que  viria a seguir. Fechou os olhos  a  poucos  segundos de  colidir e esperou pelo pior.
Um zunido gigantesco e o carro girou em sentido anti-horário, batendo em alguma  coisa, deslizando lateralmente e produzindo um barulho irritante de metal contra  metal. Mas nada de explosão.
Abriu os olhos  e sorriu. Estava machucado, mas  estava  vivo. O carro batera na grade de proteção de alguma indústria e o afundamento dela servira  para  lhe proteger  também.
Não havia  sinal do helicóptero. Bem, talvez  não  fosse  da  polícia e sim de alguém que negociava por ali e também estava  com problemas  e fugira...
O jeito agora  seria  se embrenhar pelo mato e chegar  ao hangar o quanto antes... Pegou a mochila do banco de tras  e como a porta  não abria  saiu pela janela.
- Milton Alvarez coloque as mãos para  cima e vire-se de costas.
Não teve  tempo de reagir  ou fugir, pois  dois policiais aproximartam-se, um de cada  lado e o encostaram contra  o carro.
- Você está preso por sequestro de incapaz e formação de quadrilha entre outras acusações. – anunciou o  policial que o algemou sem nenhuma  bondade.
Milton soltou uma exclamação  de dor.
-  Ah, você também tem o direito de permanecer em silêncio e tudo o que disser será usado contra você no tribunal. – falou o outro.
- Isso era desnecessário -  observou o primeiro.
- Ah, qual é? Vai  dizer  que nunca  teve  vontade  de  falar  isso?
- Ei vocês  dois,  venham logo. A nossa  carona está  chegando. – diz Paulo com uma autoridade branda.
Não demorou muito e o helicoptero pousou novamente  sobre  a pista.
- Milton Alvarez... Você não estava querendo  dar  uma voltinha  de  helicóptero? Vamos lá, cortesia da  casa! – falou Paulo, de maneira quase divertida  fazendo Milton entrar antes  dele e do outro policial.
Em minutos  eles desciam no hangar  do Campo  de Marte  onde uma viatura  já  os esperava para levar Milton.
- Delegado Paulo, foi um prazer  trabalhar  com o senhor! – disseram os  dois policiais ao se  despedirem.
- O prazer foi todo meu. É muito bom saber que a corporação tem profissionais  como vocês, capazes  de  uma estratégia de emergência como essa.
- Quando precisar, estaremos às ordens! Boa noite, senhor!
- Boa noite! – respondeu entrando em seu carro,  seguindo o mesmo trajeto  da  viaduta que levava Milton. Queria  assegurar o  bom andamento dos  serviços e a integridade  dele, apesar  de tudo.
Entrou em contato com Rodrigo para também agradecer a parceria.
- Obrigado por me ajudar mais uma vez, Rodrigo.  (...)  Não seja modesto, seu trabalho nos norteou e pudemos prendê-lo finalmente. (...) Sim, eu creio que já  pode   informa-los, apesar da hora. (...) Com certeza, dormirão bem mais  tranquilos. (...)  Claro,  vamos  nos  reunir e comemorar  esse  sucesso (...) Até mais, meu amigo.



PSV



Rosa ouviu  Claude  conversando com  alguém e ainda não totalmente desperta acreditou ser um sonho. Abriu os olhos  aos  poucos mas  não deixou de ouvir a voz dele, abafada por certa  distância.
Girou o corpo, ainda desconfiada que  sonhava, procurando-o  ao seu lado e foi ai que  dispertou totalmente.
- Claude? – chamou-o levantando-se da  cama a procura-lo.
Encontrou-o dentro  do closet, encostado a um aparador, falando ao celular.
- O que aconteceu, com quem está fal...? – e interrompeu a pergunta ao sinal que ele lhe  fez  com mão, antes de enlaça-la pela cintura, trazendo-a para  si, num gesto  de proteção.
- ...Não se preocupe com isso, Rodrigo, fez muito bem em nos avisar. Merci (...) D’accord, nos  vemos amanhã, boa  noite. – e colocou o celular  sobre  o aparador.
- Pardon, eu vim aqui para  não acorda-la e não adiantou muito...
- E o que houve,  por que  Rodrigo ligou a essa  hora?
- Milton tentou fugir algumas  horas atrás, mas  conseguiram prendê-lo.
- Graças a Deus! – murmurou Rosa, abraçando-o. – Eu  tinha  tanto  medo  dele tentar sequestar Alex outra  vez e...
- Chhhhh... -  sussurrou ele beijando-a sobre os  cabelos. -  Isso tudo  já  passou, ela  está segura  novamente e ele... Bem eu espero que ele fique muito tempo na cadeia.
- E como conseguiram prendê-lo?
- Vamos  voltar  pra  cama e eu te  conto  como  tudo  aconteceu, d’accord? Segundo o Rodrigo...



PSV



Rosa  cobriu a  mão  trêmula de Teresa com a sua.
- Calma, Tereza, vai  dar tudo certo, hum? -  murmurou  animando-a.
Teresa  sorriu de  volta. Um sorriso nervoso  e preocupado, antes  de suspirar e abaixar a  cabeça.
Claude, sentado a  sua direita conversava com Freitas, enquanto esperavam a chegada  do  juiz e  do promotor.
Rosa  repassou mentalmente  os  motivos  do porquê estavam ali...
Depois  da  prisão  de Milton, o  depoimento  de Teresa  fora  adiado por  dois dias, pois queriam ouvi-lo primeiro. Estaria  tudo  certo se Tereza não tivesse recebido alta nesse mesmo período.
Por ser menor  de idade e estar  envolvida no sequestro seria encaminhada à  uma  unidade  da Fundação Casa.  Lembrou-se  de  sua  indignação. Aquele  lugar não servia  para  ninguém,  nem mesmo para  os jovens infratores que  já  estavam por lá.
Com  muito tato, explicou  a Alex sobre o destino de Tereza e  o porquê  não poderia  mais  visita-la.
“- E por que ela não pode   “i” mora     “coagente”? A Aléssia vai precisar de uma babá, não  vai?” – fora  a resposta que ouvira.
A princípio Claude refutara  a ideia, mas  depois  de ver a realidade do lugar  através  da Internet, acabou pedindo a Freitas  que aviasse essa possibilidade.
Correndo contra  o tempo, entraram  com um pedido  de tutela, já que  Tereza  ainda era  menor  de idade com responsáveis desaparecidos. O juiz  de plantão concedeu uma liminar  e estabeleceu o prazo de trinta  dias  para experiência e  adaptação e futura audiência a  ser marcada para consolidar a  tutela.
Tereza  se mostrara uma garota dócil, cuidadosa, responsável e prestativa.    Natal e  Ano Novo haviam sido realmente  tempo de  renovar a esperança e o ânimo...
O rangido  da porta e a movimentação de  todos colocando-se  em pé  a  fizeram  voltar  para o presente. Levantou-se  também.
O juiz os  cumprimentou e pediu que  sentassem. O assistente  declarou aberta  a sessão e leu um resumo da petição, dando em seguida,   voz  ao juiz, para  preferir  sua  sentença.
- A lei brasileira permite que o cidadão ou instituições façam seus acordos de forma autônoma, sem interferência do Estado, com ou sem o apoio de terceiros  tais como mediadores, advogados, árbitros, moderadores  e sem se vincular a cartórios ou órgãos do Poder Judiciário, previstos no artigo 475-N do Código de Processo Civil e, de forma geral, são oriundos de um processo, ou seja, gerados a partir de rito procedimental mediante a participação de um  juiz. A presente petição apresentada por (...) A parte requerente, através  de seu advogado se compromete a promover a melhoria da qualidade de vida sócio-econômica e  emocional da requerida  e se apoia no trabalho e no envolvimento das autoridades com a sociedade civil para  tal, agindo dentro da lei, pautado no  artigo 20, parágrafo único da Lei de Mediação. Tendo estudado o caso,  observado a idoneidade do requerente e a situação  de risco que experenciou a menor, que não apresentava  antecedentes  criminais, profiro sentença  favorável ao senhor Claude Antoine Geraldy, doravante tutor legal da menor ora  citada que em idade  de  total entendimento da legalidade  do ato acorda com o mesmo. As partes tem a opção de fazer um acordo documentado, formal, mas que não será assinado como um “título”, como quando você assina um cheque bancário onde as assinaturas representam um compromisso. O compromisso das  partes será honrar os termos da mediação, sendo a confiança mútua, o vínculo que as unirá. Por estar  citada no processo cível número xxxxx, a menor deverá  se apresentar mensalmente neste fórum, até  que  seja julgada. Tendo lido e deferido a sentença, cumpra-se.
Freitas agradeceu ao promotor e depois  de cumprimentar o juiz, foram  dispensados. Claude estava quase saindo, quando  foi chamado pelo juiz.
- Eu admiro  sua  coragem e atitude. Não poderia  deixar  de cumprimenta-lo em particular. Acordos como esse tem o potencial de transformar as pessoas, senhor Geraldy. Parabéns!



PSV



Alex correu ao encontro de Tereza, enquanto Claude e Rosa vinham mais  atrás  em  conversa  com Freitas, e não  coube  em si  de  alegria  quando recebeu a notícia, no jardim do Forum, onde esperava  com Dadi.
- Eu não falei pra  você  que  o bem  sempre  vence no final, Els... Terezinha? – falou, corrigindo-se sozinha.
- É, você  falou lindinha! Acho que  vou  começar a acreditar  em  contos  de fadas, ok? – falou ajudando-a a se instalar na  cadeirinha  do  banco  de trás  do  carro.
Então, antes de entrar,  voltou-se para  Claude e Rosa:
- Acho que  nunca  vou poder retribuir à altura o que estão  fazendo  por  mim...
- Claro que  vai – disse Claude – É só seguir à  risca todas  regras  que  combinamos, terminar seus  estudos, inclusive uma graduação e nunca  mais  se meter em encrencas, hã?
- Com certeza! Nunca  vou querer entrar em outra senhor  Geraldy...
- Fico feliz em ouvir isso, Tereza. E  ficaria mais  feliz se  deixasse de me chamar  de senhor, d’accord?
- Eu vou tentar! Prometo, senh... Claude!
- E também deve continuar a ser essa... “Irmã” mais velha  para Alex.  – diz Rosa  sorrindo - Ela  gosta  tanto  de você, Tereza!
- Eu também  gosto muito dela... Quer  saber? Vocês  dizem que eu  salvei a  vida dela, mas  foi ela quem salvou a minha! Obrigada por acreditarem em mim! – Concluiu abraçando-os.
- Eiii!!  Eu to morrendo  de  fominha, a gente  não vai  comer não? – gritou Alex pela  janela  do  carro, depois de insistir com Dadi para que  baixasse o  vidro...
Almoçaram no Gregoretto, o restaurante  de Cleide, onde os amigos  já  os  esperavam.



PSV



A campanha eleitoral parisiense chegava   em sua  reta final e os  partidos se  mobilizam para atrair  eleitores.
Inexplicavelmente Bernard  Brissot disparara  contra todas as tendências em contrário.
A projeção para o segundo turno previa vitória da situação mas a ascensão de Brissot  desestabilizara o jogo político  com a possibilidade da esquerda vencer no segundo turno.
Para os adversários,  Brissot  deveria decair mesmo com o apoio de Roger Avril, o magnata  da mídia. Pelo  visto não era essa a  opinião dos eleitores.
Bernard Brissot  tornara-se um concorrente de mesmo nível de  todos,  talvez, por ser  um candidato sem partido e que  fora duramente ironizado pela classe política, que não o considerava um nome confiável.
Seja pelo incrível tino político, ou por admitir,  expor e romper seu envolvimento com Louise Geraldy,,  ainda enfrentando um processo juducial uma coisa era certa: o mais jovem dos candidatos à prefeitura de Paris conseguira o que qualquer político desejava antes de uma eleição: todo mundo fala dele. E isso pode render votos.
Foi assim que encontraram Paris poucos  dias  depois, quando finalmente  conseguiram viajar em férias. Foram trinta  dias de muita  diversão e conhecimento, um mergulho na cultura e na gastronomia francesa. E muita,  muita diplomacia com Louise.  E quando voltaram, Bernard já  era  o novo prefeito de Paris. 


 PSV

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