PSV
Capítulo
55
Olivia voltou para a sala com as taças e a champanhe em uma
bandeja. Bernard a abriu e a ajudou a
enchê-las.
Olivia foi a primeira a
começar o brinde:
- Por seu recomeço, Bernard!
Em seguida Roger Avril levantou a taça
- Sem a pressão, o autoritarismo e a oposição de Louise Geraldy!
- Estou certo que sua carreira política será um sucesso,
rapaz! – Emenda Michel, prefeito de Paris, imitando o gesto de Roger.
- Concordo – diz Olivier -
E nos faça ter orgulho em
apoia-lo, Bernard. Aja com verdadeiro interesse pela França e pelos
franceses... E lembre-se que com
Louise você já aprendeu o que não deve
fazer!
- Não posso negar que a saída de Louise abre novas
perspectivas políticas para mim e para
outros. – fala Bernard – Serei um
candidato independente, sem partido, mas apoiado por pessoas que confiam em mim e na minha capacidade.
A minha vitória será o nosso trinfo! – Encerrou
levantando também sua taça.
- Ao nosso amor! – exclamou Bernard em seguida, brindando em
particular com Olivia.
PSV
Claude ajeitou melhor os
travesseiros que apoiavam Rosa. Com o desmaio havia levado-a para a cama,
onde ela se refez completamente.
- Milton... Já o pegaram, já encontraram nossa pequena? –
pergunta ela, vendo Dadi entrar com um
copo de água.
- Obrigado, Dadi. -
diz Claude pegando-o em suas mãos e sentando-se ao lado de Rosa. – Beba
um pouco de água e tente se acalmar,
cherie...
- Não estou nervosa, Claude, estou indignada! – afirmou
aceitando a água. – Como ele pôde fazer
isso com uma criança, a nossa criança?
- Ele queria nos
atingir, Rosa. Muito mais a mim que a
você. Lembra-se do episódio na galeria?
- Mas eu nunca dei esperanças a ele, nunca!
- Eu acredito em você, mon amour... – murmura Claude voltando
uma mecha de cabelo dela para atras da orelha.
- Meu Deus ele... Ele veio até aqui oferecendo ajuda...
Fingia o tempo todo estar preocupado!
- Esse patife
miserável só quis se vingar
de mim, hã?
- Mas ele não tem
motivos para essa vingança... –
pergunta antes de outro gole de água. - E como foi que ele se uniu a
Roberta?
- Roberta... Bem
lembrado, cherie! ´- exclama Claude levantando-se – Dadi, fique com Rosa por
favor, eu já volto.
- Onde você vai Claude?
- Meu celular ficou na
sala, Rosa. Vou ligar para Roberta,
confirmar nossa suspeita e... Sei
lá, exigir que ela conte como tudo aconteceu e onde está Alexandra...
PSV
Theodorus procurou Roberta e a encontrou na varanda, ecostada
à grade de proteção, com o celular entre
as mãos e o olhar voltado para o pôr do sol.
- E então, como foi? – perguntou aproximando-se dela.
- Eles acabaram de encontrar uma pasta com o logotipo da
galeria do Milton entre as coisas que
deixei por lá... Foi difícil, mas eu consegui dizer tudo que queria
saber, menos onde ele escondeu a menina...
- Bem, você não pode
falar o que não sabe.
- Talvez eu tenha que voltar para depor.
- Está com medo?
- Estou. – confirma Roberta com um sorriso tenso e foi
abraçada por ele.
- Não é incrível? Eu estou com medo por estar
fazendo o certo! – conclui tentando
rir.
- É que o certo para você ainda é algo desconhecido...
- Eu não entendo como você pôde gostar de mim, eu fiz tantas coisas erradas, eu...
- Já conversamos sobre isso. O que você fez vai ficar no passado. Eu me apaixonei
pela Roberta que conheci aqui na
Grécia...
- Mas meu passado vai interferir no nosso presente e talvez
no futuro, se eu tiver que ir ao Brasil. – insiste ela.
Theodorus afastou-se dela, o suficiente para olha-la nos
olhos.
- Eu já te falei o Brasil é o próximo país na minha lista de viagens? – perguntou.
Roberta sorriu e antes que
respondesse o jantar foi anunciado
e eles se juntaram a Henri.
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- E agora o que pode acontecer, com o que a policia vai fazer? – pergunta Rosa tentando aparentar uma
calma que não sentia.
Roberta havia confirmado
ser sua a ideia do sequestro e se dizia profundamente arrependida e que
jamais imaginara que Milton agisse
sozinho, pois o objetivo dele apenas
era ficar com ela, Rosa.
- Bem, com as
informações que Roberta nos passou Paulo
já intensificou as diligências. E
você ouviu: Milton já está monitorado a partir desse momento.
- Você acredita no
arrependimento dela?
- Voila! Roberta me pareceu sincera, cherie. Concordou com a
gravação da conversa, respondeu algumas
perguntas de Paulo, indicou o tal
Zequias que iria ajuda-los... Não é fácil pra
nenhum de nós, mas creio que devemos
dar uma chance a ela.
- A única chance que
vou dar a ela é que fique bem longe de nós!
- D’accord, cherie... Agora tente dormir, hã?
Eu acho que amanhã nosso dia será
intenso.
- Eu só quero que eles encontrem nossa filha sã e salva desse...
- Chhhhhhhhh... Vai dar tudo certo! – afirma Claude beijando-a
nos cabelos e abraçando-a forte.
PSV
Elsa dobrou e guardou as
coisas de Alex na mochila. Os desenhos e o vestido com o qual viera
parar ali. Fez o mesmo com
suas coisas e certificou-se que não
deixava nenhum vestígio.
Anotou o endereço da
galeria num pedaço de papel e o guardou no bolso
da calça.
- Alex, acorde! Está
quase na hora da gente
ir. – exclamou despertando-a gentilmente.
- Hummm... Eu queria
dormir mais um pouquinho...
- Não dá meu bem! O Canguru não veio ontem a noite, então eu acho que ele vem
agora de manhã. Precisamos sair antes dele chegar! Venha, você precisa
ir ao banheiro!
- Hummm Tá bom! – Diz
indo ao banheiro e voltando. – Eu
to com fome!
- Hoje só temos bolacha, pode ser?
- Aham...
Ajeitou a roupa que
Alex usava, penteou os cabelos dela num rabo de cavalo convencendo-a
a usar um boné. Isso seria importante
par a que não a reconhecessem na rua. Por
último ajudou-a a colocar e abotoar a sandália.
Deu uma ultima olhada
ao redor antes de segurar Alex
pela mão e sair dali. Passaram
pela cozinha e Elsa pegou dois pacotes
de bolacha. Deu um à Alex e guardou o outro na mochila.
Respirou fundo e abriu
a porta, saindo para o corredor. O elevador
ficava no final dele. Ponderou mais uma vez se não seria melhor
ligar para a polícia antes de ir, mas desistiu.
Tudo que não precisava
era a policia atrás dela.
Entregaria Alex e faria um acordo com os pais dela. Anonimato. Não
queria virar notícia.
Queria era usar o dinheiro que eles ofereciam para mudar
de vida definitivamente. Pagaria a dívida que o pai tinha com Zequias, maneira pela qual viera parar
ali, e todos iriam para longe.
Sobraria mais que o suficiente para
comprar uma casa e abrir um negócio próprio para
recomeçar. Vida nova!
- Elsinha, deixa eu
descer sozinha? Eu prometo que te espero encostadinha no elevador lá embaixo e
não falo com nenhum estranho!
O primeiro impulso de Elsa foi dizer não. Depois
dessa pequena hesitação conferiu
a hora. Seis e vinte da manhã.
- Hummm, está bem. Eu acho que não tem perigo, o Canguru não
deve nem ter acordado ainda.
Alex sorriu e
bateu palmas antes
de chamar o elevador. Entrou e apertou o botão térreo, acenando
para Elsa enquanto a portas se fechavam.
- Quando eu chegar lá
embaixo vou ser muiiito discreta, tá?
Um minuto depois, Elsa
decidiu descer pela escada. Desceu aos pulos, assim chegaria quase ao mesmo tempo, pegando Alex de surpresa.
PSV
Dadi acordou com a sensação de que não era seu celular
que a despertava. Confirmou suas
suspeitas ao pega-lo na mão e ouvir a campainha. Quem seria às 05h45 da
manhã?
Levantou-se e colocou
o robe saindo apressadamente do quarto
para a porta de entrada.
- Drº Paulo! – exclamou surpresa, ficando apreensiva – Bom
dia...
- Bom dia, Dadi! Sei que é muito cedo, mas preciso falar
com eles...
- Claro, entre. Eu vou chama-los.
Em poucos minutos Claude e Rosa estavam com Paulo.
- O que houve Paulo?
- Encontraram Alex?
- Ainda não Rosa. Mas as informações de Roberta ajudaram
bastante. Elas vem de encontro com outra que
tivemos, a do seu carro, lembra-se?
- Oui.
- Quer tentar adivinhar
onde ele estava?
Claude não precisou de muito tempo para responder.
- Na casa do tal
Zequias.
- Exato. Consegui um
mandado de busca e apreensão ontem
mesmo, depois que sai daqui e minha
equipe entrou em ação. Infelizmente ele
fugiu antes que o pegássemos. Mas não por muito tempo. Essa prisão é uma
questão de horas, confiem em mim.
- Se é assim... Então por que está aqui a essa hora? Diga a
verdade, aconteceu alguma coisa à nossa filha?
- Não, Rosa, acalme-se. Colocamos todo nosso pessoal para monitorar o Milton e
consegui reforço com colegas de outras delegacias. Ele saiu de casa há alguns
minutos, sentido região de onde vinham as ligações, então...
- Ele está indo ao cativeiro...
- Acreditamos que sim e como
é caminho, eu pensei que
gostariam de estar por perto quando resgatarmos Alexandra.
- Mas é claro que sim! É só o tempo de colocarmos uma
roupa!
PSV
Alex estava tão concentrada em frente a porta do elevador que não reparou quando Elsa
chegou ao térreo pela escada.
- Bu! – sussurrou a moça
fazendo cócegas na menina.
- Ai! – exclamou Alex sentindo sentindo um medo gostoso em seguida. – Você me assustou Elsinha!
Eu tava esperando você sair
do elevador.
- Eu quis fazer uma
brincadeira, desculpa se te assustei.
- Ah, mas foi um susto
gostoso! – esclarece Alex, deixando que Elsa coloque
a mochila em suas costas. – Vamos?
- Aham... Mas você
sabe “i” na minha casa?
- Não, mas sei ir
na Galeria dos seus
pais. É para lá que
vamos! - explicou sorrindo.
Deu sua mão para Alex e giraram o corpo ao mesmo tempo prontas
para atravessar o pequeno saguão do prédio. Foi ao levantar a cabeça que
seu sorriso desapareceu.
- Ia passear sem mim, querida?
- Droga! – exclamou Elsa baixinho.
PSV
Quando Claude e Rosa
voltaram, Paulo estava ao
telefone. Tão logo os viu, encerrou a ligação.
- Ele já chegou ao
local. Estamos cercando a área.
- Eu tenho tanto medo... – murmurou Rosa torcendo as mãos.
- Não precisa ter,
Rosa. Ele não percebeu que era seguido,
portanto o elemento surpresa vai estar a nosso favor.
- Impossível não ficar ansiosa, Paulo! É a minha filha
que está nas mãos
dele. Quem sabe do que será capaz
ao notar que foi descoberto?
- Calma, chérie... - pede
Claude - Talvez fosse melhor
você ficar com Dadi, hã?
- Nada vai me fazer ficar aqui, Claude! Eu quero estar lá!
- Voila! Então tente
se acalmar. Esse estresse todo não
é bom para nenhuma de vocês d’accord?
- D’accord, meu amor... – Diz Rosa depois de um instante. Eu vou
tentar me controlar e vou
conseguir! – afirma respirando fundo. -
Podemos ir... (?)
- Claro! Querem ir no meu carro ou preferem me seguir?
- Seguiremos você. –
afirma Claude conduzindo Rosa gentilmente.
Paulo foi a frente e
antes de saírem totalmente Rosa se
voltou:
- Dadi... - começa a
dizer com a voz trêmula - Dadi, reze por nós, ok?
- Eu vou rezar muito e
Deus não vai nos decepcionar! Vai
dar tudo certo, Rosa!
- Amém...
PSV
Milton passou a sacola que
segurava para a mão esquerda
e com a direita segurou o braço de Elsa
e fez com que as duas girassem voltando
para o elevador.
- De volta ao
apartamento mocinha. Se fizer exatamente
o que eu mandar, sairá no lucro, acredite. – Murmurou no ouvido de Elsa.
- Quem é esse moço, Elsa?
- pergunta Alex, não reconhecendo
a voz de Milton sem a máscara.
- É o...
- Eu sou um amigo dos
seus pais, garota. Vou ajudar
você a voltar para casa. É só me
obedecer e tudo sairá bem. – diz Milton pressionando com força
o braço de Elsa, como um aviso, enquanto a forçava
a entrar no elevador.
- Está tudo bem Alex.
– murmurou em resposta ao olhar
desconfiado da menina – Vamos fazer como ele quer...
Voltaram ao quinto andar e assim que entraram no apartamento, Alex indagou:
- Se você ia me levar
de volta pra
minha casa, por que a gente teve que
voltar pra cá?
- Eu só quero ter
certza que você
foi bem tratada aqui, garota. Entre no quarto e espere lá. Eu
preciso conversar com a... Elsa. –
explicou colocando a sacola no canto da
pequena mesa de centro.
Alex parecia indecisa, desconfiada. Então Elsa a aconselhou:
- Pode ir... Eu
chamo você depois, ok?
Milton esperou que
Alex entrasse no quarto e arrastou Elsa
para a cozinha.
- Querendo me passar a
perna, vadia? – pergunta empurrando-a
bruscamente contra a parede. – Não ficou com medo que eu a matasse?
- O valor da
recompensa valia o risco. –
respondeu firme, tirancom uma do coragem
que não sabia ter.
- Ah, é claro que vale! Por isso estou aqui. Eu vou devolver a pirralha e ser o herói, querida. E você vai me ajudar!
- Isso... Isso depende do que eu vou ganhar!
- responde Elsa querendo ganhar
tempo e pensar num mdo de escapar
dali com Alex.
- Olha só! Além de
vadia, aprendeu rapidinho a ser
interesseira... Quanto você pensa
que vale?
- Bem... – diz manhosa – Já que não vou mais ficar com
esse milhão de euros... Me contento com um milhão de reais.
Milton soltou uma gargalhada.
- Você foi e vai me ser
muito útil, mas não vale essa
grana toda...
- Cara, você já é
rico e tem seu próprio negócio. Eu preciso
da grana pra livrar minha
família do Zequias. Você sabe como essas dívidas são reajustadas: acima da inflação...
Milton sorri cinicamente.
- Zequias não será mais problema para
sua família. Pelo menos não para
seus pais e infelizmente para os
seus primos não fará
diferença, ele os matou. E provavelmente já está preso, eu dei um jeitinho
disso acontecer.
- Nós sabemos que
pessoas como ele não ficam presas muito tempo. Preciso pelo menos ir
para longe, para um lugar
onde ele nunca nos ache.
Milton aperta os olhos, avaliando as palavras de Elsa.
- Não sei se posso confiar
em você tanto assim. Quem vai
garantir que você não me denuncie
futuramente.
- Faça uma oferta pelo
meu silêncio...
- Trezentos mil.
- Quinhentos - rebate
Elsa.
- Fechado. Você vai
dizer que ficou sozinha com a
pirralha por dois dias e que
tentou contato com o... Canguru nesse tempo. Como não teve êxito, ficou
com medo e resolveu devolvê-la
por conta, deixando-a na porta
de uma delegacia para não ficar mais
encrencada. Porém, eu as vi, reconheci a garota e ofereci ajuda.
- Simples assim? Isso não
vai convencer ninguém...
- Quanto mais
simples uma mentira, mais ela convence, vá por
mim. Se inventarmos muita
coisa, podemos nos
complicar.
- Se eu fizer
isso vou ser presa!
- Não seja burra! Quando
a policia tomar conhecimento disso, você já
está longe, eu garanto!
- Eu não sei... Me parece
simples demais, e sinceramente
como posso confiar em você?
- Se eu a quisesse
fora do caminho, já teria
feito. Eles vão ficar
tão aliviados em ter a filha de
volta que nem vão notar sua saída à francesa... – diz Milton e
depois de perceber o que falara, começa a rir.
- Saida à francesa! Você não entendeu não é? O pai da
pirralha é francês e... Ah, deixa pra lá e me serve uma bebida!
- Bebida a essa hora? Não acho prudente você
cheirar a álcool na entrega da...
- Mas que droga,
piranha! Você não tem que achar
nada! Eu sou o único que acha, pensa, e decide, ouviu bem? Eu de-ci-do
como as coisas vão acontecer! Entendeu?
A mudança brusca de
temperamento fez Elsa dar alguns
passos para tras e esbarrar
na pia, onde estavam várias garrafas de bebidas, compradas pelos
seus primos.
- Eu perguntei se você
entendeu – gritou ele mais uma vez.
- Sim... – respondeu
Elsa com um fio de voz
- Ótimo. – Diz Milton
com a voz mais branda mãs não menos intimidadora. - Agora que nos
entendemos novamente, sirva-me a droga da
bebida! – ordenou sentando-se à mesa.
De dentro do quarto Alex escutou os gritos
de Milton.
Por que ele gritava com Elsa
se queria ajudar e era amigo de
seus pais? Lembrou-se de quando o
Canguru foi violento com ela e abriu a porta para espiar.
- Se ele “tive” batendo nela
eu vou pisar no pé dele com mais força que pisei no Canguru... – murmurou cruzando a sala vagarosa, mas corajosamente.
Então a mochila que ainda estava em suas costas esbarrou na sacola e a derrubou.
Alex paralisou. De dentro
da sacola caiu uma máscara. De canguru.
- Ele é o Canguru! – falou baixinho segurando a máscara. –
Ele não é amigo nada, por isso tá gritando com a Elsinha, eu preciso avisar
ela! – e apressou seus passos, soltando
a máscara antes de parar em frente a porta da cozinha.
Milton estava sentado e tão concentrado em seu celular que
não percebeu a figura de Alex na porta. Sem erguer a cabeça, reinterou a ordem.
- Se demorar pra me
servir vai se arrepender, vadia. E eu
gosto de wisky com
muito gelo, ok?
PSV
Paulo estacionou o carro e
Claude o imitou. Rosa e ele se
olharam rapidamente antes de desceram do
carro.
- O que foi, por que
paramos aqui?
- O prédio fica a uma quadra
e meia – explica Paulo apontando
na direção - Vamos a pé daqui.
- E Milton, ele realmente
veio pra cá?
- Sim. Ele parou
rapidamente em uma padaria, tomou café e veio direto para cá. Estão esperando minha chegada e então
começaremos a operação. – falou enquanto
caminhavam.
- E se ele sair do
prédio?
- Se ele sair a ordem é detê-lo, Claude.
Terminaram o percurso em silêncio. Paulo a frente,
Claude e Rosa de mãos
dadas logo atrás. O que devia ser o
lider dos investigadores
aproximou-se de Paulo assim que chegaram em frente ao prédio, na calçada oposta.
- Já efetuamos o corte
de energia. Aguardando sua ordem
para invadir delegado...
- Não vamos invadir, vamos entrar calmamente e agir sem excessos. Não quero ninguém ferido
entenderam?
- Sim senhor.
Paulo orientou as posições dos policiais, para reforço e cobertura dos demais. Estava pronto com outro três para entrar no prédio e resgatar Alex quando seu celular tocou.
Fez um gesto de espera
e o atendeu. Conversou por alguns minutos, antes de voltar e informar Claude e Rosa sobre Zequias.
- Zequias foi localizado há algumas horas atrás
e preso. O acusamos inicialmente
por receptação e ele usou o direito de permanecer calado e só falar em juízo. Mas, como todos nós sabemos delação premiada está na moda.
Então, depois de alguns acordos
ele confessou ter recebido o seu carro
do Milton como parte do pagamento
por “serviços prestados”.
- Covarde! – exclamou Claude
- Eu vou trazê-la
de volta a vocês. – afirma Paulo
antes de retornar ao prédio.
PSV
Elsa colocou gelo no copo e segurou a garrafa de whisky pelo
chamado pescoço da garrafa. Suas mãos
tremiam e seu coração estava a ponto de
sair pela boca. A ideia era arriscada, mas
tinha que prosseguir.
Girou o corpo erguendo
o braço com toda força que
foi capaz, e acertou a cabeça de
Milton. O golpe inesperado o fez tombar: ele para um lado, cadeira para outro.
- Devia beber com
mais moderação, querido! – exclamou
baixinho devolvendo o que restou da garrafa sobre a pia.
Foi só então que
reparou em Alex, parada na porta
da cozinha, os olhos abertos, assustada.
- Alex... – sussurrou – Meu Deus... Não era pra
você ter visto isso... Vem, - disse puxando-a
pela mão – Temos que correr
e fugir!
- Elsa você matou o
Canguru?
- Ele não está morto
querida, só desacordado. – explica enquanto chama o elevador. – Como sabe que é ele?
- A máscara do canguru
tava dentro da sacola dele.
- Droga! – pregueja Elsa percebendo a lâmpada do corredor
apagada – Sem energia! Não
vai dar pra
brincar de elevador, Alex! Temos
que ir pela escada! Rápido, meu bem...
PSV
- ... saíram bem cedo
com o delegado Paulo, dona Elisabete. Parece que descobriram o cativeiro e vão resgatar Alex.
- Oh, my God! Isso é
bom, mas também é perigoso!
- Por isso Rosa me
pediu para rezar e eu to rezando. Deus
não vai
deixar nada de
mal acontecer!
- Claro que não, Dadi. John e eu ficaremos aqui e
rezaremos os três
juntos enquanto esperamos pela volta
de todos.
PSV
Milton abriu o olho e
levou alguns segundos para focalizar
sua visão. Sentiu uma dor aguda
ao levantar e levou a mão à cabeça. Sentiu o sangue do ferimento.
Saiu da cozinha cambaleando em tropeçou em algo. A
máscara do canguru. Pegou-a, apertando-a com raiva e a guardou
no bolso do casaco.
- Maldita! Vai se arrepender da sua escolha, vadia! - murmurou e saiu para o
corredor, ainda torpe pela pancada, sem
parar de gritar .
- Vagabunda eu vou pegar
você!
Uma senhora saia de frente
do elevador, resmungando e criticando o governo pela falta
de energia. assustada pela cena perguntou:
- Mas que falta de respeito... Meu Deus, o senhor está
sangrando! O que aconteceu?
- Não é da sua conta, velha
enxerida! – grunhiu Milton, correndo para a escada.
PSV
Raquel agradeceu mais uma vez
o gerente e encerrou a
conferência virtual. Até o fim do dia
seria legalmante a nova titular de todas as contas
da Eros. Carla, a secretária em
experiência bateu à porta e entrou.
- Com licença, Raquel.
Você pediu para ser avisada
quando o pessoal da Adesivaria concluísse o
serviço...
- Claro. – respondeu levantando-se da cadeira que até ontem
pertencera a Milton.
Saiu para a calçada e apreciou a porta da galeria, com seu novo layout. O nome
continuava o mesmo, Eros Galeria.
Gostava dele. Mas gostava ainda mais do
que vinha logo abaixo dele: Raquel Lins – Curadora.
Parabenizou a equipe e
voltou para sua sala, certificando-se que o segurança
estava atento em seu posto.
Organizou a mesa e seu olhar
poucou sobre o retrato de
Milton, nun canto da
mesa. Pegou-o enquanto sua mente
pensava. Pobre Milton!
Jamais devia ter
lhe dito que nunca passaria de uma
secretária incompetente que
nas horas vagas era amante do chefe.
- Parece que o jogo mudou, queridinho. E talvez eu ofereça um
salário de secretário para lhe usar
como amante... – disse baixinho
antes de jogar o retrato na lixeira.
PSV
Elsa olhou para cima. Não
sabia o que a assustava mais:
o eco dos passos de Milton ou seus
gritos. A escada em caracol lhe
permitiu ver a sombra dele e em seguida os sapatos.
- Você não vai escapar, vadia!
- Depressa Alex, temos que chegar rápido ao térreo! –
disse nervosa. - Corre, Alex, corre e
não olha para cima , não olha! – ordenou soltando da mão
dela.
Mas nem Alex nem ela
tiveram tempo de correr. O corrimão e a madeira dos
degraus estremecerem
violentamente e Milton bloqueou a passagem. Havia se arriscado e pulado
pela fresta da escada entre o segundo e o primeiro andar.
- Eu acho que vocês não vão a lugar algum. -
afirmou Milton. - Não sem mim... – completou sorrindo cinicamente,
segurando Elsa pelo cabelo com uma das
mãos e levando a outra para
trás de si.
- Se gritar ou tentar fugir, vai acabar como seus
primos, entendeu? – ordenou ele pressionando o cano
do revolver contra o corpo dela.
Elsa apenas balançou a
cabeça em sinal de entendimento.
- Você não é amigo do meu papai nem da
minha mamãe! – exclamou Alex.
– Você é o Canguru e é muito
malvado! Eu não gosto de você!
- Garotinha esperta...
– falou irônico - Você viu a máscara,
não foi? – E a pega de dentro do casaco. - E isso não é
totalmente verdade. Eu não sou amigo do seu pai, mas
ele tem uma coisa que eu
quero: dinheiro e a sua mamãe. - E
coloca a máscara.
- Vamos brincar
mais um pouquinho, agora de pega-pega. Nós vamos sair do prédio como
se fôssemos uma familia feliz. - diz
enquanto chegaravam ao térreo.
- Mas o que que é isso... – murmura um dos
policiais, que acabavam de cruzar
a porta do prédio, junto com Paulo
- Fique onde está e
coloque as mãos na cabeça! –
grita Paulo.
- Você chamou a polícia sua
vadia imbecil? – resmunga Milton aumentando a pressão do revolver.
- Não... Eu não chamei ninguém, eu estava fugindo...
- Sabemos quem você é. Pare e coloque as mãos na cabeça, Milton. Está preso por sequestro,
formação de quadrilha e cárcere privado, assim comi seu comparsa, o
Zequias
A mente de Milton
ferveu. Maldito Zequias, devia tê-lo
matado quando teve chance! Mas já havia ido longe demais
para desistir ou voltar
atrás.
- Sua estúpida – cochichou
para Elsa – Podia ter saído dessa com uma
boa grana... Agora vai ser meu escudo, vadia. – E segurou Alex em um de seus braços, mantendo Elsa a sua
frente
- Solte as duas,
Milton. Você está cercado.
- É claro que estou... – resmungou, erguendo tom de voz em
seguida. – Estou cercado de pessoas
incompetentes! Mas eu tenho uma arma – e
colocou-a na cabeça de Elsa.
- Se
vocês tentarem me pegar, eu mato as duas! Manda
o seu pessoal abaixar as armas! E você também garota, quieta, senão eu
mato a sua nova amiguinha, entendeu?! – ordenou insano para
Alex que tentava escapar.
- Abaixem as armas. – pediu Paulo, fazendo o mesmo com a sua.
- Isso, bons
meninos. Eu vou sair e leva-las comigo. Se alguém sair daqui de dentro,
atrás de mim, a loirinha aqui morre!
- Eu preciso sair
contigo e pedir o mesmo aos
policiais que estão la fora! – pediu
Paulo.
- Muito bem, vá na frente não tente nenhuma
gracinha.
Milton atravessou o pequeno saguão, sem dar as
costas aos policiais que ficaram.
- Muito bem, pessoal, não atirem, repito, não atirem! –
ordenou Paulo saindo coma s mãos para
cima.
- Alex! - exclamou
Rosa entre aliviada e apreensiva.
- Mamãe! Me solta eu quero
a minha mamãe!
- Quieta, pirralha! E sem choro!
- Milton solte a minha
filha e a gente esquece que isso aconteceu! – pede Rosa no meio da rua.
- Tarde demais
Rosa! Sabe, eu tinha muitos planos para nós. Eu ia ser o seu herói, eu ia devolver
sua filha e a gente ia ficar
junto para sempre, mas agora,
agora eu não vou
ser preso e apodrecer na
prisão. Agora eu vou até
o fim, eu quero o resgate, eu quero o milhão de euros naquela
conta, eu quero um colete a
prova de balas, e eu quero um carro com
o tanque cheio!
- Você está maluco! Acha mesmo que a polícia deixaria
você escapar?
- Enquanto eu estiver
com a sua filha,
ninguém vai fazer
nada. E eu não lembro de ter dito sobre
devolvê-la, disse?
- Seu grande covarde e
canalha! – Gritou Claude dando alguns passos.
- Se der mais um passo,
francês, a loirinha morre!
- Muito bem, vamos
negociar então. - diz Paulo jogando um colete a Milton.
- Pega o colete vadia!
- ordena a Elsa.
- Delegado... – fala Claude em tom de reprovação.
- Claude, esse é o meu serviço, ok? Confie em mim.
- Solta a minha filha
e me leva no lugar dela! – pede Claude
angustiado.
- Você gosta de bancar
o herói não é mesmo, francês? Mas
não dessa vez! Dessa vez você
perdeu! – grita Milton, ordenando a Elsa que coloque Alex dentro do seu carro, sem deixar de mirar em sua cabeça.
- Seja corajosa Alex! Seu papai vai
te salvar, ok? – cochicha Elsa,
confortando-a. – E eu não vou deixa-la
sozinha!
- Eu to com medo do
Canguru, Elsa!
- Eu também, meu anjo! Por isso temos que ser discretas e não chorar, ok?
- Tá bom! –
murmura Alex num soluço.
- Milton pelo amor de Deus, devolve a minha filha! – grita Rosa, desesperada.
- Isso vai depender do seu marido, “cherie”! – diz olhando para Claude. – Eu quero
tudo que pedi em frente ao banco. Você sabe onde fica. Eu vou estar lá te esperando. Só você. Faremos a
transferência, então eu sairei do banco e
devolverei a sua filha.
- E acha que vai
conseguir fugir?
- Isso é problema meu. O seu é impedir a presença da
policia. Se eu suspeitar de um só policial na área, você nunca
mais vai vê-la! Liga o carro e vai! – grita para Elsa. – Você tem duas horas para isso, caso não queira que eu
devolva sua filha em pedaços.
PSV
Paulo entrou na sala do escritório de Rodrigo, depois de o o
esquematizar as táticas a serem tomadas
com sua equipe na delegacia..
- O carro está aí fora
e pronto para ele. Dois rastreadores e um vírus que vai cortar o
sinal da injeção elétrica assim que ele
sair para a via expressa.
- Bem, minha empresa
não é a SWAT nem o Grupo de Operações Especias da polícia, mas também tenho meu setor
de inteligência. Investimos em
tecnologia. – comenta Rodrigo, testando o fone de ouvido e colocando a arma no coldre em sua cintura.
- Vai dar tudo certo,
Claude. Discrição, prevensão, evitar o
combate pela vida do cliente e de nossa própria. Eu não arriscaria a vida
da sua filha.
- Meu Deus, é tudo
tão... tão bizarro e perigoso inacreditável que esteja acontecendo concosco! - diz Rosa.
- Confie em mim e no nosso plano, Rosa.
- Eu confio em você, Rodrigo. O que não posso é confiar nele, no Milton. Ele está completamente
transtornado, louco!
- Pode não parecer, mas eu tenho experiência nesse tipo de perfil psicológico, além do mais,
estou em dia com a lição de casa. Minha ultima reciclagem foi na International Security School, em Herzeliya,
Israel a melhor academia de treinamento de guarda-costas do mundo e eles
investem muito na leitura corporal,
somos treinados a identificar
posturas e gestos suspeitos, portanto seu marido e sua filha estarão em ótimas mãos.
- É melhor você ir.
- aconselha Paulo – O gerente já está a
sua espera, na porta da saída
interna do banco. Estaremos no carro de apoio para dar cobertura.
- Cherie...
- Claude eu sei o
que vai me pedir, mas não, eu não vou para casa! Eu quero estar lá quando Alex for liberada, eu quero
abraça-la, senti-la contra o meu corpo!
- Eu sei e você tem toda
razão, mas eu não... Se algo sair errado ou...
- Não vai acontecer nada
errado! E eu prometo não sair correndo
de dentro do furgão, ok? – Diz
abraçando-o.
- Bem, eu sinto quebrar o encanto do momento, mas temos
que ir também. Saimos na frente dele, Rosa.
PSV
- Alguma novidade? – perguntou Nara à Dadi, entrando no
apartamento seguida de Sérgio.
- Não, tudo que
sabemos é o que já
falei por telefone.
- Eu espero que o
plano dê certo.
- Vai dar, Sérgio. – afirma John enquanto se cumprimentam.
- Alguém avisou Frazão? – pergunta Nara, e
depois da negativa continua –
Eles precisam saber. – afirma já com o
celular em mãos.
Minutos depois...
- Eles virão no próximo voo...
- Vocês almoçaram? – pergunta
Dadi respondendo ela mesmo em seguida. –
Por que eu ainda pergunto? Venham, vou servir algo a vocês...
PSV
Milton olhou o relógio. Restava pouco mais de quarenta minutos
de espera. Estava dentro do
carro, no estacionamento da praça, em
frente ao banco. De vez em quando olhava
para Alex e percebia o quanto ela se
encolhia, com medo dele.
- Eu não vou
comer você garota, não sou o Lobo Mau!
Alex se
encolheu ainda mais e apertou a mão de Elsa.
- Não ajuda
muito deixa-la assim, com mais medo.
- Só estou
me divertindo um pouco...
- Não acho
divertido deixa-la com fome...
- Outra vez
isso?
- Ela
precisa comer, Milton! É uma criança e ainda
não comeu nada hoje!
-
Muitas crianças no mundo também não.
Elsa
respirou fundo antes de responder.
- Olha, uma criança
com fome fica irritada, pode até
desmaiar... Me deixa comprar
alguma coisa pra
ela nesse carrinho de lanche...
Milton apertou os olhos olhando de Elsa para Alex. A garota parecia
pálida mesmo...
- Está bem. Vamos comprar algo. Ela come e em seguida vamos os três
para o banco. Não preciso
avisa-la a não tentar nada, não é?
PSV
De onde estava Rodrigo tinha uma visão privilegiada de toda
agência. Assim que notou a entrada
de Milton passou a informação a Paulo. Seu papel ali, além de proteger
Claude e Alex era interceptar a transferência redirecionando o dinheiro para
uma segunda conta. Se Milton conseguisse
escapar, teria uma desagradável surpresa ao tentar movimentar sua conta.
Claude entrou quase em seguida. Alex tentou abraçar o pai, mas diante do olhar de Milton recuou. Como combinado a gerente os
recebeu e apesar do aparente nervosismo, pois Milton deu um jeito de
mostrar a arma que segurava dentro do
bolso apontada para Elsa e Alex, ela seguiu todas as instruções. Assim que as
palavras “transação efetuada com
sucesso” apareceram na tela do monitor Milton se levantou.
- Já cumpri minha parte
do acordo, solte a minha filha – pede Claude.
- Só lá fora, francês, como eu disse. Você sai primeiro e
as duas
vão na minha frente.
Atravessaram toda a
agência e saíram para o estacionamento interno dela.
- Isso já vai acabar, filha! – murmurou Claude olhando para
Alex.
- Sem diálogo! – ordenou Milton empurrando Elsa, que
segurava Alex no colo para a frente.
O gesto fez com
que sua
mão batesse na aba do boné e o derrubasse da cabeça
de Alex. Ignorou o fato e forçou-as a andar.
Claude saiu andando de cabeça
baixa, conforme a o orientação de
Paulo. Olhar para o lado poderia
despertar desconfiança em Milton.
Rodrigo seguiu os movimentos de Milton e assim que ele virou
as costas, caminhou em direção a porta,
para prevenir qualquer mudança de
intenção de Milton.
Até agora tudo saira
perfeito. Nenhum cliente ou funcionário sequer imaginava o que acontecia.
Melhor assim, o pânico pode provocar
tragédias.
- Até aqui tudo como previmos, Paulo – disse pelo fone.
PSV
Um carro saiu do estacionamento
e outro entrou em seguida na vaga.
- Que sorte a nossa! –
disse o motorista do carro – Agora vê se
não demora, ou vamos chegar
atrasados e você sabe, nossa Capitão não
perdoa!
- Vou ser rápido! - respondeu o outro erguendo os olhos e dirigindo o olhar para
a porta do banco.
- Por que ainda está no carro? – perguntou o primeiro.
- Aquela menina ali não é a que foi sequestrada, a filha daquele empresário francês?
- Se não é ela, é uma
bem parecida! – concordou o motorista – Vamos aborda-los!
Sairam do carro e
andaram apressados, esbarrando em Claude. Achando que era culpa
sua Claude ergueu a cabeça para
se desculpar e só então percebeu que eram dois policiais.
- Mas que droga é essa, não foi isso o combinado! –
exclamou voltando atrás deles.
- Um momento senhor – falou um dos homens para Milton –
Precisamos dos seus documentos por favor!
Do outro lado, dentro do furgão Rosa e Paulo acompanhavam
tudo.
- Estão saindo! – exclamou Rosa ao ver
Claude na porta.
- Ainda não é seguro
sairmos, Rosa. – alerta Paulo voltando o olhar
para ela.
- Eu sei... Mas assim
que ele sair com o carro eu... Paulo, eu entendi que não iam prendê-lo aqui...
- Paulo, que
diabos você está
fazendo? Quem são esses dois? – a
voz de Rodrigo é tensa, mas firme.
- Mas que merda! – blasfemou Paulo – Ta aí uma coisa que também vou querer
saber! – exclamou irritado,
saindo do furgão. Rosa fez o mesmo.
PSV
- Mas que bonito! –
exclama Milton para Claude, logo
atrás dos policiais. - Eu falei sem polícia, francês! – gritou erguendo
a mão com a arma.
- De onde eles saíram?
– pergunta Rodrigo, aproximando-se
- Ah, o segurança também é da
sua turma?
- Solte a arma e entregue a menina, senhor!
- É claro É claro que não!
– disse irônico pegando Alex no colo e apontando a arma para Elsa.
- Papai! – gritou Alex
- Se não querem que eu
atire na loirinha, coloquem as suas armas no chão!
- Delegado Paulo -
identifica-se – Obedeçam a ele, agora!
- Muito bem, delegado. – diz Milton chutando as armas. – Agora, mãos ao alto e virem-se de
costas! Você também Rosa!
- Milton, você já
tem o dinheiro, solta a minha
filha! - pede Rosa.
- Eu vou soltar, mas não agora. Abre a porta do carro, francês!
- Mamãe!
- Alex, fica calma,
filha... Milton, me devolve ela!
- Eu mandei abrir a
porta do carro, francês! Isso,
assim que eu gosto... Se alguém fizer um movimento, eu atiro na loirinha e
depois na garota! – diz já na porta do
carro. – Eu entro primeiro e você
dirige. – ordena à Elsa.
Porém, no portão de
saída do estacionamento faz Elsa parar.
- Quer saber? Não preciso mais de você sai! – e a ameaça com a arma. – Sai,sai sai! Abre a porta e sai,
vadia! – diz empurrando-a enquanto
ela saia. – Sai de uma vez!
No estacionamento Paulo já havia pedido reforço e esclarecido
o que acontecera. Entrou no furgão
descaracterizado para seguir Milton e pediu aos policiais que
amparassem Claude e Rosa.
Alguns metros adiante, Milton parou abruptamente, puxou Alex sobre si,
abriu a porta do seu lado e a deixou no meio da rua. Isso lhe daria
alguma vantagem a ele, pois
iriam querer salva-la primeiro.
Os carros que vinham
atrás frearam alto, cantando os penus. Elsa
correu ao encontro de Alex, assim como Claude e Rosa, logo atrás.
Alex estava assustada demais com as freadas e
não conseguia sair do lugar. Elsa foi a primeira a chegar perto de Alex. Foi quando uma moto em alta
velocidade surgiu.
- Alex cuidado! – gritou Elsa se jogando e empurrando Alex
para o lado. Então sentiu uma dor aguda antes de voar alguns metros e bater com a cabeça em alguma coisa...
PSV
Sairam do consultório médico bem mais aliviados que no
dia anterior. Os exames eram claros e precisos: Alex não tinha nenhum
trauma, a não ser as possíveis sequelas psicológicas ou emocionais, mas a contar
pelas respostas e pelo comportamento de Alex, ainda segundo o médico, eles seriam mínimos.
- A gente pode ver
a Elsinha agora? - pergunta Alex olhando ansiosa para a mãe.
- Está bem, Alex, eu prometi, não foi?
- Eba! - alegra-se
Alex, dando alguns passos em direção ao corredor.
- Vem concosco Claude?
- Não, chérie, eu vou acertar a conta
do hospital, hã?
- Tem certeza que quer
fazer isso?
- Oui. É o mínimo que podemos fazer. Se não fosse ela...
- É claro, nem sei porque
disse isso! Não irei demorar, ok?
Depois de alcançar a
filha, de mãos dadas, Rosa e ela andaram
até o
final do corredor e pararam em
frente ao quarto vinte e três.
Rosa abriu a porta e Alex entrou na frente.
- Acorda logo Elsinha,
eu quero “brinca” com você. - falou Alex
chegando perto da cama.
- Alex não mexa nela querida. – pede Rosa.
- Por que ela ainda
tá dormindo mamãe?
- Porque ela bateu forte
a cabeça e pode ter machucado lá dentro.
O médico disse quen ela está bem, mas precisa
ficar em observação porque pode levar mais de um dia
para se perceber esse machucado.
- Quando a gente bate
a cabeça a gente morre?
Rosa pensa e responde sinceramente,
com muito tato.
- Depende, meu amor. Só
se a batida for muito, muito,
muito forte; o que não foi o caso dela ok? Elsa não vai morrer, ela só está
dormindo com ajuda de alguns remédios para ficar bem e ir para.. para casa.
- Eu acho que ela não tem casa porque ela ficou
lá comigo o tempo todo. A Elsa não é malvada igual o Canguru,
ela queria me levar de volta.
- É talvez não seja...
Agora precisamos ir, hã? O papai
está nos esperando.
- Tchau Elsinha! Vê se acorda logo, tá?
Assim que saíram do quarto encontraram Claude.
- Como ela está?
- Ainda sedada...
PSV
Milton retirou o cartão da máquina e mudou de terminal
pela quarta vez. E pela quarta vez leu: “Conta
irregular”.
- Não, não não, sua máquina imbecil, você tem que me mostrar um milhão de euros, quase quatro milhões de reais! – reclamou entre os dentes, apertando com raiva as teclas do terminal.
- Moço, não adianta
ficar irritado não... Eu também queria
sacar mas já passou das oito da noite e esse
serviço fica bloqueado... –
Escutou alguém falar e se afastar.
Milton murmurou um “Ah, obrigado” e puxou mais o capuz sobre seu rosto. Estivera tão
concentrado que não reparara a entrada
de outra pessoa.
Tentou o cartão corporativo
da galeria. “Problemas na
leitura do cartão”.
- Cretinos! – esbravejou atirando o cartão no lixo.
Calma, calma Milton! Pense! Claro! Aquela mensagem não era de
um simples bloqueio de normas da agência, já que não conseguia fazer nada
com nenhuma conta. Estavam monitorando
seus passos.
Retirou o cartão do lixo e guardou-o no bolso
do agasalho, saindo imediatamente
da agência. Procurou andar rente
às sombras. Tinha que sair do pais imediatamente se ainda queria
se vingar de todos. Tivera
muita sorte até agora em não ser
encontrado.
Trocar o elegante
paletó por esse agasalho surrado mas com
capuz, havia sido uma ótima ideia. Ponto para os filmes de ação que assistia.
Precisava de dinheiro e só havia um lugar onde buscar: na galeria. Ainda tinha a grana de Roberta e uma reserva pessoal, fruto de alguns favores que fizera.
- Maldito francês,
você não perde por esperar!

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