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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

PSV/ Capítulo 55

PSV


Capítulo 55


Olivia voltou para a sala com as taças e a champanhe em uma bandeja. Bernard a abriu e a  ajudou a enchê-las.
Olivia foi a primeira a  começar  o brinde:
- Por seu recomeço, Bernard!
Em seguida Roger Avril levantou a  taça
- Sem a pressão, o autoritarismo e a oposição  de Louise Geraldy!
- Estou certo que sua carreira política será um sucesso, rapaz! – Emenda Michel, prefeito de Paris,  imitando o gesto  de Roger.
- Concordo – diz Olivier -  E nos  faça ter orgulho em apoia-lo, Bernard. Aja com verdadeiro interesse pela França e pelos franceses... E lembre-se que  com Louise  você já aprendeu o que não deve fazer!
- Não posso negar que a saída de Louise abre novas perspectivas  políticas para mim e para outros.  – fala Bernard – Serei um candidato independente, sem partido, mas apoiado por pessoas  que confiam em mim e na minha capacidade. A minha  vitória será o nosso trinfo! – Encerrou levantando também  sua  taça.
- Ao nosso amor! – exclamou Bernard em seguida, brindando em particular  com Olivia.



PSV



Claude ajeitou melhor os  travesseiros que apoiavam Rosa. Com o desmaio havia levado-a para a cama, onde ela se refez  completamente.
- Milton... Já o pegaram, já encontraram nossa pequena? – pergunta  ela, vendo Dadi entrar com um copo de água.
- Obrigado, Dadi. -  diz Claude pegando-o em suas mãos e sentando-se ao lado de Rosa. – Beba um pouco de água e tente  se acalmar, cherie...
- Não estou nervosa, Claude, estou indignada! – afirmou aceitando a água. – Como ele pôde  fazer isso com uma criança, a nossa criança?
- Ele queria  nos atingir, Rosa. Muito mais a mim que  a você. Lembra-se  do episódio na galeria?
- Mas eu nunca dei esperanças a ele, nunca!
- Eu acredito em você, mon amour... – murmura Claude voltando uma mecha  de  cabelo dela para  atras da orelha.
- Meu Deus ele... Ele veio até aqui oferecendo ajuda... Fingia  o tempo todo estar  preocupado!
-   Esse patife miserável só quis  se  vingar  de mim, hã?
- Mas  ele não tem motivos  para essa vingança... – pergunta  antes de outro  gole de água. - E como foi que ele se uniu a Roberta?
-  Roberta... Bem lembrado, cherie! ´- exclama Claude levantando-se – Dadi, fique com Rosa por favor, eu já  volto.
- Onde  você  vai Claude?
- Meu celular  ficou na sala, Rosa. Vou ligar  para  Roberta,  confirmar  nossa suspeita e... Sei lá, exigir que ela conte como tudo aconteceu e onde está  Alexandra...


PSV



Theodorus procurou Roberta e a encontrou na varanda, ecostada à grade de proteção, com o celular  entre as mãos e o olhar  voltado para o  pôr do sol.
- E então, como foi? – perguntou aproximando-se  dela.
- Eles acabaram de encontrar uma pasta com o logotipo da galeria do Milton entre as coisas que  deixei por lá... Foi difícil, mas eu consegui dizer tudo que queria saber, menos onde ele escondeu a menina...
- Bem, você não pode  falar o que não  sabe.
- Talvez eu tenha que voltar para depor.
- Está com medo?
- Estou. – confirma Roberta com um sorriso tenso e foi abraçada  por ele.
- Não é incrível? Eu estou com medo  por estar  fazendo o certo! – conclui tentando  rir.
- É que o certo para você ainda é algo desconhecido...
- Eu não entendo como você pôde gostar  de mim, eu fiz tantas  coisas erradas, eu...
- Já conversamos sobre isso. O que você  fez vai ficar no passado. Eu me apaixonei pela Roberta que  conheci aqui na Grécia...
- Mas meu passado vai interferir no nosso presente e talvez no futuro, se eu tiver que ir ao Brasil. – insiste  ela.
Theodorus afastou-se dela, o suficiente para olha-la nos olhos.
- Eu já te falei o Brasil é o próximo país na minha  lista de viagens? – perguntou.
Roberta  sorriu e  antes que  respondesse o jantar  foi anunciado e eles  se juntaram a Henri.



 PSV



- E agora o  que  pode acontecer, com o que a policia  vai fazer? – pergunta  Rosa tentando aparentar  uma  calma que não sentia.
Roberta havia confirmado  ser sua a ideia do sequestro e se dizia profundamente arrependida e que jamais imaginara que  Milton  agisse  sozinho, pois  o objetivo dele apenas era ficar com ela, Rosa.
-  Bem, com as informações que Roberta nos passou Paulo  já intensificou as  diligências. E você ouviu: Milton já está monitorado a partir desse momento.
- Você acredita  no arrependimento dela?
- Voila! Roberta me pareceu sincera, cherie. Concordou com a gravação da conversa, respondeu algumas  perguntas de Paulo,  indicou o tal Zequias que iria ajuda-los... Não é fácil pra  nenhum de nós, mas creio que devemos  dar  uma chance a ela.
- A única  chance  que  vou dar   a ela é que  fique bem longe  de nós!
- D’accord, cherie... Agora tente  dormir, hã?  Eu acho que amanhã nosso dia  será intenso.
- Eu só quero que eles encontrem nossa  filha sã e salva desse...
- Chhhhhhhhh... Vai dar tudo certo! – afirma Claude  beijando-a  nos  cabelos e abraçando-a forte.



 PSV



Elsa dobrou e guardou as  coisas  de Alex na mochila.  Os desenhos e o vestido com o qual  viera  parar  ali. Fez o mesmo com suas  coisas e certificou-se  que não  deixava  nenhum vestígio.
Anotou o endereço da  galeria  num pedaço  de papel e o guardou no  bolso  da  calça.
- Alex, acorde! Está  quase  na hora  da gente  ir. – exclamou despertando-a gentilmente.
- Hummm... Eu queria  dormir  mais um pouquinho...
- Não dá meu bem! O Canguru não  veio ontem a noite, então eu acho que ele vem agora  de manhã. Precisamos  sair antes dele chegar! Venha, você precisa ir ao banheiro!
- Hummm Tá  bom! – Diz indo ao banheiro e  voltando. – Eu to  com fome!
- Hoje  só temos  bolacha, pode ser?
- Aham...
Ajeitou a roupa que  Alex usava,  penteou os  cabelos dela num rabo de cavalo convencendo-a a usar  um boné. Isso seria importante par a que não a reconhecessem na  rua. Por último ajudou-a a colocar e abotoar a sandália.
Deu uma ultima olhada  ao redor antes  de segurar  Alex  pela  mão e sair dali. Passaram pela cozinha e Elsa pegou  dois pacotes de bolacha. Deu um à Alex e guardou o outro na mochila.
Respirou  fundo e abriu a porta, saindo para o corredor. O elevador  ficava no  final dele.  Ponderou mais uma vez se não seria  melhor  ligar  para  a polícia antes  de ir, mas desistiu.
Tudo que não precisava  era a policia atrás  dela. Entregaria Alex  e faria  um acordo com os pais dela. Anonimato. Não queria virar  notícia.
Queria era  usar  o dinheiro que eles ofereciam para  mudar  de  vida  definitivamente. Pagaria a dívida  que o pai tinha  com Zequias, maneira  pela qual viera  parar  ali,  e todos iriam para longe. Sobraria mais que o suficiente para  comprar  uma  casa e abrir um negócio próprio para recomeçar. Vida  nova!
- Elsinha, deixa  eu descer sozinha? Eu prometo que te espero encostadinha no elevador lá embaixo e não  falo com nenhum estranho!
O primeiro impulso de Elsa foi dizer  não. Depois  dessa  pequena hesitação conferiu a hora.  Seis e vinte  da manhã.  
- Hummm, está bem. Eu acho que não tem perigo, o Canguru não deve nem ter acordado ainda.
Alex sorriu e  bateu  palmas  antes  de chamar o elevador. Entrou e apertou o botão térreo, acenando para  Elsa enquanto a portas  se fechavam.
- Quando eu chegar  lá embaixo vou ser muiiito discreta, tá?
Um minuto depois, Elsa  decidiu descer pela escada. Desceu aos pulos, assim chegaria  quase ao mesmo tempo, pegando Alex  de surpresa.



PSV



Dadi acordou com a sensação de que não era  seu celular  que a despertava. Confirmou suas  suspeitas ao pega-lo na mão e ouvir a campainha. Quem seria às 05h45 da manhã?
Levantou-se  e colocou o robe saindo apressadamente  do quarto para a porta  de entrada.
- Drº Paulo! – exclamou surpresa, ficando apreensiva – Bom dia...
- Bom dia, Dadi! Sei que é muito cedo, mas preciso  falar  com eles...
- Claro, entre. Eu vou chama-los.
Em poucos minutos Claude e Rosa estavam com Paulo.
- O que houve Paulo?
- Encontraram Alex?
- Ainda não Rosa. Mas as informações de Roberta ajudaram bastante. Elas vem de encontro com outra que  tivemos, a do seu carro, lembra-se?
- Oui.
- Quer tentar adivinhar  onde ele estava?
Claude não precisou de muito tempo  para  responder.
- Na casa  do tal Zequias.
- Exato.  Consegui um mandado de  busca e apreensão ontem mesmo, depois que sai  daqui e minha equipe entrou em ação.  Infelizmente ele fugiu antes que o pegássemos. Mas não por muito tempo. Essa prisão é uma questão de horas, confiem em mim.
- Se é assim... Então por que está aqui a essa hora? Diga a verdade, aconteceu alguma  coisa  à nossa filha?
- Não, Rosa, acalme-se. Colocamos  todo nosso pessoal para monitorar o Milton e consegui reforço com colegas de outras delegacias. Ele saiu de casa há alguns minutos, sentido  região de onde  vinham as ligações, então...
- Ele está indo ao cativeiro...
- Acreditamos que sim e como  é caminho,  eu pensei que gostariam de estar por perto quando resgatarmos Alexandra.
- Mas é claro que sim! É só o tempo de colocarmos  uma  roupa!



PSV




Alex estava tão concentrada em frente a porta  do elevador que não reparou quando Elsa chegou ao térreo pela escada.
- Bu! – sussurrou a moça   fazendo cócegas  na menina.
- Ai! – exclamou Alex sentindo sentindo um medo  gostoso em seguida. – Você me assustou Elsinha! Eu tava esperando  você  sair  do elevador.
- Eu quis  fazer uma brincadeira, desculpa se te assustei.
- Ah, mas  foi  um susto  gostoso! – esclarece Alex, deixando que Elsa  coloque  a mochila  em suas  costas. – Vamos?
-  Aham... Mas  você  sabe “i” na minha  casa?
- Não, mas  sei ir na  Galeria dos  seus  pais. É para  lá  que  vamos! -  explicou sorrindo.
Deu sua mão para Alex e giraram o corpo ao mesmo tempo  prontas  para atravessar  o pequeno saguão  do prédio. Foi ao levantar  a cabeça que  seu sorriso desapareceu.
-  Ia passear  sem mim, querida?
- Droga! – exclamou Elsa baixinho.



PSV



Quando Claude e Rosa  voltaram, Paulo estava  ao telefone. Tão logo os  viu, encerrou a ligação.
- Ele já  chegou ao local.  Estamos  cercando a área.
- Eu tenho tanto medo... – murmurou Rosa torcendo as mãos.
- Não precisa  ter, Rosa. Ele não percebeu que era  seguido, portanto o elemento surpresa vai estar a nosso favor.
- Impossível não ficar ansiosa, Paulo! É a minha  filha  que  está  nas mãos  dele. Quem sabe do que será  capaz ao notar que  foi descoberto?
- Calma, chérie...  - pede Claude -  Talvez  fosse melhor  você  ficar  com Dadi, hã?
- Nada vai me fazer ficar aqui, Claude! Eu quero estar lá!
- Voila! Então  tente se acalmar.  Esse estresse todo não é  bom para  nenhuma de vocês d’accord?
- D’accord, meu amor... – Diz Rosa  depois de um instante.  Eu  vou tentar me  controlar  e  vou conseguir! – afirma respirando fundo. -  Podemos ir... (?)
- Claro! Querem ir no meu carro ou preferem me seguir?
- Seguiremos  você. – afirma Claude conduzindo Rosa gentilmente.
Paulo  foi a frente e antes de saírem  totalmente Rosa  se  voltou:
- Dadi... -  começa a dizer com a voz  trêmula -  Dadi, reze por nós, ok?
- Eu  vou  rezar muito e  Deus não  vai  nos decepcionar! Vai  dar  tudo certo, Rosa!
- Amém...



PSV



Milton passou a sacola que  segurava  para a mão esquerda e  com a direita segurou o braço de Elsa e  fez com que as duas girassem voltando para o elevador.
- De volta  ao apartamento mocinha. Se  fizer exatamente o que eu mandar, sairá no lucro, acredite. – Murmurou no ouvido  de Elsa.
- Quem é esse moço, Elsa?  - pergunta  Alex, não reconhecendo a voz  de Milton sem a máscara.
- É o...
- Eu sou um amigo dos  seus pais,  garota. Vou ajudar você a voltar para  casa. É só me obedecer e tudo  sairá bem. – diz  Milton pressionando  com força  o braço de Elsa, como um aviso, enquanto a  forçava  a entrar no elevador.
- Está  tudo bem Alex. – murmurou em resposta  ao olhar desconfiado  da menina – Vamos  fazer como ele quer...
Voltaram ao quinto andar e assim que entraram  no apartamento, Alex indagou:
- Se você ia me levar  de  volta  pra  minha  casa,  por que a gente  teve que  voltar  pra  cá?
- Eu só quero  ter certza  que  você  foi  bem tratada  aqui, garota. Entre no quarto e espere lá. Eu preciso conversar  com a... Elsa. – explicou colocando a  sacola no canto   da  pequena  mesa de centro.
Alex parecia indecisa, desconfiada.  Então Elsa a aconselhou:
- Pode ir... Eu  chamo  você depois, ok?
 Milton esperou que Alex entrasse no quarto e arrastou Elsa  para a  cozinha.
- Querendo me passar  a perna, vadia? – pergunta empurrando-a  bruscamente  contra  a parede. – Não  ficou com medo que eu a matasse?
- O valor  da recompensa  valia o risco. – respondeu  firme, tirancom uma do coragem que não   sabia  ter.
- Ah, é  claro que  vale! Por isso estou aqui. Eu  vou devolver a pirralha e ser  o herói, querida. E você  vai me ajudar!
- Isso... Isso depende do que eu  vou ganhar!  - responde Elsa querendo ganhar  tempo e pensar  num mdo de escapar dali  com Alex.
- Olha  só! Além de vadia, aprendeu rapidinho  a ser interesseira... Quanto você pensa  que  vale?
- Bem... – diz manhosa – Já que não vou mais  ficar com  esse milhão de euros... Me contento com um milhão  de reais.
Milton soltou uma gargalhada.
- Você  foi e vai  me ser  muito útil, mas não  vale  essa  grana  toda...
- Cara,  você  já  é rico e tem seu próprio negócio. Eu preciso  da  grana pra  livrar minha  família  do Zequias. Você  sabe como essas  dívidas são reajustadas: acima  da inflação...
Milton sorri cinicamente.
- Zequias não será mais problema  para  sua família.  Pelo menos  não para  seus pais e infelizmente para os  seus primos  não  fará  diferença, ele os matou. E provavelmente já está preso, eu dei um  jeitinho  disso acontecer.
- Nós  sabemos que pessoas  como ele não ficam  presas muito tempo. Preciso pelo menos  ir  para longe, para  um lugar onde  ele nunca  nos ache.
Milton aperta os olhos, avaliando as palavras de Elsa.
- Não sei  se  posso confiar  em você tanto assim. Quem vai  garantir que  você não me denuncie futuramente.
- Faça uma oferta  pelo meu silêncio...
- Trezentos mil.
- Quinhentos -  rebate Elsa.
- Fechado. Você vai  dizer  que ficou sozinha  com a  pirralha por  dois dias e que tentou contato com o... Canguru nesse tempo. Como não teve êxito,   ficou  com medo e resolveu devolvê-la  por  conta, deixando-a na  porta  de uma delegacia para não ficar  mais encrencada. Porém, eu as vi, reconheci a garota e ofereci ajuda.
- Simples assim? Isso não  vai  convencer ninguém...
- Quanto mais  simples  uma  mentira, mais ela convence, vá  por  mim. Se inventarmos muita  coisa,  podemos  nos  complicar.
- Se eu  fizer isso  vou ser presa!
- Não seja  burra! Quando a policia  tomar  conhecimento disso, você  já  está  longe, eu garanto!
- Eu não sei... Me parece  simples  demais, e sinceramente como posso confiar  em  você?
- Se eu a quisesse  fora  do caminho, já  teria  feito.  Eles  vão ficar  tão aliviados em  ter a filha  de  volta que nem  vão  notar sua saída à francesa... – diz  Milton e  depois de perceber  o que  falara, começa  a rir.
- Saida à francesa! Você não entendeu não é? O pai da pirralha  é  francês e... Ah, deixa  pra lá e me serve uma bebida!
- Bebida a essa hora? Não acho prudente  você  cheirar a álcool na entrega da...
- Mas que droga,  piranha! Você não tem que achar  nada! Eu sou o único que acha, pensa, e decide, ouviu bem? Eu de-ci-do como as  coisas  vão acontecer!  Entendeu?
A mudança brusca de  temperamento fez Elsa dar  alguns passos para  tras e  esbarrar  na pia, onde estavam várias garrafas de bebidas, compradas  pelos  seus  primos.
-  Eu perguntei se você entendeu – gritou ele mais uma vez.
- Sim... – respondeu  Elsa com um fio de voz
- Ótimo.  – Diz Milton com a voz mais branda mãs não menos intimidadora. - Agora que nos entendemos  novamente,  sirva-me a droga  da  bebida! – ordenou sentando-se à mesa.
De dentro do quarto Alex escutou os  gritos  de  Milton.
Por que ele gritava com Elsa  se  queria ajudar e era amigo de seus pais? Lembrou-se  de quando o Canguru foi violento com ela e abriu a porta para  espiar.
- Se ele “tive” batendo nela  eu vou pisar  no pé dele   com mais  força que pisei no Canguru... – murmurou  cruzando a sala vagarosa, mas  corajosamente.
Então a mochila que ainda estava em suas  costas esbarrou na sacola e a derrubou. Alex  paralisou.  De dentro  da sacola caiu uma máscara. De canguru.
- Ele é o Canguru! – falou baixinho segurando a máscara. – Ele não é amigo  nada, por isso tá  gritando com a Elsinha, eu preciso avisar ela! – e apressou  seus passos, soltando a máscara antes  de parar  em frente a porta da cozinha.
Milton estava sentado e tão concentrado em seu celular que não percebeu a  figura de Alex  na porta. Sem erguer a cabeça,  reinterou a ordem.
- Se demorar pra  me servir vai se arrepender, vadia. E eu  gosto  de  wisky  com muito gelo, ok?
  


PSV




Paulo estacionou o carro e  Claude  o imitou. Rosa e ele se olharam rapidamente antes  de desceram do carro.
- O que  foi, por que paramos aqui?
- O prédio fica a uma quadra  e meia – explica  Paulo apontando na  direção -  Vamos a pé daqui.
- E Milton, ele realmente  veio pra  cá?
- Sim. Ele  parou rapidamente  em uma  padaria, tomou  café e veio  direto para cá.  Estão esperando minha chegada e então começaremos a  operação. – falou enquanto caminhavam.
- E se ele sair  do prédio?
- Se ele sair a ordem é detê-lo, Claude.
Terminaram o percurso em silêncio. Paulo a frente, Claude  e Rosa  de mãos  dadas logo atrás. O que  devia  ser o  lider  dos investigadores aproximou-se  de Paulo assim que  chegaram em frente ao prédio, na  calçada oposta.
- Já efetuamos o corte  de energia. Aguardando   sua ordem para  invadir delegado...
- Não vamos invadir, vamos entrar  calmamente e agir  sem excessos. Não quero ninguém ferido entenderam?
- Sim senhor.
Paulo orientou as posições dos  policiais, para  reforço e cobertura dos  demais. Estava pronto com outro três para entrar  no prédio e resgatar  Alex quando seu celular  tocou.
Fez um gesto  de espera e o atendeu. Conversou por alguns minutos, antes de voltar e  informar Claude e Rosa sobre  Zequias.
- Zequias foi localizado há algumas  horas atrás  e preso.  O acusamos inicialmente por receptação e ele usou o direito de permanecer  calado e só falar em juízo. Mas,  como todos nós  sabemos delação premiada está  na moda.  Então, depois de alguns acordos   ele confessou ter  recebido o seu carro do Milton como parte  do pagamento por  “serviços prestados”.
- Covarde! – exclamou Claude
- Eu vou trazê-la  de  volta a vocês. – afirma Paulo antes de retornar ao prédio.



PSV



Elsa colocou gelo no copo e segurou a garrafa de whisky pelo chamado pescoço da  garrafa. Suas  mãos  tremiam e seu coração estava a ponto de  sair  pela  boca. A ideia era arriscada,  mas  tinha que prosseguir.
Girou o corpo  erguendo o braço com toda  força  que  foi capaz, e acertou a cabeça  de Milton. O golpe inesperado o fez tombar: ele para um lado, cadeira  para outro.
- Devia beber  com mais  moderação, querido! – exclamou baixinho devolvendo o que restou da garrafa sobre a  pia.
Foi só então que  reparou em Alex, parada  na porta da  cozinha, os olhos abertos, assustada.
- Alex... – sussurrou – Meu Deus... Não era  pra  você  ter  visto isso... Vem, - disse  puxando-a  pela mão – Temos que  correr e  fugir!
- Elsa  você matou o Canguru?
- Ele não está  morto querida, só desacordado. – explica enquanto chama  o elevador. – Como sabe que é ele?
- A máscara  do canguru tava dentro  da  sacola dele.
- Droga! – pregueja Elsa percebendo a lâmpada  do corredor  apagada – Sem energia! Não  vai  dar  pra  brincar  de elevador, Alex! Temos que ir pela escada!  Rápido, meu bem...



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- ... saíram bem  cedo com o delegado Paulo, dona Elisabete. Parece que  descobriram o cativeiro e  vão resgatar Alex.
- Oh, my God! Isso é  bom, mas também é perigoso!
- Por isso Rosa  me pediu para rezar e eu  to rezando. Deus não  vai  deixar  nada  de   mal acontecer!
- Claro que não, Dadi. John e eu ficaremos aqui e rezaremos  os  três  juntos enquanto esperamos  pela  volta  de todos.


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Milton abriu o olho e  levou alguns segundos  para  focalizar  sua  visão. Sentiu uma  dor aguda  ao levantar e levou a mão à cabeça. Sentiu o sangue do ferimento.
 Saiu da  cozinha cambaleando em tropeçou em algo. A máscara  do canguru.  Pegou-a, apertando-a com raiva e a  guardou  no  bolso do  casaco.
- Maldita! Vai se arrepender da  sua escolha, vadia! - murmurou e saiu para o corredor, ainda torpe pela  pancada, sem parar  de gritar .
-  Vagabunda  eu vou pegar  você!
Uma senhora saia de frente  do elevador, resmungando e criticando o governo pela  falta  de energia.  assustada pela cena perguntou:
- Mas que  falta  de respeito... Meu Deus, o senhor  está  sangrando! O que  aconteceu?
- Não é  da sua  conta, velha  enxerida! – grunhiu Milton, correndo para a escada.



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Raquel agradeceu mais uma vez  o gerente  e encerrou a conferência virtual. Até o fim do dia  seria legalmante  a nova  titular de todas as  contas  da Eros.  Carla, a secretária em experiência bateu à porta  e entrou.
- Com licença, Raquel.  Você pediu para  ser avisada quando o pessoal da Adesivaria concluísse o  serviço...
- Claro. – respondeu levantando-se da cadeira que até ontem pertencera a Milton.
Saiu para a calçada e apreciou a porta  da galeria, com seu novo layout. O nome  continuava  o mesmo, Eros Galeria. Gostava  dele. Mas  gostava ainda mais do que vinha logo abaixo dele: Raquel Lins – Curadora.
Parabenizou a equipe e  voltou para  sua  sala, certificando-se que o segurança estava  atento em seu posto.
Organizou a mesa e seu olhar  poucou sobre  o retrato  de  Milton,  nun canto  da  mesa. Pegou-o enquanto sua mente  pensava.  Pobre Milton! Jamais   devia  ter  lhe  dito que nunca passaria  de uma  secretária  incompetente que nas  horas  vagas era amante  do chefe.
- Parece que o jogo mudou, queridinho. E talvez eu ofereça um salário de  secretário para  lhe usar  como amante... – disse  baixinho antes  de jogar  o retrato na lixeira.



PSV




Elsa olhou para  cima. Não sabia  o que a assustava  mais:  o eco  dos passos  de Milton   ou seus  gritos. A escada  em caracol lhe permitiu ver a  sombra dele  e em seguida os  sapatos. 
- Você não vai escapar, vadia!
-  Depressa  Alex, temos que chegar rápido ao térreo! – disse  nervosa. - Corre, Alex, corre e não olha  para  cima , não olha! – ordenou soltando da mão dela.
Mas  nem Alex nem ela tiveram  tempo de  correr. O corrimão e a madeira  dos  degraus estremecerem  violentamente e Milton bloqueou a passagem. Havia se arriscado e pulado pela fresta da escada entre o segundo e o primeiro andar.
- Eu acho que vocês não vão a lugar   algum. -  afirmou Milton. - Não sem mim... – completou sorrindo cinicamente, segurando  Elsa  pelo cabelo com  uma das  mãos  e levando a outra  para  trás  de si.
- Se gritar ou tentar fugir, vai acabar  como seus  primos, entendeu? – ordenou ele pressionando  o cano  do revolver contra   o corpo dela.
Elsa apenas  balançou a cabeça em sinal de entendimento.
-  Você não é  amigo do meu papai  nem da  minha mamãe! – exclamou Alex.  –  Você é o Canguru e é muito malvado! Eu não  gosto de  você!
-  Garotinha esperta... – falou irônico -  Você viu a máscara, não  foi? – E a pega de dentro  do casaco. -  E isso não é  totalmente  verdade.  Eu não sou amigo do  seu pai, mas  ele tem  uma  coisa que eu  quero: dinheiro e a sua mamãe.  -  E coloca  a máscara.
- Vamos brincar  mais  um pouquinho, agora  de pega-pega. Nós vamos sair do prédio como se  fôssemos uma familia feliz. -  diz  enquanto chegaravam  ao térreo.
- Mas o que que é isso... – murmura  um dos  policiais, que acabavam  de  cruzar  a porta  do prédio, junto  com Paulo
- Fique onde está e  coloque as mãos  na cabeça! – grita Paulo.
- Você chamou a polícia sua  vadia imbecil? – resmunga Milton aumentando a pressão do  revolver.
- Não... Eu não chamei ninguém, eu estava  fugindo...
- Sabemos quem você é. Pare e coloque as mãos  na cabeça, Milton. Está preso por sequestro, formação de quadrilha e cárcere privado, assim comi seu  comparsa, o  Zequias
A mente  de Milton ferveu. Maldito Zequias, devia  tê-lo matado quando teve  chance! Mas   já havia ido longe  demais  para desistir  ou  voltar  atrás.
- Sua  estúpida – cochichou para Elsa – Podia  ter saído dessa  com uma  boa  grana... Agora  vai ser meu escudo, vadia. – E segurou  Alex em um de seus  braços, mantendo Elsa  a sua  frente
- Solte as  duas, Milton. Você está cercado.
- É claro que estou... – resmungou, erguendo tom de  voz  em seguida. – Estou cercado de pessoas  incompetentes! Mas eu tenho uma arma – e  colocou-a na cabeça  de Elsa. -  Se  vocês  tentarem me  pegar, eu mato as  duas! Manda  o seu pessoal abaixar as armas! E você também garota, quieta, senão eu mato a sua  nova  amiguinha, entendeu?! – ordenou insano para Alex que tentava escapar.
- Abaixem as armas. – pediu Paulo, fazendo o mesmo  com a sua.
- Isso,  bons meninos.  Eu  vou sair e leva-las  comigo. Se alguém sair daqui de dentro, atrás  de mim, a  loirinha aqui morre!
- Eu preciso sair  contigo e pedir  o mesmo aos policiais que estão la  fora! – pediu Paulo.
- Muito bem, vá na frente não tente  nenhuma  gracinha.
Milton atravessou o pequeno saguão, sem  dar as  costas  aos policiais que  ficaram.
- Muito bem, pessoal, não atirem, repito, não atirem! – ordenou Paulo saindo coma s mãos para  cima.
- Alex! -  exclamou Rosa entre aliviada e apreensiva.
- Mamãe! Me  solta  eu quero  a minha mamãe!
- Quieta, pirralha! E sem choro!
- Milton solte  a minha filha e a gente  esquece  que isso aconteceu! – pede  Rosa no meio da rua.
- Tarde  demais Rosa!  Sabe, eu tinha  muitos planos para  nós. Eu ia ser o seu herói, eu ia  devolver  sua  filha e a gente ia  ficar  junto para sempre,    mas agora, agora  eu não  vou  ser preso e  apodrecer na prisão.  Agora eu  vou até  o fim, eu quero o resgate, eu quero o milhão de euros  naquela  conta, eu quero um colete  a prova  de balas, e eu quero um carro com o tanque cheio!
- Você está maluco! Acha mesmo que a polícia  deixaria  você  escapar?
- Enquanto eu estiver  com a  sua  filha,  ninguém  vai  fazer  nada. E eu não  lembro de ter dito  sobre  devolvê-la,  disse?
- Seu grande  covarde e canalha! – Gritou Claude dando alguns passos.
- Se der mais um  passo, francês, a loirinha  morre!
- Muito bem, vamos  negociar então. -  diz  Paulo jogando um colete a Milton.
-  Pega o colete vadia! -  ordena a Elsa.
- Delegado... – fala Claude em  tom de reprovação.
- Claude, esse é o meu serviço, ok? Confie em mim.  
- Solta  a minha filha e me leva no lugar  dela! – pede Claude angustiado.
- Você  gosta  de bancar   o herói não é mesmo, francês? Mas  não dessa  vez! Dessa  vez você  perdeu! – grita Milton, ordenando a Elsa que  coloque Alex dentro  do seu carro, sem deixar de mirar em sua  cabeça.
- Seja  corajosa  Alex! Seu papai  vai  te  salvar, ok? – cochicha Elsa, confortando-a. – E eu não  vou deixa-la sozinha!
- Eu to  com medo do Canguru, Elsa!
- Eu também, meu anjo! Por isso temos que ser  discretas e não chorar, ok?
- Tá  bom! – murmura  Alex  num soluço.
- Milton pelo amor de Deus, devolve a minha  filha! – grita Rosa, desesperada.
- Isso vai depender do seu marido, “cherie”! – diz olhando para Claude. – Eu quero tudo que pedi em frente  ao banco. Você  sabe onde fica. Eu vou estar  lá te esperando. Só você. Faremos a transferência, então eu  sairei do banco e devolverei a sua  filha.
- E acha  que  vai  conseguir  fugir?
- Isso é problema meu. O seu é impedir a presença  da  policia. Se eu suspeitar de um só policial na área, você  nunca  mais vai vê-la! Liga o carro e vai! – grita para Elsa. – Você tem  duas horas para isso, caso não queira que eu devolva  sua  filha em pedaços.



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Paulo entrou na sala do escritório de Rodrigo, depois de o o esquematizar  as táticas a serem tomadas com sua equipe  na delegacia..
- O carro está aí fora  e pronto para ele. Dois rastreadores e um vírus que vai cortar o sinal  da injeção elétrica assim que ele sair para a  via expressa.
- Bem, minha empresa  não é a SWAT nem  o Grupo de Operações  Especias da polícia,  mas também tenho meu setor de inteligência. Investimos  em tecnologia. – comenta Rodrigo, testando   o fone de ouvido e colocando a arma  no coldre em sua  cintura.
 - Vai dar tudo certo, Claude. Discrição,  prevensão, evitar o combate pela vida do cliente e de nossa própria. Eu não arriscaria a  vida  da  sua  filha.
- Meu Deus, é  tudo tão... tão bizarro e perigoso inacreditável que esteja  acontecendo concosco! -  diz Rosa.
- Confie em mim e no nosso plano, Rosa.
- Eu confio em você, Rodrigo. O que não posso é  confiar nele, no Milton. Ele está completamente transtornado, louco!
- Pode não parecer, mas eu tenho experiência nesse  tipo de perfil psicológico, além do mais, estou em  dia  com a lição de casa.  Minha ultima reciclagem foi na  International Security School, em Herzeliya, Israel a melhor academia de treinamento de guarda-costas do mundo e eles investem muito na leitura  corporal, somos treinados a identificar posturas e gestos suspeitos, portanto seu marido e sua  filha estarão em ótimas  mãos.
- É melhor  você ir. -  aconselha Paulo – O gerente já está a sua espera, na  porta da saída interna  do banco.  Estaremos no carro de apoio para dar cobertura.
- Cherie...
- Claude eu  sei o que  vai me pedir, mas não, eu não  vou para casa! Eu quero estar  lá quando Alex for liberada, eu quero abraça-la, senti-la  contra o meu corpo!
- Eu sei e você tem toda  razão, mas eu não... Se algo sair errado ou...
- Não vai acontecer nada  errado! E eu prometo não sair  correndo de dentro  do furgão, ok? – Diz abraçando-o.
- Bem, eu sinto quebrar o encanto  do momento, mas  temos  que ir também. Saimos na frente dele, Rosa.



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- Alguma novidade? – perguntou Nara à Dadi, entrando no apartamento seguida  de Sérgio.
- Não, tudo que  sabemos é o  que  já  falei por telefone.
- Eu espero que  o plano dê certo.
- Vai dar, Sérgio. – afirma John enquanto se  cumprimentam.
- Alguém avisou Frazão? – pergunta  Nara, e  depois  da negativa continua – Eles precisam saber. – afirma  já com o celular  em mãos.
Minutos  depois...
- Eles virão no próximo voo...
- Vocês almoçaram? – pergunta  Dadi respondendo ela mesmo em seguida. –  Por que eu ainda pergunto? Venham, vou servir algo a vocês...



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Milton olhou o relógio. Restava  pouco mais de quarenta  minutos  de espera. Estava dentro  do carro,  no estacionamento da praça, em frente  ao banco. De vez em quando olhava para  Alex e percebia o quanto ela se encolhia,  com medo dele.
- Eu não  vou comer  você garota, não sou o  Lobo Mau!
Alex se encolheu ainda mais e apertou a mão de Elsa.
- Não ajuda muito deixa-la assim, com  mais  medo.
- Só estou me divertindo um pouco...
- Não acho divertido deixa-la  com fome...
- Outra vez isso?
- Ela precisa  comer, Milton! É uma criança e ainda não comeu nada  hoje!
- Muitas  crianças  no mundo também não.
Elsa respirou fundo antes  de responder.
- Olha,  uma criança  com fome fica  irritada, pode até desmaiar... Me  deixa  comprar  alguma  coisa  pra  ela nesse  carrinho de lanche...
Milton apertou os olhos olhando de Elsa  para Alex. A garota  parecia  pálida mesmo...
- Está bem. Vamos comprar algo. Ela  come e em seguida vamos os  três  para  o banco. Não preciso avisa-la a não tentar   nada, não é?



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De onde estava Rodrigo tinha  uma visão privilegiada de  toda  agência. Assim que notou a entrada  de Milton passou a informação a Paulo. Seu papel ali, além de proteger Claude e Alex   era interceptar a  transferência redirecionando o  dinheiro para  uma segunda  conta. Se Milton conseguisse escapar, teria uma desagradável surpresa ao tentar movimentar  sua conta.
Claude entrou quase em seguida. Alex tentou abraçar  o pai, mas diante do olhar  de Milton recuou. Como combinado a gerente os recebeu e  apesar do aparente  nervosismo, pois Milton deu um jeito de mostrar a arma que segurava  dentro do bolso apontada para Elsa e Alex, ela  seguiu todas as instruções. Assim que as palavras “transação efetuada  com sucesso” apareceram na tela do monitor Milton se  levantou.
- Já  cumpri minha parte do acordo, solte a minha filha – pede Claude.
- Só lá fora, francês, como eu disse. Você sai primeiro e as  duas  vão na minha frente.
Atravessaram  toda a agência e saíram para o estacionamento interno dela.
- Isso já vai acabar, filha! – murmurou Claude olhando para Alex.
- Sem diálogo! – ordenou Milton empurrando Elsa, que segurava  Alex no colo para  a frente.
O gesto fez  com que  sua  mão batesse na aba do boné e o derrubasse  da cabeça  de Alex. Ignorou o fato e forçou-as a andar.
Claude saiu andando de cabeça  baixa,  conforme a o orientação de Paulo. Olhar  para o lado poderia despertar   desconfiança em Milton.
Rodrigo seguiu os movimentos de Milton e assim que ele virou as  costas, caminhou em direção a porta, para prevenir  qualquer mudança de intenção de Milton.
Até agora  tudo saira perfeito. Nenhum cliente ou funcionário sequer imaginava o que acontecia. Melhor assim, o pânico pode  provocar tragédias.
- Até aqui tudo como previmos, Paulo – disse pelo fone.



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 Um carro saiu do estacionamento  e outro entrou em seguida na vaga.
- Que  sorte a nossa! – disse o motorista  do carro – Agora  vê  se não demora, ou  vamos  chegar  atrasados e você sabe, nossa Capitão não  perdoa!
- Vou ser rápido! - respondeu o outro erguendo os olhos e dirigindo  o olhar para  a  porta  do banco.
- Por que ainda está no carro? – perguntou o primeiro.
- Aquela menina ali não é a que foi sequestrada, a filha  daquele empresário francês?
-  Se não é ela, é uma bem parecida! – concordou o motorista – Vamos aborda-los!
Sairam  do carro e andaram apressados, esbarrando em Claude. Achando que era  culpa  sua Claude ergueu a cabeça para  se desculpar e só então percebeu que eram dois  policiais.
- Mas que droga é essa, não foi isso o combinado! – exclamou  voltando atrás  deles.
- Um momento senhor – falou um dos homens para Milton – Precisamos dos  seus documentos  por favor!

Do outro lado, dentro do furgão Rosa e Paulo acompanhavam tudo.
- Estão saindo! – exclamou Rosa  ao ver  Claude na porta.
- Ainda não é  seguro sairmos, Rosa. – alerta Paulo voltando o olhar  para  ela.
-  Eu sei... Mas assim que ele sair com o carro eu... Paulo, eu entendi que não iam prendê-lo aqui...
- Paulo, que  diabos  você  está  fazendo? Quem são esses  dois? – a voz de Rodrigo é tensa, mas  firme.
- Mas que merda! – blasfemou Paulo – Ta aí uma  coisa que também  vou querer  saber! – exclamou  irritado, saindo  do furgão. Rosa fez  o mesmo.



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- Mas que  bonito! – exclama  Milton para Claude, logo atrás  dos policiais. -  Eu falei sem polícia, francês! – gritou erguendo a mão com a arma.
- De onde eles  saíram? – pergunta  Rodrigo, aproximando-se
- Ah, o segurança também é da  sua turma?
- Solte a arma e entregue a menina, senhor!
- É claro É claro que não!  – disse irônico pegando Alex no colo  e apontando a arma  para Elsa.
- Papai! – gritou Alex
-  Se não querem que eu atire  na loirinha,  coloquem as suas armas no chão!
- Delegado Paulo  - identifica-se  – Obedeçam a ele, agora!
- Muito bem, delegado. – diz Milton chutando as  armas. – Agora,  mãos ao alto e  virem-se de  costas! Você também Rosa!
- Milton, você já  tem  o dinheiro, solta  a minha  filha! -  pede Rosa.
-  Eu  vou soltar, mas não agora. Abre a porta  do carro, francês!
- Mamãe!
- Alex, fica  calma, filha... Milton,  me devolve ela!
-  Eu mandei abrir  a  porta  do carro, francês! Isso, assim que eu gosto... Se alguém fizer um movimento, eu atiro na loirinha e depois na garota! – diz já na porta  do carro. – Eu entro primeiro e você  dirige. – ordena à Elsa.
Porém, no portão  de saída  do estacionamento faz  Elsa parar.
- Quer saber? Não preciso mais de você sai! – e a ameaça  com a arma. – Sai,sai sai! Abre a porta e sai, vadia! – diz  empurrando-a enquanto ela  saia. – Sai de uma vez!
No estacionamento Paulo já havia pedido reforço e esclarecido o que acontecera. Entrou no  furgão descaracterizado  para  seguir Milton e pediu aos  policiais que  amparassem Claude e Rosa.
Alguns metros adiante, Milton parou abruptamente,  puxou Alex sobre  si,  abriu a porta do seu lado e a deixou no meio da rua. Isso lhe  daria  alguma  vantagem a ele, pois iriam  querer  salva-la primeiro.
Os carros que  vinham atrás frearam alto, cantando os penus. Elsa  correu ao encontro de Alex, assim como Claude e Rosa, logo atrás.
Alex estava assustada demais com as  freadas e  não conseguia  sair  do lugar. Elsa  foi a primeira  a chegar perto de Alex.  Foi quando uma  moto em alta  velocidade surgiu.
- Alex cuidado! – gritou Elsa se jogando e empurrando Alex para o lado. Então sentiu uma  dor aguda  antes de voar alguns metros e bater  com a cabeça em alguma  coisa...



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Sairam do consultório médico bem mais aliviados que no dia  anterior. Os exames  eram claros e precisos: Alex não tinha nenhum trauma, a não ser as  possíveis sequelas  psicológicas ou emocionais, mas a  contar  pelas  respostas e  pelo comportamento de Alex, ainda  segundo o médico, eles  seriam mínimos.
- A gente pode  ver a  Elsinha agora?  - pergunta Alex olhando ansiosa para a mãe.
- Está bem, Alex, eu prometi, não foi?
- Eba! -  alegra-se Alex, dando alguns passos em direção ao corredor.
- Vem concosco Claude?
- Não, chérie, eu vou acertar a  conta  do  hospital, hã?
- Tem certeza que quer  fazer isso?
- Oui. É o mínimo que podemos fazer. Se não fosse ela...
- É claro, nem sei porque  disse isso! Não irei demorar, ok?
Depois de alcançar a  filha, de mãos  dadas, Rosa e ela andaram até  o  final do  corredor e pararam em frente ao quarto   vinte e três.  Rosa abriu a porta e Alex entrou na frente.
 - Acorda logo Elsinha, eu quero  “brinca” com você. - falou Alex chegando perto  da cama.
- Alex não mexa nela querida. – pede Rosa.
- Por que ela ainda  tá  dormindo mamãe?
- Porque ela  bateu forte a cabeça  e pode ter machucado lá dentro. O médico disse quen ela está bem, mas precisa  ficar em observação porque pode levar mais  de um dia  para se  perceber  esse machucado.
- Quando a gente  bate a cabeça a gente  morre?
Rosa pensa  e responde sinceramente, com muito  tato.
- Depende, meu amor. Só  se a  batida for muito, muito, muito forte; o que não   foi o caso  dela ok? Elsa não vai morrer, ela  só está  dormindo com ajuda de alguns remédios para  ficar bem e ir para.. para casa.
- Eu acho que ela não tem casa porque ela  ficou  lá comigo  o tempo  todo. A Elsa não é malvada igual o Canguru, ela queria me levar  de volta.
- É talvez não seja...  Agora precisamos ir, hã?  O papai está nos esperando.
- Tchau Elsinha! Vê se acorda logo, tá?
Assim que saíram do quarto encontraram Claude.
- Como ela está?
- Ainda sedada...



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Milton retirou o cartão da máquina e mudou de terminal pela  quarta vez. E pela quarta vez leu: “Conta irregular”.
- Não, não não, sua máquina imbecil, você  tem que me mostrar um milhão  de euros, quase  quatro milhões  de reais! – reclamou entre os  dentes,  apertando com raiva  as teclas do terminal.
- Moço, não adianta  ficar irritado não... Eu também queria  sacar mas  já passou das oito da  noite e esse  serviço fica  bloqueado... – Escutou alguém  falar  e se afastar.
Milton murmurou um “Ah, obrigado” e puxou mais o capuz  sobre seu rosto.  Estivera tão  concentrado que não reparara a entrada  de outra  pessoa.
Tentou o cartão corporativo  da  galeria. “Problemas na leitura  do cartão”.  
- Cretinos! – esbravejou atirando o cartão  no lixo.
Calma, calma Milton! Pense! Claro! Aquela mensagem não era de um simples bloqueio de normas  da  agência, já que não conseguia fazer  nada  com nenhuma conta. Estavam monitorando  seus passos.
Retirou o cartão do lixo e guardou-o no  bolso  do agasalho, saindo imediatamente  da agência.  Procurou andar rente às  sombras. Tinha que sair  do pais imediatamente se ainda  queria  se  vingar de  todos. Tivera  muita  sorte até agora em não ser encontrado.
Trocar  o elegante paletó por esse agasalho surrado mas  com capuz, havia sido uma ótima ideia. Ponto para os  filmes de ação que assistia.
Precisava  de  dinheiro e só havia um lugar onde  buscar: na galeria. Ainda  tinha a grana de Roberta e uma reserva  pessoal, fruto de  alguns favores que  fizera.
 - Maldito francês, você não perde  por esperar! 



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