PSV
- ...E realmente foi uma bobagem de nossa parte, já que nos amamos e
vamos casar em breve. – Concluiu Louise sorrindo diante dos inúmeros flashes disparados e de microfones espalhados na bancada à sua frente.
- Não seria mais correto a presença de sua filha, apoiando-os publicamente então? –
Sugeriu a repórter que fizera a
pergunta.
- Como mãe achei mais
correto preservar a imagem de minha
filha. Nara está fora da França
nesse momento, longe de comentários maliciosos. Aliás ela não quer seguir com a tradição da família na vida
política, o que me deixa triste,
mas ela é ainda jovem e inexperiente e esse amor pela carreira politica pode acontecer a qualquer momento.
Eu tenho esperanças. Próxima pergunta, por favor, nosso tempo está esgotando senhores.
- Olívia Chatrier, da TV5 Monde – Adiantou-se uma das reporteres presentes – Minha pergunta é para
você Bernard. Acredita que suas
pretensões políticas possam ser abaladas ou desacreditadas perante o
eleitorado francês diante desses fatos e
fotos?
- Sinceramente eu espero que não. Seria uma pena constatar
que a França não é o país que eu penso ser, onde uma mulher não possa se casar
por amor com um homem, por ele ser mais
novo. Eu tive a sorte der ter crescido entre mulheres fortes que me inspiraram
e me ensinaram a não ter preconceitos tolos como esse e tantos outros. E,
na minha plataforma de governo
a luta pelo direito das
ditas “minorias”, ou seja, dos grupos
marginalizados dentro da nossa sociedade devido aos seus aspectos econômicos,
sociais, culturais, físicos ou religiosos já é pauta consolidada. Apoiar essas
causas intervindo no sentido de sensibilizar, divulgar e denunciar as
questões pertinentes às comunidade LGBT e imigrantes por exemplo, e essencial. Não
podemos mais conviver com essas teorias separatistas em pleno século vinte e um.
Fez-se uma pausa e
outro repórter se apresentou
- Jules Mirabeau, Le Monde. O jornal que publicou as imagens
não menciona a fonte da informação. Vocês suspeitam de alguém e seria esse
alguém próximo a vocês dois? Irão
processa-la?
Foi Louise quem respondeu:
- Preservar a identidade
da fonte é um direito do jornal. É claro que temos nossas
suspeitas, Que também serão
preservadas, pois não temos provas. Quanto a processar, sinceramente nesse caso
eu creio que seria uma injustiça. Essa pessoa
favoreceu-nos. A nós porque nos libertou de um preconceito tolo e ao
jornal, se é que o podemos classificar
como tal, porque deve ter faturado em
poucos dias o que fatura
em um ano, eu diria...
Nara levantou-se visivelmente contrariada dizendo
- Por favor, podemos mudar
de canal?
- Podemos fazer melhor
que isso, Nara. – Falou Rosa desligando a TV.
Eram pouco mais de
vinte e uma horas da noite de
domingo.
- Chèrie!
- Está bem, continue assistindo eu posso pegar um táxi! Alex! – Chamou a filha que estava junto a Dadi - Venha querida, vamos para casa. – Falou andando em direção a porta. –
Boa noite, Nara e Frazão; boa noite Dadi!
- Mon Dieu, é claro
que você não vai pegar um táxi, hã? – Respondeu ele
levantando-se. - Mas podiam dormir aqui essa noite. O que você
acha, pequena?
- Oba! – Exclamou Alex pulando e batendo palmas.
- Outro dia talvez, ok?
- Ah, mamãe...
- Amanhã é dia de
escola, mocinha. Ficaria muito corrido.
- Tá bom... – Disse
tentando se conformar, saindo para o
corredor enquanto Claude fechava a porta.
- Está sendo muito má. Não seria tão corrido assim, ela só tem escola na parte da tarde.
- Eu não tenho roupa
para dormir aqui. – Falou Rosa
justificando-se.
Alex estava na ponta
dos pés, apertando o botão do elevador.
- Voilà, ontem a noite você dormiu sem roupa
alguma não foi? – Murmurou ele.
- Claude! – Exclamou laçando um olhar para Alex. E ganhou um beijo suave.
PSV
Dentro do apartamento, Nara conversava com Frazão enquanto tomavam um café.
- Eu não acredito que ela teve a capacidade de dizer que se
preocupava com a minha imagem!
- Acalme-se Nara.
Louise é a politica em pessoa. Vai
fazer de tudo para se tornar a vítima da situação.
- Alguma noticia sobre Roberta? – Perguntou servindo-se
pela segunda vez.
- Nenhuma. Mas ela vai aparecer. Se não pessoalmente por meio
de outra notícia dessa categoria.
Dadi que até então ouvia em silêncio se manifestou.
- Eu espero que ela não
resolva se manifestar pessoalmente aqui. Seu irmão já sofreu o bastante com a ajuda dela.
- Tem razão Dadi. – Disse Frazão. – Tudo que ele não
precisa agora é Roberta por perto.
- Então vamos torcer para que ela se concentre em
sua vingança contra Bernard e
Louise. Eu vou ler um pouco e dormir, boa noite. – Disse Nara retirando-se.
- Não tem mesmo nenhuma notícia de Roberta? – Perguntou Dadi
quando Nara sumiu de vista.
- Ah, Dadi, Dadi... Nunca
vamos conseguir esconder nada de você, não é? A única coisa que
descobrimos é que ela saiu da França
num trem com destino à Espanha.
PSV
Claude colocou o livro
na bancada de
cabeceira da cama de Alex. Em seguida ajeitou o edredon sobre ela e
dando um leve beijo em sua bochecha se
despediu.
- Boa noite pequena!
Saiu deixando a porta
apenas encostada e encontrou Rosa na
sala.
- Ela fez você ler uma
história, não fez?
- Cinderela, três vezes. – Respondeu Claude sentando-se ao
lado dela - Na quarta ela dormiu. Mas
eu gostei da experiência. - Concluiu sorrindo.
- Eu o privei de muitas delas, não foi? - Comentou Rosa
abaixando a cabeça.
- Ei, - Disse
Claude fazendo-a gentilmente erguer a
cabeça. – O que passou, passou, hã? Além
do mais, ainda pode me fazer passar por
elas. É só darmos um irmãozinho a Alex!
- Está falando sério?
- Ouí. Mas só depois que você aceitar casar comigo. Oficialmente, eu digo.
- Eu aceito! -
Exclamou passando os braços pelo pescoço dele – Vai ficar essa noite
também?
- Seria ótimo. Mas amanhã é
dia de galeria e ficaria corrido
para mim, hã?
- Oras, seu... Seu...
Mas os lábios dele impediram qualquer palavra ou pensamento.
- Pardon, eu não resisti, hã? – Explicou-se Claude ficando em
pé. - Mas essa é uma situação que
precisamos resolver. Eu quero nós três
na mesma casa e antes de nos casarmos, d’àccord?
Foi até a poltrona onde estava seu casaco e o colocou.
- Vem comigo até a porta?
- Não ficaria nem se eu oferecesse um chá?
Claude sorriu antes de responder:
- Tenho certeza que terminaria de modo muito prazeroso, mas preciso resolver alguns assuntos bem menos prazerosos com Frazão. –
Afirma abrindo a porta
- Sobre Louise?
- Ouí.
- Ok, então não vou insistir. – Diz Rosa resignada. - Até
amanhã!
- Até amanhã, chèrie. – Diz com um selinho. – Bonne nuit.
PSV
Roberta desligou a TV, acendeu um cigarro e foi até a sacada
do hotel.
Então você declarou que eu te
fiz um favor, Louise. Não é exatamente o que diz a mensagem que me
mandou. – Pensa tragando o cigarro e sentando-se em uma das elegantes cadeiras que ali estavam.
Como não era exatamente assim que imaginou as
consequências do que havia feito.
Esperava que Louise rompesse,
inclusive politicamente, com Bernard.
Então o convenceria a migrar de partido
e ganhar a eleição sobre Louise. Essa
seria sua vitória total.
Mas você decidiu ficar com ela e isso o torna meu inimigo
também. E segue com o olhar a fumaça que acabava de expelir.
O que é uma pena.
Vai ter que ter “muito amor”
entre vocês para superarem juntos todas as denuncias que vou fazer. – E aperta com força o que restava do
cigarro contra o cinzeiro – Eu
gostava de você mais do que de Claude.
Ah, Claude! Eu devia
ter feito as coisas
do meu jeito e não obedecido Louise. Aquela casa hoje seria minha. Pouco
me importava que você quisesse ser escritor
ou artista plástico... Com a fortuna que você herdou de seu pai, nem precisaria trabalhar mesmo!
Eu devia ter contado a
você que aquela desqualificada estava grávida quando te deixou. Ou seja, quando
a obrigamos a te deixar.
Meu plano era perfeito. Faria isso e daria um jeito de
fazê-la entregar a criança. Então nó a criaríamos como nossa filha.
Em um colégio interno, é claro.
Mas Louise não o achou tão bom assim, porque a bastardinha
mancharia a linhagem dos Geraldy com seu sangue latino.
Além do que a tal
brasileirinha era do tipo orgulhoso, não a entregaria tão facilmente assim, sem um motivo
extremamente necessário.
Naquela época eu
estava disposta até a sequestrar a pobre criança e... – Parou de pensar por um
instante e fez um leve movimento com as
sobrancelhas.
- Olalá! - Exclamou
com um sorriso sombrio - Claude acho que
preciso visita-lo antes do eu pensava. O problema será embarcar com toda
essa grana!
PSV
Dez dias depois da chegada de Egídio e Catarina Paranhos, e de
muitas reuniões para discutir os detalhes
da instalação italiana sobre o Renascimento, estava tudo pronto e
brilhantemente registrado no trabalho fotográfico
de making off de Beto.
A abertura da mostra, na próxima segunda-feira, contaria com a
presença de críticos de arte e
convidados, permanecendo na galeria por trinta
dias, aberta ao público de quarta a domingo das 10h às 17h. Estavam
previstas visitas coletivas de ONGs assistenciais que já mantinham parceria com
a galeria, de outros eventos. Escolas
também estavam na lista, a começar pela
escola onde estudava Alex. Estagiários e estudantes atuariam como
monitores, explicando o período renascentista da Arte. Após os trinta dias a mostra seguiria para Buenos Aires e
passaria por toda a América Latina e
México.
- Claude, está sendo um prazer imenso trabalhar com você
e sua equipe. Porque você não
parece ter funcionários e sim parceiros.
– Comenta Beto.
- Concordo contigo. Formamos uma grande família. E por falar
em família, vão nos dar licença mas está
na hora de pegarmos nossa pequena na escola. Vamos, chèrie?
- Vamos sim. Boa noite
a todos. – Diz Rosa deixando a sala com Claude.
- Foi uma grata surpresa a história deles. – Comentou Egídio.
- A vida é uma imensa caixa se surpresas, não e mesmo? –
Emenda Liz sorrindo.
- O importante é que se reencontraram e estão felizes. E o amor,
venceu mais uma vez.
- Ainda precisam de minha ajuda ou de Sérgio? – Pergunta
Janete
- Não, querida. Podem ir para com a lição feita e com louvor.
– Responde Liz.
- Acho até que podemos todos ir
senhoras e senhores. – Diz John, levantando-se da mesa de reuniões e sendo
imitado por todos.
- Porque não
encerramos a sexta-feira com um happy hour? – Sugere Beto.
- Porque não? – Concorda Liz - Tem um restaurante a poucas quadras daqui que oferece esse serviço
também e...
PSV
Cheia de história e cultura, Barcelona onde Roberta estava desempenha um papel importante no cenário
europeu e pelas ruas isso torna- se evidente e visível em vários exemplos
góticos e modernistas estampados em prédios e monumentos.
A obra mais famosa e simbólica da cidade é de autoria de
Antoni Gaudí: A Igreja Sagrada Família
iniciada em 1883, a mais importante do movimento modernista na Catalunha.
O local está em obras até hoje e fala-se em 2026 como ano de
conclusão, mas ninguém garante. Mesmo inacabada, é surpreendente!
O Museu Pablo Picasso, localizado no núcleo histórico, expõe
mais de 3.600 obras de arte, correspondentes à época de formação e juventude do
pintor.
Já a Fundació Joan Miró – primeiro museu de arte contemporânea
da cidade de Barcelona expõe uma coleção com mais de catorze mil obras, entre pinturas, esculturas, cerâmicas,
desenhos, além de mostras itinerantes.
A Espanha é assim. Um
país onde todo turista vai embora pensando em voltar.
- Mas você não é uma
turista, Roberta! – Falou jogando a revista
sobre a mesa que sustentava o guarda-sol e deixando a piscina do hotel.
Enquanto tomava banho
refletia. Precisava encontrar uma jeito de ir ao Brasil levando o dinheiro. Mas
como passar pelo raio X, se ser detectada? Toda essa quantia
levantaria suspeitas...
Mas que droga, não podia nem queria depositar em sua conta. Como explicaria a origem dele?
Já arrumada desceu na intenção de almoçar no próprio hotel.
No elevador conferiu suas mensagens. Cinco
dias e nenhuma resposta das agências de viagem. Claro que poderia
comprar sozinha pela internet,
mas isso deixaria rastros já que teria
que usar o cartão de crédito.
Irritada, fez uma chamada para a unidade de Barcelona da agência que
mais usava. Já suspeitava até que Louise
estivesse por trás dessa demora toda em arranjarem um lugar em algum voo para
o Brasil.
O elevador chegou ao térreo e ela soltou uma exclamação
desaforada ao sair dele.
- Mas que m...! Será que ninguém trabalha nessa cidade?
Então ao baixar o braço com o celular notou seu brinco
caindo. Abaixou-se para pega-lo e ao erguer-se colidiu frontalmente com alguém.
- Algum problema, señorita? – Ouviu uma voz
grave lhe perguntar.
- Oh, me desculpe... –
Falou ao recompor-se, tendo uma grata surpresa.
- Roberta?! Dios,
há quanto tempo não nos víamos! O que em
Barcelona a fez exaltar-se assim?
- Antônio! – Exclamou correspondendo ao cumprimento dele. –
Oh, que vergonha, ignore a minha grosseria de
instantes atrás. É que estou tentando falar com uma agência de viagens há quase uma hora
e ninguém atende.
Antônio puxou a manga do casaco conferindo a hora e Roberta não deixou de
observar a marca e o modelo do relógio de luxo que ele usava.
- Querida mía, são
duas da tarde e você está na Espanha.
- E...? – Perguntou
sem entender.
- E é hora da famosa siesta
espanhola. A maioria dos estabelecimentos comerciais faz uma pausa para o
almoço, com uns minutinhos a mais de descanso.
- Mas que cabeça a minha, esqueci completamente desse
costume de vocês! Está
hospedado aqui?
- Sim. Cheguei a pouco de Madri. Tenho um encontro comercial mais tarde. Já
almoçou?
- Não, estava justamente me dirigindo ao restaurante.
- Ótimo. Aceita companhia?
- Claro que sim.
Fizeram os pedidos e Antônio pediu uma garrafa de El Pison, um dos melhores
vinhos espanhóis. Conversaram
sobre vários assuntos, menos sobre
suas vidas particulares. Já
estavam no café quando Antônio a questionou:
- Mas então, qual o seu problema com aquela agência de viagens?
- Oh, acredita que há
cinco dias tento efetuar a
reserva de uma passagem ao Brasil e não consigo retorno?
- Não me diga que está
indo para abertura da mostra de arte
renascentista na galeria que
Claude adquiriu...
- Exatamente isso! – Concordou tentado não demonstrar surpresa diante do que escutara.
- Mas que coincidência
Meus pais e eu estaremos indo para lá em dois
dias. Eles querem retribuir a visita de amigos que por sinal eram
os donos dessa galeria. Eles continuam como conselheiros e gentilmente
nos convidaram. Poderia nos acompanhar.
- Bem, Claude não me convidou exatamente. Mas estou indo dar
o meu apoio a ele, já que Louise não o fará. –– Afirmou Roberta rapidamente
- Se me passar o
número do voo e eu conseguir que
a agência me atenda, será um prazer.
- Não vai precisar de agências Roberta. Minha família dispõe
de um jatinho particular por conta das
inúmeras viagens a negócios.
- E eles não ficariam chateados por você me dar essa carona?
- Claro que não. – Responde Antônio seguro. - Ele tem capacidade para levar seis pessoas e funciona como um confortável escritório entre os voos que
fazem pelo mundo da Arte afora. Vai se
sentir em casa!
Roberta terminou seu café sentindo-se imensamente grata ao
universo. Seu dinheiro continuaria a salvo.
PSV
Claude abriu a porta e Alex entrou correndo direto para o
banheiro com um livrinho na mão, ao mesmo tempo em que pedia:
- Me espera que eu quero “ajudá” no bolo, mamãe!
- Então lave direito suas mãos, hã? – Retrucou Claude - As duas! – Recomendou em seguida.
E ajudou Rosa com as
sacolas do supermercado, levando-as até a cozinha.
- Ainda bem que existem mercados abertos vinte e quatro horas.
- Comentou Rosa tirando os
produtos das sacolas.
- Devia ter pedido ajuda a Dadi, chèrie.
- Seria injusto pedir
a ela que desmarcasse sua saída com Joana. Além do mais compramos
tudo pronto. Só o bolo que eu mesma quero fazer.
- D’àccord. O chá é as cinco? – Pergunta Claude
- Humhum às cinco. – Responde Rosa.
- Pensei que esse horário fosse só para ingleses...
- É dos italianos também. Eu perguntei a eles para não dar bola
fora, hum?
Era domingo e haviam marcado um lanche da tarde com Egídio e
Catarina, o que se transformou em uma quase recepção vespertina, pois
todos faziam questão de participar.
- Você nunca dá bola fora, hã? – Afirma Claude guardando um
produto no armário. - Viu como foi bom fazermos essa troca? – Questiona em
seguida. - Não precisamos mais andar de
uma casa para outra...
- Mas muita coisa ainda ficou no meu apartamento.
- Agora o apartamento
é de Nara, hã?
- Pobre Nara, saiu perdendo. Seu apartamento é muito mais
confortável que o meu.
- Tenho certeza que
nem ela, nem Frazão estão ligando para isso. – Argumentou Claude enlaçando-a
pela cintura e girando meia volta em torno de si mesmo.
- Humhum, estão mais preocupados com Sergio e Janete... –
Conseguiu falar Rosa entre os carinhos que ele fazia com os lábios dele nos
seus.
- E a preocupação parece recíproca, chèrie... – Continuou
Claude deslizando seus lábios para a lateral do pescoço de Rosa.
- Você tem algo contra?
- Não, porque teria? – E insistiu nas carícias, alcançando o
ouvido dela, sentindo-a estremecer em seus braços.
- Claude...
- Mamãe eu preciso de ajuda! – Escutaram então.
- Estou indo meu bem! – Respondeu Rosa tentando se soltar.
- Por que ela não demorou mais cinco minutos, hã? – Resmungou Claude
soltando-a.
- Será muito pior se tivermos um bebê, ok?
- Non, você non vai me fazer desistir dizendo isso, chèrie!
- Mamãe!
- Estou a caminho, filha! – Respondeu sorrindo para Claude –
Separa os ingredientes do bolo, amor?
Minutos depois, Janete chegava com Sérgio, para ajudar nos
preparativos. Traziam um vinho nacional
e alguns petiscos tipicamente paulistas.
Frazão e Nara chegaram quando o bolo estava sendo coberto com o chocolate.
Faltavam quinze minutos para as cinco e a mesa já estava
posta. Foi quando John e Liz chegaram
com Egídio e Catarina. O lanche foi sendo saboreado em clima descontraído
e volta e meia Alex se
tornava o centro das atenções com
suas observações espontâneas
principalmente ao explicar à Catarina como se fazia o bolo de cenoura. E
foi elogiada por seu comportamento tão
maduro para uma garotinha de quatro
anos. E resolveu explicar porque já era
uma mocinha.
- É porque eu vou
“fazê” aniversário de cinco “ano” logo, logo, no mesmo dia do meu papai! Só que
ele, ele não vai “fazê cinco ano” não.
“Quantosano” você vai “fazê” papai? – E olha para Claude.
Mas o som da campainha faz Alex mudar o interesse momentâneo.
- Deve ser a Dadi! – Exclama descendo da cadeira - Eu “vô abri” a porta pra ela!
Mesmo sabendo que Dadi tinha a chave do apartamento, Claude deixou que Alex fosse. Talvez Dadi tivesse esquecido a chave, pois não esperavam visitas. Rosa,
porém, foi atrás da filha.
Alex abriu a porta em menos
da metade falando:
- Ainda bem que você
“chego”! O bolo tá quase acabando... –
Mas calou-se ao deparar com uma pessoa estranha a sua frente.
- Mon Dieu, será que este
não é o apartamento do Claude...
- É sim, ele é o meu papai! – Explica inocentemente Alex. –
Papai tem uma moça chamando você! – Fala mais alto dando um passo atrás
esbarrando nas pernas de Rosa.
- Quem está ai, filha? – Pergunta ela abrindo a porta um
pouco mais.
- Você? – Exclama sentindo um calafrio profundo na alma.
- Quem está me procurando Alex...? Pergunta Claude atraído
pela fala de Alex, abrindo a porta por inteiro. - Roberta... O que faz aqui?
PSV
Continua






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