PSV
Depois de se
cumprimentarem, Janete servia café aos Smith e explicava a ausência de Rosa àquele horário.
- ...E então ela achou
melhor ficar com Alex pela manhã, já que
Sílvia entraria em férias. Sei que estão ansiosos para vê-la, mas eu acredito
que ela não venha hoje. Terça-feira ela
saiu mais cedo por conta das crises de tosse e espirros que tem tido há dias e
ontem nem apareceu...
- E com certeza não foi ao médio ver isso...
- Estava tomando antialérgicos por conta
própria.
- Sabemos como ela é teimosa nessas questões... – Observou John - Bem, nos resta cumprimentar apenas Claude antes
de sua consulta, Liz.
- Estão sem sorte hoje... Claude é sempre pontual, mas hoje ainda
não chegou. Desconfio que foi ao posto da Polícia Federal, ele está com problemas na emissão do visto permanente.
- Deve estar
relacionado com a emissão de novos passaportes. Ouvimos no noticiário
sobre o atraso nas entregas.
- Tomara que seja isso
mesmo. – Diz Janete.
- Well, Afrânio mudou sua
clínica a algumas quadras daqui, Janete. Então, se minha consulta também
não atrasar, passaremos aqui na volta não é John?
- Yes, darling. –
Responde ele dando o braço à Liz. – Pode
nos adiantar algo sobre a exposição
italiana, Janete? – Pede enquanto caminham para a saída.
- Oh, está tudo bem
adiantado, John. A maioria das peças
já chegou e a partir da próxima semana
serão montadas. Egídio e Catarina querem estar presentes nesse processo – E esticando o braço, apanha
um catálogo em cima de sua mesa. – Levem
o catálogo com as informações, Sérgio foi o idealizador dele.
- Oh, obrigado Janete. E até mais tarde, querida! - Agradece Liz.
- Até depois. – Despede-se
Janete, voltando a sua mesa em seguida, pensando se deveria ou não ligar para Rosa e Claude. Confirmou a hora: pouco mais de dez e trinta.
Achou prudente aguardar um pouco mais.
PSV
Louise assinava os papéis a sua frente quando
ouviu a voz da secretária pelo
interfone:
- Senhora Geraldy, o senhor Bernard na linha cinco.
- Passe imediatamente. – Respondeu seca, pegando o fone.
- E então, conseguiu falar
com ela?
- Não. Ela não atendeu a nenhuma de minhas ligações e agora seu número aparece como inexistente.
- Dieu, será que preciso ensinar o básico a você? Tente o
fixo, a revista onde ela trabalha e
até a casa do pai dela!
- Não, você não precisa
me ensinar, Louise. – Afirmou Bernard confiante - Eu fiz
melhor que isso. Fui pessoalmente a todos esses
lugares e outros mais. O pai não fala com ela
há cerca de quatro dias, desde que ela o avisou que de
suas férias da revista.
Porém o porteiro do prédio disse que ela saiu hoje pela manhã no horário de sempre.
- Maldita, temos que
encontra-la, descobrir o que pretende e
evitar que consiga a qualquer custo!
- Não acha que se
ela quisesse nos expor já o teria feito?
- É justamente isso que me
preocupa. Esse silêncio todo é suspeito demais Bernard. Peça ajuda aos seus amiguinhos e localize-a.
Eu financio. – Concluiu encerrando a
ligação.
PSV
Rosa agradeceu a compreensão da coordenadora e encerrou sua ligação voltando a atenção para a voz de
Claude, também ao celular.
- Ouí, Dadi. Você
estava certa. Satisfeita em ouvir
isso? (...) Não estou sendo mal
criado, hã? – Falou e virou-se, sorrindo
para Rosa (...) - Não, nós não discutimos. Esclarecemos tudo em
uma conversa amigável. (...) Voilà, eu tenho certeza que Rosa também gostaria
de falar contigo mas ela adormeceu logo depois de tomar o remédio... –
Falou fazendo uma careta ao ver a expressão
de desaprovação de Rosa. (...) D’àccord, eu direi... Ouí, devo ir mais tarde,
preciso tomar um banho e trocar de roupa. Merci, Dadi. (...) Adieu.
- Que coisa mais feia mentir para Dadi! – Exclamou Rosa.
Claude guardou o celular no bolso e sentou-se ao lado dela na
cama.
- Eu não menti. Preciso mesmo de um banho e roupas limpas... – Falou bem humorado.
- Se quiser procuramos por algo que te sirva no meu guarda
roupas e você toma banho aqui.
- Hummm... Não seria
nada mal tomar banho contigo – Retrucou
ele - Mas creio que sua calcinha não é o meu número.
- Bobo! - Respondeu
Rosa mordendo o lábio inferior enquanto ele
beijava suas mãos.
- Dadi “alugaria” você
por um longo tempo, hã? – Explicou acariciando-a pela face -
E nós temos tanto a
falar ainda...
- Quase seis anos para
por em dia. – Sussurrou Rosa.
- Faremos isso um pouquinho
por dia... Ou por noite. –
Respondeu ele inclinando a cabeça, beijando-a
por alguns segundos na lateral do pescoço, bem perto da orelha.
Notou o tremor imediato do corpo de Rosa e sua aceitação ao carinho quando as mãos dela
entraram sob seu blazer e arranharam suas costas.
Suavemente deslizou os lábios para o queixo. Estava quase tocando os lábios de Rosa quando
ela desviou a cabeça tossindo.
- Droga, desculpa! – Exclamou parando de tossir – Acho melhor
não me beijar mais ou pode ficar doente
também...
- Eu acho melhor
correr o risco – Afirmou Claude puxando-a gentilmente de volta a
si - Não tenho nada contra ficar na cama contigo – Falou antes de sentir os
lábios dela entre os seus.
- Mamãe a tia Janete “qué
fala” com você... – Fala Alex entrando no quarto com o telefone sem fio na mão - Ih, ela tá “bejando” o meu papai, tia Janete! – Exclama vendo
Claude e Rosa se afastarem e sorrirem um
para o outro.
PSV
Roberta pegou a xícara de
chá e foi até a janela. Do alto
do terceiro andar observou a rua e o entorno do hotel, sentindo-se a agente do DPSD [Direção de Proteção e da Segurança e
Defesa], uma das
agências de espionagem francesa.
Quem pensaria em procura-la no hotel onde aconteceram os encontros de Louise
e Bernard? Nem mesmo os dois teriam essa ideia!
Imaginou que Louise deveria ter torcido o nariz na primeira
vez que ali entrou. Exatamente
nesse mesmo quarto. Fez questão de ficar nele por aquele dia.
Incrível o que o sexo podia
provocar e comprar das pessoas, pensava ao admirar a qualidade dos
móveis e das paredes do quarto, sem qualquer
traço de luxo, e na cama desfeita de onde o gerente
havia acabado de sair depois de uma noite muito agradável.
Quando aquele jornal estivesse nas ruas o dono
do hotel iria agradecê-la tamanha
notoriedade que teria.
Paparazzis, imprensa marrom, e até mesmo mídias
mais sérias veiculariam imagens
dele. Poderia até lucrar e dar um “up” geral no
hotel. Quem sabe até mesmo virasse cenário de um filme “baseado em
fatos reais” ponderou com um sorriso
sarcástico.
Um toque na porta fez
com que voltasse sua atenção a ela. Quatro batidas conforme o
combinado e em seguida um envelope
passou por debaixo da porta.
Largou o chá e abriu o
envelope, ansiosa.
- Perfeito! – Murmurou observando a manchete que estamparia a
página de capa do jornal.
– Louise, você nunca esteve tão
bem numa
foto, querida!
Dobrou o exemplar de número “000” e guardou-o na mala
entreaberta. Então enfiou a mão no fundo
do envelope procurando algo mais.
- Aqui está você! – Exclamou encontrando uma chave – Sabia que você
vale vinte mil euros, queridinha? Todos meus! – Concluiu guardando a
chave em sua bolsa.
Então terminou o chá já
quase frio e em seguida fechou a mala.
- Hora de partir. – Disse a si mesma ajeitando a peruca em
frente ao espelho e colocando os
óculos escuros. – Você está irreconhecível, Roberta!
Loira e Chanel. Porque cautela nunca seria
demais para quem conhecesse os métodos
de Louise Geraldy.
PSV
- Eu não disse? A partir de agora passe a confiar mais em minha intuição, Sérgio! - Afirmou
Janete enquanto almoçavam na cozinha da galeria.
- Mas é claro que sim, Janete! A propósito, se tiver os números
da mega sena, por favor, não hesite em passa-los!
- Pois vá debochando
dessa minha capacidade de prever as
coisas!
- Não estou debochando. Você às vezes acerta mesmo. –
Diz servindo-se de mais
suco - Mas como ficará a situação da galeria agora?
- Estou mais interessada em saber como ficará a situação entre eles a partir de
agora. E já ouço sinos
tocando para um casamento.
- Vai contar a John e Liz?
- Não. É um assunto particular de Rosa, embora ela não tenha pedido segredo. Nem falei a ela que eles
estiveram aqui. Eles tem que
aproveitar todo o tempo disponível. Só comentei
com você porque já havíamos trocado algumas ideias.
- Alex deve estar numa
felicidade só. - Disse Sérgio, sorrindo.
- Está eufórica, segundo Rosa. Tanto que nem a mandaram a
escola hoje para poder curtir o momento.
- Então brindemos a felicidade deles! – Exclamou Sergio erguendo o copo de suco.
- E a nossa também! E que ela
venha a jato para não demorar
muito!
PSV
Rosa voltou a sala trazendo
consigo uma caixa de lenços de papel e vestindo uma
blusa de frio. Estivera tão bem pela manhã, perto dos dias
anteriores, e agora sentia-se esgotada. Devia ter seguido o conselho de Claude e deixado a
louça do almoço pra depois, pensou sorrindo ao lembrar da
maneira como fizeram aquele simples
macarrão parecer um banquete.
Sentou-se no sofá
observando Claude e Alex. E a bagunça generalizada no tapete da
sua sala.
Alex havia desfilado com
os tamancos e um vestido seu. Os
livros de pintar estavam espalhados pela
mesinha de centro, que já não estava mais no centro e alguns lápis de colorir jaziam
embaixo dela. E a TV estava ligada em algum canal de filmes infantis.
Mas como ralhar com a
filha vendo a alegria estampada em seu olhar?
- Não tá certo! –
Falou Alex olhando as letras que Claude acabara
de digitar no celular.
- Claro que está pequena: A-N-T-O-N-I-O, Antonio.
- Não tá não, tá faltando o chapeuzinho em cima dessa letrinha aqui, ó! – Explicou-se,
apontando a letra O ao lado do T.
- E como é que
você sabe disso?
- Papai, você esqueceu que eu
já tô na escola? A gente tem uma
listinha com o nome de todo mundo. Eu
sou a primeira depois vem o meu amiguinho, ele chama Antônio e o dele tem.
Então o seu tem que ter também!
-D’àccord. – Concordou Claude - Vamos
colocar um chapéu na letra O então... – Falou Claude voltando e acrescentando o acento circunflexo.
- Agora você pode “escreve” em francês?
- Ouí, claro que posso. – Respondeu escrevendo e falando com pronúncia
francesa ao mesmo tempo.
- Antuan! – Repetiu Alex
rindo sem parar. – Isso é muito engraçado! Mas é “bunitinho”, eu
gostei...
- Gostou, não é? – Falou Claude fazendo cócegas nela – Quero
ver se sabe escrever seu nome, hã?
- Sei sim, “que vê”? Eu aprendi direitinho... – Respondeu
pegando o celular e escrevendo seu nome.
E sei “fazê” o da mamãe também.
- Voilà, parabéns! – Disse Claude quando ela devolveu o
celular. - Por que não
assistimos um pouco de TV agora, hã? - Sugeriu ao lançar um olhar para Rosa. Era
claro que ela se esforçava para parecer
bem.
- Tá. Você deita
comigo no sofá? Você e a minha mamãe, um de cada lado... – Disse ajeitando-se no sofá, com a cabeça sobre as pernas da mãe.
Quando Claude sentou-se Alex esticou as pernas sobre ele.
- Como chama mesmo
ela? – Questionou olhando para a tela
da TV – Ah, é a Fiona, ela gosta
muiiiitão do Sherek mesmo ele sendo
diferente e verde... – Falou bocejando e piscando, tentando manter os
olhos abertos.
PSV
Situado ao sul de Recife, o Aeroporto Internacional do
Recife/Guararapes opera voos domésticos e internacionais vinte e quatro horas
por dia. Seu nome é uma alusão ao fato histórico da Batalha dos Guararapes
ocorrida no período colonial brasileiro sobre os morros de mesmo nome, situados
em sua lateral oeste.
Nara estava cansada de esperar pelo voo de conexão à São Paulo, mas impressionada com a beleza da paisagem apreciada durante a
aterrissagem e agora, de dentro do saguão do aeroporto.
- O Brasil é
mesmo lindo, Nara.
- Não tem saudades de morar
aqui?
- Tenho. Mas não posso
reclamar da vida que construí na França. Devo muito a seu
irmão.
- Ele gosta muito de
você, Frazão. E confia na sua amizade. Mas se tem uma coisa
que o Claude preza, é ver as
pessoas das quais gosta felizes.
- Eu não disse
que sou infeliz.
- Por que nunca se
casou ou se envolveu seriamente com alguém?
- Por nenhum motivo especial, simplesmente não aconteceu...
Ainda, d’áccord?
Então ouvem o aviso de
chamada para o embarque a São Paulo.
- Voilà, finalmente! – Exclama Nara. – Agora
só falta o Claude atender uma de
minhas chamadas!
- É realmente estranho
ele não ter atendido a nenhuma de nossas ligações. – Observo Frazão
enquanto se dirigiam á fila do embarque. - Mais algumas horas e ele
poderá nos explicar isso pessoalmente.
PSV
Claude abriu os olhos e ergueu o tronco, apoiando-se nos cotovelos, com a sensação de estar perdido no tempo e de
ter dormido por horas
sem fim. Mas bastou olhar para o
lado ver Rosa e a sensação se esvaiu.
Voltou a deitar o corpo
e deixou a cabeça afundar no
travesseiro. Havia deitado ao lado dela
para descasar por alguns minutos e acabara dormindo, observou no celular.
- Mon Dieu! – Exclamou confirmando a hora e levantando-se em
seguida.
- Claude, o que foi?
- Desculpe acordá-la, hã? Eu esqueci completamente da reunião
com Elisabeth Smith!
- Reunião?
- Bem, não é exatamente uma reunião. Ela marcou um café para conversar comigo. Imagino que seja algo relacionado a
galeria. – O celular vibra – É ela! Alô (...) Não, não me esqueci, Liz. Estou
atrasado mesmo, mas... (....) Claro eu entendo, conversamos amanhã então, na
galeria mesmo – Diz olhando para Rosa – D’àccord. Uma
boa noite pra
você também.
- O que aconteceu? – Pergunta Rosa.
- Ela passou por uma consulta e o médico solicitou
que fizesse os exames na
própria clinica e ainda está lá.
- Espero que sejam apenas
exames de rotina. O que foi? Ainda parece preocupado.
- Eu esqueci de outra
coisa... – Responde olhando para o celular – Minha irmã e Frazão devem
estar chegando a São Paulo.
- Então deve ir busca-los.
- Eu tenho uma ideia melhor. Acordamos Alex, vocês se arrumam
e vamos juntos até o aeroporto.
PSV
Rosa espalhou manteiga
no pão quentinho e o entregou a
filha. Haviam passado a
noite no apartamento de Claude depois de
sua crise de tosse após o jantar e agora estavam todos
à mesa, saboreando o café da manhã e o
bom humor de Alex, a maior surpresa para Nara e Frazão.
Alex se divertia com a
pouca fluência de Nara no português e o sotaque
carregado ao falar. Mas nada
disso foi impedimento de se entenderem.
Nara estava feliz por Claude e Rosa terem se encontrado e esclarecido tudo, e ainda mais horrorizada com a maldade da mãe e de Roberta aos separa-los.
- Por que será que o Claude
está demoran... Ah, aí está ele. -
Falou Rosa vendo-o cruzar a sala.
Viu quando ele pegou o controle para desligar a TV e no
instante seguinte desistir, aproximando-se da TV.
- Mon Dieu, mas o que
é isso? – Exclamou sério, atraindo a
atenção de todos.
Rosa, Nara e Frazão em segundos estavam ao seu lado. O apresentador do telejornal
tecia um comentário sobre o mais recente escândalo na França, enquanto exibia a imagem de um jornal impresso com fotografias de Louise e Bernard.
“Os parisienses da Frente Nacional (FN) de Louise Geraldy,
que prometia com seu candidato representar um perigo real à oposição na próxima
eleição tem um problema para resolver.
Bernard Dardeau, considerado um politico modelo pode perder uma fatia
significativa do apoio a sua
candidatura depois desse escândalo. Procurados pela nossa reportagem,
Louise e Bernard não quiseram gravar entrevista. Nara, filha de Louise Geraldy,
não
foi encontrada pela nossa produção.”
- Mon Dieu, as
fotos vazaram... – Comentou
Frazão.
- Melhor dizer que alguém as vendeu a esse jornal... –
Observou Claude.
- Roberta! – Exclamou Nara. –Só pode ter
sido ela!
PSV
Beto fechou a última janela aberta de um portal francês de
notícias. Aquela louca da Roberta havia
vendido suas fotos e elas agora
estampavam um jornaleco sensacionalista de quinta categoria.
Por sorte não seria incomodado nem ligado ao caso, pois não havia como identificar que eram suas. Fotos dessa natureza nunca levavam
sua marca. Evitava confusão, pensou
fechando o notebook.
Minutos depois deixava o quarto do hotel para curtir a praia ensolarada de Copacabana. Não era todo dia que podia desfrutar de um fim de semana no Rio de Janeiro.
PSV
Claude e Frazão passaram
boa parte da manhã em contato com
amigos, principalmente Gurgel para se inteirar
da repercussão do escândalo e até que ponto os negócios da família seriam afetados.
A maioria dos
noticiários questionava se o recente e súbito afastamento político de Claude
não seria pela descoberta do
comportamento da mãe, “aliás madrasta”, enfatizavam ao citar Louise. Outro, em tom de
alerta e suspeita deixavam no ar a dúvida, se este não seria apenas a ponta de
um imenso e catastrófico iceberg.
Nara e Frazão recusaram o convite de Claude de irem a galeria
naquele dia. Preferiam descansar, pois
ainda estavam com o corpo dolorido
da longa
viagem e a cabeça estranhando o
fuso horário.
Já Alexandra insistiu em ir para a escola. E Claude insistiu em acompanha-las e conhecer a
escola, além de se apresentar oficialmente
como pai de Alex à equipe
gestora.
Formalidades resolvidas, foi conhecer a professora e se despedir de Alex. Ao sair escutou as últimas
palavras da filha à professora:
- Professora você
sabia que o meu papai sabe “faze” can-gu-ru
de massinha? Ele veio lá da França
pra ficar comigo e com a minha mamãe e o
nome dele em francês não é Antônio é “Antuan”...
PSV
- Isso tudo é culpa sua! – Falou Louise exaltada batendo o
jornal com força contra a mesa. - Tem ideia do que isso significa para os
nossos planos?
- Minha culpa? Você
nos colocou nessa situação com sua
compulsão por sexo, Louise.
- Minha compulsão? Querido não fui eu quem dormiu com duas ao mesmo tempo.
- E como eu poderia adivinhar que Roberta era ciumenta?
- Não é hora de
piadinhas, Bernard. Precisamos de uma explicação convincente que satisfaça a
opinião popular e coloque a mídia a
nossa favor.
- Você é a especialista em soluções. Foi você quem me convenceu a ser candidato e a casar com Nara. Por falar nela,
não está reocupado com a reputação dela depois de tudo isso?
- E porque estaria? Nesses
casos de traição a parte ofendida sempre é vista
como vítima. Além do mais, ela
foi para o Brasil, então uma
preocupação a menos para nós...
- E quanto a Roberta,
o que faremos? Nossos
“colaboradores” não encontraram nem sinal dela. Não há registro de passagem aerea,
mas é óbvio que ela saiu daqui.
- Eu podia jurar que
ela o convidaria a ir com ela...
- Não, eu a decepcionei quando não a defendi de você.
- Foi uma ótima escolha, Bernard. Um bom político não pode se casar com qualquer uma. Ter Roberta nesse
tipo de acordo seria literalmente
dormir com o inimigo, o que ela
provou ser. Nara seria a mulher ideal para casar contigo... É isso! – Exclamou olhando
para a foto do jornal. – Casamento é a solução que procurávamos.
- Não me diga que
pretende ir ao Brasil e força-la a
voltar...
- Claro que não. Nara será
carta fora do baralho assim que declararmos que ela se
deixou envolver na história na intenção
de nos proteger justamente desse
tipo de maldade, pela nossa
diferença de idade.
- Posso saber exatamente o que está planejando?
- O nosso casamento, “mon amour”!
PSV
Assim que viu Rosa e
Claude entrando Janete correu ao encontro dos dois. Abraçou Rosa dizendo:
- Ah, eu estou tão feliz por
vocês! – E em seguida olhou para Claude – Posso? – Perguntou antes de
abraça-lo.
- Claro que sim, Janete! – Disse ele, aceitando o abraço.
- Rosa disse que você já sabia de tudo.
- Bem, que você era mesmo você, quer dizer, que você era o pai europeu de Alex só há alguns dias atrás embora eu tivesse minhas desconfianças.
- Algo urgente para
resolvermos hoje? – Indaga Claude.
- Com exceção de Liz e John a sua espera – Diz apontando para
a sala dele – Nada. Teremos muito
trabalho a partir de segunda com a chegada de Egídio e Catarina.
- D’àccord. Vamos lá
chèrie? – Pede olhando para Rosa.
- Acha conveniente que
eu vá com você?
- Ouí. Melhor esclarecermos
nossa história juntos. Não quero dúvidas ao amor que sinto por você.
- Contou alguma coisa
a eles, Jane?
- Não, isso é um assunto íntimo, particular seu. Eu não seria
indiscreta a esse ponto, embora
tenha contado ao Sergio. Mas isso
porque já havíamos conversado sobre a
semelhança entre Alex e Claude.
- Ok.
- Ah, Janete, só nos interrompa se for extremamente importante, hã? Eu creio que
a conversa vai ser longa.
- Sem problemas. Querem que eu leve água, suco ou café...?
- Água vai ser muito útil. Obrigada. – Responde Rosa antes de
se dirigirem a sala de Claude.
PSV
Continua
na
próxima semana





0 comentários:
Postar um comentário