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sexta-feira, 8 de julho de 2016

PSV/Capítulo 40

PSV




Depois de se  cumprimentarem,  Janete servia  café aos Smith  e explicava a ausência de Rosa àquele horário.
- ...E então ela  achou melhor  ficar com Alex pela manhã, já que Sílvia entraria em férias. Sei que estão ansiosos para vê-la, mas eu acredito que ela não venha  hoje. Terça-feira ela saiu mais cedo por conta das crises de tosse e espirros que tem tido há dias e ontem nem apareceu...
- E com certeza não foi ao médio ver isso...
- Estava tomando antialérgicos por  conta   própria.
- Sabemos como ela é teimosa nessas  questões... – Observou John -  Bem, nos resta cumprimentar apenas Claude antes de sua consulta, Liz.
- Estão sem sorte hoje... Claude é sempre pontual, mas hoje ainda não chegou. Desconfio que  foi  ao posto da Polícia Federal, ele está  com problemas na emissão do visto permanente.
- Deve estar  relacionado com a emissão de novos passaportes. Ouvimos no noticiário sobre o atraso nas entregas.
- Tomara que seja  isso mesmo. – Diz Janete.
- Well, Afrânio mudou sua  clínica a algumas  quadras  daqui, Janete. Então, se minha consulta também não atrasar, passaremos  aqui na  volta não é John?
- Yes, darling.  – Responde ele dando o braço à Liz. –  Pode nos adiantar  algo sobre a exposição italiana, Janete? – Pede enquanto caminham para a saída.
- Oh, está  tudo bem adiantado, John. A maioria  das peças já  chegou e a partir da próxima semana serão montadas. Egídio e Catarina querem estar presentes  nesse processo – E esticando o braço, apanha um catálogo em cima de sua  mesa. – Levem o catálogo com as informações, Sérgio foi o idealizador dele.
- Oh, obrigado Janete. E até mais tarde, querida!  -  Agradece Liz.
- Até depois. – Despede-se  Janete, voltando a sua mesa em seguida, pensando se deveria ou não  ligar para Rosa e Claude.  Confirmou a hora: pouco mais de dez e trinta. Achou prudente aguardar um pouco mais.



PSV



Louise assinava os papéis a sua  frente quando  ouviu a  voz da secretária pelo interfone:
- Senhora Geraldy, o senhor Bernard na linha  cinco.
- Passe imediatamente. – Respondeu seca, pegando o fone.
- E então, conseguiu falar  com ela?
- Não. Ela não atendeu a nenhuma de minhas  ligações e agora  seu número aparece  como inexistente.
- Dieu, será que preciso ensinar o básico a você? Tente o fixo, a  revista onde ela  trabalha e  até a casa do  pai dela!
- Não, você não precisa  me ensinar, Louise. – Afirmou Bernard confiante -  Eu  fiz melhor que isso. Fui pessoalmente a todos esses  lugares e outros  mais.  O pai não fala  com ela  há  cerca de  quatro dias, desde que ela o avisou que de suas  férias da  revista.  Porém  o porteiro  do prédio disse que ela  saiu hoje pela manhã no horário de sempre.
-  Maldita, temos que encontra-la,  descobrir o que pretende e evitar que  consiga a qualquer custo!
- Não acha  que se ela  quisesse nos  expor já o teria  feito?
- É justamente isso que me  preocupa. Esse silêncio todo é suspeito demais Bernard.   Peça ajuda aos seus amiguinhos e localize-a. Eu financio. – Concluiu  encerrando a ligação.



PSV



Rosa agradeceu a compreensão da coordenadora e encerrou  sua ligação voltando  a atenção para a  voz  de Claude, também  ao celular.
- Ouí, Dadi. Você  estava certa. Satisfeita em ouvir  isso? (...)  Não estou sendo mal criado,  hã? – Falou e virou-se, sorrindo para Rosa  (...) -  Não, nós não discutimos. Esclarecemos tudo em uma conversa amigável. (...) Voilà, eu tenho certeza que Rosa também  gostaria  de falar contigo mas ela adormeceu logo depois de tomar o remédio... – Falou fazendo uma careta ao  ver a expressão de desaprovação de Rosa. (...) D’àccord, eu direi... Ouí, devo ir mais tarde, preciso tomar um banho e trocar de roupa. Merci, Dadi. (...) Adieu.
- Que  coisa mais  feia mentir para Dadi! – Exclamou Rosa.
Claude guardou  o  celular no bolso e sentou-se ao lado dela na cama.
- Eu não menti. Preciso mesmo de um banho e   roupas limpas... – Falou bem humorado.
- Se quiser procuramos por algo que te sirva no meu guarda roupas e você toma banho aqui.
-  Hummm... Não seria nada  mal tomar banho contigo – Retrucou ele  - Mas creio que sua  calcinha não é o meu número.

- Bobo!  - Respondeu Rosa mordendo o lábio inferior enquanto ele  beijava  suas  mãos.





- Dadi “alugaria”  você por um longo tempo, hã? – Explicou acariciando-a  pela face -  E nós  temos  tanto a  falar ainda...
- Quase seis anos para  por em dia. – Sussurrou Rosa.
- Faremos isso um pouquinho  por dia...  Ou por noite. – Respondeu ele inclinando a cabeça, beijando-a  por alguns segundos na lateral do pescoço,  bem perto da orelha.
Notou o tremor imediato do corpo de Rosa  e sua aceitação ao carinho quando as mãos dela entraram sob seu  blazer  e  arranharam suas  costas.
Suavemente deslizou os lábios para o queixo.  Estava quase tocando os lábios de Rosa quando ela desviou a cabeça tossindo.
- Droga, desculpa! – Exclamou parando de tossir – Acho melhor não me beijar mais ou pode ficar  doente também...
- Eu acho melhor  correr o risco – Afirmou Claude puxando-a gentilmente  de volta a  si -  Não tenho nada  contra ficar na cama  contigo – Falou antes de sentir os lábios  dela  entre os seus.
- Mamãe a tia Janete “qué  fala” com você... – Fala Alex entrando no quarto com o  telefone sem fio na mão -  Ih, ela tá “bejando”  o meu papai, tia Janete! – Exclama vendo Claude e Rosa se afastarem e sorrirem um  para o outro.



PSV



Roberta pegou a xícara de   chá e foi até a janela. Do alto  do terceiro andar observou a rua e o entorno do hotel, sentindo-se a  agente do DPSD [Direção de Proteção e da Segurança e Defesa], uma das agências de espionagem francesa.
Quem pensaria em procura-la no  hotel onde aconteceram os encontros  de Louise  e Bernard? Nem mesmo os dois teriam essa ideia!
Imaginou que Louise deveria ter  torcido o nariz  na primeira  vez que ali entrou. Exatamente  nesse mesmo quarto. Fez questão de ficar nele por aquele  dia.
Incrível o que o sexo podia  provocar e comprar  das  pessoas, pensava ao admirar a qualidade dos móveis e das paredes do quarto, sem qualquer  traço de luxo, e na cama desfeita de onde o  gerente  havia acabado de sair depois de uma noite muito agradável.
Quando aquele jornal estivesse nas  ruas o dono  do hotel iria  agradecê-la tamanha notoriedade que teria.
Paparazzis, imprensa marrom, e até mesmo  mídias  mais sérias  veiculariam imagens dele. Poderia até  lucrar e dar um “up”  geral no  hotel. Quem sabe até mesmo virasse cenário de um filme “baseado em fatos  reais” ponderou com um  sorriso  sarcástico.
Um toque na porta fez  com que  voltasse  sua atenção a ela. Quatro batidas conforme o combinado  e em seguida um envelope passou por  debaixo da porta.
Largou o chá e abriu o  envelope, ansiosa.
- Perfeito! – Murmurou observando a manchete que estamparia a página de  capa  do jornal.  – Louise, você  nunca esteve tão bem  numa  foto, querida!
Dobrou o exemplar de número “000” e guardou-o na mala entreaberta. Então enfiou  a mão no fundo do envelope procurando algo mais.
- Aqui está você! – Exclamou encontrando uma  chave – Sabia que  você  vale vinte mil euros, queridinha? Todos meus! – Concluiu guardando a chave  em sua  bolsa.
Então terminou o chá já  quase  frio e em seguida  fechou a mala. 
- Hora de partir. – Disse a si mesma ajeitando a peruca em frente ao espelho e colocando os  óculos  escuros. – Você  está irreconhecível, Roberta!
Loira e Chanel. Porque cautela nunca   seria demais para quem conhecesse  os métodos de Louise Geraldy.  





PSV


- Eu não disse? A partir de agora passe a confiar  mais em minha intuição, Sérgio! - Afirmou Janete enquanto  almoçavam na  cozinha da galeria.
- Mas é claro que sim, Janete! A propósito, se tiver os  números  da  mega sena, por  favor, não hesite em passa-los!
- Pois vá  debochando dessa minha capacidade de prever as  coisas!
- Não estou debochando. Você às vezes acerta mesmo. – Diz  servindo-se  de mais  suco -  Mas  como ficará a situação da galeria  agora?
- Estou mais interessada em saber  como ficará a situação entre eles a partir de agora.  E já  ouço   sinos tocando para um casamento.
- Vai contar a John e Liz?
- Não. É um assunto particular  de Rosa, embora ela não tenha  pedido segredo. Nem falei a ela que eles estiveram aqui. Eles  tem que aproveitar  todo o tempo disponível.  Só comentei  com você porque já havíamos trocado algumas ideias.
- Alex deve estar  numa felicidade só.   -  Disse Sérgio, sorrindo.
- Está eufórica, segundo Rosa. Tanto que nem a mandaram a escola hoje para poder  curtir o momento.
- Então brindemos a felicidade deles! – Exclamou  Sergio erguendo o copo de suco.
- E a nossa também! E que ela  venha a jato para não demorar  muito!



PSV



Rosa voltou  a sala trazendo consigo uma caixa de lenços de papel e vestindo uma  blusa  de frio.   Estivera  tão bem pela manhã, perto dos   dias  anteriores, e agora sentia-se esgotada. Devia ter  seguido o conselho de Claude e deixado a louça  do almoço pra  depois, pensou sorrindo ao lembrar da maneira  como fizeram aquele simples macarrão parecer um banquete.
Sentou-se  no sofá observando Claude e Alex. E a bagunça generalizada no tapete  da  sua  sala.
Alex  havia desfilado com os tamancos e um vestido seu.  Os livros  de pintar estavam espalhados pela mesinha de centro, que já não estava mais no centro e alguns  lápis de colorir  jaziam  embaixo dela. E a TV estava ligada em algum canal de  filmes infantis.
Mas  como  ralhar com a  filha vendo a alegria estampada em seu olhar?
 - Não tá certo! – Falou Alex olhando as letras que Claude acabara  de digitar no celular.
- Claro que  está  pequena: A-N-T-O-N-I-O, Antonio.
- Não tá não, tá faltando o chapeuzinho em cima  dessa letrinha aqui, ó! – Explicou-se, apontando a letra O ao lado do T.
- E como é que  você  sabe disso?
- Papai, você esqueceu que eu  já tô na escola? A gente  tem uma listinha com o nome de todo mundo.  Eu sou a primeira depois vem o meu amiguinho, ele chama Antônio e o dele tem. Então o seu tem que ter  também!
-D’àccord. – Concordou Claude -  Vamos  colocar um chapéu na letra O então... – Falou Claude voltando e  acrescentando o acento circunflexo.  
- Agora você pode “escreve” em francês?
- Ouí, claro que posso. – Respondeu escrevendo e falando  com  pronúncia  francesa ao mesmo tempo.
- Antuan! – Repetiu Alex  rindo sem parar. – Isso é muito engraçado! Mas é “bunitinho”, eu gostei...
- Gostou, não é? – Falou Claude fazendo cócegas nela – Quero ver se sabe escrever seu nome, hã?
- Sei sim, “que vê”? Eu aprendi direitinho... – Respondeu pegando o celular e  escrevendo seu nome. E sei  “fazê” o da  mamãe também.
- Voilà, parabéns! – Disse Claude quando ela devolveu o celular. - Por que não assistimos um pouco de TV agora, hã? -  Sugeriu ao lançar um olhar para Rosa. Era claro que ela se esforçava para  parecer bem.
- Tá. Você deita  comigo no sofá? Você e a minha mamãe, um de cada  lado... – Disse ajeitando-se  no sofá, com a cabeça sobre as pernas  da mãe.
Quando Claude sentou-se Alex esticou as pernas sobre ele.
- Como chama mesmo  ela? – Questionou olhando para a tela  da TV – Ah, é a Fiona, ela  gosta muiiiitão do Sherek  mesmo ele sendo diferente e verde... – Falou bocejando e piscando, tentando manter os olhos  abertos.


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Situado ao sul de Recife, o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes opera voos domésticos e internacionais vinte e quatro horas por dia. Seu nome é uma alusão ao fato histórico da Batalha dos Guararapes ocorrida no período colonial brasileiro sobre os morros de mesmo nome, situados em sua lateral oeste.
Nara estava cansada de esperar pelo voo de  conexão à São Paulo, mas impressionada  com a beleza da paisagem apreciada durante a aterrissagem e agora, de dentro do saguão do aeroporto.





- O  Brasil é mesmo  lindo,  Nara. 
- Não tem saudades de morar  aqui?
- Tenho.  Mas não posso reclamar  da  vida que construí na França. Devo muito a seu irmão.
- Ele gosta  muito de você, Frazão. E confia na  sua  amizade. Mas se tem uma  coisa  que o Claude  preza, é ver as pessoas  das quais gosta felizes.
- Eu não disse  que  sou infeliz.
- Por que nunca  se casou ou   se envolveu seriamente  com alguém?
- Por nenhum motivo especial, simplesmente não aconteceu... Ainda, d’áccord?
Então ouvem o  aviso de chamada para o embarque a São Paulo.
- Voilà, finalmente! – Exclama  Nara. – Agora  só falta o Claude atender  uma de minhas  chamadas!
- É realmente estranho  ele não ter atendido a nenhuma de nossas ligações. – Observo Frazão enquanto se dirigiam á  fila  do embarque. - Mais algumas horas e ele poderá nos explicar isso pessoalmente.



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Claude abriu os olhos e ergueu o tronco, apoiando-se  nos cotovelos, com a  sensação de estar perdido no tempo e de ter  dormido por  horas  sem fim.  Mas bastou olhar para o lado   ver Rosa e a sensação se esvaiu.
Voltou a deitar o corpo  e deixou a cabeça afundar  no travesseiro.  Havia deitado ao lado dela para descasar  por alguns  minutos e acabara  dormindo, observou  no celular.
- Mon Dieu! – Exclamou confirmando a hora e levantando-se em seguida.
- Claude, o que  foi?
- Desculpe acordá-la, hã? Eu esqueci completamente da reunião com Elisabeth Smith!
- Reunião?
- Bem, não é exatamente uma reunião. Ela marcou um café para conversar  comigo. Imagino que seja algo relacionado a galeria. – O celular vibra – É ela! Alô (...) Não, não me esqueci, Liz. Estou atrasado mesmo, mas... (....) Claro eu entendo, conversamos amanhã então, na galeria mesmo – Diz olhando para Rosa – D’àccord.  Uma  boa  noite  pra  você também.
- O que aconteceu? – Pergunta Rosa.
- Ela passou por uma consulta e o médico  solicitou  que  fizesse os exames na própria  clinica e ainda  está lá.
- Espero que sejam apenas  exames  de rotina. O que  foi? Ainda parece preocupado.
- Eu esqueci de outra  coisa... – Responde olhando para o celular – Minha irmã e Frazão devem estar  chegando a  São Paulo.
- Então deve ir busca-los.
- Eu tenho uma ideia melhor. Acordamos Alex, vocês se arrumam e vamos juntos até o aeroporto.




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Rosa espalhou manteiga  no pão quentinho e o entregou a  filha.  Haviam passado a noite  no apartamento de Claude depois de sua  crise  de tosse após o jantar e agora estavam todos à mesa, saboreando o café  da manhã e o bom humor  de Alex, a  maior surpresa para Nara e Frazão.  
Alex se divertia  com a pouca  fluência de Nara no português e o  sotaque  carregado ao falar. Mas nada  disso foi impedimento de se entenderem. 
Nara estava feliz por Claude e Rosa terem se encontrado  e esclarecido tudo, e ainda mais  horrorizada com  a maldade da mãe e de Roberta aos  separa-los.
- Por que será que o Claude  está demoran... Ah, aí está ele. -  Falou Rosa vendo-o cruzar a sala.
Viu quando ele pegou o controle para desligar a TV e no instante seguinte desistir, aproximando-se da TV.
- Mon Dieu, mas  o que é isso? – Exclamou  sério, atraindo a atenção de todos.
Rosa, Nara e Frazão em segundos  estavam ao seu lado.  O apresentador do  telejornal  tecia um comentário sobre o mais recente escândalo na França, enquanto exibia  a imagem de um jornal impresso com   fotografias de Louise e Bernard.
“Os parisienses da Frente Nacional (FN) de Louise Geraldy, que prometia com seu candidato representar um perigo real à oposição na próxima eleição tem um problema para resolver.  Bernard Dardeau, considerado um politico modelo pode perder uma  fatia  significativa do  apoio a  sua  candidatura depois desse escândalo. Procurados pela nossa reportagem, Louise e Bernard não quiseram gravar entrevista. Nara, filha de Louise Geraldy,  não  foi encontrada pela nossa produção.”  
- Mon Dieu, as  fotos  vazaram... – Comentou Frazão.
- Melhor dizer que alguém as vendeu a esse jornal... – Observou Claude.
- Roberta! – Exclamou Nara. –Só pode  ter  sido ela!



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Beto fechou a última janela aberta de um portal francês de notícias. Aquela  louca da Roberta havia vendido suas  fotos e elas agora estampavam um jornaleco sensacionalista de quinta categoria.
Por sorte não seria incomodado nem ligado ao caso, pois não havia  como identificar que eram  suas.  Fotos  dessa natureza nunca  levavam  sua marca. Evitava  confusão,  pensou   fechando o notebook.
Minutos depois deixava o quarto  do hotel para curtir a  praia ensolarada de Copacabana. Não era  todo dia que podia desfrutar  de um fim de semana no Rio de Janeiro.



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Claude e Frazão passaram  boa  parte da manhã em contato com amigos, principalmente Gurgel para se inteirar  da repercussão do escândalo e até que ponto os negócios  da família seriam afetados.
A maioria  dos noticiários questionava se o recente e súbito afastamento político de Claude não seria pela  descoberta do comportamento da mãe, “aliás madrasta”,  enfatizavam ao citar Louise. Outro, em tom de alerta e suspeita deixavam no ar a dúvida, se este não seria apenas a ponta de um imenso e catastrófico iceberg.
Nara e Frazão recusaram o convite de Claude de irem a galeria naquele  dia. Preferiam descansar, pois ainda  estavam com o corpo dolorido da  longa  viagem e a cabeça  estranhando o fuso horário.
Já Alexandra insistiu em ir para a escola. E Claude  insistiu em acompanha-las e conhecer a escola, além de se apresentar oficialmente  como pai de Alex à  equipe gestora.
Formalidades resolvidas, foi conhecer a  professora e se despedir de Alex.  Ao sair escutou as  últimas  palavras  da filha à professora:
-  Professora você sabia que o meu papai sabe  “faze” can-gu-ru de  massinha? Ele veio lá da França pra  ficar comigo e com a minha mamãe e o nome dele em francês  não é Antônio é “Antuan”...



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- Isso tudo é culpa sua! – Falou Louise exaltada batendo o jornal com força  contra a mesa. -  Tem ideia do que isso significa para os nossos planos?
- Minha  culpa? Você nos colocou nessa situação com sua  compulsão por sexo, Louise.
- Minha compulsão? Querido não  fui eu quem dormiu com duas ao mesmo tempo.
- E como eu poderia adivinhar que Roberta era  ciumenta?
- Não é hora  de piadinhas, Bernard. Precisamos de uma explicação convincente que satisfaça a opinião popular e  coloque a mídia a nossa favor.
- Você é a especialista em soluções.  Foi você quem me  convenceu a ser candidato e  a casar com Nara. Por  falar nela,  não está reocupado com a reputação dela depois de tudo isso?
- E porque estaria? Nesses  casos  de traição a parte  ofendida sempre é  vista  como vítima. Além do mais, ela  foi para o Brasil, então uma  preocupação a menos para nós...
- E quanto a Roberta,  o que  faremos? Nossos “colaboradores” não encontraram nem sinal dela. Não há registro de passagem aerea, mas é óbvio que ela saiu daqui.
- Eu podia  jurar que ela o convidaria a ir com ela...
- Não, eu a decepcionei quando não a defendi de você.
- Foi uma ótima escolha, Bernard.  Um bom político não pode se  casar com qualquer uma. Ter Roberta nesse tipo de acordo seria literalmente  dormir  com o inimigo, o que  ela  provou ser. Nara seria a mulher ideal para  casar contigo... É isso! – Exclamou olhando para  a foto do jornal.  – Casamento é a solução que procurávamos.
- Não me diga  que pretende ir  ao Brasil e força-la a voltar...
- Claro que não. Nara será  carta  fora  do baralho assim que declararmos que ela se deixou envolver  na história na intenção de nos  proteger justamente  desse  tipo de maldade, pela  nossa diferença  de idade.
- Posso saber exatamente o que está planejando?
- O nosso casamento, “mon amour”!



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Assim que viu Rosa e  Claude entrando Janete correu ao encontro dos dois.  Abraçou Rosa dizendo:
- Ah, eu estou tão feliz por  vocês! – E em seguida olhou para Claude – Posso? – Perguntou antes de abraça-lo.
- Claro que sim, Janete! – Disse ele, aceitando o abraço. -  Rosa disse que  você já sabia de tudo.
- Bem, que você era mesmo você, quer  dizer, que você era  o pai europeu de Alex só há alguns  dias atrás embora eu tivesse minhas  desconfianças.
- Algo urgente para   resolvermos hoje? – Indaga Claude.
- Com exceção de Liz e John a sua espera – Diz apontando para a sala dele – Nada.  Teremos muito trabalho a partir de segunda com a chegada de Egídio e Catarina.
- D’àccord.  Vamos lá chèrie? – Pede olhando para  Rosa.
- Acha  conveniente que eu vá  com você?
- Ouí. Melhor esclarecermos  nossa história juntos. Não quero dúvidas ao amor que sinto  por você.
- Contou alguma  coisa a eles, Jane?
- Não, isso é um assunto íntimo, particular seu. Eu não seria indiscreta a esse ponto, embora  tenha  contado ao Sergio. Mas isso porque já havíamos  conversado sobre a semelhança entre Alex e Claude.
- Ok.
- Ah, Janete, só nos interrompa se  for extremamente importante, hã? Eu creio que a conversa  vai ser longa.
- Sem problemas. Querem que eu leve água, suco ou café...?
- Água vai ser muito útil. Obrigada. – Responde Rosa antes de se dirigirem a sala de Claude.



                                   PSV
  
                                Continua 
na 
próxima semana

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