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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

PSV/Capítulo 47

PSV


- Depois de analisar o local ficou óbvio  que  essa área toda,  não necessária à circulação ou serviços,  pode  e deve  ser usada em função das necessidades da galeria.
- Creio que  você  tem razão Carlos. – Diz John acompanhando o raciocínio do arquiteto ao olhar  o projeto sobre  a mesa – Se  fizermos essas  alterações teremos  mais espaço na área  de exposição.
- A  Athena já tem  ambiente agradável com muito senso estético.  E  com essas  alterações vai oferecer maior conforto a  seus  clientes, como os  banheiros que  sugeri.
- Seu projeto  todo é maravilhoso! – exclamou Liz – Passar  toda a administração e a sala de reuniões para  cima, adaptar  o porão  para sala para workshops, leilões estoque e armazenamento, irão facilitar a  nossa  vida.
- Para o bom desenvolvimento de um projeto todos os detalhes são relevantes John, e eu,  bem, devo  confessar que não  fiz  nada  sozinho. – e  sorriu. -  Claude e Rosa já  tinham muita   coisa  em mente quando me  procuraram. Eles querem que a Athena seja uma mais que uma opção de galeria para os artistas colocarem suas obras à venda.  A ideia da  “Caféleria” foi muito interessante.
 -  E foi uma  feliz  coincidência  de desejos. – interveio John -Voltamos  da Europa com essa sugestão  em mente. Uma cafeteria   atrai pessoas que  podem se  tornar um público cativo e multiplicador de  cultura.
- Pelo que entendi Claude  quer  mais que isso.  Ele quer fazer  parcerias com galerias internacionais, numa  espécie de intercâmbio de artistas.
- Yes! -  afirma  John – Sediar a exposição italiana abriu novas  oportunidades Temos duas  parcerias  a  vista, uma  espanhola e outra holandesa, por isso precisamos  da Athena remodelada, pronta para esses eventos.
- No que  depender  de mim e  da minha  equipe fiquem tranquilos. O  cronograma será  cumprido a risca! Deixaremos a Athena em um contexto estético espacial contemporâneo e equilibrado exaltando artistas e obras.
- Eu estou ansiosa para ver  o resultado final da iluminação projetada, e esses  vitrais insufilmados que filtrarão a luz solar, a grande  vilã para quadros e fotografias.
- Não podemos  deixar  de  falar  da   ventilação e  da solução que  você encontrou, preservando a estrutura do  casarão, tão caro à  Rosa.
-  Nada pode escapar aos designes, John!  Preservação é um dos objetivos maiores. O meu  pelo menos.  Preservar a nossa história, nossa cultura, nossas ideias e ideais, sem  deixar  de acompanhar a  evolução e...



PSV



Claude deixou a  sala da Imigração da  Policia Federal satisfeito,  feliz e  com  um novo protocolo.  Desta  vez  para requerer o visto permanente por união familiar, conforme orientação de Freitas, já que seu casamento  com Rosa  o tornava apto a isso.  

Com esses papéis e os  documentos  de Rosa e Alex em mãos, dirigiu-se  ao Consulado Francês na Torre Norte, Avenida Paulista. Elas teriam o mesmo  benefício na  França.





Foi ao  tomar  o elevador para  deixar  o prédio que o encontro aconteceu. Era o único ocupante  do elevador rumo ao  térreo, quando ele parou no sétimo andar.
- Olalá! Mas que deliciosa surpresa, encontra-lo sozinho. Como vai Claude?
- Ainda  no Brasil Roberta?  - perguntou Claude de  forma quase  rude. – Pensei que ao me  ver  feliz  com Rosa desistisse do seu sonho  de  ficar  comigo.
- Já devia  saber que não  sou de desistir dos meus  sonhos, querido. Tenho trinta dias de permanência ainda por aqui, e acabo de  prorroga-los  por  mais  noventa...
- Eu não a quis em dez anos, porquê acredita que  isso  vai mudar  em cento e vinte  dias?
- Porque eu  sou otimista. – responde  cinicamente - Muita coisa  pode acontecer nesse  tempo...
- Tem razão. – concordou Claude segurando a vontade de dizer que  sabia  das  intenções  dela. -  Podia aproveitá-lo melhor na França, quem sabe fazendo novos  planos  com Louise.
- Louise? Ela bem gostaria que eu o convencesse  a voltar. Era o sonho dela.  Mas Louise nem imagina que estou aqui. – diz ajeitando sem necessidade a  gola da  camisa e a gravata  dele - Talvez  gostasse de saber e fizesse  de  tudo para  me ajudar  a leva-lo de volta. Porém, eu não  sigo mais os  conselhos de sua  mãe.  – E descansa os braços  nos  ombros dele.
- Louise não é minha mãe. – Afirma Claude tirando os  braços  dela de si enquanto o elevador parava. –  Mas  você  faz muito bem em não seguir os  conselhos dela. No entanto, siga o meu, antes que se arrependa de fazer algo que não a leve a lugar  nenhum: Volte para a Europa e esqueça que eu, Rosa e minha  filha  existimos.
E abrindo   a porta do elevador saiu,   deixando-a a chama-lo insistentemente.



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Um local  de aparência rústica, mas sofisticada dava um charme especial e acolhedor ao resort.  A beleza do lugar certamente era a  integração e o contraste da construção humana com a natureza.



Cercado de  vegetação exuberante e muito bem cuidada. De um lado a Mata Atlântica, de outro o Oceano Atlântico e  sua  praia, com um lindo deck de frente ao rio.
 - Acho que eu vou voltar mais vezes – disse  Frazão apertando carinhosamente a mão de Janete, que mantinha entrelaçada a sua,  antes  de leva-la até os lábios.
- Não precisa mentir pra  tentar  me consolar. Eu sei que  estava aqui no Brasil apenas de passagem e teria que  voltar  a França  um dia.
-  Então devia saber que não estou mentindo. – retrucou Frazão parando de  caminhar e encostando-se na cerca que beirava a trilha  que  faziam. – Além do mais já pedi que  volte  comigo.




- Desculpe, não quis  dizer que é mentiroso...
 Frazão a puxou junto a si, abraçando-a.
-  Eu sei que não... Mas  precisa se decidir, Janete. Eu quero muito que venha  comigo.
- Eu também queria muito ir, mas  tem meu emprego na galeria...
- Embora  não seja minha área, tenho contatos  em pelo menos  dez galerias em Paris...
-  Tem a Rosa, Liz e John que tanto me ensinaram...
- Aprecio sua gratidão e lealdade meu bem, mas está na hora  de pensar  em você e em “nós”! Liz e John são felizes há anos, Rosa  reencontrou Claude e se acertaram. Não acha que podemos  ser  felizes  também?
- Acho que  já somos felizes.
- Voilà! Pois eu quero que seja mais feliz em Paris! Tenho certeza que Rosa e  todos  da galeria ficarão felizes por nós também.
- Você  tem razão. – diz Janete  erguendo a cabeça,  olhando-o nos olhos. - Assim que  voltarmos a São Paulo falarei  com todos que  decidi ser  feliz  contigo em Paris! - e o beijou.
- Isso, se conseguir me pegar, ok? – exclamou deixando-o e correndo pela  trilha por  alguns  minutos, até sentir os braços e mãos de Frazão enlaçando-a pela  cintura...



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Rosa  deu um tempo na  digitação das páginas que  Claude já  revisara e levantou-se, alongando os braços.
- Cansada? – perguntou Claude levantando os olhos  do papel que lia, mostrando que estava atento a ela.
- Não, só preciso me esticar  um pouco - justificou-se com um sorriso.
- D’àccord... – murmurou ele  de volta levantando-se e abraçando-a – Boa  tentativa de me enganar, hã? Vamos  concluir  esse  capítulo e encerramos  por hoje. Até porque temos mais  uma  semana de  folga!
- E depois muito trabalho à  vista para reorganizar as  coisas quando a reforma interior da  galeria terminar.
- Vai valer a pena, chèrie!
- Vai sim. – concordou ela – Eu  vou dar uma olhadinha na nossa  pequena, ouí?
- Ouí. E eu  vou espera-la com uma xícara  de café.
Rosa foi até o quarto da  filha. Antes  de chegar a  porta, escutou a música tema de Frozen, que ela  ouvia. Alex  estava tão concentrada em  seu livro de colorir que não a notou  na  porta. Achou melhor não a interromper e  voltou.
Saboreou o café ao lado  de Claude. Trocaram algumas ideias e voltaram a revisão  do livro.
Alexandra deixou o livro de lado e passou a jogar com o celular. Minutos depois desistiu do jogo e  abandonou  o celular. Olhou para  Serafina, sozinha  em  sua  cama. E do outro lado, o enorme canguru que  ganhara  do pai com seu filhote.  Pegou a boneca e  abraçou-a.
- Você tá  muito sozinha aí, Serafina. – afirmou andando até o canguru – Melhor ficar aqui com o Antônio, na  bolsinha dele.  – Eu “vô i” lá com a minha mamãe e o meu papai, tá?
Deixou o quarto e foi saltitando até  a sala que Claude e  Rosa usavam  como escritório.
- Mamãe eu  tô cansada  de  “fica”  em casa de férias, eu  queria “i brinca” lá  no parquinho! Quando a  Silvia  volta pra “i” comigo?
- Você não está de férias, querida! A escola  parou por  uns  dias para replanejar  suas  atividades – explicou  Rosa parando o  que  fazia,  olhando para Alex. -  E quanto a Silvia, ela ainda  está  cuidando do papai dela.
-  E por que eu não posso “i” sozinha  no parquinho? – questionou aproximando-se  da mãe.
- Porque  é perigoso. – responde Claude dessa vez.
- Mas eu não  “vô fala”  com nenhum estranho, só vou “brinca!”
– Pequena, é bom saber que não vai  falar  com estranhos. – elogiou-a. – Mas você ainda é pequena mesmo, hã? Pode cair, se machucar e não queremos isso, não  é chèrie?
-  Com certeza que não! Eu quero  você inteirinha pra encher  de beijinhos e muita “cosquinha”! – concordou Rosa, fazendo o que  falava.
- Ai, ai, ai... não, assim eu não aguento! – exclamava Alex,  rindo sem parar. – Socorro papai, salva  eu!
- Eu  vou salva-la, filha. – disse Claude roubando-a de Rosa e continuando  com as  cócegas e beijos.
- Ah, não, “moDiê”! Assim não vale, papai! – Falava Alex  entre as  risadas e tentativas inúteis de escapar.
- D’àccord... Por que não  vai  se preparar para ir ao parquinho comigo e  com sua  mãe? – Perguntou Claude encerrando a sessão tortura de  carinhos.
- Oba!!!!! – gritou Alex saltitando e batendo palmas. – Eu  vou no banheiro fazer  o número um...
- Não queria concluir esse capítulo hoje ainda? – Questionou Rosa quando Alex  já estava  distante.
- Já o adiantamos  bastante, hã? Precisamos recarregar  nossa bateria e nada melhor  que umas  horinhas brincando com ela.
Ficaram  com Alex  no play ground do prédio até o sol desaparecer completamente. Quando  voltaram, Rosa ajudou Dadi, pois  Nara e Sérgio viriam o jantar.
Enquanto isso Claude ajudava Alex no banho, mesmo tendo que  ficar  de costas  para  ela o tempo todo.



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Beto separou as fotografias por bairros e Cleide envelopou todas, subscrevendo-os, até chegar  ao último monte e  parar,  indecisa.
- Não tem medo de ser  considerado cúmplice, caso a garota seja  mesmo sequestrada?
- Claro que não! No que depender  do meu trabalho, isso não  vai acontecer.
- E essa  sua... amiga  francesa não desconfia de nada?
- Roberta não é  minha amiga, Cleide. Ela foi minha  cliente, num trabalho do qual me arrependo muito.
- Se refere as  tais  fotos daquela mulher que ela vendeu para o jornal...
- Principalmente. Sabe, devo  ter interferido na  vida  de muitas  pessoas, mesmo que indiretamente.
- Era o seu trabalho, era  contratado para  descobrir e  comprovar  fatos.
- Não era um trabalho decente. Acho que  por isso me empenho tanto em ajudar  a protegê-la – afirmou segurando uma  das  fotos  de Alex saindo  da escola.
Eram fotos de  vários  dias seguidos, nos mesmos horários e um carro em especial chamou sua atenção.  Não era o carro de Rodrigo. Sabia  da existência do segurança e nunca o enquadrava em suas  fotos. 
Tampouco parecia  ser de alguém a espera  do filho, já que nenhuma criança  se aproximava  dele. Espalhou todas as  fotos do monte sobre a mesa e algumas  outras descartadas.
- Por que está fazendo isso? – perguntou Cleide surpresa.
- Tem alguma  coisa  errada  aqui. – observou Beto – Está  vendo esse carro? Está em quase todas  as fotos, sempre  com os vidros fechados e nenhuma  criança  se aproxima dele... Com certeza é  do “sócio”  de Roberta!
- Não consegue ver  a placa?
- Do ângulo em que  está não... Serei mais atento na próxima  semana. Passarei a informação à Rodrigo e ele saberá  o que  fazer. – resolveu juntando as  fotos e envelopando-as.  – E chega de trabalho por hoje!
- Sabe que estou adorando ser  sua assistente neste  projeto? Nunca pensei que  fotografar fosse  tão prazeroso.
- Eu sou  grato pela  sua  dedicação... Em tão pouco tempo aprendeu a  focar corretamente a iluminação. Acho que  vou contratá-la definitivamente. – argumentou evolvendo-a  pela  cintura.
Cleide  sorriu em passou seus  braços  pelos ombros dele antes de  falar.
- Tem certeza que não se arrepende por  não  ter  seguido com a exposição dos  italianos?
- Humhum. – murmurou Beto aproximando-se lentamente dos lábios  dela -  Eu prefiro ficar aqui e me expor para uma só italiana...



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Na França a  Ècole Nationale d’Administration tem educado sua elite política e econômica desde 1945. Foi criada por Charles de Gaulle depois da II Guerra Mundial para reconstruir a Administração francesa.
Louise estava lá. Foi apresentada aos alunos que ocupavam  o anfiteatro e logo se acomodou  sozinha à mesa situada no palco para  a palestra. Assim que a campainha tocou sinalizando o início da palestra, um silêncio atencioso foi tomando  conta  do ambiente.
- Senhoras e senhores alunos da  turma Ensemble, a trigésima sexta da ENA, boa  tarde! Estou extremamente lisonjeada com o convite e sinto-me honrada em poder  dividir algum conhecimento com vocês. E feliz por ver que quase  metade da  turma é  composta  por  mulheres. Ainda não é o ideal. O ideal e justo seria se houvesse exatamente a metade.  Na minha turma éramos  em apenas três e somente eu  fui até o fim.  Mas  não estou aqui para falar  de mim e sim  sobre a situação mundial e como ela afeta a comunidade  europeia, mais  precisamente o nosso país, que enfrenta  essas  graves ameaças e atentados terroristas e  como vocês  podem se preparar para uma função pública. Não é preciso passar pela ENA para alcançar a cúpula do poder, mas o diploma adquirido após esses dois anos tornará isso muito mais fácil. A  ENA não é uma escola do poder, mas se parece muito com uma e tem orgulho de sua missão: democratizar o acesso à administração e nutrir a meritocracia e a  proximidade com as instituições, os funcionários de alto escalão e os políticos, dissolvendo o nepotismo. Portanto, cada um de vocês deve ficar  orgulhoso também por ter obtido um lugar nesse curso. Aproveitem ao máximo o plano de estudos e os estágios oferecidos pelas instituições francesas. Quando esses  dois anos  acabarem, os melhores qualificados certamente serão os primeiros a definir seu destino. O custo disso? Comprometer-se a trabalhar para a administração francesa por um período mínimo de dez anos. Foi o que eu fiz e não me arrependo... (...) Para encerrar meu discurso, quero deixar  uma questão para que reflitam. O que querem ser para nosso pais, políticos ou politiqueiros? Sim,  porque quando o que se fala não serve para engrandecer um debate e/ou não nos mostra uma solução para crises e problemas, quando o que se fala serve exclusivamente para denigrir, atacar ou tirar proveito pessoal, não se está fazendo política e sim politicagem. Política, com “P” maiúsculo é a  arte e a ciência de saber e conseguir organizar, dirigir e administrar uma nação interna e externamente. É exercer o poder de poder defender  direitos de cidadania para o bem comum. Já a politicagem é inescrupulosa. Ela  visa  benefício próprio e não da coletividade.  Vive e sobrevive de politiqueiros que se servem do pretexto político para picuinhas e desentendimentos partidários A politicagem abraça  interesses pessoais, às custas do povo e da troca de favores. Muitas  vezes somos sabotados na política,  pela politicagem, porque é tênue o  limite entre uma e outra. Como podemos identificar quem é o politiqueiro e não o político? Pela falta de... comprometimento, para não dizer caráter dos  primeiros. Muito obrigada pela atenção!
Foi aplaudida de pé e na meia  hora  seguinte respondeu a algumas perguntas. Não faltou a curiosidade sobre o escândalo de seu envolvimento com o suposto  noivo  da filha. Respondeu argumentando que políticos, de qualquer gênero e condição são pessoas e tem vida  pessoal, íntima e social.
Findado o tempo combinado, reuniu-se  com a direção da Escola para um café.  Horas mais  tarde, estava  com Bernard.
- Tínhamos  combinado que iria a ENA, Bernard! Como  ex-aluno e meu noivo era  seu dever comparecer!
- Eu sinto muito, Louise.
- Sente muito? É isso que tem a me dizer  como desculpa por  ter falhado em um compromisso de máxima  importância?
- Esqueceu que me  pediu  para  procurar Roger? – retrucou servindo-se  de uma  bebida - Não posso estar  em  dois lugares ao mesmo tempo!
Louise controlou o nervosismo e perguntou:
- O que  foi que ele disse?
- Ele não compareceu no local  combinado. E não atendeu as minhas ligações.
- E  Olivier o que  conseguiu?
- Nada  também. Ficou a tarde  toda  em frente ao escritório e Roger   não apareceu por lá ou em outra  de suas  empresas, segundo  nosso contatos.
- Ele quer fazer terrorismo comigo. Por que não publica  logo o que diz ter em vez de  soltar  pequenas  notas  ameaçadoras?
- Talvez não tenha... – observou Bernard – Talvez  esteja  jogando com vários ao mesmo tempo e queira apenas extorquir você ou outro politico.
 - Talvez, talvez, talvez! Seja mais coerente! Roger não precisa, mas se quisesse apenas o dinheiro teria sinalizado na  visita  de Olivier. Não, ele sabe alguma  coisa! Resta saber o que e até que  ponto.
- Por que não contratamos um detetive?
- Preciso lembrar ao  futuro prefeito desta  cidade o que aconteceu na última vez que usamos esse  recurso? – Questionou erguendo uma das mãos.
- Não. – Respondeu deixando que  seu olhar caísse  sobre o anel no dedo anular  de Louise,  mudando completamente  de expressão.
- Pois então use  esse seu cérebro e pense em algo que não  nos traga mais problemas.
- Sabe o que eu penso? Que  “velhos” métodos podem ser muito eficazes se aplicados  corretamente.   Uma de suas “contratadas” poderia seduzi-lo e obter informações e isso  não  nos  traria problemas.
- Uma  boa  ideia se não demandasse tempo, algo que não temos. Sua  campanha está pronta, custou milhares  de euros e eu não  gosto jogar  dinheiro fora. Nem o meu  nem o do partido. Seja mais  competente que isso.
- D’àccord! – exclamou perdendo a paciência. – Encontre um bom terrorista que ataque o jornal dele e ele será um arquivo morto.
- O que andou usado, além  da  droga  dessa  bebida?
Bernard apertou o copo com força, tentando se  conter. Respirou fundo e terminou a bebida que  tinha  no copo. Em seguida  levantou-se com a chave  do carro na mão.
- Uma droga chamada Louise. – respondeu acidamente. - Oh,  se tentou me atacar perdeu  seu tempo, querido. Essa droga é uma das mais refinadas. 
-  Até amanhã, Louise. – Diz secamente.
- Pensei que fosse passar  a noite  comigo...
Um sorriso cínico e imperceptível aflorou nos lábios  dele antes que respondesse:
- Com todos os elogios  que me fez, eu não teria  competência para satisfazê-la, se é eu me entende. Vou procurar Olivier e pressiona-lo. Roger é  responsabilidade dele. É para isso que ele é pago.



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Paris, como toda  capital da atualidade tem uma imensa periferia. Algumas lindas e agradáveis, outras difíceis e violentas, tomadas por aqueles  que  foram expulsos  do centro.
São nesses  espaços que acontecem encontros entre pessoas supostamente idôneas, que escondem o que não deve ser  visto.
Não que seja perigos.  Escolhem esses endereços porque são afastados dos centros turísticos e  da possibilidade de serem reconhecidos.
Se hospedam por algumas  horas,  para  resolver  pequenos problemas sexuais ou pendengas coorporativas. Foi num desses  hotéis de periferia que Bernard entrou, preferindo subir três lances  de escada a  tomar  o elevador.
Bateu os  nós  dos dedos contra a porta de número vinte e três, com dois toques, três vezes seguidas como o combinado.
- Finalmente! – Disse Olivier abrindo a porta. – Já estávamos pensando que ela o seguraria a  noite  toda  por lá.
- Ela  bem que tentou, mas  a  fiz  provar  do próprio veneno.
- Não cometeu nenhum deslize, deixando-a desconfiada, espero. – Observou Roger desviando o olhar  da  TV para Bernard.
- Claro que não.  Sugeri até que  você  fosse eliminado, meu caro. – Respondeu  sorrindo.
- Deixou o carro  longe, como combinamos? Não podemos  ser  vistos  juntos por  enquanto.
- Não se preocupem. O bom de Paris é que não importa em que bairro esteja, você vai sempre estar a poucos metros de uma estação de metrô.
- Ninguém o reconheceu?
- A linha estava praticamente  vazia.
- Ótimo. – Disse Roger desligando a  TV e ligando um notebook. – Em três  dias começaremos  as publicações, seguindo nossos planos.
- Será um dos piores  escândalos políticos  da  historia  de Paris. - diz Bernard
- Louise  ficará  desacreditada e falida  politicamente.. – Comenta Olivier.
- Que  tom triste foi esse Olivier? – pergunta Roger acessando uma página específica na Internet. -  Não é exatamente o que queremos?
- Não está  pensando em pular  fora  do barco, está? – indaga Bernard.
- É claro que não. Fizemos um pacto e  vou cumprir  minha  palavra, como um bom cavalheiro.
- Estamos mais para mosqueteiros. -  Diz Bernard – Mosqueteiros que irão trair  sua  rainha. – Completa sarcasticamente.
- E em troca  ganharemos todo o reino! – Afirma Roger.  – Agora chega  de  conversa e sentem-se ao meu lado. A videoconferência com nossos apoiadores vai   começar.



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- Eu queria muitão “falá” pra  você, mas eu ainda  não posso “conta” Serafina! A Dadi  “falo” que se a gente  conta, o desejo não acontece. Então eu ainda não posso “conta” nem pra  você, nem pro Antônio, nem pra  ninguém! – Falou Alex baixinho, olhando para a  boneca a seu lado. – Boa  noite, tá? – Completou virando as  costas.
- “Vo alá, vo alá”, você  não  vai me  dá  sossego né? Vai “sê” bom pra mim, pro papai, pra  mamãe, pra  “toooodo” mundo! – Pausa- Pra você  também, né? Agora “vamo dormi”?
Segundos  depois...
- Ahm  “mondie”, você  não  vai  me “dá”  sossego mesmo né? Eu “vo dormi” lá  no quarto  da mamãe! – Exclamou  saindo de  baixo  das  cobertas e pulando  fora  da cama.
Calçou o chinelo e andou até  a porta. Então olhou pra  trás e voltou. Cobriu Serafina e lhe deu um beijo .
- Dorme bem, até amanhã!
E correu em direção ao quarto dos pais e bateu  a porta.
- Leia  o último parágrafo que escrevemos por favor,  chèrie.
- Cabe a nós profissionais da Arte,  invalidar a impressão de que para fazer arte se requer um dom divino. Quando encontramos os meios necessários a inspiração nos mantem  presos a uma concepção e passamos a ser sensíveis, capazes de  produzir e criar arte.   Deve prevalecer portanto, a ideia de que  Arte é  plural, é uma utopia libertadora, e não uma  representação meramente  figurativa e  formal  do  mundo.  A arte contemporânea por exemplo,  vai confrontar   com a realidade  do nosso tempo e não julgar a  capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações ou sentimentos, sem dissociar o artista  de  sua arte... – Ouviu isso?
- Isso o...
- Mamãe, papai! Eu posso “entrá”?
- Olalá, parece que temos  visita! – exclamou Claude saindo da cama.- Pode querida, papai já  vai abrir a porta!
- Não está encostada na porta, está?
- Não...
- D’àccord... – disse Claude abrindo-a. - Entre pequena.
- O que foi, filha? Por que não está  dormindo? – Pergunta  Rosa deixando as folhas  escritas de lado.
- Porque a Serafina não  deixa... Posso "dormi" aqui com vocês?
- A Serafina não deixa? -  pergunta  Claude cruzando os braços.
- Não, ela  fica  querendo “sabe” o meu pedido  da  velinha e eu não posso “conta” senão ele não acontece! – explica-se ela bocejando.
- Voilà! – exclama Claude pegando-a nos  braços – Vejamos, você  tomou banho?
- Tomei...
- Deixe-me conferir – diz cheirando-a exageradamente, arrancando uma risada da  filha – Ouí, está  cheirosinha. Fez o  número um?
- Aham... – responde  sonolenta.
- Então se não vamos  ter  xixi na cama, você  pode  ficar esta noite. – Afirma Claude acomodando-se  com ela na  cama.
- Eu não  faço mais xixi na  cama, eu não  “so” mais bebezinho! – argumenta Alex.
- É nós  sabemos que não é, querida! – diz  Rosa ajeitando-a entre os  dois.
- Você ia  “gosta” de  “te” outro bebê, mamãe? – perguntou já fechando os olhos.
Rosa trocou um rápido olhar com Claude antes  de responder.
- Ia sim, Alex. E você gostaria que tivéssemos um bebê? – respondeu olhando-a, mas Alex  já dormia, aconchegada ao calor dos  dois.




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Quando Rosa abriu os olhos eram pouco mais de cinco horas  da manhã.  Levantou-se o mais  cuidadosamente que conseguiu, mas de alguma  forma Alex percebeu e também acordou.
- Mamãe... – resmungou ela.
- Feche os olhos  e durma Alex, ainda é  madrugada!
- Eu quero “fazê” xixi! – pediu esfregando os olhos.
- Ok, vamos lá! – cochichou Rosa abrindo os braços  para ela e  caminhando para  o banheiro  do quarto em seguida.
Quando voltou e  foi coloca-la de  volta  na cama, Alex segurou-se mais firme.
- Não, eu quero “i” na  minha  cama  com a  Serafina...
- Ok, segure-se firme então e lá  vamos nós!
Levou-a e assim que a colocou na cama, Alex abraçou Serafina e  voltou a dormir. Ao voltar para  o quarto Claude ergueu a cabeça e perguntou:
- Algo errado com Alex?
- Não, ela  quis voltar  pra  cama dela.
- Voilà! E o que está esperando pra  deitar aqui comigo, hã? – questionou ajeitando o corpo lateralmente, batendo a mão  sobre o espaço vazio da  cama.
- Já, já amor! Eu preciso ir ao banheiro...
- D’àccord... Estarei  aqui te esperando, ouí?
- Ouí! –respondeu ela  sorrindo.
- Quase  quinze  minutos  depois,  quando voltou, Claude dormia novamente.
As  costas totalmente  apoiadas no colchão  e um dos  braços lançado acima  da  cabeça, displicentemente.
Rosa  mordeu o lábio inferior e como uma  gata subiu na cama, deslizando suavemente sobre o marido até alcançar seu ouvido e sussurrar:
- Acorda papai, a mamãe  quer  contar  sobre mim pra  você...





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                                             Continua...



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