PSV
- Depois de analisar o local ficou óbvio que essa área toda, não necessária à circulação ou serviços, pode e
deve ser usada em função das
necessidades da galeria.
- Creio que você tem razão Carlos. – Diz John acompanhando o
raciocínio do arquiteto ao olhar o
projeto sobre a mesa – Se fizermos essas alterações teremos mais espaço na área de exposição.
- A Athena já tem ambiente agradável com muito senso estético. E com
essas alterações vai oferecer maior conforto
a seus
clientes, como os banheiros
que sugeri.
- Seu projeto todo é maravilhoso!
– exclamou Liz – Passar toda a
administração e a sala de reuniões para
cima, adaptar o porão para sala para workshops, leilões estoque e armazenamento, irão
facilitar a nossa vida.
- Para o bom desenvolvimento de um projeto todos os detalhes
são relevantes John, e eu, bem,
devo confessar que não fiz nada sozinho. – e
sorriu. - Claude e Rosa já tinham muita
coisa em mente quando me procuraram. Eles querem que a Athena seja uma
mais que uma opção de galeria para os artistas colocarem suas obras à venda. A ideia da
“Caféleria” foi muito interessante.
- E foi uma
feliz coincidência de desejos. – interveio John -Voltamos da Europa com essa sugestão em mente. Uma cafeteria atrai
pessoas que podem se tornar um público cativo e multiplicador
de cultura.
- Pelo que entendi Claude
quer mais que isso. Ele quer fazer parcerias com galerias internacionais,
numa espécie de intercâmbio de artistas.
- Yes! - afirma John – Sediar a exposição italiana abriu
novas oportunidades Temos duas parcerias
a vista, uma espanhola e outra holandesa, por isso
precisamos da Athena remodelada, pronta
para esses eventos.
- No que depender de mim e
da minha equipe fiquem
tranquilos. O cronograma será cumprido a risca! Deixaremos a Athena em um contexto
estético espacial contemporâneo e equilibrado exaltando artistas e obras.
- Eu estou ansiosa para ver
o resultado final da iluminação projetada, e esses
vitrais insufilmados que filtrarão a luz solar, a grande vilã para quadros e fotografias.
- Não podemos
deixar de falar
da ventilação e da solução que você encontrou, preservando a estrutura
do casarão, tão caro à Rosa.
- Nada pode escapar aos designes, John! Preservação é um dos objetivos maiores. O
meu pelo menos. Preservar a nossa história, nossa cultura,
nossas ideias e ideais, sem deixar de acompanhar a evolução e...
PSV
Claude deixou a sala
da Imigração da Policia Federal
satisfeito, feliz e com um
novo protocolo. Desta vez para requerer o visto permanente por união
familiar, conforme orientação de Freitas, já que seu casamento com Rosa
o tornava apto a isso.
Com esses papéis e os
documentos de Rosa e Alex em mãos,
dirigiu-se ao Consulado Francês na Torre
Norte, Avenida Paulista. Elas teriam o mesmo
benefício na França.
Foi ao tomar o elevador para deixar
o prédio que o encontro aconteceu. Era o único ocupante do elevador rumo ao térreo, quando ele parou no sétimo andar.
- Olalá! Mas que deliciosa surpresa, encontra-lo sozinho.
Como vai Claude?
- Ainda no Brasil
Roberta? - perguntou Claude de forma quase
rude. – Pensei que ao me ver feliz
com Rosa desistisse do seu sonho de ficar
comigo.
- Já devia saber que
não sou de desistir dos meus sonhos, querido. Tenho trinta dias de
permanência ainda por aqui, e acabo de
prorroga-los por mais
noventa...
- Eu não a quis em dez anos, porquê acredita que isso
vai mudar em cento e vinte dias?
- Porque eu sou
otimista. – responde cinicamente - Muita
coisa pode acontecer nesse tempo...
- Tem razão. – concordou Claude segurando a vontade de dizer
que sabia das
intenções dela. - Podia aproveitá-lo melhor na França, quem
sabe fazendo novos planos com Louise.
- Louise? Ela bem gostaria que eu o convencesse a voltar. Era o sonho dela. Mas Louise nem imagina que estou aqui. – diz
ajeitando sem necessidade a gola da camisa e a gravata dele - Talvez
gostasse de saber e fizesse
de tudo para me ajudar
a leva-lo de volta. Porém, eu não
sigo mais os conselhos de
sua mãe. – E descansa os braços nos
ombros dele.
- Louise não é minha mãe. – Afirma Claude tirando os braços
dela de si enquanto o elevador parava. –
Mas você faz muito bem em não seguir os conselhos dela. No entanto, siga o meu, antes
que se arrependa de fazer algo que não a leve a lugar nenhum: Volte para a Europa e esqueça que eu,
Rosa e minha filha existimos.
E abrindo a porta do
elevador saiu, deixando-a a chama-lo
insistentemente.
PSV
Um
local de aparência rústica, mas
sofisticada dava um charme especial e acolhedor ao resort. A beleza do lugar certamente
era a integração e o contraste da
construção humana com a natureza.
Cercado de vegetação exuberante e muito bem cuidada. De
um lado a Mata Atlântica, de outro o Oceano Atlântico e sua
praia, com um lindo deck de
frente ao rio.
- Acho que eu
vou voltar mais vezes – disse Frazão
apertando carinhosamente a mão de Janete, que mantinha entrelaçada a sua, antes
de leva-la até os lábios.
- Não precisa mentir pra
tentar me consolar. Eu sei
que estava aqui no Brasil apenas de
passagem e teria que voltar a França
um dia.
- Então devia saber
que não estou mentindo. – retrucou Frazão parando de caminhar e encostando-se na cerca que beirava
a trilha que faziam. – Além do mais já pedi que volte
comigo.
-
Desculpe, não quis dizer que é
mentiroso...
Frazão
a puxou junto a si, abraçando-a.
- Eu
sei que não... Mas precisa se decidir,
Janete. Eu quero muito que venha comigo.
- Eu também queria muito ir, mas tem meu emprego na galeria...
- Embora
não seja minha área, tenho contatos
em pelo menos dez galerias em
Paris...
- Tem
a Rosa, Liz e John que tanto me ensinaram...
- Aprecio sua gratidão e lealdade meu bem,
mas está na hora de pensar em você e em “nós”! Liz e John são felizes há
anos, Rosa reencontrou Claude e se
acertaram. Não acha que podemos ser felizes
também?
- Acho que
já somos felizes.
- Voilà! Pois eu quero que seja mais feliz em
Paris! Tenho certeza que Rosa e
todos da galeria ficarão felizes
por nós também.
- Você
tem razão. – diz Janete erguendo
a cabeça, olhando-o nos olhos. - Assim
que voltarmos a São Paulo falarei com todos que
decidi ser feliz contigo em Paris! - e o beijou.
- Isso, se conseguir me pegar, ok? – exclamou
deixando-o e correndo pela trilha
por alguns minutos, até sentir os braços e mãos de
Frazão enlaçando-a pela cintura...
PSV
Rosa
deu um tempo na digitação das
páginas que Claude já revisara e levantou-se, alongando os braços.
- Cansada? – perguntou Claude levantando os
olhos do papel que lia, mostrando que
estava atento a ela.
- Não, só preciso me esticar um pouco - justificou-se com um sorriso.
- D’àccord... – murmurou ele de volta levantando-se e abraçando-a –
Boa tentativa de me enganar, hã?
Vamos concluir esse
capítulo e encerramos por hoje.
Até porque temos mais uma semana de
folga!
- E depois muito trabalho à vista para reorganizar as coisas quando a reforma interior da galeria terminar.
- Vai valer a pena, chèrie!
- Vai sim. – concordou ela – Eu vou dar uma olhadinha na nossa pequena, ouí?
- Ouí. E eu
vou espera-la com uma xícara de
café.
Rosa foi até o quarto da filha. Antes
de chegar a porta, escutou a
música tema de Frozen, que ela ouvia. Alex
estava tão concentrada em seu
livro de colorir que não a notou na porta. Achou melhor não a interromper e voltou.
Saboreou o café ao lado de Claude. Trocaram algumas ideias e voltaram
a revisão do livro.
Alexandra deixou o livro de lado e passou a
jogar com o celular. Minutos depois desistiu do jogo e abandonou o celular. Olhou para Serafina, sozinha em
sua cama. E do outro lado, o
enorme canguru que ganhara do pai com seu filhote. Pegou a boneca e abraçou-a.
- Você tá
muito sozinha aí, Serafina. – afirmou andando até o canguru – Melhor
ficar aqui com o Antônio, na bolsinha
dele. – Eu “vô i” lá com a minha mamãe e
o meu papai, tá?
Deixou o quarto e foi saltitando até a sala que Claude e Rosa usavam
como escritório.
- Mamãe eu
tô cansada de “fica”
em casa de férias, eu queria “i
brinca” lá no parquinho! Quando a Silvia
volta pra “i” comigo?
- Você não está de férias, querida! A
escola parou por uns
dias para replanejar suas atividades – explicou Rosa parando o que
fazia, olhando para Alex. - E quanto a Silvia, ela ainda está
cuidando do papai dela.
- E
por que eu não posso “i” sozinha no
parquinho? – questionou aproximando-se
da mãe.
- Porque
é perigoso. – responde Claude dessa vez.
- Mas eu não
“vô fala” com nenhum estranho, só
vou “brinca!”
– Pequena, é bom saber que não vai falar
com estranhos. – elogiou-a. – Mas você ainda é pequena mesmo, hã? Pode cair,
se machucar e não queremos isso, não é
chèrie?
- Com
certeza que não! Eu quero você
inteirinha pra encher de beijinhos e
muita “cosquinha”! – concordou Rosa, fazendo o que falava.
- Ai, ai, ai... não, assim eu não aguento! –
exclamava Alex, rindo sem parar. –
Socorro papai, salva eu!
- Eu
vou salva-la, filha. – disse Claude roubando-a de Rosa e
continuando com as cócegas e beijos.
- Ah, não, “moDiê”! Assim não vale, papai! –
Falava Alex entre as risadas e tentativas inúteis de escapar.
- D’àccord... Por que não vai se
preparar para ir ao parquinho comigo e
com sua mãe? – Perguntou Claude
encerrando a sessão tortura de carinhos.
- Oba!!!!! – gritou Alex saltitando e batendo
palmas. – Eu vou no banheiro fazer o número um...
- Não queria concluir esse capítulo hoje
ainda? – Questionou Rosa quando Alex já
estava distante.
- Já o adiantamos bastante, hã? Precisamos recarregar nossa bateria e nada melhor que umas
horinhas brincando com ela.
Ficaram
com Alex no play ground do prédio até o sol desaparecer completamente. Quando voltaram, Rosa ajudou Dadi, pois Nara e Sérgio viriam o jantar.
Enquanto isso Claude ajudava Alex no banho,
mesmo tendo que ficar de costas
para ela o tempo todo.
PSV
Beto separou as fotografias por bairros e Cleide
envelopou todas, subscrevendo-os, até chegar
ao último monte e parar, indecisa.
- Não tem medo de ser considerado cúmplice, caso a garota seja mesmo sequestrada?
- Claro que não! No que depender do meu trabalho, isso não vai acontecer.
- E essa
sua... amiga francesa não
desconfia de nada?
- Roberta não é minha amiga, Cleide. Ela foi minha cliente, num trabalho do qual me arrependo
muito.
- Se refere as tais
fotos daquela mulher que ela vendeu para o jornal...
- Principalmente. Sabe, devo ter interferido na vida
de muitas pessoas, mesmo que
indiretamente.
- Era o seu trabalho, era contratado para descobrir e
comprovar fatos.
- Não era um trabalho decente. Acho que por isso me empenho tanto em ajudar a protegê-la – afirmou segurando uma das
fotos de Alex saindo da escola.
Eram fotos de
vários dias seguidos, nos mesmos
horários e um carro em especial chamou sua atenção. Não era o carro de Rodrigo. Sabia da existência do segurança e nunca o
enquadrava em suas fotos.
Tampouco parecia ser de alguém a espera do filho, já que nenhuma criança se aproximava
dele. Espalhou todas as fotos do
monte sobre a mesa e algumas outras
descartadas.
- Por que está fazendo isso? – perguntou
Cleide surpresa.
- Tem alguma
coisa errada aqui. – observou Beto – Está vendo esse carro? Está em quase todas as fotos, sempre com os vidros fechados e nenhuma criança
se aproxima dele... Com certeza é
do “sócio” de Roberta!
- Não consegue ver a placa?
- Do ângulo em que está não... Serei mais atento na próxima semana. Passarei a informação à Rodrigo e ele
saberá o que fazer. – resolveu juntando as fotos e envelopando-as. – E chega de trabalho por hoje!
- Sabe que estou adorando ser sua assistente neste projeto? Nunca pensei que fotografar fosse tão prazeroso.
- Eu sou
grato pela sua dedicação... Em tão pouco tempo aprendeu
a focar corretamente a iluminação. Acho
que vou contratá-la definitivamente. –
argumentou evolvendo-a pela cintura.
Cleide
sorriu em passou seus braços pelos ombros dele antes de falar.
- Tem certeza que não se arrepende por não
ter seguido com a exposição dos italianos?
- Humhum. – murmurou Beto aproximando-se
lentamente dos lábios dela - Eu prefiro ficar aqui e me expor para uma só
italiana...
PSV
Na França a Ècole
Nationale d’Administration tem educado sua elite política e econômica desde
1945. Foi criada por Charles de Gaulle depois da II Guerra Mundial para
reconstruir a Administração francesa.
Louise estava lá. Foi
apresentada aos alunos que ocupavam o
anfiteatro e logo se acomodou sozinha à
mesa situada no palco para a palestra.
Assim que a campainha tocou sinalizando o início da palestra, um silêncio
atencioso foi tomando conta do ambiente.
- Senhoras e senhores alunos
da turma Ensemble, a trigésima sexta da ENA, boa tarde! Estou extremamente lisonjeada com o
convite e sinto-me honrada em poder
dividir algum conhecimento com vocês. E feliz por ver que quase metade da
turma é composta por
mulheres. Ainda não é o ideal. O ideal e justo seria se houvesse exatamente
a metade. Na minha turma éramos em apenas três e somente eu fui até o fim. Mas
não estou aqui para falar de mim
e sim sobre a situação mundial e como
ela afeta a comunidade europeia,
mais precisamente o nosso país, que
enfrenta essas graves ameaças e atentados terroristas e como vocês
podem se preparar para uma função pública. Não é preciso passar pela ENA para alcançar a cúpula do poder,
mas o diploma adquirido após esses dois anos tornará isso muito mais fácil. A ENA não é uma escola do poder, mas se
parece muito com uma e tem orgulho de sua missão: democratizar o acesso à administração
e nutrir a meritocracia e a proximidade com as instituições, os funcionários de alto
escalão e os políticos, dissolvendo o nepotismo. Portanto, cada um de vocês
deve ficar orgulhoso também por ter
obtido um lugar nesse curso. Aproveitem ao máximo o plano de estudos e os estágios
oferecidos pelas instituições francesas. Quando esses dois anos
acabarem, os melhores qualificados certamente serão os primeiros a
definir seu destino. O custo disso?
Comprometer-se a trabalhar para a administração francesa por um período mínimo
de dez anos. Foi o que eu fiz e não me arrependo... (...) Para encerrar meu
discurso, quero deixar uma questão para
que reflitam. O que querem ser para nosso pais, políticos ou politiqueiros?
Sim, porque quando o que se fala não serve
para engrandecer um debate e/ou não nos mostra uma solução para crises e
problemas, quando o que se fala serve exclusivamente para denigrir, atacar ou
tirar proveito pessoal, não se está fazendo política e sim politicagem. Política,
com “P” maiúsculo é a arte e a ciência
de saber e conseguir organizar, dirigir e administrar uma nação interna e
externamente. É exercer o poder de poder defender direitos de cidadania para o bem comum. Já a
politicagem é inescrupulosa. Ela
visa benefício próprio e não da
coletividade. Vive e sobrevive de
politiqueiros que se servem do pretexto político para picuinhas e
desentendimentos partidários A politicagem abraça interesses pessoais, às custas do povo e da
troca de favores. Muitas vezes somos
sabotados na política, pela politicagem,
porque é tênue o limite entre uma e outra. Como podemos identificar quem
é o politiqueiro e não o político? Pela falta de... comprometimento, para não
dizer caráter dos primeiros. Muito
obrigada pela atenção!
Foi aplaudida de pé e na meia
hora seguinte respondeu a algumas
perguntas. Não faltou a curiosidade sobre o escândalo de seu envolvimento com o
suposto noivo da filha. Respondeu argumentando que
políticos, de qualquer gênero e condição são pessoas e tem vida pessoal, íntima e social.
Findado o tempo combinado, reuniu-se com a direção da Escola para um café. Horas mais
tarde, estava com Bernard.
- Tínhamos combinado
que iria a ENA, Bernard! Como ex-aluno e
meu noivo era seu dever comparecer!
- Eu sinto muito, Louise.
- Sente muito? É isso que tem a me dizer como desculpa por ter falhado em um compromisso de máxima importância?
- Esqueceu que me
pediu para procurar Roger? – retrucou servindo-se de uma
bebida - Não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo!
Louise controlou o nervosismo e perguntou:
- O que foi que ele
disse?
- Ele não compareceu no local
combinado. E não atendeu as minhas ligações.
- E Olivier o que conseguiu?
- Nada também. Ficou a
tarde toda em frente ao escritório e Roger não apareceu por lá ou em outra de suas
empresas, segundo nosso contatos.
- Ele quer fazer terrorismo comigo. Por que não publica logo o que diz ter em vez de soltar
pequenas notas ameaçadoras?
- Talvez não tenha... – observou Bernard – Talvez esteja
jogando com vários ao mesmo tempo e queira apenas extorquir você ou
outro politico.
- Talvez, talvez,
talvez! Seja mais coerente! Roger não precisa, mas se quisesse apenas o dinheiro
teria sinalizado na visita de Olivier. Não, ele sabe alguma coisa! Resta saber o que e até que ponto.
- Por que não contratamos um detetive?
- Preciso lembrar ao futuro
prefeito desta cidade o que aconteceu na
última vez que usamos esse recurso? –
Questionou erguendo uma das mãos.
- Não. – Respondeu deixando que seu olhar caísse sobre o anel no dedo anular de Louise,
mudando completamente de
expressão.
- Pois então use esse
seu cérebro e pense em algo que não nos
traga mais problemas.
- Sabe o que eu penso? Que
“velhos” métodos podem ser muito eficazes se aplicados corretamente.
Uma de suas “contratadas” poderia
seduzi-lo e obter informações e isso
não nos traria problemas.
- Uma boa ideia se não demandasse tempo, algo que não
temos. Sua campanha está pronta, custou
milhares de euros e eu não gosto jogar
dinheiro fora. Nem o meu nem o do
partido. Seja mais competente que isso.
- D’àccord! – exclamou perdendo a paciência. – Encontre um
bom terrorista que ataque o jornal dele e ele será um arquivo morto.
- O que andou usado, além
da droga dessa
bebida?
Bernard apertou o copo com força, tentando se conter. Respirou fundo e terminou a bebida
que tinha no copo. Em seguida levantou-se com a chave do carro na mão.
- Uma droga chamada Louise. – respondeu acidamente. - Oh, se tentou me atacar perdeu seu tempo, querido. Essa droga é uma das mais
refinadas.
- Até amanhã, Louise.
– Diz secamente.
- Pensei que fosse passar
a noite comigo...
Um sorriso cínico e imperceptível aflorou nos lábios dele antes que respondesse:
- Com todos os elogios
que me fez, eu não teria
competência para satisfazê-la, se é eu me entende. Vou procurar Olivier
e pressiona-lo. Roger é responsabilidade
dele. É para isso que ele é pago.
PSV
Paris, como toda capital da atualidade tem uma imensa
periferia. Algumas lindas e agradáveis,
outras difíceis e violentas, tomadas por aqueles que
foram expulsos do centro.
São nesses
espaços que acontecem encontros entre pessoas supostamente idôneas, que
escondem o que não deve ser visto.
Não que seja perigos. Escolhem esses endereços porque são afastados
dos centros turísticos e da
possibilidade de serem reconhecidos.
Se hospedam por algumas horas, para
resolver pequenos problemas
sexuais ou pendengas coorporativas. Foi num desses hotéis de periferia que Bernard entrou,
preferindo subir três lances de escada
a tomar
o elevador.
Bateu os
nós dos dedos contra a porta de
número vinte e três, com dois toques, três vezes seguidas como o combinado.
- Finalmente! – Disse Olivier abrindo a porta.
– Já estávamos pensando que ela o seguraria a
noite toda por lá.
- Ela
bem que tentou, mas a fiz
provar do próprio veneno.
- Não cometeu nenhum deslize, deixando-a
desconfiada, espero. – Observou Roger desviando o olhar da TV
para Bernard.
- Claro que não. Sugeri até que você
fosse eliminado, meu caro. – Respondeu
sorrindo.
- Deixou o carro longe, como combinamos? Não podemos ser
vistos juntos por enquanto.
- Não se preocupem. O bom de Paris é que não
importa em que bairro esteja, você vai sempre estar a poucos metros de uma
estação de metrô.
- Ninguém o reconheceu?
- A linha estava praticamente vazia.
- Ótimo. – Disse Roger desligando a TV e ligando um notebook. – Em três dias começaremos as publicações, seguindo nossos planos.
- Será um dos piores escândalos políticos da
historia de Paris. - diz Bernard
- Louise
ficará desacreditada e
falida politicamente.. – Comenta
Olivier.
- Que
tom triste foi esse Olivier? – pergunta Roger acessando uma página
específica na Internet. - Não é
exatamente o que queremos?
- Não está
pensando em pular fora do barco, está? – indaga Bernard.
- É claro que não. Fizemos um pacto e vou cumprir
minha palavra, como um bom
cavalheiro.
- Estamos mais para mosqueteiros. - Diz Bernard – Mosqueteiros que irão
trair sua rainha. – Completa sarcasticamente.
- E em troca
ganharemos todo o reino! – Afirma Roger.
– Agora chega de conversa e sentem-se ao meu lado. A
videoconferência com nossos apoiadores vai
começar.
PSV
- Eu queria muitão “falá” pra você, mas eu ainda não posso “conta” Serafina! A
Dadi “falo” que se a gente conta, o desejo não acontece. Então eu ainda
não posso “conta” nem pra você, nem pro
Antônio, nem pra ninguém! – Falou Alex
baixinho, olhando para a boneca a seu
lado. – Boa noite, tá? – Completou
virando as costas.
- “Vo alá, vo alá”, você não
vai me dá sossego né? Vai “sê” bom pra mim, pro papai,
pra mamãe, pra “toooodo” mundo! – Pausa- Pra você também, né? Agora “vamo dormi”?
Segundos
depois...
- Ahm
“mondie”, você não vai me
“dá” sossego mesmo né? Eu “vo dormi”
lá no quarto da mamãe! – Exclamou saindo de
baixo das cobertas e pulando fora
da cama.
Calçou o chinelo e andou até a porta. Então olhou pra trás e voltou. Cobriu Serafina e lhe deu um
beijo .
- Dorme bem, até amanhã!
E correu em direção ao quarto dos pais e
bateu a porta.
- Leia
o último parágrafo que escrevemos por favor, chèrie.
- Cabe a nós profissionais da Arte, invalidar a impressão de que para fazer arte se requer um dom divino. Quando
encontramos os meios necessários a
inspiração nos mantem presos a uma
concepção e passamos a ser sensíveis, capazes de produzir e criar arte. Deve prevalecer portanto, a ideia de
que Arte é plural, é uma utopia libertadora, e não
uma representação meramente figurativa e
formal do mundo. A
arte contemporânea por exemplo, vai confrontar com a realidade do nosso tempo e não julgar a capacidade criadora do artista de expressar ou
transmitir tais sensações ou sentimentos, sem dissociar o artista de sua
arte... – Ouviu isso?
- Isso o...
- Mamãe, papai! Eu posso “entrá”?
- Olalá, parece que temos visita! – exclamou Claude saindo da cama.- Pode querida, papai já vai abrir a porta!
- Não está encostada na porta, está?
- Não...
- D’àccord... – disse Claude abrindo-a. -
Entre pequena.
- O que foi, filha? Por que não está dormindo? – Pergunta Rosa deixando as folhas escritas de lado.
- Porque a Serafina não deixa... Posso "dormi" aqui com vocês?
- A Serafina não deixa? - pergunta
Claude cruzando os braços.
- Não, ela
fica querendo “sabe” o meu
pedido da velinha e eu não posso “conta” senão ele não
acontece! – explica-se ela bocejando.
- Voilà! – exclama Claude pegando-a nos braços – Vejamos, você tomou banho?
- Tomei...
- Deixe-me conferir – diz cheirando-a
exageradamente, arrancando uma risada da
filha – Ouí, está cheirosinha.
Fez o número um?
- Aham... – responde sonolenta.
- Então se não vamos ter
xixi na cama, você pode ficar esta noite. – Afirma Claude
acomodando-se com ela na cama.
- Eu não
faço mais xixi na cama, eu
não “so” mais bebezinho! – argumenta
Alex.
- É nós
sabemos que não é, querida! – diz
Rosa ajeitando-a entre os dois.
- Você ia
“gosta” de “te” outro bebê,
mamãe? – perguntou já fechando os olhos.
Rosa trocou um rápido olhar com Claude
antes de responder.
- Ia sim, Alex. E você gostaria que
tivéssemos um bebê? – respondeu olhando-a, mas Alex já dormia, aconchegada ao calor dos dois.
PSV
Quando Rosa abriu os olhos eram pouco mais de
cinco horas da manhã. Levantou-se o mais cuidadosamente que conseguiu, mas de
alguma forma Alex percebeu e também acordou.
- Mamãe... – resmungou ela.
- Feche os olhos e durma Alex, ainda é madrugada!
- Eu quero “fazê” xixi! – pediu esfregando os
olhos.
- Ok, vamos lá! – cochichou Rosa abrindo os
braços para ela e caminhando para o banheiro
do quarto em seguida.
Quando voltou e foi coloca-la de volta
na cama, Alex segurou-se mais firme.
- Não, eu quero “i” na minha
cama com a Serafina...
- Ok, segure-se firme então e lá vamos nós!
Levou-a e assim que a colocou na cama, Alex
abraçou Serafina e voltou a dormir. Ao
voltar para o quarto Claude ergueu a
cabeça e perguntou:
- Algo errado com Alex?
- Não, ela
quis voltar pra cama dela.
- Voilà! E o que está esperando pra deitar aqui comigo, hã? – questionou ajeitando
o corpo lateralmente, batendo a mão sobre
o espaço vazio da cama.
- Já, já amor! Eu preciso ir ao banheiro...
- D’àccord... Estarei aqui te esperando, ouí?
- Ouí! –respondeu ela sorrindo.
- Quase
quinze minutos depois,
quando voltou, Claude dormia novamente.
As
costas totalmente apoiadas no
colchão e um dos braços lançado acima da
cabeça, displicentemente.
Rosa
mordeu o lábio inferior e como uma
gata subiu na cama, deslizando suavemente sobre o marido até alcançar
seu ouvido e sussurrar:
- Acorda papai, a mamãe quer
contar sobre mim pra você...
Continua...









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