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domingo, 27 de novembro de 2016

PSV Capítulo/48

PSV



Os ruídos vindos  do porão  e o trânsito  dos pedreiros pela lateral não impediam o trabalho interno  da galeria. Com a mudança  da parte administrativa para  o andar de  cima, era preciso aumentar  o quadro  de funcionários e Nara candidatara-se ao  cargo  de recepcionista, e  com a ajuda  de Sergio, a cada  dia dominava  mais sobre o acervo da galeria e ampliava seu conhecimento de Arte em geral.  O sotaque francês que imaginou fosse lhe atrapalhar foi  seu maior aliado. Clientes  e visitantes prolongavam o atendimento só para - diziam,  ouvirem um pouco mais o sotaque da língua do amor.
Elizabete a assessorava, explicando que preferia  ficar com essa parte  mais prática, do contato social. Conversar  lhe fazia  bem, e assim esquecia de  seu tratamento. Mas  no momento, estava  com Claude  e Rosa, na sala de reuniões.
- Essa placa não existe. – dizia Rodrigo – Provavelmente alteraram  os números  com fita isolante. Se quiser coloco um dos meus homens para  segui-lo.
- É o mais coerente a se fazer. – comentou Claude  depositando as  fotos  sobre  a mesa.
- Eu já havia reparado  nesse carro, mas  como nunca  observei  alguma  criança entrando ou saindo  dele imaginei que  fosse de alguém da  escola.
- Foi a primeira  atitude que  tomei com  a  situação Rosa. Com certeza é um carro roubado que  será  descartado rapidamente.
- Prossiga  com suas investigações, hã? A segurança  de Alexandra é prioridade  nesse  momento, apesar  de Roberta não ter acenado em nada.
- Tem  feito a  ela aquelas orientações básicas?
- Sim, ela  sabe que não  deve  conversar ou aceitar a ajuda  de  nenhum  estranho. – confirmou Rosa.
- Não podemos denuncia-la ou fazer uma queixa junto a  polícia? – pergunta Liz, preocupada.
- Podemos, temos o nome e endereço dela, e o  Artigo 147  diz que ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave culmina em  pena de detenção de um a seis meses, ou multa. Porém,  o crime de ameaça, só se concretiza quando causa temor na vítima. Caso contrário, a conduta é atípica. E precisaremos de  testemunhas.
- Mas  estamos  com medo, Rodrigo! É a vida  da nossa  filha  que está em jogo e Beto pode ser  a testemunha, ou não? – Argumenta Rosa.
- Sim, ele é a testemunha, mas pode ser acusado por ela de cúmplice, pois a está ajudando...
Um toque na porta e Beto entra.
- Com licença e boa   tarde a todos.  Eu não sei se a notícia é  boa  ou ruim, - Diz  colocando um envelope fechado sobre a mesa - mas  Roberta  acaba de me dispensar.
- E neste envelope?
- É o meu “pagamento”. Mil  euros.
- Em espécie?
- Ouí.
- Ótimo, já é uma prova.
- Well, se  Roberta o dispensou,  podemos partir  pra  um  boletim de ocorrência, não? -  Questiona John.
- Sim, com mais  segurança. Se quiser, Claude, posso coloca-los em contato  com um delegado amigo meu. Ele saberá orienta-los adequadamente.
- D’àccord.  O mais  rápido possível.
- Quem sabe, agora mesmo – afirma Rodrigo tirando o  celular  do  bolso.
Meia  hora  depois, saia  com Claude e Rosa com destino a delegacia.



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Milton seguiu por  várias  quadras  da   avenida que  cortava aquele bairro até  contornar o canteiro central e  estacionar o carro do outro  lado.
- Mas que lugarzinho deplorável! – exclamou Roberta acendendo um cigarro.
- Pessoas  que  fazem este  tipo de serviço não moram em mansões ou condomínios  de luxo, querida. – argumentou Milton descendo  do carro –
- É claro que não! – retrucou  ela imitando-o – Pessoas  como nós os mantém aqui, não é mesmo?
-  Não se deixe levar  pelas aparências e cuidado com o que diz.  Zequias pode não ser culto, mas não é  burro. E apague esse cigarro. Ele  abandonou o vício e não suporta quem o faça perto dele.
O portão enferrujado e o muro pichado e mal  cuidado contrastavam  com a casa elegante, de  portas de madeira maciça e  janelas de alto padrão.
- Está surpresa? Eu disse que ele não é  burro.
Um sujeito alto e forte, parecendo desconfiado aproximou-se. Ombros para trás, coluna reta e cabeça levantada, desconfiado.  Apesar do elegante terno negro, da barba feita e o cabelo bem cortado, a arma na cintura impunha temor.
O ar  de mau humor desapareceu assim que saíram da escuridão para o luz da lanterna que ele empunhava.  Roberta baixou os olhos fugindo daquela luminosidade.
 Ao mesmo tempo em  que o segurança reconhecia Milton, colocava o dedo sobre o ouvido, atento à orientação que recebia. Acenou com a cabeça e fez um gesto para que o acompanhassem. 
Ao passar  pela  porta que tanto admirara, Roberta  notou a câmera de  vigilância. Estavam sendo monitorados desde que entraram pelo portão.
O interior  da casa, ao menos  da sala onde foram recebidos, ostentava  uma decoração  extravagante que surpreendia pelos detalhes e pela profusão de cores vivas, misturando estilos e períodos da história  da Arte, como colunas gregas e vitrais  romanos.  Móveis retrô, tapetes persas, vasos chineses e cristais Swarovski em meio a flores artificiais.



- Gosta do que vê, dona?
Roberta sobressaltou-se e girou o corpo para o lado de onde  vinha aquela voz. E descobriu que o dono dela lhe era tão desagradável quanto: um homem de estatura média e  corpulento vestindo calça jeans,  camiseta e uma  sandália estilo pescador.
O  cabelo grisalho, comprido demais,  acentuava o ar  de descuido e o bigode espesso e farto com fios mal aparados chegava a ser repugnante e repulsivo.
Deu um passo atrás e aumentou a pressão com que segurava o braço de Milton, tensa.
O homem pareceu  não se importar  com sua falta de resposta, pois dando-lhe as costas, perguntou:
- Então, em que posso ajuda-o dessa vez, Milton?
- Que  falta de cavalheirismos Zequias. - respondeu entre  divertido e  cínico. -   Poderia ao menos  desejar  uma  boa noite à dama que me acompanha.
Zequias lança um olhar de indiferença a Roberta e em seguida para Milton balançando negativamente a cabeça.
- Eu já o aconselhei  muitas  vezes que  misturar  vida amorosa com  negócios não é uma  boa  transação.
Milton soltou uma  sonora  risada.
- Então  eu devo estar absorvendo seu conselho. Roberta e eu não temos uma vida amorosa, apenas uma boa transação mesmo. E é ela quem precisa de ajuda.
- Eu não costumo aceitar esse  tipo de pagamento, moça. – disse Zequias encarando Roberta.
- Eu costumo pagar em euros.  – retrucou ela sem se intimidar mais, acentuando o sotaque  francês.
- Euros... - sussurrou Zequias estreitando os olhos e  torcendo o bigode entre os dedos. Deixou um sorriso frouxo nos lábios  ao aprecia-la mais  interessadamente. – Porque não disse isso desde o começo? Vamos  nos  conhecer melhor “cherri”... Diga-me, porque veio da Europa  até aqui e em que  posso ajuda-la...
Então chamou uma das empregadas e ordenou que fosse servido bebidas e alguns petiscos. Uma hora e meia depois, acordo fechado, Milton e Roberta  deixavam o local



PSV



Rosa abraçou Sílvia confortando-a e acompanhou-a até o carro de Júlio, de braços  dados mas em silêncio. Não há muito o que dizer a alguém que perde um ente  querido.  Não há palavra que cessem a dor, Rosa bem sabia  disso.
Despediu-se  com  outro forte abraço e deixou que ela entrasse no carro.
- Esse é um dos piores  momentos  de nossa  vida. – escutou enquanto sentia as  mãos  de Claude em seus ombros, e o carro se afastava.
- É sim.  – murmurou lembrando-se  do enterro dos próprios pais. – Mas a vida  continua... Vamos para  casa?
- Para  casa? Pensei que  quisesse  voltar à  Athena e ver o resultado  dos  espelhos  no porão...
- Queria sim, mas estou um pouco enjoada,   com uma leve  dor  de cabeça  e um tempo deitada ajudaria.
- Não seria melhor  voltar em sua médica? – perguntou franzindo a testa e abrindo a porta  do carro para  ela.
- Não é preciso.  Esses sintomas são   normais. –respondeu  sorrindo – Está tudo bem, hum?
- D’accord,– responde entrando também  no carro - Se  você diz...
- Digo sim. – afirma Rosa acariciando-o na face – Bem vindo ao mundo dos bebês! – Murmurou amorosamente.
Claude  segurou a mão dela e beijou-a na palma.
- Precisamos contar à Alex, chèrrie. E a nossos amigos!
- Primeiro  à nossa filha, assim que fizermos a ultrassonografia. Eu vi um vídeo na Internet e acho que podemos  usar  a ideia. Um pai mandou o vídeo da ultrasson pelo WhatsAp ao seu  filho mais velho e...



PSV



- Dadi quanto tempo leva pro pedido da  velinha “acontece”? – pediu Alex entre os  goles  do suco que  tomava.
- Eu acho que se o pedido depender só de você, ele acontece logo, menina.
- Ah... Então vai “demora”!
- O que vai demorar, pequena? -  A  voz de Claude invadiu a cozinha.
- Eba, vocês  já chegaram! – vibrou Alex abraçando-o  e ganhando  colo  – O meu pedido pra  velinha, papai!
- E o que  foi que pediu, querida? – pergunta  Rosa servindo-se  de um copo de suco.
- Ah, mamãe  eu não posso “fala” senão não acontece, esqueceu?
- Esqueci mesmo Alex... Humm,  meu Deus, que cheiro é esse  Dadi? – perguntou devolvendo o copo à mesa, tapando a  boca e as narinas  com uma  das mãos, afastando-se.
- Carne refogada para  o estrogonofe, Rosa.
- Oh, eu preciso ir ao banheiro, com  licença!
Dadi sorriu desconfiada e olhou para Claude.
-  É o que estou pensando?
- O que a mamãe tem, ela tá doente? – pergunta Alex quase ao mesmo tempo.
- Não, filha. Ela está apenas indisposta, hã? Fique aqui com Dadi, eu vou ajuda-la, d’accord?
- “Da cor”, papai!
- E Dadi, sim,  é o que  você  pensou! -  Afirmou sorrindo para  ela antes de ir ao encontro de Rosa.
- O que você  tá pensando Dadi?
- Que está na hora  de você  tomar  banho para  o jantar! E que seu desejo foi atendido -  completa em pensamento.



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Nara voltou à sala com um envelope nas mãos.
- Adivinhe o que eu tenho aqui! – exclamou  sentando-se novamente ao lado de Sergio no sofá.
 - Ingressos para algum show? – arriscou ele.
-  Errou! É meu visto de permanência  no Brasil, não é o máximo? – e tira os documentos mostrando-os a ele.  - Agora  posso andar e trabalhar  sem medo.
- Isso merece um brinde!  - diz depois de olhar tudo com atenção - Tem algo  aqui?
- Depois que o Frazão praticamente  se  mudou para a casa da Janete, talvez reste um vinho branco na geladeira.
- Voilà! -  diz Sérgio bem humorado. -  Coloque o filme. Eu pego o vinho. Ou o que  tiver...



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- Amor, seu celular  está  tocando!  - gritou Janete do  quarto, para Frazão no banheiro.
- Vê quem é, ouí?
-  Gurgel – responde ela  identificando a chamada
- Traz pra mim, Jane, por favor! Merci, minha rainha – Agradece  prendendo a toalha em torno de si, pela  cintura, e pegando o celular.
- Great Gurgel, auquel je dois l'honneur de votre appel? [Grande Gurgel, a que devo a honra de sua ligação?] (...)Precisa da minha presença aí...– repete em português trocando um olhar  com Janete que se afasta, voltando ao quarto.
De onde estava Janete ouvia  algumas  palavras de Frazão  e tentava  entend-las: 
Quand était-ce? (...) Bien sûr, je sais que Roger Avril (...) Mon Dieu (...) ne pouvait pas parler à Claude sait aussi ... (...) Partager tous les liens possibles, mon ami. Je vais à la maison de Claude en ce moment. (...) Oui, être prêt, il pourrait vouloir vous parler ... Au revoir
[Quando foi isso? (...) Claro que  conheço Roger Avril (...) Mon Dieu (...)  Não conseguiu falar com Claude ainda, sei... (...)  Mande  todos os links possíveis, mon ami. Estou indo  à casa de Claude  agora  mesmo. (...) Ouí,  fique de prontidão, ele pode querer  falar  contigo...  Au revoir]
- O que houve, por que querem sua presença lá?
- Louise foi manchete de  jornal outra uma vez.  – respondeu ele tirando a toalha  da cintura e vestindo-se.
-  Sei... As fotos com o amante agora são em algum resort particular e querem que você...
- Não são fotos,  querida. Agora são denuncias de  corrupção dentro e fora  do partido. Eu preciso falar com o Claude. Vem comigo?
- Claro, só preciso trocar  de roupa.



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Após ser  flagrada em encontros (in)discretos com o suposto pretendente da  filha, Louise Geraldy está sendo agora acusada de liderar um cartel e  pagar propina a agentes políticos.  
Foi o que circulou no  La Voix de Paris, um  jornal  a serviço da burguesia nacional, comandado por Roger Avril, simpatizante do partido da Frente Nacional,  oposição ao Partido Socialista, comandado por  Louise.
Em edição extraordinária,  o jornal dedicou página dupla às  denúncias sobre financiamento com fundos ilegais de multinacionais francesas, em sua campanha para o vice-prefeito Bernard Chermont, seu noivo e candidato à prefeitura de Paris e  futuramente à presidência do país.
O La Voix de Paris afirma ter provas que  Louise Geraldy e pessoas de seu círculo criaram ao longo dos anos uma rede de informações para facilitar a transmissão de dados sobre  processos judiciais do alto escalão da Corte francesa, numa violação do sigilo da investigação, caracterizando-o como tráfico de influência - a prática ilegal de obter favores, valendo-se  de  uma  posição privilegiada, em troca de favores ou pagamento -   um dos crimes praticados contra a administração pública em geral.
Parlamentares  da  oposição já articulam uma investigação oficial pela justiça parisiense.  Vale lembrar que pela lei francesa o tráfico de influência pode ser punido com até cinco anos de prisão e multa de quinhentos  mil euros.
Roger Avril ainda deixa claro que essa é apenas a ponta do iceberg. Apesar de procurada pela nossa reportagem, Louise Geraldy não se pronunciou até o fechamento dessa edição.
Novas informações a qualquer momento.
A exibição  do vídeo chegou ao fim. Claude apoiou o rosto entre as  mãos e respirou fundo, o olhar  fixo na tela  do notebook.
Foi ao reparar o movimento de  Rosa para fechá-lo que  reagiu.
- Mon Dieu... Quem  está  por trás dessa  denúncia, Frazão?
- Ninguém sabe. Gurgel entrou em contato com Roger, mas ele foi irredutível e não quis revelar  suas  fontes.
- Fontes? Então já mais de uma pessoa  por  trás  disso. Vou precisar  de  você por lá mon ami.
- Eu já desconfiava. Vou providenciar minha  passagem  de  volta amanhã, no primeiro voo disponível.
- Eu sinto muito Janete, sei que estão construindo um relacionamento, mas não posso deixar que isso interfira nas empresas que meu pai ergueu durante  sua  vida.
- Eu entendo Claude. Além do mais, Frazão já estava planejando voltar mesmo...
- E é  bom que saibam também já a convidei para ir  comigo.
- Frazão, eu ainda não falei com eles! – diz Janete repreendendo-o.
- Jane! Por que não nos contou? Você aceitou, não é? – pergunta Rosa sorrindo.
- Eu ia  contar mas  com a  reforma e essa ameaça pairando sobre  Alexandra eu achei melhor  esperar. E por falar nela, cadê?
- Ela  foi passar  o domingo com   Liz e John. Dadi a levou. – explica  Rosa.
- Janete ficamos imensamente gratos por  sua  consideração conosco, mas não  deve  nos colocar  acima de sua  felicidade. – diz Claude – As portas  da Athena estarão sempre  abertas para  você, hã?
- Eu falei que o francês tem o coração mole, não falei? -  brinca  Frazão.
Antes que alguém mais  falasse algo o  celular  de Claude toca.
- É ele. – diz atendendo a chamada – Alô, Gurgel...
- Eu vou fazer um café,  ok  – diz  Rosa.
- Eu vou  com você. – afirma Janete, e as  duas  vão  para  a cozinha.
- Um momento,  Gurgel,  Frazão está aqui, vou colocar no viva voz...



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Enquanto Dadi preparava  café e Liz o chá  Joanna colocava o  bolo e  o suco sobre a mesa,  sob o olhar atento  de Alex. 
- Eu queria  ajudar... – pediu ela.
- Ótimo! -  exclama Joana – Coloque os  guardanapos, um para  cada pratinho.
- Onde tá eles?
- Ali em cima  do balcão Alex.
Assim que os localizou, Alexandra coto quantas  pessoas  tinham para  o café e separando os guardanapos, colocou-os ao lado dos pratos. E ficou olhando fixamente  para  o bolo ate  dizer.
- Madrinha,  você não tem uma  velinha pra  colocar  no bolo antes da gente  comer ele?
- Velinha?
- É igual aquela que  tinha no meu aniversário...
- Oh, darling, eu acredito quem não temos, não é  Joana?
- Realmente não temos... Por que  você  queria isso?
- Pra “mim fazê” o pedido de novo, tá  demorando muito...
- E o que  foi pediu? – Liz quer saber.
- Ah, madrinha a gente  só pode  falar pra uma pessoa e eu  já  falei pra  Dadi...
- E é algo muito importante?
- É sim... – responde melancólica.
- Well, nesse  caso você pode usar  o  jeitinho americano e pedir enquanto cortamos  o primeiro pedaço de  bolo, que tal?
- Yes! – reagiu sorrindo.
- Entao vá  chamar o padrinho para que  o pedido seja mais  forte...
- Tá! – exclamou e  saiu saltitante em  busca  de John.
- Então você  sabe  do pedido de nossa pequena Dadi...
- Ela  contou sem querer, dona  Liz – explica-se  Dadi, toda sem graça.
- E qual é esse  pedido cheio de segredos?
Dadi já ia  abrir  a boca  quando Alex  retorna  com John.
- Well, wel, well, tem alguém  aqui com muita  pressa em cortar  um bolo para  fazer um pedido!
Então enquanto Joana cortava   o bolo, Alex fechava  os olhos e refazia  seu pedido.
Serviram-se todos e  momentos  depois Alex  quis mais  bolo e Liz serviu outro  pedaço  à Alexandra, ignorando o descontentamento de Dadi.
- A senhora  não devia  dar   mais  bolo a ela, Dona Elisabeth!
- Sou a madrinha dessa menina, Dadi. Minha  função é mima-la mesmo!
 - Ela  não  vai  querer jantar e Rosa vai  ralhar  comigo.
- Rosa ralhar com você? – diz Joana sorrindo... – Essa eu quero  ver!
- Ah Dadi, o jantar é só de noitão e eu  tô com fome agora! – reclama Alex
- E ainda  é cedo, nem cinco horas! Pode  comer, darling!
Alex olhou mais uma  vez para Dadi,  lembrando-se da  regra “obedecer Dadi”, dos pais.
- Está bem, você venceu, menina! Pode  comer.
- Yes! – respondeu alegre, pegando o pedaço de bolo com a mão e mordendo-o. – “Vamo lá termina”  o quebra-cabeça padrinho?
- E então, Dadi... Qual é  o desejo de nossa menina?
- Dona Liz eu não devo contar...
- Oras Dadi! Sabemos que é um segredo dela, mas somos todas  adultas, ninguém vai sair  falando por aí que  sabe! – diz Joana.
. Vamos, Dadi, estamos  curiosas e talvez  seja algo que uma de nós possa  fazer.
- Não, nós não podemos mas Claude e Rosa sim. E ao que tudo indica, sem saber já  atenderam o pedido de Alex, mas ela ainda não sabe.
Liz e Joana demoraram alguns instantes  para  entender a mensagem implícita na fala de Dadi. Olharam uma para  a outra e Liz falou primeiro:
- Rosa está grávida?
- Sim.  Mas  só vão  contar após a ultrassonografia. Eu descobri por acaso. Rosa   teve um enjoo e não deu pra disfarçar...
- Que maravilha! Um bebê por  perto novamente! – Diz  Joana.
- Vocês  duas  vão  fingir  que não sabem de nada. – pede  Dadi.
- Sobre o que? – diz  Liz  sorrindo – Joana você  está sabendo de  alguma coisa?
- A única  coisa  que  sei, é que vou  lavar  essa louça.
Então Alex entrou na  cozinha, chamando  todas  para ver o quebra  cabeça  montado.



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Contrariando as previsões  de Dadi,  Alex não só comeu como passou todo o jantar relatando suas aventuras  com os padrinhos.
Mas recusou a sobremesa e pediu consentimento para ir ao quarto, “falar” com Serafina.  Momentos  depois, quando Rosa entrou no quarto a encontrou dormindo.
Por sorte já tomou banho por lá, pensou Rosa, acomodando-a melhor.
Ao voltar  para  a sala, Claude  colocava  Dadi a par  da nova  situação de Louise.
- Você gostaria de ir até lá Claude?
 - Não, chèrrie.  Por isso pedi a Frazão que  retorne.
- Tem certeza?
- Ouí. França só para  nossas férias, d’accord?
- D’accord.  – concordou com um sorriso antes  de  darem  boa  noite a Dadi e se recolherem.



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Nara pausou o vídeo e abaixou a tela  do notebook.
Que  “boa” notícia  para a segunda-feira, depois  de uma  noite  tão maravilhosa! – pensou levantando-se, inquieta.
- Incrível como ela  consegue nos perturbar a tantas  milhas  de distância!
- Não se  deixe  perturbar, Nara. – diz Claude aproximando-se e abraçando-a -  Os erros  são de Louise, não nossos.
- O que  vai acontecer com ela, Claude? -  pergunta com a voz embargada.
- Ela pode ser  acusada formalmente e indiciada pelas  autoridades francesas. Então caberá a ela  provar que é inocente.
- Mas  ela não é inocente, não é? Você percebeu e  por isso abandonou a  vida  politica  que tinha...
Ouí,  foi por isso mesmo;  pelas  incoerências, pelo método não convencional de Louise.
- Eu não queria sentir nada. Sei que ela agiu mal, inclusive  com você e Rosa... Mas ela é minha mãe e eu não  gostaria  de vê-la atrás  das grades! – exclamou afastando-se até a janela.
- Acalme-se petit.  Essa história envolve muita  gente poderosa  e talvez  nada  do que eu disse aconteça hã?
- Acha que  devo ir  com Frazão? – pergunto sem  se  voltar.
- Embora eu creia que não, a decisão é  sua. Mas lembre-se, a imprensa não dará trégua a você se a encontrar, Nara.
- Você  está  certo. – afirmou ela  depois de  alguns  minutos -  É melhor eu  ficar e ajuda-los  com a galeria.
- Merci, Nara. É bom se preparar, pois vai  ficar  no lugar  de Janete, hã?
- Voilà, então finalmente ela  aceitou o pedido de Frazão!
- Você  sabia  e não os  falou nada?
- Ela  pediu segredo, d’accord? – diz  esforçando-se  para  sorrir e esquecer Louise.
Então Rosa entra, com um  envelope pequeno nas mãos.
- Adivinhem o que eu tenho aqui?
- Uma intimação por  causa de nossa denúncia sobre  Roberta.
- Não. A propósito o delegado com quem falamos  saiu de férias e o substituto disse a Rodrigo que  irá investigar  o caso assim que  possível, pois  está  com falta de agentes.
- Mas era só o que faltava!  - reclama Claude. – Bien, então o que tem aí?
-  É um convite  de casamento e não é da Janete, hum?
- Mon Dieu, não faço ideia chèrrie...
- Eu menos! – Comenta Nara.
- Estamos  convidados para ser  padrinhos de Freitas e Erci, Claude!
- Olalá! Acho que fui quase um Cupido, hã? Quando será?
- Em trinta  dias, uma cerimônia civil apenas e uma  pequena recepção depois.
- Se o jardim estivesse inteiramente remodelado poderiam se casar  como nós  casamos, hã? – comenta  Claude puxando-a pela cintura, colando seus  lábios  aos de Rosa.
Nara  sai discretamente da sala.
- Se ficar me beijando perderemos o horário da consulta... – murmura Rosa.
- Temos...  dois  minutos antes  de sairmos. – afirma olhando seu relógio de pulso por cima  dos  ombros  dela. – Tempo suficiente para mais de um beijo mon amour...



PSV



Com a ida  de Frazão e Janete à França,  Silvia  deixou de ser a babá  de Alexandra e passou a integrar  o grupo Athena, dividindo com Nara a recepção e o secretariado da galeria.
A princípio Alex  ficou triste, mas  logo  foi consolada  com a notícia de  suas  férias na  escola e a possibilidade  de passar algumas  tardes  no ateliê.
Estava ansiosa pois  seria outra  vez a  noivinha  de um casamento, dessa  vez  de sua médica, a  doutora  Erci. Desde que entrara  na escola, fora  aos poucos deixando de chamar  as pessoas  de “tia” e “tio” e, quando não sabia  como chama-las, recorria aos pais primeiro. Em toda sua ansiedade, Alex há  vários  dias  esquecera de falar e cobrar  seu pedido à  velinha.
Da França não chegavam  boas  notícias. As  denúncias contra Louise só aumentavam. Além do  La Voix de Paris, outros  jornais bombardeavam diariamente a  vida  política e pessoal de Louise, trazendo à  tona suspeitas  do passado,  lançando a dúvida se  ela  não  seria mesmo  a responsável pela morte do marido François Geraldy (acusado de fraude, superfaturamento e corrupção),  quando tentou interceder a seu  favor e ao que parece, à  época   envolveu-se intimamente com os dois promotores que decidiriam o futuro de François.
A mídia televisiva mais marrom e sensacionalista  pegava  carona e chegava  ao ponto de  levantar  a hipótese de Louise  ser a responsável pelo atentado que vitimara a primeira  esposa  de Francois, Simone  Geraldy.
A opinião pública já começava  a pressionar seus  líderes nas  câmaras, para que Louise  fosse afastada e investigada. Louise perdia aos poucos o apoio de seu partido, de parceiros, de amigo e simpatizantes, evitando aparecer em público, principalmente  depois da última  palestra em que  saíra  vaiada  do auditório de uma  faculdade.
Frazão e Gurgel tentavam impedir que a  situação abalasse o prestigio das  empresas e, embora as ações houvessem perdido valor  na  bolsa  de Paris, nenhum funcionário havia sido demitido, nem havia  previsão de acontecer. E isso era o que  contava, como ouvira  de Claude.
Janete  sempre  acompanhava  Frazão e o ajudava como conseguia, já que não  dominava o francês fluentemente.  Sentia  falta e saudades  dos amigos  brasileiros, mas esforçava-se  a cada  dia para  se adaptar à rotina  francesa.



PSV



Estavam numa  sexta feira, a  quinze  dias do casamento de Erci e Freitas.  Claude  acabara de pegar Rosa e Alex no ateliê  de  costura para  a prova  do vestido que ela  usaria na cerimônia.
Embora não fosse uma cerimônia religiosa, Erci fizera  questão que  sua  dama de honra estivesse caracterizada  como tal.
Alex  passou boa  parte  do caminho tentando explicar  ao pai  como era  seu vestido, sem êxito.
- É um vestidinho branco e comprido até o seu pé, acertei?
- Ah, mon Dieu papai... Não! Ele é  cheio de coisinhas pra  enfeitar  ele,  assim ó... – e fazia gestos  com os dedos. -  Por que  você  chegou só depois que eu tirei o vestido? – perguntou colocando as mãos  na  cintura, mesmo sentada na  cadeirinha.
- Pardon mademoiselle Alexandra! – exclamou com um sorriso no canto  da  boca – Mas  eu tinha  um assunto  urgente  para  resolver, hã?
- Humm... – resmingou  fazendo  bico – Mas no outro  dia você  vem né? Vai  ser a... a.... Como é mesmo que  fala mamãe?
- Vai  ser a prova  final, querida. – explicou Rosa.
- Eu prometo que irei com você, pequena. – respondeu Claude olhando-a  pelo retrovisor.
- O assunto foi resolvido papai? – perguntou Rosa quase  num sussurro.
- D’accord. Podemos fazer  a revelação hoje  mesmo... – respondeu no mesmo tom.
- Voilà! – murmurou Rosa sorrindo e levando as mãos ao seu abdômen.
- Ah, por que  vocês  tão cochichando? Quando eu  falo isso vocês  “fica”  bravo comigo...
Claude e Rosa se olharam e riram.
- Tem  toda  razão meu amor. Não  vamos mais  cochichar, ok?
Mais tarde, já em casa, todos  na  cozinha, Alex brincava  de mandar  mensagens para Claude enquanto Rosa e Dadi preparavam o  jantar.
- Chega de figurinhas, pequena. O papai vai  te mandar  um vídeo, d’accord?
- Yes! É da Elsa e do Frozen? – pergunta  Alex, curiosa.
- Não. É algo muito melhor que isso, hã? Pronto. Já pode  ver o que é.



Alex esperou que o  vídeo carregasse e olhou atenta as imagens, enquanto Rosa  se aproximava  dos  dois.
- O que que é isso... Ah já  sei! É aquele  filminho que o médico  faz  “dos bebe”... “Eles é” tão pequenininho né, papai?
- Tem que ser, hã?
- Ih, mas  tá  cheio de coisa  escrita, você lê pra mim?
- D’accord. Vamos  reiniciar o vídeo...
 “Oi pessoal, olha eu aqui (...) Estou com doze semanas (...) Minha mamãe e meu papai estão  cuidado muito de mim (...) Estou com quase  sete centímetros (...) Perceberam  como sou serelepe? (...) Meu coração é  muito forte e já está  cheio de amor (...) Agora eu  vou contar  um segredo eu sou sua irmãzinha, Alexandra,  e não vejo a hora  de estar  com você (...)
Alex olhou espantada para  Claude, depois para Rosa. Então   cobriu a  boca  com as mãos, antes de olhar  para  Dadi e exclamar
- A velinha ouviu o meu pedido!
Depois... Bem, depois foi só festa, abraços e beijos...



                                     PSV


                                                    Continua...

2 comentários:

Débora disse...

Que coisa mais linda gente.. <3.. Alex é demaisssss... <3.. Tenho medo dessa pausa de Roberta..caracassssssss vejo um tornado tão grande a vista.. :S..

Ta sensacional Soniauska.. Quero maisssssss.. Pq tô em dia..hahahahhaha

Jake disse...

amei!!!!

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