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sexta-feira, 15 de abril de 2016

PSV/Capítulo 32


      PSV


Rosa terminou de secar o cabelo e voltou  para o quarto.
- Alexandra... Outra vez acordou sem a minha ajuda? Bom dia, meu amor!
- Bom dia  mamãe! – Respondeu Alex - Sabe por que eu acordei cedo?
- Não, por quê?
- Porque eu quero duas  coisinhas...
- Duas, logo pela manhã? Ok, vamos lá qual a primeira?
- Eu quero ir   com você pra  ver o Claude. Eu tô com saudade dele.
Rosa mordeu o lábio. Isso poderia estar resolvido se Claude não fosse  tão... Tão estúpido!
- Alex,  a Galeria é o meu local de trabalho. E do Claude também. E hoje é sexta-feira, você tem escola, mocinha!
Alex abaixou a cabeça em direção a sua mão e contou alguma  coisa nos dedos, antes de argumentar.
- Mas amanhã é sábado e não tem escola, você me leva?
- Está bem, amanhã  você vai comigo.  – Claude que pense o que quiser. – Refletiu Rosa – E a segunda  vontade?
-  E acordei cedo pra ajudar  a fazer o bolo de cenoura! – Continuou enquanto andava pelo quarto, vestindo o casaco de Rosa, que lhe servia de vestido.
- Oh, eu fico muito feliz que queira  ajudar, mas hoje a mamãe  perdeu a hora e não vai dar tempo de fazer   bolo.
- Ah... – Murmurou Alex, sentando-se  na cama,  visivelmente  decepcionada.
- Mas  podemos  fazer quando você  chegar da escola, o que acha? – Disse Rosa tentando anima-la.
-  Oba!! E você  deixa eu comer um pedaço antes  do jantar?
- Filha, antes do jantar não... – Começou a falar, olhando-a pelo espelho enquanto passava   batom. E não resistiu a  carinha de vontade e ansiedade que ela  fazia. -  Não devemos mas hoje nós  duas  vamos  comer  bolo de cenoura, antes  do jantar.
E voltou-se para a filha.
 - Fechado?
Alexandra estalou os olhos, incrédula, e desceu da cama  num pulo.
- Yes, yes! – Exclamou abraçando Rosa – Amo  você mamãe!
- Eu também te amo muito! – E retribuiu o abraço, soltando-a em seguida, para  calçar os sapatos.
Sentou  na beira da cama enquanto Alex rodopiava com  as mãos nos   bolsos  do casaco, cantarolando uma  música  infantil.
- Muito bem garota, pare de girar ou  acabará caindo, hã? – Pediu Rosa em tom de ordem – E me dê esse casaco, mocinha. Ele vai para  o armário.
 - Ih, tem  um papelzinho aqui, óh! – Falou Alex  tirando a mão do bolso e a estendendo para  a mãe, antes de despir o casaco.
Imediatamente o sorrido de Rosa desapareceu. O bilhete de Claude. Havia se esquecido dele.  Pegou o papel com a mão trêmula e o apertou com força, até transformá-lo em uma  pequena  bolinha.
Então a jogou displicentemente sobre o aparador que lhe  servia de penteadeira e pendurou o casaco.
O barulho de uma porta fechando chamou a atenção de Alexandra, que saiu correndo enquanto dizia:
- A  Silvia chegou! Eu vou “convida” ela pra comer bolo “coagente” antes do jantar!



 PSV




John e  Liz percorriam a feira de arte ao lado de Pepa, Carlos  seu marido e Antônio.
A simplicidade dos espaços    se aliavam ao requinte e luxo das peças, harmoniosamente distribuídas em áreas distintas: quadros,  esculturas, joias,  moveis, fotografias,  livros raros e tantos outros objetos que representavam as demais linguagens da arte. Monitores orientavam os visitantes passando informações sobre  o período da peça  na linha  do tempo da  história da Arte e curiosidades sobre  o artista e seu processo de criação.
E num evento desse  porte não poderia  faltar um espaço gourmet. Incrivelmente funcional e acolhedor.   Era nele que, depois de andarem boa  parte da manhã e começo da tarde, estavam confortavelmente instalados e sendo servidos.
- Realmente este é um evento imperdível! – Diz John – Com certeza  voltaremos  no próximo, não é darling?
- Seria um prazer! Isto é o  sonho de qualquer colecionador ou apreciador da  boa  arte.
- É um grande  ponto de encontro Liz! – Fala Pepa -   Curadores,  representantes de museus, antiquários,  galerias, designers  e  amantes da arte de todo o mundo. É “a” feira,  com  padrão de excelência no mercado de Arte.
- A feira evoluiu muito. – Comentou Carlos – O que veem é o resultado de um trabalho de anos  antes da existência  dela. Só recentemente adquiriu reputação em excelência, perícia e  elegância, além da qualidade na exibição dos itens à venda.  Como chegamos a essas exposições memoráveis? ​​Com iniciativas inovadoras que mudaram a forma de fazer negócios com e em Arte.
- Deve ser  sido um trabalho árduo então... – Questiona John.
- Na verdade,  essa feira  deriva de um evento acadêmico, o “Amsterfest”.  Um evento  da  Escola de Arte de Amsterdã que  foi ganhando força e vulto e se transformou nessa maravilha.
- Eu gostaria muito de conhecer o responsável por ela. -  Ponderou Liz, tomando num gole da bebida.
- Pois você está com sorte! – Exclamou Antônio levantando-se – Vai  conhecer não só o  responsável como o  idealizador de tudo isso! – Continuou falando enquanto sorria e estendia a mão para alguém que se aproximava.
Todos a mesa o seguiram com o olhar.
- Erjan!  Disse Carlos cumprimentando-o – Gostaria que conhecesse dois amigos de longa data.
John e  Liz  se levantaram para os  cumprimentos. Erjan era uma  pessoa simpática à primeira vista e quando soube que ambos eram curadores de uma galeria no  Brasil a empatia aumentou ainda mais entre todos.
Erjan puxou uma cadeira vaga da mesa ao lado e engajou um animado bate papo,  esclarecendo algumas  dúvidas e curiosidades do casal.
John questionou sobre a autenticidade das peças e a segurança das mesmas num evento desse porte, que pode atrair os famosos ladrões  ou falsificadores de arte.
Escutaram com atenção a  explicação de Erjam, que durou alguns  minutos:
- Essa era uma das minhas maiores preocupações, John. – A feira é uma vitrine, temos as melhores e mais tradicionais obras de arte do mercado atual. Você pode ver e comprar uma grande variedade de joias, fotografias,  porcelanas e tantas outras peças e  com o tempo  veio a experiência. Sempre primamos pela veracidade de cada obra e graças a uma parceria com  um  amigo advogado, professor de criminologia em uma  universidade de Amsterdam e especialista em roubo, montamos uma equipe e  a autenticidade de cada pintura e objeto é garantida após um processo de seleção. São especialistas internacionais que examinam todas as obras de arte  autenticando-as  para a compra com toda confiança possível. Contamos também com um banco de dados privado de arte roubada, que fornece informações e objetos roubados são removidos imediatamente do evento e  denunciados.
- Um belo trabalho em equipe, realmente. – Parabenizou-o Liz.
- Que tem se multiplicado. – Afirmou Erjan.  
-  Eu disse à John, que  aqui seria  uma grande oportunidade de negócios para ele, Erjan. Por que não marcamos uma  visita à  sua loja?
- Mas claro, por que não? Vai ser um prazer negociar  com vocês. Saibam que tenho um enorme desejo de conhecer  o Brasil e...



PSV



Alex esperou que  Rosa colocasse o pedaço de bolo no prato e usou dois dedinhos  para partir e leva-lo à boca, desprezando  o garfo. Era terça-feira e feriado. Silvia tinha folga nesses dias.
- Alex! Onde estão seus  bons modos, hum? – Ralhou Rosa gentilmente.
- Ah, mamãe! Assim é mais  gostoso! – Respondeu tirando outra porção da fatia do mesmo modo. – Por que  você não tenta?
Rosa estava com o garfo próximo ao seu pedaço de bolo quando ouviu isso da  filha.  Parou o movimento e  devolveu a faca  à mesa e imitou-a.
- Não é que  você tem razão? -  Falou depois de comer um minúsculo pedaço da fatia e lamber a cobertura de chocolate do dedo. – Mas só devemos  fazer isso em casa e nunca na  frente  das visitas,  ok?
- Por que, mamãe?
- Porque é falta de  etiqueta, de  bons modos, Alex. Além de ser falta de higiene comer  com a mão.
- Mas a minha mão tá limpinha! – Disse estendendo-a para a frente, tentando provar  sua  fala.
- E o que é todo esse chocolate no seu dedo?
Alex recolheu a mão, virando-a para si e lambeu a ponta dosdedos.
- Pronto, não tem mais! – Exclamou sorrindo.
Rosa chacoalhou lateralmente a cabeça e acabou rindo também.
- Você deixa eu ir  todo sábado  com  você na galeria? O Claude disse que eu posso, ele fez um monte de desenho comigo... Ele desenhou você, sabia?
-Ah é? E onde está que não me mostrou?
- Ele não acabou de “faze” não... A gente  “tava  brincano” de escolinha e ele levo pra casa “de tarefa”. – Falou Alex acabando de  comer o  bolo. – Posso assistir TV?
- Pode. Depois de lavar as mãos. – Respondeu Rosa pensativa.
Alex então empurrou a cadeira até a pia da cozinha e lavou as mãos com detergente.
- Pronto! Você pode ficar  comigo lá,  hoje, vendo TV?
- Caro que sim, meu amor! Só vou  ajeitar a cozinha, ok?
Alexandra concordou com a cabeça e pulando da cadeira  correu para a sala, ligando a TV. Rosa ouviu o  som de um desenho animado mas logo seus pensamentos o trocaram por outros  sons, como a voz  de Claude  cumprimentando  Alex no sábado passado.
Em que momento você me  retratou que eu não vi, Claude? E por que  fez isso? Deve ter feito quando desci para atender Dona Antonieta, nossa vizinha... – Ponderou enquanto guardava o bolo e o resto do café  da manhã na geladeira antes de lavar  a louça  suja.
E pareceu  ficar  triste quando mais tarde subi e disse a Alex que já estava na hora de irmos. Isso era  algo que tinha que agradecer: Claude não desprezar Alex!
Fechou a  torneira e observou a água sumir pelo ralo da pia.
Quando ele  souber, me desprezará ainda mais. Preciso arrumar  coragem e contar, ele não pode  continuar  pensando que ela é filha de John!
-  Mamãe vem! Vai começar a Elsa! – Gritou Alex, animada.
- Estou indo, querida! – Respondeu Rosa voltando à realidade.
Enxugou as mãos, cobriu a louça com uma toalha limpa e foi para a sala. Alex estava deitada  no chão, sobre o tapete e em meio a alguma  almofadas.
- Deita aqui comigo, mamãe! – Pediu ela, carinhosa.
E foi o que Rosa fez. Deitou-se ao lado da filha empurrando para o fundo esses pensamentos. Teria muitas  noites para  pensar e planejar algo. Agora era agora e tinha o dia  todo disponível para faze as  vontades de Alex.
Assistiam ao filme e as observações de Alex sobre ele eram pontuais. A cada cena ela explicava à mãe o  por quê daquilo acontecer. Repetia as falas até mesmo antes das personagens.
Rosa só reparou no silêncio  da filha quando o filme  já estava no fim confirmando sua suspeita: Alex dormira. Também pudera, mesmo sendo feriado haviam acordado muito cedo!
Pensou em leva-la para a cama, mas   poderia acorda-la.  Melhor que  ficassem ali mesmo. Abaixou o som da TV e pegou o livro de História da Arte que estava lendo. Abriu-o na página marcada  e leu três delas, sobre a vida de Picasso, precursor do cubismo,  uma escola que não era a sua  favorita.  A quarta página começava com uma das  citações  do pintor: Nada mais.
“No mundo nada mais existe a não ser o amor. Qualquer que ele seja.”
Talvez o sono  de Alex a tenha deixado sonolenta também. Piscou pesadamente e releu a frase. Então o livro escapou  de suas mãos, as folhas se agitaram e um  pedaço de papel caiu de dentro delas.
 “Precisamos conversar sobre  tudo -  Claude”
Apesar de alisado percebia-se no papel as marcas de ter sido amassado.  É assim que está nosso amor, Claude. Cheio de dobras e marcas...
Então devolveu o pedaço de papel para dentro do livro, sem olhar  a página e largou-o no chão, pouco acima de sua  cabeça. Depois abraçou Alexandra e fechou os olhos, disposta a sonhar  os mesmos  sonhos  da filha.



PSV




- Como assim devo procurar outra pessoa Beto? – Perguntou Roberta do outro lado  da mesa.
- Eu sinto muito Roberta, mas esse é meu último trabalho para  você. –  Explicou ele, entregando o envelope como de  costume. – Aí dentro tem alguns nomes, de  total  confiança.
- Por que está  fazendo isso? Posso aumentar seus honorários, faça a proposta. Quanto quer?
- Não quero nada. Estou deixando todos os meus clientes. Na verdade estou deixando a França.
- Vai ser detetive em outro país? Vai trocar euros pelo que?
- Pela minha integridade Roberta. Cansei dessa coisa de seguir  pessoas e fotografá-las em seus desvios de conduta. Já estava com a decisão tomada quando recebi  um convite para voltar a fotografar  arte. E é isso que  vou fazer!
- Vai trabalhar  para  alguma revista  concorrente? -  Pergunta em tom  de piada.
- É uma revista italiana que acompanha exposições internacionais. A próxima é  no  Brasil, em São Paulo.
- Brasil? Que interessante, talvez  você  possa fazer um ultimo trabalho por lá então... Nada de tão invasivo, Beto. Eu pago adiantado e você me manda as fotos por  e-mail.
- E o que seria?
- Quem, no caso. Claude. Ele foi para  São Paulo.
- Ele está com alguém?
- É justamente isso que quero  saber. Posso contar  com você?
- Roberta não estou indo amanhã para lá. A exposição só deve acontecer em uns  dois meses, talvez três.
- Tudo bem, eu posso esperar. – Diz tirando o  talão de cheques da  bolsa.
- Não, eu prefiro que  você me pague  depois. Caso eu faça as fotos.
- Eu sei que vai fazer. – Respondeu Roberta sorrindo e guardando o talão. – E sobre o que é a exposição?
- Sobre o Renascimento. Organizada e viabilizada por  ninguém menos que  Egídio e Catarina Vasconcelos, donos da...



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Janete segurou as  fotos  que Sérgio lhe devolveu e perguntou:
- E então,  o que me diz agora que viu as fotografias?
- Que as suas  suspeitas tem fundamento. Alexandra se  parece com ele em alguns pontos. Mas também se parece demais  com Rosa...
- É uma combinação perfeita  do dois! – Exclama colocando a fotografia de Alex  sobre o pequeno balcão.  –  O formato do rosto,  os olhos e a boca... É tudo dele. Porém o jeito de olhar e o sorriso são heranças de Rosa.
- Bem isso de parece não  quer dizer nada.  Li  em algum lugar que há pelo menos sete pessoas iguais a cada um de nós no mundo e mesmo sem relação de parentesco, elas terão características muito  próximas das nossas.
- Eu não duvido disso. Até aceitaria essa hipótese, caso Rosa não tivesse voltado da Europa grávida.
- Claude não é o único europeu do mundo Janete...
- Rosa nunca revelou o nome desse europeu.  Mas em algumas  conversas, deixou escapar que  era francês e que haviam se conhecido em Amsterdã. Tem que ser Claude!
- Então ele  comprou a galeria para se  reaproximar dela e da  filha?
- Eu acho que não. Ele nem sabia que  Rosa estava grávida, ela não contou. Acredito que foi uma grande  coincidência. – Replicou Janete guardando a foto de Alex na pasta, com as  outras.
- Pensando bem, sua teoria faz  sentido.  Eles estão sempre se evitando e quando ficam juntos dá pra sentir a tensão entre eles, como agora a pouco, antes que saíssem.
- Pois é. Mais alguns minutos e teríamos portas batendo outra vez.  Bem, tudo fechado, só falta ativar o alarme. Vamos?
- Vamos. – Responde Sérgio alcançando o alarme, ativando-o.
Então segurou a  porta até Janete passar e trancou-a com a chave.
- Mas tem um lado positivo nisso tudo. – Foi dizendo enquanto caminhavam para o estacionamento - Alex parece gostar de Claude e ele dela.
- Parece não. Eles se dão muito bem. Não reparou sábado, como se divertiram no ateliê? Tomara que Rosa conte  logo a ele e que se acertem. Vou adorar  ver esses  três felizes!
- Eu também.  Rosa merece.
- É claro que eu não preciso pedir silêncio a você  sobre esse assunto não é?
- Claro que não Jane. Até porque é assunto deles e em  assunto de marido e mulher...
- Ninguém  mete a colher. – Completou Janete, enquanto entravam no carro.




PSV




“Não se atrase” - Lembrou-se Rosa,  do tom  de quase ordem  na  voz  fria de Claude, antes que deixasse a sala dele naquela tarde.
Olhou o relógio e estacionou o carro calmamente. Até pensara em se atrasar só para irrita-lo, mas, depois concluiu que  quanto mais cedo  fosse, mais cedo voltaria.
Retocou o batom e ajeitou  o cabelo com os dedos antes de descer do carro e atravessar a calçada até a portaria  do edifício, segurando a echarpe que a brisa noturna teimava em afastar de seus ombros.
 Um táxi saia, fazendo a  conversão.
Rosa Identificou-se ao porteiro e assim que ele conferiu e confirmou-a numa lista  pode entrar.
De dentro do táxi, já  do outro lado da avenida, Dadi  reparou melhor naquela silhueta feminina,  parada em frente à portaria. “Rosa?”– Pensou apertando os olhos, na tentativa de ver melhor, mas o tráfego de veículos e a distância aumentada não a ajudaram.
“Não, não deve ser...” – Concluiu voltando sua atenção para o percurso à sua frente. 


 
PSV




Foram vários toques na campainha, até Rosa ser atendida por um Claude de roupão, com uma  toalha na mão livre.  Assim que a viu, abriu a porta esperando que ela entrasse.
- Voilà, está adiantada! – Observou Claude. – Não imaginei que estivesse tão ansiosa pelo nosso encontro. – Concluiu com sarcasmo.
- E não estou. Apenas pensei que  vindo antes, volto antes para  minha casa.
- Não necessariamente. – Disse Claude sem emoção na voz dessa vez. – Não cruzou com Dadi? Ela acabou de sair.
- Você disse que ela saia cedo e só voltava no outro dia.
- Pois é, mas hoje ela  não quis folgar de dia.
- Bem, eu não a  vi. Está  com medo, preocupado com sua reputação caso ela me veja aqui, com você? – Revidou sem conseguir desviar os olhos dos movimentos  que ele fazia, ao enxugar os  cabelos.
- Com a minha não. Mas talvez ela mude  o conceito sobre a sua. – Disse apontando-a como dedo, antes de  jogar a toalha  sobre o ombro.
Rosa mordeu o lábio e desviou o olhar. Olhou para o chão e fechou a mão controlando a  vontade de esbofeteá-lo.
– Se a minha  conduta lhe parece  irregular, devo lembra-lo que é  culpa  sua. Você   colocou-me nessa situação.
- D`áccord. Mas não  vamos perder seu precioso tempo com uma  discussão sobre nossas culpas. Vamos aproveita-lo  de  forma mais interessante e prazerosa, hã? – Murmurou Claude sorrindo.
Então roubou a echarpe em um gesto firme e sentiu o perfume antes de  despreza-la e puxar Rosa pela cintura até que  suas  bocas ficassem a poucos milímetros uma  da  outra.
Rosa separou os lábios disposta a argumentar em sua  defesa, mas  o único som que  escapou de  sua boca foi um gemido,  abafado pela  boca de  Claude.
Tentou empurra-lo e tudo que  conseguiu foi que ele a apertasse mais. Insistiu usando nos braços toda  força que  foi capaz e por alguns segundos sua  boca  ficou livre. O tempo suficiente para  soltar uma exclamação desgostosa enquanto seu corpo caia, acompanhado pelo de Claude.
O sofá a acolheu primeiro. O  peso de Claude a manteve nele e seu rosto  foi coberto pela toalha,  impedindo-a de conferir a expressão de Claude.
Preparou-se para uma grosseria da parte dele, porém, sentiu a toalha deslizar suavemente para o lado.
- O lá lá  – Murmurou Claude divertindo-se – E isso foi tudo que conseguiu chèrrie... – E não segurou uma gostosa risada.
- Ah, não  zombe  de mim! - Exclamou Rosa irritada, tentando acerta-lo no peito com os punhos fechados.
 E só se deu conta do quanto essa luta era inútil e desfavorável a ela quando já estava sendo carregada por ele  para o quarto.




 PSV 



                           Continua na próxima semana

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