PSV
Rosa terminou de secar o cabelo e voltou para o quarto.
- Alexandra... Outra vez acordou sem a minha ajuda? Bom dia,
meu amor!
- Bom dia mamãe! –
Respondeu Alex - Sabe por que eu acordei cedo?
- Não, por quê?
- Porque eu quero duas
coisinhas...
- Duas, logo pela manhã? Ok, vamos lá qual a primeira?
- Eu quero ir com
você pra ver o Claude. Eu tô com saudade
dele.
Rosa mordeu o lábio. Isso poderia estar resolvido se Claude
não fosse tão... Tão estúpido!
- Alex, a Galeria é o
meu local de trabalho. E do Claude também. E hoje é sexta-feira, você tem
escola, mocinha!
Alex abaixou a cabeça em direção a sua mão e contou
alguma coisa nos dedos, antes de
argumentar.
- Mas amanhã é sábado e não tem escola, você me leva?
- Está bem, amanhã
você vai comigo. – Claude que
pense o que quiser. – Refletiu Rosa – E a segunda vontade?
- E acordei cedo pra
ajudar a fazer o bolo de cenoura! –
Continuou enquanto andava pelo quarto, vestindo o casaco de Rosa, que lhe
servia de vestido.
- Oh, eu fico muito feliz que queira ajudar, mas hoje a mamãe perdeu a hora e não vai dar tempo de fazer bolo.
- Ah... – Murmurou Alex, sentando-se na cama,
visivelmente decepcionada.
- Mas podemos fazer quando você chegar da escola, o que acha? – Disse Rosa
tentando anima-la.
- Oba!! E você deixa eu comer um pedaço antes do jantar?
- Filha, antes do jantar não... – Começou a falar, olhando-a
pelo espelho enquanto passava batom. E não resistiu a carinha de vontade e ansiedade que ela fazia. -
Não devemos mas hoje nós
duas vamos comer
bolo de cenoura, antes do jantar.
E voltou-se para a filha.
- Fechado?
Alexandra estalou os olhos, incrédula, e desceu da cama num pulo.
- Yes, yes! – Exclamou abraçando Rosa – Amo você mamãe!
- Eu também te amo muito! – E retribuiu o abraço, soltando-a
em seguida, para calçar os sapatos.
Sentou na beira da
cama enquanto Alex rodopiava com as mãos
nos bolsos do casaco, cantarolando uma música
infantil.
- Muito bem garota, pare de girar ou acabará caindo, hã? – Pediu Rosa em tom de
ordem – E me dê esse casaco, mocinha. Ele vai para o armário.
- Ih, tem um papelzinho aqui, óh! – Falou Alex tirando a mão do bolso e a estendendo
para a mãe, antes de despir o casaco.
Imediatamente o sorrido de Rosa desapareceu. O bilhete de
Claude. Havia se esquecido dele. Pegou o
papel com a mão trêmula e o apertou com força, até transformá-lo em uma pequena
bolinha.
Então a jogou displicentemente sobre o aparador que lhe servia de penteadeira e pendurou o casaco.
O barulho de uma porta fechando chamou a atenção de Alexandra,
que saiu correndo enquanto dizia:
- A Silvia chegou! Eu
vou “convida” ela pra comer bolo “coagente” antes do jantar!
PSV
John e Liz percorriam
a feira de arte ao lado de Pepa, Carlos
seu marido e Antônio.
A simplicidade dos espaços se aliavam ao requinte e luxo das peças,
harmoniosamente distribuídas em áreas distintas: quadros, esculturas, joias, moveis, fotografias, livros raros e tantos outros objetos que
representavam as demais linguagens da arte. Monitores orientavam os visitantes
passando informações sobre o período da
peça na linha do tempo da
história da Arte e curiosidades sobre
o artista e seu processo de criação.
E num evento desse
porte não poderia faltar um
espaço gourmet. Incrivelmente funcional e acolhedor. Era
nele que, depois de andarem boa parte da
manhã e começo da tarde, estavam confortavelmente instalados e sendo servidos.
- Realmente este é um evento imperdível! – Diz John – Com
certeza voltaremos no próximo, não é darling?
- Seria um prazer! Isto é o
sonho de qualquer colecionador ou apreciador da boa
arte.
- É um grande ponto de
encontro Liz! – Fala Pepa - Curadores, representantes de museus, antiquários, galerias, designers e amantes da arte de todo o mundo. É “a” feira, com
padrão de excelência no mercado de Arte.
- A feira evoluiu muito. – Comentou Carlos – O que veem é o resultado de um
trabalho de anos antes da
existência dela. Só recentemente adquiriu
reputação em excelência, perícia e elegância, além da qualidade na exibição dos
itens à venda. Como chegamos a essas
exposições memoráveis? Com iniciativas inovadoras que mudaram a forma de fazer
negócios com e em Arte.
- Deve ser sido um
trabalho árduo então... – Questiona John.
- Na verdade, essa
feira deriva de um evento acadêmico, o “Amsterfest”. Um evento
da Escola de Arte de Amsterdã
que foi ganhando força e vulto e se
transformou nessa maravilha.
- Eu gostaria muito de conhecer o responsável por ela. - Ponderou Liz, tomando num gole da bebida.
- Pois você está com sorte! – Exclamou Antônio levantando-se
– Vai conhecer não só o responsável como o idealizador de tudo isso! – Continuou falando
enquanto sorria e estendia a mão para alguém que se aproximava.
Todos a mesa o seguiram com o olhar.
- Erjan! Disse Carlos
cumprimentando-o – Gostaria que conhecesse dois amigos de longa data.
John e Liz se levantaram para os cumprimentos. Erjan era uma pessoa simpática à primeira vista e quando
soube que ambos eram curadores de uma galeria no Brasil a empatia aumentou ainda mais entre
todos.
Erjan puxou uma cadeira vaga da mesa ao lado e engajou um
animado bate papo, esclarecendo
algumas dúvidas e curiosidades do casal.
John questionou sobre a autenticidade das peças e a segurança
das mesmas num evento desse porte, que pode atrair os famosos ladrões ou falsificadores de arte.
Escutaram com atenção a
explicação de Erjam, que durou alguns
minutos:
- Essa era uma das minhas maiores preocupações, John. – A feira
é uma vitrine, temos as melhores e mais tradicionais obras de arte do mercado
atual. Você pode ver e comprar uma grande variedade de joias, fotografias, porcelanas e tantas outras peças e com o tempo
veio a experiência. Sempre primamos pela veracidade de cada obra e
graças a uma parceria com um amigo advogado, professor de criminologia em
uma universidade de Amsterdam e
especialista em roubo, montamos uma equipe e
a autenticidade de cada pintura e objeto é garantida após um processo de
seleção. São especialistas internacionais que examinam todas as obras de arte autenticando-as para a compra com toda confiança possível. Contamos
também com um banco de dados privado de arte roubada, que fornece informações e
objetos roubados são removidos imediatamente do evento e denunciados.
- Um belo trabalho em equipe, realmente. – Parabenizou-o Liz.
- Que tem se multiplicado. – Afirmou Erjan.
- Eu disse à John, que aqui seria
uma grande oportunidade de negócios para ele, Erjan. Por que não
marcamos uma visita à sua loja?
- Mas claro,
por que não? Vai ser um prazer negociar
com vocês. Saibam que tenho um enorme desejo de conhecer o Brasil e...
PSV
Alex esperou que Rosa
colocasse o pedaço de bolo no prato e usou dois dedinhos para partir e leva-lo à boca,
desprezando o garfo. Era terça-feira e
feriado. Silvia tinha folga nesses dias.
- Alex! Onde estão seus
bons modos, hum? – Ralhou Rosa gentilmente.
- Ah, mamãe! Assim é mais
gostoso! – Respondeu tirando outra porção da fatia do mesmo modo. – Por que você não tenta?
Rosa estava com o garfo próximo ao seu pedaço de bolo quando
ouviu isso da filha. Parou o movimento e devolveu a faca à mesa e imitou-a.
- Não é que você tem
razão? - Falou depois de comer um
minúsculo pedaço da fatia e lamber a cobertura de chocolate do dedo. – Mas só
devemos fazer isso em casa e nunca
na frente das visitas,
ok?
- Por que, mamãe?
- Porque é falta de
etiqueta, de bons modos, Alex. Além
de ser falta de higiene comer com a mão.
- Mas a minha mão tá limpinha! – Disse estendendo-a para a
frente, tentando provar sua fala.
- E o que é todo esse chocolate no seu dedo?
Alex recolheu a mão, virando-a para si e lambeu
a ponta dosdedos.
- Pronto, não tem mais! – Exclamou sorrindo.
Rosa chacoalhou lateralmente a cabeça e acabou rindo também.
- Você deixa eu ir
todo sábado com você na galeria? O Claude disse que eu posso,
ele fez um monte de desenho comigo... Ele desenhou você, sabia?
-Ah é? E onde está que não me mostrou?
- Ele não acabou de “faze” não... A gente “tava
brincano” de escolinha e ele levo pra casa “de tarefa”. – Falou Alex
acabando de comer o bolo. – Posso assistir TV?
- Pode. Depois de lavar as mãos. – Respondeu Rosa pensativa.
Alex então empurrou a cadeira até a pia da cozinha e lavou as
mãos com detergente.
- Pronto! Você pode ficar
comigo lá, hoje, vendo TV?
- Caro que sim, meu amor! Só vou ajeitar a cozinha, ok?
Alexandra concordou com a cabeça e pulando da cadeira correu para a sala, ligando a TV. Rosa ouviu
o som de um desenho animado mas logo
seus pensamentos o trocaram por outros
sons, como a voz de Claude cumprimentando Alex no sábado passado.
Em que momento você me
retratou que eu não vi, Claude? E por que fez isso? Deve ter feito quando desci para
atender Dona Antonieta, nossa vizinha... – Ponderou enquanto guardava o bolo e
o resto do café da manhã na geladeira
antes de lavar a louça suja.
E pareceu ficar triste quando mais tarde subi e disse a Alex
que já estava na hora de irmos. Isso era
algo que tinha que agradecer: Claude não desprezar Alex!
Fechou a torneira e
observou a água sumir pelo ralo da pia.
Quando ele souber, me
desprezará ainda mais. Preciso arrumar
coragem e contar, ele não pode
continuar pensando que ela é
filha de John!
- Mamãe vem! Vai
começar a Elsa! – Gritou Alex, animada.
- Estou indo, querida! – Respondeu Rosa voltando à realidade.
Enxugou as mãos, cobriu a louça com uma toalha limpa e foi
para a sala. Alex estava deitada no
chão, sobre o tapete e em meio a alguma
almofadas.
- Deita aqui comigo, mamãe! – Pediu ela, carinhosa.
E foi o que Rosa fez. Deitou-se ao lado da filha empurrando
para o fundo esses pensamentos. Teria muitas
noites para pensar e planejar
algo. Agora era agora e tinha o dia todo
disponível para faze as vontades de Alex.
Assistiam ao filme e as observações de Alex sobre ele eram
pontuais. A cada cena ela explicava à mãe o
por quê daquilo acontecer. Repetia as falas até mesmo antes das
personagens.
Rosa só reparou no silêncio
da filha quando o filme já estava
no fim confirmando sua suspeita: Alex dormira. Também pudera, mesmo sendo
feriado haviam acordado muito cedo!
Pensou em leva-la para a cama, mas poderia acorda-la. Melhor que
ficassem ali mesmo. Abaixou o som da TV e pegou o livro de História da
Arte que estava lendo. Abriu-o na página marcada e leu três delas, sobre a vida de Picasso,
precursor do cubismo, uma escola que não
era a sua favorita. A quarta página começava com uma das citações
do pintor: Nada
mais.
“No mundo nada mais existe a não ser o amor. Qualquer que ele
seja.”
Talvez o sono de Alex
a tenha deixado sonolenta também. Piscou pesadamente e releu a frase. Então o
livro escapou de suas mãos, as folhas se
agitaram e um pedaço de papel caiu de
dentro delas.
“Precisamos conversar sobre tudo
- Claude”
Apesar de alisado percebia-se no papel as marcas de ter sido
amassado. É assim que está nosso amor,
Claude. Cheio de dobras e marcas...
Então devolveu o pedaço de papel para dentro do livro, sem
olhar a página e largou-o no chão, pouco
acima de sua cabeça. Depois abraçou
Alexandra e fechou os olhos, disposta a sonhar
os mesmos sonhos da filha.
PSV
- Como assim devo procurar outra pessoa Beto? – Perguntou
Roberta do outro lado da mesa.
- Eu sinto muito Roberta, mas esse é meu último trabalho
para você. – Explicou ele, entregando o envelope como
de costume. – Aí dentro tem alguns
nomes, de total confiança.
- Por que está fazendo
isso? Posso aumentar seus honorários, faça a proposta. Quanto quer?
- Não quero nada. Estou deixando todos os meus clientes. Na
verdade estou deixando a França.
- Vai ser detetive em outro país? Vai trocar euros pelo que?
- Pela minha integridade Roberta. Cansei dessa coisa de
seguir pessoas e fotografá-las em seus
desvios de conduta. Já estava com a decisão tomada quando recebi um convite para voltar a fotografar arte. E é isso que vou fazer!
- Vai trabalhar
para alguma revista concorrente? - Pergunta em tom de piada.
- É uma revista italiana que acompanha exposições
internacionais. A próxima é no Brasil, em São Paulo.
- Brasil? Que interessante, talvez você
possa fazer um ultimo trabalho por lá então... Nada de tão invasivo,
Beto. Eu pago adiantado e você me manda as fotos por e-mail.
- E o que seria?
- Quem, no caso. Claude. Ele foi para São Paulo.
- Ele está com alguém?
- É justamente isso que quero
saber. Posso contar com você?
- Roberta não estou indo amanhã para lá. A exposição só deve
acontecer em uns dois meses, talvez
três.
- Tudo bem, eu posso esperar. – Diz tirando o talão de cheques da bolsa.
- Não, eu prefiro que
você me pague depois. Caso eu
faça as fotos.
- Eu sei que vai fazer. – Respondeu Roberta sorrindo e
guardando o talão. – E sobre o que é a exposição?
- Sobre o Renascimento. Organizada e viabilizada por ninguém menos que Egídio e Catarina Vasconcelos, donos da...
PSV
Janete segurou as
fotos que Sérgio lhe devolveu e
perguntou:
- E então, o que me
diz agora que viu as fotografias?
- Que as suas
suspeitas tem fundamento. Alexandra se
parece com ele em alguns pontos. Mas também se parece demais com Rosa...
- É uma combinação perfeita
do dois! – Exclama colocando a fotografia de Alex sobre o pequeno balcão. – O
formato do rosto, os olhos e a boca... É
tudo dele. Porém o jeito de olhar e o sorriso são heranças de Rosa.
- Bem isso de parece não
quer dizer nada. Li em algum lugar que há pelo menos sete pessoas
iguais a cada um de nós no mundo e mesmo sem relação de parentesco, elas terão
características muito próximas das
nossas.
- Eu não duvido disso. Até aceitaria essa hipótese, caso Rosa
não tivesse voltado da Europa grávida.
- Claude não é o único europeu do mundo Janete...
- Rosa nunca revelou o nome desse europeu. Mas em algumas conversas, deixou escapar que era francês e que haviam se conhecido em
Amsterdã. Tem que ser Claude!
- Então ele comprou a
galeria para se reaproximar dela e
da filha?
- Eu acho que não. Ele nem sabia que Rosa estava grávida, ela não contou. Acredito
que foi uma grande coincidência. –
Replicou Janete guardando a foto de Alex na pasta, com as outras.
- Pensando bem, sua teoria faz sentido.
Eles estão sempre se evitando e quando ficam juntos dá pra sentir a
tensão entre eles, como agora a pouco, antes que saíssem.
- Pois é. Mais alguns minutos e teríamos portas batendo outra
vez. Bem, tudo fechado, só falta ativar
o alarme. Vamos?
- Vamos. – Responde Sérgio alcançando o alarme, ativando-o.
Então segurou a porta
até Janete passar e trancou-a com a chave.
- Mas tem um lado positivo nisso tudo. – Foi dizendo enquanto
caminhavam para o estacionamento - Alex parece gostar de Claude e ele dela.
- Parece não. Eles se dão muito bem. Não reparou sábado, como
se divertiram no ateliê? Tomara que Rosa conte
logo a ele e que se acertem. Vou adorar
ver esses três felizes!
- Eu também. Rosa
merece.
- É claro que eu não preciso pedir silêncio a você sobre esse assunto não é?
- Claro que não Jane. Até porque é assunto deles e em assunto de marido e mulher...
- Ninguém mete a
colher. – Completou Janete, enquanto entravam no carro.
PSV
“Não se atrase” - Lembrou-se Rosa, do tom
de quase ordem na voz
fria de Claude, antes que deixasse a sala dele naquela tarde.
Olhou o relógio e estacionou o carro calmamente. Até pensara
em se atrasar só para irrita-lo, mas, depois concluiu que quanto mais cedo fosse, mais cedo voltaria.
Retocou o batom e ajeitou
o cabelo com os dedos antes de descer do carro e atravessar a calçada
até a portaria do edifício, segurando a
echarpe que a brisa noturna teimava em afastar de seus ombros.
Um táxi saia, fazendo
a conversão.
Rosa Identificou-se ao porteiro e assim que ele conferiu e
confirmou-a numa lista pode entrar.
De dentro do táxi, já
do outro lado da avenida, Dadi reparou melhor naquela silhueta feminina, parada em frente à portaria. “Rosa?”– Pensou
apertando os olhos, na tentativa de ver melhor, mas o tráfego de veículos e a
distância aumentada não a ajudaram.
“Não, não deve ser...” – Concluiu voltando sua atenção para o
percurso à sua frente.
PSV
Foram vários toques na campainha, até Rosa ser atendida por
um Claude de roupão, com uma toalha na
mão livre. Assim que a viu, abriu a
porta esperando que ela entrasse.
- Voilà, está adiantada! – Observou Claude. – Não imaginei
que estivesse tão ansiosa pelo nosso encontro. – Concluiu com sarcasmo.
- E não estou. Apenas pensei que vindo antes, volto antes para minha casa.
- Não necessariamente. – Disse Claude sem emoção na voz dessa
vez. – Não cruzou com Dadi? Ela acabou de sair.
- Você disse que ela saia cedo e só voltava no outro dia.
- Pois é, mas hoje ela
não quis folgar de dia.
- Bem, eu não a vi.
Está com medo, preocupado com sua
reputação caso ela me veja aqui, com você? – Revidou sem conseguir desviar os
olhos dos movimentos que ele fazia, ao
enxugar os cabelos.
- Com a minha não. Mas talvez ela mude o conceito sobre a sua. – Disse apontando-a
como dedo, antes de jogar a toalha sobre o ombro.
Rosa mordeu o lábio e desviou o olhar. Olhou para o chão e
fechou a mão controlando a vontade de
esbofeteá-lo.
– Se a minha conduta
lhe parece irregular, devo lembra-lo que
é culpa
sua. Você colocou-me nessa
situação.
- D`áccord. Mas não
vamos perder seu precioso tempo com uma
discussão sobre nossas culpas. Vamos aproveita-lo de
forma mais interessante e prazerosa, hã? – Murmurou Claude sorrindo.
Então roubou a echarpe em um gesto firme e sentiu o perfume
antes de despreza-la e puxar Rosa pela
cintura até que suas bocas ficassem a poucos milímetros uma da
outra.
Rosa separou os lábios disposta a argumentar em sua defesa, mas
o único som que escapou de sua boca foi um gemido, abafado pela
boca de Claude.
Tentou empurra-lo e tudo que
conseguiu foi que ele a apertasse mais. Insistiu usando nos braços
toda força que foi capaz e por alguns segundos sua boca
ficou livre. O tempo suficiente para
soltar uma exclamação desgostosa enquanto seu corpo caia, acompanhado
pelo de Claude.
O sofá a acolheu primeiro. O
peso de Claude a manteve nele e seu rosto foi coberto pela toalha, impedindo-a de conferir a expressão de Claude.
Preparou-se para uma grosseria da parte dele, porém, sentiu a
toalha deslizar suavemente para o lado.
- O lá lá – Murmurou
Claude divertindo-se – E isso foi tudo que conseguiu chèrrie... – E não segurou
uma gostosa risada.
- Ah, não zombe de mim! - Exclamou Rosa irritada, tentando
acerta-lo no peito com os punhos fechados.
E só se deu conta do
quanto essa luta era inútil e desfavorável a ela quando já estava sendo
carregada por ele para o quarto.
PSV

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