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quarta-feira, 2 de março de 2016

PSV/Capítulo 25


                                      PSV


Quatro horas à frente do horário de Brasília, John e Liz  hospedaram-se em um flat ao sul do Tâmisa, bem próximo do centro de artes e entretenimento. Haviam escolhido a ele porque  a conexão com o centro da cidade por metrô e ônibus era fácil. Estavam se preparando para tomar o café da manhã no restaurante. 
Um tradicional breakfast inglês era servido, com ovos, bacon, salsichas, pão frito, feijão cozido e cogumelos. John serviu-se de alguns desses itens, mas,  Elisabeth optou por  cereais, uma fatia de pão, suco de laranja e uma xícara de café.
- Depois de tantos  anos no Brasil,  um breakfast como esse me parece abominável, John! – Observou Liz provando o cereal.
- Tem razão, querida. É incrível  como nos habituamos a novos  costumes.
- Adaptação, honey. Nós  nos adaptamos a  cultura brasileira.
- A adaptação é  um   talento.   Nato da humanidade,  crucial para a sobrevivência.
- Eu que o diga! Esse último ano tem sido uma provação e tanto.  Mas creio que me adaptei muito bem a todas elas.
- Não esqueça do remédio.
- Não, eu o trouxe. Tomarei assim que estiver alimentada.
- E depois,  o que quer fazer?
- Andar pelo calçadão às margens do Tâmisa... Sabe a quanto tempo não fazemos isso?
-  Desde a nossa lua de mel. – Responde John sorrindo.  – Pensou que eu não me lembraria, não é?
Elisabeth deu um sorriso discreto, antes de  continuar  com as lembranças.
- Se você gosta de arte, Londres é um dos grandes tesouros culturais do mundo. Foi isso que  argumentou para me   convencer.
- Bons teatros, cinemas, livrarias,  shows musicais e mais de trezentos museus e galerias com coleções de arte clássica e moderna.  Devíamos ter  voltado mais vezes e batido o recorde de visitas.
- Well, nunca é tarde para  começar. O Tate Modern, aberto em 2000 está em  uma antiga usina às margens do rio Tâmisa, não muito longe daqui, com obras de Picasso e Dalí...
- Então,  o que estamos esperando?



PSV



Enquanto Silvia e Alex  estavam na  companhia de uma das monitoras, Rosa conversava  com a diretora  da escola.
- Como disse por  telefone, temos   uma proposta pedagógica diferenciada e moderna.  Atendemos em períodos especiais, para facilitar a participação dos pais. Abrimos as 06:30h  e fechamos as 20:00h.
- Isso realmente me tranquiliza, pois preciso que ela frequente o período da tarde e  nem sempre consigo  sair antes das dezoito horas da galeria.
- Então encontrou a escola certa. Não temos um grande porte, e talvez  por isso mesmo,  investimos numa parceria entre a família e a escola, considerando o perfil de cada criança.
- Parece um ótimo principio.
- Por que não continuamos nossa conversa  com uma  volta pela escola?
- Claro! As imagens no site são ótimas, mas  ver ao vivo é sempre melhor! Tenho certeza que Alex vai gostar muito daqui.
Uma  rápida  volta pela escola e Rosa  conheceu as salas de aula,  a brinquedoteca, o refeitório,  quadra de esportes e a sala de música. E encontrou Alex se divertindo com  Silvia no parque  coberto.
Alexandra sorriu para a mãe, abanando a mão e jogando um beijo enquanto descia pelo escorregador.
- Ela está ansiosa para  começar! - Disse devolvendo o carinho.
- Você, como todos os pais  parece mais ansiosa que ela Rosa.
- Tem razão. Estou ansiosa com  isso. Deixá-la tanto tempo fora  da segurança da nossa casa.
- Tranquilize-se!  Nosso  trabalho pedagógico é apoiado por recursos metodológicos nosso corpo docente é formado por pedagogas e especialistas, todos com formação específica: cursos, seminários, congressos, pós graduação. E quanto à segurança, temos câmeras e uma equipe treinada.
E voltaram à sala da diretoria.
- Eu não duvido,  Elisa. É que... Ela ainda é tão pequena...
- As crianças se adaptam rapidamente às novas  situações. E ela já parece ter certa independência psicológica e física também. Não se  abalou ao se afastar de você. Algumas crianças tem um medo exacerbado de ir para a escola.
- Alexandra cresceu  vendo-me sair  todos os dias para  trabalhar. Eu tentei passar segurança a ela e aproveitar cada segundo que  podia junto dela. E o que ela mais me pede é para  ir a uma escola.  
- Garanto que teve êxito! É evidente que ela se sente  amada e protegida. Creio que se resolver matricula-la nesta escola não terá problemas.
- Bem, então vamos aos papeis. Onde eu assino?
- Vou pedir a secretária para preencher os papéis necessários. Tiveram sorte, estamos abrindo   turma nova  justamente para crianças que  completam cinco anos agora, no segundo semestre.
- Eu já estava quase deixando para o próximo ano, mas isso  foi o que me fez decidir.
- E como ficou sabendo?
- Estava pesquisando possibilidades e o site dessa escola chamou-me a atenção, com esse aviso de nova turma, então eu...



PSV



Assim que Nara e Bernard deixaram a casa, Henri virou-se para a filha e perguntou:
- Por que insiste nessa amizade com os Geraldy, Roberta?  Claude nunca esteve interessado em você, já devia ter compreendido isso.
Roberta acompanhou o pai até  sala de visitas e acomodou-se no sofá, aceitando a taça de licor. Havia  convidado Bernard e Nara para o jantar semanal  com seu pai. Precisava  confirmar se Nara seria ou não, um obstáculo aos seus novos planos.
- O que eu nunca  compreendi papai, foi porquê você se afastou deles. François  era seu amigo, não era?
- Louise. Ela o destruiu. Ele nunca devia ter se casado com ela. – Respondeu Henri, sentando-se  em uma  poltrona
 - Deixaram de ser amigos por causa dela? Você  a amava?
- Eu? Claro que não, Roberta.  Sempre a enxerguei como realmente é:  gananciosa, mesquinha e sem escrúpulos. Tentei abrir os olhos de François, mas foi em vão. Creio que quando o fez, não resistiu.
- Está se referindo ao  AVC, não é? Foi nesta época que me aproximei do Claude. – Disse pensativa -  E meses depois ele resolveu viajar. Eu realmente esperava que  ele voltasse e me propusesse algo.
- Você quer dizer casamento.
- Sim, papai. Eu queria que ele se casasse  comigo. -  Confirmou levantando-se -  Mas não! Ele voltou com uma... Uma professorazinha brasileira a tiracolo. – Completou com desdém.   Louise também não gostou e me pediu ajuda para separá-los. Garantiu que Claude se casaria  comigo depois disso.
- E você  acreditou e foi se envolvendo cada vez mais  com ela, mesmo com minha  desaprovação. O que eu nunca entendi, foi porque Claude  se enfiou na política.
- Ele deve ter tido seus  motivos. O que me importa agora é que ele desistiu e se afastou de Louise.
- Pois você devia fazer a mesma  coisa, filha. Afastar-se de Louise, de políticos e esquecer Claude. Por que não  pede uma licença em sua  coluna de moda e faz uma viagem? Se quiser, eu a acompanho.
-  Ainda não papai. Eu tenho alguns planos...
-  Ainda Claude! Ele não sente nada por você, querida, a não ser consideração...
- Melhor que nada, não acha? – Afirma Roberta levantando-se e dando de ombros, antes de aproximar-se da parede e apreciar um dos quadros.
-  Roberta, sabe o que penso sobre isso. – Comentou Henri, desgostoso.
- Tranquilize-se, papai. Claude agora é  minha segunda opção. – E então se volta para   Henri,  perguntando - O que acha de ter sua  filha como primeira dama de Paris?

PSV

Janete confirmou com Sérgio os  dados de algumas esculturas vendidas e saiu do ateliê. Separou os  documentos  necessários, imprimiu o contrato de venda e foi até a sala de Claude, colher  sua assinatura.
- Claude, com licença. – Disse entrando  na sala – Algumas peças serão entregues via transportadora e essas notas devem seguir  junto. Preciso de sua assinatura nos laudos.
- Por que Rosa não assinou? É competência dela.
- Porque as peças só sairiam na sexta-feira. Mas o comprador antecipou a retirada. Liguei e ela estava parada no trânsito.  Eu preciso da assinatura agora,  o encarregado da transportadora está esperando.
 - - D’àccord. Dê-me os papeis então. – Pediu ele, deixando de lado o que  fazia.
- São três vias de cada um. – Orienta Janete colocando  os papéis sobre a mesa.
 Depois de  passar rapidamente os olhos pelas  folhas, assinou-as e devolveu-as para Janete.
- Certifique-se que as peças estejam bem embaladas, hã?
- Não se preocupe.  Sérgio as embalou pessoalmente.  – Explicou conferindo as assinaturas. – Está tudo certo, com licença.
- Vou sair contigo. Preciso de um café.
- Quer que eu  traga?
- Não é preciso Janete. – Disse levantando-se,  dando a volta  na mesa -  Posso muito bem ir até lá.
 Em poucos passos estava rente a porta. Ergueu o braço em direção a maçaneta, mas  não chegou a gira-la.  A porta se abriu e Alex entrou, eufórica.
- Claude eu já  vou ‘i’ pra escolinha! Não é demais? –  Exclamou sorrindo e pulando.
E num desses pulos ergueu os braços,  querendo abraça-lo.
Claude a  pegou nos braços, como se  tivesse feito isso a vida  toda.
- Voilà! Isso merece uma comemoração! – Respondeu ele no instante em que Rosa aparecia em seu campo de visão.
- Alex! -  Falou de forma interrogativa –  Você sabe que não deve entrar sem bater na porta antes! Claude, desculpe. Eu não...
- Está tudo bem, Rosa. Vocês já almoçaram?
- Não, eu passei para assinar os papeis  da liberação...
- Já estão assinados pelo Claude, Rosa.
- Ah... Eu  me atrasei ainda mais deixando Sílvia na faculdade. Sinto muito, me desculpe. – Falou olhando para Claude. -  Sabia que aquela parte era sua responsabilidade.
- Não precisa me pedir desculpas o tempo todo, Rosa. – Foi a resposta que a surpreendeu.
- Mamãe, eu tô com fome... – Reclama Alex ainda muito a  vontade no colo de Claude.
- Eu também, hã?  – Falou Claude olhando para ela – Então que tal  almoçarmos juntos, para comemorar sua entrada na escola?
Alexandra olhou para a mãe,  os olhos  brilhando de esperança. Rosa não teve coragem de recusar e magoar a filha. Sorriu sem graça e concordou.
-  Bem, já  que estamos  todos  com fome... Ok!
- Ótimo. Tem um restaurante a duas ou três quadras se não me engano.
- Tem sim. -  Confirmou Rosa. - Podemos ir  andando.
- Com  licença.   – Falou Janete. – O rapaz está esperando por isso. – Completou balançando os papéis.
- Venha  conosco Janete. – Convidou Claude.
- Poxa, eu adoraria, mas  Sérgio e eu já pedimos algo. -  Fica para uma outra vez. – Explicou-se saindo da sala.
Momentos depois observava os três deixarem a galeria enquanto pedia o almoço. Sorriu, desejando que  fosse  o começo da felicidade para Rosa, e satisfeita por  ter recusado. De vela, já bastava Alex  e sua alegria,  no meio dos dois, segurando-se neles pelas  mãos dadas. 


PSV

                                           Continua em breve

1 comentários:

Débora disse...

Finalmente uma dentro Francês! Kk

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