PSV
- Não importa onde viva, sua casa sempre a exalar arte, Pepa!
– Comentou Liz admirando a decoração da casa.
- Gracias, Liz! E tu como estás?
- Agora estou bem,
depois de lutar contra dois
tumores. Mas passou e não quero falar
disso!
- Tens razão, Liz! Vamos
falar de coisas agradáveis e positivas.
– Comentou Antonio, filho de Pepa.
- E Carlos, onde está?
- Na Holanda John. – Respondeu Pepa. – Há alguns anos ele
participa da Feira Internacional
de Arte. É um acontecimento para colecionadores e museus representantes.
- Essa é a maior feira mundial e a cada ano traz a melhor
seleção de arte e antiguidades. – Completou Antonio. – Nela os visitantes tem a
oportunidade de apreciar e comprar obras de artistas como Bacon, Bruegel e outras tantas antiguidades artísticas. – E afasta-se
- O que vão fazer nos
próximos dias? – Pergunta Pepa.
- Pensamos em fazer um
tour entre França e Itália. Um ou dois
dias em Paris e depois Veneza.
- Por que não mudam um
pouco esse itinerário e nos acompanham? – Sugere Pepa.
- Aqui está um dos folders da feira. Deem uma olhada. – Fala Antonio.
John sentou-se mais perto de Liz e observaram as informações mais
detalhadamente.
“Mobílias do século XXVI e XIX, artigos chineses e
japoneses, porcelana, arte medieval, moderna, esculturas, têxteis, manuscritos, cerâmica, trabalhos em prata, vidro e
joalharia antiga, arte pré-colombiana, instrumentos musicais, relógios,
instrumentos científicos e muitos outros
artigos a mostra e à venda.”
- Parece um evento muito interessante – Diz Liz olhando para
Pepa.
- Duas semanas inteiras de visitações e negócios... -
Responde de forma sugestiva.
- Oras, vamos lá, meus amigos! A feira começa em dois dias. É só trocarem Paris e Veneza por Amsterdã. Vocês fariam ótimas aquisições por
lá.
Liz abaixa a cabeça por um momento e John se explicou:
- Eu não sou mais o
curador da galeria Pepa. Fiz um empréstimo para o tratamento de Liz e usei
minhas ações como garantia e bem, para
resumir um investidor francês
capitalizou a dívida e se no prazo estabelecido eu não puder quitar o débito,
perco de vez a galeria.
- Uma ótima razão para
aceitar meu convite. Mesmo que não
adquira nada, fará contatos vantajosos para você. – Afirmou Pepa.
- E para esse
investidor francês também. Poderá intermediar a compra e obter comissões, eu
suponho. – Sugeriu Antonio.
- E quem é esse investidor, John? Nós o conhecemos? – Pede
Pepa, sentando-se ao lado do filho.
- Provavelmente o conheçam. É Claude Geraldy.
- Claude? – Exclama Antonio
surpreso. - Por Dios, isso
explica as manchetes sobre a renúncia dele ao posto de conselheiro e
desfiliação partidária de meses atrás...
- Claude estava envolvido em política? Indaga John.
- Pensávamos que ele se dedicasse a escrever sobre Arte... – Diz Liz.
- Foi o que ele fez por muito tempo. – Explica Antônio – E
acreditem é um dos melhores historiadores de Arte da Europa. Digo isso com
convicção porque eu fui o editor do seu primeiro livro... Como era
mesmo o título? Ah, sim: ‘Arte - Da
Filosofia à Estética’, sendo ele leitura
obrigatória nas melhores universidades europeias.
- Sim, nas universidades brasileiras também. Mas você disse
primeiro livro. Ele escreveu outros? – Pergunta Liz interessada.
- Eu recebi os primeiros
capítulos de outro projeto dele e
dei o aval positivo, até estipulamos um prazo para que concluísse e o publicássemos. Mas o livro
não saiu.
- E o que houve, por que não foi concluído?
Então o almoço foi servido. E
John e Liz escutaram a versão que chegou ao conhecimento de Antonio.
Rumores de que Claude trocara a Arte pela política depois de uma desilusão
amorosa cerca de seis anos atrás.
Aceitaram o convite
para a Feira e horas mais tarde, na suíte do hotel,
os dois trocavam ideias.
- John, meu querido, percebe como as datas coincidem? Não
podemos mais ter dúvidas.
- Tudo se encaixa
perfeitamente, darling.
- Precisamos descobrir porque se separaram e encontrar uma
forma de fazê-los voltar a se
entenderem. Que se amam é evidente, caso contrário um dos deles teria
se afastado da galeria.
- Mas não devemos nos apressar. Se queremos bancar os
cupidos, é melhor ficarmos a espreita e agir na hora certa, caso
já não estejam juntos quando voltarmos. E só voltaremos quando você
estiver totalmente... Reestabelecida.
- Eu já me sinto assim, John! E Rosa é como a filha que não tivemos. Se eu notar algo suspeito em sua voz, ou em suas palavras, quando nos comunicarmos,
não hesitarei em voltar.
PSV
- Bom dia, Janete! Claude já chegou? – Perguntou ela, apreensiva.
Qual seria a atitude dele depois daquela noite?
- Bom dia, Rosa! – Respondeu Janete. – Bem, sim. Ele já veio
e já se foi também! – Explica sorrindo.
- Claude se foi? Para onde ele foi?
- Para o Ministério de
Trabalho e Emprego. Disse que queria resolver
pessoalmente algumas pendencias do visto. Foi tudo bem no jantar de ontem?
- Sim. Fechamos uma parceria fantástica, Jane! Uma exposição com
os renascentistas. Sérgio e você terão muito trabalho.
- Adoro! - Respondeu
Janete, conferindo alguns papeis.
- Bem, eu vou pra minha sala. E por favor, me avise assim que
ele voltar, ok?
Entrou em sua sala aliviada.
Um alivio passageiro pois sabia que ficariam frente a frente. Era
questão de horas, talvez minutos. Encostou-se na porta e ficou.
Queria ser capaz de prever como ele a trataria dali em diante!
Seu resto de noite não fora dos
melhores. Embora a lógica exigisse que
se sentisse humilhada, seu coração a alertava que a escolha fora dela.
Sujeitara-se a “dormir” com ele e não tinha o porquê se
sentir ofendida. Magoada talvez, pois em outros
tempos o motivo de fazerem sexo foi o amor, não o dinheiro.
Amor. Precisava separar esse sentimento do desejo. Porque
durante o banho da manhã, enquanto se ensaboava, foi com amor que recordou
cada toque que ele fizera em seu corpo.
Mas o choque da água
fria, que a livrou da espuma, livrou-a também do mudo dos
sonhos. Claude não fizera sexo com
ela por amor. Não mais. Seu desejo agora era movido por outros sentimentos que passavam longe do amor. Era como se ele cobrasse dela uma dívida.
E não estava mesmo em dívida com ele? – Acusou-a uma voz interna enquanto a imagem de Alex passava
em sua mente.
- Deus! Em que
confusão eu me meti! Estou me
sentindo culpada por me sentir
ofendida... Isso não faz sentido! – Disse baixinho chegando até sua mesa.
Descansou a bolsa sobre ela e arrastou a cadeira. Sentou-se e
só então reparou no pedaço de papel que ficara debaixo da bolsa.
- Memorandos e trabalho e eu aqui pensando na vida! - Disse puxando o papel.
“Precisamos conversar sobre
tudo - Claude”
Seu coração disparou e uma esperançazinha brilhou lá no fundo
dele.
- Sobre tudo. – Repetiu alto as últimas palavras do bilhete – Sobre o que é o amor
também, Claude? – Questionou sonhadora.
Guardou o bilhete na gaveta e conferiu as prioridades de sua
agenda para aquele dia.
PSV
Claude aguardou pacientemente até sua senha ser chamada. Sentou-se em frente
ao atendente do Ministério de Trabalho e Emprego entregando o número do
seu protocolo de atendimento.
Ouviu dele que, para tratar exclusivamente de negócios no
Brasil antes de obter a autorização de trabalho e o visto apropriado, poderia obter
um visto de negócios de curto prazo. Mas, não poderia receber remuneração ou
trabalhar até que essa autorização e o devido visto fossem obtidos.
E que o visto de trabalho para estrangeiro não é aplicável a
estrangeiros que desejam vir ao Brasil para desempenhar cargos com poderes de
gestão em empresas nacionais, o que a
princípios parecia ser seu caso.
Entretanto, iria
despachar os documentos ao seu superior
para análise, pedindo urgência. Se aprovado,
seria enviado para o Ministério das Relações Exteriores e seguiria para
a embaixada ou consulado brasileiro na França, para iniciar o processo
referente ao visto de trabalho.
Se o interesse de
Claude fosse permanecer no Brasil por tempo indeterminado deveria
considerar a hipótese da cidadania
brasileira, foi o conselho que
deu, entregando um cartão com telefones uteis
para contato.
Deixou o prédio desaminado com tamanha burocracia.
Mas tão logo entrou no carro lembrou-se
do recado que deixara para Rosa.
Estaria mesmo preparado para ouvir apenas
seu coração?
PSV
Continua 29/03




1 comentários:
SEMPRE NA ESPERA AMANDO SUA FIC E MATANDO SAUDADES DE CLAUDE E ROSA.
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