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domingo, 27 de março de 2016

PSV/Capítulo 30

PSV



- Não importa onde viva, sua casa sempre a exalar arte, Pepa! – Comentou Liz admirando a decoração da casa.



- Gracias, Liz! E tu como estás?
- Agora estou bem,  depois de lutar  contra  dois  tumores. Mas passou e não quero falar  disso!
- Tens razão, Liz! Vamos  falar de coisas agradáveis e positivas.  – Comentou Antonio, filho de Pepa.
- E Carlos, onde está?
- Na Holanda John. – Respondeu Pepa. – Há alguns anos ele participa da  Feira  Internacional  de Arte. É um acontecimento para  colecionadores e museus representantes.
- Essa é a maior feira mundial e a cada ano traz a melhor seleção de arte e antiguidades. – Completou Antonio. – Nela os visitantes tem a oportunidade de apreciar e comprar obras de artistas como Bacon,  Bruegel e  outras tantas antiguidades artísticas. – E afasta-se
- O que vão fazer  nos próximos  dias? – Pergunta Pepa.
- Pensamos em fazer  um tour entre França e Itália.  Um  ou dois  dias em Paris e depois Veneza.
- Por que não mudam um  pouco esse itinerário e nos acompanham? – Sugere Pepa.
- Aqui está um dos folders da feira. Deem uma olhada.  – Fala Antonio.
John sentou-se mais perto de Liz e observaram as informações  mais  detalhadamente.
Mobílias do século XXVI e XIX, artigos chineses e japoneses, porcelana, arte medieval, moderna, esculturas, têxteis,  manuscritos, cerâmica, trabalhos em prata, vidro e joalharia antiga, arte pré-colombiana, instrumentos musicais, relógios, instrumentos científicos e muitos outros  artigos a mostra e à venda.”
- Parece um evento muito interessante – Diz Liz olhando para Pepa.
- Duas semanas inteiras de visitações e negócios... - Responde  de forma sugestiva.
- Oras, vamos lá, meus amigos! A feira  começa em dois dias. É só trocarem  Paris e Veneza por Amsterdã. Vocês fariam ótimas aquisições por lá.
Liz abaixa a cabeça por um momento e  John se explicou:
- Eu não  sou mais o curador da galeria Pepa. Fiz um empréstimo para o tratamento de Liz e usei minhas ações como garantia e bem, para  resumir um investidor  francês capitalizou a dívida e se no prazo estabelecido eu não puder quitar o débito, perco de vez a galeria.
-  Uma ótima razão para aceitar  meu convite. Mesmo que não adquira nada, fará contatos vantajosos para você. – Afirmou Pepa.
-  E para esse investidor francês também. Poderá intermediar a compra e obter comissões, eu suponho. – Sugeriu Antonio.
- E quem é esse investidor, John? Nós o conhecemos? – Pede Pepa, sentando-se ao lado do filho.
-  Provavelmente o  conheçam. É Claude  Geraldy.
- Claude? – Exclama Antonio  surpreso. -  Por Dios, isso explica as manchetes sobre a renúncia dele ao posto de conselheiro e desfiliação partidária de meses atrás...
- Claude estava envolvido em política?  Indaga John.
- Pensávamos que ele se dedicasse  a escrever sobre Arte... – Diz Liz.
- Foi o que ele fez por muito tempo. – Explica Antônio – E acreditem é um dos melhores historiadores de Arte da Europa. Digo isso com convicção porque eu  fui o  editor do seu primeiro livro... Como era mesmo o título? Ah, sim:  ‘Arte - Da Filosofia  à Estética’, sendo ele leitura obrigatória nas melhores universidades europeias.
- Sim, nas universidades brasileiras também. Mas você disse primeiro livro. Ele escreveu outros? – Pergunta Liz interessada.
- Eu recebi os primeiros  capítulos de  outro projeto dele e dei o aval positivo, até estipulamos um prazo para que  concluísse e o publicássemos. Mas o livro não  saiu.
- E o que houve, por que não foi concluído?
Então o almoço foi servido. E  John e Liz  escutaram a  versão que chegou ao conhecimento de Antonio. Rumores de que Claude trocara a Arte pela política depois de uma desilusão amorosa cerca de seis anos atrás.





Aceitaram o convite  para a Feira e horas mais tarde, na suíte  do hotel,  os  dois trocavam ideias.
- John, meu querido, percebe como as datas coincidem? Não podemos mais  ter  dúvidas.
- Tudo se encaixa  perfeitamente, darling. 
- Precisamos descobrir porque se separaram e  encontrar uma  forma  de fazê-los voltar a se entenderem. Que se amam é evidente, caso contrário um dos  deles teria  se afastado da  galeria.
- Mas não devemos nos apressar. Se queremos bancar os cupidos, é melhor ficarmos a espreita e agir na hora  certa, caso  já não estejam  juntos  quando voltarmos. E só voltaremos quando você estiver totalmente... Reestabelecida.
- Eu já me sinto assim, John! E Rosa é  como a filha que não tivemos. Se eu  notar algo suspeito em sua  voz, ou em suas palavras, quando nos comunicarmos, não hesitarei em voltar.



PSV



- Bom dia, Janete!  Claude já chegou? – Perguntou ela, apreensiva.
Qual seria a atitude dele depois daquela noite?
- Bom dia, Rosa! – Respondeu Janete. – Bem, sim. Ele já veio e  já se foi também! – Explica sorrindo.
- Claude se foi? Para onde ele foi?
- Para o  Ministério de Trabalho e Emprego. Disse que queria  resolver pessoalmente algumas pendencias do visto. Foi tudo bem no jantar de ontem?
- Sim. Fechamos uma parceria fantástica, Jane! Uma exposição com os renascentistas. Sérgio e você terão muito trabalho.
- Adoro!  - Respondeu Janete, conferindo alguns papeis.
- Bem, eu vou pra minha sala. E por favor, me avise assim que ele voltar, ok?
Entrou em sua sala aliviada.  Um alivio passageiro pois sabia que ficariam frente a frente. Era questão de horas, talvez minutos. Encostou-se na porta e ficou.
Queria ser capaz de prever como ele a trataria dali em diante! Seu resto de noite não fora  dos melhores. Embora a lógica exigisse que  se sentisse humilhada, seu coração a alertava que a escolha  fora dela.
Sujeitara-se a “dormir” com ele e não tinha o porquê se sentir ofendida. Magoada talvez, pois em outros  tempos o motivo de fazerem sexo foi o amor, não o dinheiro.
Amor. Precisava separar esse sentimento do desejo. Porque durante o banho da manhã, enquanto se ensaboava, foi com amor que recordou cada  toque que ele fizera em seu  corpo.
Mas o choque da água  fria, que a livrou da espuma, livrou-a também do mudo  dos  sonhos. Claude não fizera sexo com  ela  por amor. Não mais.  Seu desejo agora era movido por outros  sentimentos que passavam longe do amor.   Era como se ele cobrasse dela uma dívida.
E não estava mesmo em dívida com ele? – Acusou-a uma  voz interna enquanto a imagem de Alex passava em sua mente.
- Deus! Em que  confusão eu me  meti! Estou me sentindo culpada por  me sentir ofendida... Isso não faz sentido! – Disse baixinho chegando até  sua mesa.
Descansou a bolsa sobre ela e arrastou a cadeira. Sentou-se e só então reparou no pedaço de papel que ficara debaixo da  bolsa.
- Memorandos e trabalho e eu aqui pensando na vida! -  Disse puxando o papel.
“Precisamos conversar sobre  tudo -  Claude”
Seu coração disparou e uma esperançazinha brilhou lá no fundo dele.
- Sobre tudo. – Repetiu alto as últimas  palavras do bilhete – Sobre o que é o amor também, Claude? – Questionou sonhadora.
Guardou o bilhete na gaveta e conferiu as prioridades de sua agenda para aquele dia.



PSV



Claude aguardou pacientemente até   sua senha ser chamada. Sentou-se em frente ao atendente do Ministério de Trabalho e Emprego entregando o número do seu  protocolo de atendimento.
Ouviu dele que, para tratar exclusivamente de negócios no Brasil antes de obter a autorização de trabalho e o visto apropriado, poderia obter um visto de negócios de curto prazo. Mas, não poderia receber remuneração ou trabalhar até que essa autorização e o devido visto fossem obtidos.
E que o visto de trabalho para estrangeiro não é aplicável a estrangeiros que desejam vir ao Brasil para desempenhar cargos com poderes de gestão em empresas nacionais,  o que a princípios parecia ser seu caso.
Entretanto,  iria despachar os  documentos ao seu superior para análise, pedindo urgência. Se aprovado,  seria enviado para o Ministério das Relações Exteriores e seguiria para a embaixada ou consulado brasileiro na França, para iniciar o processo referente ao visto de trabalho.
Se o interesse de  Claude  fosse  permanecer no Brasil por tempo  indeterminado  deveria  considerar a hipótese da cidadania  brasileira, foi o  conselho que deu, entregando um cartão com telefones uteis  para  contato.
Deixou o prédio desaminado com tamanha  burocracia.  Mas tão logo entrou no carro lembrou-se  do  recado que deixara para Rosa. Estaria mesmo preparado para  ouvir apenas seu  coração?


PSV

                                                    Continua 29/03

1 comentários:

Unknown disse...

SEMPRE NA ESPERA AMANDO SUA FIC E MATANDO SAUDADES DE CLAUDE E ROSA.

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