PSV
Quatro horas à frente do horário de Brasília, John e Liz hospedaram-se em um flat ao sul do Tâmisa, bem
próximo do centro de artes e entretenimento. Haviam escolhido a ele porque a conexão com o centro da cidade por metrô e
ônibus era fácil. Estavam
se preparando para tomar o café da manhã no restaurante.
Um tradicional breakfast
inglês era servido, com ovos, bacon, salsichas, pão frito, feijão cozido e
cogumelos. John
serviu-se de alguns desses itens, mas,
Elisabeth optou por cereais, uma
fatia de pão, suco de laranja e uma xícara de café.
- Depois de tantos
anos no Brasil, um breakfast como
esse me parece abominável, John! – Observou Liz provando o cereal.
- Tem razão, querida. É incrível como nos habituamos a novos costumes.
- Adaptação, honey. Nós nos adaptamos a cultura brasileira.
- A adaptação é um talento.
Nato
da humanidade, crucial para a
sobrevivência.
- Eu que o diga! Esse último ano tem sido uma provação e
tanto. Mas creio que me adaptei muito
bem a todas elas.
- Não esqueça do remédio.
- Não, eu o trouxe. Tomarei assim que estiver alimentada.
- E depois, o que quer
fazer?
- Andar pelo calçadão às margens do Tâmisa... Sabe a quanto
tempo não fazemos isso?
- Desde a nossa lua de
mel. – Responde John sorrindo. – Pensou
que eu não me lembraria, não é?
Elisabeth deu um sorriso discreto, antes de continuar
com as lembranças.
- Se você gosta de arte, Londres é um dos grandes tesouros
culturais do mundo. Foi isso que
argumentou para me convencer.
- Bons teatros, cinemas, livrarias, shows musicais e mais de trezentos museus e
galerias com coleções de arte clássica e moderna. Devíamos ter
voltado mais vezes e batido o recorde de visitas.
- Well, nunca é tarde para
começar. O Tate Modern, aberto em 2000 está em uma antiga usina às margens do rio Tâmisa, não
muito longe daqui, com obras de Picasso e Dalí...
- Então, o que estamos
esperando?
PSV
Enquanto Silvia e Alex
estavam na companhia de uma das
monitoras, Rosa conversava com a
diretora da escola.
- Como disse por
telefone, temos uma proposta pedagógica
diferenciada e moderna. Atendemos em
períodos especiais, para facilitar a participação dos pais. Abrimos as
06:30h e fechamos as 20:00h.
- Isso realmente me tranquiliza, pois preciso que ela
frequente o período da tarde e nem
sempre consigo sair antes das dezoito
horas da galeria.
- Então encontrou a escola certa. Não temos um grande porte,
e talvez por isso mesmo, investimos numa parceria entre a família e a
escola, considerando o perfil de cada criança.
- Parece um ótimo principio.
- Por que não continuamos nossa conversa com uma
volta pela escola?
- Claro! As imagens no site são ótimas, mas ver ao vivo é sempre melhor! Tenho certeza
que Alex vai gostar muito daqui.
Uma rápida volta pela escola e Rosa conheceu as salas de aula, a brinquedoteca, o refeitório, quadra de esportes e a sala de música. E
encontrou Alex se divertindo com Silvia
no parque coberto.
Alexandra sorriu para a mãe, abanando a mão e jogando um
beijo enquanto descia pelo escorregador.
- Ela está ansiosa para
começar! - Disse devolvendo o carinho.
- Você, como todos os pais
parece mais ansiosa que ela Rosa.
- Tem razão. Estou ansiosa com isso. Deixá-la tanto tempo fora da segurança da nossa casa.
- Tranquilize-se! Nosso
trabalho pedagógico é apoiado por
recursos metodológicos nosso corpo docente é formado por pedagogas e
especialistas, todos com formação específica: cursos, seminários, congressos,
pós graduação. E quanto à segurança, temos câmeras e uma equipe treinada.
E voltaram à sala da diretoria.
- Eu não duvido,
Elisa. É que... Ela ainda é tão pequena...
- As crianças se adaptam rapidamente às novas situações. E ela já parece ter certa independência
psicológica e física também. Não se
abalou ao se afastar de você. Algumas crianças tem um medo exacerbado de
ir para a escola.
- Alexandra cresceu vendo-me sair
todos os dias para trabalhar. Eu
tentei passar segurança a ela e aproveitar cada segundo que podia junto dela. E o que ela mais me pede é
para ir a uma escola.
- Garanto que teve êxito! É evidente que ela se sente amada e protegida. Creio que se resolver
matricula-la nesta escola não terá problemas.
- Bem, então vamos aos papeis. Onde eu assino?
- Vou pedir a secretária para preencher os papéis
necessários. Tiveram sorte, estamos abrindo
turma nova justamente para
crianças que completam cinco anos agora,
no segundo semestre.
- Eu já estava quase deixando para o próximo ano, mas isso foi o que me fez decidir.
- E como ficou sabendo?
- Estava pesquisando possibilidades e o site dessa escola
chamou-me a atenção, com esse aviso de nova turma, então eu...
PSV
Assim que Nara e Bernard deixaram a casa, Henri virou-se para
a filha e perguntou:
- Por que insiste nessa amizade com os Geraldy, Roberta? Claude nunca esteve interessado em você, já
devia ter compreendido isso.
Roberta acompanhou o pai até
sala de visitas e acomodou-se no sofá, aceitando a taça de licor.
Havia convidado Bernard e Nara para o
jantar semanal com seu pai.
Precisava confirmar se Nara seria ou
não, um obstáculo aos seus novos planos.
- O que eu nunca
compreendi papai, foi porquê você se afastou deles. François era seu amigo, não era?
- Louise. Ela o destruiu. Ele nunca devia ter se casado com
ela. – Respondeu Henri, sentando-se em
uma poltrona
- Deixaram de ser
amigos por causa dela? Você a amava?
- Eu? Claro que não, Roberta.
Sempre a enxerguei como realmente é:
gananciosa, mesquinha e sem escrúpulos. Tentei abrir os olhos de
François, mas foi em vão. Creio que quando o fez, não resistiu.
- Está se referindo ao AVC, não é? Foi nesta época que me aproximei
do Claude. – Disse pensativa - E meses
depois ele resolveu viajar. Eu realmente esperava que ele voltasse e me propusesse algo.
- Você quer dizer casamento.
- Sim, papai. Eu queria que ele se casasse comigo. -
Confirmou levantando-se - Mas
não! Ele voltou com uma... Uma professorazinha brasileira a tiracolo. –
Completou com desdém. Louise também não gostou e me pediu ajuda para
separá-los. Garantiu que Claude se casaria
comigo depois disso.
- E você acreditou e foi
se envolvendo cada vez mais com ela,
mesmo com minha desaprovação. O que eu
nunca entendi, foi porque Claude se
enfiou na política.
- Ele deve ter tido seus
motivos. O que me importa agora é que ele desistiu e se afastou de
Louise.
- Pois você devia fazer a mesma coisa, filha. Afastar-se de Louise, de
políticos e esquecer Claude. Por que não pede uma licença em sua coluna de moda e faz uma viagem? Se quiser,
eu a acompanho.
- Ainda não papai. Eu
tenho alguns planos...
- Ainda Claude! Ele
não sente nada por você, querida, a não ser consideração...
- Melhor que nada, não acha? – Afirma Roberta levantando-se e
dando de ombros, antes de aproximar-se da parede e apreciar um dos quadros.
- Roberta, sabe o que
penso sobre isso. – Comentou Henri, desgostoso.
- Tranquilize-se, papai. Claude agora é minha segunda opção. – E então se volta
para Henri, perguntando - O que acha de ter sua filha como primeira dama de Paris?
PSV
Janete confirmou com Sérgio os dados de algumas esculturas vendidas e saiu
do ateliê. Separou os documentos necessários, imprimiu o contrato de venda e foi
até a sala de Claude, colher sua
assinatura.
- Claude, com licença. – Disse entrando na sala – Algumas peças serão entregues via
transportadora e essas notas devem seguir
junto. Preciso de sua assinatura nos laudos.
- Por que Rosa não assinou? É competência dela.
- Porque as peças só sairiam na sexta-feira. Mas o comprador
antecipou a retirada. Liguei e ela estava parada no trânsito. Eu preciso da assinatura agora, o encarregado da transportadora está
esperando.
- - D’àccord. Dê-me os
papeis então. – Pediu ele, deixando de lado o que fazia.
- São três vias de cada um. – Orienta Janete colocando os papéis sobre a mesa.
Depois de passar rapidamente os olhos pelas folhas, assinou-as e devolveu-as para Janete.
- Certifique-se que as peças estejam bem embaladas, hã?
- Não se preocupe.
Sérgio as embalou pessoalmente. –
Explicou conferindo as assinaturas. – Está tudo certo, com licença.
- Vou sair contigo. Preciso de um café.
- Quer que eu traga?
- Não é preciso Janete. – Disse levantando-se, dando a volta
na mesa - Posso muito bem ir até
lá.
Em poucos passos
estava rente a porta. Ergueu o braço em direção a maçaneta, mas não chegou a gira-la. A porta se abriu e Alex entrou, eufórica.
- Claude eu já vou ‘i’
pra escolinha! Não é demais? – Exclamou
sorrindo e pulando.
E num desses pulos ergueu os braços, querendo abraça-lo.
Claude a pegou nos
braços, como se tivesse feito isso a
vida toda.
- Voilà! Isso merece uma comemoração! – Respondeu ele no
instante em que Rosa aparecia em seu campo de visão.
- Alex! - Falou de
forma interrogativa – Você sabe que não
deve entrar sem bater na porta antes! Claude, desculpe. Eu não...
- Está tudo bem, Rosa. Vocês já almoçaram?
- Não, eu passei para assinar os papeis da liberação...
- Já estão assinados pelo Claude, Rosa.
- Ah... Eu me atrasei
ainda mais deixando Sílvia na faculdade. Sinto muito, me desculpe. – Falou
olhando para Claude. - Sabia que aquela
parte era sua responsabilidade.
- Não precisa me pedir desculpas o tempo todo, Rosa. – Foi a
resposta que a surpreendeu.
- Mamãe, eu tô com fome... – Reclama Alex ainda muito a vontade no colo de Claude.
- Eu também, hã? –
Falou Claude olhando para ela – Então que tal
almoçarmos juntos, para comemorar sua entrada na escola?
Alexandra olhou para a mãe,
os olhos brilhando de esperança.
Rosa não teve coragem de recusar e magoar a filha. Sorriu sem graça e
concordou.
- Bem, já que estamos
todos com fome... Ok!
- Ótimo. Tem um restaurante a duas ou três quadras se não me
engano.
- Tem sim. - Confirmou
Rosa. - Podemos ir andando.
- Com licença. – Falou Janete. – O rapaz está esperando por
isso. – Completou balançando os papéis.
- Venha conosco
Janete. – Convidou Claude.
- Poxa, eu adoraria, mas
Sérgio e eu já pedimos algo. -
Fica para uma outra vez. – Explicou-se saindo da sala.
Momentos depois observava os três deixarem a galeria enquanto
pedia o almoço. Sorriu, desejando que
fosse o começo da felicidade para
Rosa, e satisfeita por ter recusado. De
vela, já bastava Alex e sua alegria, no meio dos dois, segurando-se neles
pelas mãos dadas.
PSV
Continua em breve

1 comentários:
Finalmente uma dentro Francês! Kk
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