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quinta-feira, 10 de março de 2016

PSV/Capítulo 27

PSV


Claude deixou o Ministério de Trabalho e Emprego com as cópias dos  documentos e o protocolo do pedido de regularização de visto. Passava das dezenove horas.
Poderia ter recorrido ao escritório de Júlio, mas  preferiu fazer tudo pessoalmente e acompanhar de perto o processo. Ainda havia alguns  documentos  pendentes, como comprovante de endereço e residência, que dependiam do registro do imóvel no  seu nome.
Entrou no apartamento e deixou a pasta sobre um móvel, desfazendo o  nó da gravata em seguida.
- Que bom que chegou! – Disse Dadi entrando na sala – Frazão já ligou várias  vezes, diz que  quer falar urgente com você e seu celular  só dá caixa postal.
- Eu desliguei enquanto resolvia  sobre meu visto, Dadi. Por falar nisso, precisamos ver  o seu, hã?
Disse isso e pegou o celular, reparando em todas as ligações perdidas.
- Mon Dieu, mais de oito chamadas  perdidas! – Exclamou contatando Frazão – Espero que não seja nada com  Nara... Frazão, boa noite   mon ami!
- Claude, até que  enfim, cara!
- O que aconteceu, Frazão? Por que essa urgência em falar  comigo,  alguma  coisa aconteceu  a Nara?
- Aconteceu Claude. Ela encontrou  uma pasta com recortes de jornais, revistas  e fotografias de quando seu  pai foi processado.
- Mas como? Eu destruí todos esses recortes, quem me ajudou foi a... Roberta! Eu não devia ter confiado nela quando disse que queimaria  tudo. O que  foi que Nara  leu, Frazão?
- Pouca  coisa. Se  fixou mais nas imagens e em seguida me procurou.  Por que Roberta guardaria isso  por todos esses anos?
- Não encontro explicação. Mas se Nara encontrou isso na biblioteca, foi obra de Roberta.
- Não entendo... Não faz sentido.
- O que não faz sentido é Roberta  ter guardado essa pasta. E com que intenção a fez cair  nas mãos de minha irmã.
- Se a intenção era provocar um desentendimento entre Louise e Nara, não conseguiu. Nara  não disse a ela nada  sobre isso. E eu não tive escolha, contei como tudo aconteceu menos a participação de Louise.
- Frazão, por  mais delicado que seja, conte a Nara,  por  favor. E combine a vinda  dela ara  cá. Vamos antecipar tudo.
- Quer  que eu  conte até sobre Louise e Bernard?
- Ouí. – Responde Claude sério,  depois de  uma pequena  pausa.  – Assim não  restarão dúvidas para Nara.
- Falarei com ela amanhã mesmo, mon ami.
- D’àccord. E me ligue em seguida. Merci, Frazão. E bonne nuit, hã?
- Boa noite pra  você também, Claude.  Au revoir.


PSV



Alexandra virou a página  do livro   e continuou ‘lendo’ a história para Rosa:
- Daí o ‘príncepe’ veio e ele chamou: Rapunzel! Rapunzel! Joga suas tranças! Dai a bruxa jogou as tranças e ficou esperando o príncipe subir e dai quando ele tava lá em cima perto da janelinha da torre, a bruxa malvada soltou as tranças e ele  caiu no espinho e ele ficou cego.
Olhou para Rosa, conferindo se a mãe prestava atenção e virou mais uma página.
- O ‘príncepe’ ficou andando pela floresta muito triste até que um dia chegou no deserto ‘ca’ Rapunzel vivia com seus filhos. Daí eles se abraçaram e a Rapunzel chorou e ‘as lágrima’ dela caíram no olho dele e o ‘príncepe’ enxergou tudinho de novo. E daí eles  foram  morar  no castelo dele e daí eles viveram felizes para sempre.  Fim. – Concluiu sorrindo e fechando o livro graciosamente.
- Muito bem Alex!  Você está lendo cada vez melhor, hum? – Incentivou-a Rosa, guardando o livro e arrumando a coberta  sobre a filha.
- A Rapunzel e os ‘filhinho’ dela também ficaram ‘sozinho’ até  o ‘príncepe’ dela encontrar eles,‘ingual’ a gente né mamãe?
- Alex, nossa vida não é igual a um conto de fadas, meu anjo!
- O  meu papai é um ‘príncepe’ sim, você  vai ver quando ele vier buscar a gente! – Afirma Alex  bocejando
- Está bem, princezinha do meu coração! Amanhã falaremos  sobre isso porque hoje já passou  da hora de  dormir, ok? Feche os olhinhos e peça  aos anjinhos que  cuidem do seu sono.
- Você fica  comigo até eu dormir de tudo, mamãe?
- Fico sim. – Respondeu Rosa, segurando a mão da filha.
E acabou dormindo também, embalada nas lembranças do  dia...


PSV


Beto olhou mais uma vez para o relógio.  Passava da meia noite e sentia-se exausto. Talvez fosse hora de  mudar o ramo de atividade. Seguir  pessoas e produzir provas para adultérios, subornos e tantos outros  motivos já  não lhe empolgavam mais.
No começo foi  pura adrenalina, até porque não  foi pensado. Um pedido de ajuda aqui, outro ali e quando se dera  conta  estava trabalhando  como detetive e não  como fotografo, sua verdadeira profissão. Não podia reclamar, vivia confortavelmente e tinha  o suficiente  para se permitir alguns luxos. Sabia muito bem para quem trabalhar e quanto cobrar  pelos seus  serviços.
Mas ultimamente já não se sentia bem fazendo isso.  E esses  últimos  trabalhos entrelaçando-se entre si não o agradavam em nada.
Observou atentamente as  fotos separadas em três montes na mesa a sua frente. Duas pessoas distintas interessadas nos passos de uma mesma terceira pessoa.
Não estaria preocupado se a terceira pessoa fosse alguém comum, como a maioria dos casos que solucionava: um homem infiel traindo a esposa, ou o amante da esposa infiel.
Pegou o jornal e leu mais uma vez a manchete das  colunas  sociais “Bernard Chermont,  vice prefeito de Paris, a um passo do noivado.”
Um fato normal não fosse a foto ao lado da dele. “A eleita foi  Nara Geraldy, filha de Louise e François Geraldy (in memorian).  Louise assumiu as funções do marido é uma das principais líderes  políticas da atualidade com influência em vários gabinetes e diretórios. A escolha de Nara pode ser uma tática para que ela assuma o lugar da mãe algum dia, já que a  política parece estar no sangue da família. (Para quem não se lembra, Claude Geraldy...”
A matéria continuava, mas Beto colocou o jornal ao lado das fotos. Em tantos anos, nunca havia testemunhado nada parecido. Uma mãe traindo a própria filha com seu genro  antes mesmo do casamento desta.
Roberta Vermont era amiga íntima da família e aparentemente mantinha um caso com Bernard também.
Frazão Vasconcelos era administrador dos bens  da família.
Seu sexto sentido pedia que abandonasse o caso. Mas sua curiosidade o impelia  a ir adiante. Por trás dessa cortina de sexo podia ter muito mais como corrupção, suborno, tráfico de influência. E Roberta parecia capaz de provocar um escândalo com esses fatos.
Voilà! Não queria ser ligado de maneira  nenhuma a isso, se tudo viesse a tona. Continuaria com o caso algum tempo mais. Pelo menos até que o noivado fosse  oficializado. E então mudaria de Paris e voltaria a viver como fotografo apenas.
Colocou as fotos em três envelopes diferentes e guardou dois em sua mochila. O terceiro guardou numa gaveta de sua mesa, junto com um pen drive. Precaução nunca é demais.


 PSV




O alarme  do celular vibrou e  lembrou a Janete seu horário de sair. Se saísse em até  quinze minutos daria tempo de finalmente pegar a primeira sessão e assistir  o filme Divertida Mente.  Estava ansiosa para apreciar a  trama do que se passa dentro da mente de uma pequena  garota do ponto de vista das suas emoções. Pelo trailer imaginava uma versão bem mais real com Claude, Rosa e Alex. Sorriu de si mesma, e  conferiu a  agenda da galeria, olhando para a sala de Rosa.
Por incrível que  parecesse  os  dois estavam lá, conferindo   a saída  de peças e selecionando novas aquisições. Sem nenhuma discussão. Nenhum dos dois saíra batendo a porta e respirando fundo.
Bom sinal. E na certa estão tão entretidos  com essa  tarefa que acabaram esquecendo  o compromisso,  pensou levantando-se com a agenda nas mãos.
Bateu na porta e depois de ouvir um duplo “Entre”, abriu-a.
- Com licença! Já deu o  meu horário e...
- Pode ir Janete. Ainda vamos demorar mais uns... quarenta minutos, não acha Rosa? – Falou Claude olhando rapidamente para  o relógio.
- Ou um pouco mais...
- Eu sabia. – Afirmou Janete.  – Esqueceram-se  totalmente do compromisso  de hoje! Vocês tem o  jantar com  Egidio e Catarina Paranhos, às vinte horas e trinta minutos.
- Mon Dieu,  os curadores da exposição ‘4 do Renascinento’... – Diz Claude recostando-se na  cadeira, olhando para Rosa.
- Obrigada por nos lembrar mais uma vez Janete! – Agradece Rosa, dispensando-a  – Nos empolgamos tanto nessa tarefa que perdemos a noção do tempo. Terminamos amanhã?
- Ouí. – Confirma Claude –  Do contrário não seremos pontuais. Eu a pego por  volta das  vinte horas. – Diz levantando-se.
- Não precisa eu posso ir com meu carro ou...
- É um encontro de negócios, Rosa. Melhor  chegarmos juntos, d’àccord? – Argumenta Claude firme antes de ir para sua  sala.


PSV


Louise esperou Nara encerrar  sua  conversa ao celular. 
  - Não pode mais  se esquivar  desses  compromissos, Nara! – Falava Louise olhando-a fixamente, enfurecida -  Oliver preparou a recepção pensando no  marketing  eleitoral de Bernard.
- Mamãe, eu já me expliquei e pedi desculpas por não acompanha-lo.
- Desculpas? Suas  desculpas não irão eleger seu noivo! É a sua presença que  vai atrair simpatizantes, principalmente  os jovens.
Nara suspirou profunda e pesadamente, antes de responder:
- Ele não é meu noivo.
- Oficialmente não. Ainda não.  Francamente Nara, por que não pode  colaborar  comigo?
-  Porque francamente eu não quero casar, muito menos com ele? – Responde irônica.
- Não me desafie, Nara! Vai fazer o que eu quero. E quero que se case  com Bernard.
Nara virou as  costas em direção a escada.
- Nara,  volte aqui! Não vire as  costas para mim, Nara! Vai por tudo a perder com esse comportamento!
Nara  voltou-se para a mãe:
- Quer saber? Por que você não se casa com ele? – Respondeu segura de si.
- Menina estúpida! Você vai me obedecer e... Oh, Dieu, Elise, meus  comprimidos!  Rápido, sua lerda, antes que eu tenha uma  síncope!
Nara ainda  viu Elise aparecer na sala com o frasco de comprimidos falsos da mãe. Por que ela insistia em se  fingir de doente?
Subiu a escada  refugiando-se no quarto e trancou a  porta,  por precaução. Falaria  outra vez com Frazão.  E se ele não viajasse com ela iria  sozinha para o Brasil.



PSV
                                                     Continua 13/02

2 comentários:

Débora disse...

Alex é tão lindinha gente! Parece comigo.. Uma lindeza.. **.. Klkkkkkkkk.. Quero maisssss

Unknown disse...

iden está ótinna.

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