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quarta-feira, 16 de março de 2016

PSV/Capítulo 29

PSV



Louise ignorou a pergunta feita  por Nara e devolveu  o recorte de jornal  desprezando o conteúdo e sentando-se  no sofá olhou pela janela.
- Mamãe? – Insistiu Nara.
 - De onde desenterrou uma noticia tendenciosa e inverídica, Nara?  - Disse finalmente, evitando olhar para a filha.
- Uma? – Exclamou Nara indignada. -  Não! Há uma pasta, com várias noticias iguais a essa mamãe, e isso é tudo que tem a me dizer?!
- E o que mais quer que eu lhe diga? – Questionou olhando-a sem emoção alguma.
- A verdade!
Louise suspirou profundamente, com desdém, antes de continuar.
- A verdade é que esse jornalistazinho precisava  garantir  o emprego, o jornal precisava vender e eu fui o prato principal   desse jantar. Assim é a imprensa marrom querida, sempre nos perseguindo, como se  fossemos inimigos do povo.
- Meu pai não  foi só perseguido. Foi julgado por corrupção e só não  foi preso porque  morreu dias antes da condenação oficial e eu quero que me diga qual a sua parcela de culpa na morte dele!
- Dieu! Claude já encheu sua  linda cabecinha  com as fantasias da cabeça dele!
- Claude não tem nada com isso! Eu encontrei essa pasta e depois de ler vários recortes tirei minhas próprias  conclusões. Eu  sou capaz disso, mamãe.
- Conclusões  precipitadas, equivocadas e inaceitáveis Nara! Eu sou sua mãe, exijo que me respeite.
 - Eu sempre a respeitei mamãe. A você e as suas vontades, sabe por quê?  Porque eu era criança e tinha medo! Mas eu cresci e...
- E está se tornando inconveniente. Vamos adiantar seu noivado e casamento com Bernard.
- Quando vai entender que não quero me casar com ele? Quero estudar, ter uma profissão uma carreira e principalmente casar com alguém que eu ame!
- Pode estudar depois de casada, vai ser um  ótimo marketing. Quanto ao amor, aprenda a amar Bernard! Ou mantenha um caso discreto, caso apareça alguém mais interessante...
- Eu não acredito no que estou ouvindo! Qual a parte do “eu não quero me casar com Bernard” você não entendeu?
- Oh eu a entendi todinha! Mas você ainda mora  sob meu teto, eu a alimento e pago suas  despesas. Você me deve isso!
- Mon Dieu!. Não vou continuar  com essa discussão porque vai me obrigar a desrespeita-la mamãe. Com  licença, vou para o meu quarto.
- Espere. Onde está a tal pasta, eu quero vê-la!
- Está com... Com alguém que saberá guarda-la em segurança. Não que isso seja  necessário. Basta uma busca pelo Google, e noticias como essa aparecerão para  quem quiser vê-las.
Um toque na porta e Elise aparece.
- Com  licença,  o jantar está pronto. Posso servi-lo?
- Bonne appetit,  mamãe! – E vira as  costas em direção a porta – Ah, a propósito, essa casa  pertence ao Claude. É herança dele! – Exclama Nara antes de sair da biblioteca para o quarto.
Se morar sob o “seu” teto é  o problema, mamãe -  pensava ela  enquanto subia  a escada, vamos corrigir essa situação. Tenho certeza que Claude não pensa igual a você!



PSV



Rosa abriu os olhos assustada, com aquela sensação de cair sem fim, e seus  dedos envolveram o lençol apertando-o com força a procura de segurança.
E que peso era aquele sobre seu corpo,  impedindo-a de virar o corpo e evitar sua queda? Então, lembrou-se de tudo.
Deus! Não foi um sonho...  – Pensou ao ver Claude ao seu lado.
Fechou os olhos por um instante.
 - Eu não devia ter  dormido,  preciso  voltar para  casa! Como vou sair da cama, sem acordar você? Não quero enfrentar seu olhar de  desprezo! Pelo menos não hoje, não agora...
Girou o corpo lateralmente, tentando empurrar o braço dele para  fora de seu  corpo. Mas tudo que  conseguiu  foi piorar a situação. Claude a puxou para perto de si,  sem acordar totalmente e ainda  cruzou a perna dele  sobre a sua.
Droga! Não devia ter feito isso, Claude! – Praguejou para si mesma. - Pelo menos estou de costas... – E foi impulsionado seu  corpo lentamente para a frente até conseguir sair da cama.
Claude esticou o braço, como se a procurasse e Rosa ficou estática, segurando a respiração quando ele resmungou qualquer  coisa.  Mas ele acabou virando para o outro lado  e ela  respirou, aliviada.
Devagar caminhou até a poltrona onde estava  sua  roupa e começou a vestir-se, apesar da escuridão.  Não iria arriscar e acender luz alguma. Vestir-se o mais rápido possível e pedir um táxi.  É isso que  tenho que  fazer!
Foi ao banheiro, arrumou  o cabelo escovando-o e passou  um batom os lábios. Guardou tudo de volta na bolsa e voltou ao quarto, fechando a porta de acesso ao closet cuidadosamente, evitando qualquer ruído.
Um passo para o lado e pegou  os sapatos com a mão livre. Melhor coloca-los depois, pensou endireitando o corpo e dando um passo a frente.
Então uma luz a cegou momentaneamente e Rosa ergueu as mãos tentando proteger  os olhos.
- O que pensa que está fazendo? – Perguntou Claude encostado na parede, ao lado do interruptor, braços  cruzados,
- Estou indo para minha casa. – Explicou-se Rosa piscando várias  vezes.
- Non diga! E vai a pé, presumo. -  Comento  ele, irônico.
- Não. Pensei em pedir  um serviço de táxi.
- E não pensou em me pedir para leva-la?
- Você estava dormindo e eu...
- E você ia aproveitar esse fato para  fugir. Por que me surpreendo? Fugir é  o seu método, não é mesmo?
- Olha, eu dispenso suas considerações e ironia. Estou cansada e quero ir pra minha casa. Quer me dar licença? – Pediu quando ele impediu sua  saída do quarto, bloqueando a porta.
- Táxi a essa hora, nem pensar.  Eu a trouxe até aqui e eu a levo de volta. – Respondeu ele olhando-a fixamente.  -  Pode esperar aqui ou na sala enquanto eu coloco uma roupa.
E para sua surpresa, Rosa não viu desprezo nesse olhar.



PSV


Claude  estacionava  o carro em frente ao prédio em que Rosa morava. Não haviam trocado uma palavra sequer  durante  todo o caminho.
- Eu... Bem, obrigada por me trazer de volta – Disse ela quando o carro parou completamente.
Então  abriu a  porta e desceu sem  olhar  para trás e subiu apressada os poucos  degraus que a separavam do  hall. O porteio, de  dentro da guarita acenou com a cabeça e liberou sua entrada. Ao erguer a mão ara abrir a porta assustou-se.
A de Claude já pousava na maçaneta  abrindo-a, o suficiente para que passasse. Murmurou um obrigada novamente e entrou. Só notou que ele ainda  estava lá, parado   na entrada  do prédio olhando em sua direção, quando entrou no elevador e  virou-se de frente, apertando o número de seu andar enquanto a porta  a fechava dentro dele.
Claude ficou parado na porta por alguns instantes, até decidir voltar ao carro. O percurso da  volta lhe  pareceu mais longo. 
Evitou que seus pensamentos o atormentassem, trocando repetidamente a frequência das rádios. Mas quando entrou em casa, o silêncio foi impiedoso. E sua  consciência também.





Um vazio imenso e sombrio se arrastava por onde  olhasse. Dentro  do peito um aperto, e um nó na garganta. O que tinha feito à mulher que amava? Não tinha o  direito de fazê-la sentir-se humilhada,  de ofende-la em sua dignidade tratando-a como um objeto de prazer.
Serviu-se de uma  dose de wiscky e sentou pesadamente  no sofá.
Fora isso que fizera. Ofendera Rosa em seu mais puro e sagrado dom: o de receber em si algo que não lhe  fazia  falta, mas que a completava. E cabia a ela, apenas  a ela como mulher escolher quem a completaria.
Não era o lado físico da questão que o incomodava.  O sexo em si havia sido prazeroso para ambos, tinha certeza  disso. Era o emocional que dava  mostras de não  concordar com a sua própria atitude de  força-la a chegar  a isso.
Nunca havia usado de subterfúgios para  levar uma mulher para a cama e tivera a insensatez de fazer justamente com Rosa.
Imaginou que se sentiria vitorioso e valente, por  submete-la a sua  vontade e desejo e agora se julgava o mais indigno dos  homens.
- Mon Dieu, como ela deve estar  se sentindo agora? -  Disse a si mesmo.
Por que não a seguiu e disse que a amava, como pediu seu  coração?
 - Parabéns, Claude! Queria castiga-la, se vingar e veja o que conseguiu!
 E que ideia idiota a do preservativo? “Não estava  disposto a uma gravidez indesejada!”
- O que eu mais quis, mais desejei depois de conhecê-la foi ficar para sempre  contigo, Rosa. Contigo e com nossos filhos... Com “nossa” Alexandra.
Olhou para o copo de  wiscky em sua  mão e sorriu sem graça, devolvendo-o à bandeja sobre o aparador,  encostado ao sofá. Se  cinco anos não  foram  suficientes para deixar de ama-la, não seria uma dose de álcool que faria isso.
Foi para  o quarto e jogou-se na cama. O lençol ainda tinha  o perfume dela e as lembranças daquela  noite, misturada a tantas outras povoaram até mesmo os  seus   sonhos.



PSV 

                                            
                                            Continua em breve

2 comentários:

Débora disse...

Viu seu idiota... Parabéns seu forte continua sendo a "inteligência" .. congrats man..! --'.. quero maisssss

Débora disse...

Não vai ter mais não??

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