PSV
Louise ignorou a pergunta feita por Nara e devolveu o recorte de jornal desprezando o conteúdo e sentando-se no sofá olhou pela janela.
- Mamãe? – Insistiu Nara.
- De onde desenterrou uma
noticia tendenciosa e inverídica, Nara? - Disse finalmente, evitando olhar para a
filha.
- Uma? – Exclamou Nara indignada. - Não! Há uma pasta, com várias noticias iguais
a essa mamãe, e isso é tudo que tem a me dizer?!
- E o que mais quer que eu lhe diga? – Questionou olhando-a
sem emoção alguma.
- A verdade!
Louise suspirou profundamente, com desdém, antes de
continuar.
- A verdade é que esse jornalistazinho precisava garantir
o emprego, o jornal precisava vender e eu fui o prato principal desse jantar. Assim é a imprensa marrom querida,
sempre nos perseguindo, como se fossemos
inimigos do povo.
- Meu pai não foi só
perseguido. Foi julgado por corrupção e só não
foi preso porque morreu dias
antes da condenação oficial e eu quero que me diga qual a sua parcela de culpa
na morte dele!
- Dieu! Claude já encheu sua
linda cabecinha com as fantasias
da cabeça dele!
- Claude não tem nada com isso! Eu encontrei essa pasta e
depois de ler vários recortes tirei minhas próprias conclusões. Eu sou capaz disso, mamãe.
- Conclusões precipitadas,
equivocadas e inaceitáveis Nara! Eu sou sua mãe, exijo que me respeite.
- Eu sempre a
respeitei mamãe. A você e as suas vontades, sabe por quê? Porque eu era criança e tinha medo! Mas eu
cresci e...
- E está se tornando inconveniente. Vamos adiantar seu
noivado e casamento com Bernard.
- Quando vai entender que não quero me casar com ele? Quero
estudar, ter uma profissão uma carreira e principalmente casar com alguém que
eu ame!
- Pode estudar depois de casada, vai ser um ótimo marketing.
Quanto ao amor, aprenda a amar Bernard! Ou mantenha um caso discreto, caso
apareça alguém mais interessante...
- Eu não acredito no que estou ouvindo! Qual a parte do “eu
não quero me casar com Bernard” você não entendeu?
- Oh eu a entendi todinha! Mas você ainda mora sob meu teto, eu a alimento e pago suas despesas. Você me deve isso!
- Mon Dieu!. Não vou continuar com essa discussão porque vai me obrigar a desrespeita-la
mamãe. Com licença, vou para o meu
quarto.
- Espere. Onde está a tal pasta, eu quero vê-la!
- Está com... Com alguém que saberá guarda-la em segurança.
Não que isso seja necessário. Basta uma
busca pelo Google, e noticias como essa aparecerão para quem quiser vê-las.
Um toque na porta e Elise aparece.
- Com licença, o jantar está pronto. Posso servi-lo?
- Bonne appetit,
mamãe! – E vira as costas em
direção a porta – Ah, a propósito, essa casa
pertence ao Claude. É herança dele! – Exclama Nara antes de sair da
biblioteca para o quarto.
Se morar
sob o “seu” teto é o problema, mamãe - pensava ela
enquanto subia a escada, vamos
corrigir essa situação. Tenho certeza que Claude não pensa igual a você!
PSV
Rosa abriu os olhos assustada, com aquela sensação de cair
sem fim, e seus dedos envolveram o
lençol apertando-o com força a procura de segurança.
E que peso era aquele sobre seu corpo, impedindo-a de virar o corpo e evitar sua
queda? Então, lembrou-se de tudo.
Deus! Não foi um sonho...
– Pensou ao ver Claude ao seu lado.
Fechou os olhos por um instante.
- Eu não devia ter dormido, preciso
voltar para casa! Como vou sair
da cama, sem acordar você? Não quero enfrentar seu olhar de desprezo! Pelo menos não hoje, não agora...
Girou o corpo lateralmente, tentando empurrar o braço dele
para fora de seu corpo. Mas tudo que conseguiu
foi piorar a situação. Claude a puxou para perto de si, sem acordar totalmente e ainda cruzou a perna dele sobre a sua.
Droga! Não devia ter feito isso, Claude! – Praguejou para si
mesma. - Pelo menos estou de costas... – E foi impulsionado seu corpo lentamente para a frente até conseguir
sair da cama.
Claude esticou o braço, como se a procurasse e Rosa ficou
estática, segurando a respiração quando ele resmungou qualquer coisa.
Mas ele acabou virando para o outro lado
e ela respirou, aliviada.
Devagar caminhou até a poltrona onde estava sua
roupa e começou a vestir-se, apesar da escuridão. Não iria arriscar e acender luz alguma. Vestir-se
o mais rápido possível e pedir um táxi. É isso que
tenho que fazer!
Foi ao banheiro, arrumou
o cabelo escovando-o e passou um
batom os lábios. Guardou tudo de volta na bolsa e voltou ao quarto, fechando a
porta de acesso ao closet cuidadosamente, evitando qualquer ruído.
Um passo para o lado e pegou
os sapatos com a mão livre. Melhor coloca-los depois, pensou
endireitando o corpo e dando um passo a frente.
Então uma luz a cegou momentaneamente e Rosa ergueu as mãos
tentando proteger os olhos.
- O que pensa que está fazendo? – Perguntou Claude encostado
na parede, ao lado do interruptor, braços
cruzados,
- Estou indo para minha casa. – Explicou-se Rosa piscando
várias vezes.
- Non diga! E vai a pé, presumo. - Comento
ele, irônico.
- Não. Pensei em pedir
um serviço de táxi.
- E não pensou em me pedir para leva-la?
- Você estava dormindo e eu...
- E você ia aproveitar esse fato para fugir. Por que me surpreendo? Fugir é o seu método, não é mesmo?
- Olha, eu dispenso suas considerações e ironia. Estou
cansada e quero ir pra minha casa. Quer me dar licença? – Pediu quando ele
impediu sua saída do quarto, bloqueando
a porta.
- Táxi a essa hora, nem pensar. Eu a trouxe até aqui e eu a levo de volta. –
Respondeu ele olhando-a fixamente. - Pode esperar aqui ou na sala enquanto eu coloco
uma roupa.
E para sua surpresa, Rosa não viu desprezo nesse olhar.
PSV
Claude estacionava o carro em frente ao prédio em que Rosa
morava. Não haviam trocado uma palavra sequer
durante todo o caminho.
- Eu... Bem, obrigada por me trazer de volta – Disse ela quando
o carro parou completamente.
Então abriu a porta e desceu sem olhar
para trás e subiu apressada os poucos
degraus que a separavam do hall.
O porteio, de dentro da guarita acenou
com a cabeça e liberou sua entrada. Ao erguer a mão ara abrir a porta assustou-se.
A de Claude já pousava na maçaneta abrindo-a, o suficiente para que passasse.
Murmurou um obrigada novamente e entrou. Só notou que ele ainda estava lá, parado na entrada
do prédio olhando em sua direção, quando entrou no elevador e virou-se de frente, apertando o número de seu
andar enquanto a porta a fechava dentro
dele.
Claude ficou parado na porta por alguns instantes, até
decidir voltar ao carro. O percurso da
volta lhe pareceu mais
longo.
Evitou que seus pensamentos o atormentassem, trocando
repetidamente a frequência das rádios. Mas quando entrou em casa, o silêncio
foi impiedoso. E sua consciência também.
Um vazio imenso e sombrio se arrastava por onde olhasse. Dentro do peito um aperto, e um nó na garganta. O
que tinha feito à mulher que amava? Não tinha o
direito de fazê-la sentir-se humilhada, de ofende-la em sua dignidade tratando-a como um objeto de prazer.
Serviu-se de uma dose
de wiscky e sentou pesadamente no sofá.
Fora isso que fizera. Ofendera Rosa em seu mais puro e sagrado
dom: o de receber em si algo que não lhe
fazia falta, mas que a completava.
E cabia a ela, apenas a ela como mulher escolher
quem a completaria.
Não era o lado físico da questão que o incomodava. O sexo em si havia sido prazeroso para ambos,
tinha certeza disso. Era o emocional que
dava mostras de não concordar com a sua própria atitude de força-la a chegar a isso.
Nunca havia usado de subterfúgios para levar uma mulher para a cama e tivera a
insensatez de fazer justamente com Rosa.
Imaginou que se sentiria vitorioso e valente, por submete-la a sua vontade e desejo e agora se julgava o mais
indigno dos homens.
- Mon Dieu, como ela deve estar se sentindo agora? - Disse a si mesmo.
Por que não a seguiu e disse que a amava, como pediu seu coração?
- Parabéns, Claude! Queria
castiga-la, se vingar e veja o que conseguiu!
E que ideia idiota a
do preservativo? “Não estava disposto a
uma gravidez indesejada!”
- O que eu mais quis, mais desejei depois de conhecê-la foi
ficar para sempre contigo, Rosa. Contigo
e com nossos filhos... Com “nossa” Alexandra.
Olhou para o copo de
wiscky em sua mão e sorriu sem
graça, devolvendo-o à bandeja sobre o aparador,
encostado ao sofá. Se cinco anos
não foram suficientes para deixar de ama-la, não seria
uma dose de álcool que faria isso.
Foi para o quarto e
jogou-se na cama. O lençol ainda tinha o
perfume dela e as lembranças daquela
noite, misturada a tantas outras povoaram até mesmo os seus
sonhos.
PSV
Continua em breve

2 comentários:
Viu seu idiota... Parabéns seu forte continua sendo a "inteligência" .. congrats man..! --'.. quero maisssss
Não vai ter mais não??
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