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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

PSV/Capítulo 17

Joana serviu o café para  Elisabeth antes de fazer um comentário:
- Não seria melhor ficar em casa e descansar, Liz?
- Não estou cansada, Joana.  Não da maneira como pensa. Hoje irei a galeria participar da reunião que Claude planejou e se não me sentir bem, eu  volto para casa.
-  Não se preocupe Joana, eu estarei de olho nela. – Falou John.
- Vou entender isso como um flerte, darling! – Replicou Liz.
- E por que mais seria? – Respodeu  John sorrindo. – Mas amanhã...
- Amanhã ficarei em casa,  adiantando alguns pratos para o jantar de depois de amanhã.
- E então agendaremos sua  cirurgia.
- John, ainda precisamos avaliar se teremos como custea-la totalmente.
- Eu darei um jeito, honey. Se preciso for farei outro empréstimo.
- Querido...
- Liz, lembra-se do nosso lema?
- Vai dar tudo certo! – Afirmou ela. - Mas não diremos nada a Rosa ainda, somente quando tivermos  tudo resolvido. Ok?


PSV


Nara terminou o café, levantou-se e  colocou a xícara  de  volta na bandeja.
- Bem, eu sei que querem discutir sobre política e por isso vou deixa-los a sós. Não se importam por essa minha  deselegância, não é mesmo?
Bernard foi o primeiro a se manifestar:
- Por enquanto vou compreender  seu desinteresse pelo assunto, mas depois de  casados farei questão de sua  presença em todas as reuniões, ao meu lado.
E despediu-se  de Nara com um beijo em sua mão.
- Mamãe, Roberta, com licença! – E saiu em direção a biblioteca. Tudo que queria  era sair dali, após aquele almoço imposto pela mãe.
- Deveria ter insistido  para que ela ficasse, Bernard. – Escutou Roberta sugerir.
- Não subestime minha inteligência, Roberta. Saberei convencê-la depois que estivermos  casados. De um jeito ou de outro.
Não foi o que ele disse, mas  como disse ‘ou de outro’  que provocou um tremor em Nara. Ficou parada na porta a espera de mais algum comentário.
- Quando ela estiver  casada  com você, querido, não precisará  convencê-la a nada. Eu já  terei feito isso! – Afirmou Louise.
Depois o som de um brinde em meio a  risadas. E aquilo lhe pareceu ainda mais sinistro e perigoso.
Ligaria para Claude outra vez. Precisa sair  da França o quanto antes.


PSV


Claude esperou que todos  ocupassem seus  lugares e só então ocupou o seu.  Uma  cadeira bem em frente a Rosa, numa   mesa oval na pequena  sala de reuniões.
- Bem, não vou ser  formal. Esta é uma reunião que já deveria ter  acontecido mas eu adiei até estar a par de todo o funcionamento da galeria.
- E o que exatamente você espera de nós e o que nós podemos esperar dela? – Perguntou John.
- Em primeiro lugar, quero destacar que estes  relatórios – E apontou para a pequena pilha  de papéis a sua frente – Muito bem organizados e feitos, deu-me uma  boa  visão da estrutura deste empreendimento. Uma estrutura sólida.  Porém...
- Porém vai precisar de alguns ajustes ao seu modo de gerenciar, como  corte de pessoal, por  exemplo. – Rosa mais afirmava que perguntava. 
- Posso garantir que ninguém vai ser dispensado de suas  funções, Rosa. - Respondeu Claude de  forma seca e clara, parecendo irritado. - Um ponto importante em um empreendimento que lida  com Arte, é contar com funcionários que sejam ou se  portem como consultores de arte, com formação profissional, que tenham referências do quanto é valioso um trabalho exposto e saibam investir em uma boa obra para venda. E isso foi o que encontrei aqui. – Afirma mais  controlado.
- Desculpe, eu não quis ser  grosseira ou inoportuna. – Murmurou arrependida de seu  impulso.
- Claro que não. Você tem parte ativa nesta galeria e eu entendo sua preocupação com a equipe que montou. – Observou fitando-a. – Eu  costumo ser democrático ao gerenciar o que quer que seja.
- Então você quer sugestões. -  Palpitou ela novamente. -  Ou já as tem e quer alterar  ou mudar a performance  da galeria?
- Não exatamente mudar, mas aprofundar a  forma do que é feito e por quem é feito.  O objetivo maior dos Centros de Artes é levar a arte a muitas pessoas, ou seja,  popularizar a arte, sejam estes   galerias de arte, museus ou departamentos de universidades, correto?
- Correto – Concordaram alguns.
- Mas fazemos isso! – Falou Rosa – Temos parcerias e mantemos um ateliê que já nos rendeu prêmios e novos talentos!
- Estou certo que sim. A última vernissage foi  sucesso de venda  e crítica.  O que quero acrescentar a tudo isso é uma maior participação, um trabalho de aproximação da arte com  o público menos privilegiado. É levar a cultura até quem não pode  vir até ela.
- Uma galeria de arte itinerante? – Questiona Sérgio, gostando da ideia.
- Voilà! Você captou a essência da minha ideia, Sérgio. A Athena  pode e deve ser mais que  um estabelecimento privado de comércio de obras de arte.
- Quer investir mais no acervo permanente próprio?
-  Não só isso, Liz. Temos  espaços ociosos dentro da galeria e um um galpão nos  fundos. Poderíamos investir também nas outras linguagens, oferecendo oficinas de teatro, dança e música. O que acham?
-  Seria ótimo! – Falou Sérgio, concordando.
- Seria  como ampliar  nosso ateliê! – Falou Janete – Mas já adianto que Sérgio e eu não daremos  conta  de tudo isso sozinhos.
- Na verdade, eu pensei em dividir as tarefas. John e Liz ficariam responsáveis por avaliar as obras para exposição, compra e venda, além de organizar e presidir eventuais leilões de objetos de arte na galeria. Sérgio ficaria com o ateliê de artes plásticas, Janete cuidaria do acervo, publicidade e maketing da galeria. Para as outras áreas contrataríamos pessoas capacitadas ou até  mesmo free lancers. Rosa e eu cuidaríamos da parte burocrática dos projetos, parcerias e  contratos.
- Pelo jeito você já tem tudo preparado. – Afirmou Rosa,  com uma ponta  de mal humor na  voz.
- Não, eu tenho tudo esquematizado, o que é diferente. Considere que todos aqui presentes fazem parte de um conselho, que  começa a existir a partir de hoje, para tomadas de decisões  sobre os  rumos da galeria, enquanto eu estiver no comando.
- Rosa, Claude tem razão. – Interferiu John. -  É preciso um projeto de qualidade para valorizar e fazer  desse espaço uma boa opção na cidade para os artistas colocarem suas obras à venda e gerar lucros. Você mesma tinha alguns planos, por que não os expõe agora?
- Eu acho que não. Claude parece ter planos e ideias definidas e...
- E eu gostaria muito de ouvir as suas Rosa. Por favor, quais são?


PSV


Roberta entrou na saleta que lhe servia de escritório.
- Feche a porta, por favor. – Pediu sentando-se em seguida.
- Você tinha razão – Ouviu Roberta quando pegou o envelope das mãos de Beto.
Rapidamente o abriu e tirou as fotos, olhando-as uma a uma. Louise e Bernard entrando e saindo de  restaurantes, “hotéis” e do apartamento de Bernard!
- Malditos! – Murmurou entre os dentes – Malditos e traiçoeiros! – Repetiu espalhando-as pela mesa. - Mas isso não  vai ficar assim!
- E o que pretende  fazer? – Perguntou ele, servindo-se de uma bebida e preparando uma para Roberta.
-  Sabotar os planos de Louise e arruinar a candidatura de  Bernard. Talvez eu precise da sua colaboração.  Estaria  disposto a cooperar?
- Minha ajuda sempre tem um preço, Roberta. Que depende do quão disposto eu preciso ser. – Concluiu sentando-se.
- Alguma vez eu  o decepcionei?
- Nunca.
- Pois então aguarde meu contato. Preciso pensar com calma e planejar milimetricamente meus passos. – Falou abrindo com a chave  a gaveta da escrivaninha.
Tirou uma  quantia em espécie e entregou a ele.
- Tem mais do que  combinamos. – Afirmou Beto.
- Considere como um bônus por  sua  lealdade e discrição. E por  futuros compromissos. Tim tim! – Concluiu brindando e  tomando  um generoso gole da bebida.
Beto a acompanhou e em seguida guardou o dinheiro, levantando-se.
- Au revoir, ma cher! Quando estiver pronta, sabe onde me encontrar. – Falou  tocando a ponta  dos  dedos na testa, como uma  continência e retirou-se.
Roberta  ficou um  longo tempo ali. Quanto mais olhava para as fotos, mais  aumentava  seu desejo de vingança.  Começaria ajudando Nara a se livrar do casamento, nem que pra isso tivesse que tira-la do país.
Era isso! Nara precisava  confiar nela cegamente. Ligou para a mansão e descobriu que Louise não estava. Perfeito. Iria  até lá e começaria sua  campanha particular com Nara, convencendo-a que era tão contra esse casamento quanto ela e proporia ajuda-la a sair dessa. Mas precisaria de um argumento. Nara era ingênua, mas não era  boba.
Talvez  fosse a hora de  falar porque Claude havia desistido da  política.


 PSV



- Vamos, darling! – Falou Liz, percebendo a consternação de Rosa. – Eu sei que parou com seus  planos quando fui diagnosticada, mas isso já passou. É hora de seguirmos em frente, Rosa.
- Desculpe Liz, você tem razão. – E antes de continuar  umedeceu os lábios, passando a língua rapidamente entre eles – Eu estava negociando o lançamento de um livro com encontros para debates, mesas redondas, workshops, entre outros eventos a curto prazo, e a longo prazo a implantação e disponibilização de um acervo de livros para consulta, uma livraria voltada para a arte, com revistas internacionais e nacionais especializadas, publicações independentes, como fanzines - aquela comunicação feitos majoritariamente por “fãs” de alguém.
- Excelente ideia!
- Era sim. Mas o livro em questão já  foi lançado.
- Com certeza há outros. Entre em contato com a editora e renove a intenção. Se precisar de  apoio, conte  comigo. Há mais algum projeto que queira nos falar?
- Não, não há mais nada. – Respondeu desviando do olhar atônito  de Janete,  anotando algo em sua agenda.
As duas haviam iniciado em paralelo dois projetos audaciosos: o Athen@Virtual,   portal para garantir um espaço da galeria no mundo virtual da arte e do e-commerce participando dos hub culturais on e offline de São Paulo, nos moldes da Story, em Nova York, unindo expertise em curadoria a eficiência em compras e vendas.
E o Café Athena, um  espaço de convivência e residência artística, com  objetivo de iniciar uma nova geração de brasileiros interessados em colecionar  arte, vivenciando e acompanhando o processo de criação de sua escolha. Um projeto auto sustentável e independente, ainda que  agregada a galeria, e  que por si só se manteria  financeiramente, com a venda de  cafés,  bebidas e petiscos, além dos trabalhos artísticos. 
- Por que não contou sobre o Athen@Virtual  e o Café Athena  a ele Rosa? - Perguntou Janete baixinho, enquanto Claude falava algo a  Sérgio.
- Eu não sei... Vamos continuar de onde paramos e quando tudo estiver literalmente no papel, apresentamos a ele. – Cochichou ela de  volta  percebendo um breve olhar de Claude  sobre ela.
Ele deixou clara  sua intenção de investir financeiramente na galeria, abraçando projetos e boas ideias, como a dela e depois mudou taticamente de assunto.  Uma hora e meia  depois, encerravam a reunião falando do jantar  da noite  seguinte.
Rosa reparou no esforço que  Liz fazia  para se concentrar na conversa, massageando as têmporas e pedindo várias vezes para que repetissem o que era  falado. Alguma  coisa não estava bem nela, outra  vez.
Já estavam todos dispersados no salão de entrada da galeria, com Liz perto da porta,  numa  conversa entusiasmada  com Claude.
John saia de sua sala e Rosa foi até ele. Sabia dos exames de Liz e questionou-o sobre os resultados. Notou a hesitação dele antes de desconversar dizendo que o diagnóstico final dependia  de alguns exames ainda sem laudo.
Resolveu não insistir. John fez uma piada qualquer e ela  sorriu de  volta, segurando no braço que ele oferecia e caminharam para a porta de  saída.
Percebeu que Claude acompanhara  toda a cena com desagrado.
Impressão  minha ou ele parece incomodado toda vez que me vê ao lado de John?




PSV 
                                                     Continua 12/02

1 comentários:

Débora disse...

Gente amando o Claude com a Alex.. e esse ciúmes francês?? pra cima de moi agora..kkkk...maissss

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