Joana serviu o café para
Elisabeth antes de fazer um comentário:
- Não seria melhor ficar em casa e descansar, Liz?
- Não estou cansada, Joana.
Não da maneira como pensa. Hoje irei a galeria participar da reunião que
Claude planejou e se não me sentir bem, eu
volto para casa.
- Não se preocupe
Joana, eu estarei de olho nela. – Falou John.
- Vou entender isso como um flerte, darling! – Replicou Liz.
- E por que mais seria? – Respodeu John sorrindo. – Mas amanhã...
- Amanhã ficarei em casa,
adiantando alguns pratos para o jantar de depois de amanhã.
- E então agendaremos sua
cirurgia.
- John, ainda precisamos avaliar se teremos como custea-la
totalmente.
- Eu darei um jeito, honey. Se preciso for farei outro
empréstimo.
- Querido...
- Liz, lembra-se do nosso lema?
- Vai dar tudo certo! – Afirmou ela. - Mas não diremos nada a
Rosa ainda, somente quando tivermos tudo
resolvido. Ok?
PSV
Nara terminou o café, levantou-se e colocou a xícara de
volta na bandeja.
- Bem, eu sei que querem discutir sobre política e por isso
vou deixa-los a sós. Não se importam por essa minha deselegância, não é mesmo?
Bernard foi o primeiro a se manifestar:
- Por enquanto vou compreender seu desinteresse pelo assunto, mas depois
de casados farei questão de sua presença em todas as reuniões, ao meu lado.
E despediu-se de Nara
com um beijo em sua mão.
- Mamãe, Roberta, com licença! – E saiu em direção a
biblioteca. Tudo que queria era sair
dali, após aquele almoço imposto pela mãe.
- Deveria ter insistido
para que ela ficasse, Bernard. – Escutou Roberta sugerir.
- Não subestime minha inteligência, Roberta. Saberei
convencê-la depois que estivermos
casados. De um jeito ou de outro.
Não foi o que ele disse, mas
como disse ‘ou de outro’ que
provocou um tremor em Nara. Ficou parada na porta a espera de mais algum
comentário.
- Quando ela estiver
casada com você, querido, não
precisará convencê-la a nada. Eu já terei feito isso! – Afirmou Louise.
Depois o som de um brinde em meio a risadas. E aquilo lhe pareceu ainda mais sinistro
e perigoso.
Ligaria para Claude outra vez. Precisa sair da França o quanto antes.
PSV
Claude esperou que todos
ocupassem seus lugares e só então
ocupou o seu. Uma cadeira bem em frente a Rosa, numa mesa oval na pequena sala de reuniões.
- Bem, não vou ser
formal. Esta é uma reunião que já deveria ter acontecido mas eu adiei até estar a par de
todo o funcionamento da galeria.
- E o que exatamente você espera de nós e o que nós podemos
esperar dela? – Perguntou John.
- Em primeiro lugar, quero destacar que estes relatórios – E apontou para a pequena
pilha de papéis a sua frente – Muito bem
organizados e feitos, deu-me uma
boa visão da estrutura deste
empreendimento. Uma estrutura sólida.
Porém...
- Porém vai precisar de alguns ajustes ao seu modo de
gerenciar, como corte de pessoal,
por exemplo. – Rosa mais afirmava que
perguntava.
- Posso garantir que ninguém vai ser dispensado de suas funções, Rosa. - Respondeu Claude de forma seca e clara, parecendo irritado. - Um
ponto importante em um empreendimento que lida
com Arte, é contar com funcionários que sejam ou se portem como consultores de arte, com formação
profissional, que tenham referências do quanto é valioso um trabalho exposto e
saibam investir em uma boa obra para venda. E isso foi o que encontrei aqui. –
Afirma mais controlado.
- Desculpe, eu não quis ser
grosseira ou inoportuna. – Murmurou arrependida de seu impulso.
- Claro que não. Você tem parte ativa nesta galeria e eu
entendo sua preocupação com a equipe que montou. – Observou fitando-a. –
Eu costumo ser democrático ao gerenciar
o que quer que seja.
- Então você quer sugestões. - Palpitou ela novamente. - Ou já as tem e quer alterar ou mudar a performance da galeria?
- Não exatamente mudar, mas aprofundar a forma do que é feito e por quem é feito. O objetivo maior dos Centros de Artes é levar
a arte a muitas pessoas, ou seja, popularizar
a arte, sejam estes galerias de arte, museus ou departamentos de
universidades, correto?
- Correto – Concordaram alguns.
- Mas fazemos isso! – Falou Rosa – Temos parcerias e mantemos
um ateliê que já nos rendeu prêmios e novos talentos!
- Estou certo que sim. A última vernissage foi sucesso de
venda e crítica. O que quero acrescentar a tudo isso é uma
maior participação, um trabalho de aproximação da arte com o público menos privilegiado. É levar a
cultura até quem não pode vir até ela.
- Uma galeria de arte itinerante? – Questiona Sérgio,
gostando da ideia.
- Voilà! Você captou a essência da minha ideia, Sérgio. A
Athena pode e deve ser mais que um estabelecimento privado de comércio de
obras de arte.
- Quer investir mais no acervo permanente próprio?
- Não só isso, Liz.
Temos espaços ociosos dentro da galeria e
um um galpão nos fundos. Poderíamos
investir também nas outras linguagens, oferecendo oficinas de teatro, dança e
música. O que acham?
- Seria ótimo! – Falou
Sérgio, concordando.
- Seria como
ampliar nosso ateliê! – Falou Janete –
Mas já adianto que Sérgio e eu não daremos
conta de tudo isso sozinhos.
- Na verdade, eu pensei em dividir as tarefas. John e Liz
ficariam responsáveis por avaliar as obras para exposição, compra e venda, além
de organizar e presidir eventuais leilões de objetos de arte na galeria. Sérgio
ficaria com o ateliê de artes plásticas, Janete cuidaria do acervo, publicidade
e maketing da galeria. Para as outras áreas contrataríamos pessoas capacitadas
ou até mesmo free lancers. Rosa e eu cuidaríamos da parte burocrática dos
projetos, parcerias e contratos.
- Pelo jeito você já tem tudo preparado. – Afirmou Rosa, com uma ponta
de mal humor na voz.
- Não, eu tenho tudo esquematizado, o que é diferente.
Considere que todos aqui presentes fazem parte de um conselho, que começa a existir a partir de hoje, para
tomadas de decisões sobre os rumos da galeria, enquanto eu estiver no
comando.
- Rosa, Claude tem razão. – Interferiu John. - É preciso um projeto de qualidade para valorizar
e fazer desse espaço uma boa opção na
cidade para os artistas colocarem suas obras à venda e gerar lucros. Você mesma
tinha alguns planos, por que não os expõe agora?
- Eu acho que não. Claude parece ter planos e ideias
definidas e...
- E eu gostaria muito de ouvir as suas Rosa. Por favor, quais
são?
PSV
Roberta entrou na saleta que lhe servia de escritório.
- Feche a porta, por favor. – Pediu sentando-se em seguida.
- Você tinha razão – Ouviu Roberta quando pegou o envelope
das mãos de Beto.
Rapidamente o abriu e tirou as fotos, olhando-as uma a uma.
Louise e Bernard entrando e saindo de
restaurantes, “hotéis” e do apartamento de Bernard!
- Malditos! – Murmurou entre os dentes – Malditos e
traiçoeiros! – Repetiu espalhando-as pela mesa. - Mas isso não vai ficar assim!
- E o que pretende
fazer? – Perguntou ele, servindo-se de uma bebida e preparando uma para
Roberta.
- Sabotar os planos de
Louise e arruinar a candidatura de
Bernard. Talvez eu precise da sua colaboração. Estaria
disposto a cooperar?
- Minha ajuda sempre tem um preço, Roberta. Que depende do
quão disposto eu preciso ser. – Concluiu sentando-se.
- Alguma vez eu o
decepcionei?
- Nunca.
- Pois então aguarde meu contato. Preciso pensar com calma e
planejar milimetricamente meus passos. – Falou abrindo com a chave
a gaveta da escrivaninha.
Tirou uma quantia em
espécie e entregou a ele.
- Tem mais do que
combinamos. – Afirmou Beto.
- Considere como um bônus por
sua lealdade e discrição. E
por futuros compromissos. Tim tim! – Concluiu
brindando e tomando um generoso gole da bebida.
Beto a acompanhou e em seguida guardou o dinheiro,
levantando-se.
- Au revoir, ma cher! Quando
estiver pronta, sabe onde me encontrar. – Falou
tocando a ponta dos dedos na testa, como uma continência e retirou-se.
Roberta ficou um longo tempo ali. Quanto mais olhava para as
fotos, mais aumentava seu desejo de vingança. Começaria ajudando Nara a se livrar do
casamento, nem que pra isso tivesse que tira-la do país.
Era isso! Nara precisava
confiar nela cegamente. Ligou para a mansão e descobriu que Louise não
estava. Perfeito. Iria até lá e
começaria sua campanha particular com
Nara, convencendo-a que era tão contra esse casamento quanto ela e proporia
ajuda-la a sair dessa. Mas precisaria de um argumento. Nara era ingênua, mas
não era boba.
Talvez fosse a hora
de falar porque Claude havia desistido
da política.
PSV
- Vamos, darling! – Falou Liz, percebendo a consternação de
Rosa. – Eu sei que parou com seus planos
quando fui diagnosticada, mas isso já passou. É hora de seguirmos em frente,
Rosa.
- Desculpe Liz, você tem razão. – E antes de continuar umedeceu os lábios, passando a língua
rapidamente entre eles – Eu estava negociando o lançamento de um livro com encontros para debates, mesas
redondas, workshops, entre outros eventos a curto prazo, e a longo prazo a
implantação e disponibilização
de um acervo de livros para consulta, uma livraria voltada para a arte, com
revistas internacionais e nacionais especializadas, publicações independentes,
como fanzines - aquela comunicação
feitos majoritariamente por “fãs” de alguém.
- Excelente ideia!
- Era sim. Mas o livro em questão já foi lançado.
- Com certeza há outros. Entre em contato com a editora e
renove a intenção. Se precisar de apoio,
conte comigo. Há mais algum projeto que
queira nos falar?
- Não, não há mais nada. – Respondeu desviando do olhar
atônito de Janete, anotando algo em sua agenda.
As duas haviam iniciado em paralelo dois projetos audaciosos:
o Athen@Virtual,
portal para garantir um espaço da
galeria no mundo virtual da arte e do e-commerce participando dos hub culturais on e offline de São Paulo, nos moldes da Story, em Nova York, unindo expertise em curadoria a eficiência em compras
e vendas.
E o Café Athena, um espaço de convivência
e residência artística, com objetivo de iniciar uma nova geração de
brasileiros interessados em colecionar
arte, vivenciando e acompanhando o processo de criação de sua escolha.
Um projeto auto sustentável e independente, ainda que agregada a galeria, e que por si
só se manteria financeiramente, com a
venda de cafés, bebidas e petiscos, além dos trabalhos
artísticos.
- Por que não contou sobre o Athen@Virtual e o Café Athena a ele Rosa? - Perguntou Janete baixinho,
enquanto Claude falava algo a Sérgio.
- Eu não sei... Vamos continuar de onde paramos e quando tudo
estiver literalmente no papel, apresentamos a ele. – Cochichou ela de volta
percebendo um breve olhar de Claude
sobre ela.
Ele deixou clara sua intenção
de investir financeiramente na galeria, abraçando projetos e boas ideias, como
a dela e depois mudou taticamente de assunto.
Uma hora e meia depois,
encerravam a reunião falando do jantar
da noite seguinte.
Rosa reparou no esforço que
Liz fazia para se concentrar na
conversa, massageando as têmporas e pedindo várias vezes para que repetissem o
que era falado. Alguma coisa não estava bem nela, outra vez.
Já estavam todos dispersados no salão de entrada da galeria,
com Liz perto da porta, numa conversa entusiasmada com Claude.
John saia de sua sala e Rosa foi até ele. Sabia dos exames de
Liz e questionou-o sobre os resultados. Notou a hesitação dele antes de
desconversar dizendo que o diagnóstico final dependia de alguns exames ainda sem laudo.
Resolveu não insistir. John fez uma piada qualquer e ela sorriu de
volta, segurando no braço que ele oferecia e caminharam para a porta
de saída.
Percebeu que Claude acompanhara toda a cena com desagrado.
Impressão minha ou ele
parece incomodado toda vez que me vê ao lado de John?
PSV
Continua 12/02

1 comentários:
Gente amando o Claude com a Alex.. e esse ciúmes francês?? pra cima de moi agora..kkkk...maissss
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