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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

PSV/Capítulo 18


                                       PSV


Nara virou o  corpo mais uma vez sobre a cama, desistindo de tentar  dormir. Sentou- se encostando a cabeceira dela.
A  visita de Roberta fora no mínimo estranha. Não entendia a súbita mudança de atitude dela, dizendo agora que não concordava com Louise sobre esse casamento forçado com Bernard.
Mais suspeito ainda era ouvi-la dizer que estava  disposta a ajuda-la a livrar-se  disso; que sabia de  coisas que poderiam ser  úteis, verdadeiras  armas contra essa trama. O que  poderia ser?
Roberta esteve a ponto de falar e mostrar alguma  coisa, mas a chegada da mãe a impedira de saber. Antes de ir embora, Roberta disse que  voltaria a procura-la.
Um conselho de Frazão seria  bem  vindo, mas ele não atendia o celular. Nem Claude. Ligou a TV  e tentou se concentrar no primeiro filme que achou.


PSV


Rosa puxou John gentilmente para o lado, levando-o perto da janela.
- John, quando vai me  dizer o que está  acontecendo realmente?
- Não entendo o  que quer  dizer, Rosa. Está  tudo sobre  controle. Claude parece ser um ótimo líder, não acha?
- Sabe perfeitamente que não me refiro a  galeria.  É Liz quem me preocupa. O que está havendo, meu amigo?
John deu um rápido  suspiro e assegurando-se que não havia ninguém por perto disse quase  sussurrando:
- Nunca  consigo esconder algo de você por muito tempo,  não é? Liz terá outra batalha para enfrentar. Mas não queremos falar  sobre isso. Não esta noite.
Rosa colocou a sua mão sobre a dele num gesto de ternura:
- Seja o que  for, sabe que pode  contar  comigo para qualquer tipo de ajuda.
- Eu sei, darling. – Respondeu segurando a mão dela entre as  suas. –  Você é a filha que não tivemos!
- E vocês são meus  pais  do coração! – Respondeu sorrindo e o abraçou ternamente.


PSV



O elevador subia levando Claude e Dadi. Claude saiu assim que ele parou e a porta se abriu.
- Ainda acho um erro vir  com você, Claude. O que irão pensar? Sou apenas  sua empregada!
Claude sorriu gentilmente, antes de responder:
- Irão pensar que trato a todos sem distinção. – Falou firme. - Não seja  boba Dadi, você é mais que minha empregada. É uma amiga e hoje, minha acompanhante. Venha. – Pediu estendendo a mão para  ela.
Mais  confiante postou-se ao lado dele e andaram alguns metros até o fim do corredor. Claude tocou a campainha e completou seu raciocínio:
- Além do mais, sei que está ansiosa para vê-la.
- Evitar dizer o nome dela não o fará deixar de ama-la. – Observou  Dadi.
E antes que Claude tivesse a chance de responder, a porta abriu e Joana os recebeu. Imediatamente o olhar de Claude caiu sobre Rosa, que  conversava com John e tinha  suas mãos entre as dele. E a conversa lhe parecia muito íntima. Tão íntima que ela sorriu e o abraçou.
E nesse momento seus  olhares se encontraram. Claude apertou os lábios, e os boatos da suposta relação entre eles corroeu seus pensamentos.
- Eba, você chegou! – Exclamou Alex abraçando-o pelas pernas.
- Olá, pequena! – Respondeu Claude abaixando-se e abraçando-a.
 - Eu tava com saudade de  você!
- Alex! – Ouviu a voz de Rosa bem perto. – Que modos são esses, filha?
- Não se preocupe, Rosa. São modos de uma menina muito resolvida, eu diria. Boa noite a todos! – Cumprimentou recebendo sorrisos e retribuições ao cumprimento.
Afastou-se em direção às pessoas, deixando Dadi na mira de Rosa.
- Dadi!? – Exclamou Rosa baixinho, reconhecendo-a. – Meu Deus, que  bom vê-la de novo! – E abraçou-a.
- Menina, quanto tempo! – Falou Dadi, emocionada. – Está ainda mais  bonita!
- Sempre gentil, não é?
- Você é a mamãe  do Claude? – Perguntou Alex, olhando para Dadi.
- Oh, não, não sou! Mas  você deve ser a menina que  gosta de cangurus!
- Aham... Você também gosta de... – Alex deu uma parada e respirou – can-gu-ru?
- Acho que são  animais simpáticos. – Respondeu Dadi.  – E sabem pular como ninguém!
- Vejo que já fez amizade com o nosso xodó! – Falou Liz aproximando-se. – Seja vem vinda, Dadi! Eu sou Elisabeth e é muito bom  conhece-la pessoalmente. Claude é só elogios a  sua  pessoa!
- O prazer é todo meu! E Claude é sempre gentil!
- Venha conhecer os outros, por favor. Agora que estamos  com o time completo, vamos  brindar e seguir com o jantar.  Rosa, você poderia checar se a mesa está bem organizada, por favor?
- Claro Liz. Vem com a mamãe, querida? – E de mãos dadas com Alex, caminhou  em direção a sala de jantar. 
John a parou no meio do caminho, fazendo um agrado para Alex. Sentiu que alguém acompanhava o fato e ao erguer o olhar confirmou suas suspeitas. Não era impressão sua. Alguma coisa incomodava Claude quando ficava perto de John.  E não era ciúmes, estava certa  disso.
O jantar foi agradável e Alex portou-se  bem até  quase o final, quando começou a ficar com sono, mas sem querer  dormir.
Silvia logo a  convidou para a sobremesa e isso a distraiu por mais um tempo.
Depois que saíram da mesa, reuniram-se na sala de estar e Alex monopolizou Claude. Ele parecia se divertir  com a situação e Rosa se perguntava o que a impedia de contar a verdade a ele.
Como ele iria reagir ao saber que  escondera sua gravidez dele? Bem, não escondera, apenas omitira a situação. O que não entendia era por que Roberta não viera ao Brasil  com ele.  Devia  continuar  casado, pois  usava aliança. Sentiu uma  vontade imensa de perguntar a Dadi, mas conteve-se. Não era o melhor  momento.
- Por que não terminamos a noite com  uma partida de pôquer?  Sugere Liz.  - Gosta de jogos Claude?
- Ouí, mas confesso que prefiro a versão que vocês  chamam de Buraco.  
- Pois  então que seja o Buraco! Joana, veja o baralho para nós, sim? – Pede Liz.
- O que  foi Rosa? Tem algum outro compromisso, está olhando para o  relógio. – Observou John.
-  Acho que não devo ficar Alex já deveria estar na cama.
- Oras querida, ela está se divertindo com Silvia! E podem passar a noite em no quarto de hóspedes se  for preciso, sabe disso.
- Eu sei, mas...
- Rosa se você  for embora agora, ficaremos em número ímpar e lá se vai minha chance de jogar. – Comentou Liz.
- Uma partida só está bem? – Respondeu sorrindo para não magoar  Liz.
- Perfeito, darling!
Sortearam os pares. Rosa e John,  Liz e Claude. Dadi e Joana insistiram em deixar a cozinha limpa e só voltaram à sala no final da partida.
Coube a Claude a distribuição das cartas. Onze para cada participante e  dois mortos com onze cartas cada um também.
John foi o primeiro a comprar uma carta. Verificou quais as combinações que podia fazer e jogou fora a que não interessava, trocando um olhar com Rosa, que perdurou por  toda a partida.
No meio dela,  Alex apareceu, aproximando-se de Rosa.
- Vai demorar pra gente ir pra casa, mamãe?
- Um pouco, meu bem. Está cansada?
- Não! – Respondeu afastando-se -  Eu vou ver o Frozen.  Silvia a gente pode assistir, a mamãe disse que vai demorar! - Continuou, correndo de  volta a sala de  TV,  falando alto dessa vez.
- E você preocupada com ela, Rosa... – Comentou John, divertindo-se.
Ficaram na frente até Liz bater com as onze cartas iniciais e pegar o morto por duas vezes, encerrando a partida.
Os pontos na mesa  dariam a vitória à Rosa e John não fossem os cem pontos perdidos por eles  como penalidade por não terem pego o morto nem uma  vez. Os mesmos cem pontos que  foram somados  a Claude e Liz, pela dupla batida dela.
- Ora, ora...  De nada adiantou todo esse entrosamento de vocês, honey! – Afirmou Liz divertida.   – Dessa vez, eu ganhei. Com a ajuda de meu parceiro, claro!
- Bem, acabamos de ver que mesmo um bom entrosamento não garante a vitória! -  Comenta Rosa. – Você e Claude jogaram juntos pela primeira vez e  ganharam.
- Não se iluda com isso, Rosa. Deve  ser algo do tipo “sorte no jogo, azar no amor”. – Afirmou guardando o baralho.
Rosa engoliu em seco, perdendo o sorriso e desviou o olhar rapidamente para seu relógio. Não havia ironia ou sarcasmo na fala de Claude, mas  era claro que ele  havia dito isso para ela.
Será que mais alguém notou? – Perguntou-se notando o  olhar preocupado de   Dadi.
- Não seja modesta Rosa. Você sempre foi uma aluna especial  e sabe jogar muito bem. Diria até que superou seu professor. – Afirmou John abrindo uma garrafa de vinho.
Claude a olhou tão intensamente, como se a culpasse de algo, que  Rosa sentiu seu  rosto  empalidecer.
- Eu... eu preciso ver a Alex...
- Ela está bem caso contrário já estaria aqui, darling.  Só uma taça de vinho e eu  deixo você  ir, ok? – Insistiu Liz.
- Está bem  Liz. – Concordou Rosa sem outra alternativa.
Não podia fazer essa desfeita com ela. Nem mesmo  uma cena  com Claude. Por que ele a olhava  com ar de reprovação durante  toda a noite?
- Um brinde  à amizade e ao sucesso! – Exclamou Elisabeth, acompanhada por todos.
Então Claude fez um comentário qualquer  sobre um dos quadros da parede a John. Rosa e Liz  aproximaram-se, atentas.
John formulou a resposta mas não chegou a pronuncia-la, por que a voz de Rosa o impediu.
- Liz! -  Exclamou aflita.
Ela mal havia levado a taça aos lábios. Seus dedos afrouxaram e a deixou cair ao chão, enquanto levava a mão à lateral da cabeça, apertando-a sobre o ouvido, soltando uma exclamação abafada de dor.

Só não ao chão porque Claude e John a ampararam, deitando-a no sofá. John tentou reanima-la. 



                                  PSV  
                                                         Continua 14/02

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