PSV
Nara virou o corpo
mais uma vez sobre a cama, desistindo de tentar
dormir. Sentou- se encostando a cabeceira dela.
A visita de Roberta
fora no mínimo estranha. Não entendia a súbita mudança de atitude dela, dizendo
agora que não concordava com Louise sobre esse casamento forçado com Bernard.
Mais suspeito ainda era ouvi-la dizer que estava disposta a ajuda-la a livrar-se disso; que sabia de coisas que poderiam ser úteis, verdadeiras armas contra essa trama. O que poderia ser?
Roberta esteve a ponto de falar e mostrar alguma coisa, mas a chegada da mãe a impedira de
saber. Antes de ir embora, Roberta disse que
voltaria a procura-la.
Um conselho de Frazão seria
bem vindo, mas ele não atendia o
celular. Nem Claude. Ligou a TV e tentou
se concentrar no primeiro filme que achou.
PSV
Rosa puxou John gentilmente para o lado, levando-o perto da
janela.
- John, quando vai me
dizer o que está acontecendo
realmente?
- Não entendo o que
quer dizer, Rosa. Está tudo sobre
controle. Claude parece ser um ótimo líder, não acha?
- Sabe perfeitamente que não me refiro a galeria.
É Liz quem me preocupa. O que está havendo, meu amigo?
John deu um rápido
suspiro e assegurando-se que não havia ninguém por perto disse
quase sussurrando:
- Nunca consigo
esconder algo de você por muito tempo,
não é? Liz terá outra batalha para enfrentar. Mas não queremos
falar sobre isso. Não esta noite.
Rosa colocou a sua mão sobre a dele num gesto de ternura:
- Seja o que for, sabe
que pode contar comigo para qualquer tipo de ajuda.
- Eu sei, darling. – Respondeu segurando a mão dela entre
as suas. – Você é a filha que não tivemos!
- E vocês são meus
pais do coração! – Respondeu
sorrindo e o abraçou ternamente.
PSV
O elevador subia levando Claude e Dadi. Claude saiu assim que
ele parou e a porta se abriu.
- Ainda acho um erro vir
com você, Claude. O que irão pensar?
Sou apenas sua empregada!
Claude sorriu gentilmente, antes de responder:
- Irão pensar que trato a todos sem distinção. – Falou firme.
- Não seja boba Dadi, você é mais que
minha empregada. É uma amiga e hoje, minha acompanhante. Venha. – Pediu
estendendo a mão para ela.
Mais confiante postou-se ao lado dele e andaram
alguns metros até o fim do corredor. Claude tocou a campainha e completou seu
raciocínio:
- Além do mais, sei que está ansiosa para vê-la.
- Evitar dizer o nome dela não o fará deixar de ama-la. –
Observou Dadi.
E antes que Claude tivesse a chance de responder, a porta
abriu e Joana os recebeu. Imediatamente o olhar de Claude caiu sobre Rosa,
que conversava com John e tinha suas mãos entre as dele. E a conversa lhe
parecia muito íntima. Tão íntima que ela sorriu e o abraçou.
E nesse momento seus
olhares se encontraram. Claude apertou os lábios, e os boatos da suposta
relação entre eles corroeu seus pensamentos.
- Eba, você chegou! – Exclamou Alex abraçando-o pelas pernas.
- Olá, pequena! – Respondeu Claude abaixando-se e
abraçando-a.
- Eu tava com saudade
de você!
- Alex! – Ouviu a voz de Rosa bem perto. – Que modos são
esses, filha?
- Não se preocupe, Rosa. São modos de uma menina muito
resolvida, eu diria. Boa noite a todos! – Cumprimentou recebendo sorrisos e
retribuições ao cumprimento.
Afastou-se em direção às pessoas, deixando Dadi na mira de
Rosa.
- Dadi!? – Exclamou Rosa baixinho, reconhecendo-a. – Meu Deus,
que bom vê-la de novo! – E abraçou-a.
- Menina, quanto tempo! – Falou Dadi, emocionada. – Está
ainda mais bonita!
- Sempre gentil, não é?
- Você é a mamãe do
Claude? – Perguntou Alex, olhando para Dadi.
- Oh, não, não sou! Mas
você deve ser a menina que gosta
de cangurus!
- Aham... Você também gosta de... – Alex deu uma parada e
respirou – can-gu-ru?
- Acho que são animais
simpáticos. – Respondeu Dadi. – E sabem
pular como ninguém!
- Vejo que já fez amizade com o nosso xodó! – Falou Liz
aproximando-se. – Seja vem vinda, Dadi! Eu sou Elisabeth e é muito bom conhece-la pessoalmente. Claude é só elogios
a sua
pessoa!
- O prazer é todo meu! E Claude é sempre gentil!
- Venha conhecer os outros, por favor. Agora que estamos com o time completo, vamos brindar e seguir com o jantar. Rosa, você poderia checar se a mesa está bem
organizada, por favor?
- Claro Liz. Vem com a mamãe, querida? – E de mãos dadas com
Alex, caminhou em direção a sala de
jantar.
John a parou no meio do caminho, fazendo um agrado para Alex.
Sentiu que alguém acompanhava o fato e ao erguer o olhar confirmou suas
suspeitas. Não era impressão sua. Alguma coisa incomodava Claude quando ficava
perto de John. E não era ciúmes, estava
certa disso.
O jantar foi agradável e Alex portou-se bem até
quase o final, quando começou a ficar com sono, mas sem querer dormir.
Silvia logo a convidou
para a sobremesa e isso a distraiu por mais um tempo.
Depois que saíram da mesa, reuniram-se na sala de estar e
Alex monopolizou Claude. Ele parecia se divertir com a situação e Rosa se perguntava o que a
impedia de contar a verdade a ele.
Como ele iria reagir ao saber que escondera sua gravidez dele? Bem, não
escondera, apenas omitira a situação. O que não entendia era por que Roberta
não viera ao Brasil com ele. Devia
continuar casado, pois usava aliança. Sentiu uma vontade imensa de perguntar a Dadi, mas
conteve-se. Não era o melhor momento.
- Por que não terminamos a noite com uma partida de pôquer? Sugere Liz.
- Gosta de jogos Claude?
- Ouí, mas confesso que prefiro a versão que vocês chamam de Buraco.
- Pois então que seja
o Buraco! Joana, veja o baralho para nós, sim? – Pede Liz.
- O que foi Rosa? Tem
algum outro compromisso, está olhando para o
relógio. – Observou John.
- Acho que não devo
ficar Alex já deveria estar na cama.
- Oras querida, ela está se divertindo com Silvia! E podem
passar a noite em no quarto de hóspedes se
for preciso, sabe disso.
- Eu sei, mas...
- Rosa se você for
embora agora, ficaremos em número ímpar e lá se vai minha chance de jogar. –
Comentou Liz.
- Uma partida só está bem? – Respondeu sorrindo para não
magoar Liz.
- Perfeito, darling!
Sortearam os pares. Rosa e John, Liz e Claude. Dadi e Joana insistiram em
deixar a cozinha limpa e só voltaram à sala no final da partida.
Coube a Claude a distribuição das cartas. Onze para cada
participante e dois mortos com onze
cartas cada um também.
John foi o primeiro a comprar uma carta. Verificou quais as
combinações que podia fazer e jogou fora a que não interessava, trocando um olhar
com Rosa, que perdurou por toda a
partida.
No meio dela, Alex
apareceu, aproximando-se de Rosa.
- Vai demorar pra gente ir pra casa, mamãe?
- Um pouco, meu bem. Está cansada?
- Não! – Respondeu afastando-se - Eu vou ver o Frozen. Silvia a gente pode assistir, a mamãe disse
que vai demorar! - Continuou, correndo de
volta a sala de TV, falando alto dessa vez.
- E você preocupada com ela, Rosa... – Comentou John,
divertindo-se.
Ficaram na frente até Liz bater com as onze cartas iniciais e
pegar o morto por duas vezes, encerrando a partida.
Os pontos na mesa dariam a vitória à Rosa e John não fossem os
cem pontos perdidos por eles como
penalidade por não terem pego o morto nem uma
vez. Os mesmos cem pontos que
foram somados a Claude e Liz, pela
dupla batida dela.
- Ora, ora... De nada
adiantou todo esse entrosamento de vocês, honey! – Afirmou Liz divertida. – Dessa vez, eu ganhei. Com a ajuda de meu
parceiro, claro!
- Bem, acabamos de ver que mesmo um bom entrosamento não
garante a vitória! - Comenta Rosa. –
Você e Claude jogaram juntos pela primeira vez e ganharam.
- Não se iluda com isso, Rosa. Deve ser algo do tipo “sorte no jogo, azar no
amor”. – Afirmou guardando o baralho.
Rosa engoliu em seco, perdendo o sorriso e desviou o olhar
rapidamente para seu relógio. Não havia ironia ou sarcasmo na fala de Claude,
mas era claro que ele havia dito isso para ela.
Será que mais alguém notou? – Perguntou-se notando o olhar preocupado de Dadi.
- Não seja modesta Rosa. Você sempre foi uma aluna especial e sabe jogar muito bem. Diria até que superou
seu professor. – Afirmou John abrindo uma garrafa de vinho.
Claude a olhou tão intensamente, como se a culpasse de algo,
que Rosa sentiu seu rosto empalidecer.
- Eu... eu preciso ver a Alex...
- Ela está bem caso contrário já estaria aqui, darling. Só uma taça de vinho e eu deixo você
ir, ok? – Insistiu Liz.
- Está bem Liz. –
Concordou Rosa sem outra alternativa.
Não podia fazer essa desfeita com ela. Nem mesmo uma cena
com Claude. Por que ele a olhava
com ar de reprovação durante toda
a noite?
- Um brinde à amizade
e ao sucesso! – Exclamou Elisabeth, acompanhada por todos.
Então Claude fez um comentário qualquer sobre um dos quadros da parede a John. Rosa e
Liz aproximaram-se, atentas.
John formulou a resposta mas não chegou a pronuncia-la, por
que a voz de Rosa o impediu.
- Liz! - Exclamou
aflita.
Ela mal havia levado a taça aos lábios. Seus dedos afrouxaram
e a deixou cair ao chão, enquanto levava a mão à lateral da cabeça, apertando-a
sobre o ouvido, soltando uma exclamação abafada de dor.
Só não ao chão porque Claude e John a ampararam, deitando-a
no sofá. John tentou reanima-la.
PSV
Continua 14/02

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