PSV
- Liz... Liz fale comigo, querida!
Sem sucesso.
- Joana, ligue
para o médico, por favor! – Pediu, carregando-a até o
quarto.
- Eu sabia que algo não estava bem! – Exclamou Rosa.
- Creio que é melhor
irmos embora. - Propôs Claude
- Fique à vontade – Falou em tom de critica olhando-o. – Eu não irei até saber que ela ficará bem! – E deu-lhe as costas – O que Liz tem, Joana? - Perguntou
assim que ela encerrou a ligação.
- Tenho certeza que
John prefere ele mesmo explicar tudo a você.
- Joana conseguiu
falar com ele? – Indagou John
tenso, voltando a sala.
- Sim, ele já está vindo. Com
licença, vou ficar com Liz.
- John? O que está havendo?
- Rosa, eu sei que está preocupada, mas prefiro explicar
depois que o médico a examinar, portanto se quiser, se quiserem ir... – Corrigiu-se olhando Claude.
- De maneira alguma! Eu
fico até saber que Liz está bem! – Afirmou Rosa.
- Se não se importar, ficarei também.
- Eu agradeço o apoio dos dois. Fiquem a vontade. – Disse afastando-se.
E antes de
adentrar o corredor que levava
aos quartos, voltou-se:
- Rosa, por que não mostra a Claude nosso quarto secreto? –
Sugeriu John com um sorriso e uma piscada.
Incrível como ele
conseguia manter o bom humor mesmo
numa situação dessas, pensou.
- Boa ideia. Venha por aqui – Murmurou voltando-se para Claude. Mas
recebeu o olhar mais duro e frio de toda
sua vida. Cruel mesmo, pensou sem
entender o por quê. – Dadi, venha conosco!
- Obrigada, Rosa, mas acho que vou fazer um café... – Respondeu ela, que só
observava até o momento. – Creio que não se ofenderão por eu usar a cozinha...
- Não, claro que não! Então... Quer me acompanhar Claude?
- Por que não? -
Respondeu, seguindo-a.
Ao passar pela sala de TV, Rosa aproveitou e espiou, abrindo uma fresta da porta. Alex estava concentrada no desenho. Melhor
assim, pensou fechando a porta.
Alguns metros depois, abriu uma porta.
- Bem vindo ao quarto secreto! – Disse acendendo a luz.
O quarto, uma saleta na verdade, guardava algumas obras de arte. Aquelas registradas em seu
nome e de John.
Foi o que explicou a Claude, enquanto ele olhava cada uma
delas. Fez mais alguns comentários, mas
a falta de reposta dele a fez calar-se. Se ele não queria conversa, paciência.
Mas o silêncio tornou-se
uma tortura e ela tentou acabar com a tensão, mais uma vez.
- Essas foram as primeiras obras que adquirimos, mas como não
tínhamos a galeria totalmente legalizada, foram registradas em meu nome, de John e Liz. Por isso estão aqui. Mas aparecem no relatório,
como patrimônio permanente.
- D’àccord. - Foi a única palavra de Claude, antes de
desviar o olhar de uma tela para ela. -
E foi por isso que me deixou? Pra se
tornar dona de uma galeria?
De todas as perguntas
que ele poderia lhe fazer, aquela era a
única que ela jamais imaginaria. Havia um tom de suspeita e acusação.
- Eu não sou a
dona da galeria, eu...
- Tem razão, você
ainda não é a dona. Mas está fazendo
de tudo para ser, não é? Como pode
descer tão baixo?
- Eu não entendo porque me
diz isso... – Falou defendendo-se de algo que não sabia bem o que era.
Claude abaixou a cabeça, balançando-a de um lado a outro. E
quando a ergueu havia desprezo e sarcasmo em sua voz.
- Não mesmo? Diga-me, como se sente sendo amante do marido de sua protetora?
- Amante? De onde
tirou essa ideia absurda? – Espantou-se ela.
- Absurdo foi eu viver
esse tempo todo tentando encontrar
onde errei contigo! Absurdo
foi acreditar que você sentia amor por mim!
Não era possível! Claude a acusava de não ama-lo e ainda a
transformara em amante de John! Você
foi único amante que eu tive! Sentiu vontade de gritar. Mas a indignação a
fez calar-se.
Devolveu o mesmo olhar e disse o mais friamente que conseguiu:
- Absurdo foi eu acreditar que você sentia amor por mim! Por quê está tão ofendido?
Porque fui eu que o deixei e não o contrário?
- Mon Dieu! Você deveria ter feito doutorado em artes
cênicas. Sua atuação está digna de um
oscar!
- Pois sinta-se orgulhoso disso! Foi um estágio e tanto
aqueles meses todos ao seu lado!
Então a porta se abre.
- Mamãe, eu quero ir pra casa! – Pediu Alex, esfregando os
olhos.
- Alexandra por que soltou da minha mão? Desculpe, Rosa! –
Falou Sílvia, consternada.
- Está tudo bem
Silvia. Nos já vamos, querida! Já se despediu de John e Liz?
- Humhum... Só do padrinho,
porque a madrinha já tá dormindo... – Resmungou balançando a cabeça
positivamente e Rosa procurou o olhar de Silvia.
- Liz foi medicada há
uns trinta minutos atrás e John
está zelando por ela.
Trinta minutos!
- Oh, e por que não me chamaram?
- John não quis arruinar seu fim noite ainda mais. Disse que
amanhã conversa com você, em particular.
Como se Claude já não tivesse feito isso!
- A gente pode ir, mamãe? Eu quero falar boa noite pro meu
canguru!
- Claro, querida! Vai
com a Silvia para o carro e leva a bolsa da mamãe, ok? Eu vou num minuto.
- Tá, mas não vai demorar né?
- Não, não vou!
Silvia pegou Alex no colo e
saiu da sala, fechando a porta.
Rosa suspirou e
voltou-se para Claude:
- Bem, não sei como
faremos para conviver nesta sociedade. Mas por agora creio que não temos
mais nada a nos falar!
Virou-se para sair,
mas o que ouviu de Claude a fez
ficar onde estava.
- Ao contrário. Teremos muito a discutir. Começando em como
teve coragem de ter uma filha
com seu amante e colocar o nome que escolhemos. A esposa dele sabe de
tudo isso e aceita numa boa, ou como eu ela será a última a saber?
Rosa dobra os dedos, apertando-os tanto contra a palma da mão que sente as unhas feri-las.
- Você me enoja com esses pensamentos, Claude! Minha
vontade é de estapear o seu rosto! Mas não vou fazer isso por quê não quero o mínimo
contato físico com você!
- É mesmo? Nós nunca
teremos um mínimo contato físico. – Afirmou ele sem emoção aparente na
voz. - Será sempre o máximo, chèrie. É disso que está
com medo? – Perguntou ironicamente, passeando com o olhar pelo corpo dela. – Ou
com vontade? – Concluiu.
Rosa sentiu o corpo estremecer quando o enfrentou com o
olhar. Mas nenhuma das respostas que pensou parecia boa o suficiente para dar.
Não, não podia estar desejando Claude! Apenas baixou
o olhar e respirou fundo.
Quando saiu da sala bateu a porta atraindo o olhar de Joana e Dadi, que
conversavam na sala
- Me perdoem, calculei mal minha força. – Desculpou-se.
- John pede desculpas por não se despedir, Rosa.
- Eu entendo. Sem problemas, Joana. – Murmura-
A saúde de Liz vem em primeiro lugar! – Fala de maneira atordoada.
A saúde de Liz vem em primeiro lugar! – Fala de maneira atordoada.
Viu a silhueta de Claude saindo da saleta. Despediu-se rapidamente
e quando ele chegou na sala Rosa já estava
entrando no elevador.
PSV
Dadi manteve-se calada, como
Claude, durante todo o trajeto de
volta ao flat. Por mais que tentasse
demonstrar o contrário, era óbvio que estava tenso.
Quando chegaram, ele a deixou entrar primeiro como sempre. Então jogou a chave do
carro sobre o aparador e serviu-se de
uma dose de whisky.
- Não devia beber isso. – Dadi quebrou o silêncio – Não
vai lhe fazer bem misturar vinho
com whisky.
- Dane-se! – Exclamou Claude sem olhar para ela, tomando todo o conteúdo do copo de
uma vez.
Segurou-o por alguns segundos, apertando-o entre os dedos da
mão, como se estivesse decidindo o que fazer.
- Se estiver pensando em jogar esse copo contra a parede
pense duas vezes. – Advertiu Dadi - Além de não resolver nada “você” vai ter que
recolher os cacos.
Claude apertou os lábios e então lentamente abaixou o
braço, devolvendo o copo à bandeja e sorriu tristemente de si
mesmo.
- Quer falar sobre o que houve entre vocês naquela sala?
Voltou-se para Dadi e deixou
toda a dor que sentia
transparecer em seus olhos.
- Ah, Dadi! Acho que joguei mais que um copo na parede.
– Afirmou saindo em direção ao
quarto. - E não sei se serei capaz de
recolher os cacos do que fiz.
- Claude...
- Sei o que está tentando fazer, querida Dadi. – Disse sem
se voltar para ela. - E agradeço. Mas não, não quero falar sobre
isso. Não agora.
Dadi ficou em
silêncio. Como o amor podia ser tão cruel? Como podia separar em vez de
juntar? Como podia ferir e causar tanta dor, quanto as que vira no olhar de
Claude e Rosa?
PSV
Continua 16/02

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