Pages

domingo, 14 de fevereiro de 2016

PSV/Capítulo 19

                                        PSV


- Liz... Liz fale comigo, querida!
Sem sucesso.
- Joana, ligue  para  o médico,  por favor! – Pediu, carregando-a até o quarto.
- Eu sabia que algo não estava bem! – Exclamou Rosa.
- Creio que é melhor  irmos embora. -  Propôs Claude
- Fique à vontade – Falou em tom de critica  olhando-o. – Eu não irei  até saber que ela  ficará bem! – E deu-lhe as  costas – O que Liz tem, Joana? - Perguntou assim que ela  encerrou a ligação.
- Tenho certeza que  John prefere ele mesmo explicar tudo a você.
 - Joana conseguiu falar  com ele? – Indagou John tenso,  voltando a sala.
- Sim, ele já está vindo. Com  licença, vou ficar com Liz.
- John? O que está havendo?
- Rosa, eu sei que está preocupada, mas prefiro explicar depois que o médico a examinar, portanto se quiser, se quiserem  ir... – Corrigiu-se olhando Claude.
- De maneira alguma! Eu  fico até saber que Liz está bem! – Afirmou Rosa.
- Se não se importar, ficarei também.
- Eu agradeço o apoio dos dois.  Fiquem a vontade. – Disse afastando-se.
E antes de  adentrar  o corredor que levava aos quartos, voltou-se:
- Rosa, por que não mostra a Claude nosso quarto secreto? – Sugeriu John com um sorriso e uma piscada.
Incrível como ele  conseguia manter o bom humor mesmo  numa situação dessas, pensou.
- Boa ideia. Venha por aqui  – Murmurou voltando-se para Claude. Mas recebeu o olhar mais duro e  frio de toda sua vida. Cruel mesmo,  pensou sem entender o por quê. – Dadi, venha conosco!
- Obrigada, Rosa, mas acho que  vou fazer um café... – Respondeu ela, que só observava até o momento. – Creio que não se ofenderão por eu usar a cozinha...
- Não, claro que não! Então... Quer me acompanhar Claude?
- Por que não?  - Respondeu, seguindo-a.
Ao passar pela sala de TV, Rosa aproveitou e  espiou, abrindo  uma fresta da porta.  Alex estava concentrada no desenho. Melhor assim, pensou fechando a porta.
Alguns metros depois, abriu uma porta.
- Bem vindo ao quarto secreto! – Disse acendendo a luz.
O quarto, uma saleta na verdade, guardava algumas  obras de arte. Aquelas registradas em seu nome e de John.
Foi o que explicou a Claude, enquanto ele olhava cada uma delas. Fez mais alguns  comentários, mas a falta de reposta dele a fez calar-se. Se ele não queria conversa, paciência.
Mas o silêncio tornou-se  uma tortura e ela tentou acabar com a tensão, mais uma vez.
- Essas foram as primeiras obras que adquirimos, mas como não tínhamos a galeria totalmente legalizada, foram registradas em meu nome,  de John e Liz.  Por isso estão aqui. Mas aparecem no relatório, como patrimônio permanente.
-  D’àccord. -  Foi a única palavra de Claude, antes de desviar o olhar  de uma tela para ela. - E foi por isso que me  deixou? Pra se tornar  dona de uma galeria?
De todas as  perguntas que ele poderia lhe fazer, aquela  era a única que ela jamais imaginaria. Havia um tom de suspeita e acusação.
- Eu não sou a  dona  da galeria, eu...
- Tem razão, você  ainda não é a dona. Mas está fazendo  de tudo para ser, não é? Como pode  descer  tão  baixo?
- Eu não entendo porque me  diz isso... – Falou defendendo-se de algo que não sabia bem o que era.
Claude abaixou a cabeça, balançando-a de um lado a outro. E quando a ergueu havia desprezo e sarcasmo em sua  voz.
- Não mesmo? Diga-me, como se sente  sendo amante do marido de sua protetora?
- Amante? De onde  tirou essa ideia absurda? – Espantou-se ela.
- Absurdo foi  eu viver esse tempo todo tentando encontrar  onde  errei contigo! Absurdo foi  acreditar que você sentia  amor por mim!
Não era possível! Claude a acusava de não ama-lo e ainda a transformara em amante de John!  Você foi  único amante que eu tive!  Sentiu vontade de gritar. Mas a indignação a fez calar-se.
Devolveu o mesmo olhar e disse o mais friamente que  conseguiu:
- Absurdo foi eu acreditar que você  sentia amor por mim! Por quê está tão ofendido? Porque  fui eu que o deixei e não o contrário?
- Mon Dieu! Você deveria ter feito doutorado em artes cênicas. Sua atuação está digna de um  oscar!
- Pois sinta-se orgulhoso disso! Foi um estágio e tanto aqueles meses todos ao seu lado!
Então a porta se abre.
- Mamãe, eu quero ir pra casa! – Pediu Alex, esfregando os olhos.
- Alexandra por que soltou da minha mão? Desculpe, Rosa! – Falou Sílvia, consternada.
- Está  tudo bem Silvia. Nos já  vamos, querida! Já  se despediu de John e Liz?
- Humhum... Só do padrinho,  porque a madrinha  já tá  dormindo... – Resmungou balançando a cabeça positivamente e Rosa procurou o olhar de Silvia.
- Liz foi medicada  há uns trinta  minutos  atrás e John  está  zelando por ela.
Trinta minutos!
- Oh, e por que não me chamaram?
- John não quis arruinar seu fim noite ainda mais. Disse que amanhã conversa  com você, em particular.
Como se Claude já não tivesse feito isso!
- A gente pode ir, mamãe? Eu quero falar boa noite pro meu canguru!
- Claro, querida! Vai  com a Silvia para o carro e leva a bolsa da  mamãe, ok? Eu vou num minuto. 
- Tá, mas não vai demorar né?
- Não, não vou!
Silvia pegou Alex no colo e  saiu da sala, fechando a porta.
Rosa suspirou e  voltou-se para  Claude:
- Bem, não sei  como faremos para  conviver nesta  sociedade. Mas por agora creio que não temos mais nada a nos falar!
 Virou-se para  sair,  mas o que ouviu de Claude a fez  ficar onde estava.
- Ao contrário. Teremos muito a discutir. Começando em como teve coragem de  ter uma  filha  com seu amante e colocar o nome que escolhemos. A esposa dele sabe de tudo isso e aceita numa  boa, ou  como eu ela será a última a saber?
Rosa dobra os dedos, apertando-os tanto contra  a palma da mão que sente as unhas feri-las.
- Você me enoja com esses pensamentos, Claude!  Minha  vontade é de estapear o seu rosto! Mas não  vou fazer isso por quê não quero o mínimo contato físico com você!
- É mesmo? Nós  nunca teremos um mínimo contato físico. – Afirmou ele sem emoção aparente na voz.  -  Será sempre o máximo, chèrie. É disso que está com  medo? – Perguntou ironicamente,  passeando com o olhar pelo corpo dela. – Ou com vontade? – Concluiu.
Rosa sentiu o corpo estremecer quando o enfrentou com o olhar. Mas nenhuma das respostas que pensou parecia boa o suficiente para dar.
Não, não podia estar desejando Claude! Apenas  baixou  o olhar e respirou fundo.
Quando saiu da sala bateu a porta atraindo o olhar de Joana e  Dadi, que  conversavam na sala
- Me perdoem, calculei mal minha  força. – Desculpou-se.
- John pede desculpas por não se despedir, Rosa.
- Eu entendo. Sem problemas, Joana. – Murmura- 
A saúde de Liz vem em primeiro lugar! – Fala de maneira  atordoada.
Viu a silhueta de Claude saindo da saleta. Despediu-se   rapidamente e quando ele chegou na sala Rosa já estava  entrando no elevador.



PSV


Dadi manteve-se calada, como  Claude, durante  todo o trajeto de volta ao flat.  Por mais que tentasse demonstrar o contrário, era óbvio que estava tenso.
Quando chegaram, ele a deixou entrar  primeiro como sempre. Então jogou a chave do carro sobre o aparador e serviu-se  de uma dose de whisky.
- Não devia beber isso. – Dadi quebrou o silêncio – Não vai  lhe fazer bem misturar vinho com  whisky.
- Dane-se! – Exclamou Claude sem olhar  para ela, tomando todo o conteúdo do copo de uma vez.
Segurou-o por alguns segundos, apertando-o entre os dedos da mão, como se estivesse decidindo o que fazer.
- Se estiver pensando em jogar esse copo contra a parede pense  duas vezes. – Advertiu Dadi -  Além de não resolver nada “você” vai ter que recolher os cacos. 
Claude apertou os lábios e então lentamente abaixou o braço,  devolvendo o  copo à bandeja e sorriu tristemente de si mesmo.
- Quer falar sobre o que houve entre vocês naquela sala?
Voltou-se para Dadi e deixou  toda a dor que sentia  transparecer em seus olhos.
- Ah, Dadi! Acho que joguei mais que um copo na parede. – Afirmou saindo em direção ao quarto.  - E não sei se serei capaz de recolher os cacos do que fiz.  
- Claude...
- Sei o que está tentando fazer, querida Dadi. – Disse sem se  voltar para ela. -  E agradeço. Mas não, não quero falar sobre isso. Não agora.
Dadi  ficou em silêncio. Como o  amor podia ser  tão cruel? Como podia separar em vez de juntar? Como podia ferir e causar tanta dor, quanto as que vira no olhar de Claude e Rosa?




PSV
                                                       Continua 16/02

0 comentários:

Postar um comentário