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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

PSV/Capítulo 12

John e Liz cortaram a fita que dava acesso ao salão de exposições. [palmas]
Rosa queria mover  os pés e  ficar ao lado deles mas suas pernas estavam paralisadas. Não se atrevia a enfrentar  de novo o olhar duro e impessoal de  Claude. Não, impessoal não. Dilacerante.
- Ei, Claude, pare  de olhar assim para ela!
- Todos nos hipnotizamos com ela.  Mas não perca seu tempo. – Falou Júlio.
- Por que diz isso? Ela é casada? 
- Não. Mas é  como se fosse. Recusa qualquer convite para sair, além de ser a protegida   de John Smith. – Comenta Milton.
- Protegida?
- É o que dizem. Veja, tudo que sabemos é que John e Liz  foram professores dela. Então de repente  ela  foi para o exterior por  ordem de Liz. Começaram os boatos que Liz queria se livrar  da aluna, por  causa de um suposto relacionamento entre ela e seu marido. E então  tão de repente quanto foi, ela voltou.– Falou  Freitas.
-  Isso são só boatos. – Afirmou Júlio.
- Por que a defende?  Está interessado nela? – Pergunta Claude.
- Nela não. Na babá. – Diz apontando para Silvia que de mãos dadas  com Alexandra se aproximava de Rosa.
- O velho trata a menina  como se  fosse neta dele – Diz Milton inclinando a cabeça em direção a Claude. -  Ninguém fala nada mas todo mundo pensa que  é filha dele.
-  Milton, às  vezes  você me enoja, cara!  - Comenta Júlio -  Me diz que vantagem você leva alimentando e espalhando esses  boatos?
- Nenhuma! – Exclama Freitas – Ele deve fazer isso apenas para  se  vingar  do fora que levou dela! Vamos à sala de exposições?


PSV


- Pode deixar que eu atendo Elise! -  Exclamou em alto tom Nara, correndo para a porta de entrada.
- Boa noite, Nara!
- Frazão! Que  bom que  você  veio! – Disse  abraçando-o.  - Eu sei que já está tarde mas...
- Eu fiquei preocupado contigo. O que  foi que aconteceu? Problemas com  Louise?
- Vamos até a biblioteca. É o único lugar que eu acho seguro mesmo  estando sozinha. As paredes  são grossas e ninguém vai nos ouvir.
- Mon Dieu!  Você  está me assustando  garota!
- Não, eu estou assustada, Frazão! – Disse entrando depois dele. E sentaram-se no sofá. -  Ontem minha mãe ofereceu um almoço  para algumas  pessoas  do partido, entre eles Bernard.
- Isso é  corriqueiro, Nara.  É normal apoiadores de  partidos políticos oferecerem festas, recepções, jantares... Faz parte das obrigações, digamos assim.
- E é  corriqueiro também  oferecer a filha  em casamento? É uma  das  obrigações?
- Como é que é?
- É, é isso mesmo que  você entendeu. Minha mãe quer  me obrigar a casar com Bernard pra ser a primeira  dama do país, a longo prazo.
- Mon Dieu, Louise está obcecada pelo poder e perdeu  a noção, perdeu o  senso  da decência!
- Ela perdeu  foi a dignidade e quer que eu perca a minha. Mas eu não vou,  Frazão! Não vou me casar  com ele! Eu vou para o Brasil, e você  vai me ajudar!


PSV



 Alexandra  soltou a mão de Sílvia e correu até Rosa
- Mamãe você esqueceu de “i” me busca”?
- Não consegui convencê-la a esperar, Rosa. Ficou espiando e quando viu cortarem a fita...
- Não tem problema, Sílvia.  E eu não a esqueci, meu amor! Apenas me enrolei um pouquinho e atrasei. Mas agora que está aqui, podemos passear juntas pela galeria!
- Oba! – Exclamou Alex, excitada, batendo palmas.
- Lembre-se de não mexer nos trabalhos, Alex! Nossos dedinhos não tem olhos! – Brincou  John, movimentando os dedos e  terminando por  coloca-los sobre a cabeça dela, num carinho afetuoso.
- Dedinhos com  olhos! – Repetiu rindo e olhando para a ponta  dos próprio dedos  -  Adoro suas  brincadeiras, padrinho! - E abraçou John onde o alcançava - nas pernas.
- Assim eu vou ficar  com ciúmes, honey! – Exclamou Liz, fingindo-se chateada.
- Ah, não precisa  madrinha! Eu amo você também! – Retrucou Alex, abraçando-a também. – Vamos, mamãe?
- Vamos. - Respondeu Rosa pegando na mão que  a filha lhe oferecia.
Não foi necessário terminar de endireitar o corpo para  dar o primeiro passo, nem levantar o olhar para perceber que os sapatos dos quais precisou desviar estavam nos pés de Claude.


PSV


Quando Rosa finalmente levantou a cabeça Júlio  cumprimentou a  ela e aos demais.
- Boa noite a  todos e parabéns, Rosa! Como sempre você  foi maravilhosa.
- Obrigada, Júlio. Mas não fiz  tudo sozinha. Sérgio e Janete também merecem elogios.
- Tenho certeza  que sim, mas não seja  tão modesta!  Você é a mentora intelectual de todo esse evento, sabemos  disso.
- Rosa é sempre  competente em tudo que faz, Júlio. – Comenta John.
- Eu agradeço as  palavras de vocês  dois, mas tenho certeza que não foi  para isso que  você veio aqui, Júlio e sim para apreciar e avaliar monetariamente esses trabalhos. Acertei?
- Como sempre. – Respondeu, sorrindo – E também para apresentar a vocês o investidor do qual falei. -  John, Liz, Rosa... Claude Geraldy.
Claude cumprimentou Elizabeth primeiro. Ela olhou-o com curiosidade, retribuindo o cumprimento.  De onde o conhecia?
Em seguida  John e então olhou para Rosa:
- Encantado, senhorita! – Falou sem colocar emoção alguma  na  voz.
- Eu... Seja  bem vindo, senhor  Geraldy. – Respondeu tentando ser  tão indiferente quanto ele, e torceu para  que ninguém  tivesse  notado o tremor em suas mãos ao aceitar   a dele.
E ninguém pareceu reparar, a não ser o  próprio Claude. Soube  disso pela maneira como ele  controlou sua mão  na dele, segurando-a um pouco mais que  o necessário. O suficiente para que ela reparasse na aliança.
Júlio continuou as apresentações.
- ...E esta é ‘nossa’ Alexandra, filha de Rosa.
- Oh, tão encantadora quanto a mãe. É um prazer  conhecê-la, mademoiselle Alexandra. – Falou Claude abaixando-se a altura da menina.
Diferente de  seu comportamento habitual, Alex sorriu timidamente para ele.
- Rosa por que não deixa Alex conosco e os acompanha pela galeria? – Manifestou-se Liz -  Assim Claude  vai se ambientando a ela.  Posso chama-lo assim, não é?
- Ouí. Nós franceses nem somos  tão formais quanto parecemos,  hã? Me sentirei imensamente honrado, senhora Smith
- Oh, por  favor, apenas Elizabeth. Ou Liz como todos  me chamam.
- Querida, a mamãe já  volta para ficar  com você, ok?
- Por que não a leva junto? Eu não me incomodaria.
Mas eu sim, pensou Rosa. Entretanto o brilho no olhar  da filha a fez  concordar e circularam pelo salão, apreciando os trabalhos. Às vezes Claude fazia alguma observação e perguntava a cada artista sobre a estética dos trabalhos, escutando paciente e interessadamente.
Quando deu por si estavam apenas os três juntos. O resto do grupo se  dispersara. Alexandra parecia ter perdido a timidez  inicial e  conversava  com Claude  como se  o conhecesse a vida  toda, inclusive estava de mãos dadas  com ele.
- Se eu não os  conhecesse, Rosa,  diria que eram pai, mãe e filha. – Falou Liz, baixinho, aproximando-se dela.
Coincidentemente nesse instante Alexandra falou alguma coisa que fez  Claude sorrir e seus olhares se cruzaram...
Uma hora depois, Alexandra insistiu para  Claude  conhecer a sala-atelier e dar uma “nota” em seus desenhos. Rosa sentia-se cada vez mais desconfortável.
Quando Alex começou a dar  sinais de cansaço, Rosa  desculpou-se e despedindo-se  foi para casa.
Claude confirmou o interesse pela transferência da galeria com John e Liz, mas pediu mais  alguns dias para decidir. Havia muito o que pensar agora.


PSV


Bernard saltou  do carro e acionou o alarme. Ajustou melhor  o óculos escuro enquanto caminhava para  o prédio  da prefeitura. Atravessou o saguão a passos largos, cumprimentando as pessoas com quem cruzava e entrou no elevador.
Apertou o número que o levaria até  seu gabinete e relaxou. O apoio de Louise  Geraldy à  sua candidatura já lhe  rendia os primeiros  frutos.  Empresários já o procuravam, dispostos a  colaborar em sua  campanha, em troca de futuras parcerias, um terreno  que  lhe garantiria  excelentes  colheitas, tanto em qualidade quanto em quantidade.
E de quebra, havia Roberta, uma mulher cheia de peripécias,   considerou ainda deixando um sorriso cínico aflorar em seus lábios. Esse sim era um fruto perigoso. Roberta era um terreno acidentado, um campo minado e teria que  ser  muito cuidadoso ao andar  por ele. Caso contrário seus planos iriam literalmente para o espaço.
O elevador parou e a porta se abriu. Bernard retomou sua aura política e entrou no gabinete.
Valèrie,  sua secretária, rapidamente  levantou-se e caminhou até a frente de sua mesa  tentando inutilmente controlar a tensão que sentia.
- O que  foi Valèrie? Por que está  tão nervosa?
-  Senhor Bernard, eu... Eu tentei  impedi-la, falei que não estava mas ela não acreditou e invadiu sua  sala depois de me insultar e quase derrubar. Eu pedi que se retirasse e esperasse na ante sala, mas ela recusou e  ainda ameaçou me despedir, disse que em poder para isso e...
-  Acalme-se Valèrie. Apenas eu posso despedi-la  e não tenho essa intenção. Agora  diga, quem está lá dentro? – Perguntou ponderando que, se  fosse Roberta, ela tinha perdido  toda sua sanidade.
- É a senhora Geraldy. Louise  Geraldy.
- Ah! – Murmurou respirando aliviado. – Está tudo bem, vamos  relevar esse incidente. Ela se dedicou demais e  está muito abalada desde que Claude renunciou ao partido. Posso contar  com sua  discrição de sempre, não posso?
- Sim senhor.
- Eu sabia que ia  compreender. É por isso que  confio em você, Valerie. Se não houver nada de urgente, tire  o resto da tarde para você. E isso não é uma sugestão, é uma ordem.
- O prefeito! Ele quer falar com o senhor ainda hoje.
- D’àccord. Assim que eu dispensar a senhora Louise, irei ter  com ele. Boa tarde, Valerie.
Bernard entrou em sua  sala. Louise estava confortavelmente sentada em sua cadeira, o que não o agradou.
- O que  pensa que está  fazendo  Louise? Este  gabinete não é a sua casa e minha secretária não é a sua  filha.
- Mon Dieu, quanto ressentimento! – Diz levantando e aproximando-se de Bernard.
- Não gosto que interfiram no meu ambiente de trabalho. Aqui dentro eu sou a autoridade.
- Está bem, já entendi! Quer que eu me desculpe  com sua “secretária”? – Pergunta ironicamente.
- Não será necessário, eu  já  contornei a situação com ela. E sim, Valèrie é tão somente  minha secretária. Eu não  costumo  misturar trabalho com prazer.
- É mesmo? – Falou colocando as mãos sobre os ombros dele – Devia experimentar, é uma aventura e tanto! – E deslizou as mãos para baixo, sensualmente.
- Você é louca! O que pensa que está  fazendo? – Reclamou ele, tentando livrar-se dela.
- Estou deixando bem claro a você que quero levar  vantagem em todos os  nossos negócios...
- Esse seu jogo é muito perigoso, Louise. E sujo.
- Política é um jogo, meu caro. Sujo. Por vezes imundo, onde quem sabe trapacear se  dá melhor.  Ou sendo mais... romântica, é  a arte de negociar  interesses em comum para alcançar determinado objetivo, geralmente o  exercício do poder. E eu quero ele todinho para  mim. E se você  for gentil comigo, eu posso compartilhar ele com você...



PSV
                                                   Continua

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