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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

PSV/Capítulo 3

Elisabeth Smith acomodou-se confortavelmente no banco de trás da Doblo e passou o cinto de segurança sobre  si, prendendo-o.  Apesar de toda hospitalidade e cuidado que recebeu na Carolina do Sul, estava feliz por  voltar ao Brasil. Filha de pai americano e mãe  brasileira, aprendera com ela a amar o Brasil, onde passava  suas  férias.
E naquelas  coincidências da vida, John recebera a oferta de trabalhar como curador americano para uma das bienais de Arte   em São Paulo. O convite  transformou-se em função permanente quando ele assumiu um dos departamentos de preservação de patrimônio da FAAP -  Fundação Armando Alvares  Penteado, Faculdade de Artes Plásticas de São Paulo,  pioneira no ensino de Arte no Brasil, uma das únicas instituições de ensino a possuir Residência Artística e Museu com exposições de altíssima qualidade, detalhes que o fizeram aceitar a oferta de emprego.
A ela veio a oportunidade de atuar  como professora adjunta na  Universidade, na área de extensão cultural, curso de mestrado e doutorado em Historia da Arte, sua especialidade.
Foi assim que conheceu Rosa e se tornara  sua orientadora na pós graduação. E  foi assim que, em parceria com a ENSBA – École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e Cité des Arts de Paris, a mandara para um  intercâmbio em Amsterdã.
E   por isso,  sentia-se culpada por tudo que acontecera  a sua pupila. Se não tivesse insistido tanto para ela ir, nada  daquilo teria  acontecido...
- Liz? Tudo bem? – Perguntou John,  olhando para  ela, preocupado com o silêncio da  esposa.
- Tudo ótimo, querido! Estava curtindo o meu retorno! Sou realmente grata por ter  conseguido voltar e  concluir o tratamento por aqui.
- E eu estou muito feliz, Elisabeth! – Disse Rosa, trocando a marcha do carro ao pegar a rampa de acesso para São Paulo, entrando na Rodovia Presidente Dutra.  -  Vamos passar horas agradáveis novamente, tagarelando. Quero saber de tudo, hã?
- Oh, Rosa! Não há muito para  contar. Tratamentos e cirurgias são sempre a mesma  coisa e  suspeito que John já  tenha detalhado a  você  todos o procedimentos a que  fui submetida.
Rosa  e John soltaram uma risada graciosa, confirmando a  Elisabete suas  suspeitas 
- Eu sabia! – Comentou rindo também.
- Liz, deixei para  você a parte  boa da história. Conte a Rosa os segredos que a Carolina  do  Sul esconde. Quem sabe assim, ela se anima a tirar férias por lá!
- Querido  John. – Disse Elisabeth num tom afirmativo e calou-se.
John e Rosa esperaram que ela continuasse, mas o silencio os  fez olhar para trás.
John girou o corpo e Rosa a procurou pelo com o olhar, pelo espelho retrovisor, diminuindo ainda  mais a velocidade do carro.
- Querida, o que houve? Está com dor?
- Não.
- Então o que houve? Disse querido John e calou-se...
Elisabete sorriu e explicou-se:
- Querido John, você é meu querido, mas não era a você que me referia e sim sobre um jovem soldado que volta para casa em licença e se apaixona por uma estudante idealista.
- Ah, está se referindo ao filme, a adaptação do livro de Nicholas Sparks.- Disse Rosa, emocionando-se. Livro e filme a tinham conquistado. O livro porque era fã do escritor e o filme por suas cenas em câmera lenta, as fusões de imagens, os beijos e abraços na medida e aquele tradicional pôr do sol, com  boa música ao fundo...
- Exato, darling. Foi  filmado por lá,  na  cidade de Charleston. O diretor,  Lasse Hallstrom, declarou que...
Rosa ouvia  com atenção e continuou em frente, até encontrar uma saída à esquerda  e seguir em direção ao centro de São Paulo.
Desviou de algumas avenidas congestionadas e quarenta e  cinco minutos depois, entrava no estacionamento do prédio onde o casal de amigos  morava.
Subiu com eles até o apartamento, no quinto andar, onde Joana, governanta do casal desde que fixaram residência  no Brasil os aguardava, ansiosa também.
Cumprimentaram-se calorosamente e Elisabeth sentou-se no sofá. Ainda não estava fisicamente  recuperada.
Após alguns instantes Joana  os  convidou para o lanche que havia preparado.
- Com  todo prazer Joana, eu não aguentava mais aquela  comida de hospital. Obrigada pelo carinho!
- Não faço mais que a minha obrigação, senhora Smith.
- Faz  sim e sabe disso. E quando é que vai deixar  esse “Senhora Smith” de lado e me  chamar apenas de Elisabeth?
- Eu vou tentar, senhora...
- Ok, comece agora. Me  chame de  Elisabeth.
- Mas... – Começou a se  desculpar.
- É melhor obedecê-la, Joana! – Falou John.
- Está bem... Elisabeth. 
- Bem melhor assim. Sinto-me até mais jovem!
Com passos vagarosos todos a  acompanharam rumo à sala de jantar.
-  Rosa, você me decepcionou.
- Eu? Mas o que fiz de errado, Liz?
- Eu pensei que fosse ter uma recepção mais movimentada, recheada de sons agudos e infantis! Por que não a trouxe? – Reclamou quando já estavam a beira  da  porta.
Então um vulto e uma  voz  alegre de  criança invadiu o ambiente:
- Surpresa! – E a palavra  veio acompanhada de palmas e um  lindo sorriso antes que a pequena  Alex abraçasse Elisabete pelo pescoço. – Eu ‘tava’ morrendo de  saudade madrinha! – E a beijasse no rosto.
- Minha querida! – Falo emocionada retribuindo o carinho. – Eu também estava com muita  saudade desse beijo e dessas bochechinhas  rosadas! Rosa retiro o que  disse!
- Vem madrinha, vem ver o que a gente  fez pra  você! – Falou Alexandra puxando-a pela mão.
- Filha, tenha modos. Sua madrinha ainda está se recuperando, querida.
- Está tudo bem darling! Oh, my God! -  Exclamou Elisabeth ao ver a decoração.
Havia uma  faixa de  boas  vindas, flores e balões coloridos.
- “Nun tá birifu”, madrinha? A tia Janete que  fez tudo, eu só ajudei ela!
- Oh, yes! This is beautiful, baby! E onde está  Janete?

- Já estou chegando – Respondeu Janete vindo da  cozinha com um bolo e  colocando-o sobre a mesa. – Liz,  que felicidade tê-la de volta!
- Janete! – Respondeu a americana – Quanto capricho e carinho comigo!  - Comentou abraçando a secretária da  galeria.
- Você merece! Isso e muito mais, não é mesmo Alex?
- É! Mas agora a gente  pode  comer o  bolo?
E só depois de ver Elisabeth repousando Rosa foi para sua  casa Como já passava das  vinte e duas horas, convenceu Janete a passar a noite por lá.

PSV

- Claude Antoine Geraldy! Você não já não deveria estar no  Brasil?
Claude ergueu a cabeça e  levantou-se para  cumprimentar o amigo:
- Frazão, mon ami, como vai? – Perguntou, abraçando o amigo.
- Precisando de férias. Longas e  divertidas.
Sentaram-se ao mesmo tempo. Claude já havia pedido uma bebida.  O metre apresentou o  menu e rapidamente ambos escolheram seus pratos. Então, Frazão reiniciou a  conversa.
- Mas o que você ainda  faz na França, precisamente em  Paris? Desistiu do Brasil?
- Não. Tive  uma  discussão com Louise e por  algo que falei, ela  despediu Dadi. Então decidi leva-la comigo, mas entre atualizar o passaporte e a passagem dela e trocar o dia de embarque, já se foram quase quinze dias.
- Vai mesmo investir em Arte no Brasil? Acha que o momento é propício?
- A oferta é muito boa, Frazão. Mas meu acordo com Júlio foi de  conhecer o local e me  colocar a par de toda a real  situação da galeria. Mas meus planos são mais ousados.
- Não pretende administra-la?
- Não pretendo me prender a ela. Quero ter a liberdade de viajar e  voltar a produzir.
- Vai tentar encontrar Rosa?
- Não. Ela escolheu ir embora.
- Eu acho tão estranho ela ter ido assim, de repente. Vocês estavam tão bem!
- Não foi para falar dela que eu o chamei, Frazão. – Disse Claude beirando o mal humor.
- Voilà, sem estresse. O que quer que eu faça na sua ausência?
- O de sempre. Mantenha-me informado sobre as  decisões de Louise e evite que ela ponha as mãos na parte de Nara, da herança de meu pai.
- Impressão minha ou está  falando como se  nunca mais  fôssemos nos ver?
- É possível. Não tenho intenção de  voltar. Seja Brasil ou outro lugar  qualquer. Mas será sempre  bem vindo, mon ami.
- De qualquer forma, eu iria  mesmo que não fosse! – Fala Frazão, num tom bem humorado e divertido.
Claude  dá um sorriso contido. Frazão e seu dom de fazer piada de tudo. Isso nunca mudaria.
- Mas falando sério, cara. Não teme que sua mãe faça com Nara o mesmo que fez a você, forçando-a a entrar  na  vida  pública?
- Ouí. Por isso preciso de sua ajuda. Quando  estiver  estabilizado, a levarei também. Não deixarei que Louise acabe com as ilusões de Nara.
- Não consegue mesmo chama-la de mãe, não e?
- Como todo conto de fadas, um dia a madrasta  se revela.
- E onde ficará no  Brasil? Na  casa de Júlio?
- Ele a ofereceu mas não. Além de levar Dadi,  prefiro ter minha privacidade. Ficarei num Apart-hotel até resolver tudo. Depois, quem sabe compro uma  casa.
Nesse momento foram servidos e Claude mudou o rumo da  conversa, perguntando sobre os  comentários de sua  renúncia   ao partido e o rumo das  novas eleições.
- A maioria  crê que  você  saiu na melhor hora. O clima negativo das últimas semanas, com essa sucessão de escândalos de superfaturamento e denúncias de corrupção.  As pesquisas apontam recordes de impopularidade dos partidos da situação por suas dificuldades em cumprir as promessas e viabilizar a retomada do crescimento econômico e reduzir o desemprego. Mas  também não veem os candidatos da oposição como salvadores da pátria e...
PSV

1 comentários:

Carliane disse...

Uhuuuuuu...Eles tiveram uma menininhaaaaaa "Xanda"! kkkkkkkkkkkkk

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