Elisabeth Smith acomodou-se confortavelmente no banco de trás
da Doblo e passou o cinto de segurança sobre
si, prendendo-o. Apesar de toda hospitalidade
e cuidado que recebeu na Carolina
do Sul, estava feliz por voltar ao
Brasil. Filha de pai americano e mãe
brasileira, aprendera com ela a amar o Brasil, onde passava suas
férias.
E naquelas
coincidências da vida, John recebera a oferta de trabalhar como curador
americano para uma das bienais de Arte em
São Paulo. O convite transformou-se em
função permanente quando ele assumiu um dos departamentos de preservação de
patrimônio da FAAP - Fundação Armando
Alvares Penteado, Faculdade de Artes
Plásticas de São Paulo, pioneira no ensino
de Arte no Brasil, uma das únicas instituições de ensino a possuir Residência
Artística e Museu com exposições de altíssima qualidade, detalhes que o fizeram
aceitar a oferta de emprego.
A ela veio a oportunidade de atuar como professora adjunta na Universidade, na área de extensão cultural,
curso de mestrado e doutorado em Historia da Arte, sua especialidade.
Foi assim que conheceu Rosa e se tornara sua orientadora na pós graduação. E foi assim que, em parceria com a ENSBA –
École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e Cité des Arts de Paris, a mandara para
um intercâmbio em Amsterdã.
E por isso, sentia-se culpada por tudo que
acontecera a sua pupila. Se não tivesse
insistido tanto para ela ir, nada
daquilo teria acontecido...
- Liz? Tudo bem? – Perguntou John, olhando para
ela, preocupado com o silêncio da
esposa.
- Tudo ótimo, querido! Estava curtindo o meu retorno! Sou
realmente grata por ter conseguido
voltar e concluir o tratamento por aqui.
- E eu estou muito feliz, Elisabeth! – Disse Rosa, trocando a
marcha do carro ao pegar a rampa de acesso para São Paulo, entrando na Rodovia
Presidente Dutra. - Vamos passar horas agradáveis novamente,
tagarelando. Quero saber de tudo, hã?
- Oh, Rosa! Não há muito para
contar. Tratamentos e cirurgias são sempre a mesma coisa e
suspeito que John já tenha
detalhado a você todos o procedimentos a que fui submetida.
Rosa e John soltaram
uma risada graciosa, confirmando a
Elisabete suas suspeitas
- Eu sabia! – Comentou rindo também.
- Liz, deixei para
você a parte boa da história.
Conte a Rosa os segredos que a Carolina
do Sul esconde. Quem sabe assim,
ela se anima a tirar férias por lá!
- Querido John. –
Disse Elisabeth num tom afirmativo e calou-se.
John e Rosa esperaram que ela continuasse, mas o silencio
os fez olhar para trás.
John girou o corpo e Rosa a procurou pelo com o olhar, pelo espelho
retrovisor, diminuindo ainda mais a
velocidade do carro.
- Querida, o que houve? Está com dor?
- Não.
- Então o que houve? Disse querido John e calou-se...
Elisabete sorriu e explicou-se:
- Querido
John, você é meu querido, mas não era a você que me referia e sim sobre um
jovem soldado que volta para casa em licença e se apaixona por uma estudante
idealista.
- Ah, está se referindo ao filme, a adaptação do livro de
Nicholas Sparks.- Disse Rosa, emocionando-se. Livro e filme a tinham
conquistado. O livro
porque era fã do escritor e o filme por suas cenas em câmera lenta, as fusões
de imagens, os beijos e abraços na medida e aquele tradicional pôr do sol,
com boa música ao fundo...
- Exato, darling. Foi
filmado por lá, na cidade de Charleston. O diretor, Lasse Hallstrom, declarou que...
Rosa ouvia com atenção
e continuou em frente, até encontrar uma saída à esquerda e seguir em direção ao centro de São Paulo.
Desviou de algumas avenidas congestionadas e quarenta e cinco minutos depois, entrava no
estacionamento do prédio onde o casal de amigos
morava.
Subiu com eles até o apartamento, no quinto andar, onde
Joana, governanta do casal desde que fixaram residência no Brasil os aguardava, ansiosa também.
Cumprimentaram-se calorosamente e Elisabeth sentou-se no
sofá. Ainda não estava fisicamente
recuperada.
Após alguns instantes Joana
os convidou para o lanche que
havia preparado.
- Com todo prazer
Joana, eu não aguentava mais aquela
comida de hospital. Obrigada pelo carinho!
- Não faço mais que a minha obrigação, senhora Smith.
- Faz sim e sabe
disso. E quando é que vai deixar esse
“Senhora Smith” de lado e me chamar
apenas de Elisabeth?
- Eu vou tentar, senhora...
- Ok, comece agora. Me
chame de Elisabeth.
- Mas... – Começou a se
desculpar.
- É melhor obedecê-la, Joana! – Falou John.
- Está bem... Elisabeth.
- Bem melhor assim. Sinto-me até mais jovem!
Com passos vagarosos todos a
acompanharam rumo à sala de jantar.
- Rosa, você me
decepcionou.
- Eu? Mas o que fiz de errado, Liz?
- Eu pensei que fosse ter uma recepção mais movimentada,
recheada de sons agudos e infantis! Por que não a trouxe? – Reclamou quando já
estavam a beira da porta.
Então um vulto e uma
voz alegre de criança invadiu o ambiente:
- Surpresa! – E a palavra
veio acompanhada de palmas e um
lindo sorriso antes que a pequena
Alex abraçasse Elisabete pelo pescoço. – Eu ‘tava’ morrendo de saudade madrinha! – E a beijasse no rosto.
- Minha querida! – Falo emocionada retribuindo o carinho. –
Eu também estava com muita saudade desse
beijo e dessas bochechinhas rosadas!
Rosa retiro o que disse!
- Vem madrinha, vem ver o que a gente fez pra
você! – Falou Alexandra puxando-a pela mão.
- Filha, tenha modos. Sua madrinha ainda está se recuperando,
querida.
- Está tudo bem darling! Oh, my God! - Exclamou Elisabeth ao ver a decoração.
Havia uma faixa
de boas
vindas, flores e balões coloridos.
- “Nun tá birifu”, madrinha? A tia Janete que fez tudo, eu só ajudei ela!
- Oh, yes! This is beautiful, baby! E onde está
Janete?
- Já estou chegando – Respondeu Janete vindo da cozinha com um bolo e colocando-o sobre a mesa. – Liz, que felicidade tê-la de volta!
- Janete! – Respondeu a americana – Quanto capricho e carinho
comigo! - Comentou abraçando a
secretária da galeria.
- Você merece! Isso e muito mais, não é mesmo Alex?
- É! Mas agora a gente
pode comer o bolo?
E só depois de ver Elisabeth repousando Rosa foi para
sua casa Como já passava das vinte e duas horas, convenceu Janete a passar
a noite por lá.
PSV
- Claude Antoine Geraldy! Você não já não deveria estar
no Brasil?
Claude ergueu a cabeça e
levantou-se para cumprimentar o
amigo:
- Frazão, mon ami, como vai? – Perguntou, abraçando o amigo.
- Precisando de férias. Longas e divertidas.
Sentaram-se ao mesmo tempo. Claude já havia pedido uma
bebida. O metre apresentou o menu e rapidamente ambos escolheram seus
pratos. Então, Frazão reiniciou a conversa.
- Mas
o que você ainda faz na França,
precisamente em Paris? Desistiu do
Brasil?
- Não. Tive uma discussão com Louise e por algo que falei, ela despediu Dadi. Então decidi leva-la comigo,
mas entre atualizar o passaporte e a passagem dela e trocar o dia de embarque,
já se foram quase quinze dias.
- Vai mesmo investir em Arte no Brasil? Acha que o momento é
propício?
- A oferta é muito boa, Frazão. Mas meu acordo com Júlio foi
de conhecer o local e me colocar a par de toda a real situação da galeria. Mas meus planos são mais
ousados.
- Não pretende administra-la?
- Não pretendo me prender a ela. Quero ter a liberdade de viajar
e voltar a produzir.
- Vai tentar encontrar Rosa?
- Não. Ela escolheu ir embora.
- Eu acho tão estranho ela ter ido assim, de repente. Vocês
estavam tão bem!
- Não foi para falar dela que eu o chamei, Frazão. – Disse
Claude beirando o mal humor.
- Voilà, sem estresse. O que quer que eu faça na sua
ausência?
- O de sempre. Mantenha-me informado sobre as decisões de Louise e evite que ela ponha as
mãos na parte de Nara, da herança de meu pai.
- Impressão minha ou está falando como se nunca mais
fôssemos nos ver?
- É possível. Não tenho intenção de voltar. Seja Brasil ou outro lugar qualquer. Mas será sempre bem vindo, mon ami.
- De qualquer forma, eu iria
mesmo que não fosse! – Fala Frazão, num tom bem humorado e divertido.
Claude dá um sorriso
contido. Frazão e seu dom de fazer piada de tudo. Isso nunca mudaria.
- Mas falando sério, cara. Não teme que sua mãe faça com Nara
o mesmo que fez a você, forçando-a a entrar
na vida pública?
- Ouí. Por isso preciso de sua ajuda. Quando estiver
estabilizado, a levarei também. Não deixarei que Louise acabe com as
ilusões de Nara.
- Não consegue mesmo chama-la de mãe, não e?
- Como todo conto de fadas, um dia a madrasta se revela.
- E onde ficará no
Brasil? Na casa de Júlio?
- Ele a ofereceu mas não. Além de levar Dadi, prefiro ter minha privacidade. Ficarei num Apart-hotel
até resolver tudo. Depois, quem sabe compro uma
casa.
Nesse momento foram servidos e Claude mudou o rumo da conversa, perguntando sobre os comentários de sua renúncia
ao partido e o rumo das novas
eleições.
- A maioria crê
que você
saiu na melhor hora. O clima negativo das últimas semanas, com essa
sucessão de escândalos de superfaturamento e denúncias de corrupção. As pesquisas apontam recordes de
impopularidade dos partidos da situação por suas dificuldades em cumprir as
promessas e viabilizar a retomada do crescimento econômico e reduzir o
desemprego. Mas também não veem os
candidatos da oposição como salvadores da pátria e...
PSV

1 comentários:
Uhuuuuuu...Eles tiveram uma menininhaaaaaa "Xanda"! kkkkkkkkkkkkk
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