Pages

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

PSV/Capítulo 7

Dois meses   depois da palestra assumiram  que sentiam algo especial um  pelo outro e  estavam  naquela noite completando três meses de namoro.
Haviam passado o dia todo pesquisando. Rosa  para sua tese, e ele para seu próximo livro. Rosa teria que retornar ao Brasil, para  defender sua tese e conquistar o título de  doutora em história da arte. 
Estavam conversando sobre isso e fazendo planos para  depois. Chovia intensamente e a saída para   um jantar teve que ser cancelada. Deixaram o estudo de lado, pois esperavam o término do download  de um  texto e  improvisaram um jantar com o que havia na geladeira do flat onde Claude se hospedara.
Conseguiram chegar a um estrogonofe com... pão.  Rosa compôs a decoração da mesa utilizando uma  taça como castiçal para uma vela comum. Acendeu-a e esperou que a chama tomasse força.
Então sentiu os braços de Claude rodearem seu corpo.
- Non era esse o jantar que eu tinha imaginado, hã? O Zwaantje tem um cardápio com pratos deliciosos, e várias opções de sobremesas. Além de uma    decoração primorosa.
- Hummm... Isso significa que a minha decoração foi  ruim... -  Ponderou em  voz alta, fingindo-se  chateada.
- Não! Não foi isso que  quis dizer.  -  Defendeu-se Claude, virando-a para  si. -  Apenas queria proporcionar algo mais  sofisticado para  você, chèrie.
- E existe algo mais sofisticado do que estrogonofe com pão? – Perguntou  passando os braços pelo pescoço dele e sorrindo.
Claude pareceu pensar em algo antes de sorrir de  volta e a beijar  nos lábios.
- Existe. –  E saindo do abraço tirou do armário duas garrafas de vinho. – Estrogonofe, pão e vinho. Sofisticado e extravagante, hã? Prefere branco ou tinto?
- Eu gosto do tinto... Mas o branco combina mais com o nosso cardápio.
- D’àccord.  – Concordou ele, mas  colocou as duas  garrafas  de  vinho sobre a mesa.
- Não entendi. Pergunta minha preferência  e...
- O branco nos acompanhará no jantar e o tinto na  sobremesa, ouí?
- Mas não teremos sobremesa... – Argumentou Rosa.
- Nesse caso, a gente inventa! – Exclamou dando uma piscada  - Então   puxou a cadeira  - Mademoiselle, por gentileza, queira ocupar seu lugar...
- Merci, monsieur.
Claude sentou-se e serviu o vinho, enchendo as taças até a metade.
- Que sejamos nós por toda a  vida,  Rosa! – Brindou.

- E que sejamos para sempre! – Retribuiu confiante.


Saborearam o jantar  enquanto a chuva aumentava em força e barulho. Da mesa passaram ao sofá. Claude  levou as taças e o vinho tinto.

Rosa estava mexendo em sua  mochila.
- Já que não temos sobremesa, fechemos a noite apenas    com o vinho tinto. Chèrie, você continua linda, não precisa  retocar a maquiagem, hã?
- Obrigada, amor! Mas eu não estava retocando nada.
- Ah, não? Então segure as taças e pense.  A que vamos brindar agora?
- A Lacta! – Exclamou Rosa enquanto Claude estava de costas, colocando o vinho  ao lado do abajur, no aparador.
- Voilà! Isso que é ser romântica, brindar à via Lactea e suas estrelas mesmo com o céu nublado... – Considerou, virando-se  para  ela.
- Não, Claude, eu não disse via Lactea e sim Lacta. Graças a ela, vamos ter  nossa sobremesa! – Exclamou mostrando um bombom Sonho de Valsa.
- Mon Dieu! – Exclamou Claude baixinho – Isso é melhor que  torta holandesa, hã? Tin-tin!
- Tin-tin! Confirmou Rosa, aceitando o brinde. E levaram as taças às  suas  bocas ao mesmo tempo, um dentro do olhar  do outro.
- Infelizmente é o último.  – Sussurrou Rosa em seguida -   O que  sobrou de nossa visita àquela  loja de produtos  brasileiros.
- Eu diria felizmente, chérie... – Murmurou Claude juntando as taças e colocando-as  ao lado  da  garrafa.
- Não vai se importar em ter apenas meia sobremesa? – Brincou Rosa.
- Non. Porque qualquer metade junto contigo vai ser  sempre inteiro, hã? Posso abrir?
- D’àccord... – Respondeu deixando que ele pegasse o bombom e  abrisse.

- Espera! –Disse ele com o bombom na mão. – Para  ficar perfeito falta a música. – Afirmou procurando o controle e acionando o som.
– Agora sim, vem cá! – Puxou-a pela mão, e sentaram-se  de novo no sofá.



Desembrulhou o bombom, vagarosamente, fazendo suspense. E  contornou os lábios  entreabertos dela  com o  bombom até que ela segurou sua mão, o prendeu entre os  dentes e mordeu, e gentilmente o fez recuar com a outra metade  até  sua própria boca.
Mas Claude, com a outra mão  a  enlaçou pela  cintura, puxando-a para si, enquanto escorregava  pelo sofá e o beijo foi inevitável.
- A melhor  sobremesa da minha vida. – Sussurrou Claude, acomodando-a sobre  si. – Já  disse que estou perdidamente  apaixonado por  você?
- Hoje não...
- Pois eu estou... Amo você, Rosa!
- Também o amo, Claude! – Murmurou abaixando a cabeça até alcançar os lábios dele. O beijo foi lento e apaixonado.
Quando se separaram, Rosa descansou  a cabeça sobre o peito de Claude, enquanto ele alisava  seus cabelos. Nada  era mais gostoso do que escutar o coração dela batendo contra o seu e a sua  respiração lenta, que a fazia  subir e descer. Ficaram assim, curtindo o  momento  em silêncio. O som de trovões ao longe se misturou ao som da música.
- Claude, como vou embora com toda  essa chuva? – Perguntou Rosa.
- Por que está já está pensando em ir? Nem  é meia noite ainda. – Falou bem humorado.
Um raio riscou o céu e o clarão de um  relâmpago invadiu o flat, seguido de um trovão ensurdecedor, ao mesmo instante em que as luzes piscaram e  apagaram.
- Eu acho que não vai, chèrie... -  Emendou ele espalmando as mãos  pelas  costas dela. – Na verdade, eu não quero mesmo que vá. Creio que  está na hora de  ficar comigo todas  as noite, com  ou sem chuva...
- Mas já  ficamos outras noites juntos...
- Ah, non! Non quebre o clima, hã? Essas  noites foram só de estudo, non tive  chance de fazer amor  contigo.
- Fazer amor comigo é muito importante para  você, não é?
-  É importante para nós dois, mon amour.  Mas  se non estiver  a fim non vou força-la a nada...
- Chhhhhhhh... Eu é que o forcei a esperar, a me esperar e...
Claude a  impediu de continuar  falando, beijando-a.
- Melhor se explicar  fazendo, hã? – Completou pegando-a nos braços. E do sofá para a  cama, foram apenas  alguns  segundos.
PSV

- Mon Dieu, eu não acredito!
- Claude... Onde... Por que saiu da cama?
- Desculpe, não queria ter acordado você. A energia  voltou eu fui apagar as luzes e desligar o som.
- Sei... Mas o  que aconteceu, em que  você não acredita?
- O  download do arquivo foi corrompido, o pendrive sofreu uma pane e o programa não responde! O trabalho de um dia  todo  perdido!
- Que horas são?
- Quase quatro da manhã, chérie. Volte a  dormir, eu vou ver se consigo salvar  alguma   coisa ainda...
- Ah, não! Você não vai me deixar  dormir sozinha na nossa primeira noite, vai? – Se queixou, manhosa.
- Mas...
- Deixe tudo assim, não pode acontecer nada pior... Pela manhã restauramos o sistema e se isso não resolver, ainda temos minhas anotações. É para isso que elas  servem. Vem!
Claude hesitou por um instante.
- D’àccord, você tem razão.  Seria muita  falta de cavalheirismo minha deixar  você sozinha. – Disse juntando-se a ela, debaixo do edredon.
- Hum hum... Logo você, um “gentlemam” francês! Seria imperdoável!
- Seria, non é? Mas eu vou correr o risco, sabe por quê?
- Nem imagino. Por quê?
- Porque  dormir é a única coisa que  você  não vai fazer agora...
Então horas mais tarde, quando acordaram, Rosa insistiu em fazer o café da manhã, já que ele fizera o jantar. E o cardápio incluía um bolo  que os fez  sair às  compras
- Cenoura  com chocolate? Não me parece uma  boa  combinação!
- O que  foi que disse, Claude? – Escutou  Dadi perguntar. E só então se deu conta que havia  repetido alto aquelas  palavras.
Ia  dar uma desculpa qualquer quando  a  voz do comandante invadiu o ambiente.
- Senhores passageiros, por motivo de  força maior a aterrissagem será  feita no Aeroporto Internacional Tom Jobim RIOgaleão, cidade do Rio de Janeiro, o qual já estamos  sobrevoando.  A Air France lamenta o imprevisto e fará  todo o possível para encaixar os passageiros mais urgentes ainda hoje,  em voos compatíveis. Aos que puderem aguardar até amanhã, a  companhia oferecerá acomodação  nos melhores hotéis. Assim que desembarcarem, receberão maiores informações e será feita a triagem.  Agradecemos sua  compreensão. Solicito que coloquem os  cintos de segurança e...


PSV 

                                             Continua em 11/01


2 comentários:

Unknown disse...

ESTÁ FICANDO ÓTIMA SAUDADES DE CLAUDE E ROSA

Carliane disse...

Concordo com a Luiza está ficando ótimaaaaaaaaaaaa!!! Tb morro de saudades deles. Amei o carinho deles na sua primeira noite de amor!

Postar um comentário