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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

PSV/Capítulo 4

- Perfeito como sempre. Rosa e Janete, não sei o que faria  sem vocês. – Comentou John, abraçando-as lateralmente.
Haviam concluído a conferência  da lista  de convidados e a confirmação das presenças para  a vernissage. O buffet  escolhido também já  havia  mandado a amostra dos  vinhos,  champanhes e canapês para  degustação.
Elisabete e Joana escolheram os canapês e a bebida  ficou a  cargo dos três.
- Até parece! – Respondeu Janete – Como se não tivéssemos aprendido tudo  isso com você!
- Aprender não basta. É preciso competência e habilidade para demonstrar que o conhecimento foi incorporado. Mais uma vez  estou orgulhoso de vocês, meninas!
Rosa  suspirou profundamente e abaixou a cabeça.
- O que  foi Rosa? Por que ficou assim triste?
- Ainda me pergunta John? Toda essa  situação,  a galeria sendo negociada para algum especulador financeiro... Isso me entristece muito.
- A mim também – Completa Janete.
- Júlio é o especulador  financeiro, queridas. O sujeito interessado é um artista e não é brasileiro.
- Mais um motivo para nossas incertezas!  Virão mudanças e nossos projetos podem ir pelo ralo...
- Bem, eu não ia  dizer nada mas... 
- O que você  sabe e não nos  disse? – Pergunta  Rosa aflita.
- Júlio entrou em contato  comigo, mais uma vez. Vejam, não criem expectativas, ok? Mas o  interessado ainda não confirmou a transação. Ele vai vir ao Brasil para conhecer pessoalmente a galeria e analisar o mercado na bolsa de valores, já que as ações são de sociedade de capital aberto.
- Isso quer dizer que a negociação pode não sair! –Exclamou Janete torcendo as mãos.
- Teoricamente sim. Se isso ocorrer, terei que correr contra o tempo e negociar esse ônus. Talvez com algum banco americano...
- E você diz que ele não tem interesse financeiro...  Quando vamos  conhecê-lo? – Pergunta Rosa, num misto de agonia e apreensão.
- Já era para estar aqui, mas houve um imprevisto e adiou a vinda. Tudo indica que chegará justamente na abertura da vernissage. Por isso é tão  importante que tudo saia mais que perfeito, meninas.
- Tomara que o voo dele atrase! – Sussurrou Rosa.
- Cuidado Rosa, tudo que pedimos ao universo volta para nós.
- Nesse caso não tem problema. Eu não pretendo viajar de avião tão cedo!
Acabaram rindo da brincadeira, o que aliviou a tensão de todos. Então,  Sérgio bate  a porta, pedindo licença antes de entrar.
- Com licença, posso entrar?
-  Claro que sim, Sérgio! Algum problema?
Sérgio era um dos jovens talentos descobertos pela galeria, que mantinha um projeto de iniciação às artes plásticas a cerca de três anos.
Um dos cômodos do térreo do casarão havia se transformado em ateliê e atendia jovens e crianças de baixa renda, oferecendo a  oportunidade que não teriam, pois custeavam todo o material além de uma  ajuda de custo de  transporte e alimentação para os  dois  dias semanais de aula. Muitos dispensavam o lanche para  frequentar o espaço mais  vezes na semana. Havia uma boa lista de  espera de vaga.
Ele fora um dos primeiros alunos e permanecia  como voluntário, dividindo seu  tempo  entre  ali e  a pós graduação que fazia. Em breve seria mestre em História da Arte também
Além de   viver de suas telas, tinha por objetivo tornar-se  um marchand  e  negociar  obras de arte pelo mundo afora.
- Terminamos a montagem  e eu gostaria da  opinião de vocês sobre a ambientação.
- Tenho certeza que está de acordo com nossas expectativas, mas  como sei que não vai dormir tranquilo  se não formos  ver, vamos lá! – Disse John.
- Sérgio, você é talentosíssimo, sempre criou o clima desejado em nossas exposições. Não sei por quê a insegurança. – Comentou Rosa enquanto saiam da sala de John.
- Olha  só quem fala! – Disse Janete – Quem  foi que pediu uma  conferência de convites, além das listas de telas, esculturas e tudo  mais?
- Janete! Não precisava revelar esse meu segredinho, ok?
- Oras, foram vocês que me ensinaram que  conferir nunca é demais! – Replicou Sérgio. 
Atravessaram a parte frontal da galeria, reservada à recepção dos  convidados e subiram a escada. A parte  superior do prédio que guardava as obras em acervo, agora cedia espaço para a apreciação  de mais de trinta trabalhos.
John percorreu vagarosamente entre eles. Olhava  com atenção, aproximando-se e  afastando-se de algumas obras e inclinando a cabeça, avaliando proporções. Manteve-se em silêncio por um bom tempo, e de repente deu seu diagnostico:
-  Obras expostas devem luzir-se, devem ser  protagonistas de si mesmas em cena. Vejo que levou em conta a iluminação, fundamental para que elas possam ser bem apreciadas, escolheu fundo com cores que contrastam e realçam a beleza de cada uma. Parabéns, Sérgio, estou orgulhoso de você  mais uma vez!
- Obrigado, John! Isso é o mínimo que  posso fazer, para retribuir o que investiram em mim: ser eficiente. Só falta  colocarmos as placas,  com o nome da obra,  data de criação,  estilo e  tamanho.
- Temos que realizar a sua  vernissage, Sérgio. Já tem trabalhos  suficientes para mostrar e se lançar no mercado.
- Precisaremos da permissão do novo “empreendedor” desta galeria. – Comentou Janete,  despretenciosamente.
- Precisamos é  saber quem  ele é. –  Diz Rosa, cruzando os braços – Tem certeza que Júlio não disse o nome dele, John?
- Não disse, Rosa. Está mantendo em segredo absoluto, como se fosse o governador de São Paulo, com esses  atos de sigilo sobre documentos da Sabesp, Metrô e Polícia Militar. – Comenta John, respondendo. -  Ora, sorria Rosa, isso foi uma piada e mmm...mmm...mm


PSV



Depois de se despediram de Nara e Frazão no saguão do aeroporto Charles De Gaulle, Claude e Dadi  seguiram para a sala de embarque.
Um micro ônibus os levou até a plataforma onde o avião aguardava o embarque de todos. Dadi embarcou primeiro, pois  Claude se  deixou ficar para  trás, tornando-se o último da fila.
Enquanto subia a escada, observou  o casal  a  sua  frente.  O rapaz segurava as passagens  em uma das mãos, e a outra entrelaçou a da moça.  “Feliz?” – Ouviu  o rapaz perguntar  com  um sorriso confiante.  “Muito. Foi o mais lindo dia da minha  vida” – Foi a breve resposta feminina. “Como serão todos os nossos dias daqui para frente, eu prometo” – Afirmou o rapaz beijando o dedo anular da moça.
Com certeza estavam viajando em  lua de mel! Ah, o amor é mesmo lindo, pensou Claude. E um sorriso irônico e decepcionado curvou seus  lábios.  Fora exatamente essa a promessa que Rosa e ele haviam feito um ao outro um dia. No entanto, agora...
- Sua passagem por favor, cavalheiro! Senhor? – Insistiu a comissária de  bordo, com a demora de Claude. – Senhor, algum problema?
-  Oh, não, desculpe-me, senhorita. Aqui está! – Respondeu estendendo o braço.
E embora ela tenha rapidamente  conferido e indicado sua poltrona, na classe executiva, foi o tempo suficiente para Claude olhar o horizonte de Paris, que anoitecia.
Quando descesse daquele avião já estaria amanhecendo e seus  horizontes seriam outros. Adentrou o avião e seguiu até encontrar  sua poltrona, ao lado de Dadi e acomodou-se.
- Algum problema por eu estar na executiva  com você?
- Claro que non. Eu me distraí e fiquei por último na  fila, apenas  isso.
- Por um momento, pensei que tinha desistido. Já me preparava até para sair do avião atrás de você. – Falou Dadi séria,  sem perder o foco  na página da  revista em suas mãos.
- Uma piada desnecessária, Dadi.  Por acaso eu sou de desistir, de alguma  coisa?
- De  coisas, não. Já de pessoas...
- Mon Dieu, está me criticando por desistir de Louise?

- Sabe muito bem a quem me refiro, Claude. Não precisa  gastar seu talento tentando representar para mim.


PSV

Continua

2 comentários:

Fernanda Souza disse...

Dadi sabe das coisas kk
o que seria de Claude sem ela

Carliane disse...

Verdade, Fernandinha! Parece que tou vendo os dois conversando no avião! kkkkkkk

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