- Perfeito como sempre. Rosa e Janete, não sei o que
faria sem vocês. – Comentou John,
abraçando-as lateralmente.
Haviam concluído a conferência da lista
de convidados e a confirmação das presenças para a vernissage. O buffet escolhido também já havia
mandado a amostra dos
vinhos, champanhes e canapês
para degustação.
Elisabete e Joana escolheram os canapês e a bebida ficou a
cargo dos três.
- Até parece! – Respondeu Janete – Como se não tivéssemos
aprendido tudo isso com você!
- Aprender não basta. É preciso competência e habilidade para
demonstrar que o conhecimento foi incorporado. Mais uma vez estou orgulhoso de vocês, meninas!
Rosa suspirou
profundamente e abaixou a cabeça.
- O que foi Rosa? Por
que ficou assim triste?
- Ainda me pergunta John? Toda essa situação,
a galeria sendo negociada para algum especulador financeiro... Isso me
entristece muito.
- A mim também – Completa Janete.
- Júlio é o especulador
financeiro, queridas. O sujeito interessado é um artista e não é
brasileiro.
- Mais um motivo para nossas incertezas! Virão mudanças e nossos projetos podem ir pelo
ralo...
- Bem, eu não ia dizer
nada mas...
- O que você sabe e
não nos disse? – Pergunta Rosa aflita.
- Júlio entrou em contato
comigo, mais uma vez. Vejam, não criem expectativas, ok? Mas o interessado ainda não confirmou a transação.
Ele vai vir ao Brasil para conhecer pessoalmente a galeria e analisar o mercado
na bolsa de valores, já que as ações são de sociedade de capital aberto.
- Isso quer dizer que a negociação pode não sair! –Exclamou
Janete torcendo as mãos.
- Teoricamente sim. Se isso ocorrer, terei que correr contra
o tempo e negociar esse ônus. Talvez com algum banco americano...
- E você diz que ele não tem interesse financeiro... Quando vamos
conhecê-lo? – Pergunta Rosa, num misto de agonia e apreensão.
- Já era para estar aqui, mas houve um imprevisto e adiou a
vinda. Tudo indica que chegará justamente na abertura da vernissage. Por isso é tão
importante que tudo saia mais que perfeito, meninas.
- Tomara que o voo dele atrase! – Sussurrou Rosa.
- Cuidado Rosa, tudo que pedimos ao universo volta para nós.
- Nesse caso não tem problema. Eu não pretendo viajar de
avião tão cedo!
Acabaram rindo da brincadeira, o que aliviou a tensão de
todos. Então, Sérgio bate a porta, pedindo licença antes de entrar.
- Com licença, posso entrar?
- Claro que sim, Sérgio!
Algum problema?
Sérgio era um dos jovens talentos descobertos pela galeria,
que mantinha um projeto de iniciação às artes plásticas a cerca de três anos.
Um dos cômodos do térreo do casarão havia se transformado em
ateliê e atendia jovens e crianças de baixa renda, oferecendo a oportunidade que não teriam, pois custeavam
todo o material além de uma ajuda de
custo de transporte e alimentação para
os dois
dias semanais de aula. Muitos dispensavam o lanche para frequentar o espaço mais vezes na semana. Havia uma boa lista de espera de vaga.
Ele fora um dos primeiros alunos e permanecia como voluntário, dividindo seu tempo
entre ali e a pós graduação que fazia. Em breve seria
mestre em História da Arte também
Além de viver de suas
telas, tinha por objetivo tornar-se um marchand e negociar
obras de arte pelo mundo afora.
- Terminamos a montagem e eu gostaria da opinião de vocês sobre a ambientação.
- Tenho certeza que está de acordo com nossas expectativas,
mas como sei que não vai dormir
tranquilo se não formos ver, vamos lá! – Disse John.
- Sérgio, você é talentosíssimo, sempre criou o clima
desejado em nossas exposições. Não sei por quê a insegurança. – Comentou Rosa
enquanto saiam da sala de John.
- Olha só quem fala! –
Disse Janete – Quem foi que pediu
uma conferência de convites, além das
listas de telas, esculturas e tudo mais?
- Janete! Não precisava revelar esse meu segredinho, ok?
- Oras, foram vocês que me ensinaram que conferir nunca é demais! – Replicou
Sérgio.
Atravessaram a parte frontal da galeria, reservada à recepção
dos convidados e subiram a escada. A
parte superior do prédio que guardava as
obras em acervo, agora cedia espaço para a apreciação de mais de trinta trabalhos.
John percorreu vagarosamente entre eles. Olhava com atenção, aproximando-se e afastando-se de algumas obras e inclinando a
cabeça, avaliando proporções. Manteve-se em silêncio por um bom tempo, e de
repente deu seu diagnostico:
- Obras expostas devem
luzir-se, devem ser protagonistas de si
mesmas em cena. Vejo que levou em conta a iluminação, fundamental para que elas
possam ser bem apreciadas, escolheu fundo com cores que contrastam e realçam a
beleza de cada uma. Parabéns, Sérgio, estou orgulhoso de você mais uma vez!
- Obrigado, John! Isso é o mínimo que posso fazer, para retribuir o que investiram
em mim: ser eficiente. Só
falta colocarmos as placas, com o nome da obra, data de criação, estilo e
tamanho.
- Temos que realizar a sua
vernissage, Sérgio. Já tem trabalhos
suficientes para mostrar e se lançar no mercado.
- Precisaremos da permissão do novo “empreendedor” desta
galeria. – Comentou Janete,
despretenciosamente.
- Precisamos é saber
quem ele é. – Diz Rosa, cruzando os braços – Tem certeza
que Júlio não disse o nome dele, John?
- Não disse, Rosa. Está mantendo em segredo absoluto, como se
fosse o governador de São Paulo, com esses
atos de sigilo sobre documentos da Sabesp, Metrô e Polícia Militar. –
Comenta John, respondendo. - Ora, sorria
Rosa, isso foi uma piada e mmm...mmm...mm
PSV
Depois de se despediram de Nara e Frazão no saguão do
aeroporto Charles De Gaulle, Claude e Dadi seguiram para a sala
de embarque.
Um micro ônibus os levou até a plataforma onde o avião
aguardava o embarque de todos. Dadi embarcou primeiro, pois Claude se
deixou ficar para trás,
tornando-se o último da fila.
Enquanto subia a escada, observou o casal
a sua frente.
O rapaz segurava as passagens em
uma das mãos, e a outra entrelaçou a da moça. “Feliz?” – Ouviu o rapaz perguntar com um sorriso
confiante. “Muito. Foi o mais lindo dia da
minha vida” – Foi a breve resposta
feminina. “Como serão todos os nossos dias daqui para frente, eu prometo” –
Afirmou o rapaz beijando o dedo anular da moça.
Com certeza estavam viajando em lua de mel! Ah, o amor é mesmo lindo, pensou Claude.
E um sorriso irônico e decepcionado curvou seus
lábios. Fora exatamente essa a
promessa que Rosa e ele haviam feito um ao outro um dia. No entanto, agora...
- Sua passagem por favor, cavalheiro! Senhor? – Insistiu a comissária
de bordo, com a demora de Claude. –
Senhor, algum problema?
- Oh, não, desculpe-me,
senhorita. Aqui está! – Respondeu estendendo o braço.
E embora ela tenha rapidamente conferido e indicado sua poltrona, na classe
executiva, foi o tempo suficiente para Claude olhar o horizonte de Paris, que
anoitecia.
Quando descesse daquele avião já estaria amanhecendo e seus horizontes seriam outros. Adentrou o avião e
seguiu até encontrar sua poltrona, ao
lado de Dadi e acomodou-se.
- Algum problema por eu estar na executiva com você?
- Claro que non. Eu me distraí e fiquei por último na fila, apenas
isso.
- Por um momento, pensei que tinha desistido. Já me preparava
até para sair do avião atrás de você. – Falou Dadi séria, sem perder o foco na página da
revista em suas mãos.
- Uma piada desnecessária, Dadi. Por acaso eu sou de desistir, de alguma coisa?
- De coisas, não. Já
de pessoas...
- Mon Dieu, está me criticando por desistir de Louise?
- Sabe muito bem a quem me refiro, Claude. Não precisa gastar seu talento tentando representar para
mim.
PSV
Continua

2 comentários:
Dadi sabe das coisas kk
o que seria de Claude sem ela
Verdade, Fernandinha! Parece que tou vendo os dois conversando no avião! kkkkkkk
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