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sábado, 30 de janeiro de 2016

PSV/Capítulo 14

- Claro que fez  bem em me ligar, Frazão (...) Não, não, eu ainda nem me deitei. (...)  Sim, é isso mesmo. Eu ainda não estava  totalmente  decidido, mas  agora, é o melhor a ser feito. (...) Sim, não posso deixar que Louise destrua Nara. Porque é isso que irá acontecer, caso ela  fique aí. (...) Continue  com seus planos, mon ami.  E se houver algum imprevisto, eu mesmo irei busca-la. (...) D’àccord, boa noite, Frazão.
 - Algum problema, Claude? – Pergunta Dadi, entrando com o chá.
- O mesmo problema, Dadi: Louise. Ela insiste em ter um integrante da  família Geraldy na política nacional.
- E a bola  da vez é Nara... – Comenta, enchendo a xícara  de chá.
- Ouí. Está sendo pressionada a casar-se com o vice-prefeito... – Esclarece Claude, sentando-se no sofá.
- Vai trazê-la para  cá?
- Eu estava desistindo de ficar, mas não vejo alternativa melhor no momento. – Afirma, levando a xícara aos lábios, bebendo um gole. – Vou fechar com Júlio.
- Vai comprar uma briga grande com sua mãe. – Sentencia Dadi,  imitando-o.
- Talvez, Dadi. Mas vamos torcer pra que ela continue detestando o Brasil. – Falou devolvendo a xícara à bandeja. – O chá estava ótimo. Obrigado e boa noite, Dadi. E amanhã é domingo, não precisa  acordar cedo, ouí?
E dizendo isso, foi para  seu quarto.
Dadi o acompanhou com o olhar. “Se eu não o  conhecesse, Claude, acreditaria mesmo que quer  ficar por  causa de Nara. Mas sabemos que é  por  Rosa, mesmo que seu orgulho não adimita.”  - Pensou enquanto recolhia tudo.


PSV


Rosa estacionou o carro na única vaga que encontrou, a três quadras da galeria.  Estava atrasada e ainda essa! O estacionamento em frente a galeria, na qual deixava o carro estava lotado. Talvez  estivesse na hora de  alugar  a vaga por trinta dias, pensou, pegando a  bolsa e a pasta do banco de trás.
Ativou o alarme e andou o  mais rápido que  pode, obedecendo ao semáforo de pedestres. O frio daquela manhã não ajudava muito, pensou ajeitando a  gola do casaco. E para uma segunda-feira, a semana começava bem. Bem mal, como diria Janete.
Finalmente chegou e empurrou a porta, entrando apressadamente, sem parar  na  recepção,  como era  seu  costume.
- Bom dia, Janete, estou  mega atrasada, eu sei. Depois colocamos o fim de semana em dia! – Falou sem parar,   andando e abrindo a porta  da sala   de John. Precisava se explicar  a ele o motivo de seu atraso.
- Rosa, espere! – Exclamou Janete, mas  Rosa mal a ouviu e já entrava na sala.
- John, me desculpe, eu atrasei porque... – Parou. De falar e andar. Ficou no lugar que estava,  como  se  tivesse  sido congelada.
- Rosa! – Disse John sorrindo e levantando-se, se aproximou dela. – Estava justamente falando de você. Que nunca se atrasa.
- Bom dia,  Rosa! – Cumprimentou-a  Júlio.
- Bom dia, Júlio.  – Retribuiu, respirando mais fundo que o  normal, antes de  continuar. -  Bom dia, senhor Geraldy. Me desculpem, eu não sabia que estariam aqui esta manhã.
- Esta e todas as outras, Rosa.  Acabamos de assinar o contrato e  Claude agora é oficialmente o administrador e  curador da galeria.
- Oh, eu...
- Parece que não  ficou satisfeita, senhorita. – Afirma Claude.
- Impressão sua. – Respondeu  tentando manter  a firmeza  na  voz. – John precisava mesmo de um prazo  maior. Tenho certeza que em pouco tempo conseguirá liquidar a promissórias e rever a administração.
- Então me acha um oportunista?
- Não, de forma alguma. A dívida  foi parar em sua  empresa, está  em seu direito.
- Seus  direitos também foram  mantidos, senhorita. Suas ações estão preservadas, uma  vez que não faziam parte da garantia do empréstimo.
- Está vendo como eu tinha razão em não envolvê-la nisso, querida? – Falou John, mal notando o  clima entre Rosa e Claude.
- É, eu acho que  sim...
- Então só falta  você rubricar as laudas e assinar a final, Rosa. O contrato continua igual ao que  você já leu. – Pediu Júlio.
- Ok. –  Concordou sentando-se na cadeira que Júlio ofereceu. Batia os olhos rapidamente nas  folhas  que  rubricava e mais atentamente nas  clausulas finais, antes de assinar.
- Algum problema? – Perguntou Claude, notando  a hesitação dela.
- Não, nenhum. Apenas  não  gosto de assinar sem ler. – Respondeu assinando em seguida.  -  Pronto. A galeria agora, é  toda  sua!
- Não diga isso.  Somos  sócios e embora  no  momento eu seja o majoritário, tenho certeza que nos daremos  muito bem.
- Bem, já que não teremos um brinde, vou imediatamente ao cartório fazer o registro. Assim que estiver tudo em ordem, eu entrego a vocês. – Falou Júlio unindo toas as vias  do contrato e guardando em sua  valise. – Bom dia a todos! É sempre um prazer negociar  com vocês!
-  John eu preciso explicar o meu atraso, foi...
- Creio que deve se explicar para o Claude, Rosa. Ele agora é o seu superior. E meu também, de forma que só posso  responder  por ele em sua ausência, o que não acontece no momento.
- Oh! Está bem... Senhor Geraldy eu...
- Se vamos  conviver, e vamos, por um bom tempo, é melhor  nos tratarmos por nossos nomes simplesmente, não acha?
- Ok. – Concordou – Claude – E sua voz tremeu – Eu me atrasei porque minha filha está doente, passou  toda a semana com febre alta, dor de garganta e os exames constataram que ela está com infecção nas amídalas mais uma vez. O médico aconselhou retira-las e vou precisar me ausentar por alguns dias. Tudo bem?
- Você não precisa me pedir permissão para se ausentar, Rosa. É sócia da galeria, não uma empregada.
- Certo, é que não  gosto de faltar. Adoro meu trabalho aqui.
- É o melhor a ser feito, Rosa.  Não é  bom para ela ficar tomando antibióticos a cada infecção. Isso só aumenta  a resistência da  bactéria.
- É eu sei. Por isso concordei dessa vez. Vai ser o melhor para ela.
- Então por que parece preocupada?
- É a primeira vez que Alex ficará hospitalizada, eu nem sei o que fazer direito!
- Siga as orientações  do médico e das enfermeiras  e tudo vai dar certo. Se quiser eu as  acompanho. – Sugeriu John.
- Obrigada, mas não se incomode.  Liz precisa de sua atenção também.
Claude  que apenas observava o diálogo, resolveu falar.
- Bem se  já está  tudo resolvido, eu gostaria de tomar  conhecimento das transações da  galeria,  do inventário, das  obras permanentes, free lancers, em trânsito... Poderia ser?
- Claro! -  Falou Rosa olhando para ele  e achando-o insensível. Será que agiria assim se  soubesse que Alex era  sua filha também? – Quer os arquivos  virtuais  ou prefere as planilhas impressas?
- Embora eu seja  fã do digitalizado,  aprendi com alguém que nunca se deve desprezar o papel. Seja ele qual for. – Respondeu encarando-a.
- Eu vou pedir à Janete que traga as pastas – Respondeu fugindo do olhar dele e  fingindo não entender o significado daquelas  palavras.
- Perfeito, Rosa. – Falou John – Eu me encarrego de explicar tudo e  você  pode adiantar  sua agenda  com ela, que eu sei é exatamente o que  vai fazer antes  de voltar para casa.


PSV



- Por que viemos à Champs-Elysées, Roberta? O Shopping fica em sentido contrário, não íamos fazer  compras?
- Shopping? Você acha que eu faço compras  em shoppings?
A mais bela avenida do mundo. Champs-Elysées  é um dos endereços mais movimentados e mais caros de Paris, repletos de lojas de grifes famosas,  desejadas e sonhadas para consumo de muitas  pessoas.
- Eu sei que você não faz. Mas eu faço.
- Foi por isso que sua mãe pediu a minha ajuda, querida. Não pode aparecer ao lado de Bernard com roupas de  lojas populares, onde qualquer uma  compra. Iria envergonhá-lo.
- Mas não é justamente do voto popular que vocês precisam?
- Por que ainda resiste, Nara? Os planos de sua mãe são maravilhosos.  Você  vai ser a esposa  do prefeito de Paris, a  cidade mais cobiçada do mundo.
- Ainda bem que  concordamos em alguma  coisa. Esses  são os planos dela para o futuro, não meus.
- Um futuro deslumbrante! – Comenta, pedindo ao motorista que estacionasse o carro e então desceram dele. E  foram andando pela  calçada.
- Deslumbrante? Eu não amo Bernard. Não sinto nada por ele!
- Amor? E quem pensa em amor, quando se tem poder, Nara?
- Mas  você  ama o Claude... Não ama?
- É claro que sim. – Respondeu rapidamente Roberta -  E vocês  vão acabar se amando também. Bernard é muito envolvente. Vai se apaixonar  por ele, tenho certeza.
- Como pode ter certeza, Roberta?
- E você como pode  ter certeza que não? Oras Nara, dê uma chance a você e a ele. Sua mãe sabe o que está  fazendo, meu bem! Vamos entrar nesta  loja.  Os vestidos aqui são exclusivos.
- Você é bem mais preparada que eu Roberta. Devia se casar  com Bernard em meu lugar.
- Mas ele escolheu você! E eu... Bem, eu ainda  continuo querendo seu irmão. Ele vai voltar Nara. E então se casará  comigo. Agora vamos  focar em você. Depois que escolher  vou lhe ensinar algumas... posturas condizentes  com sua  nova posição e...
Nara resolveu não argumentar mais. Tinha outros  planos em mente e eles não coincidiam com os de sua mãe.  Azar o dela pensou antes de sorrir para Roberta.
Ficou muito claro para ela que o encontro  com Bernard ao final da tarde não  foi por acaso. Jantaram em um dos  luxuosos restaurantes da Avenida, enquanto ele discursava  sobre sua plataforma de campanha e  o quanto o apoio   dela, Nara, seria importante para ele.


PSV


Com a infecção  controlada, a  cirurgia de Alex aconteceu poucos  dias  depois. Como explicara o médico, retirar as amígdalas doentes faria  o organismo de Alex deixar  de sobrecarregar seu sistema imune com infecções de repetição, que se  tornariam  cada  vez mais  fortes e  frequentes, sem ela.
Sendo criança, iria se recuperar bem rápido e fácil. Mas  o pós operatório a  deixaria manhosa,  pelo  incomodo do procedimento. A recomendação era de repouso em casa por sete dias. E o que animou mesmo Alex foi saber que sua alimentação deveria ser fria ou gelada nos três primeiros dias.
Poderia e deveria tomar sorvete tipo milk-shake, sopa fria, sucos de frutas doces, mingau frio, gelatina, iogurte, enfim tudo que  fosse gelado, o que Rosa a fazia  evitar antes.
Apesar  do desconforto inicial, Alex ganhou nota dez em seu retorno, cinco  dias  após a cirurgia. Deveria ainda manter alimentação fria, mas  já alternando com o levemente  morno e macio. Bolachas  crocantes nem pensar. Nada  de correr, pular ou nadar ainda.
Quando Rosa disse que  voltaria a galeria, a manha  foi maior. Tentou explicar que  não podia  mais faltar, que tinha um novo chefe e que seu trabalho estava  acumulado e se demorasse a voltar, talvez  precisasse ficar trabalhando  várias  noites para  coloca-lo em dia.
Isso bastou para que a manha diminuísse,  mas  Alex só se deixou convencer quando Rosa prometeu leva-la junto algumas  vezes para que brincasse no ateliê.
Como queria  ser inocente  como ela! O que  faria  dali para  frente? Como  iria  conviver diariamente  com Claude? E como ele a trataria?
Melhor não perder meu sono com essas perguntas e preocupações.  Não adiantaria em nada eu não dormir. Continuaria sem as  respostas..
 PSV
Claude terminou de tomar a xícara de café enquanto lia  o jornal.
- Não vai  comer nada? – Observou Dadi.
- Estou sem  fome e sem  vontade, Dadi. – Respondeu dobrando o jornal e deixando-o de lado.
E depois de um instante continuou.
- Ela  retorna hoje para a galeria.
- Garanto que ela está  tão apreensiva  quanto você. Talvez mais. Por que não diz que ainda a ama? Resolveria todo o problema.
-  Eu diria, se ela  ainda me amasse. Se é que amou mesmo. – Comentou levantando e colocando o paletó.
- A menina é um transtorno para  você? Saber que ela teve um  outro relacionamento que resultou em gravidez a faz amar menos?
- Eu nunca a amaria menos. É o motivo pelo qual teve a filha que me perturba.
- Dê uma  chance ao destino, Claude. Se  ele os  colocou juntos novamente é porque ainda há  o que acontecer entre  vocês.
- Ou é ele explicando o  porquê não há mais nada entre nós Dadi! Até mais tarde.



PSV 
Continua 02/02

1 comentários:

Unknown disse...

MUITO BOA ESSA FIC BEM ATUALIZADA ESTOU MATANDO SAUDADES DE CLAUDE E ROSA ELE CONTINUA ORGULHOSO E DESCONFIADO BJS.

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